ACADEMIA DIVULGA PRÉ-LISTA de SELECIONADOS em 9 CATEGORIAS! COMO ESPERADO, BRASIL ESTÁ FORA DA CORRIDA…

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ACADEMIA RESOLVE FAZER UMA PENEIRA FORTE EM NOVE CATEGORIAS

Pela primeira vez na longeva história da Academia, divulgaram as short lists em nova categorias ao mesmo tempo. E pela primeira vez desde 1979, anunciaram a pré-lista nas categorias musicais. Portanto, com essa dança das cadeiras, alguns profissionais comemoraram a sobrevivência de chances no Oscar, e muitos outros já deram adeus.

E os números são bem expressivos dessas listas de corte. Na categoria de Filme em Língua Estrangeira, dos 87 inscritos, sobraram apenas nove, enquanto em Melhor Documentário, dos 166 inscritos, 15 continuam na luta. Pelas categorias de Trilha e Canção, de centenas passaram para 15 por categoria.

Em relação às categorias de curtas (documentário, animação e live action), praticamente todos somos Gloria Pires, não podemos opinar. Mas em relação às demais, dá pra comentar um pouco sobre.

Vamos às listas?

DOCUMENTÁRIO-CURTA
Black Sheep
End Game
Lifeboat
Los Comandos
My Dead Dad’s Porno Tapes*
A Night at the Garden
Period. End of Sentence.
’63 Boycott
Women of the Gulag
Zion

* Esse título que já havia me chamado a atenção desde o começo do ano. O diretor quis descobrir mais sobre o falecido pai através de objetos pessoais, inclusive uma pilha de fitas VHS de filmes pornográficos. Não sei se tem chances no Oscar, mas seria engraçado no mínimo.

My Dead Dad's Porno Tapes

My Dead Dad’s Porno Tapes, de Charlie Tyrell (pic by IMDb)

CURTA DE ANIMAÇÃO
Age of Sail
Animal Behaviour
Bao
Bilby
Bird Karma
Late Afternoon
Lost & Found
One Small Step
Pépé le Morse
Weekends

Obviamente, não podia faltar o curta-metragem Bao, que foi exibido nos cinemas antes do filme Os Incríveis 2. A Pixar sempre marca forte presença nessa categoria. Além da qualidade do material, eles tiveram essa brilhante idéia de passar seus curtas para o público em geral nas sessões de seus longas. Em relação ao curta em si, particularmente, acho bem sensível a idéia, mas poderiam dispensar a transformação do dumpling em ser humano. A metáfora já estava compreendida.

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Cena do curta de animação Bao (pic by Disney/Pixar)

CURTA-METRAGEM
Caroline
Chuchotage
Detainment
Fauve
Icare
Marguerite
May Day
Mother
Skin
Wale

DOCUMENTÁRIO
Charm City
Communion
Crime + Punishment
Dark Money
The Distant Barking of Dogs
Free Solo
Hale County This Morning, This Evening
Minding the Gap
Of Fathers and Sons
On Her Shoulders
RBG
Shirkers
The Silence of Others
Three Identical Strangers
Won’t You Be My Neighbor?

Felizmente, todos os documentários premiados até agora parecem estar nessa pré-lista. Por enquanto, o mais forte candidato é o Won’t You Be My Neighbor?, sobre as lições e legado de um apresentador de programa de TV infantil. Entre outros premiados estão o Hale Country This Morning This EveningMinding the Gap, RBG (sobre uma juíza americana que se tornou um ícone pop, e vale lembrar que o filme está na lista das canções também), Three Identical Strangers, Free Solo, Crime+Punishment e Shirkers, que já está disponível na Netflix e vale a pena dar uma olhada.

Won't You Be My Neighbor? - Still 1

O apresentador Fred Rogers em cena do documentário Won’t You Be My Neighbor? (pic by IMDb)

VISUAL EFFECTS
Homem-Formiga e a Vespa
Vingadores: Guerra Infinita
Pantera Negra
Christopher Robin
O Primeiro Homem
Jurassic World: Reino Ameaçado
O Retorno de Mary Poppins
Jogador Nº1
Han Solo: Uma História Star Wars
Bem-Vindos a Marwen

Bom, em primeiro lugar, acho um desaforo Jurassic World: Reino Ameaçado estar nessa lista. Além dos efeitos não apresentarem nada de novo (daqui a pouco até eu vou saber criar dinossauros em 3D), o filme é de uma gratuidade lucrativa asquerosa. Você assiste e não se importa com ninguém, e quer que todo mundo morra logo.

Enfim, dessa lista, O Primeiro Homem e Jogador Nº 1 parecem ser os mais fortes. Os efeitos de O Retorno de Mary Poppins parecem se assemelhar bastante com os efeitos da década de 60, mas vale lembrar que na época o filme foi um marco nos efeitos e ganhou o Oscar de Efeitos Visuais. E Vingadores: Guerra Infinita e Pantera Negra devem consolidar suas indicações por causa dos números nas bilheterias. Particularmente, considero os efeitos de Pantera Negra meio ruinzinhos. Já os efeitos de Bem-Vindos a Marwen são mais interessantes, já que transformar os atores em bonecos semelhantes às Barbies.

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Janelle Monáe e Steve Carell como bonecos em Bem-Vindos a Marwen (pic by IMDb)

MAQUIAGEM E CABELO
Pantera Negra
Bohemian Rhapsody
Border
Duas Rainhas
Stan & Ollie
Suspiria
Vice

Sempre fui a favor de maquiagens transformadoras ganharem o Oscar, tipo os trabalhos fenomenais do já aposentado Rick Baker, que fez Um Lobisomem Americano em Londres, O Grinch e Homens de Preto, porque essa coisa de colar um bigodezinho, passar um pózinho na cara e despentear o cabelo não é lá muito evidente pra ganhar esse prêmio.

Nesse quesito de transformação, eu diria que Suspiria sai na frente. Tilda Swinton interpreta três personagens e um deles é um senhor de idade. E você sabe o que aconteceu da última vez que Swinton se transformou numa idosa? O Grande Hotel Budapeste ganhou o Oscar.

Tilda Swinton Suspiria_

Sim, é a Tilda Swinton em Suspiria (pic by IMDb)

Também vale citar o Stan & Ollie, no qual John C. Reilly desaparece na maquiagem que o transforma no comediante Oliver Hardy. Já em Vice, embora temos muito do esforço descomunal de Christian Bale engordar, temos um trabalho de maquiagem de envelhecimento no seu personagem e de Amy Adams, pelo menos.

Já no quesito bigode e pózinho, a ausência de A Favorita se faz notar aqui.

TRILHA MUSICAL ORIGINAL
Aniquilação
Vingadores: Guerra Infinita
The Ballad of Buster Scruggs
Pantera Negra
Infiltrado na Klan
Podres de Ricos
A Morte de Stalin
Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindewald
O Primeiro Homem
Se a Rua Beale Falasse
Ilha dos Cachorros
O Retorno de Mary Poppins
Um Lugar Silencioso
Jogador Nº 1
Vice

Duas trilhas que dá pra garantir indicação são de O Primeiro Homem (Justin Hurwitz) e Se a Rua Beale Falasse (Nicholas Britell). Acredito também nas indicações de Alan Silvestri por Jogador Nº 1 e de Alexandre Desplat por Ilha dos Cachorros. Se John Williams estivesse na lista, eu o incluiria porque ele é sempre hors-concours na Academia. Pela quinta vaga, eu arriscaria Ludwig Göransson (Pantera Negra) ou Terence Blanchard (Infiltrado na Klan), se bem que Marc Shaiman pode ser lembrado por O Retorno de Mary Poppins.

CANÇÃO ORIGINAL
“When A Cowboy Trades His Spurs For Wings” (The Ballad of Buster Scruggs)
“Treasure” (Querido Menino)
“All The Stars” (Pantera Negra)
“Revelation” (Boy Erased: Uma Verdade Anulada)
“Girl In The Movies” (Dumplin’)
“We Won’t Move” (O Ódio que Você Semeia)
“The Place Where Lost Things Go” (O Retorno de Mary Poppins)
“Trip A Little Light Fantastic” (O Retorno de Mary Poppins)
“Keep Reachin’” (Quincy)
“I’ll Fight” (RBG)
“A Place Called Slaughter Race” (WiFi Ralph: Quebrando a Internet)
“OYAHYTT” (Sorry to Bother You)
“Shallow” (Nasce uma Estrela)
“Suspirium” (Suspiria)
“The Big Unknown” (As Viúvas)

Depois que aquela canção de Ritmo de um Sonho levou o Oscar, “It’s Hard Out Here for a Pimp”, nada mais foi o mesmo nessa categoria, o que torna tudo muito imprevisível. Claro que a mais forte aqui é a “Shallows”, que será cantada no Oscar pela Lady Gaga, e que possivelmente será premiada como compositora pra também compensá-la pela derrota como atriz.

Dentre as demais canções, “All the Stars” (Pantera Negra), “I’ll Fight” (RBG), “Girl in the Movies” (Dumplin’) e “Revelation” (Boy Erased) foram as mais lembradas na temporada até o momento, mas pode apostar que pelo menos uma das canções de O Retorno de Mary Poppins estará lá.

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Pássaros de Verão – COLÔMBIA
A Culpa – DINAMARCA
Never Look Away – ALEMANHA
Assunto de Família – JAPÃO
Ayka – CAZAQUISTÃO
Capernaum – LÍBANO
Roma – MÉXICO
Guerra Fria – POLÔNIA
Em Chamas – CORÉIA DO SUL

Ok, vamos direto ao ponto. Roma tem absolutamente tudo para ganhar, tornando-se o primeiro filme do México a vencer nesta categoria? 95% de chances que sim. Não estou nem atribuindo esses 5% ao imprevisível, que realmente existe no Oscar, mas devido ao cenário dos prêmios da crítica. Por exemplo, no LAFCA, dos críticos de Los Angeles, Roma sagrou-se como Melhor Filme, enquanto como Filme em Língua Estrangeira deu empate entre Assunto de Família e Em Chamas. Ou seja, num cenário em que Alfonso Cuarón leva o Oscar de Melhor Filme, pode se abrir uma janela para os demais concorrentes na categoria de Filme Estrangeiro.

Claro que são apenas hipóteses por enquanto, afinal, em 90 anos de Oscar, nunca um filme de língua estrangeira levou o Oscar de Melhor Filme. No máximo, são indicados como Amor (2012), A Vida é Bela (1998) e Z (1969), mas só levam o Oscar de Filme em Língua Estrangeira mesmo. Vamos ver se Roma vai crescer com as indicações ao Oscar em janeiro para poder cravar alguma coisa.

E o Brasil? A polêmica escolha de O Grande Circo Místico para representar o cinema nacional foi por água abaixo. Agora nós, cinéfilos, ficamos imaginando se Benzinho ou As Boas Maneiras tivessem sido escolhidos… teríamos uma nova indicação para o Brasil? Acho que a seleção deve levar em consideração apenas dois quesitos: Qualidade fílmica (de nada adianta levar filme de Segunda Guerra Mundial e morrer na praia) e Histórico de Festivais Internacionais. De nada adianta o filme ser ótimo se não for visto lá fora. Os produtores, juntamente com o governo, têm de investir em campanhas de divulgação, que muitas vezes começa com uma seleção em Cannes ou Veneza. E chega de política querer se meter na escolha! Da última vez, Aquarius ficou de fora por picuinha política.

Não assisti a todos dessa pré-lista, mas adoraria ver Em Chamas indicado. Seria a primeira indicação da Coréia do Sul, que tem um cinema formidável, mas nunca lembrado pela Academia. O filme é uma adaptação de um conto do escritor japonês Haruki Murakami, conta com um elenco afiadíssimo, uma fotografia excepcional e com a mão do diretor Lee Chang-dong, que já entregou ótimos filmes como Sol Secreto (2007) e Poesia (2010).

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Ah-in Yoo, Jong-seo Jun e Steven Yeun em cena de Em Chamas (pic by IMDb)

Por enquanto, minhas apostas são: México, Japão, Polônia, Líbano e Coréia do Sul.

***

As indicações ao Oscar 2019 serão anunciadas no dia 22 de janeiro.

 

 

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‘OS INCRÍVEIS 2’ e ‘WiFi RALPH: QUEBRANDO A INTERNET’ são os RECORDISTAS de INDICAÇÕES no ANNIE AWARDS

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Da esquerda pra direita: O Homem das Cavernas, Os Incríveis 2, Wifi Ralph: Quebrando a Internet, Ilha dos Cachorros e Homem-Aranha no Aranhaverso concorrem como Melhor Longa de Animação no Annie Awards

PRA VARIAR, PIXAR E DISNEY DOMINAM A PREMIAÇÃO DAS ANIMAÇÕES. LONGA BRASILEIRO CONCORRE COMO ANIMAÇÃO INDEPENDENTE

Depois de 7 anos da existência deste blog, vamos postar pela primeira vez sobre o Annie Awards, que é o prêmio norte-americano dedicado às animações. Como são ao todo 32 categorias (!), teremos que excluir os prêmios dos trabalhos televisivos. Além das animações, existem categorias de efeitos de animações em filmes live-action, que podem indicar algum favoritismo futuro para o Oscar de Efeitos Visuais.

Em relação às estatísticas do Annie Awards, que está em sua 46ª edição, dos últimos dez anos, SEIS que venceram o prêmio de Melhor Longa de Animação, acabaram repetindo suas vitórias no Oscar. Das quatro diferenças, duas escolhas do Annie são praticamente imperdoáveis: Como Treinar Seu Dragão batendo Toy Story 3, e Kung Fu Panda vencendo Wall-E. Não que a Pixar seja uma unanimidade, mas quando ela acerta, é difícil não entregar obras-primas do gênero.

Falando em Pixar, neste ano, Os Incríveis 2 se tornou o recordista de indicações com 11 no total, seguido de perto por Wifi Ralph: Quebrando a Internet com 10. Ambas as produções estão concorrendo como Melhor Longa de Animação com Ilha de Cachorros, Homem-Aranha no Aranhaverso e O Homem das Cavernas. Aliás, o blog do Cinema Oscar e Afins também apostou nessas cinco animações para concorrer ao Oscar no post com as 25 animações inscritas. Talvez o stop motion de O Homem das Cavernas dê seu lugar para o sucesso comercial de O Grinch, ou uma animação estrangeira que a Academia (felizmente) adora reconhecer todos os anos.

Aproveitando o assunto, dentre as animações estrangeiras, temos um trabalho brasileiro concorrendo na categoria de Melhor Longa de Animação Independente. Trata-se de Tito e os Pássaros, dirigido pelo trio Gabriel Bitar, André Catoto e Gustavo Steinberg. Com uma trama meio futurista, a animação conta com uma mistura de técnicas como a pintura, que costuma ser bem recebida na Academia (vide Com Amor, Van Gogh indicado este ano). Caso conquiste uma das cobiçadas vagas na categoria, a animação se tornaria a segunda brasileira indicada ao Oscar ao lado de O Menino e o Mundo, de Alê Abreu.

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Cena da animação brasileira Tito e os Pássaros (pic by outnow.ch)

Tito e o Pássaros concorre com Ce Magnifique Gâteau!, de Emma De Swaef e Marc James Roels; MFKZ, de Shôjirô Nishimi e Guillaume Renard; Mirai, de Mamoru Hosoda; e Ruben Brandt, Collector, de Milorad Krstic.

Vale ressaltar também a ilustre presença no Annie Awards do compositor brasileiro Heitor Pereira, que concorre pela Trilha Musical da animação PéPequeno, que chegou aos cinemas nacionais em setembro.

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Cena da animação PéPequeno, que conta com a trilha musical de Heitor Pereira (pic by outnow.ch)

Já na categoria de Direção, o destaque vai para Genndy Tartakovsky, que conseguiu reconhecimento por Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas. O que não dá pra entender foi a exclusão de Wes Anderson por Ilha de Cachorros, uma animação impecável de stop motion com 100% do DNA do diretor. Seria esta exclusão um sinal negativo para o filme durante a temporada de premiações?

E um dos principais motivos do post do Annie Awards foi pra citar a dublagem, que tem sua própria categoria. Dos cinco atores indicados, o blog conferiu três, que são dublagens espetaculares: Eddie Redmayne em O Homem das Cavernas, Holly Hunter em Os Incríveis 2 e Bryan Cranston em Ilha dos Cachorros. Todos vencedores ou indicados ao Oscar, com um incrível talento vocal pra elevar qualquer personagem animado. Incluiria ainda Tom Hiddleston também pelo O Homem das Cavernas. Ele desenvolve uma espécie de dialeto francês para seu personagem Lord Nooth que vale a pena conferir.

