93 PRODUÇÕES DISPUTAM O OSCAR DE FILME INTERNACIONAL

Alfonso Cuarón, com as três estatuetas que ganhou com Roma, incluindo o último Oscar de Filme em Língua Estrangeira

CATEGORIA QUE MUDOU DE NOME RECEBEU O TOTAL DE 94 INSCRIÇÕES

Sim, a categoria Filme em Língua Estrangeira, criada oficialmente na década de 50, foi rebatizada para Melhor Filme Internacional no último mês de Abril, pois consideraram o termo “Estrangeiro” ultrapassado. Outras mudanças significativas foram da pré-lista de dezembro, que pula de nove para dez filmes pré-selecionados, e pela primeira vez, os votantes poderão assistir aos dez filmes online, sem precisar comparecer às salas de Los Angeles, Nova York ou Londres.

Dos 94 filmes inscritos, logo de cara já houve uma desqualificação do Afeganistão. Havia questionamento de legitimidade do comitê que elegeu o representante do país, portanto foi descartado antes mesmo do anúncio dos oficialmente inscritos.

Em seguida, no dia 04 de Novembro, a Academia anunciou a desqualificação da Nigéria, que havia inscrito um filme na competição pela primeira vez com Lionheart. Segundo o departamento responsável que viu a película, houve uma infração do regulamento que exige língua não-inglesa predominante. Foi constatado que o filme continha apenas onze minutos no idioma estrangeiro. Essa ilegalidade causou revolta na Nigéria e conquistou apoio da cineasta Ava DuVernay.

Em sua conta do Twitter, a diretora de Selma esbravejou:
“Para a Academia, Vocês desqualificaram a primeiríssima inscrição da Nigéria para Melhor Filme Internacional porque está em Inglês. Mas Inglês é a língua oficial da Nigéria. Vocês estão barrando este país para que nunca dispute um Oscar em sua língua oficial?…”

Há duas formas de enxergar a situação. Pelo lado da Academia, regras são regras. Essa que exige predominância de língua não-inglesa existe há décadas. Faltou atenção ao comitê nigeriano ao regulamento da categoria. Já pelo lado da Nigéria, da modernização e do bom senso, a Academia não poderia ter sido mais flexível nessa questão do idioma ao modernizar o nome do prêmio de Filme em Língua Estrangeira para Filme Internacional? Quer dizer, todas as nações que foram colonizadas no passado jamais poderão disputar esse Oscar? Além disso, há algum tempo, é uma raridade vermos produções de um único país. Atualmente, o normal é a realização de co-produções em conjunto com dois ou mais países. Hoje, se um filme co-produzido por três países, apenas um pode selecioná-lo como representante no Oscar.

Não acreditamos que a Academia vá voltar atrás agora nessas questões, contudo os responsáveis do departamento podem estudar o caso para uma próxima cerimônia. Desta forma, permanecerão 92 filmes inscritos, número que mesmo assim iguala o recorde anterior de 2017.  Ainda sobre números, mesmo com a queda da Nigéria, temos 28 diretoras mulheres nessa disputa, um recorde na história da premiação.

COMO ESTÁ A DISPUTA ATÉ O MOMENTO?

Parasita, de Bong Joon-ho

PARASITA (Coréia do Sul) Dir: Bong Joon-ho
Vamos resumir assim: o filme sul-coreano Parasita está trilhando o mesmo caminho de Roma, de Alfonso Cuarón. Além de ter faturado prêmios importantes como a Palma de Ouro em Cannes, vem conquistando toda a crítica e o público de forma unânime, o que leva o filme a ser considerado inclusive para outras categorias como Melhor Filme, Direção, Roteiro Original, Fotografia, Direção de Arte e Ator Coadjuvante. Curiosamente, se concretizada, seria a primeira indicação do país na história do Oscar. Particularmente, sentimos que o Cinema Sul-coreano tem sido injustiçado há duas décadas pelo Oscar. Só para citar alguns filmes que mereciam uma indicação estão Oldboy (2002), Oasis (2002), Memórias de um Assassino (2003), Casa Vazia (2004), Secret Sunshine (2007), Poesia (2010), A Criada (2016) e Em Chamas (2018).

Dor e Glória, de Pedro Almodóvar

DOR E GLÓRIA (Espanha) Dir: Pedro Almodóvar
Quando o filme estava entre os indicados à Palma de Ouro deste ano, havia uma forte especulação de que Pedro Almodóvar ganharia pelo menos o prêmio de Direção ou o Grande Prêmio do Júri, mas acabou ficando apenas com o prêmio de interpretação masculina para Antonio Banderas, que vive o alter-ego do diretor espanhol. Muito querido entre os membros da Academia, o diretor já ganhou duas estatuetas: Filme em Língua Estrangeira por Tudo Sobre Minha Mãe em 2000, e Melhor Roteiro Original por Fale com Ela em 2003. Ao lado do representante sul-coreano, este espanhol está praticamente garantido entre os cinco indicados.

Les Misérables, de Ladj Ly

LES MISÉRABLES (França) Dir: Ladj Ly
Havia uma forte expectativa para que Retrato de uma Jovem em Chamas fosse o representante da França para o Oscar, mas talvez por motivos homofóbicos, o filme cedeu lugar a Les Misérables. Apesar de compartilhar o mesmo título da obra de Victor Hugo e o musical homônimo de 2012, o primeiro filme de Ladj Ly aborda a violência e o preconceito vivido por habitantes dos subúrbios franceses. A produção faturou o mesmo Prêmio do Júri ao lado do brasileiro Bacurau, o que pode facilitar um pouco sua campanha. Ladj Ly é o primeiro diretor negro que representa a França.

Monos, de Alejandro Landes

MONOS (Colômbia) Dir: Alejandro Landes
Para quem acompanha o Oscar, sabe que o cinema colombiano tem se destacado recentemente na premiação como o indicado O Abraço da Serpente (2015) e Pássaros de Verão (2018), que estava na última pré-lista. E pra elevar a ainda mais a campanha de Monos, os diretores mexicanos Alejandro González Iñárritu e Guillermo del Toro esbanjaram rasgaram elogios publicamente ao filme, o que certamente chamará a atenção de outros votantes, especialmente os latinos. Monos, que estava na Mostra Internacional de São Paulo, acompanha oito jovens militantes em um acampamento no alto da montanha. Eles precisam manter uma refém americana (Julianne Nicholson), mas os planos mudam quando eles matam acidentalmente uma vaca que os mantinha no local. Vale ressaltar que o diretor Alejandro Landes é brasileiro, filho de mãe colombiana.

