‘Sniper Americano’ e ‘O Abutre’ conseguem indicação no PGA Awards 2015

Novo filme de Clint Eastwood, Sniper Americano, consegue adentrar na festa da PGA (photo by outnow.ch)

Novo filme de Clint Eastwood, Sniper Americano, consegue adentrar na festa da PGA (photo by outnow.ch)

PRODUÇÕES ATÉ OUTRORA COADJUVANTES GANHAM DESTAQUE NA TEMPORADA DE PREMIAÇÕES

Seguindo o bonde dos sindicatos, o PGA, Producers Guild of America, anunciou seus indicados a Melhor Produção de 2014. A lista inclui os grandes favoritos da temporada como Boyhood, Birdman, O Jogo da Imitação e O Grande Hotel Budapeste, mas também alavanca produções que eram consideradas coadjuvantes como Whiplash: Em Busca da Perfeição e O Abutre, ambos só vinham conquistando indicações e prêmios de Ator Coadjuvante para J.K. Simmons e Ator para Jake Gyllenhaal, respectivamente.

Porém, se for pra destacar apenas uma surpresa, esta se chama Sniper Americano. O novo filme de Clint Eastwood conseguiu uma arrancada heróica depois de ficar semanas excluído dos prêmios dos críticos e do próprio Critics’ Choice Awards (sim, porque indicação para Melhor Filme de Ação e Melhor Ator em Filme de Ação não conta!). Certamente, esta indicação pode contribuir para a quinta indicação ao Oscar para Clint Eastwood (ele venceu o prêmio pelo National Board of Review) e a terceira indicação de Bradley Cooper que, se não conseguir o feito, será pela altíssima concorrência na categoria de Melhor Ator. O filme tem previsão de estréia no Brasil para 19 de fevereiro, bem no fim de semana do Oscar 2015.

Cena de O Abutre, com performance assombrosa de Jake Gyllenhaal (photo by cinemagia.ro)

Cena de O Abutre, com performance assombrosa de Jake Gyllenhaal (photo by cinemagia.ro)

A ausência mais comentada foi a do filme Selma, sobre a conquista dos direitos civis por Martin Luther King. Segundo fontes da Variety, o estúdio responsável pela campanha, Paramount, enviou cópias do filme em DVD para os votantes da Academia, mas se esqueceu dos sindicatos, tanto que o filme foi excluído do SAG Awards, com direito à gente cri-cri reclamando que não havia negros na lista de indicados (referindo-se à exclusão do ator David Oyelowo pelo mesmo filme). Para quem não participa do processo de votação, parece até que as coisas fluem naturalmente: que todos os votantes dos sindicatos e da Academia vão se dispor a ir aos cinemas em que todos os filmes concorrentes estão em exibição para avaliá-los com o devido cuidado para então decidirem seus votos. Ledo engano e pura ilusão.

A mesma matéria da Variety ainda lembra que em 1993, o diretor Steven Spielberg foi contra o envio de cópias VHS de seu A Lista de Schindler, pois fazia questão que os votantes assistissem ao filme na telona do cinema. Mas os tempos mudaram, e as campanhas não podem mais se dar a esse luxo de aguardar a boa vontade dos votantes comparecerem às salas de projeção. As cópias, que eles chamam de “screeners” são hoje essenciais para angariar votos. Foi assim que aquela draga de Crash – No Limite ganhou o Oscar de Melhor Filme em 2006, pois como já estava disponível em DVD, foi distribuído incansavelmente aos membros da Academia bem antes do término do prazo de votação.

Outras ausências sentidas são do filme de guerra de Angelina Jolie, Invencível; o drama sobre a violência de Nova York de O Ano Mais Violento; a adaptação do musical da Broadway Caminhos da Floresta; e o road movie de auto-ajuda Livre. Alguns cinéfilos e fãs do trabalho do diretor Christopher Nolan, também demonstram revolta nas redes sociais com a exclusão de Interestelar que, segundo alguns relatos, “é bem melhor do que ‘Gravidade’ que conseguiu vários prêmios ano passado”. Concordo muito parcialmente, porque considero Nolan didático demais. Voltando ao prêmio, vale lembrar que o PGA Awards é uma ótima prévia de Melhor Filme do Oscar, pois acertou 5 dos últimos 5 vencedores, e 18 dos 25 de sua história. Curiosamente, no ano passado, houve o inédito empate: 12 Anos de Escravidão com Gravidade, sendo que o primeiro levou o Oscar de Filme.

Já na categoria de produção de animação, não houve nenhuma surpresa. Todos os indicados em prêmios anteriores estão presentes: Operação Big Hero, Festa no Céu, Os Boxtrolls, Como Treinar o Seu Dragão 2 e Uma Aventura Lego. Senti muita falta de uma produção 2D como a japonesa O Conto da Princesa Kaguya, que até ganhou o prestigiado prêmio dos críticos de Los Angeles (LAFCA), mas talvez atenda mais aos critérios de produção do que os artísticos em si.

Entre os documentários, a ausência do favorito Citizenfour certamente faz o filme perder alguns pontos na campanha, enquanto, por outro lado, soma alguns para a cinebiografia do crítico de cinema Roger Ebert, Life Itself – A Vida de Roger Ebert, que figura entre os favoritos para ganhar o PGA. Contudo, não dá pra ignorar a nova produção da Netflix, Virunga, sobre a proteção de um dos últimos refúgios de gorilas numa montanha do Congo.