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Holly Hunter, Eddie Redmayne e Bryan Cranston estão entre os indicados a Melhor Dublagem no Annie Awards

Confira lista dos indicados de cinema ao 46º Annie Awards:

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO

  • O Homem das Cavernas (Early Man), Aardman Animations
  • Os Incríveis 2 (Incredibles 2), Pixar Animation Studios
  • Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs), Fox Searchlight Pictures/Indian Paintbrush/American Empirical Pictures
  • Wifi Ralph: Quebrando a Internet (Ralph Breaks the Internet), Walt Disney Animation Studios
  • Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man: Into the Spider-Verse), Sony Pictures Animation

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO INDEPENDENTE

  • Ce Magnifique Gâteau!, Beast Animation, Vivement Lundi!, Pedri Animation
  • MFKZ, Ankama/Studio 4ºC
  • Mirai, Studio Chizu
  • Ruben Brandt, Collector, Hungarian National Film Fund
  • Tito e os Pássros, Bits Productions, Split Studio

MELHOR PRODUÇÃO ANIMADA ESPECIAL

  • Back to the Moon
  • O Retorno de Mary Poppins
  • The Emperor’s Newest Clothes
  • The Highway Rat

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

  • Grandpa Walrus
  • Lost & Found
  • SOLAR WALK
  • Untravel
  • Weekends

MELHORES EFEITOS ANIMADOS EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Howard Jones, Dave Alex Riddett, Grant Hewlett, Pat Andrew, Elena Vitanza Chiarani (O Homem das Cavernas)
  • Patrick Witting, Kiel Gnebba, Spencer Lueders, Joe Pepper, Sam Rickles (Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas)
  • Greg Gladstone, Tolga Göktekin, Jason Johnston, Eric Lacroix, Krzysztof Rost (Os Incríveis 2)
  • So Ishigaki, Graham Wiebe (Next Gen)
  • Cesar Velazquez, Marie Tollec, Alexander Moaveni, Peter DeMund, Ian J. Coony (Wifi Ralph: Quebrando a Internet)

MELHOR ANIMAÇÃO DE PERSONAGEM EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Laurie Sitzia (O Homem das Cavernas), Personagens: Goona, Dug, Chief Bobnar, the Tribe, the rabbit e Lord Nooth
  • Lance Fite (Os Incríveis), Personagens: todos
  • Jason Stalman (Ilha dos Cachorros), Personagens: Chief e Nutmeg
  • Vitor Vilela (Wifi Ralph: Quebrando a Internet), Personagens: Ralph, Fix-It Felix, Double Dan, Vanellope Von Schweetz, Ralphzilla, Yesss, Root Beer Tapper Patrons, Pancake Bunny, Milkshake Kitty, Baby Mo, Mo’s Mom
  • David Han (Homem-Aranha no Aranhaverso), Personagens: múltiplos

MELHOR ANIMAÇÃO DE PERSONAGEM EM FILME LIVE ACTION

  • Paul Story, Sidney Kombo Kintombo, Eteuati Tema, Jacob Luamanuvae Su’a, Sam Sharplin (Vingadores: Guerra Infinita)
  • Arslan Elver, Laurent Laban, Kayn Garcia, Claire Blustin, Marc-André Coulombe (Christopher Robin)
  • Chris Sauve, James Baxter, Sandro Cleuzo (O Retorno de Mary Poppins)
  • Pablo Grillo, Laurent Laban, Kyle Dunlevy, Stuart Ellis, Liam Russell (Paddington 2)
  • Richard Oey, Adrien Annesley, Allison Orr, Wei Liang Yap, Shan Hao (O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos)

MELHOR DESIGN DE PERSONAGENS EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Matt Nolte (Os Incríveis 2) Personagem: Todos
  • James Woods (O Retorno de Mary Poppins) Personagem: os animados
  • Marceline Tanguay (Next Gen) Personagem: múltiplos
  • Ami Thompson (Wifi Ralph: Quebrando a Internet) Personagens: Ralph, Vanellope Von Schweetz, Yesss, Maybe, Shank, Spamley, Gord, The eboy, ebay Elaine, Netuser, Netizens, Internet Troll, Slaughter Race Crew, princesas da Disney, Ralphzilla, Jimmy, Tiffany, Baby Calhoun, Pancake Bunny, Milkshake Kitty, KnowsMo
  • Shiyoon Kim (Homem-Aranha no Aranhaverso) Personagens: Uncle Aaron, Rio, Peter, Miles, King Pin, Gwen, Aunt May, Goblin, Jefferson

MELHOR DIREÇÃO DE LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Nick Park (O Homem das Cavernas)
  • Genndy Tartakovsky (Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas)
  • Brad Bird (Os Incríveis 2)
  • Rich Moore e Phil Johnston (Wifi Ralph: Quebrando a Internet)
  • Bob Persichetti, Rodney Rothman e Peter Ramsey (Homem-Aranha no Aranhaverso)

MELHOR TRILHA MUSICAL EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Danny Elfman e Tyler The Creator (O Grinch)
  • Harry Gregson-Williams e Tom Howe (O Homem das Cavernas)
  • Michael Giacchino (Os Incríveis 2)
  • Henry Jackman, Alan Menken, Phil Johnston, Tom MacDougall e Dan Reynolds (Wifi Ralph: Quebrando a Internet)
  • Heitor Pereira, Karey Kirkpratick e Wayne Kirkpatrick (Pé Pequeno)

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Richard Edmunds (O Homem das Cavernas)
  • Scott Wills (Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas)
  • Adam Stockhausen, Paul Harrod (Ilha de Cachorros)
  • Jeff Turley (O Retorno de Mary Poppins)
  • Justin K. Thompson (Homem-Aranha no Aranhaverso)

MELHOR STORYBOARD EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Habib Louati (O Grinch)
  • Dean Kelly (Os Incríveis 2)
  • Bobby Alcid Rubio (Os Incríveis 2)
  • Ovi Nedelcu (O Retorno de Mary Poppins)
  • Michael Herrera (Wifi Ralph: Quebrando a Internet)

MELHOR DUBLAGEM EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Eddie Redmayne (O Homem das Cavernas) Personagem: Dug
  • Holly Hunter (Os Incríveis 2) Personagem: Helen Parr / Elastigirl
  • Bryan Cranston (Ilha de Cachorros) Personagem: Chief
  • Charlyne Yi (Next Gen) Personagem: Mai
  • Sarah Silverman (Wifi Ralph: Quebrando a Internet) Personagem: Vanellope Von Schweetz

MELHOR ROTEIRO EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Brad Bird (Os Incríveis 2)
  • Mamoru Hosoda e Stephanie Sheh (Mirai)
  • Phil Johnston e Pamela Ribon (Wifi Ralph: Quebrando a Internet)
  • Phil Lord e Rodney Rothman (Homem-Aranha no Aranhaverso)
  • Michael Jelenic e Aaron Horvath (Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas)

MELHOR MONTAGEM EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Chris Cartagen (O Grinch)
  • Stephen Schaffer, Anthony J. Greenberg, Katie Schaefer Bishop (Os Incríveis 2)
  • Jeremy Milton, Fabienne Rawley, Jesse Averna, John Wheeler, Pace Paulsen (Wifi Ralph: Quebrando a Internet)
  • Milorad Krstic, Marcell Laszlo, Laszlo Wimmer, Danijel Daka Milosevic (Ruben Brandt, Collector)
  • Bob Fisher, Andrew Levinton, Vivek Sharma (Homem-Aranha no Aranhaverso)

***

A cerimônia acontece no dia 02 de fevereiro no Royce Hall no campus da UCLA.

25 ANIMAÇÕES INSCRITAS DISPUTAM as INDICAÇÕES ao OSCAR 2019

Isle of Dogs

Atari e seus novos amigos caninos em Ilha de Cachorros (pic by IMDb)

WES ANDERSON PODE CONQUISTAR SUA 2ª INDICAÇÃO NA CATEGORIA E SUA 7ª NO TOTAL

Nesta quarta, dia 24, a Academia anunciou 25 produções inscritas oficialmente que concorrerão às 5 indicações na categoria de Melhor Longa de Animação. Embora as animações ainda precisem preencher todos os pré-requisitos para avançar, a tendência é que pelo menos 16 sejam aprovadas para que haja 5 indicados.

Na lista, chama a atenção a quantidade de animações vindas do oriente, principalmente as japonesas que totalizam sete, além de uma co-produção com a França. Contudo, ao contrário dos anos anteriores, não há nenhum forte candidato nipônico. Mesmo contando com os demais estrangeiros vindos do México, Hungria e Brasil, podemos ver um ano apenas com animações no idioma Inglês, algo que não acontece há vários anos.

Sim, temos novamente uma animação brasileira no páreo e isso é ótimo para o nosso cinema! Tito e os Pássaros, dirigida pelo trio Gabriel Bitar, André Catoto e Gustavo Steinberg, acompanha um menino e seu pai que buscam a cura de uma doença que é contraída depois que a pessoa leva um susto. Embora tenha boa técnica de animação, ainda é um azarão nas apostas pela carreira internacional ainda no início. Pode se tornar a segunda animação brasileira indicada após O Menino e o Mundo, de Alê Abreu.

Tito e os Pássaros cena

Cena da animação brasileira Tito e os Pássaros (pic by IMDb)

O favoritismo deste ano, por incrível que pareça, não é da Pixar/Disney, que aposta em Os Incríveis 2. O franco-favorito é Ilha dos Cachorros, de Wes Anderson. Com um visual arrebatador e uma técnica de stop motion afiadíssima, o longa conta a história de Atari, filho do prefeito de uma cidade japonesa, que busca seu cachorro numa ilha do lixo habitada apenas por cães banidos. A maioria dos personagens são cachorros dublados por um elenco estelar: Bryan Cranston, Scarlett Johansson, Edward Norton, Jeff Goldblum, Bill Murray, Tilda Swinton, F. Murray Abraham, além de participações de Frances McDormand e Greta Gerwig, que dubla uma ativista.

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O Criador e suas crias: Wes Anderson posa com sua galeria de personagens de Ilha de Cachorros (pic by Comunidade Cultura e Arte)

Além da própria qualidade do material, Ilha dos Cachorros carrega um histórico recente de Wes Anderson no Oscar. Indicado 6 vezes sem nenhuma vitória, inclusive pela animação O Fantástico Sr. Raposo (2009), esta pode e deve ser a oportunidade de ouro para a Academia premiar um dos diretores mais prolixos da atualidade, que perdeu injustamente o Oscar de Roteiro Original por O Grande Hotel Budapeste em 2015.

As apostas mais certeiras para serem indicadas ao Oscar são: Ilha dos Cachorros, Os Incríveis 2 e Wifi Ralph: Quebrando a Internet. Fica difícil fazer uma previsão sem ter assistido a todos os concorrentes, mas vamos lá.

Pela lógica de premiações, O Homem das Cavernas pode dar as caras por se tratar do novo filme de Nick Park, diretor consagrado de stop motion, que já conquistou 4 Oscars, incluindo Longa de Animação por Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais. E outra possibilidade seria  a indicação de Homem-Aranha no Aranhaverso. Já que a Academia não dá estatuetas para os longas live-action da Marvel Studios, por que não reconhecer a animação? A adaptação dos quadrinhos possui uma identidade visual muito própria que não faria feio na premiação. Quem assistiu aquela draga chamada Venom, já conferiu um trecho da animação no pós-créditos finais. Pra quem não viu, veja pelo link que vale a pena:

Seguem os 25 inscritos (as apostas estão assinaladas em laranja):

  • Ana y Bruno
    Dir: Carlos Carrera
  • O Grinch (The Grinch)
    Dir: Yarrow Cheney e Scott Mosier
  • O Homem das Cavernas (Early Man)
    Dir: Nick Park
  • Fireworks (Uchiage hanabi, shita kara miru ka? Yoko kara miru ka?)
    Dir: Akiyuki Shinbo e Nobuyuki Takeuchi
  • Have a Nice Day (Hao jile)
    Dir: Jian Liu
  • Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas (Hotel Transylvania 3: Summer Vacation)
    Dir: Genndy Tartakovsky
  • Os Incríveis 2 (The Incredibles 2)
    Dir: Brad Bird
  • Ilha de Cachorros (Isle of Dogs)
    Dir: Wes Anderson
  • The Laws of the Universe – Part I
    Dir: Isamu Imakake
  • Liz and the Blue Bird (Rizu to Aoi tori)
    Dir: Naoko Yamada
  • Lu Está Livre (Yoake Tsugeru Rû no uta)
    Dir: Masaaki Yuasa
  • MFKZ (Mutafukaz)
    Dir: Shôjirô Nishimi e Guillaume Renard
  • Maquia: When the Promised Flower Blooms (Sayonara no asa ni yakusoku no hana o kazarô)
    Dir: Mari Okada
  • Mirai (Mirai no Mirai)
    Dir: Mamoru Hosoda
  • The Night Is Short, Walk on Girl (Yoru wa mijikashi aruke yo otome)
    Dir: Masaaki Yuasa
  • On Happiness Road (Hsing fu lu shang)
    Dir: Hsin Yin Sung
  • Wifi Ralph: Quebrando a Internet (Ralph Breaks the Internet)
    Dir: Phil Johnston, Rich Moore
  • Ruben Brandt, Collector
    Dir: Milorad Krstic
  • Sgt. Stubby: An American Hero
    Dir: Richard Lanni
  • Gnomeu e Julieta: O Mistério do Jardim (Sherlock Gnomes)
    Dir: John Stevenson
  • PéPequeno (Smallfoot)
    Dir: Karey Kirkpatrick e Jason Reisig
  • Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man: Into the Spider-Verse)
    Dir: Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman
  • Tall Tales (Drôles de petites bêtes)
    Dir: Arnaud Bouron e Antoon Krings
  • Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas (Teen Titans Go! To the Movies)
    Dir: Aaron Horvath e Peter Rida Michail
  • Tito e os Pássaros (Tito and the Birds)
    Dir: Gabriel Bitar, André Catoto e Gustavo Steinberg

***

As indicações ao Oscar 2019 serão anunciadas no dia 22 de janeiro. E a cerimônia ocorrerá no dia 24 de fevereiro.

FILME ROMENO de ESTREANTE, ‘TOUCH ME NOT’, VENCE o URSO DE OURO em BERLIM

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A diretora romena Adina Pintilie posa com seu Urso de Ouro no Festival de Berlim (pic by Veja)

PRODUÇÃO ROMENA SOBRE INTIMIDADE E SEXUALIDADE BATE FAVORITOS

Considerado o mais político dos festivais de cinema, Berlim, em sua 68ª edição, buscou abraçar a causa feminista do #MeToo, lançado na época do Globo de Ouro. O presidente do júri, o cineasta alemão Tom Tykwer, premiou o filme que mais dialoga com o momento conturbado de assédios.

Touch Me Not, que em tradução livre significa Não Me Toque, é resultado de uma pesquisa feita pela diretora Adina Pintilie sobre as fobias e obsessões das pessoas em relação ao contato físico, tanto que possui uma mistura de linguagens de ficção e documental. Com um elenco composto por não-atores, a jovem diretora retrata cenas de nudez e masturbação e busca desafiar o público a entender esse comportamento do ser humano que é pouco discutido no cinema. Dos poucos e raros exemplares recentes que vi desse tópico foram os dois volumes de Ninfomaníaca, de Lars von Trier, mas de um ponto de vista mais patológico do que “normal”.

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Cena de Touch Me Not (Nu ma atinge-ma), de Adina Pintilie (pic by critic.de)

“O que o filme propõe é: abra-se para o diálogo que o mundo a sua volta está oferecendo”, declarou a diretora em seu discurso de agradecimento, quando levou todos os participantes do filme ao palco.

A produção romena da diretora estreante ganhou o principal prêmio da noite, batendo favoritos de diretores consagrados como o americano Gus Van Sant, que veio à Alemanha com o filme Don’t Worry, He Won’t Get Far on Foot, que tem Joaquin Phoenix como personagem que fica paraplégico após acidente e redescobre sua vida desenhando cartoons polêmicos e controversos.

Aliás, talvez o nome mais famoso em competição era o de Wes Anderson, que estava entre os 19 filmes indicados ao Urso de Ouro com seu segundo trabalho no gênero da animação Ilha de Cachorros, que assim como a primeira animação O Fantástico Sr. Raposo, utiliza-se da técnica do stop-motion. Já me adiantando um pouco, certamente o filme estará entre os indicados ao Oscar 2019 de Melhor Longa de Animação, podendo finalmente render a primeira estatueta ao diretor. Isso, claro, se não houver nenhum mega-sucesso da Pixar no caminho…

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Cena da animação Ilha de Cachorros, de Wes Anderson (pic by imdb.com)

Entre os vencedores, destaque para o primeiro filme do Paraguai a competir oficialmente em Berlim, Las Herederas (The Heiress), de Marcelo Martinessi, que acompanha a trajetória de uma senhora de idade homossexual buscando um recomeço. A produção latina conquistou o prêmio Alfred Bauer (uma espécie de Un Certain Regard do Festival de Cannes que premia um olhar diferenciado) e o de Melhor Atriz para Ana Brun.

O Brasil estava participando com três produções. Duas delas saíram premiadas com o Teddy Bear, que reconhece filmes com temática LGBT: Tinta Bruta, de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher, levou como Melhor Filme; enquanto Bixa Travesty, de Claudia Priscilla e Kiko Goifman, ficou como Melhor Documentário. Já o documentário O Processo, de Maria Augusta Ramos, sobre o impechament da ex-presidente Dilma Roussef, terminou em 3º lugar na competição Panorama, votado pelo público.

BREVE NOTA

Claro que é sempre bacana acompanhar um festival internacional que não visa apenas a temporada do Oscar, como tem se tornado festivais como o de Veneza e de Toronto, e que ainda prestigiam a vertente mais política dos filmes autorais, contudo, como sempre aponto aqui no blog, os organizadores do evento deveriam transferir a data para, sei lá, o mês de março ou abril, justamente para não ficar de escanteio enquanto todos os olhos ficam em Hollywood e na festa do Oscar.

Seguem os vencedores da 68ª edição do Festival de Berlim:

URSO DE OURO
Touch Me Not
Dir: Adina Pintilie

URSO DE PRATA – GRANDE PRÊMIO DO JÚRI
Twarz (Mug)
Dir: Małgorzata Szumowska

URSO DE PRATA – PRÊMIO ALFRED BAUER
The Heiress
Dir: Marcelo Martinessi

URSO DE PRATA – MELHOR DIRETOR
Wes Anderson (Ilha de Cachorros)

URSO DE PRATA – MELHOR ATRIZ
Ana Brun (The Heiress)

URSO DE PRATA – MELHOR ATOR
Anthony Bajon (The Prayer)

URSO DE PRATA – MELHOR ROTEIRO
Manuel Alcalá e Alonso Ruizpalacios (Museum)

URSO DE PRATA – CONTRIBUIÇÃO ARTÍSTICA, FIGURINO OU DIREÇÃO DE ARTE
Elena Okopnaya (Dovlatov)

PRÊMIO AUDI CURTA-METRAGEM
Solar Walk
Dir: Réka Bucsi

CURTA-METRAGEM – PRÊMIO DO JÚRI
Imfura
Dir: Samuel Ishimwe

URSO DE OURO – MELHOR CURTA-METRAGEM
The Men Behind the Wall
Dir: Ines Moldavsky

MELHOR FILME DE ESTREANTE
Touch Me Not
Dir: Adina Pintilie

MELHOR DOCUMENTÁRIO
The Waldheim Waltz
Dir: Ruth Beckermann

2018 começando com EDDIE AWARDS, PGA e WGA

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Corra!, de Jordan Peele, presente nas três listas citadas: Eddie, PGA e WGA (pic by imdb.com)

PRÊMIOS DE SINDICATO VÃO REVELANDO SEUS CANDIDATOS NUM ANO BEM DIVERSIFICADO

Hello, pessoal! Feliz Ano Novo! Espero que todos tenham passado bem a virada e que este ano de 2018 seja de recuperação econômica (que o termo “crise” fique no passado) e que a eleição de novembro passe a limpo esta tão corrupta política brasileira.