Atlantics, de Mati Diop

ATLANTICS (Senegal) Dir: Mati Diop
A carreira do filme senegalês começou com sua indicação à Palma de Ouro em Cannes. Mati Diop se tornou a primeira mulher negra na competição oficial. Produção da Netflix, o filme aborda uma história de amor com a imigração ilegal como pano de fundo. Trata-se da segunda inscrição do país africano no Oscar, sendo que a primeira, Félicité, esteve entre os nove filmes pré-selecionados de 2018. Seria um reconhecimento para coroar o crescimento do cinema do continente africano, e dar um equilíbrio entre as produções indicadas, que costumam ficar restritas à Europa.

OUTROS EM DESTAQUE

Da esquerda para a direita: Honeyland, Papicha, O Paraíso Deve Ser Aqui, O Menino que Descobriu o Vento, e O Traidor

Honeyland (Macedônia do Norte): Elogiada produção de ficção que se assemelha a um documentário ao narrar a história de uma apicultora tradicional considerada a última da região.

Papicha (Argélia): Passado nos anos 90, acompanha a opressão sofrida por todas as mulheres por terroristas islâmicos, buscando alterar de forma conservadora seus hábitos, suas vestimentas e seus espaços públicos.

O Paraíso Deve Ser Aqui (Palestina): Trata-se de uma comédia autobiográfica do diretor Elia Suleiman que, ao viajar para fora de seu país para encontrar paz, acaba se deparando com os mesmos problemas de racismo e dificuldades sociais nas terras consideradas paraísos como EUA e França.

O Menino que Descobriu o Vento (Reino Unido): Embora tenha poucas chances no Oscar, pode surpreender por dirigido e atuado pelo ator indicado ao Oscar Chiwetel Ejiofor (de 12 Anos de Escravidão) e estar disponível na plataforma da Netflix. O filme narra a história de um menino no Malawi que desenvolve uma turbina de vento em seu vilarejo.

O Traidor (Itália): Além do renome do diretor Marco Bellocchio, o país europeu aposta na fama do mafioso Tommaso Buscetta, que fugiu para o Brasil e para os EUA e delatou a máfia italiana Costa Nostra. A atriz brasileira Maria Fernanda Cândido faz parte do elenco.

E O BRASIL?

A Academia de Cinema Brasileiro enfrentou um duro dilema este ano. Bacurau ou A Vida Invisível? Ambos os filmes haviam sido bem recebidos e premiados no Festival de Cannes. Enquanto o primeiro faturou o Prêmio do Júri (uma espécie de terceiro lugar), o segundo levou o cobiçado prêmio Un Certain Regard. Uma coisa era certa: o representante brasileiro tinha que ser um dos dois, mas qual?

A Vida Invisível, de Karim Ainouz

A presidente da comissão Anna Muylaert acabou desempatando a briga. Cinco votos para A Vida Invisível e quatro para Bacurau. Dentre as justificativas para a escolha, teria pesado a presença de Fernanda Montenegro no elenco, uma vez que ela já foi indicada ao Oscar por Central do Brasil. Além disso, Bacurau pode ser interpretado como uma afronta para o público norte-americano, pois eles são os vilões do filme de Kleber Mendonça Filho que se passa no sertão de Pernambuco. Já A Vida Invisível busca exaltar a força feminina através de suas protagonistas irmãs, algo em voga nas premiações.

Alguns alegam que Bacurau teria sido uma escolha mais ousada e por isso, teria mais chances de ser notado entre os votantes da Academia. Será? Claro que depende muito da campanha de publicidade rumo ao Oscar, que acontece em Fevereiro. Vamos torcer para que Vida Invisível se torne a 5ª indicação do Brasil após a última de Central do Brasil em 1999.

SEGUE LISTA COMPLETA DAS PRODUÇÕES INSCRITAS PARA O OSCAR 2020:

PAÍS FILME DIRETOR(A)(ES)
África do Sul Knuckle City Jahmil X.T. Qubeka
Albânia The Delegation Bujar Alimani
Alemanha System Crasher Nora Fingscheidt
Arábia Saudita The Perfect Candidate Haifaa al-Mansour
Argélia Papicha Mounia Meddour
Argentina Heroic Losers Sebastián Borensztein
Armênia Lengthy Night Edgar Baghdasaryan
Austrália Buoyancy Rodd Rathjen
Áustria Joy Sudabeh Mortezai
Bangladesh Alpha Nasiruddin Yousuff
Bélgica Our Mothers César Díaz
Bielorrússia Debut Anastasiya Miroshnichenko
Bolívia I Miss You Rodrigo Bellott
Bósnia Herzegovina The Son Ines Tanovic
Brasil A Vida Invisível Karim Aïnouz
Bulgária Ága Milko Lazarov
Camboja In the Life of Music Caylee So, Sok Visal
Canadá Antigone Sophie Deraspe
Cazaquistão Kazakh Khanate – Golden Throne Rustem Abdrashev
Chile Spider Andrés Wood
China Ne Zha Jiaozi
Colômbia Monos Alejandro Landes
Coréia do Sul Parasita Bong Joon-ho
Costa Rica The Awakening of the Ants Antonella Sudasassi
Croácia Mali Antonio Nuic
Cuba A Translator Rodrigo Barriuso, Sebastián Barriuso
Dinamarca Queen of Hearts May el-Toukhy
Egito Poisonous Roses Fawzi Saleh
Equador The Longest Night Gabriela Calvache
Eslováquia Let There Be Light Marko Skop
Eslovênia History of Love Sonja Prosenc
Espanha Dor e Glória Pedro Almodóvar
Estônia Truth and Justice Tanel Toom
Etiópia Running Against the Wind Jan Philipp Weyl
Filipinas Verdict Raymund Ribay Gutierrez
Finlândia Stupid Young Heart Selma Vilhunen
França Les Misérables Ladj Ly
Gana Azali Kwabena Gyansah
Geórgia Shindisi Dito Tsintsadze
Grécia When Tomatoes Met Wagner Marianna Economou
Holanda Instinct Halina Reijn
Honduras Blood, Passion and Coffee Carlos Membreño
Hong Kong The White Storm 2 – Drug Lords Herman Yau
Hungria Those Who Remained Barnabás Tóth
Índia Gully Boy Zoya Akhtar
Indonésia Memories of my Body Garin Nugroho
Irã Finding Fariden Kourosh Ataee, Azadeh Moussavi
Irlanda Gaza Garry Keane, Andrew McConnell
Islândia A White, White Day Hlynur Pálmason
Israel Incitement Yaron Zilberman
Itália O Traidor Marco Bellocchio
Japão Weathering With You Makoto Shinkai
Kosovo Zana Antoneta Kastrati
Látvia The Mover Davis Simanis
Líbano 1982 Oualid Mouaness
Lituânia Bridges of Time Kristine Briede, Audrius Stonys
Luxemburgo Tel Aviv on Fire Sameh Zoabi
Macedônia do Norte Honeyland Tamara Kotevska, Ljubomir Stefanov
Malásia M for Malaysia Dian Lee, Ineza Roussille
Marrocos Adam Maryam Touzani
México The Chambermaid Lila Avilés
Mongólia The Steed Erdenebileg Ganbold
Montenegro Neverending Past Andro Martinovic
Nepal Bulbul Binod Paudel
Nigéria Lionheart Genevieve Nnaji
Noruega Out Stealing Horses Hans Petter Moland
Palestina It Must Be Heaven Elia Suleiman
Panamá Everybody Changes Arturo Montenegro
Paquistão Laal Kabootar Kamal Khan
Peru Retablo Alvaro Delgado-Aparicio
Polônia Corpus Christi Jan Komasa
Portugal The Domain Tiago Guedes
Quênia Subira Ravneet Sippy Chadha
Quirguistão Aurora Bekzat Pirmatov
Reino Unido O Menino que Descobriu o Vento Chiwetel Ejiofor
Rep Dominicana The Projectionist José María Cabral
Rep Tcheca The Painted Bird Václav Marhoul
Romênia The Whistlers Corneliu Porumboiu
Rússia Beanpole Kantemir Balagov
Senegal Atlantics Mati Diop
Sérvia King Petar of Serbia Petar Ristovski
Singapura A Land Imagined Yeo Siew Hua
Suécia And Then We Danced Levan Akin
Suíça Wolkenbruch’s Wondrous Journey Into the Arms of a Shiksa Michael Steiner
Tailândia Krasue: Inhuman Kiss Sitisiri Mongkolsiri
Taiwan Dear Ex Mag Hsu, Hsu Chih-yen
Tunísia Dear Son Mohamed Ben Attia
Turquia Commitment Semih Kaplanoglu
Ucrânia Homeward Nariman Aliev
Uruguai The Moneychanger Federico Veiroj
Uzbequistão Hot Bread Umid Khamdamov
Venezuela Being Impossible Patricia Ortega
Vietnã Furie Lê Van Kiêt

