92 Países Concorrem às 5 Indicações ao OSCAR de Filme em Língua Estrangeira

Loveless

Cena do representante da Rússia, Loveless, de Andrey Zvyangitsev (pic by cine.gr)

NÚMERO CRESCENTE BATE NOVO RECORDE DA ACADEMIA

Na última quinta, dia 05, a Academia anunciou a seleção de 92 produções internacionais que concorrerão às 5 vagas da categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Trata-se de um novo recorde de inscritos, que teve a colaboração de países inéditos na lista como Haiti, Honduras, Laos, Moçambique, Senegal e Síria.

Apesar de já haver alguns favoritos às vagas como o austríaco Happy End, de Michael Haneke, e o sueco The Square, de Ruben Östlund, que venceu a Palma de Ouro em Cannes, não é possível cravar nenhum filme no Oscar como antes. Nos últimos anos, a Academia se tornou mais abrangente em suas escolhas, passando a olhar com mais carinho e indicando produções alternativas de países como Camboja, Estônia, Mauritânia e Jordânia. Por isso, candidatos a favoritos e premiados em festivais nem sempre têm lugar cativo na lista, podendo ceder lugar a Bingo: O Rei das Manhãs, por exemplo! Por que não?

Aliás, vi muitos críticos, jornalistas e até youtubers já descartando qualquer chance do Brasil no Oscar. Claro que Bingo não é o típico material de Oscar, mas como citei no parágrafo anterior, a Academia está passando por algumas mudanças que podem beneficiar produções estrangeiras que não tenham a 2ª Guerra Mundial e Holocausto como temas centrais. Além disso, temos Daniel Rezende como diretor, que já foi indicado ao Oscar de Montagem em 2004 por Cidade de Deus. Enfim, como se trata de uma caixinha de surpresas, não tiraria as chances do cinema nacional ainda.

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Cena do representante da França, BPM (Beats Per Minute), de Robin Campillo (pic by cine.gr)

Por enquanto, além do filme de Haneke e Östlund, entre os favoritos de vários especialistas estão o francês BPM (Beats Per Minute), de Robin Campillo (venceu o Grande Prêmio do Júri em Cannes e fala sobre a luta contra a discriminação da Aids); o israelense Foxtrot, de Samuel Maoz (levou o Grande Prêmio do Júri em Veneza e funciona como crítica às guerras); o chileno Uma Mulher Fantástica, de Sebastián Lelio (ganhou Melhor Roteiro em Berlim, mas tem temática transsexual que acadêmicos evitam); o russo Loveless, de Andrey Zvyangintsev (venceu o Prêmio do Júri em Cannes e foi muito bem acolhido pela abordagem intimista de um divórcio e as consequências para os filhos) e o cambojano First They Killed My Father, dirigido por ninguém menos do que a atriz Angelina Jolie.

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Angelina Jolie dirige atriz mirim de seu quarto filme como diretora First They Killed my Father, disponível no Netflix (pic by Variety)

Vale lembrar que o filme de Jolie está disponível no Netflix (sim, a empresa de streaming co-produziu o longa),  fato que ajuda a popularizá-lo na campanha do Oscar. A produção é um drama autobiográfico sobre a infância dura da ativista de direitos humanos Loung Ung quando o Camboja era dominado pelo regime comunista do Khmer Vermelho. Honestamente falando, acredito que Angelina Jolie estará entre os cinco indicados na categoria. Além de contar com o apoio de vários membros da Academia, esta é a quarta incursão dela como diretora, e desde seu primeiro trabalho, existe um burburinho de sua indicação ao Oscar de direção, fato que não aconteceu até o momento. Portanto, em tempos politicamente corretos que demandam mais igualdade entre gêneros, Angelina pode despontar nesta categoria, e até quem sabe, no Oscar de direção finalmente.

Bom, é difícil torcer pra filmes que não vimos, mas gostaria de ver Lucrecia Martel indicada, pois é uma das diretoras mais relevantes do cinema argentino que admiro muito. E gostaria de ver também o chileno Uma Mulher Fantástica e o russo Loveless na lista final pelas temáticas e pelos históricos dos diretores. Torceria pelo México, mas a comissão escolheu Tempestad, ao invés de Las Hijas de Abril, de Michel Franco, cujo trabalho sou fã.