Cena do documentário Life Itself, sobre a vida do crítico de cinema Roger Ebert, falecido em 2013. (photo by outnow.ch)

Cena do documentário Life Itself, sobre a vida do crítico de cinema Roger Ebert, falecido em 2013. (photo by outnow.ch)

As indicações das produções televisivas denotam um novo auge. Fargo, True Detective, American Horror Story: Freak Show, Normal Heart e Sherlock são alguns bons exemplos dessa nova safra da TV. Além de atrair incontáveis profissionais de alto nível, que favorecem uma nova onda de criatividade, o formato das séries ganhou um mega-reforço com a inclusão do formato streaming do Netflix e Amazon.

PGA header

MELHOR FILME:
SNIPER AMERICANO (American Sniper) – Warner Bros. Pictures
Produtores: Bradley Cooper, Clint Eastwood, Andrew Lazar, Robert Lorenz, Peter Morgan

BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA) (Birdman) – Fox Searchlight Pictures
Produtores: Alejandro G. Iñárritu, John Lesher, James W. Skotchdopole

BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE (Boyhood) – IFC Films
Produtores: Richard Linklater, Cathleen Sutherland

FOXCATCHER: UMA HISTÓRIA QUE CHOCOU O MUNDO (Foxcatcher) – Sony Pictures Classics
Produtores:  Megan Ellison, Jon Kilik, Bennett Miller

GAROTA EXEMPLAR (Gone Girl) – 20th Century Fox
Produtor: Ceán Chaffin

O GRANDE HOTEL BUDAPESTE (The Grand Budapest Hotel) – Fox Searchlight Pictures
Produtores: Wes Anderson, Scott Rudin, Jeremy Dawson, Steven Rales

O JOGO DA IMITAÇÃO (The Imitation Game) – The Weinstein Company
Produtores: Nora Grossman, Ido Ostrowsky, Teddy Schwarzman

O ABUTRE (Nightcrawler) – Open Road Films
Produtores: Jennifer Fox, Tony Gilroy

A TEORIA DE TUDO (The Theory of Everything) – Focus Features
Produtores: Tim Bevan, Eric Fellner, Lisa Bruce, Anthony McCarten

WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO (Whiplash) – Sony Pictures Classics
Produtores: Jason Blum, Helen Estabrook, David Lancaster

Cena com Milles Teller e J.K. Simmons de Whiplash: Em Busca da Perfeição, de Damien Chazelle. (photo by outnow.ch)

Cena com Milles Teller e J.K. Simmons de Whiplash: Em Busca da Perfeição, de Damien Chazelle. (photo by outnow.ch)

MELHOR ANIMAÇÃO:
OPERAÇÃO BIG HERO (Big Hero 6) – Walt Disney Animation Studios
Produtor: Roy Conli

FESTA NO CÉU (The Book of Life)  – 20th Century Fox
Produtores: Brad Booker, Guillermo del Toro

OS BOXTROLLS (The Boxtrolls) – Focus Features
Produtores: David Bleiman Ichioka, Travis Knight

COMO TREINAR O SEU DRAGÃO 2 (How To Train Your Dragon 2) – 20th Century Fox
Produtor: Bonnie Arnold

UMA AVENTURA LEGO (The LEGO Movie) – Warner Bros. Pictures
Produtor: Dan Lin

Cena de Festa no Céu, animação produzida por Guillermo del Toro (photo by outnow.ch)

Cena de Festa no Céu, animação produzida por Guillermo del Toro (photo by outnow.ch)

MELHOR DOCUMENTÁRIO:
THE GREEN PRINCE – Music Box Films
Produtores: John Battsek, Simon Chinn, Nadav Schirman

LIFE ITSELF – A VIDA DE ROGER EBERT (Life Itself) – Magnolia Pictures
Produtores: Garrett Basch, Steve James, Zak Piper

MERCHANTS OF DOUBT – Sony Pictures Classics
Produtores: Robert Kenner, Melissa Robledo

PARTICLE FEVER – Abramorama/BOND 360
Produtores: David E. Kaplan, Mark A. Levinson, Andrea Miller, Carla Solomon

VIRUNGA – Netflix
Produtores: Joanna Natasegara, Orlando von Einsiedel

Cena do documentário Virunga, sobre a proteção aos gorilas quase extintos do Congo (photo by outnow.ch)

Cena do documentário Virunga, sobre a proteção aos gorilas quase extintos do Congo (photo by outnow.ch)

MELHOR SÉRIE DE LONGA-DURAÇÃO OU FILME PARA TV:
American Horror Story: Freak Show (FX)
Produtores: Brad Buecker, Dante Di Loreto, Brad Falchuk, Joseph Incaprera, Alexis Martin Woodall, Tim Minear, Ryan Murphy, Jennifer Salt, James Wong

Fargo (FX)
Produtores: Adam Bernstein, John Cameron, Ethan Coen, Joel Coen, Michael Frislev, Noah Hawley, Warren Littlefield, Chad Oakes, Kim Todd

The Normal Heart (HBO)
Produtores: Jason Blum, Dante Di Loreto, Scott Ferguson, Dede Gardner, Alexis Martin Woodall, Ryan Murphy, Brad Pitt, Mark Ruffalo