A pré-lista com os dez filmes será divulgada no dia 16 de dezembro. O anúncio das indicações ao Oscar estão marcadas para o dia 13 de janeiro.

87 PRODUÇÕES CONCORREM ao OSCAR 2019 de FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

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Alfonso Cuarón dirige cena com Yalitza Aparicio em Roma (pic by imdb)

VENCEDOR DO OSCAR POR ‘GRAVIDADE’, ALFONSO CUARÓN COMPETE PELO MÉXICO

OK, os portões do ENEM fecharam! Ninguém mais entra, ninguém mais sai. 87 países enviaram seus filmes representantes para disputarem as 5 cobiçadas indicações na categoria de Filme em Língua Estrangeira. É importante ressaltar aqui que houve uma ligeira redução de inscritos comparando com o ano passado, quando houve 92 filmes.

Este ano marca a estréia na lista de dois países que muita gente sequer sabia da existência: Malawi e Niger, ambas nações do continente africano. Duas produções ainda aguardam aprovação da Academia: o filme cubano Sergio & Sergei, e o representante do Quirguistão Night Accident.

COMO ESTÁ A DISPUTA ATÉ O MOMENTO?

Ao contrário dos últimos anos, 2019 já tem um franco-favorito: Roma, de Alfonso Cuarón, que ganhou o Leão de Ouro em Veneza, é o representante oficial do México, que nunca ganhou o Oscar de Filme em Língua Estrangeira na história da Academia. Por todos os lugares por quais passa, independente de qual crítico, o filme biográfico do diretor é uma extrema unanimidade, inclusive, com alta possibilidade de concorrer ao Oscar de Melhor Filme (seria a primeira indicação da Netflix) e com boas chances de vencer! Essa dobradinha Melhor Filme e Melhor Filme em Língua Estrangeira nunca aconteceu antes.

Pra quem não se recorda, Alfonso Cuarón já venceu dois Oscars pela ficção científica Gravidade em 2014: Melhor Montagem e Melhor Direção. Ele já havia concorrido antes por Filhos da Esperança em 2007 (Roteiro Adaptado e Montagem) e por E Sua Mãe Também em 2002 (Roteiro Original). Tornou-se o primeiro diretor hispânico a vencer o Oscar de Diretor, abrindo a porta para seus compadres Alejandro González Iñárritu e Guillermo Del Toro.

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Sakura Andô (mãe) e Lily Franky (pai) interagem com menina adotada em Assunto de Família (pic by imdb)

Claro que, mesmo diante desse sucesso estrondoso, só vamos ter 100% de certeza quando o filme for anunciado vencedor no palco da cerimônia. Até lá, muita água ainda vai rolar nesse rio de filmes. O representante japonês, Assunto de Família, de Hirokazu Koreeda, figura como uma espécie de segundo lugar nessa bolsa de apostas. Cineasta com presença frequente em grandes festivais internacionais, Koreeda ganhou enorme impulso após a vitória da Palma de Ouro em Cannes com este singelo drama sobre uma família de ladrões que adota uma menina de rua.

Dá pra praticamente cravar que Roma e Assunto de Família já estão garantidos na categoria. As outras 3 vagas podem ir para:

POLÔNIA: Guerra Fria (Cold War), de Pawel Pawlikowski
– Temos aqui o diretor que ganhou o Oscar de Filme Estrangeiro por Ida em 2014, fazendo um novo filme em preto-e-branco com pano de fundo da guerra, tema que muitos votantes adoram. Cold War levou o prêmio de Direção em Cannes. E conta com a belíssima fotografia PB de Lukasz Zal (que foi indicado ao Oscar por Ida).

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Joanna Kulig em cena de Guerra Fria (pic by imdb)

CORÉIA DO SUL: Em Chamas (Burning), de Lee Chang-dong
– Bastante elogiado em Cannes, de onde saiu com o FIPRESCI Prize, que reconhece a vertente artística, Em Chamas pode se tornar a primeira indicação da Coréia do Sul ao Oscar após o país perder grande chance com A Criada em 2016. Seu diretor Lee Chang-dong tem um currículo internacional respeitável, já tendo vencido o prêmio de roteiro por Poesia (2010) em Cannes.