Como de costume, o primeiro post do ano serve para revelar os indicados ao Eddie Awards, que é o prêmio do sindicato de montadores, mas com o PGA (Producers Guild of America) se antecipando, e o Writers Guild na cola, matarei TRÊS coelhos com uma só cajadada.

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EDDIE AWARDS

Como já citei aqui em outras ocasiões, a montagem costuma ser mais valorizada em filmes de ação como Mad Max: Estrada da Fúria, ou em narrativas não-lineares como o vencedor do ano passado A Chegada.

Assim como no Globo de Ouro, o Eddie tem duas categorias: Drama e Comédia ou Musical. Na teoria, essa divisão possibilita que as comédias não caiam no esquecimento da temporada de premiações, mas na prática, montagem de qualidade não tem gêneros. Particularmente, considero essa divisão muito prejudicial para os filmes de terror, que têm a obrigação de apresentar uma boa montagem, pois não são comédias ou musicais, e têm dificuldade de bater os dramas.

Enfim, neste ano, a categoria de drama tem como destaque Blade Runner 2049, montado pelo último vencedor Joe Walker, e Dunkirk que tem como méritos as sequências de bombardeio e o fato de ser o primeiro filme de Christopher Nolan com duração abaixo de duas horas desde Insônia (2002). Ambos competem com as montagens de The Post: A Guerra Secreta, A Grande Jogada e A Forma da Água.

Já pela categoria de comédia, a surpresa ficou por conta da inclusão de Três Anúncios Para um Crime, que vinha competindo como drama em outras premiações, inclusive no Globo de Ouro. Claro que, para quem conhece a filmografia, o diretor Martin McDonagh tem um forte apelo para comédias de humor negro, por isso seu trabalho pode ser interpretado de formas diferentes nessa questão de gênero.

Porém, o favorito desta categoria continua sendo Eu, Tonya, que tem colecionado prêmios e indicações importantes, seguido bem de perto por Em Ritmo de Fuga e Corra!, uma vez que apresentam boas cenas de ação e tensão. Curiosamente, Lady Bird, o mais legítimo representante da verve da comédia corre por fora.

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Margot Robbie em cena de Eu, Tonya, que concorre como montagem – comédia ou musical (pic by imdb.com)

Em animação, o novo trabalho da Pixar, Viva: A Vida é uma Festa deve ser premiado, enquanto na ala dos documentários, já que um dos favoritos Faces Places (Visages, Villages) da Agnès Varda não está na lista, talvez o filme sobre protestos de Los Angeles, LA 92, fature o prêmio.

Pelas categorias televisivas, destaque para Better Call Saul e Fargo em Drama, e Curb Your Enthusiasm em Comédia.

INDICADOS AO EDDIE AWARDS:

MELHOR MONTAGEM – DRAMA
* Joe Walker (Blade Runner 2049)
* Lee Smith (Dunkirk)
* Alan Baumgarten, Josh Schaeffer, Elliot Graham (A Grande Jogada)
* Michael Kahn, Sarah Broshar (The Post: A Guerra Secreta)
* Sidney Wolinsky (A Forma da Água)

MELHOR MONTAGEM – COMÉDIA OU MUSICAL
* Jonathan Amos, Paul Machliss (Em Ritmo de Fuga)
* Gregory Plotkin (Corra!)
* Tatiana S. Riegel (Eu, Tonya)
* Nick Houy (Lady Bird: É Hora de Voar)
* Jon Gregory (Três Anúncios Para um Crime)

MELHOR MONTAGEM – ANIMAÇÃO
* Steve Bloom (Viva: A Vida é uma Festa)
* Clair Dodgson (Meu Malvado Favorito 3)
* David Burrows, Matt Villa, John Venzon (LEGO Batman: O Filme)

MELHOR MONTAGEM – DOCUMENTÁRIO
* Aaron I. Butler (Cries From Syria)
* Joe Beshenkovsky, Will Znidaric, Brett Morgen (Jane)
* Ann Collins (Joan Didion: The Center Will Not Hold)
* TJ Martin, Scott Stevenson, Dan Lindsay (LA 92)

 

MELHOR MONTAGEM – DOCUMENTÁRIO DE TV
* Lasse Järvi, Doug Pray (The Defiant Ones — Ep: Part 1)
* Will Znidaric (Five Came Back — Ep: The Price of Victory)
* Inbal Lessner (The Nineties” — Ep: Can We All Get Along?)
* Ben Sozanski, ACE, Geeta Gandbhir; Andy Grieve (Rolling Stone: Stories from the Edge — Ep: 01)

Best Edited Comedy Series for Commercial Television
* John Peter Bernardo, Jamie Pedroza (Black-ish — Ep: Lemons)
* Kabir Akhtar, Kyla Plewes (Crazy Ex-Girlfriend — Ep: Josh’s Ex-Girlfriend Wants Revenge)
* Heather Capps, Ali Greer, Jordan Kim (Portlandia — Ep: Amore)
* Peter Beyt (Will & Grace — Ep: Grandpa Jack)

Best Edited Comedy Series for Non-Commercial Television
MELHOR MONTAGEM DE SÉRIES DE COMÉDIA DE EPISÓDIOS DE MEIA-HORA

* Steven Rasch (Curb Your Enthusiasm — Ep: Fatwa!)
* Jonathan Corn (Curb Your Enthusiasm — Ep: The Shucker)
* William Turro (Glow — Ep: Pilot)
* Roger Nygard, Gennady Fridman (Veep — Ep: Chicklet)

MELHOR MONTAGEM DE SÉRIES DRAMÁTICAS DE EPISÓDIOS DE UMA HORA – COM COMERCIAL
* Skip Macdonald (Better Call Saul — Ep: Chicanery)
* Kelley Dixon, Skip Macdonald (Better Call Saul — Ep: Witness)
* Henk Van Eeghen (Fargo — Ep: Aporia)
* Andrew Seklir (Fargo — Ep: Who Rules the Land of Denial)

MELHOR MONTAGEM DE SÉRIES DRAMÁTICAS DE EPISÓDIOS DE UMA HORA – SEM COMERCIAL
* David Berman (Big Little Lies — Ep: You Get What You Need)
* Tim Porter (Game of Thrones — Ep: Beyond the Wall)
* Julian Clarke, Wendy Hallam Martin (The Handmaid’s Tale — Ep: Offred)
* Kevin D. Ross (Stranger Things — Ep: The Gate)

MELHOR MONTAGEM DE MINISSÉRIES OU FILMES PARA TV
* Adam Penn, Ken Ramos (Feud — Ep: Pilot)
* James D. Wilcox (Genius: Einstein — Ep: Chapter One)
* Ron Patane (The Wizard of Lies)

MELHOR MONTAGEM – SÉRIES NÃO-ROTEIRIZADAS
* Rob Butler, Ben Bulatao (Deadliest Catch — Ep: Lost at Sea)
* Reggie Spangler, Ben Simoff, Kevin Hibbard, Vince Oresman (Leah Remini: Scientology and the Aftermath — Ep: The Perfect Scientology Family)
* Tim Clancy, Cameron Dennis, John Chimples, Denny Thomas (VICE News Tonight — Ep: Charlottesville: Race & Terror)

A cerimônia do Eddie Awards acontece no dia 26 de janeiro.

***

PGA

PRODUCERS GUILD OF AMERICA (PGA)

Normalmente o filme que está na lista do PGA já tem um pé na categoria de Melhor Filme no Oscar, mas obviamente um ou outro filme deve ficar de fora. Ano passado, dos 10 indicados ao PGA, apenas Deadpool não conseguiu chegar ao tapete vermelho. Não que Deadpool precise de indicações ao Oscar, mas seria bacana ver um trabalho mais ousado e para adultos como candidato.

Seguindo a lógica e tradição, dessa nova lista, aliás, de ONZE filmes, Mulher-Maravilha deve ser o excluído da vez, mesmo num ano considerado das mulheres após os escândalos sexuais de Hollywood. Particularmente, não gosto do filme da Patty Jenkins e considero todos esses elogios e prêmios “overlooked”, mas de novo: Mulher-Maravilha não precisa de indicação ao Oscar, ainda mais depois desse sucesso estrondoso nas bilheterias.

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Chris Pine, Gal Gadot e Lucy Davis em cena de Mulher-Maravilha (pic by imdb.com)

Bom, antes de analisar à fundo, melhor revelar os onze candidatos primeiro. Aqui vão:

MELHOR PRODUÇÃO FÍLMICA:

DOENTES DE AMOR (The Big Sick)
Produtores: Judd Apatow, Barry Mendel

ME CHAME PELO SEU NOME (Call Me By Your Name)
Produtores: Peter Spears, Luca Guadagnino, Emilie Georges, Marco Morabito

DUNKIRK (Dunkirk)
Produtores: Emma Thomas, Christopher Nolan

CORRA! (Get Out)
Produtores: Sean McKittrick, Edward H. Hamm Jr., Jason Blum, Jordan Peele

EU, TONYA (I, Tonya)
Produtores: Bryan Unkeless, Steven Rogers, Margot Robbie, Tom Ackerley

LADY BIRD: É HORA DE VOAR (Lady Bird)
Produtores: Scott Rudin, Eli Bush, Evelyn O’Neill

A GRANDE JOGADA (Molly’s Game)
Producers: Mark Gordon, Amy Pascal, Matt Jackson

THE POST: A GUERRA SECRETA (The Post)
Produtores: Amy Pascal, Steven Spielberg, Kristie Macosko Krieger

A FORMA DA ÁGUA (The Shape Of Water)
Produtores: Guillermo del Toro, J. Miles Dale

TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)
Produtores: Graham Broadbent, Pete Czernin, Martin McDonagh

MULHER-MARAVILHA (Wonder Woman)
Produtores: Charles Roven, Richard Suckle, Zack Snyder e Deborah Snyder

OK, vamos falar mal! Não, já falei de Mulher-Maravilha… haha
Bom, a lista não tem lá grandes surpresas. Temos os filmes que não podiam faltar devido ao seu bom histórico na temporada de premiações como The Post, A Forma da Água, Três Anúncios Para um Crime, Dunkirk, Lady Bird e Corra!.

Em termos de surpresas esperadas estão a inclusão de Me Chame Pelo Seu Nome e Doentes de Amor. O primeiro por duas questões: primeiro, o filme tem decaído um pouco desde seu início arrasador com os prêmios dos críticos de Los Angeles e do Independent Spirit Awards, e segundo porque ainda é um filme LGBT que precisa quebrar a barreira do conservadorismo desses prêmios. Já o segundo teve seu melhor momento quando foi lembrado em categorias principais no Critics’ Choice Awards, mas falhou miseravelmente para estar entre os indicados a Melhor Filme – Comédia ou Musical no Globo de Ouro.

Agora, de surpresa-surpresa mesmo foi a inclusão de A Grande Jogada, que vinha sendo lembrado apenas por sua atriz Jessica Chastain e um ou outro prêmio de roteiro, que foi escrito por um dos mestres do fast dialogue Aaron Sorkin. Se esse feito se repetir no Oscar, Chastain terá grandes chances de conquistar sua terceira indicação, mesmo tendo fortes candidatas pela frente como Meryl Streep, Frances McDormand, Saoirse Ronan e Sally Hawkins. E, claro, o já citado Mulher-Maravilha, cuja inclusão mais me soa como uma atitude de “fazer a média”, ainda mais por ser o 11º filme da lista ou plus one.

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Kevin Costner contracena com Jessica Chastain em A Grande Jogada (pic by imdb.com)

DOS EXCLUÍDOS

que mais senti falta foi Projeto Flórida, de Sean Baker. Tudo bem que o filme não é uma unanimidade como os favoritos, mas não li nenhuma crítica negativa que pudesse desqualificá-lo… E se formos levar em conta o contexto atual, o filme dialoga com a questão das minorias e imigrantes. Não dava pra entrar nessa lista?

Tem outro filme que supostamente era pra estar aqui, porque parece que filmes de guerra são feitos pra ganhar prêmios, que é O Destino de uma Nação. Antes de começar a temporada, todo mundo falava que esse filme ganharia o Oscar e daria finalmente o Oscar para Gary Oldman. Quando começaram os prêmios da crítica, o filme sumiu do radar, e aí as pessoas se questionavam: “Será que nem o Oscar pro Gary, vai??”. Eu sei que o ator merece há tempos uma estatueta, mas começo a ter minhas dúvidas também se ele tem mesmo toda essa chance.

E também vale citar o Mudbound, que de mais relevante conquistou uma indicação ao SAG de Melhor Elenco. Tem elementos da questão racial que estão no topic trend de Hollywood, e dirigido por uma mulher negra. Pode ser o filme a roubar a cadeira de Mulher-Maravilha no Oscar.

MELHOR PRODUÇÃO DE ANIMAÇÃO:

O PODEROSO CHEFINHO (The Boss Baby)
Producer: Ramsey Naito

VIVA: A VIDA É UMA FESTA (Coco)
Producer: Darla K. Anderson

MEU MALVADO FAVORITO 3 (Despicable Me 3)
Producers: Chris Meledandri, Janet Healy

O TOURO FERDINANDO (Ferdinand)
Producers: Lori Forte, Bruce Anderson

LEGO BATMAN: O FILME (The Lego Batman Movie)
Producers: Dan Lin, Phil Lord e Christopher Miller

Na categoria de animação, não tem muito o que falar. A Pixar deve conquistar mais um PGA com este belo exemplar de inclusão de imigrantes que é Viva: A Vida é uma Festa. Sem um possível estraga-festa que poderia ser Com Amor, Van Gogh, o caminho parece bem livre para o estúdio da Disney rumo a mais um PGA.

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Viva: A Vida é uma Festa concorre no PGA (pic by imdb.com)

MELHOR PRODUÇÃO DE DOCUMENTÁRIO:

CHASING CORAL

CITY OF GHOSTS

CRIES FROM SYRIA

EARTH: ONE AMAZING DAY

JANE

JOSHUA: TEENAGER VS. SUPERPOWER

THE NEWSPAPERMAN: THE LIFE AND TIMES OF BEN BRADLEE

Entre os documentários, o mais frequente nas premiações tem sido o novo filme de Agnès Varda, Visage, Villages, mas com ele ausente aqui, Jane, o filme sobre a especialista em primatas Jane Goodall pode se sobressair.

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Imagem de arquivo do documentário Jane, estrelado por Jane Goodall (pic by imdb.com)

Os vencedores serão anunciados no próximo dia 20 no Hotel Beverly Hilton.

***

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WRITERS GUILD AWARDS (WGA)

De todos esses prêmios de sindicatos, o mais chato, rígido e insignificante é o dos roteiristas. Além de ter uma série de regras desqualificatórias que acabam eliminando todos os anos importantes concorrentes, não aceitam roteiros de animações na competição. Sim, como se os roteiros de animações fossem coisa de criança.

Não à toa, roteiristas consagrados como Quentin Tarantino torcem o nariz, não é membro desse sindicato e mesmo assim, consegue ser indicado e ganhar Oscar como o fez em 2013 por Django Livre. Bom, claro que cada sindicato com seus estatutos, mas acho que poderiam pelo menos incluir uma categoria para animações. Se até o Oscar criou um prêmio para os longas de animação desde 2002, por que não o Writers Guild também?

Este ano, talvez o roteiro mais premiado até o momento foi um dos desclassificados: Três Anúncios Para um Crime, de Martin McDonagh. Com isso, teria menos chances no Oscar? Não. Além do já citado Tarantino, em 2015, o roteiro de Birdman venceu como Original depois de ter sido inelegível pelo WGA.

Felizmente, a safra de roteiros originais de 2017 pode suprir a ausência de Três Anúncios. O roteiro de Jordan Peele por Corra! compete com fortes concorrentes como Lady Bird, de Greta Gerwig, A Forma da Água, de Guillermo del Toro e Vanessa Taylor, além de Doentes de Amor, de Kumail Nanjiani, e Eu, Tonya, de Steven Rogers. Ainda dá pra citar o roteiro de Trama Fantasma, de Paul Thomas Anderson, que vinha recebendo prêmios, mas foi preterido aqui.

Já na categoria de Adaptações, curiosamente, roteiros que eram considerados certos como The Post: A Guerra Secreta e até Extraordinário ficaram de fora por motivo de escolha mesmo. Como no ano passado, quando o roteiro de Deadpool concorreu, temos outro roteiro adaptado dos quadrinhos dos X-Men na lista: Logan, escrito por Scott Frank, James Mangold e Michael Green. Não tem a originalidade e ousadia de seu antecessor, mas vale a lembrança de outro bem-sucedido filme para o público mais adulto.

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Dafne Keen, Patrick Stewart e Hugh Jackman em cena de Logan, que concorre como Roteiro Adaptado no WGA (pic by imdb.com)

Entre as adaptações, os favoritos O Artista do Desastre, de Scott Neustadter e Michael H. Weber, e A Grande Jogada, de Aaron Sorkin estão concorrendo com Me Chame Pelo Seu Nome, de James Ivory (que aos 89 anos conquista sua primeira indicação ao WGA), Mudbound, de Virgil Williams e Dee Rees, além do já citado Logan.

Na categoria de documentários, temos o veterano Alex Gibney concorrendo com No Stone Unturned, além de Jane, citado nos parágrafos de PGA acima, que está pré-selecionado para o Oscar.