The Roosevelts: An Intimate History (PBS)
Produtores:  To Be Determined

Sherlock (PBS)
Produtores: Mark Gatiss, Steven Moffat, Beryl Vertue, Sue Vertue

MELHOR SÉRIE EPISÓDICA – DRAMA:
Breaking Bad (AMC)
Produtores: Melissa Bernstein, Sam Catlin, Bryan Cranston, Vince Gilligan, Peter Gould, Mark Johnson, Stewart Lyons, Michelle MacLaren, George Mastras, Diane Mercer, Thomas Schnauz, Moira Walley-Beckett

Downton Abbey (PBS)
Produtores: Julian Fellowes, Nigel Marchant, Gareth Neame, Liz Trubridge

Game Of Thrones (HBO)
Produtores: David Benioff, Bernadette Caulfield, Frank Doelger, Chris Newman, Greg Spence, Carolyn Strauss, D.B. Weiss

House Of Cards (Netflix)
Produtores: Dana Brunetti, Joshua Donen, David Fincher, David Manson, Iain Paterson, Eric Roth, Kevin Spacey, Beau Willimon

True Detective (HBO)
Produtores: Richard Brown, Carol Cuddy, Steve Golin, Woody Harrelson, Cary Joji Fukunaga, Matthew McConaughey, Nic Pizzolatto, Scott Stephens

MELHOR SÉRIE EPISÓDICA – COMÉDIA:
The Big Bang Theory (CBS)
Produtores: Faye Oshima Belyeu, Chuck Lorre, Steve Molaro, Bill Prady

Louie (FX)
Produtores: Pamela Adlon, Dave Becky, M. Blair Breard, Louis C.K., Vernon Chatman, Adam Escott, Steven Wright

Modern Family (ABC)
Produtores: Paul Corrigan, Megan Ganz, Abraham Higginbotham, Ben Karlin, Elaine Ko, Steven Levitan, Christopher Lloyd, Jeff Morton, Dan O’Shannon, Jeffrey Richman, Chris Smirnoff, Brad Walsh, Bill Wrubel, Sally Young, Danny Zuker

Orange Is The New Black (Netflix)
Produtores: Mark A. Burley, Sara Hess, Jenji Kohan, Gary Lennon, Neri Tannenbaum, Michael Trim, Lisa I. Vinnecour

Veep (HBO)
Produtores: Chris Addison, Simon Blackwell, Christopher Godsick, Armando Iannucci, Stephanie Laing, Julia Louis-Dreyfus, Frank Rich, Tony Roche

MELHOR PRODUÇÃO DE NÃO-FICÇÃO DE TELEVISÃO:
30 For 30 (ESPN)
Produtores: Andy Billman, John Dahl, Erin Leyden, Connor Schell, Bill Simmons

American Masters (PBS)
Produtores: Susan Lacy, Julie Sacks, Junko Tsunashima

Anthony Bourdain: Parts Unknown (CNN)
Produtores:  Anthony Bourdain, Christopher Collins, Lydia Tenaglia, Sandra Zweig

COSMOS: A SpaceTime Odyssey (FOX/NatGeo)
Produtores: Brannon Braga, Mitchell Cannold, Jason Clark, Ann Druyan, Livia Hanich, Steve Holtzman, Seth MacFarlane

Shark Tank (ABC)
Produtores: Becky Blitz, Mark Burnett, Bill Gaudsmith, Phil Gurin, Yun Lingner, Clay Newbill, Jim Roush, Laura Roush, Max Swedlow

MELHOR PRODUÇÃO DE COMPETIÇÃO DE TV:
The Amazing Race (CBS)
Produtores: Jerry Bruckheimer, Elise Doganieri, Jonathan Littman, Bertram van Munster, Mark Vertullo

Dancing With The Stars (ABC)
Produtores: Ashley Edens Shaffer, Conrad Green, Joe Sungkur

Project Runway (Lifetime)
Produtores: Jane Cha Cutler, Desiree Gruber, Tim Gunn, Heidi Klum, Jonathan Murray, Sara Rea, Teri Weideman

Top Chef (Bravo)
Produtores: Doneen Arquines, Daniel Cutforth, Casey Kriley, Jane Lipsitz, Hillary Olsen, Erica Ross, Tara Siener, Shealan Spencer

The Voice (NBC)
Produtores: Stijn Bakkers, Mark Burnett, John De Mol, Chad Hines, Lee Metzger, Audrey Morrissey, Jim Roush, Kyra Thompson, Mike Yurchuk, Amanda Zucker

MELHOR PRODUÇÃO DE ENTRETENIMENTO AO VIVO E ENTREVISTA:
The Colbert Report (Comedy Central)
Produtores: Meredith Bennett, Tanya Michnevich Bracco, Stephen Colbert, Richard Dahm, Paul Dinello, Barry Julien, Matt Lappin, Emily Lazar, Tom Purcell, Jon Stewart

Jimmy Kimmel Live (ABC)
Produtores: David Craig, Ken Crosby, Doug DeLuca, Gary Greenberg, Erin Irwin, Jimmy Kimmel, Jill Leiderman, Molly McNearney, Tony Romero, Jason Schrift, Jennifer Sharron, Seth Weidner, Josh Weintraub

Last Week Tonight With John Oliver (HBO)
Produtores: Tim Carvell, John Oliver, Liz Stanton