Burning

Ah-In Yoo, Jong-seo Jeon e Steven Yeun em cena de Em Chamas (pic by imdb)

PARAGUAI: As Herdeiras (Las Herederas), de Marcelo Martinessi
– Em sua passagem pelo Festival de Berlim, o filme conquistou o prêmio de Melhor Atriz para Ana Brun. O filme narra a decadência financeira de uma família da elite paraguaia. O longa paraguaio já estreou no Brasil.

The Heiresses

Ana Brun e Ana Ivanova em cena de As Herdeiras (pic by humanitieskansas.org)

BÉLGICA: Girl, de Lukas Dhont
– A produção acompanha a trajetória de Lara, uma menina de 15 anos nascida num corpo de menino, que tem o sonho de ser bailarina. Girl teve boa passagem pela mostra Un Certain Regard de Cannes, e pode se beneficiar da recente vitória de outro filme LGBT no Oscar: Uma Mulher Fantástica.

Girl

Victor Polster como a bailarina Lara em cena de Girl (pic by imdb)

Outros filmes bem cotados são o dinamarquês A Culpa, de Gustave Möller; o alemão Never Look Away, de Florian Henckel von Donnnersmarck (que venceu o Oscar por A Vida dos Outros); e o libanês Capernaum, de Nadine Labaki.

E O BRASIL?

A Academia de Cinema Brasileiro nomeou O Grande Circo Místico, de Cacá Diegues, para concorrer ao Oscar. Como o filme ainda não estreou em solo brasileiro, acabou não contando com o voto popular. Internacionalmente, o longa teve passagem bem discreta em mostra paralela não-competitiva de Cannes. A seleção se baseou na extensa filmografia do diretor, que este ano foi integrado à Academia de Letras Brasileira, e na temática circense que já fez sucesso décadas atrás na categoria como com A Estrada da Vida, de Federico Fellini.

O Grande Circo Místico

Jesuíta Barbosa em cena de O Grande Circo Místico (pic by imdb)

A menos que haja uma mega reviravolta na campanha nos EUA, o filme tem tudo para morrer na praia, infelizmente. A escolha mais sensata teria sido entre Benzinho e As Boas Maneiras, que tiveram carreira internacional mais rica, que facilitaria na divulgação. Porém, vamos continuar torcendo… pelo menos até conferir a qualidade do filme!

PREPARE-SE!

No final de dezembro, sai a pré-lista com 9 produções. E os cinco indicados serão conhecidos no dia do anúncio das indicações: 22 de janeiro. A cerimônia acontecerá no dia 24 de fevereiro.

SEGUE A LISTA DAS 87 PRODUÇÕES INSCRITAS PARA O OSCAR 2019:

PAÍS FILME DIRETOR(A)(ES)
Afeganistão Rona Azim’s Mother Jamshid Mahmoudi
África do Sul Sew the Winter to my Skin Jahmil X.T. Qubeka
Alemanha Never Look Away Florian H. von Donnersmarck
Argélia Until the End of Time Yasmine Chouikh
Argentina El Ángel Luis Ortega
Armênia Spitak Alexander Kott
Austrália Jirga Benjamin Gilmour
Áustria The Waldheim Waltz Ruth Beckermann
Bangladesh No Bed of Roses Mostofa Sarwar Farook
Bélgica Girl Lukas Dhont
Bielorrússia Crystal Swan Darya Zhuk
Bolívia The Goalkeeper Rodrigo ‘Gory’ Patiño
Bósnia Herzegovina Never Leave Me Ainda Begi´c
Brasil O Grande Circo Místico Cacá Diegues
Bulgária Omnipresent Ilian Djevelekov
Camboja Graves Without a Name Rithy Panh
Canadá Family Ties Sophie Dupuis
Cazaquistão Ayka Sergey Dvortsevoy
Chile …And Suddenly the Dawn Silvio Caiozzi
China Hidden Man Jiang Wen
Colômbia Birds of Passage Cristina Gallego, Ciro Guerra
Coréia do Sul Em Chamas Lee Chang-dong
Costa Rica Medea Alexandra Latishev
Croácia The Eighth Comissioner Ivan Salaj
Dinamarca Culpa Gustav Möller
Egito Yomeddine A.B. Shawky
Equador A Son of Man Jamaicanoproblem
Eslováquia The Interpreter Martin Šulík
Eslovênia Ivan Janez Burger
Espanha Champions Javier Fesser
Estônia Take it or Leave it Liina Trishkina-Vanhatalo
Filipinas Signal Rock Chito S. Roño
Finlândia Euthanizer Teemu Nikki
França Memoir of War Emmanuel Finkiel
Geórgia Namme Zaza Khalvashi
Grécia Polyxeni Dora Masklavanou
Holanda O Banqueiro da Resistência Joram Lürsen
Hong Kong Operation Red Sea Dante Lam
Hungria Sunset László Nemes
Iêmen 10 Days Before the Wedding Amr Gamal
Índia Village Rockstars Rima Das
Indonésia Marlina the Murderer in Four Acts Mouly Surya
Irã Sem Data, Sem Assinatura Vahid Jalivand
Iraque The Journey Mohamed Jabarah Al-Daradji
Islândia Woman at War Benedikt Erlingsson
Israel The Cakemaker Ofir Raul Graizer
Itália Dogman Matteo Garrone
Japão Assunto de Família Hirokazu Koreeda
Kosovo The Marriage Blerta Zeqiri
Letônia To Be Continued Ivars Seleckis
Líbano Capernaum Nadine Labaki
Lituânia Wonderful Losers: A Different World Arunas Matelis
Luxemburgo Gutland Govinda Van Maele
Macedônia Secret Ingredient Gjorce Stavreski
Malawi The Road to Sunrise Shemu Joyah
Marrocos Burnout Nour-Eddine Lakhmari
México Roma Alfonso Cuarón
Montenegro Iskra Gojko Berkuljan
Nepal Panchayat Shivam Adhikari
Níger The Wedding Ring Rahmatou Keïta
Noruega What Will People Say Iram Haq
Nova Zelândia Yellow is Borbidden Pietra Brettkelly
Palestina Ghost Hunting Raed Andoni
Panamá Ruben Blades is not my Name Abner Benaim
Paquistão Cake Assim Abbasi
Paraguai As Herdeiras Marcelo Martinessi
Peru Eternity Oscar Catacora
Polônia Guerra Fria Pawel Pawlikowski
Portugal Pilgrimage João Botelho
Quênia Supa Modo Likarion Wainaina
Reino Unido I Am Not a Witch Rungano Nyoni
Rep Dominicana Cocote Nelson Carlo De Los S. Arias
Rep Tcheca Winter Flies Olmo Omerzu
Romênia I Do Not Care If We Go Down in History as Barbarians Radu Jude
Rússia Sobibor Konstantin Khabensky
Sérvia Offenders Dejan Zecevic
Singapura Buffalo Boys Mike Wiluan
Suécia Border Ali Abbasi
Suíça Eldorado Markus Imhoof
Tailândia Malila the Farewell Flower Anucha Boonyawatana
Taiwan The Great Buddha+ Hsin-Yao Huang
Tunísia Beauty and the Dogs Kaouther Bem Hania
Turquia The Wild Pear Tree Nuri Bilge Ceylan
Ucrânia Donbass Sergei Loznitsa
Uruguai Uma Noite de 12 Anos Álvaro Brechner
Venezuela The Family Gustavo Rondón Córdova
Vietnã The Tailor Buu Loc Tran, Kay Nguyen