ROTEIRO ORIGINAL
* Emily V. Gordon & Kumail Nanjiani (Doentes de Amor)
* Jordan Peele (Corra!)
* Steven Rogers (Eu, Tonya)
* Greta Gerwig (Lady Bird)
* Guillermo del Toro e Vanessa Taylor (A Forma da Água)

ROTEIRO ADAPTADO
* James Ivory; Baseado no romance de André Aciman (Me Chame Pelo Seu Nome)
* Scott Neustadter e Michael H. Weber; Baseado no livro “The Disaster Artist: My Life Inside the Room, the Greatest Bad Movie Ever Made” de Greg Sestero e Tom Bissell (O Artista do Desastre)
* Scott Frank, James Mangold e Michael Green; Baseado nos personagens dos quadrinhos de X-Men (Logan)
* Aaron Sorkin; Baseado no livro de Molly Bloom (A Grande Jogada)
* Virgil Williams e Dee Rees; Baseado no romance de Hillary Jordan (Mudbound)

ROTEIRO DE DOCUMENTÁRIO
* Theodore Braun (Betting on Zero)
* Brett Morgen (Jane)
* Alex Gibney (No Stone Unturned)
* Barak Goodman (Oklahoma City)

A 70ª edição do WGA está marcada para o dia 11 de fevereiro.

‘ME CHAME PELO SEU NOME’ é eleito MELHOR FILME segundo críticos de LOS ANGELES

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ENQUANTO DRAMA LGBT RETOMA PROTAGONISMO DA TEMPORADA, OUTROS DOIS FAVORITOS VOLTAM A MOSTRAR SINAIS DE VIDA

Após a consagração de The Post no National Board of Review, e de Lady Bird no NYFCC, o drama independente Me Chame Pelo seu Nome volta a ser protagonista no Los Angeles Film Critics Association (LAFCA), acumulando seu hype depois do Gotham Awards e da liderança nas indicações do Independent Spirit.

Embora tenha levado o prêmio principal de Filme, de Diretor para Luca Guadagnino e de Ator para Timothée Chalamet, Me Chame Pelo seu Nome teve uma grande sombra na premiação que atende pelo nome de A Forma da Água. O filme de Guillermo del Toro reaparece pela primeira vez no cenário desde que saiu com o Leão de Ouro em Veneza. A aventura fantástica conquistou os prêmios de Diretor (empate com Guadagnino), Atriz para Sally Hawkins e Fotografia, além de ser segundo lugar em Direção de Arte e Trilha Musical.

Sally Hawkins Shape of Water

Vencedora do prêmio de Melhor Atriz: Sally Hawkins em cena de A Forma da Água (pic by outnow.ch)

Além de ressuscitar A Forma da Água, o LAFCA também trouxe de volta ao palco Três Anúncios Para um Crime. Apesar de não ter ganhado nenhum prêmio, o filme de Martin McDonagh foi segundo lugar nas categorias de Atriz (Frances McDormand), Ator Coadjuvante (Sam Rockwell) e Roteiro (o próprio McDonagh). O filme, que critica a impunidade e ineficiência policial, havia levado o prêmio de roteiro em Veneza e o prestigiado People’s Choice Award do Festival de Toronto que costuma ter forte sintonia com o Oscar, mas perdeu espaço no Gotham, NBR e NYFCC. Tanto A Forma da Água quanto Três Anúncios ressurgem na hora certa, já que as indicações ao Critics’ Choice Awards e do Globo de Ouro se aproximam: dias 06 e 11, respectivamente.

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À esquerda, Woody Harrelson com Frances McDormand, que ficou em 2º lugar como Melhor Atriz por Três Anúncios Para um Crime (pic by moviepilot.de)

Se Saoirse Ronan não levou o prêmio de Atriz novamente por Lady Bird, o filme de Greta Gerwig foi representado aqui pela atriz Laurie Metcalf, que levou como Atriz Coadjuvante. A diretora recebeu a honraria especial do New Generation.

Já a nova vitória de Willem Dafoe por Projeto Flórida já o consolida como franco-favorito na categoria de Ator Coadjuvante após vencer consecutivamente o NBR, NYFCC e agora o LAFCA. Vale lembrar que o ator já foi duas vezes indicado ao Oscar: em 1987 por Platoon, e em 2001 por A Sombra do Vampiro, mas nunca levou a estatueta. Esse histórico existente com o Oscar conta bastante na hora da votação, por isso, já dá pra garanti-lo como um indicado pelo menos.

Pela categoria de Melhor Ator, acho importante ressaltar duas coisas: com mais essa vitória, Timothée Chalamet se fortalece como candidato, deixando de ser um jovem ator com poucas chances. Se ele ganhar o Globo de Ouro e/ou SAG, pode se tornar o vencedor mais jovem do Oscar de Ator. E por outro lado, onde está Gary Oldman? Até antes de começarem esses prêmios, ele era considerado o franco-favorito ao Oscar com sua interpretação da figura histórica do primeiro ministro britânico Winston Churchill em O Destino de uma Nação, mas até o momento, ninguém lembrou de seu nome ou sequer do filme de Joe Wright. Claro que ainda está cedo, mas Oldman precisa reagir se quiser um lugar ao sol.

Destaque para a vitória do humilde The Breadwinner, que bateu a franco-favorita Viva – A Vida é uma Festa, da Pixar, como Melhor Longa de Animação. Embora seja muito difícil a Pixar perder este Oscar (seu competidor faz uma bela homenagem à cultura mexicana em tempos de xenofobia do governo Trump), o reconhecimento de The Breadwinner permite que o filme também seja melhor apreciado e quem sabe, conseguir uma indicação ao Oscar.

Ao analisar os demais vencedores do LAFCA, tudo leva a crer que os filmes Blade Runner 2049 e Dunkirk devem prevalecer nas categorias técnicas do Oscar, mas com poucas chances de indicação e vitórias nas categorias principais. Embora a fotografia de Blade Runner 2049 tenha ficado em segundo lugar, como o diretor de fotografia Roger Deakins tem um histórico impressionante de 13 indicações e zero vitórias, a Academia deve finalmente premiá-lo, ao mesmo tempo em que reconhece tardiamente a fotografia do Blade Runner original, feita pelo competente Jordan Cronenweth.

Em relação ao prêmio de Trilha Musical, o colaborador assíduo de Paul Thomas Anderson, Jonny Greenwood, pode finalmente competir no Oscar por sua composição de Trama Fantasma. Sua trilha anterior feita para Sangue Negro havia sido desclassificada por supostamente conter música pré-existente na composição, que teria de ser original. Ainda sobre trilhas, os críticos de LA se esqueceram do belo trabalho de Daniel Lopatin em Bom Comportamento. Sua trilha carrega toda a tensão do filme dos irmãos Josh e Benny Safdie.

VENCEDORES DO LAFCA 2017:

MELHOR FILME: Me Chame Pelo seu Nome (Call me by your Name)
2º lugar: Projeto Flórida (The Florida Project)

MELHOR DIRETOR: Guillermo del Toro (A Forma da Água) e Luca Guadagnino (Me Chame Pelo seu Nome) – EMPATE

MELHOR ATOR: Timothée Chalamet (Me Chame Pelo seu Nome)
2º lugar: James Franco (O Artista do Desastre)

MELHOR ATRIZ: Sally Hawkins (A Forma da Água)
2º lugar: Frances McDormand (Três Anúncios Para um Crime)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Willem Dafoe (Projeto Flórida)
2º lugar: Sam Rockwell (Três Anúncios Para um Crime)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Laurie Metcalf (Lady Bird)
2º lugar: Mary J. Blige (Mudbound)

MELHOR ROTEIRO: Jordan Peele (Corra!)
2º lugar: Martin McDonagh (Três Anúncios Para um Crime)

MELHOR FOTOGRAFIA: Dan Lausten (A Forma da Água)
2º lugar: Roger Deakins (Blade Runner 2049)

MELHOR MONTAGEM: Lee Smith (Dunkirk)
2º lugar: Tatiana S. Riegel (I, Tonya)

MELHOR TRILHA MUSICAL: Jonny Greenwood (Trama Fantasma)
2º lugar: Alexandre Desplat (A Forma da Água)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Dennis Gassner (Blade Runner 2049)
2º lugar: Paul D. Austerberry (A Forma da Água)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA: 120 Batimentos Por Minuto, de Robin Campillo (FRANÇA) e Loveless, de Andrey Zvyagintsev (RÚSSIA) – EMPATE

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO: The Breadwinner, de Nora Twomey
2º lugar: Viva – A Vida é uma Festa (Coco), de Lee Unkrich e Adrian Molina

MELHOR DOCUMENTÁRIO: Faces Places, de Agnès Varda e JR
2º lugar: Jane, de Brett Morgen

PRÊMIO DOUGLAS EDWARDS PARA FILME EXPERIMENTAL: Purge This Land, de Lee Anne Schmitt

PRÊMIO NEW GENERATION: Greta Gerwig (Lady Bird)

PRÊMIO PELO CONJUNTO DA OBRA: Max von Sydow

ACADEMIA BUSCA SE RECOMPOR APÓS GAFE HISTÓRICA DO OSCAR 2017

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O indivíduo vai distribuir apenas envelopes no Oscar e resolve tweetar… (pic by Andrew Walker/REX/ Shutterstock)

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… posta foto da Emma Stone pra ficar bem na fita com a galera… (pic by Brian Cullinan)

Fred Berger

… e depois vê a cagada que cometeu (pic by Chris Pizzello/Invision/AP)

ACADEMIA ANUNCIA ALGUMAS MEDIDAS POUCO EFICIENTES

Bom, nessa altura do campeonato, o mundo inteiro já sabe o que realmente aconteceu nos bastidores do Oscar e o anúncio de Melhor Filme: o responsável pela entrega dos envelopes, Brian Cullinan (nas fotos acima), estava tão distraído com o Twitter e tirando foto com Emma Stone, que acabou entregando o envelope errado. O tempo pode passar, mas a vergonha por esse erro crasso (não me venham com “Errar é humano”!) perdurará por toda a eternidade. Obviamente, a esperança da Academia é que esse acontecimento seja esquecido o mais breve possível, mas se depender das providências anunciadas…

Recentemente, os organizadores da Academia detalharam novos protocolos que evitariam uma nova catástrofe. Na teoria. Eles vão contratar um terceiro contador para checar os votos e entregar os envelopes. Esse novo contador saberá com antecedência os vencedores e poderá alertar o diretor da cerimônia em caso de falha. Além, claro, de dispensar Brian Cullinan e Martha Ruiz, os dois responsáveis do Oscar desse ano, e também vai proibir o uso de celulares nos bastidores.

Olha, são medidas válidas, mas não tem uma real efetividade para coibir erros. Pra mim, basicamente houve uma falha do funcionário que estava mais preocupado com sua popularidade no Twitter do que checar se o envelope estava correto. Não precisa ter mais uma pessoa pra checar envelopes. Isso até uma criança conseguiria fazer sozinha.

Contando com uma parceria que dura décadas, a empresa responsável pela contagem de votos e confecção dos envelopes, Pricewaterhouse Coopers, não foi punida pelo erro. Apenas seus dois funcionários foram demitidos. Com certeza, alguém tem costas quentes com a Academia.

Enfim, a maior gafe dos últimos anos foi concretizada, a Academia e a Pricewaterhouse pediram desculpas, mas uma das piores consequências foi sobre a relação entre Faye Dunaway e Warren Beatty, que apresentaram e anunciaram o Oscar de Melhor Filme para La La Land. Segundo relatos, já havia um certo tom de inimizade desde os tempos de Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas (1967), que certamente se agravaram depois que Beatty inocentemente cedeu o envelope errado para Dunaway ler sem qualquer tipo de aviso. É triste que um acontecimento desse possa causar esse trauma a duas estrelas hollywoodianas que passaram dos 70 anos. Correm sério risco de morrerem brigados…

CATEGORIA DE ANIMAÇÃO PARA QUEM PAGAR MAIS

E agora a pior notícia até o momento: a Academia anunciou uma mudança que pode e deve distanciar produções menores da categoria de Longa de Animação. Abriu a votação de indicados para todos os membros da Academia, ao invés de ficar restrita ao comitê de Animação. Não querendo generalizar, mas convenhamos que a maioria dos membros da Academia não tem conhecimento mais profundo sobre animação, e deve ficar limitada a assistir apenas às grandes animações.

A razão dessa mudança certamente partiu de reclamações de grandes estúdios como Dreamworks, Disney e Pixar, que costumam gastar milhões, faturar alto nas bilheterias, mas que estão insatisfeitos e indignados que suas produções perdem vaga no Oscar para animações independentes pequenas até de outros países como A Tartaruga Vermelha, Minha Vida de Abobrinha e no ano passado, o brasileiro O Menino e o Mundo.

84th Academy Awards Nominations Announcement

Indicados ao Oscar de Longa de Animação do Oscar 2012. Competição sadia entre grandes e pequenos (pic by Just Jared)

Esse povo insatisfeito com a “injustiça” no Oscar, resolveu mexer os pauzinhos e a Academia está acatando. É realmente uma lástima essa alteração, pois de todas as categorias do Oscar, esta era a mais internacional (tirando, obviamente a de Melhor Filme Estrangeiro) e diversificada em termos de artistas, histórias e tamanho de produção. Se mais pessoas votarem, as chances dos menores ficarem de fora são maiores, pois quem não trabalha na área de animação, fica mais suscetível ao gosto popular e da publicidade dos grandes estúdios.

Particularmente, eu já estava indignado que a última animação estrangeira a vencer o Oscar foi A Viagem de Chihiro em 2002! Imagina agora com menos estrangeiros competindo? Enfim, é um passo dado para trás pela Academia, que se rende mais aos interesses econômicos do que artísticos.

Também vale ressaltar que a Academia passou a proibir que documentários extensos como o vencedor deste ano, O.J.: Made in America, sejam elegíveis nos próximos anos. Para quem não sabe, o documentário vencedor tinha mais de oito horas de duração, ou seja, tinha um formato original para televisão (em episódios).

CALENDÁRIO DO OSCAR ATÉ 2020

A Academia também anunciou o calendário de seus eventos para os próximos quatro anos.

OSCAR 2018: 04/03/18

OSCAR 2019: 24/02/19

OSCAR 2020: 23/02/20

OSCAR 2021: 28/02/21

A cerimônia de 2018 foi a única movida para o mês de março para que não coincida com os jogos olímpicos de inverno da Coréia do Sul, que encerram no dia 25 de fevereiro.

Apesar da gafe desse ano, os produtores do evento, Michael De Luca e Jennifer Todd, estão bem cotados para retornar em 2018, e com isso, existem grandes chances de Jimmy Kimmel voltar como host. Para a próxima edição, a Academia já divulgou as principais datas:

Os produtores do Oscar 2017: Jennifer Todd e Michael De Luca devem retornar em 2018. Pic by The New York Times

11/11/2017 (sábado)
Governors Awards

05/01/2018 (sexta)
Início da votação de indicados

12/01/2018 (sexta)
Término de votação de indicados

23/01/2018 (terça)
Anúncio dos Indicados ao Oscar

05/02/2018 (segunda)
Almoço dos Indicados ao Oscar (Oscar Luncheon)

10/02/2018 (sábado)
Scientific and Technical Awards

20/02/2018 (terça)
Início da votação final

27/02/2018 (terça)
Término da votação final

28/02/2018 (quarta)
The Oscar Concert

04/03/2018 (domingo)
90ª cerimônia do Oscar

WGA indica roteiros de ‘Spotlight’, ‘A Grande Aposta’, ‘Steve Jobs’ e ‘Perdido em Marte’

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Michael Fassbender e Mackenzie Moss em cena de Steve Jobs (photo by cinemagia.ro)

MESMO COM EXCLUSÕES HABITUAIS, WGA INDICA FORTES ROTEIROS

Como em todo ano, o Writers Guild of America (WGA), sindicato dos roteiristas, costuma eliminar inúmeros candidatos por questões burocráticas como a não-filiação do roteirista à organização. Este ano, houve 61 roteiros originais e 51 adaptados sobreviventes ao corte do WGA.

Entre os eliminados de Roteiro Original estão Os 8 Odiados, O Filho de Saul, As Sufragistas, 99 Homes, Ex-Machina: Instinto Artificial, Divertida Mente e Mad Max: Estrada da Fúria. Mesmo fora do WGA, os roteiros de Quentin Tarantino (Os 8 Odiados) e da trupe da Pixar por Divertida Mente são os que conseguem manter as chances altas no Oscar.

Já entre os de Roteiro Adaptado, foram desqualificados 45 Anos, Eu, Você e a Garota que Vai Morrer, Brooklyn, A Garota Dinamarquesa e os possíveis sobreviventes para o Oscar: O Quarto de Jack e Anomalisa.

Mesmo com tantas exclusões, a taxa de acerto do WGA em relação ao Oscar permanece alta. Dos últimos 21 anos, 15 vencedores coincidiram como Melhor Roteiro Original, e 13 como Melhor Roteiro Adaptado.

Com tantos cortes também é possível ver algumas produções menores sendo reconhecidas aqui como são os casos de Straight Outta Compton: A História do N.W.A. e Descompensada na categoria de Roteiro Original, enquanto na de Adaptado, temos a inclusão de Trumbo – Lista Negra.

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Amy Schumer e Bill Hader em cena de Descompensada (photo by cinemagia.ro)

Os favoritos aos prêmios permanecem na briga aqui também: Ponte dos Espiões, Spotlight – Segredos Revelados, A Grande Aposta, Perdido em Marte e Steve Jobs devem seguir na lista da Academia.

SEGUE A LISTA DOS INDICADOS AO 68º WRITERS GUILD OF AMERICA:

ROTEIRO ORIGINAL
* Matt Charman, Ethan Coen e Joel Coen (Ponte dos Espiões)
* Taylor Sheridan (Sicario: Terra de Ninguém)
* Josh Singer e Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)
* Jonathan Herman e Andrea Berloff; História de S. Leigh Savidge, Alan Wenkus e Andrea Berloff (Straight Outta Compton: A História do N.W.A.)
* Amy Schumer (Descompensada)

ROTEIRO ADAPTADO
* Charles Randolph e Adam McKay; Baseado no livro de Michael Lewis (A Grande Aposta)
* Phyllis Nagy; Baseado no romance ‘The Price of Salt’ de Patricia Highsmith (Carol)
* Drew Goddard; Baseado no romance homônimo de Andy Weir (Perdido em Marte)
* Aaron Sorkin; Baseado no livro de Walter Isaacson (Steve Jobs)
* John McNamara; Baseado na biografia de Bruce Cook (Trumbo – Lista Negra)

ROTEIRO DE DOCUMENTÁRIO
* Robert Cohen (Being Canadian)
* Alex Gibney (Going Clear: Scientology and the Prison of Belief)
* Brett Morgen (Cobain: Montage of Heck)
* Amy J. Berg (Prophet’s Prey)

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Centro de Cientologia mostrada no documentário Going Clear: Scientology and the Prison of Belief (photo by outnow.ch)

Os vencedores do WGA serão anunciados em cerimônia que acontecerá no dia 13 de fevereiro.