Real Time With Bill Maher (HBO)
Produtores: Scott Carter, Sheila Griffiths, Marc Gurvitz, Dean Johnsen, Bill Maher, Billy Martin, Matt Wood

The Tonight Show Starring Jimmy Fallon (NBC)
Produtores: Rob Crabbe, Jamie Granet Bederman, Katie Hockmeyer, Jim Juvonen, Josh Lieb, Brian McDonald, Lorne Michaels, Gavin Purcell

MELHOR PROGRAMA DE ESPORTES:

24/7 (HBO)

Hard Knocks: Training Camp With The Atlanta Falcons (HBO)

Hard Knocks: Training Camp With The Cincinnati Bengals (HBO)

Inside: U.S. Soccer’s March To Brazil (ESPN)

Real Sports With Bryant Gumbel (HBO)

 

MELHOR PROGRAMA INFANTIL:

Dora The Explorer (Nickelodeon)

Sesame Street (PBS)

Teenage Mutant Ninja Turtles (Nickelodeon)

Toy Story OF TERROR! (ABC)

Wynton Marsalis: A YoungArts Masterclass (HBO)

 

MELHOR SÉRIE DIGITAL:

30 For 30 Shorts (http://espn.go.com/30for30/ shorts)

Comedians In Cars Getting Coffee (http://www.crackle.com/c/ comedians-in-cars-getting- coffee)

COSMOS: A National Geographic Deeper Dive (https://www.youtube.com/ watch?v=AkiFfAEB5M8)

Epic Rap Battles Of History (http://youtube.com/erb)

Video Game High School Season 3 (https://www.youtube.com/user/ freddiew)

 

Os vencedores do 26º PGA Awards serão divulgados no dia 24 de janeiro em Los Angeles. A cerimônia do Oscar 2015 acontece no dia 22 de fevereiro.

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Prévia do Oscar 2013: Melhor Ator

O último vencedor do Oscar de Melhor Ator: Jean Dujardin por O Artista (foto por ABACA)

Quais atores que merecem ganhar um Oscar, mas nunca ganharam? Sim, essa lista é extensa. Existem casos mais gritantes em que as pessoas soltam um “Como assim Johnny Depp nunca ganhou o Oscar?!” Sem contar os vexames históricos de grandes atores que nunca foram devidamente reconhecidos com o Oscar: Cary Grant (foi indicado duas vezes, mas só levou o Oscar Honorário em 1970), Montgomery Clift (embora seja um dos ícones de atuação e beleza dos anos 50, nunca levou o Oscar apesar das quatro chances que teve), Richard Burton (infelizmente, acabou sendo um dos recordistas de derrotas no Oscar: sete em sete indicações), Peter O’Toole (supera Richard Burton com 8 derrotas, mas em 2003, levou o Oscar Honorário) e James Dean (duas indicações póstumas e só).

Embora nada esteja oficializado, para muitos especialistas na premiação, o Oscar tem essa característica (nem sempre benéfica) de tentar compensar um ator ou atriz por derrotas anteriores. Essa estratégia já ficou evidente com James Stewart, que claramente deveria ter ganhado em 1940 com A Mulher Faz o Homem, mas foi compensado logo no ano seguinte com uma atuação mais light em Núpcias de Escândalo. Compensar acaba se tornando um ciclo vicioso sem fim e muitas vezes acaba prejudicando um profissional que merecia ganhar no ano em que outro foi compensado. Continuando no mesmo exemplo, em 1941, James Stewart compensado bateu alguns nomes meio conhecidos: Laurence Olivier (Rebecca – A Mulher Inesquecível), Charles Chaplin (O Grande Ditador) e Henry Fonda (As Vinhas da Ira).

O queridíssimo Jimmy Stewart com seu Oscar. Levou pelo filme errado.

Seguindo com esse sistema de compensar nomes previamente indicados, já teríamos uma gama bem diversificada para os próximos anos: Gary Oldman, James Franco, Mark Ruffalo, Jeremy Renner, Matt Damon, Robert Downey Jr., Ryan Gosling, só pra citar atores mais contemporâneos. Este ano, um dos nomes mais fortes pertence a essa lista: Bill Murray, o comediante formado pelo Saturday Night Live na década de 70, foi indicado ao Oscar em 2004 pela ótima interpretação em Encontros e Desencontros (2003). Seu nome certamente estará em destaque na temporada de premiação por ter dois bons trabalhos: Moonrise Kingdom, de Wes Anderson, e principalmente Hyde Park on Hudson, de Roger Michell, no qual dá vida ao presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, durante episódio em que recebe o rei e rainha da Inglaterra.

Outro que deve estar em alta no Oscar 2013 e pode formar a dupla favorita na categoria é o veterano Daniel Day-Lewis, que curiosamente, também interpreta um presidente americano: Abraham Lincoln no drama histórico de Steven Spielberg, Lincoln. Ambos se encaixam nas preferências da Academia: papel biográfico, grande atuação e maquiagem de envelhecimento.