Segue a lista das 92 produções inscritas para o Oscar 2018:

PAÍS FILME DIRETOR(A)
Afeganistão A Letter to the President Roya Sadat
África do Sul The Wound John Trengove
Albânia Daybreak Gentian Koçi
Alemanha In the Fade Fatih Akin
Argélia Road to Istanbul Rachid Bouchareb
Argentina Zama Lucrecia Martel
Armênia Yeva Anahit Abad
Austrália The Space Between Ruth Borgobello
Áustria Happy End Michael Haneke
Azerbaijão Pomegranate Orchard Ilgar Najaf
Bangladesh The Cage Akram Khan
Bélgica Racer and the Jailbird Michaël R. Roskam
Bolívia Dark Skull Kiro Russo
Bósnia e Herzegovina Men Don’t Cry Alen Drljević
Brasil Bingo – O Rei das Manhãs Daniel Rezende
Bulgária Glory Petar Valchanov, Kristina Grozeva
Camboja First They Killed my Father Angelina Jolie
Canadá Hochelaga, Land of Souls François Girard
Cazaquistão The Road to Mother Akhan Satayev
Chile Uma Mulher Fantástica Sebastián Lelio
China Wolf Warrior 2 Wu Jing
Colômbia Guilty Men Iván D. Gaona
Coréia do Sul A Taxi Driver Jang Hoon
Costa Rica The Sound of Things Ariel Escalante
Croácia Quit Staring at my Plate Hana Jušić
Dinamarca You Disappear Peter Schønau Fog
Egito Sheikh Jackson Amr Salama
Equador Alba Ana Cristina Barragán
Eslováquia The Line Peter Bebjak
Eslovênia The Miner Hanna A. W. Slak
Espanha Summer 1993 Carla Simón
Estônia November Rainer Sarnet
Filipinas Birdshot Mikhail Red
Finlândia Tom of Finland Dome Karukoski
França BPM (Beats per Minute) Robin Campillo
Georgia Scary Mother Ana Urushadze
Grécia Amerika Square Yannis Sakaridis
Haiti Ayiti Mon Amour Guetty Felin
Holanda Layla M. Mijke de Jong
Honduras Morazán Hispano Durón
Hong Kong Mad World Wong Chun
Hungria On Body and Soul Ildikó Enyedi
Índia Newton Amit V Masurkar
Indonésia Turah Wicaksono Wisnu Legowo
Irã Breath Narges Abyar
Iraque Reseba – The Dark Wind Hussein Hassan
Irlanda Song of Granite Pat Collins
Islândia Under the Tree Hafsteinn Gunnar Sigurðsson
Israel Foxtrot Samuel Maoz
Itália A Ciambra Jonas Carpignano
Japão Her Love Boils Bathwater Ryota Nakano
Kosovo Unwanted Edon Rizvanolli
Laos Dearest Sister Mattie Do
Letônia The Chronicles of Melanie Viestur Kairish
Líbano The Insult Ziad Doueiri
Lituânia Frost Sharunas Bartas
Luxemburgo Barrage Laura Schroeder
Marrocos Razzia Nabil Ayouch
México Tempestad Tatiana Huezo
Moçambique The Train of Salt and Sugar Licinio Azevedo
Mongólia The Children of Genghis Zolbayar Dorj
Nepal White Sun Deepak Rauniyar
Noruega Thelma Joachim Trier
Nova Zelândia One Thousand Ropes Tusi Tamasese
Palestina Wajib Annemarie Jacir
Panamá Beyond Brotherhood Arianne Benedetti
Paquistão Saawan Farhan Alam
Paraguai Los Buscadores Juan Carlos Maneglia, Tana Schembori
Peru Rosa Chumbe Jonatan Relayze
Polônia Spoor Agnieszka Holland, Kasia Adamik
Portugal Saint George Marco Martins
Quênia Kati Kati Mbithi Masya
Quirguistão Centaur Aktan Arym Kubat
Reino Unido My Pure Land Sarmad Masud
República Dominicana Woodpeckers Jose Maria Cabral
República Tcheca Ice Mother Bohdan Sláma
Romênia Fixeur Adrian Sitaru
Rússia Loveless Andrey Zvyagintsev
Senegal Félicité Alain Gomis
Sérvia Requiem for Mrs. J. Bojan Vuletic
Singapura Pop Aye Kirsten Tan
Síria Little Gandhi Sam Kadi
Suécia The Square Ruben Östlund
Suíça The Divine Order Petra Volpe
Tailândia By the Time It Gets Dark Anocha Suwichakornpong
Taiwan Small Talk Hui-Chen Huang
Tunísia The Last of Us Ala Eddine Slim
Turquia Ayla: The Daughter of War Can Ulkay
Ucrânia Black Level Valentyn Vasyanovych
Uruguai Another Story of the World Guillermo Casanova
Venezuela El Inca Ignacio Castillo Cottin
Vietnã Father and Son Luong Dinh Dung
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Com presença de CLOONEY, ARONOFSKY e PAYNE, Festivais de VENEZA e TORONTO se consolidam como REDUTOS PRÉ-OSCAR