16 animações disputam vaga no Oscar 2016

Cena de Hotel Transilvânia 2, uma das 16 animações inscritas para o Oscar de Melhor Longa de Animação (photo by cine.gr)

Cena de Hotel Transilvânia 2, uma das 16 animações inscritas para o Oscar de Melhor Longa de Animação (photo by cine.gr)

SE TODOS SE QUALIFICAREM, TEREMOS 5 INDICADOS NA CATEGORIA

As animações inscritas são:
  • Anomalisa
    Dir: Charlie Kaufman, Duke Johnson
  • The Boy and the Beast (Bakemono no ko)
    Dir: Mamoru Hosoda
  • O Menino e o Mundo
    Dir: Alê Abreu
  • O Bom Dinossauro (The Good Dinossaur)
    Dir: Peter Sohn
  • Cada um na Sua Casa (Home)
    Dir: Tim Johnson
  • Hotel Transilvânia 2 (Hotel Transylvania 2)
    Dir: Genndy Tartakovsky
  • Divertida Mente (Inside Out)
    Dir: Pete Docter
  • Kahlil Gibran’s The Prophet
    Dir: Roger Allers
  • The Laws of the Universe – Part 0 (UFO Gakuen no Himitsu)
    Dir: Isamu Imakake
  • Minions
    Dir: Kyle Balda, Pierre Coffin
  • Moomins on the Riviera (Muumit Rivieralla)
    Dir: Xavier Picard, Hanna Hemilä
  • Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme (The Peanuts Movie)
    Dir: Steve Martino
  • Apenas um Show: O Filme (Regular Show: The Movie)
    Dir: J.G. Quintel
  • Shaun: O Carneiro (Shaun the Sheep Movie)
    Dir: Mark Burton, Richard Starzak
  • Bob Esponja: Um Herói Fora d’Água (The SpongeBob Movie: Sponge out of Water)
    Dir: Paul Tibbitt, Mike Mitchell
  • Quando Estou com Marnie (Omoide no Mânî) 
    Dir: Hiromasa Yonebayashi

Dentre os trabalhos, certamente um dos mais interessantes é a primeira animação do diretor e roteirista Charlie Kaufman, conhecido por suas histórias criativas de Quero Ser John Malkovich e Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças. Neste trabalho de stop-motion, acompanhamos a vida de um homem aleijado por sua própria vida mundana. Pela sinopse, não se trata de um filme destinado ao público infantil, o que pode reduzir consideravelmente suas chances de vitória, mas sua indicação é dada como certa pela maioria dos críticos, afinal, tem a assinatura de Kaufman (que já ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original em 2005) e a categoria sempre apresenta nomes de diretores mais autorais como Tim Burton (A Noiva-Cadáver), Hayao Miyazaki (A Viagem de Chihiro) e Wes Anderson (O Fantástico Sr. Raposo). E é o único inscrito que concorreu ao Leão de Ouro em Veneza.

Cena de Anomalisa, de Charlie Kaufman e Duke Johnson (photo by trailer.apple.com)

Cena de Anomalisa, de Charlie Kaufman e Duke Johnson (photo by trailer.apple.com)

Este ano, temos uma curiosidade inédita. É a primeira vez que dois trabalhos da Pixar estão competindo: Divertida Mente e O Bom Dinossauro. Após um hiato raro de dois anos sem aparecer na categoria com filmes menos expressivos como Carros 2 e Universidade Monstros, a Pixar resolveu lançar dois filmes no mesmo ano para não ter erro. Entre os dois, Divertida Mente larga na frente por seu nível de criatividade ao criar personagens que representam as emoções, mas peca pela história fraca. Já O Bom Dinossauro tem uma premissa interessante de “E se o asteróide que extinguiu os dinossauros não tivesse acertado a Terra?”, possibilitando a convivência entre os dinossauros e os humanos.

As emoções Tristeza, Raiva, Medo, Nojinho e Alegria em cena de Divertida Mente (photo by outnow,ch)

As emoções Tristeza, Raiva, Medo, Nojinho e Alegria em cena de Divertida Mente (photo by outnow,ch)

Aproveitando o assunto da Pixar, o futuro da companhia preocupa um pouco. Outrora berço de filmes super criativos, o planejamento dos próximos anos inclui inúmeras sequências como Procurando Dory, Os Incríveis 2, Carros 3 e Toy Story 4! Claro que essas continuações devem ter suas qualidades e devem render rios de dinheiro, mas pra um estúdio que cresceu através de sua criatividade, o reinado pode estar ameaçado.

Cena de O Bom Dinossauro, de Peter Sohn (photo by outnow.ch)

Cena de O Bom Dinossauro, de Peter Sohn (photo by outnow.ch)

Vale ressaltar que todo ano, a Academia gosta de deixar pelo menos uma vaga para uma produção estrangeira. Parece até cota estrangeira, mas convenhamos que existem tantos trabalhos impecáveis fora do circuito americano que se fosse fazer justiça, teria pelo menos 3 animações estrangeiras todo ano na categoria! Então, nessa lógica, a animação japonesa Quando Estou com Marnie (Omoide no Mânî), de Hiromasa Yonebayashi, deve preencher a vaga praticamente cativa nipônica de Hayao Miyazaki e Isao Takahata. Trata-se de uma história bem emotiva de uma garota que se muda para uma casa no interior, onde fica obcecada por uma menina que vive numa mansão ao lado que pode ou não existir. E tem o selo de qualidade do Studio Ghibli, de Miyazaki.

Cena de Quando Estou com Marnie, de Hiromasa Yonebayashi (photo by cine.gr)

Cena de Quando Estou com Marnie, de Hiromasa Yonebayashi (photo by cine.gr)

Claro que a vaga estrangeira também pode ser ocupada por uma animação brasileira. Sim, brasileira! O Menino e o Mundo (The Boy and the World), de Alê Abreu, é a segunda animação nacional inscrita para o Oscar. Em 2014, Uma História de Amor e Fúria, de Luiz Bolognesi, estava entre os inscritos, mas não conseguiu conquistar a indicação. Quem sabe não é desta vez? O trabalho de Alê Abreu possui um estilo bastante gráfico que remete ao traço de lápis de cor para retratar a busca de um menino pelo pai.

Cena de O Menino e o Mundo, de Alê Abreu (photo by cine.gr)

Cena de O Menino e o Mundo, de Alê Abreu (photo by cine.gr)

E a Academia sempre gosta de reservar uma vaga para produções mais destinadas ao público infantil que foi bem nas bilheterias como Minions, Hotel Transilvânia 2 e Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme (sim, com este título nacional apelativo!), afinal, animações assim garantem maior audiência para a Academia. Lembrando que o filme anterior da série Minions, Meu Malvado Favorito 2, foi indicado ao Oscar de Longa de Animação e de Melhor Canção Original por ‘Happy’.

Cena de Minions, de Kyle Balda e Pierre Coffin (photo by cine.gr)

Cena de Minions, de Kyle Balda e Pierre Coffin (photo by cine.gr)

Não querendo ser pessimista, nem julgar trabalhos sem conferir, acredito que um ou outro trabalho inscrito será desqualificado, o que acarretaria num total de 3 indicados em 2016 que, na minha opinião, seriam:

  • Divertida Mente (Inside Out)
  • Anomalisa
  • Quando Estou com Marnie (Omoide no Mânî)

As indicações ao Oscar 2016 serão anunciadas no dia 14 de janeiro.

PRIMEIRO PREVIEW OSCAR 2016

QUEM ESTARÁ NO TAPETE VERMELHO EM 2016?

Sim, estamos no mês de agosto, ainda a 6 meses da cerimônia do Oscar 2016, mas já está rolando um burburinho de algumas produções que liberaram seus press releases e trailers. Muitos dos candidatos presentes nesse post foram baseados no histórico dos nomes envolvidos (sejam atores, diretores e equipe técnica) e indicações anteriores, uma vez que a Academia tem o costume de favorecer os artistas que já foram nomeados, mas nunca levaram a estatueta como é o caso do ator Johnny Depp. Muito querido pelo público, ele já teve três oportunidades de ganhar, mas nunca levou, assim como Leonardo DiCaprio, que pode ter sua sexta indicação com o trabalho do diretor Alejandro González Iñárritú.

No geral, muitos trabalhos candidatos beberam da fonte das histórias verídicas, uma vez que a Academia tem um perfil que valoriza temas e tramas calcadas na realidade. Só para citar alguns exemplos mais recentes, temos 12 Anos de Escravidão, Argo e O Discurso do Rei. As cinebiografias também estão em alta, pois sempre proporcionam papéis de maior profundidade e com capacidade para se destacar na temporada de premiações, como é o caso de Tom Hiddleston que interpreta o cantor e compositor Hanks Williams em I Saw the Light, ou Eddie Redmayne, que encorpora Lili Elbe, uma das primeiras pessoas a passar por cirurgia de troca de sexo em The Danish Girl.

CRÍTICOS FAZEM AS PRIMEIRAS TRIAGENS

Quando estamos nesse período do ano, o burburinho (o chamado Oscar buzz) corre solto e há listas e mais listas de vários tipos possíveis de indicados, que muitas vezes refletem o desejo dos próprios autores dessas mesmas listas. Portanto, a coisa só começa a ficar séria mesma quando os críticos americanos passam a eleger seus melhores do ano.

O primeiro a revelar sua lista é o National Board of Review (NBR). Apesar de não ter coincidido seus vencedores com o do Oscar, a organização fundada em 1909 busca ser fiel aos seus princípios e acaba elegendo grandes filmes como A Hora Mais Escura, A Invenção de Hugo Cabret e A Rede Social.

Já o New York Film Critics Circle (NYFCC) e o Los Angeles Film Critics Association (LAFCA) costumam ter maior porcentagem de acerto, mas ultimamente tem sido mais pelas categorias de atuação. Esses críticos abrem caminho para que os grandes prêmios como o Critics’ Choice Awards e o Globo de Ouro possam avaliar melhor o que houve de melhor em cinema no ano. Para eles, não importa muito o histórico da equipe ou do elenco, mas a produção em si, gerando uma votação livre de hábitos e círculos viciosos.

PREVISÃO PARA 2016

Ao contrário dos previews anteriores, resolvi simplificar e gerar as possíveis indicações por filme, e não por categoria. Claro que devem existir mais alguns filmes com chance, mas seria praticamente impossível relacionar todos aqui. Algumas vezes, os favoritos ao Oscar surgem na reta final e acabam surpreendendo como aconteceu com quando O Discurso do Rei tomou a dianteira de A Rede Social pouco antes do Oscar.

Então, sem mais delongas, vamos aos possíveis indicados ao Oscar 2016 (em ordem aleatória):

OS OITO ODIADOS (The Hateful Eight)
Dir: Quentin Tarantino

Os Oito Odiados: (photo by blogbusters.ch)

Os Oito Odiados: Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh e Bruce Dern na primeira foto. Samuel L. Jackson na segunda e Michael Madsen na terceira. (photo by blogbusters.ch)

Sinopse: Numa Wyoming pós-Guerra Civil, caçadores de recompensa buscam abrigo durante nevasca, mas acabam se envolvendo numa trama de traição e decepção. Eles sobreviverão?

Deve receber indicação: Roteiro Original (Quentin Tarantino), Fotografia (Robert Richardson), Trilha Musical Original (Ennio Morricone)

Dúvida: Filme, Diretor (Quentin Tarantino), Ator Coadjuvante (Bruce Dern), Ator Coadjuvante (Samuel L. Jackson), Montagem (Fred Raskin), Figurino (Courtney Hoffman) e Maquiagem

Quentin Tarantino vive sua segunda ascensão junto à Academia. Depois de estourar com Pulp Fiction – Tempo de Violência em 1994, vencendo o Oscar de Roteiro Original, passou por um ostracismo com os dois volumes de Kill Bill (2003 e 2004) e À Prova de Morte (2007), que não receberam nenhuma indicação, e voltou ao topo com Bastardos Inglórios (2009) e Django Livre (2012), ganhando seu segundo Oscar pelo roteiro do último. Assim, existem altas expectativas para que este oitavo longa de sua autoria esteja na lista de indicações da Academia. Logo de cara, seu roteiro já figura como quase uma indicação unânime. O diretor de fotografia Robert Richardson, que já levou 3 Oscars, aparece logo atrás, assim como Ennio Morricone, mundialmente famoso por suas trilhas de western spaghetti que fez em parceria com o diretor Sergio Leone. O compositor italiano foi indicado 5 vezes, mas só ganhou o Oscar Honorário em 2007, e a Academia gosta de premiar os artistas mesmo após a honraria, como foi o caso do ator Paul Newman.

Sem Christoph Waltz, que levou dois Oscars de coadjuvante pelos últimos trabalhos de Tarantino, o diretor conta com a experiência do veterano Bruce Dern, que passou por um momento revival graças ao filme Nebraska, de Alexander Payne, que lhe rendeu sua segunda indicação ao Oscar em 2014. Se seu papel como General Sandy Smithers for consistente, pode se tornar material de Oscar. No elenco, alguns nomes também podem virar ouro como Demian Bichir (indicado ao Oscar de Melhor Ator em 2012 por Uma Vida Melhor), e os colaboradores assíduos Samuel L. Jackson e Tim Roth, e até a meio sumida Jennifer Jason Leigh.

O REGRESSO (The Revenant)
Dir: Alejandro González Iñárritú

Leonardo DiCaprio em cena de O Regresso (photo by outnow.ch)

Leonardo DiCaprio em cena de O Regresso (photo by outnow.ch)

Sinopse: Em 1820, o fronteiriço Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) busca vingança contra aqueles que deixaram-no para morrer num ataque de ursos.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Alejandro G. Iñárritú), Ator (Leonardo DiCaprio), Fotografia (Emmanuel Lubezki), Montagem (Stephen Mirrione), Direção de Arte (Jack Fisk), Som e Efeitos Sonoros.

Dúvida: Ator Coadjuvante (Tom Hardy), Roteiro Adaptado (Alejandro G. Iñárritú e Mark L. Smith), Figurino (Jacqueline West)

Depois de ter conquistado o Oscar com Birdman este ano, o diretor mexicano Alejandro González Iñárritú tem cartucho pra gastar. Ele retorna com a mesma equipe técnica vencedora com uma saga de vingança e de época, que praticamente garante a presença do filme nas categorias de fotografia e direção de arte. No ano passado, rolaram alguns memes sobre a impossibilidade de DiCaprio ganhar o Oscar que considero meio exageradas. Primeiramente, o ator teve apenas 4 indicações, número relativamente baixo se comparado a Peter O’Toole, que saiu derrotado em 8 ocasiões, e Richard Burton em 7. E em segundo lugar, DiCaprio evoluiu bastante desde o começo de sua parceria com o diretor Martin Scorsese. Particularmente, acho as performances dele exageradas. Se ele souber ser mais contido, terá mais chances de agradar e cansar menos o público com suas expressões de nervosismo e gritos esporádicos. Esse seu estilo casou bem com o papel de Jordan Belfort em O Lobo de Wall Street, e por isso considero sua melhor atuação, mas nem sempre servirá para outros tipos de papéis.

Apesar de incluir o filme nas principais categorias, ainda tenho minhas dúvidas. Pelo trailer, pareceu ser mais um filme de ação do que um épico que agrade a todos. Caso o filme não tenha uma pegada mais social, dificilmente será abraçado pela Academia, restando apenas as categorias mais técnicas. Com o pano de fundo com índios, pode ser comparado a Dança com Lobos, mas o filme de Kevin Costner, que conquistou 7 estatuetas em 1991, tinha como foco o comportamento social entre povos indígenas e o homem branco, não meramente a ação.

ALIANÇA DO CRIME (Black Mass)
Dir: Scott Cooper

Benedict Cumberbatch atua com um Johnny Depp quase irreconhecível em Aliança do Crime (photo by outnow.ch)

Benedict Cumberbatch atua com um Johnny Depp quase irreconhecível em Aliança do Crime (photo by outnow.ch)

Sinopse: Cinebiografia de Whitey Bulger, um dos criminosos mais procurados de South Boston, que acabou se tornando informante do FBI.

Deve receber indicação: Melhor Ator (Johnny Depp), Maquiagem

Dúvida: Filme, Diretor (Scott Cooper), Ator Coadjuvante (Benedict Cumberbatch), Ator Coadjuvante (Joel Edgerton), Montagem (David Rosenbloom)

Essa transformação de Johnny Depp vem sendo comentada pela mídia especializada há um bom tempo, no mesmo nível de repercussão de Meryl Streep como Margareth Thatcher (A Dama de Ferro), Kate Winslet como Hannah Schmidt (O Leitor) e Jamie Foxx como Ray Charles (Ray), o que certamente colabora na campanha do ator para sua primeira estatueta depois de três indicações anteriores (Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra, Em Busca da Terra do Nunca e Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet).

Apesar do diretor meio desconhecido (Scott Cooper dirigiu apenas Coração Louco, que rendeu o Oscar para Jeff Bridges, e Tudo por Justiça), Aliança do Crime é impulsionado pela força de seu elenco, formado por Benedict Cumberbatch, Kevin Bacon, Joel Edgerton, Juno Temple e Peter Sarsgaard.

CAROL
Dir: Todd Haynes

Cate Blanchett em Carol, de Todd Haynes. (photo by Weinstein Co. through variety.com)

Cate Blanchett em Carol, de Todd Haynes. (photo by Weinstein Co. through variety.com)

Sinopse: A jovem Therese conhece a elegante Carol, recém-divorciada. As duas percebem que têm muito em comum, e logo um romance se desenvolve entre elas. Para fugir aos olhares dos moradores locais, elas decidem fazer uma viagem pelos EUA, mas percebem que um detetive está seguindo os seus passos.