Contudo, como o Oscar sempre tem envelopes com resultados imprevisíveis, Bill Murray e Daniel Day-Lewis podem bater palmas sentados nas poltronas para outro vencedor. A categoria de Melhor Ator sempre é uma das mais aguardadas por sempre apresentar fortes indicados (talvez exceto por aquele ano em que Roberto Benigni ganhou por A Vida é Bela e bancou o palhaço). Dê uma olhada em possíveis nomes que disputam as cinco cobiçadas vagas:

Clint Eastwood em Trouble With the Curve

CLINT EASTWOOD (Trouble With the Curve)

Clint Eastwood havia prometido que sua atuação em Gran Torino (2008) seria sua última da carreira, mas felizmente mudou de idéia com esse Trouble With the Curve. No filme, Clint vive Gus Lobel, um olheiro do beisebol que enfrenta dificuldades quando sua visão começa a falhar. Particularmente, gosto de assistir a um filme com Clint Eastwood, mesmo que seus últimos papéis praticamente tenham os mesmos problemas típicos da terceira idade (desde Os Imperdoáveis, 1992). Ele é uma estrela que aprendeu muito com diretores consagradíssimos como Don Siegel e Sergio Leone, tendo muito ainda a ensinar para esta geração. Aos 83 anos, não busca mais desafios como ator; simplesmente aceita seus papéis por identificação pessoal. Não é do tipo que usa maquiagem para se transformar e sequer muda os sotaques e o jeitão másculo de falar, mas mesmo assim, qualquer trabalho seu vale a pena assistir e curtir.

Ao contrário do que muitos pensam, Trouble With the Curve não foi dirigido por Eastwood, mas por seu assistente de direção de longa data, Robert Lorenz. Provavelmente, o fato de ele aceitar a atuar novamente se deve muito à gratidão a seu aprendiz e, claro, trabalhar com a jovem talentosa Amy Adams.

Já foi indicado duas vezes como Melhor Ator por Os Imperdoáveis e Menina de Ouro, mas nunca levou. Talvez a Academia tente compensar sua não-indicação por Gran Torino como forma de incentivá-lo a atuar.

Jamie Foxx em Django Livre

JAMIE FOXX (Django Livre)

Não que Jamie Foxx seja uma unanimidade para a Academia e seus votantes, mas devemos considerar dois fatos importantes: 1) Apesar de ter histórico maior com comédias, ele ganhou o Oscar merecidamente por interpretar o músico Ray Charles. 2) O diretor do filme Django Livre é Quentin Tarantino, cujo último filme, Bastardos Inglórios, conquistou 8 indicações, incluindo Melhor Filme. Apesar de serem qualificações que inevitavelmente o colocam em listas de possíveis nomes para o Oscar 2013, Jamie Foxx não teria sua maior arma: a transformação num papel biográfico.

Entretanto, seu papel de escravo que busca vingança contra seu dono e procura libertar sua mulher tem aquela alma de superação da trajetória de Russell Crowe em Gladiador, que levou o Oscar em 2001. Também conta a favor a presença de atores consagrados pela Academia: Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Samuel L. Jackson, Jonah Hill e Bruce Dern.

Jamie Foxx foi indicado duas vezes ao Oscar, no mesmo ano, como Coadjuvante em Colateral (2004) e levando como Melhor Ator por Ray (2004). Sua indicação este ano por Django Livre corre por fora, mas à princípio não seria algo impossível.

John Hawkes em The Sessions

JOHN HAWKES (The Sessions)

Embora John Hawkes ainda não seja um nome bem conhecido fora de Hollywood, ele começou a atuar desde os anos 80 em papéis bem pequenos. Nessa trajetória, Hawkes soube priorizar a diversidade de gêneros que lhe trouxe maturidade. Participou do filmes de ação A Hora do Rush (1998) e Mar em Fúria (2000), filmes de terror Um Drink no Inferno (1996) e Identidade (2003), e dramas como O Gângster (2007) e Martha Marcy May Marlene (2011). Em 2011, foi indicado como Coadjuvante pelo obscuro O Inverno da Alma, fato que certamente lhe abriu muitas portas, e agoratem a grande chance de finalmente dar um salto na carreira com o filme The Sessions.

Nele, interpreta Mark O’Brien que, ao saber que tem seus dias contados, procura perder sua virgindade com uma profissional do sexo com a ajuda de sua terapeuta e um padre. Talvez a temática seja um pouco avançada para o Oscar, mas o filme saiu aplaudido e premiado do último Festival de Sundance e o trio de atores: Hawkes, Helen Hunt e William H. Macy têm sido elogiados pela crítica, o que favorece ainda mais sua indicação.

Para quem conhece alguns de seus trabalhos, sabe que o ator busca versatilidade (basta comparar Inverno da Alma e este filme) e, ao contrário de muitos colegas de profissão, não procura chamar atenção para si, mas para seus personagens. Apesar de já experiente, John Hawkes tende a crescer bastante no cenário artístico e na mídia, e sua segunda indicação ao Oscar (desta vez como ator principal) certamente o ajudará a receber projetos ainda maiores e mais ambiciosos. Não deve ganhar o prêmio este ano, mas quase 100% de certeza de que leva o Independent Spirit Award, que acontece um dia antes do Oscar.