Suburbicon

Cena de Suburbicon, novo filme dirigido por George Clooney, com Julianne Moore e Matt Damon (pic by cine.gr)

PRÉ-CANDIDATOS AO OSCAR BUSCAM OS HOLOFOTES INTERNACIONAIS PARA ABRIR A TEMPORADA DE PREMIAÇÕES

Houve um tempo em que os filmes selecionados pelo Festival de Veneza, o mais antigo do mundo, tinham um distância quilométrica do Oscar. Era extremamente raro que um filme presente no evento italiano também estivesse no prêmio da Academia. Claro que todos os grandes festivais hoje tiveram uma aproximação com o Oscar por causa da projeção internacional, mas Veneza se tornou palco do “esquenta”.

Pra isso, Veneza convidou artistas hollywoodianos que certamente atrairão mais olhares para o evento e ao mesmo tempo se beneficiarão com a abertura de temporada de premiações. Assim, teremos os novos trabalhos de George Clooney, Darren Aronofsky, Alexander Payne e Guillermo del Toro. Se vão ganhar prêmios são outros quinhentos, mas somente a presença no festival já os consolida como fortes candidatos ao Oscar. Vale sempre ressaltar que Veneza teve recordistas de indicações ao Oscar nos últimos 4 anos: Gravidade (2013), Birdman (2014) e La La Land (2016).

Particularmente, já dou como certas as indicações para Clooney e Payne, que costumam ter uma forte afinidade com os gostos da Academia. Curiosamente, ambos os filmes foram protagonizados por Matt Damon, que pode ter até dupla indicação na categoria de Ator – Comédia ou Musical no próximo Globo de Ouro.

Já os filmes de Aronofsky e del Toro ainda tenho minhas dúvidas por apresentarem elementos do gênero terror, mas acredito que devem obter sucesso em categorias técnicas. Contudo, ambos podem ter ótimas chances com suas atrizes: Jennifer Lawrence e Sally Hawkins, respectivamente, em Mother! e The Shape of Water.

shape of water

Sally Hawkins interage com um experimento do governo em The Shape of Water, de Guillermo del Toro

Particularmente, tenho boas expectativas em relação a três diretores:

Martin McDonagh
Mais conhecido pelas ótimas comédias Na Mira do Chefe e Sete Psicopatas e um Shih Tzu, o diretor britânico chega com Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. Aqui temos a atriz Frances McDormand como uma mãe que desafia o chefe da polícia da cidade depois que sua filha foi assassinada e não houve nenhum preso. É curiosa a capacidade de McDonagh de conseguir extrair humor de temas bastante pesados, algo que apenas os irmãos Coen conseguiam fazer com maestria até alguns anos atrás. E engana-se quem pensa que se trata de apenas uma comédia. O filme critica a baixa eficiência policial (imagina se a personagem vivesse no Brasil…) e a prisão e tortura de negros, que continua recorrente nos EUA. Veja trailer abaixo:

Andrew Haigh
Admito que a trama de Lean on Pete, adaptação homônima do romance, sobre um jovem que busca sua tia perdida acompanhado por um cavalo de corrida não me animou muito, mas pra quem amou seu filme anterior, 45 Anos, é impossível não criar expectativas. No elenco, o diretor conta com os experientes Steve Buscemi e Chloë Sevigny. É esperar pra ver…

Abdellatif Kechiche
Esse diretor tunisiano conquistou Cannes e o mundo com seu filme anterior: Azul é a Cor Mais Quente, mas pra quem conferiu seus outros trabalhos como O Segredo do Grão e Vênus Negra, sabe que estamos diante de um diretor extremamente cuidadoso esteticamente e que não abre mão de seu olhar minucioso do comportamento humano. Ele traz Mektoub, My Love: Canto Uno que aborda a difícil decisão de um roteirista entre seu amor e sua carreira, curiosamente, um tema bastante parecido com o musical La La Land.

FORA DE COMPETIÇÃO

Embora não estejam competindo pelo Leão de Ouro, algumas produções também podem conseguir seu lugar ao sol na temporada de premiações. O novo filme de Stephen Frears, Victoria and Abdul, sobre a história verídica da amizade entre a rainha Victoria e um serviçal indiano, aparentemente se assemelha ao A Rainha (2006), que rendeu o Oscar para Helen Mirren. Honestamente, com exceção do ótimo Philomena (2014), os últimos trabalhos de Frears me desagradam um pouco por apresentarem formato e linguagem de TV, mas o diretor britânico tem seu talento inquestionável na direção de atores. E curiosamente Judi Dench volta a interpretar a rainha Victoria depois de Sua Majestade Mrs. Brown (1997), filme pelo qual foi indicada ao Oscar e perdeu injustamente para Helen Hunt.

Achei interessante o documentário que William Friedkin trouxe a Veneza: The Devil and Father Amorth (em tradução livre: “O Diabo e o Padre Amorth”), que captura imagens do nono exorcismo praticado pelo padre na Itália. Mesmo após mais de quatro décadas do clássico O Exorcista (1973), o diretor americano continua muito vinculado ao exorcismo, portanto, esse documentário pode de alguma forma “exorcizá-lo” dessa ligação e ao mesmo tempo, alimentar a sede de seus incontáveis fãs de como ele tratará desse tema novamente.

DISPUTA POR NOVOS FILMES

Por se tratar de um festival que acontece em setembro, existem desvantagens também, pois as atenções se dividem com o festival canadense de Toronto. Embora não tenha o mesmo prestígio do italiano, tem servido de vitrine para os filmes americanos, os vencedores do People’s Choice Awards costumam ser indicados a Melhor Filme (vide os recentes O Quarto de Jack, O Jogo da Imitação, 12 Anos de Escravidão e O Lado Bom da Vida), sem contar que o país é vizinho dos EUA e o mesmo idioma.

Em entrevista, o diretor do Festival de Veneza, Alberto Barbera, se disse “97% satisfeito” com sua seleção, já que houve apenas dois ou três filmes que ele queria exibir, mas não pôde porque já estavam comprometidos com outros festivais, provavelmente Toronto.

Contudo, se formos analisar os filmes exibidos em Veneza, temos muitos que também estarão presentes em Toronto. A única diferença é que o festival italiano exibirá alguns dias antes. Entre algumas exclusividades estão o novo filme de Angelina Jolie como diretora, First They Killed My Father, um drama pesado sobre o genocídio no Camboja feito para a Netflix; a nova produção de Joe Wright, Darkest Hour, que promete gerar a segunda indicação ao Oscar para Gary Oldman, interpretando um impecável Winston  Churchill; o drama verídico Film Stars Don’t Die in Liverpool sobre um romance da atriz Gloria Grahame com um jovem traz Annette Bening como a protagonista (será que ela ganha o Oscar desta vez?); e Stronger, um drama que recria o atentado da Maratona de Boston e uma vítima que perdeu as pernas com a explosão da bomba. Jake Gyllenhaal promete arrancar lágrimas do público.