‘Ela’ e ‘Gravidade’ dividem o prêmio de Melhor Filme no LAFCA 2013

Joaquin Phoenix em cena com a voz de Samantha (Scarlett Johansson) em Ela, que vence o LAFCA Awards (photo by www.collider.com)

Joaquin Phoenix em cena com a voz de Samantha (Scarlett Johansson) em Ela, que vence o LAFCA Awards (photo by http://www.collider.com)

Sandra Bullock em cena de Gravidade (photo by www.elfilm.com)

Sandra Bullock em cena de Gravidade (photo by http://www.elfilm.com)

Criado em 1975, o LAFCA Award ficou marcado por premiar filmes pelo reconhecimento artístico, uma atitude cada vez mais rara, mas que eles procuram manter até hoje. Nos últimos anos, produções estrangeiras têm sido bem lembradas pelos críticos de Los Angeles independente do hype da temporada. No ano passado, o vencedor da Palma de Ouro, Amor, acabou levando Melhor Filme mesmo sendo uma co-produção entre França, Alemanha e Áustria.

Entre os atores, muitos profissionais que atuam em língua estrangeira foram devidamente reconhecidos: as sul-coreanas Jeong-hi Yun (Poesia) e Hye-ja Kim (Mother – A Busca Pela Verdade), os franceses Emmanuelle Riva (Amor) e Niels Arestrup (O Profeta), a belga Yolande Moreau (Séraphine), a australiana Jackie Weaver (Reino Animal) e o romeno Vlad Ivanov (4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias) são alguns exemplos de que a competição realmente é intensa e internacional no LAFCA Awards. Este ano, a jovem e bela Adèle Exarchopoulos (francesa de origem grega) se junta aos consagrados estrangeiros por sua atuação no apaixonante Azul é a Cor Mais Quente, que também levou o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro. Infelizmente, por regras arcaicas, a produção não foi selecionada para representar a França e não pode competir na categoria do Oscar. Uma perda lamentável para a Academia.

A bela Adèle Exarchopoulos se torna mais uma estrangeira premiada no LAFCA Awards (photo by www.outnow.ch)

A bela Adèle Exarchopoulos se torna mais uma estrangeira premiada no LAFCA Awards (photo by http://www.outnow.ch)

Com uma grande quantidade de filmes acima da média em competição, os críticos votantes do LAFCA se dividiram entre o ousado Ela, de Spike Jonze, e o hi-tech Gravidade, de Alfonso Cuarón. Não sabemos se houve diferença de votos mínima, mas declararam empate para agradar gregos e troianos. Apesar de menos badalado na corrida para o Oscar, acredito que essa vitória no LAFCA reforça a consagração recente no National Board of Review, de onde saiu com os prêmios de Melhor Filme e Diretor, o que deve engrenar as chances de Ela.

Enquanto Gravidade levou os prêmios de direção, fotografia e montagem, denotando sua superioridade técnica, Ela ficou com direção de arte, além dos segundos lugares nas categorias de direção, roteiro e trilha musical. Apesar de não ter vencido como Melhor Diretor, Spike Jonze entra definitivamente para a corrida para o Oscar 2014 por Ela.

Formado na escola de videoclipes, Spike Jonze tornou-se um diretor-revelação com Quero Ser John Malkovich (1999), pelo qual recebeu sua única indicação ao Oscar. Dirigiu Adaptação. (2002) e Onde Vivem os Monstros (2009), mais duas obras que é impossível sair indiferente. Trata-se de um dos melhores profissionais dessa geração, que deve ser muito prezado pelo cinema norte-americano por sua busca incessante por inovações de estrutura narrativa.

Spike Jonze dirige Joaquin Phoenix em cena de Ela (photo by cinetoscopio.com.br)

Spike Jonze dirige Joaquin Phoenix em cena de Ela (photo by cinetoscopio.com.br)

Um dos grandes favoritos da temporada, 12 Years a Slave, teve que se contentar com o prêmio de Atriz Coadjuvante para Lupita Nyong’o e o 2º lugar de Melhor Ator para Chiwetel Ejiofor. Como prêmio de consolação, criaram uma citação especial para a equipe do filme de Steve McQueen.

Chama a atenção também o empate entre James Franco e Jared Leto na categoria de coadjuvante. São duas performances que marcaram pelo ótimo trabalho de transformação física. Enquanto Franco faz um traficante de drogas e armas em Spring Breakers: Garotas Perigosas, Leto emagreceu 13kg para dar vida ao travesti Rayon em Dallas Buyers Club.

James Franco como o traficante Alien em Spring Breakers: Garotas Perigosas (photo by www.outnow.ch)

James Franco como o traficante Alien em Spring Breakers: Garotas Perigosas (photo by http://www.outnow.ch)

E também vale ressaltar a importante vitória da animação francesa Ernest & Celestine sobre o novo filme de Hayao Miyazaki, O Vento Está Soprando. Ambos os trabalhos estão entre os 19 pré-selecionados a concorrer às indicações ao Oscar de Melhor Animação. Apesar de ser raro ter duas animações estrangeiras competindo como em 2012, quando a espanhola Chico & Rita e a francesa Um Gato em Paris estavam indicadas, existe forte possibilidade dessas duas animações disputarem o Oscar 2014, o que elevaria bastante o nível artístico da categoria.