Philip Seymour Hoffman em The Master

PHILIP SEYMOUR HOFFMAN (The Master)

Philip Seymour Hoffman começou a atuar em filmes no começo dos anos 90. Felizmente, nunca foi do tipo galã, então teve que ralar bastante para conquistar seu lugar ao sol. Mesmo em papéis menores, teve oportunidade de conhecer e atuar com grandes atores como Paul Newman, Al Pacino, James Woods e Ellen Burstyn, buscando construir seu próprio estilo de interpretação. Na maioria de seus trabalhos, percebe-se que Hoffman prioriza a atuação mais contida, mesmo com seu trabalho premiado pela Academia em Capote (2005), em que teve que copiar alguns trejeitos típicos do romancista Truman Capote, ele procurou reprimir a sexualidade de seu personagem.

Além do aprendizado com referências de Hollywood, outro fator notável na carreira de Hoffman foi o início de uma parceria forte com o jovem cineasta norte-americano Paul Thomas Anderson que, aos 26 anos, realizou seu primeiro longa, Jogada de Risco (1996). Com o diretor, Philip Seymour Hoffman voltou a trabalhar em Boogie Nights – Prazer Sem Limites (1997), Magnólia (1999), Embriagado de Amor (2002) e agora no tão aguardado The Master, no qual dá vida ao filósofo carismático Lacaster Dodd, que seria baseado na figura do criador da Cientologia, L. Ron Hubbard.

Pelo filme, Philip Seymour Hoffman já ganhou o Volpi Cup de Melhor Ator (compartilhado com seu colega Joaquin Phoenix) no último Festival de Veneza, de onde Paul Thomas Anderson também saiu premiado como Melhor Diretor. Hoffman já foi indicado três vezes ao Oscar: Melhor Ator por Capote (2005), Melhor Ator Coadjuvante por Jogos do Poder (2007) e Dúvida (2008), tendo levado pelo primeiro.

* Existe uma possibilidade dos produtores do filme quererem colocar Philip Seymour Hoffman na disputa de Ator Coadjuvante, pois na teoria aumentariam suas chances.

Anthony Hopkins em Hitchcock

ANTHONY HOPKINS (Hitchcock)

Para muitos que acompanham os trabalhos do ator briânico Anthony Hopkins, há de concordar que faz um tempo que ele não oferece uma atuação de maior relevância. Hoje em dia, é mais conhecido apenas pelo seu papel mais famoso e assustador: o Dr. Hannibal Lecter, com o qual fez três filmes: O Silêncio dos Inocentes (1991), Hannibal (2001) e Dragão Vermelho (2002). Mas apesar do atual rótulo de psicopata e o tratamento de coadjuvante de luxo, Hopkins sempre se mostrou um ator completo desde que trabalhou ao lado de dois gigantes da profissão: Katharine Hepburn e Peter O’Toole em O Leão no Inverno (1968). De lá pra cá, conquistou a confiança de renomados diretores como James Ivory, Alan Parker, Richard Attenborough, Steven Spielberg e mais recentemente, o diretor brasileiro Fernando Meirelles, com quem trabalhou em 360.

Tem muitos atores que depois de atingir seu ponto culminante na carreira, deixa de procurar novos desafios pois não teria mais nada a provar para ninguém. Com este novo filme, Anthony Hopkins comprova que não é um deles. Para isso, engordou muitos quilos e ficou algumas horinhas na cadeira de maquiagem, certamente aperfeiçoando aquele sotaque característico do diretor Alfred Hitchcock e suas expressões frias.

Em Hitchcock, dirigido pelo novato Sacha Gervasi do premiado documentário Anvil: The Story of Anvil (2008), acompanhamos as filmagens do mais famoso longa do mestre do suspense: Psicose (1960). Nele, descobrimos os bastidores do filme coberto por algumas discussões e polêmicas envolvendo desde o uso de dublê de corpo para Janet Leigh (vivida pelo sex symbol Scarlett Johansson) na antológica cena do chuveiro, sua relação de amor e profissional com sua mulher Alma Reville (interpretada por Dame Helen Mirren), as brigas contra a censura que alegava violência excessiva, os problemas financeiros para investir na produção e a superação do próprio diretor que queria provar que ainda tinha muito a ensinar a Hollywood.

Anthony Hopkins já foi indicado quatro vezes para o prêmio da Academia: Melhor Ator por Vestígios do Dia (1993) e Nixon (1995), Melhor Ator Coadjuvante por Amistad (1997) e vencedor com um belo chianti por O Silêncio dos Inocentes (1991).

Hugh Jackman em Les Miserables

HUGH JACKMAN (Les Miserables)

Para muitos, ele pode ser apenas aquele que deu vida a um dos personagens mais queridos da Marvel Comics: Wolverine em cinco filmes, mas existe um ator por trás de tudo, e dos bons. Jackman foi descoberto ao atuar numa peça musical da Broadway intitulada Oklahoma! e depois disso, foi abraçado pelo mundo através dos filmes dos X-Men. Por causa do charme e boa aparência, foi questão de tempo migrar para as comédias românticas, nas quais fez par com Ashley Judd e Meg Ryan. Mas Jackman queria aproveitar seu ápice como celebridade e atuar em filmes blockbuster. Então, além das adaptações de HQs, tentou criar uma franquia rentável com o péssimo Val Helsing – O Caçador de Monstros (2004), trabalhou com Christopher Nolan no imponente O Grande Truque (2006) ao lado de Christian Bale, fez par romântico com Nicole Kidman na grandiosa produção de Baz Luhrmann, Austrália (2008), e estrelou o bom filme de efeitos especiais Gigantes de Aço (2011). Em 2013, ele retorna ao papel que o consagrou em The Wolverine, de James Mangold.