Deve receber indicação: Diretor (Todd Haynes), Atriz (Cate Blanchett), Atriz Coadjuvante (Rooney Mara), Figurino (Sandy Powell)

Dúvida: Filme, Roteiro Adaptado (Phyllis Nagy)

O filme se tornou um estouro no último Festival de Cannes e a imprensa estrangeira logo colocou Blanchett como favorita ao prêmio de interpretação feminina. Contudo, o júri presidido pelos irmãos Coen não foi na onda, e o prêmio foi parar nas mãos de Rooney Mara (mais cotada como coadjuvante pelo mesmo filme). Ela dividiu o prêmio com Emmanuelle Bercot (Mon Roi).

Com a distribuidora Weinstein Company por trás da campanha, o filme deve conseguir sem grandes dificuldades as indicações para as atrizes, mas devido ao tom lésbico, ainda é cedo pra garantir lugar entre os acadêmicos do Oscar.

THE DANISH GIRL
Dir: Tom Hooper

Eddie Redmayne caracterizado como a Danish Girl (photo by cine.gr)

Eddie Redmayne caracterizado como a Danish Girl (photo by cine.gr)

Sinopse: Nos anos 20 na Dinamarca, a artista Gerda Wegener pintou seu marido, Einar Wegener, como uma mulher. Depois que a pintura ganhou popularidade, ele começou a mudar sua aparência para feminina e adotar o nome Lili Elbe. Com o apoio da esposa, ele se tornou o primeiro homem a passar por cirurgia de troca de sexo.

Deve receber indicação: Ator (Eddie Redmayne), Atriz Coadjuvante (Alicia Vikander), Trilha Musical Original (Alexandre Desplat), Direção de Arte (Eve Stewart), Figurino (Paco Delgado)

Dúvida: Filme, Diretor (Tom Hooper), Roteiro Adaptado (Lucinda Coxon)

Eddie Redmayne acaba de ganhar o Oscar de Melhor Ator por sua impecável reprodução de Stephen Hawking em A Teoria de Tudo, e agora volta como outra figura importante utilizando mais um processo de transformação. Alguns mais exaltados já estão apostando no segundo Oscar consecutivo, o que o colocaria no mesmo patamar de Spencer Tracy e Tom Hanks, os únicos a ganhar Oscar de Ator consecutivamente.

Claro que ajuda o fato de contar com um diretor vencedor do Oscar, Tom Hooper, que venceu por O Discurso do Rei. O diretor foi responsável por 5 indicações de atores até o momento, e duas vitórias: Colin Firth (O Discurso do Rei) e Anne Hathaway (Os Miseráveis).

JOY: O NOME DO SUCESSO (Joy)
Dir: David O. Russell

Cena com Jennifer Lawrence em Joy (photo by cine.gr)

Cena com Jennifer Lawrence em Joy (photo by cine.gr)

Sinopse: O filme acompanha a trajetória de sucesso da criadora da Ingenious Designs, Joy Mangano, além da história de sua família por quatro gerações até se tornar a fundadora e matriarca de uma poderosa dinastia de família de negócios.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (David O. Russell), Atriz (Jennifer Lawrence), Ator Coadjuvante (Bradley Cooper), Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Roteiro Original (David O. Russell e Annie Mumolo)

Dúvida: Figurino (Michael Wilkinson)

Ok, vamos contabilizar. Em 2011, O Vencedor recebeu 7 indicações ao Oscar e levou dois de Coadjuvante para Christian Bale e Melissa Leo. Em 2013, O Lado Bom da Vida recebeu 8 indicações e levou Melhor Atriz para Jennifer Lawrence. Em 2014, Trapaça acumulou 10 indicações, mas não levou nada. Todos os últimos filmes de David O. Russel foram indicados a Melhor Filme e Melhor Diretor, portanto não dá pra esperar menos deste Joy: O Nome do Sucesso, que conta com muitos dos mesmos atores e da mesma equipe técnica.

Vendo o trailer, não dá pra esperar muita coisa do filme, mas Russell está em alta com a Academia, e mesmo que as vitórias ainda não venham, certamente as indicações já estão encaminhadas.

PONTE DOS ESPIÕES (Bridge of Spies)
Dir: Steven Spielberg

Em primeiro plano, Tom Hanks vive o advogado James Donovan em Ponte de Espiões (photo by outnow.ch)

Em primeiro plano, Tom Hanks vive o advogado James Donovan em Ponte dos Espiões (photo by outnow.ch)

Sinopse: Um advogado é recrutado pela CIA durante a Guerra Fria para resgatar um piloto detido na União Soviética.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Steven Spielberg), Ator (Tom Hanks), Roteiro Original (Matt Charman, Joel Coen e Ethan Coen), Fotografia (Janusz Kaminski), Montagem (Michael Khan). Trilha Musical Original (Thomas Newman), Direção de Arte (Adam Stockhausen), Efeitos Sonoros

Dúvida: Ator Coadjuvante (Alan Alda), Atriz Coadjuvante (Amy Ryan) e Figurino (Kasia Walicka-Maimone)

Steven Spielberg e Tom Hanks já trabalharam juntos em O Resgate do Soldado Ryan (1998), Prenda-me Se For Capaz (2002) e O Terminal (2005). Em 1999, Spielberg levou seu segundo Oscar e Hanks uma indicação pelo filme de guerra, portanto as chances são boas de sucesso na Academia com este Ponte dos Espiões.

Trata-se da primeira vez que Spielberg dirige um roteiro escrito pelos irmãos Coen, o que deve facilitar as coisas na campanha. Além disso, se Spielberg está entre os indicados, toda sua trupe técnica deve comparecer e preencher as vagas de indicações como aconteceu em seus últimos filmes: Cavalo de Guerra (2011) e Lincoln (2012).

SNOWDEN
Dir: Oliver Stone

Joseph Gordon-Levitt como Edward Snowden, em Snowden (photo by outnow.ch)

Joseph Gordon-Levitt como Edward Snowden, em Snowden (photo by outnow.ch)

Sinopse: Agente da CIA, Edward Snowden, vaza uma série de informações confidenciais para a imprensa, causando sua deserção na Rússia até os dias de hoje.

Deve receber indicação: Ator (Joseph Gordon-Levitt) e Roteiro Adaptado (Kieran Fitzgerald)

Dúvida: Diretor (Oliver Stone), Atriz Coadjuvante (Shailene Woodley) e Fotografia (Anthony Dod Mantle)

Pró: Novo filme de Oliver Stone. Contra: Quando foi a última vez que um filme de Oliver Stone repercutiu tanto? JFK – A Pergunta que Não Quer Calar (1991)? Assassinos por Natureza (1994)? Claro que Stone sempre terá prestígio junto à Academia por suas vitórias com Platoon (1986) e Nascido em Quatro de Julho (1989), mas nas últimas décadas, tem caído no esquecimento, principalmente depois do fiasco de Alexandre (2004).

Mas com este Snowden, um tema bastante polêmico que o diretor sabe tirar de letra, Oliver Stone pode finalmente ter seu retorno triunfal. Se a Academia gostar do filme, certamente estará na lista de diretores, caso contrário, a indicação pode ficar apenas com o ator Joseph Gordon-Levitt, que seria sua primeira. Vale lembrar que Gordon-Levitt tem outro trabalho em destaque neste ano por A Travessia (veja mais abaixo), o que sempre ajuda na hora de descolar a primeira indicação ao Oscar.

  • A estréia de Snowden foi adiada para Maio de 2016, portanto, fora do próximo Oscar.

TRUMBO
Dir: Jay Roach

Bryan Cranston caracterizado como o roteirista Dalton Trumbo (photo by elfilm.com)

Bryan Cranston caracterizado como o roteirista Dalton Trumbo (photo by elfilm.com)

Sinopse: A carreira bem-sucedida do roteirista em Hollywood é comprometida quando ele é inserido na lista negra do senador Joseph McCarthy nos anos 40 por suspeita de ser comunista.

Deve receber indicação: Ator (Bryan Cranston), Atriz Coadjuvante (Helen Mirren)

Dúvida: Filme, Roteiro Adaptado (John McNamara)

Por se tratar de uma receita básica que funciona no Oscar, Trumbo está aqui na lista: 1º filme biográfico. 2º sobre roteirista de Hollywood, que foi inclusive vencedor do Oscar usando pseudônimos 3º porque foi perseguido por estar na lista negra do McCarthismo 4º e contando com a ajuda de um ator em extrema ascensão depois da série de TV Breaking Bad. “Só” por esses motivos o filme tem lugar cativo nas previsões.

O único, porém maior problema, é o nome fraco na direção. Não que Jay Roach, responsável pelas trilogias de comédia Austin Powers e Entrando Numa Fria não tenha seu talento, mas à princípio não era o nome mais apropriado para assumir este projeto mais sério. Só pra exemplificar, se Ron Howard, Bennett Miller ou mesmo George Clooney estivesse por trás da câmera, Trumbo já figuraria como franco-favorito ao Oscar 2016.

FREEHELD
Dir: Peter Sollett

Ellen Page e Julianne Moore em cena de Freeheld

Ellen Page e Julianne Moore em cena de Freeheld

Sinopse: A policial Laurel Hester (Julianne Moore) e sua companheira Stacie (Ellen Page) lutam na justiça para conseguir os benefícios de pensão para Hester quando ela é diagnosticada com câncer terminal.

Deve receber indicação: Atriz (Julianne Moore), Atriz Coadjuvante (Ellen Page)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Michael Shannon)

Baseado em um documentário-curta vencedor do Oscar em 2008, Freeheld tem a fórmula para se destacar na temporada de premiações: drama, doença terminal, opção sexual e ótimo elenco. Mas estaria a Academia aberta a um filme de temática lésbica? A última produção que apresentava lesbianismo, Minhas Mães e Meu Pai, foi até indicada a Melhor Filme em 2011, mas não levou nada. Indicar é relativamente fácil, mas ganhar é outros quinhentos…

Toda vez que lembro desse conservadorismo teimoso, vem à mente a derrota de O Segredo de Brokeback Mountain diante do maniqueísta e bidimensional Crash – No Limite em 2006. De qualquer forma, a expectativa é de que pelo menos as atrizes sejam reconhecidas por suas performances. Não ajuda o fato do diretor ser praticamente desconhecido, mas Julianne Moore acaba de ganhar seu primeiro Oscar e pode, com este papel, ganhar seu segundo consecutivo e ainda puxar a segunda indicação da jovem Ellen Page como coadjuvante.

STEVE JOBS
Dir: Danny Boyle

Michael Fassbender como Steve Jobs (photo by cine.gr)

Michael Fassbender como Steve Jobs (photo by cine.gr)

Sinopse: A vida e o legado de Steve Jobs, baseado na biografia de Walter Isaacson.

Deve receber indicação: Ator (Michael Fassbender), Atriz Coadjuvante (Kate Winslet), Roteiro Adaptado (Aaron Sorkin)

Dúvida: Filme, Diretor (Danny Boyle), Ator Coadjuvante (Jeff Daniels)

Quando o filme biográfico Jobs saiu em 2013, havia uma especulação de que Ashton Kutcher poderia ser indicado ao Oscar. Mas esse burburinho só rendeu durante o período em que a foto dele foi divulgada já como Steve Jobs, pois havia uma semelhança bem considerável entre ambos, mas logo acabou quando a crítica viu o filme e sua interpretação. Dois anos depois, um novo filme sobre o criador da Apple surge no horizonte, mas com uma equipe técnica infinitamente superior: Danny Boyle na direção, Scott Rudin na produção, Aaron Sorkin (A Rede Social) no roteiro e Guy Hendrix Dyas (A Origem) na direção de arte. Com esses nomes, o filme Steve Jobs automaticamente se tornou um forte candidato ao Oscar.

Particularmente, por mais que Michael Fassbender seja um dos melhores atores dessa geração, ainda tenho minhas ressalvas se ele foi a melhor opção pra dar vida ao inventor, já que é alemão e não se parece quase nada com a figura pública (talvez um trabalho de maquiagem bem feito teria ajudado…), mas torço para que ele possa surpreender positivamente. Claro que a presença da vencedora do Oscar, Kate Winslet, no elenco ajuda e muito na campanha do filme na temporada de premiações.

SR. HOLMES (Mr. Holmes)
Dir: Bill Condon

Ian McKellen como Sherlock Holmes em Mr. Holmes (photo by outnow.ch)

Ian McKellen como Sherlock Holmes em Mr. Holmes (photo by outnow.ch)

Sinopse: O já aposentado Sherlock Holmes destrincha seu passado quando tenta desvendar um mistério não solucionado envolvendo uma bonita mulher.

Deve receber indicação: Ator (Ian McKellen), Atriz Coadjuvante (Laura Linney)

Dúvida: Roteiro Adaptado (Jeffrey Hatcher), Direção de Arte (Martin Childs), Trilha Musical Original (Carter Burwell)

Logo que foi anunciado o filme de Sherlock Holmes com Ian McKellen, já previa uma indicação para o ator britânico. McKellen foi roubado na cara dura em 1999, quando perdeu para o pastelão do Roberto Benigni (A Vida é Bela), por sua atuação magnânima em Deuses e Monstros. Depois disso, tornou-se muito popular ao assumir papéis icônicos da cultura pop: o mutante Magneto nos filmes dos X-Men e o mago Gandalf nas trilogias de O Hobbit e O Senhor dos Anéis, por qual recebeu sua segunda indicação ao Oscar em 2002, mas perdeu pra um inspirado Jim Broadbent em Iris.

Claro que, se o filme for bom e sua performance estiver à altura de seu talento, trata-se de uma excelente oportunidade de premiar com um Oscar um dos melhores atores vivos. Sr. Holmes se torna ainda mais especial por reprisar a parceria do ator com o diretor Bill Condon, com quem trabalhou em Deuses e Monstros. No elenco, Laura Linney tem tudo pra receber sua 4ª indicação.

AS SUFRAGISTAS (Suffragette)
Dir: Sarah Gavron

Carey Mulligan (centro) em cena de protesto de Suffragette (photo by cine.gr)

Carey Mulligan (centro) e Helena Bonham Carter (à direita) em cena de protesto de As Sufragistas (photo by cine.gr)

Sinopse: O filme retrata um dos primeiros movimentos feministas contra o Estado machista e opressor. As integrantes do movimento viram seus protestos pacíficos resultarem em nada para então partir para a violência, o que ameaçava suas vidas, seus empregos e suas famílias.

Deve receber indicação: Atriz (Carey Mulligan), Atriz Coadjuvante (Meryl Streep), Atriz Coadjuvante (Helena Bonham Carter)

Dúvida: Filme, Roteiro Original (Abi Morgan), Trilha Musical Original (Alexandre Desplat), Montagem (Barney Pilling), Figurino (Jane Petrie), Direção de Arte (Alice Normington)

Lembram-se do discurso pró-igualdade para as mulheres de Patricia Arquette no Oscar deste ano? E do apoio incondicional de Meryl Streep (“Yes! Yes!”) da poltrona? Pois é, o movimento feminista em alta ganha mais um reforço com este filme de época no qual a luta das mulheres se tornou um marco na história. E com Streep no elenco, o filme tem tudo pra se destacar na temporada de premiações do Globo de Ouro, Oscar, BAFTA e SAG.

Por mais que a diretora seja meio desconhecida, acho bacana tanto a diretora quanto a roteirista serem mulheres, afinal ninguém melhor do que as próprias mulheres pra contar uma história de luta feminista. A roteirista Abi Morgan pode conseguir sua primeira indicação após destaque por Shame e A Dama de Ferro. Já Carey Mulligan, que brilhou como a estudante inocente de Educação, precisa cumprir seu papel de jovem promessa de Hollywood. Como se trata de uma produção de época, são esperadas indicações de direção de arte e figurino.

NOCAUTE (Southpaw)
Dir: Antoine Fuqua

Jake Gyllenhaal como o boxeador Billy Hope com o treinador Tick Wills (Forest Whitaker) em cena de Southpaw (photo by outnow.ch)

Jake Gyllenhaal como o boxeador Billy Hope com o treinador Tick Wills (Forest Whitaker) em cena de Nocaute (photo by outnow.ch)

Sinopse: O boxeador Billy Hope procura o treinador Tick Wills para colocá-lo de volta aos trilhos depois que perde sua mulher num trágico acidente e sua filha para o serviço de proteção à criança.

Deve receber indicação: Ator (Jake Gyllenhaal), Trilha Musical Original (James Horner)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Forest Whitaker), Montagem (John Refoua), Canção Original (Eminem)

Depois da inacreditável ausência de Jake Gyllenhaal na lista de atores indicados a Melhor Ator este ano por O Abutre, a Academia automaticamente está em dívida com o ator, que já foi indicado como Coadjuvante por O Segredo de Brokeback Mountain. Além disso, chama atenção sua transformação do esquelético videomaker de O Abutre para este atlético e forte boxeador de Nocaute, que lembra a flexibilidade de Edward Norton que passou do forte neo-nazista de A Outra História Americana para o franzino de Clube da Luta. Essas transformações costumam ser a base de uma boa campanha para o Oscar. Claro que se o filme também for bom, as chances de vitória são ainda maiores. Já quando o filme não colabora, as chances caem drasticamente. Em 2000, o filme Hurricane – O Furacão conseguiu conquistar apenas a indicação de Denzel Washington, que acabou perdendo para Kevin Spacey (Beleza Americana), porque o filme de Sam Mendes era bem mais consistente.

Vale lembrar que este é um dos últimos trabalhos do compositor James Horner, que morreu numa queda de avião no final de junho. E por se tratar de um filme de boxe, as chances da trilha musical e da montagem se destacarem são ótimas. Resta saber se o filme de Antoine Fuqua (Dia de Treinamento) vai agradar à crítica.

SICARIO: TERRA DE NINGUÉM (Sicario)
Dir: Dennis Villeneuve

Em segundo plano, da esquerda para a direita: Emily Blunt, Josh Brolin e Benicio Del Toro em cena de Sicario: Terra de Ninguém (photo by cine.gr)

Em segundo plano, da esquerda para a direita: Emily Blunt, Josh Brolin e Benicio Del Toro em cena de Sicario: Terra de Ninguém (photo by cine.gr)

Sinopse: Uma agente idealista do FBI é designada pelo governador numa força-tarefa contra as drogas na área da fronteira dos EUA com o México.