Cena da animação francesa Ernest & Celestine: difícil bater o mestre Hayao Miyazaki (photo by www.outnow.ch)

Cena da animação francesa Ernest & Celestine: difícil bater o mestre Hayao Miyazaki (photo by http://www.outnow.ch)

Confira lista completa dos vencedores e segundos lugares:

MELHOR FILME (empate): Gravidade (Gravity) E Ela (Her)

MELHOR DIRETOR: Alfonso Cuarón (Gravidade)
2º Lugar: Spike Jonze (Ela)

MELHOR ATOR: Bruce Dern (Nebraska)
2º Lugar: Chiwetel Ejiofor (12 Years a Slave)

MELHOR ATRIZ (Empate): Cate Blanchett (Blue Jasmine) E Adèle Exarchopoulos (Azul é a Cor Mais Quente)

MELHOR ATOR COADJUVANTE (Empate): James Franco (Spring Breakers: Garotas Perigosas) E Jared Leto (Dallas Buyers Club)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Lupita Nyong’o (12 Years a Slave)
2º Lugar: June Squibb (Nebraska)

MELHOR ROTEIRO: Richard Linklater, Julie Delpy e Ethan Hawke (Antes da Meia-Noite)
2º Lugar: Spike Jonze (Ela)

MELHOR FOTOGRAFIA: Emmanuel Lubezki (Gravidade)
2º Lugar: Bruno Delbonnel (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)

MELHOR MONTAGEM: Alfonso Cuarón, Mark Sanger (Gravidade)
2º Lugar: Shane Carruth, David Lowery (Upstream Color)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: K.K. Barrett (Ela)
2º Lugar: Jess Gonchor (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)

MELHOR TRILHA MUSICAL: T-Bone Burnett (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
2º Lugar: Arcade Fire e Owen Pallett (Ela)

MELHOR ANIMAÇÃO: Ernest & Celestine, de Stéphane Aubier, Vincent Patar e Benjamin Renner
2º Lugar: O Vento Está Soprando, de Hayao Miyazaki

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche
2º Lugar: The Great Beauty (La Grande Bellezza), de Paolo Sorrentino

MELHOR DOCUMENTÁRIO: Stories We Tell, de Sarah Polley
2º Lugar: O Ato de Matar, de Joshua Oppenheimer

SPECIAL CITATION: Ao time de 12 Years a Slave

PRÊMIO NEW GENERATION: Megan Ellison (produtora de Ela, Trapaça e O Grande Mestre)

PRÊMIO DOUGLAS EDWARDS INDEPENDENTE/ FILME EXPERIMENTAL/ VÍDEO: Cabinets Of Wonder: Films and a Performance by Charlotte Pryce

LEGACY OF CINEMA: Criterion Collection
Trata-se de um prêmio merecidíssimo para o melhor selo de filmes em mídia digital. A coleção abrange grandes clássicos como M, o Vampiro de Düsseldorf (1931) a cults saídos do forno como Frances Ha (2013), todos com qualidade de restauração de imagem e áudio impecáveis, além de extras recheados que só enriquecem a sessão de cinema caseira.

É possível encontrar um título ou outro na Livraria Cultura, mas os preços são salgados (giram em torno de 140/150reais). Para quem tem cartão de crédito internacional, vale a pena comprar pela Amazon ou Barnes & Noble a cerca de 30 dólares. Para conhecer melhor os títulos disponíveis, acesse: www.criterion.com

Minha coleção de blu-rays da Criterion

Minha coleção de blu-rays da Criterion

Vencedores do LAFCA 2012

LAFCA: Los Angeles Film Critics Association

LAFCA: Los Angeles Film Critics Association

Juntamente com  National Board of Review e o New York Film Critics Circle (NYFCC), o Los Angeles Film Critics Association fecha a poderosa trinca de reconhecimento da crítica norte-americana. Contudo, diferentemente dos outros, os estudiosos da costa oeste costumam ser bem mais democráticos ao incluir com maior ênfase os filmes estrangeiros na eleição, e não como visitantes em uma única categoria.

Por esse motivo que prefiro o reconhecimento deles, pois acredito que o cinema está globalizado demais para se limitar em categorias com regras rígidas como a Academia ou o Globo de Ouro costuma fazer. É claro que por se tratarem de prêmios dados em solo americano, têndem a favorecer o “cinema local”. Mas aí já seria uma outra discussão xiita…

Depois de duas vitórias, o longa sobre a caçada a Bin Laden, Zero Dark Thirty, ficou apenas com um 2º lugar na direção para Kathryn Bigelow e Melhor Montagem para Dylan Tichenor e William Goldenberg. Aliás, este último também ficou com o 2º lugar pelo filme Argo, de Ben Affleck. Desta vez, o grande vencedor é um filme co-produzido entre Áustria, França e Alemanha (eu avisei que Los Angeles adora estrangeiros): Amour, de Michael Haneke.

Amour, Michael Haneke. Surpresa no LAFCA?

Amour, Michael Haneke: Melhor Filme e Melhor Atriz para Emmanuelle Riva (foto por OutNow.CH)

O filme geriátrico de Haneke vem conquistando todos os críticos por onde passa, desde o Festival de Cannes, de onde saiu com a Palma de Ouro. Recentemente, também levou quatro prêmios principais no European Film Awards. O casal de atores franceses também têm grandes chances nessa corrida para o Oscar, especialmente a veterana Emmanuelle Riva, que venceu o prêmio de Melhor Atriz no LAFCA. Sua vitória confirma o favoritismo de estrangeiras nessa categoria: Em 2011 e 2010, as sul-coreanas Jeong-hie Yun e Hye-ja Kim venceram por Poesia e Mother – A Busca Pela Verdade, respectivamente, em 2009 foi a vez da belga Yolande Moreau por Séraphine, em 2007 foi a supremacia da francesa Marion Cotillard (Piaf – Um Hino ao Amor), além das duas inglesas Sally Hawkins (Simplesmente Feliz) e Helen Mirren (A Rainha).

E depois de andar sumido entre as premiações depois do Festival de Veneza, o filme sobre as origens da Cientologia, The Master, volta em destaque, ganhando Melhor Diretor (Paul Thomas Anderson), Melhor Ator (Joaquin Phoenix), Melhor Atriz Coadjuvante (Amy Adams), Melhor Direção de Arte (Jack Fisk e David Crank), além de dois prêmios de 2º lugar: Fotografia (Mihai Malaimare Jr) e Trilha Musical (Jonny Greenwood). Com esse reconhecimento, The Master volta a ganhar alguns pontos e pode conquistar algumas indicações ao Oscar, ainda mais por se tratar de uma história que se passa algumas décadas atrás, rendendo um trabalho mais minucioso de direção de arte e figurino.

Joaquin Phoenix em The Master. Filme ainda levou Diretor para Paul Thomas Anderson, Atriz Coadjuvante para Amy Adams entre outros.