Ainda na veia do espetáculo, Jackman tem a oportunidade de atingir seu auge no musical Les Miserábles, de Tom Hooper, uma vez que ele tem vasta experiência em montagens de palco e nas premiações em que foi anfitrião: o Tony Award e o Oscar, onde ele canta e dança com extrema facilidade. Como o retorno do gênero musical ainda é considerado uma aposta em Hollywood, esta adaptação da obra homônima de Victor Hugo vem sendo chamada de ousada pelas proporções e estrelas. Além de Jackman, o diretor chamou alguns nomes com conhecimentos musicais: Anne Hathaway, Helena Bonham Carter, Sacha Baron Cohen, Amanda Seyfried, Russell Crowe (tem uma banda de rock australiana chamada 30 Odd Foot of Grunts) e Samantha Barks (descoberta num concerto musical do próprio Les Miserábles, interpretando seu papel de Éponine).

Hugh Jackman tem a faca e o queijo na mão para finalmente conseguir sua primeira indicação ao Oscar: musical de grande produção (espera-se que as bilheterias correspondam), diretor vencedor do Oscar, roteiro baseado em antológica obra literária e elenco premiado e/ou indicada pela Academia. Ele já foi indicado para o Globo de Ouro, como Melhor Ator – Comédia ou Musical, pela comédia Kate & Leopold (2001).

Daniel Day-Lewis em Lincoln

DANIEL DAY-LEWIS (Lincoln)

Quando a parceria com Spielberg havia sido anunciada num projeto tão grandioso, Daniel Day-Lewis já estava com uma mão na estatueta do Oscar: sua terceira. Não querendo desmerecer outros atores e suas performances, mas quem conhece o trabalho de Day-Lewis, sabe que ele realmente se aprofunda na personagem (até demais) e sempre entrega uma interpretação no mínimo notável e digna de premiação. Essa colaboração de um dos maiores atores do mundo com um dos maiores diretores do mundo causa expectativas enormes antes mesmo de ver um trailer do filme.

Lincoln tem todos os ingredientes para se sagrar vencedor do Oscar de Melhor Filme, a começar pelo roteiro de Tony Kushner (vencedor do prêmio Pulitzer) que abrange um período de lutas e vitórias do presidente Abraham Lincoln, figura de extrema importância para o nascimento da nação americana. Com Steven Spielberg assumindo o controle do projeto, vários colaboradores oscarizados automaticamente embarcam como o diretor de fotografia Janusz Kaminski, o montador Michael Khan, o compositor John Williams e o diretor de arte Rick Carter. Ainda nesse tabuleiro de xadrez, temos peças de renome como Tommy Lee Jones, Sally Field, Jackie Earle Haley, James Spader, Hal Holbrook, John Hawkes e Joseph Gordon-Levitt.

Com esse cenário colossal por trás, Daniel Day-Lewis, que normalmente já seria um nome provável para o Oscar, tem chances reais de subir pela terceira vez no palco e agradecer novamente pelo Oscar e pela equipe de maquiagem, que fez um trabalho excepcional para deixá-lo com a cara de Lincoln. Suas performances são resultado de extenso trabalho de pesquisa e concentração no set de filmagem. Há quem diga que o ator não sai do personagem até pouco tempo depois das filmagens, como se estivesse possuído. Apesar de ortodoxo, esse método já foi indicado quatro vezes ao Oscar: Em Nome do Pai (1993), Gangues de Nova York (2002), Meu Pé Esquerdo (1989) e Sangue Negro (2007), vencendo duas vezes pelos dois últimos filmes. Se ganhar, Daniel Day-Lewis se torna o maior vencedor de Oscar de Melhor Ator de todos os tempos. Jack Nicholson tem três estatuetas, sendo duas como Melhor Ator e uma como Coadjuvante.

Bill Murray em Hyde Park on Hudson

BILL MURRAY (Hyde Park on Hudson)

Se Bill Murray não tivesse sido indicado por Encontros e Desencontros em 2004, talvez seu nome nem figuraria aqui na lista. Não que seu trabalho não seja digno de reconhecimento, mas como todos sabemos, a Academia costuma desprezar atores de comédia. Felizmente, mesmo que tardia, sua indicação ao Oscar veio, e desde então, todos os projetos em que Murray atua automaticamente se torna uma promessa de reconhecimento.

Murray já foi o carismático Dr. Peter Venkman de Os Caça-Fantasmas, já parou no tempo como o jornalista Phil em O Fetiço do Tempo e já foi Bosley, o chefe das Panteras. Embora não sejam exatamente filmes típicos de material de Oscar, essas comédias exercitaram bastante o timing cômico dele. Qualquer projeto em que Bill Murray participa acaba progredindo com sua presença na tela. Aquele personagem razoável do roteiro se torna uma figuraça na pele do ator-comediante. E, ao contrário de Jim Carrey, a atuação cômica de Bill Murray se mostra no tom da voz, na ironia de suas palavras e principalmente na falta de careta.