Deve receber indicação: Atriz (Emily Blunt), Fotografia (Roger Deakins), Trilha Musical Original (Jóhann Jóhannsson), Montagem (Joe Walker)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Benicio Del Toro), Ator Coadjuvante (Josh Brolin)

A sinopse me lembrou O Silêncio dos Inocentes ao ter como protagonista uma jovem agente do FBI em formação encarando um universo bem sombrio. E o diretor canadense Dennis Villeneuve já demonstrou que conhece bem esse território sombrio com Os Suspeitos (2013). O filme concorreu à Palma de Ouro no último Festival de Cannes e por muitos críticos foi considerado um “soco no estômago” por suas cenas fortes. Por esse mesmo motivo, não deve concorrer ao Oscar de Melhor Filme, porque os acadêmicos têm aversão à violência.

Mas se a campanha for boa, o diretor pode ser recompensado em sua categoria. E quem sabe a fotografia de Roger Deakins não ganha seu primeiro Oscar depois de 12 indicações? Já dentre os atores, apesar de contar com Benicio Del Toro (vencedor de Ator Coadjuvante por Traffic) e Josh Brolin (indicado para Ator Coadjuvante por Milk – A Voz da Igualdade), o maior destaque do filme é Emily Blunt, que passa por uma experiência transformadora como a agente do FBI, podendo finalmente conquistar sua primeira indicação.

A TRAVESSIA (The Walk)
Dir: Robert Zemeckis

Cena de A Travessia com Joseph Gordon-Levitt e Charlotte Le Bon (photo by outnow.ch)

Cena de A Travessia com Joseph Gordon-Levitt e Charlotte Le Bon (photo by outnow.ch)

Sinopse: A trajetória do artista francês Phillippe Petit para cruzar as Torres Gêmeas sobre um cabo de aço em 1974.

Quem deve receber indicação: Ator (Joseph Gordon-Levitt), Roteiro Adaptado (Robert Zemeckis e Christopher Browne)

Dúvida: Filme, Diretor (Robert Zemeckis), Ator Coadjuvante (Ben Kingsley), Trilha Musical Original (Alan Silvestri)

Apesar de Forrest Gump: O Contador de Histórias ter ganhado 6 Oscars há mais de 20 anos, o diretor Robert Zemeckis sempre terá um prestígio na Academia e por isso mesmo, seus filmes têm lugar cativo no burburinho do Oscar. Em 2013, seu filme O Vôo recebeu duas indicações (Melhor Ator para Denzel Washington e Roteiro Original), o que significa que Zemeckis está buscando retorno triunfal. Com este novo projeto baseado na história real de Phillippe Petit, que caminhou sobre um cabo de aço entre as duas Torres Gêmeas, ele pode ter sua chance.

A história verídica já foi tema do documentário O Equilibrista (Man on Wire), que venceu o Oscar de Melhor Documentário em 2009, o que concede maior credibilidade ao filme. Se Zemeckis souber captar bem o lado emocional da história, o filme pode conquistar o público e a crítica. Para ajudá-lo nessa difícil tarefa, ele conta com o veterano Ben Kingsley no elenco e o jovem Joseph Gordon-Levitt como o protagonista Petit.

O CORAÇÃO DO MAR (In the Heart of the Sea)
Dir: Ron Howard

Chris Hemsworth em cena de O Coração do Mar (photo by cine.gr)

Chris Hemsworth em cena de O Coração do Mar (photo by cine.gr)

Sinopse: Baseado em história ocorrida em 1820, sobre embarcação que é caçada por baleia durante 90 dias em alto mar. Adaptação de livro de Nathaniel Philbrick que teria inspirado o clássico literário Moby Dick.

Quem deve receber indicação: Fotografia (Anthony Dod Mantle), Montagem (Daniel P. Hanley e Mike Hill) e Som.

Dúvida: Filme, Diretor (Ron Howard)

Após ganhar prestígio com o Oscar de direção e filme com Uma Mente Brilhante em 2002, Ron Howard se tornou nome relevante a cada novo trabalho, e assim acabou novamente indicado ao Oscar de direção com Frost/Nixon em 2009 e foi bem cotado por Rush: No Limite da Emoção em 2014, mas tenho minhas dúvidas se ele retorna ao tapete vermelho com um filme de aventura estrelado por Chris Hemsworth.

Embora o elenco tenha nomes razoáveis como Cillian Murphy, Ben Wishaw e o novo Homem-Aranha, Tom Holland, acredito que O Coração do Mar ficará limitado às categorias mais técnicas, a menos que sua bilheteria seja extremamente expressiva e colabore em sua campanha vitoriosa.

SPOTLIGHT
Dir: Tom McCarthy

Da esquerda pra direita: Michael Keaton, Liv Schreiber, Mark Ruffalo, Rachel McAdams... em Spotlight (photo by outnow.ch)

Da esquerda pra direita: Michael Keaton, Liv Schreiber, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, John Slattery e Brian d’Arcy James em Spotlight (photo by outnow.ch)

Sinopse: A verdadeira história de como o jornal The Boston Globe desvendou o escândalo de abuso de crianças e encoberto pela igreja Arquidiocese local que estremeceu a Igreja Católica toda.

Deve receber indicação: Roteiro Original (Tom McCarthy e Josh Singer)

Dúvida: Filme, Diretor (Tom McCarthy), Ator (Mark Ruffalo), Trilha Musical Original (Howard Shore)

O roteiro do filme foi baseado numa história verídica que gerou uma matéria que venceu o prestigiado prêmio Pullitzer, fato que já chama a atenção por si só. Esse tipo de história costuma atrair bons nomes para os papéis porque são criados a partir de heróis reais como uma Erin Brockovich, por exemplo, que desmantelou toda uma grande corporação ao descobrir que contaminavam a água de sua cidade.

Dessa forma, temos Mark Ruffalo como o protagonista e Michael Keaton como seu parceiro. Ruffalo é um nome que vem em ascensão há anos e só não conseguirá sua terceira indicação se o páreo da categoria de Melhor Ator estiver muito duro. Quanto a Keaton, acredito que corre bem por fora, mas já é extremamente gratificante vê-lo em grandes produções novamente após tantos anos no ostracismo.

ESPECIALISTA EM CRISE (Our Brand is Crisis)
Dir: David Gordon Green

Sandra Bullock filma cena em Porto Rico (photo by www.laineygossip.com)

Sandra Bullock filma cena em Porto Rico (photo by http://www.laineygossip.com)

Sinopse: Baseado no documentário homônimo sobre o uso de estratégias políticas de campanha americanas na América do Sul.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (David Gordon Green), Atriz (Sandra Bullock), Roteiro Original (Peter Straughan)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Billy Bob Thornton), Atriz Coadjuvante (Zoe Kazan), Montagem (Colin Patton)

Mais um filme com temática política pode ganhar espaço no Oscar 2016. Além de Spotlight e Suffragette, o filme procura revelar os bastidores da política e a forma como alavancam os candidatos desejados. Curiosamente, assim como Freeheld (citado acima), Especialista em Crise também é uma ficção baseada num documentário.

O roteiro de Peter Straughan (indicado para Roteiro Adaptado em 2012 por O Espião que Sabia Demais) busca destrinchar esse universo do vale-tudo das campanhas políticas na América do Sul contando com o promissor diretor David Gordon Green (vencedor do prêmio de Direção no Festival de Berlim 2013 por Prince Avalanche ), elenco encabeçado por Sandra Bullock e Billy Bob Thornton, e um ótimo ímã para o Oscar: George Clooney como produtor. Ter nomes de celebridades na produção muitas vezes é recompensado pela Academia, como aconteceu com Brad Pitt em 2014 por 12 Anos de Escravidão.

TRUTH
Dir: James Vanderbilt

Cate Blanchett em cena com Robert Reford em Truth (photo by collider.com)

Cate Blanchett em cena com Robert Reford em Truth (photo by collider.com)

Sinopse: Durante seus últimos dias como âncora no noticiário CBS News, Dan Rather apresenta uma notícia falsa sobre como o então presidente Bush se apoiou no privilégio e nas conexões familiares para evitar convocação militar para lutar na Guerra do Vietnã, o que lhe custou seu emprego e de sua superiora Mary Mapes.

Deve receber indicação: Ator (Robert Redford), Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett) e Roteiro Adaptado (James Vanderbilt)

Dúvida: Montagem (Richard Francis-Bruce)

Seguindo a linha de candidatos ao Oscar de temática política, Truth pode surpreender e conquistar seu espaço, ainda mais por contar com dois nomes de peso junto à Academia: os atores Cate Blanchett, que ganhou seu segundo Oscar em 2014 por Blue Jasmine, e o veterano Robert Redford, que merecia uma indicação por sua atuação no ótimo Até o Fim (2013).

Ainda no elenco, nomes como Dennis Quaid, Bruce Greenwood e Elisabeth Moss (em ascensão depois da série Mad Men) podem colaborar para um número maior de indicações dependendo da profundidade de seus papéis. Como se trata da estréia na direção do conhecido roteirista do brilhante Zodíaco (2007), James Vanderbilt, sua melhor chance no Oscar está na categoria que lhe consagrou.

DIVERTIDA MENTE (Inside Out)
Dir: Pete Docter

As emoções Tristeza, Raiva, Medo, Nojinho e Alegria em cena de Divertida Mente (photo by outnow,ch)

As emoções Tristeza, Raiva, Medo, Nojinho e Alegria em cena de Divertida Mente (photo by outnow,ch)

Sinopse: Depois de se mudar com seus pais para San Francisco, as emoções da jovem Riley (Alegria, Tristeza, Nojinho, Raiva e Medo) entram em conflito sobre a melhor forma de explorar a nova cidade, casa e escola.

Deve receber indicação: Animação

Dúvida: Roteiro Original (Meg LeFauve, Josh Cooley e Pete Docter) e Trilha Musical Original (Michael Giacchino)

Assim como Monstros S.A., a idéia bastante original não segura um longa-metragem, pelo menos não da forma como foi escrito. Alguns trabalhos da Pixar apresentam esse obstáculo na hora de desenvolver uma história que se desenvolva, e não apenas se desenrole. Por questões de histórico, acredito que consegue facilmente uma indicação ao Oscar de Animação. Depois de perder o Oscar duas vezes consecutivas para produções da Disney (Frozen: Uma Aventura Congelante e Operação Big Hero), a Pixar está tentando recuperar seu posto de supremacia.

Dependendo da competição, o roteiro pode ser, sim, indicado ao Oscar, assim como de outras animações anteriores foram como de Procurando Nemo, Up – Altas Aventuras e Toy Story 3, mas geralmente o que ocorre é o filme ganhando apenas Melhor Animação. E se o roteiro praticamente perfeito de Toy Story 3 não ganhou, dificilmente outro não ganhará também. Já a trilha do compositor Michael Giacchino pode ser reconhecida, mas as chances de vitória são pequenas, ainda mais que já levou a estatueta por Up – Altas Aventuras.

MACBETH: AMBIÇÃO E GUERRA (Macbeth)
Dir: Justin Kurzel

O casal Macbeth: Michael Fassbender e Marion Cotillard na adaptação de Shakespeare (photo by cine.gr)

O casal Macbeth: Michael Fassbender e Marion Cotillard na adaptação de Shakespeare (photo by cine.gr)

Sinopse: Macbeth, um duque da Escócia, recebe a profecia das três bruxas que um dia ele se tornará rei da Escócia. Consumido por ambição e impulsionado à ação por sua esposa, Macbeth assassina seu rei e toma controle do trono.

Deve receber indicação: Figurino (Jacqueline Durran)

Dúvida: Ator (Michael Fassbender) e Atriz (Marion Cotillard)

Clássico de Shakespeare, a adaptação de Macbeth chegou no último Festival de Cannes como o filme responsável por premiar a dupla de atores centrais: o alemão Michael Fassbender e a francesa Marion Cotillard, ambos nomes em alta tanto na Europa quanto em Hollywood (ele foi indicado ao Oscar de Coadjuvante por 12 Anos de Escravidão e ela recebeu sua segunda indicação de Atriz por Dois Dias, Uma Noite), mas não foi isso que aconteceu na Riviera Francesa.

Apesar do filme de Justin Kurzel não ter levado nada, pode ter sua segunda chance na campanha ao Oscar, já que vai ser alavancada pela Weinstein Company. Contudo, se Fassbender for indicado, suas chances são bem maiores pelo filme de Danny Boyle, Steve Jobs. Posso estar enganado, mas pela experiência que tenho em Oscar, esse filme está com cheiro de uma única indicação: Melhor Figurino.

I SAW THE LIGHT
Dir: Marc Abraham

Tom Hiddleston caracterizado como o cantor Hank Williams (photo by outnow.ch)

Tom Hiddleston caracterizado como o cantor Hank Williams (photo by outnow.ch)

Sinopse: Cinebiografia do cantor e compositor de country norte-americano Hank Williams.

Deve receber indicação: Ator (Tom Hiddleston)

Dúvida: Atriz Coadjuvante (Elizabeth Olsen), Roteiro Adaptado (Marc Abraham)

A Academia adora cinebiografia de cantores e compositores, especialmente os americanos. Basta olhar a presença de filmes como O Destino Mudou Sua Vida (1980), Ray (2004) e Johnny & June (2005). Contando com esse histórico positivo, o ator britânico Tom Hiddleston, conhecido mundialmente por viver o papel do vilão Loki nos filmes da Marvel, tem boas chances na aparecer na lista por retratar uma figura emblemática da música. Curiosamente, como não foi aposta unânime para o papel, além de se empenhar bastante no sotaque americano, tocou piano para o elenco e a equipe durante as filmagens e todos os dias, como forma de extrema gratidão, ele cumprimentava cada membro da equipe, do encarregado da limpeza até seus colegas de atuação.

Elizabeth Olsen, que já trabalhou com Hiddleston em Vingadores: Era de Ultron, interpretará sua primeira esposa, Audrey Mae Williams, que pode lhe render sua primeira indicação ao Oscar. Como Marc Abraham é um diretor praticamente novato, suas chances residem mais na categoria de roteiro, por ter adaptado a biografia escrita por Colin Escott.

MAD MAX: ESTRADA FÚRIA (Mad Max: Fury Road)
Dir: George Miller

Tom Hardy e Charlize Theron em cena de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by outnow.ch)

Tom Hardy e Charlize Theron em cena de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by outnow.ch)

Sinopse: Furiosa, uma mulher que se rebela contra seu tirano numa pós-Apocalíptica Austrália, vai em busca de sua terra natal com a ajuda de um grupo de prisioneiras, um adorador psicótico e um andarilho chamado Max.

Deve receber indicação: Fotografia (John Seale), Direção de Arte (Colin Gibson), Figurino (Jenny Beavan), Maquiagem, Som, Efeitos Sonoros

Dúvida: Filme, Diretor (George Miller), Roteiro Original (George Miller, Brendan McCarthy e Nick Lauthoris)

Quarta parte de uma quadrilogia? Sequência? Prequel? Reboot? Ninguém sabe ao certo o que essa loucura chamada Mad Max: Estrada da Fúria é, mas todos concordam com sua qualidade técnica impecável e acima de tudo: sua audácia. Há quanto tempo não vemos um filme politicamente incorreto assim feito por um estúdio nos cinemas? Nos últimos anos (pra não dizer na última década), o cinema de estúdio tem sido tomado por produtores que visam apenas o lucro, mas sem coragem alguma para arriscar em novas visões. Claro que o trabalho de Mad Max não é novidade alguma, mas joga na tela imagens que dizem: “Isso é cinema. Vocês se esqueceram?”

Além da qualidade técnica merecedora de todas as indicações, felizmente a produção australiana colheu ótimos frutos nas bilheterias mundias, fato que ajuda muito na composição das indicações ao Oscar. Contudo, acredito que o responsável por tudo isso pode nem sequer ser reconhecido com uma mera indicação, seja como diretor ou como roteirista. Curiosamente, George Miller já ganhou um Oscar por, acreditem, Melhor Animação com Happy Feet: O Pingüim em 2007. Anteriormente, ele havia sido indicado pelo Roteiro Original de O Óleo de Lorenzo em 1993, e pelo Roteiro Adaptado e Produção (Melhor Filme) de Babe – O Porquinho Atrapalhado em 1996. Vamos torcer para que os votantes da Academia dêem um tempo no conservadorismo e reconheçam o talento e a audácia de Miller. Seria utopia demais?

À BEIRA MAR (By the Sea)
Dir: Angelina Jolie

Angelina Jolie com o marido Brad Pitt ao fundo em cena de À Beira Mar. É a primeira vez que a atriz dirige a si mesma. (Photo by outnow.ch)

Angelina Jolie com o marido Brad Pitt ao fundo em cena de À Beira Mar. É a primeira vez que a atriz dirige a si mesma. (Photo by outnow.ch)

Sinopse: Nos anos 70 na França, conforme a ex-dançarina Vanessa e seu marido escritor Roland viajam pelo país juntos, eles se distanciam um do outro, até pararem numa cidade costeira onde eles passam a se aproximar dos habitantes locais.

Deve receber indicação: Fotografia (Christian Berger)

Dúvida: Diretor (Angelina Jolie), Atriz Coadjuvante (Mélanie Laurent), Trilha Musical Original (Gabriel Yared)

Após ser ignorada pela Academia depois de forte burburinho por seu trabalho anterior Invencível (Unbroken), Angelina Jolie lança seu terceiro longa na direção com os holofotes sobre a possível campanha no Oscar 2016. Honestamente, só incluí o filme aqui por causa da comentada e discutida exclusão dela na premiação deste ano, porque se depender do filme em si, não se trata de material para Oscar.

Claro que se ela quiser, Jolie pode se beneficiar de seu filme anterior e tentar sua primeira indicação como diretora, mas acho meio difícil com um romance. A seu favor estão a presença dela mesma  e do marido, Brad Pitt, no elenco, assim como a trilha de Gabriel Yared (vencedor do Oscar por O Paciente Inglês) e do diretor de fotografia austríaco e colaborador assíduo do diretor Michael Haneke, Christian Berger (indicado por A Fita Branca).