Joaquin Phoenix em The Master. Filme ainda levou Diretor para Paul Thomas Anderson, Atriz Coadjuvante para Amy Adams entre outros, dando novo fôlego ao longa (foto por OutNow.CH)

Apesar de ter levado apenas o prêmio de Melhor Atriz para Jennifer Lawrence e um 2º lugar de Roteiro, O Lado Bom da Vida é daqueles filmes que chega de mansinho, como quem não quer nada, e vai conquistando o público e seu espaço na cerimônia do Oscar. Claro que não é o tipo de produção que leva vários prêmios por ser um filme tipicamente contemporâneo, mas tem grandes chances nas categorias principais de Filme, Direção, Roteiro, Ator e Atriz que, aliás, Bradley Cooper levou Melhor Ator no National Board of Review e agora, Jennifer Lawrence finalmente leva seu reconhecimento.

Outro filme que cresce ainda mais com a divulgação dos premiados do LAFCA é o independente Indomável Sonhadora. Levou Melhor Ator Coadjuvante (Dwight Henry), Melhor Trilha Musical (Dan Romer e Benh Zeitlin) e o New Generation para o diretor Zeitlin. Um fato curioso é que os atores (Dwight Henry e a pequena Quvenzhané Wallis) não poderão concorrer no SAG Awards porque ambos não eram sindicalizados antes da participação do filme e isso deve enfraquecer um pouco a votação na Academia (sim, o pessoal às vezes é muito chato).

Particularmente, fiquei feliz com quatro reconhecimentos:

1. Melhor Fotografia para Roger Deakins por 007 – Operação Skyfall. Além do trabalho excepcional, a fotografia de Deakins foi reconhecida por um filme da série de James Bond! Isso comprova que bons trabalhos são bem vistos independente do tipo de filme. Felizmente, depois do reboot com Daniel Craig, a série ganhou ares sérios e de qualidade com Sam Mendes e Marc Forster na direção. Mas acima de tudo, que isso sirva de lição para os produtores Barbara Broccoli e Michael G. Wilson que não adianta só ter a fama do agente secreto, mas é necessário contratar bons profissionais em todos os departamentos, incluindo o de fotografia. Viu só? Valeu a pena.

Talvez a cena mais linda visualmente em 007 - Operação Skyfall. Belo trabalho de Roger Deakins.

Talvez a cena mais linda visualmente em 007 – Operação Skyfall. Belo trabalho de Roger Deakins (foto por OutNow.CH)

2 e 3. Melhor Filme Estrangeiro para Holy Motors, de Leos Carax e 2º Lugar de Ator para Denis Lavant. Depois de ser ignorado no Festival de Cannes, este belo trabalho non-sense que contém todos os gêneros merecia este reconhecimento. Infelizmente, não deve figurar no Oscar por não ser representante nem da França, nem da Alemanha, países que co-produziram o filme. O protagonista vivido por Lavant também merece uma indicação por papéis múltiplos: vai de milionário, passando por uma mendiga de rua, o maluco que vive nos esgotos Merde até um senhor idoso à beira da morte. Como aprecio experimentos e inovações no Cinema, Holy Motors pra mim foi um sopro de criatividade em meio à mesmice de hoje.

Holy Motors, de Leos Carax. Reconhecimento merecido para um sopro de criatividade.

Holy Motors, de Leos Carax. Reconhecimento merecido para um sopro de criatividade (foto pot OutNow.CH)

4. Apesar de 2º lugar, adorei a premiação da Direção de Arte de Moonrise Kingdom. Como Tim Burton, o diretor Wes Anderson têm um estilo pessoal muito forte refletido no design do filme. Os cenários da trama contribuem demais para o romance infantil de Sam e Suzy.

O design de Moonrise Kingdom é um personagem à parte no filme (foto por OutNow.CH)

O design de Moonrise Kingdom é um personagem à parte no filme (foto por OutNow.CH)

A ausência mais notada foi a da mega-produção Lincoln, de Steven Spielberg. Os atores Daniel Day-Lewis e Sally Field venceram no NYFCC, mas não levou nenhum prêmio de Melhor Filme ou Diretor até o momento. Tem grandes chances nas categorias consideradas técnicas como Fotografia, Montagem, Direção de Arte e Figurino.

Segue a lista completa dos vencedores do LAFCA:

 

MELHOR FILME: Amour, de Michael Haneke

2º Lugar: The Master, de Paul Thomas Anderson

 

MELHOR DIRETOR: Paul Thomas Anderson (The Master)

2º Lugar: Kathryn Bigelow (Zero Dark Thirty)

 

MELHOR ATOR: Joaquin Phoenix (The Master)

2º Lugar: Denis Lavant (Holy Motors)

 

MELHOR ATRIZ: Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida) e Emmanuelle Riva (Amour)

 

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Dwight Henry (Indomável Sonhadora)

2º Lugar: Christoph Waltz (Django Livre)

 

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Amy Adams (The Master)

2º Lugar: Anne Hathaway (Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge/ Les Misérables)

 

MELHOR ROTEIRO: Chris Terrio (Argo)

2º Lugar: David O. Russel (O Lado Bom da Vida)

 

MELHOR FOTOGRAFIA: Roger Deakins (007 – Operação Skyfall)

2º Lugar: Mihai Malaimare Jr (The Master)

 

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Jack Fisk e David Crank (The Master)

2º Lugar: Adam Stockhausen (Moonrise Kingdom)

 

MELHOR MONTAGEM: Dylan Tichenor e William Goldenberg (Zero Dark Thirty)

2º Lugar: William Goldenberg (Argo)

 

MELHOR TRILHA MUSICAL: Dan Romer e Benh Zeitlin (Indomável Sonhadora)

2º Lugar: Jonny Greenwood (The Master)

 

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Holy Motors, de Leos Carax

2º Lugar: Footnote, de Joseph Cedar

 

MELHOR DOCUMENTÁRIO: The Gatekeepers, de Dror Moreh

2º Lugar: Searching for Sugar Man, de Malik Bendjelloul

 

MELHOR ANIMAÇÃO: Frankenweenie, de Tim Burton

2º Lugar: It’s Such a Beautiful Day, de Don Hertzfeldt

 

NEW GENERATION: Benh Zeitlin por Indomável Sonhadora

 

CONJUNTO DA OBRA: Frederick Wiseman

PRÊMIO PARA FILMES OU VÍDEOS EXPERIMENTAIS DOUGLAS EDWARDS: Leviathan, de Lucien Castaing-Taylor e Verena Paravel

LAFCA Awards 2011

LAFCA Awards

Apesar da Associação de Críticos de Filmes de Los Angeles estar longe de ser uma prévia do Oscar, uma vez que apenas um filme coincidiu como Melhor Filme para ambos na última década – Guerra ao Terror, em 2009, suas escolhas como melhores do ano no Cinema acabam sempre entre os indicados da Academia. Se você pegar os eleitos da LAFCA desde sua fundação em 1975, perceberá que na maioria dos casos, os filmes e artistas eleitos trabalharam com temas bastante humanistas ou pelo menos, com ênfase na natureza humana.