Quando esteve na cerimônia do Oscar e perdeu para Sean Penn em 2004, Bill sentiu a derrota porque queria muito ganhar, pois achava que seria muito improvável retornar à premiação. Agora com este Hyde Park on Hudson, drama com humor baseado em fatos reais do presidente Franklin D. Roosevelt durante visita do rei George VI e rainha Elizabeth da Inglaterra em 1939, ele tem a maior chance de sua vida com uma segunda indicação ao Oscar. Apesar do favoritismo de Daniel Day-Lewis, o fato de Bill Murray nunca ter ganhado o prêmio pode pesar a seu favor.

Joaquin Phoenix em The Master

JOAQUIN PHOENIX (The Master)

O irmão mais novo do promissor River Phoenix, Joaquin também teve sua carreira de ator iniciada na infância, tendo sua atuação mais memorável no drama familiar Parenthood – O Tiro que Não Saiu Pela Culatra (1989). Desiludido com os papéis oferecidos a jovens atores, decidiu se afastar da profissão e do país, vivendo no México por três anos ao lado do pai. Em 1993, voltou em circunstâncias trágicas, quando encontrou seu irmão num club em Los Angeles sofrendo de overdose. Apesar de sua ligação pedindo uma ambulância, River Phoenix morreu jovem. E esse acontecimento teve um impacto sobre seu retorno à carreira de ator. Após muita insistência por parte de amigos e familiares, Joaquin aceitou um papel em Um Sonho Sem Limites (1995), dirigido por Gus Van Sant (diretor que trabalhou com River em Garotos de Programa).

Seu retorno recebeu elogios da crítica e Joaquin Phoenix foi se animando novamente, ganhando a confiança de atores e colegas. Em 1999, numa ótima performance no polêmico 8mm – Oito Milímetros, ele havia chamado minha atenção pela frieza do personagem do submundo dos “snuff films” (filmes pornográficos com violência real). Contudo em 2000, pelo épico Gladiador, Phoenix deixou de lado a atuação contida para se acabar em gritos, gestos e expressões fortes como o jovem imperador de Roma que busca a auto-afirmação. Apesar de ter recebido sua primeira indicação pelo papel, o ator só realmente se firmou nos anos seguintes ao interpretar o cantor country Johnny Cash em Johnny & June (2005), que resultou em sua segunda indicação, e principalmente em seu trabalho no ótimo drama Os Amantes (2008), de James Gray, no qual interpreta um homem dividido entre a paixão de duas mulheres.

Não sei se o fato de Joaquin aceitar muitos papéis de personagens depressivos ou em decadência tenha lhe afetado psicologicamente, mas em 2008, ele anunciou que iria se aposentar da carreira e pouco depois, participou do talk show de David Letterman (veja vídeo da entrevista abaixo). Alguns dizem que se trata de uma atuação, outros falam de “puro maketing pessoal” e talvez os mais sensatos digam que o parafuso soltou. Na entrevista, ele chega com um visual alternativo (barba comprida e óculos escuros), parece estar totalmente alienado e indiferente em relação às perguntas de Letterman. Mas, felizmente, Joaquin Phoenix voltou a atuar e este retorno triunfal pode ser premiado pela Academia.

* Se Philip Seymour Hoffman realmente for transferido para a categoria de coadjuvante, as chances de Phoenix certamente triplicam.

Denzel Washington em Flight

DENZEL WASHINGTON (Flight)

Desde que ganhou o Oscar de Melhor Ator em 2002, Denzel Washington nunca mais figurou na lista de indicados. Seria o começo da maldição do Oscar? Entre as décadas de 80 e 90, o ator deu preferência aos personagens engajados, que buscam valores essenciais para a humanidade como a liberdade. Assim, Denzel participou de A Soldier’s Story (1984), de Norman Jewison, Um Grito de Liberdade (1987), de Richard Attenborough, e Tempo de Glória (1989), de Edward Zwick, tornando-o automaticamente uma figura que representa toda uma nação negra pelos direitos de igualdade. E quando ele aceitou trabalhar com um dos diretores mais engajados, Spike Lee, em Malcolm X (1992), todos tinham certeza de que ele seria o segundo negro a ganhar o Oscar de Melhor Ator (o primeiro foi Sidney Poitier na década de 60). Bem, ele acabou sendo o segundo negro, mas não naquele ano, pois perdeu para Al Pacino.

Depois que ganhou por um papel considerado de vilão (um policial corrupto) em Dia de Treinamento (2001), Washington passou a atuar em filmes policiais com o recém-falecido Tony Scott, como Chamas da Vingança (2004) e Déjà vu (2006), e O Gângster (2007) sob a direção do irmão Ridley Scott,  vivendo um período de descanso dos papéis políticos. Este ano, aceitou trabalhar pela primeira vez com Robert Zemeckis (diretor inovador, responsável pela trilogia De Volta para o Futuro, por Forrest Gump – O Contador de Histórias (1994) e Náufrago (2000)) no filme Flight, de temática mais séria sobre piloto que salva avião de queda e passa a ser tratado como herói nacional até que novas investigações apontam seus defeitos.

Acredito que se o filme for bem recebido pelo público americano, tem grandes chances de Denzel Washington voltar como indicado ao prêmio da Academia, pois ele é uma celebridade muito querida em Hollywood apesar da seriedade política. Já foi indicado cinco vezes: Melhor Ator Coadjuvante por Um Grito de Liberdade e por Tempo de Glória (seu primeiro Oscar), Melhor Ator por Malcolm X, em 2000 por Hurricane: O Furacão e em 2002, vencendo por Dia de Treinamento.