THE LAST FACE
Dir: Sean Penn

O diretor Sean Penn conversa com a jovem Adèle Exarchopoulos em set de The Last Face (photo by filmaffinity.com)

O diretor Sean Penn conversa com a jovem Adèle Exarchopoulos em set de The Last Face (photo by filmaffinity.com)

Sinopse: A diretora de uma agência internacional de ajuda humanitária na África conhece um carismático médico que trabalha na causa. Ele se divide entre o amor por ela e seu trabalho.

Deve receber indicação: Fotografia (Barry Ackroyd)

Dúvida: Diretor (Sean Penn), Montagem (Jay Cassidy)

Assim como outros atores que se tornaram diretores, Sean Penn busca experiência em nomes profissionais como o diretor de fotografia Barry Ackroyd (indicado por Guerra ao Terror) e o montador Jay Cassidy (três vezes indicado) com quem já trabalhou no cult Na Natureza Selvagem. Desta vez, ele também escalou sua própria mulher, Charlize Theron, que vive uma nova ascensão depois de seu desatque como Furiosa em Mad Max: Estrada da Fúria, o que certamente ajuda o filme a alavancar.

No elenco, Penn ainda conta com Javier Bardem como o médico, e os coadjuvantes Jean Renno, e a jovem talentosa francesa Adèle Exarchopoulos, de Azul é a Cor Mais Quente. Apesar de todos os fatores positivos, The Last Face ainda pode se tornar aqueles filmes que tinha tudo pra chegar ao Oscar, mas morre na praia.

PERDIDO EM MARTE (The Martian)
Dir: Ridley Scott

Da esquerda pra direita: Matt Damon, Jessica Chastain, Kate Mara e Sebastian Stan em cena de Perdido em Marte (photo by outnow.ch)

Da esquerda pra direita: Matt Damon, Jessica Chastain, Sebastian Stan, Kate Mara e Aksel Hennie em cena de Perdido em Marte (photo by outnow.ch)

Sinopse: Depois de uma missão em Marte, o astronauta Mark Watney é considerado morto depois de ter sido abandonado por colegas, mas ele está vivo e sozinho no planeta. Com pouquíssimos recursos, ele deve usar todas as suas habilidades e seu conhecimento para enviar um sinal para a Terra para dizer que está vivo.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Ridley Scott), Ator (Matt Damon), Atriz Coadjuvante (Jessica Chastain), Roteiro Adaptado (Drew Goddard), Fotografia (Dariusz Wolski), Direção de Arte (Arthur Max), Montagem (Pietro Scalia), Trilha Musical Original (Harry Gregson-Williams), Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais.

Dúvida: Figurino (Janty Yates)

Até pouco tempo atrás, Perdido em Marte era considerado uma incógnita, mas depois do lançamento de seu trailer, o filme ganhou novo status e pode ser muito bem o recordista de indicações ao Oscar 2016. Após trabalhos abaixo da média do veterano Ridley Scott (reconhecido mundialmente pelos clássicos Alien: O Oitavo Passageiro e Blade Runner: O Caçador de Andróides) pode finalmente voltar à tona com um projeto mais respeitável. Sinceramente, espero que a execução seja infinitamente superior ao de Prometheus, que tinha tudo pra ser um estouro.

Elenco e equipe Ridley Scott tem de primeiro nível: vencedores e indicados ao Oscar de baciada. E ainda conta com atores experientes que acabaram de trabalhar em outro filme de temática espacial, Interestelar: Matt Damon e Jessica Chastain. O roteiro, escrito pelo jovem promissor Drew Goddard (de O Segredo da Cabana), foi baseado no livro best-seller The Martian, de Andy Weir. Resta saber se o filme refletirá suas expectativas nas bilheterias e se a Academia está aberta a premiar uma ficção científica depois de bater na trave com Gravidade em 2014.

EU, VOCÊ E A GAROTA QUE VAI MORRER (Me and Earl and the Dying Girl)
Dir: Alfonso Gomez-Rejon

Olivia Cooke, Thomas Mann e RJ Cyler posam para foto de Me and Earl and the Dying Girl (photo by outnow.ch)

Olivia Cooke, Thomas Mann e RJ Cyler posam para foto de Me and Earl and the Dying Girl (photo by outnow.ch)

Sinopse: O estudante Greg, que passa a maior parte de seu tempo fazendo filmes de paródia com seu amigo Earl, tem sua vida mudada quando ele passa a fazer amizade com Rachel, uma colega de classe que acaba de ser diagnosticada com leucemia.

Deve receber indicação: Roteiro Adaptado (Jesse Andrews)

Dúvida: Filme

Sensação do último Festival de Sundance, Eu, Você e a Garota que Vai Morrer já chama atenção pelo seu título inusitado que mistura drama com comédia e humor negro. O filme independente tem um clima leve que muito se assemelha a (500) Dias com Ela e Juno, tanto que o trailer se apropria dos mesmos títulos para atrair o interesse do público.

Não sei se se trata de uma previsão otimista ou pessimista, mas o filme tem mais cara de indicado e até vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme – Comédia ou Musical, mas no Oscar teria que se contentar com uma única indicação de Roteiro Adaptado. Este ano, outro sucesso de público com temática de doença entre jovens, A Culpa é das Estrelas, acabou ficando de fora do Oscar.

BROOKLYN
Dir: John Crowley

Saoirse Ronan e Emory Cohen em cena de Brooklyn (photo by cine.gr)

Saoirse Ronan e Emory Cohen em cena de Brooklyn (photo by cine.gr)

Sinopse: Nos anos 50, a jovem imigrante irlandesa Eilis Lacey se muda para os EUA, onde conhece e se envolve com um rapaz americano, mas devido a um tragédia familiar, precisa voltar ao seu país, onde acaba conhecendo outro amor.

Deve receber indicação: Atriz (Saoirse Ronan), Roteiro Adaptado (Nick Hornby)

Dúvida: Fotografia (Yves Bélanger) e Trilha Musical Original (Michael Brook)

Incluí o filme na lista por ter sido alvo de burburinho por parte de alguns sites especializados e também por ser adaptação do best-seller de Colm Tóibín, mas tenho minhas dúvidas se esse filme vai chegar ao tapete vermelho. Ele tem uma pinta de filme bonito e até com seus devidos momentos emotivos que fazem um candidato, mas não tem muito pedigree. John Crowley é um diretor que ficou conhecido pelo filme independente Rapaz A, de 2007, mas depois não deslanchou nada relevante.

Saoirse Ronan pode conseguir sua segunda indicação, desta vez como Melhor Atriz, principalmente por seu empenho no sotaque irlandês de sua personagem. E pelo visto, o escritor Nick Hornby está se empenhando a escrever roteiros agora. Depois de Educação (2009), ele fez o roteiro de Livre (2014) e agora deste Brooklyn. Pode receber sua segunda indicação também.

STAR WARS: EPISÓDIO VII – O DESPERTAR DA FORÇA (Star Wars: Episode VII – The Force Awakens)
Dir: J.J. Abrams

Daisy Ridley corre em cena de Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força (photo by (outnow.ch)

Daisy Ridley corre em cena de Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força (photo by (outnow.ch)

Sinopse: Continuação da saga de George Lucas na galáxia muito distante.

Deve receber indicação: Maquiagem, Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais

Dúvida: Direção de Arte (Rick Carter), Trilha Musical Original (John Williams)

Mais um filme de Star Wars lançado 10 anos após o último, mas com uma diferença bastante relevante: a Lucas Film foi comprada pela Disney. Aliás, o que não é comprado pela Disney?? A empresa comprou também a Pixar e a Marvel, o que pode causar uma padronização (pra não dizer pasteurização) do cinema comercial como o conhecemos.

Felizmente, o diretor J.J. Abrams tem um bom feeling pra franquias como pudemos constatar no reboot de Star Trek (2009), mas não creio numa revolução, até mesmo porque a Disney está mais preocupada em vender seus produtos do que fazer um filme consistente, então provavelmente o diretor não tem carta branca pra tudo, muito menos para o corte final do filme. Claro que este novo Star Wars vai criar novos recordes de bilheteria e muito provavelmente terá presença garantida nas categorias mais técnicas do Oscar.

RICKI AND THE FLASH: DE VOLTA PARA CASA (Ricki and the Flash)
Dir: Jonathan Demme

Mamie Gummer e Meryl Streep, filha e mãe na vida real e na ficção em cena de Ricki and the Flash: De Volata Para Casa (photo by outnow.ch)

Mamie Gummer e Meryl Streep, filha e mãe na vida real e na ficção em cena de Ricki and the Flash: De Volata Para Casa (photo by outnow.ch)

Sinopse: Ricki, que desistiu de tudo por seu sonho de se tornar uma estrela do rock, retorna para casa e procura fazer as coisas certas com sua família.

Deve receber indicação: Atriz (Meryl Streep)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Kevin Kline), Roteiro Original (Diablo Cody), Canção Original

Assim que vi a primeira foto de Meryl Streep caracterizada como uma roqueira dos anos 80 em decadência, logo associei a…? Sim, o Oscar! Esta seria sua 20ª indicação, um recorde que demoraria muito pra ser ultrapassado! Porém, andei lendo alguns rumores de que Meryl Streep não participaria de nenhum campanha do filme para o Oscar.

Independente de seus supostos motivos, a atriz tem tudo para conseguir no mínimo uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz – Comédia ou Musical. Curiosamente, sua filha na vida real, Mamie Gummer, interpreta sua filha no filme.

GRANDMA
Dir: Paul Weitz

Lily Tomlin em primeiro plano e Julie Garner ao fundo em cena de Grandma (photo by latimes.com)

Lily Tomlin em primeiro plano e Julie Garner ao fundo em cena de Grandma (photo by latimes.com)

Sinopse: Declarada misantropa, Elle Reid tem sua bolha protetora estourada quando sua neta de 18 anos aparece precisando de ajuda. As duas partem numa viagem que as obrigará a confrontar passado e futuro.

Deve receber indicação: Atriz (Lily Tomlin)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Sam Elliott), Roteiro Original (Paul Weitz)

Típica dramédia em que dois personagens são obrigados a conviver e acabam descobrindo um sentimento mútuo durante uma road trip. Claro que o filme independente Grandma não tem maiores pretensões na temporada de premiações, mas só o fato de trazer de volta a veterana Lily Tomlin ao centro do palco já é algo digno de nota. Se ela receber indicação, será sua segunda depois da de Coadjuvante por Nashville em 1976! Esse tipo de retorno a Academia costuma reconhecer, então Tomlin tem grandes chances.

Assim como outra veterana Meryl Streep, Lily Tomlin também tem ótima chance de ser premiada pelo Globo de Ouro de Melhor Atriz – Comédia ou Musical, podendo trazer junto o ator Sam Elliott.

007 CONTRA SPECTRE (Spectre)
Dir: Sam Mendes

Daniel Craig como James Bond em cena de 007 Contra Spectre (photo by outnow.ch)

Daniel Craig como James Bond em cena de 007 Contra Spectre (photo by outnow.ch)

Sinopse: Uma mensagem criptografada do passado de Bond o envia numa trilha para desvendar uma organização criminosa. Enquanto M luta contra forças políticas para manter o serviço secreto vivo, James Bond investiga a SPECTRE.

Deve receber indicação: Trilha Musical Original (Thomas Newman), Canção Original, Som e Efeitos Sonoros

Dúvida: Fotografia (Hoyte Van Hoytema), Montagem (Lee Smith)

O prestigiado diretor Sam Mendes retorna pela segunda vez à cadeira de direção da franquia 007, mas desta vez não conta com um colaborador que faz a diferença: o diretor de fotografia Roger Deakins, que fez um trabalho estupendo em 007 – Operação Skyfall. Contudo, ele será substituído por outro bom profissional (Hoyte Van Hoytema) e contará com o retorno do compositor Thomas Newman, que foi indicado pelo filme anterior de Bond.

Aliás, 007 – Operação Skyfall ganhou o primeiro Oscar de Canção Original da série toda, criada em 1962 com 007 Contra o Satânico Dr. No, portanto existe uma expectativa em relação à canção de abertura deste novo trabalho. Independente do músico ou banda que interprete a nova canção (alguns sites indicaram Ellie Goulding), 007 Contra Spectre deve ser mais um sucesso arrebatador e deve conquistar indicações técnicas e quem sabe mais uma de canção…

Mesmo que tenha poucas chances no Oscar, vale lembrar que Christoph Waltz (vencedor de duas estatuetas por Bastardos Inglórios e Django Livre) está no elenco. Ele interpreta Oberhauser, o líder da organização Spectre. Por 007 – Operação Skyfall, Javier Bardem chegou a ser indicado para o SAG de Coadjuvante por interpretar o vilão Silva.

CINDERELA (Cinderella)
Dir: Kenneth Branagh

No centro, Cate Blanchett como a Madrasta em cena de Cinderela (photo by outnow.ch)

No centro, Cate Blanchett como a Madrasta em cena de Cinderela (photo by outnow.ch)

Sinopse: Versão live-action da fábula da Cinderela, a Gata Borralheira que sofre nas mãos da madrasta e das meia-irmãs até ter sua sorte mudada com a ajuda de uma fada.

Deve receber indicação: Direção de Arte (Dante Ferretti) e Figurino (Sandy Powell)

Dúvida: Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett), Trilha Musical Original (Patrick Doyle)

Depois do sucesso comercial de Malévola no ano passado, a Disney resolveu apostar as fichas nas adaptações em live-action de muitas animações consagradas por ela mesma. Então, depois desse Cinderela, estão nos planos a versão de Mulan e A Bela e a Fera, ou seja, acabaram as idéias até para animações novas…

Felizmente, a Academia sabe reconhecer qualidades técnicas mesmo em refilmagens. O próprio Malévola foi indicado este ano para Figurino, o que favorece a inclusão de Cinderela na lista de indicações, especialmente no Figurino caprichado da veterana Sandy Powell e do primoroso trabalho de production design do italiano Dante Ferretti, que já ganhou 3 Oscars. Já os rumores de uma indicação para Cate Blanchett como a Madrasta chegaram a ser comentados em alguns sites, mas seria bem improvável.

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Alguns trabalhos não devem alçar vôos mais altos na temporada, mas pode sobrar uma vaguinha em uma ou outra categoria, portanto, os filmes seguintes são listados de forma mais simples:

MILES AHEAD
Dir: Don Cheadle

Don Cheadle como o músico Miles Davis em Miles Ahead (photo by jazzmusic.in)

Don Cheadle como o músico Miles Davis em Miles Ahead (photo by jazzmusic.in)

Cinebiografia do músico Miles Davis.

Melhor chance: Ator (Don Cheadle), Trilha Musical Original (Herbie Hancock)
Forçando a barra: Ator Coadjuvante (Ewan McGregor)

HOMEM-FORMIGA (Ant-Man)
Dir: Peyton Reed

Paul Rudd como o herói em Homem-Formiga (photo by outnow.ch)

Paul Rudd como o herói em Homem-Formiga (photo by outnow.ch)

Adaptação dos quadrinhos de Scott Lang e seu alter-ego, o super-herói Homem-Formiga. Ele deve ajudar seu mentor Hank Pym a roubar uma armadura que ajudou a criar.

Melhor chance: Efeitos Visuais
Forçando a barra: Efeitos Sonoros

VINGADORES: ERA DE ULTRON (Avengers: Age of Ultron)
Dir: Joss Whedon

Homem de Ferro em ação contra o Hulk em Vingadores: Era de Ultron (photo by cinemagia.ro)

Homem de Ferro em ação contra o Hulk em Vingadores: Era de Ultron (photo by cinemagia.ro)

Tony Stark e Bruce Banner criam um programa chamado Ultron para dar paz ao mundo, mas os planos dão errado e os Vingadores precisam evitar que ele destrua o planeta.

Melhor chance: Efeitos Visuais
Forçando a barra: Som e Efeitos Sonoros

JURASSIC WORLD: O MUNDO DOS DINOSSAUROS (Jurassic World)
Dir: Colin Trevorrow

Chris Pratt trabalha com os velociraptors em Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (photo by outnow.ch)

Chris Pratt trabalha com os velociraptors em Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (photo by outnow.ch)

Quarta parte iniciada com Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993). Com o parque finalmente aberto ao público e funcionando, as coisas começam a dar errado quando criam um dinossauro geneticamente modificado para atrair mais pessoas.

Melhor chance: Efeitos Visuais e Som
Forçando a barra: Trilha Musical Original (Michael Giacchino) e Efeitos Sonoros

LONGE DESTE INSENSATO MUNDO (Far from the Madding Crowd)
Dir: Thomas Vinterberg

Carey Mulligan em cena de Longe Deste Insensato Mundo (photo by outnow.ch)

Carey Mulligan em cena de Longe Deste Insensato Mundo (photo by outnow.ch)

Baseado no clássico romance homônimo de Thomas Hardy, o filme se passa na Inglaterra Vitoriana, onde a jovem Bathsheba Everdene atrai três homens diferentes: um criador de ovelhas, um sargento e um próspero e maduro bacharel.

Melhor chance: Figurino (Janett Patterson)
Forçando a barra: Atriz (Carey Mulligan)

O QUARTO DE JACK (Room)
Dir: Lenny Abrahamson

Brie Larson como a mãe em cena de Room (photo by outnow.ch)

Brie Larson como a mãe em cena de Room (photo by outnow.ch)

História contemporânea sobre o amor entre mãe e filho. O jovem Jack não conhece nada do mundo, exceto pelo quarto em que nasceu e foi criado.

Melhor chance: Atriz (Brie Larson)
Forçando a barra: Atriz Coadjuvante (Joan Allen)

O FIM DA TURNÊ (The End of the Tour)
Dir: James Ponsoldt

Jesse Eisenberg como o repórter e o Jason Segel como David Foster Wallace em cena de The End of the Tour (photo by elfilm.com)

Jesse Eisenberg como o repórter e o Jason Segel como David Foster Wallace em cena de The End of the Tour (photo by elfilm.com)

A história de uma entrevista que durou 5 dias entre o repórter da Rolling Stone, David Lipsky, e o aclamado autor David Foster Wallace, que aconteceu logo depois da publicação do romance dele chamado “Infinite Jest” em 1996.

Melhor chance: Roteiro Adaptado (Donald Margulies)
Forçando a barra: Ator (Jason Segel)

*** As indicações ao Oscar 2016 serão anunciadas no dia 14 de janeiro.