Um Estranho no Ninho

Em 1975, Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest) e Um Dia de Cão (Dog Day Afternoon)empataram como Melhor Filme. Para quem não conhece, o primeiro relata o caso de Randall McMurphy (vivido por Jack Nicholson) que, ao se fingir de louco para escapar do trabalho árduo da prisão, descobre as injustiças do sistema ditatorial de um hospício com seus pacientes, enquanto que o segundo conta a história verídica de um assaltante de banco (Al Pacino) que queria roubar apenas para poder pagar a operação de troca de sexo de seu parceiro. Percebe-se que essa seleção da LAFCA já se tornara padrão de qualidade desde o início e isso se permeou nas décadas seguintes.

Um Dia de Cão

Ao contrário da Academia, que muitas vezes premiou seus Melhores Filmes utilizando a grandiosidade do espetáculo como parâmetro de qualidade (vide Sinfonia de Paris (1951), O Maior Espetáculo da Terra (1952), A Volta ao Mundo em Oitenta Dias (1956), Oliver! (1968)e Dança com Lobos (1990)), a LAFCA prefere uma história bem contada, preferencialmente de temática humanista. Prova disso é a escolha da animação Wall-E como Melhor Filme de 2008.

Este ano, apesar de A Árvore da Vida ter levado 2 prêmios (Melhor Diretor e Roteiro), foi Os Descendentes, de Alexander Payne, que venceu como Melhor Filme. Toda a grandiosidade do tema do filme de Terrence Mallick sucumbiu diante do tema humano do filme de Payne que, com este prêmio, leva seu terceiro LAFCA de Melhor Filme (premiado antes por As Confissões de Schmidt e Sideways – Entre Umas e Outras).

Jeong-Hie Yun, em Poesia

Outra característica dos selecionados da LAFCA é o aumento de atores estrangeiros. As coreanas Jeong-Hie Yun e Hye-Ja Kim foram premiadas como Melhor Atriz este ano e ano passado, respectivamente, batendo favoritismos americanos como Natalie Portman, Meryl Streep e Annete Bening. Em 2009, o francês Niels Arestrup venceu como Ator Coadjuvante pelo ótimo O Profeta, desbancando Christian Bale e Geoffrey Rush, e a australiana Jackie Weaver, pelo Reino Animal, venceu a favorita Melissa Leo como Atriz Coadjuvante.

Jessica Chastain

Falando em Atriz Coadjuvante, a jovem atriz americana Jessica Chastain explodiu este ano, coincidindo várias produções lançadas no mesmo ano, tanto que a LAFCA fez questão de mencioná-las como forma de conjunto da obra. Pelo seu histórico, Chastain iniciou na carreira como dançarina de uma companhia de dança, partindo em seguida para o teatro shakespeariano, interpretando Juilliard em Romeu e Julieta. É sempre gratificante ver novos talentos surgindo diante de tantos atores medíocres atuais, que não merecem a atenção e o salário elevadíssimo. Na ala masculina, vale ressaltar o ótimo ator Michael Fassbender, que foi descoberto pelo filme independente Hunger, de Steve McQueen, de 2008. Apesar do ator alemão ter participado de grandes produções como 300 e Bastardos Inglórios, foi em papéis de filmes menores que Fassbender conseguiu maior reconhecimento, como na produção inglesa Fish Tank, de Andrea Arnold. Este ano, ele conciliou produções hollywoodianas com independentes. Soube dar a profundidade devida ao personagem Magneto do filme X-Men: Primeira Classe, não devendo nada à performance de Ian McKellen pelo mesmo papel nos filmes anteriores. E interpretou ninguém menos que Carl Jung no filme Um Método Perigoso, de David Cronnenberg.

MELHOR FILME

Os Descendentes, de Alexander Payne

2º Lugar: A Árvore da Vida, de Terrence Mallick

MELHOR DIRETOR

Terrence Mallick (A Árvore da Vida)

2º Lugar: Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)

Michael Fassbender

MELHOR ATOR

Michael Fassbender (Shame) (Um Método Perigoso) (Jane Eyre) (X-Men: Primeira Classe)

2º Lugar:Michael Shannon (O Abrigo)

MELHOR ATRIZ

Jeong-Hie Yun (Poesia)

2º Lugar: Kirsten Dunst (Melancolia)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

2º Lugar: Patton Oswalt (Jovens Adultos)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Jessica Chastain (A Árvore da Vida) (Histórias Cruzadas) (O Abrigo) (Coriolanus) (No Limite da Mentira) (Em Busca de um Assassino)

2º Lugar: Janet McTeer (Albert Nobbs)

MELHOR ROTEIRO

Asghar Farhadi (A Separação)

2º Lugar: Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash (Os Descendentes)

MELHOR FOTOGRAFIA

Emmanuel Lubezki (A Árvore da Vida)

2º Lugar: Cao Yu (The City of Life and Death)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Dante Ferretti (A Invenção de Hugo Cabret)

2º Lugar: Maria Djurkovic (Tinker Taylor Soldier Spy)

MELHOR TRILHA MUSICAL

Hanna, de Joe Wright

The Chemical Brothers (Hanna)

2º Lugar: Cliff Martinez (Drive)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

The City of Life and Death, de Chuan Lu (China)

2º Lugar: A Separação, de Asghar Farhadi (Irã)

MELHOR DOCUMENTÁRIO

The Cave of Forgotten Dreams, de Werner Herzog

2º Lugar: The Arbor, de Clio Barnard

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

Rango, de Gore Verbinski

2º Lugar: As Aventuras de Tintim, de Steven Spielberg

NEW GENERATION Award

Antonio Campos, Sean Durkin, Josh Mond e Elizabeth Olsen (Martha Marcy May Marlene)

Doris Day

CAREER ACHIEVEMENT

Doris Day

THE DOUGLAS EDWARDS EXPERIMENTAL/ INDEPENDENT FILM/ VIDEO Award

Spark of Being, de Bill Morrison

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