Estou bastante curioso pra conferir o novo filme da dupla Jonathan Dayton e Valerie Faris, que se consagraram com Pequena Miss Sunshine (2006): Battle of the Sexes, que recria uma disputa de tênis bastante curiosa ocorrida em 1973 entre Billie Jean King (Emma Stone) e o ex-campeão Bobby Riggs (Steve Carell). Além de toda a caracterização de época (Emma Stone está quase irreconhecível com aqueles óculos fundo de garrafa), será curioso ver o quanto de atual ainda temos sobre essa discussão de igualdade entre gêneros.

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Emma Stone e Steve Carell fazem dupla de tenistas em 1973 em Battle of the Sexes (pic by moviepilot.de)

E também bastante interessado em assistir ao francês 120 Battements par Minute (BPM (Beats per Minute), de Robin Campillo, que foi bem ovacionado em Cannes. Trata-se da luta de um portador de Aids contra a indiferença no início dos anos 90. Embora os filmes representantes para o Oscar de Filme Estrangeiro ainda não tenham sido definidas, muito provavelmente este será o candidato da França e com fortes chances de ganhar a estatueta, que o país não ganha desde 1993 com Indochina.

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SELEÇÃO DO FESTIVAL INTERNACIONAL DE TORONTO

GALAS
Breathe
The Catcher Was A Spy
Darkest Hour
Film Stars Don’t Die in Liverpool
Kings
Long Time Running
Mary Shelley
The Mountain Between Us
Mudbound
Stronger
The Wife
Woman Walks Ahead

APRESENTAÇÕES ESPECIAIS
Battle of the Sexes
BPM (Beats Per Minute)
The Brawler
The Breadwinner
Call Me By Your Name
Catch the Wind
The Current War

The Children Act
Disobedience
Downsizing
A Fantastic Woman
First They Killed My Father
The Guardians
Hostiles
The Hungry
I, Tonya
mother!
Novitiate
Omerta
Plonger
The Price of Success
Professor Marston & the Wonder Women
The Rider
A Season in France
The Shape of Water
Sheikh Jackson
The Square
Submergence
Suburbicon
Thelma
Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Untitled Bryan Cranston/Kevin Hart Film

Victoria and Abdul

 

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INDICADOS AO LEÃO DE OURO 2017

  • Human Flow
    Dir: Ai Weiwei (Alemanha, EUA)
  • Mother!
    Dir: Darren Aronofsky (EUA)
  • Suburbicon
    Dir: George Clooney (EUA)
  • The Shape Of Water
    Dir: Guillermo Del Toro (EUA)
  • L’Insulte
    Dir: Ziad Doueiri (França, Líbano)
  • La Villa
    Dir: Robert Guediguian (França)
  • Lean on Pete
    Dir: Andrew Haigh (Reino Unido)
  • Mektoub, My Love: Canto Uno
    Dir: Abdellatif Kechiche (França)
  • The Third Murder
    Dir: Hirkazu Koreeda (Japão)
  • Jusqu’a La Garde
    Dir: Xavier Legrand (França)
  • Amore e Malavita
    Dir: Manetto Bros. (Itália)
  • Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
    Dir: Martin McDonagh (Reino Unido)
  • Hannah
    Dir: Andrea Pallaoro (Itália, Bélgica, França)
  • Downsizing
    Dir: Alexander Payne (EUA)
  • Angels Wear White
    Dir: Vivian Qu (China, França)
  • Una Famiglia
    Dir: Sebastiano Risio (Itália)
  • First Reformed
    Dir: Paul Schrader (EUA)
  • Sweet Country
    Dir: Warwick Thornton (Austrália)
  • The Leisure Seeker
    Dir: Paolo Virzì (Itália)
  • Ex Libris – The New York Public Library
    Dir: Frederick Wiseman (EUA)

FORA DE COMPETIÇÃO

Eventos Especiais

  • Casa D’Altri
    Dir: Gianni Amelio (Itália)
  • Michael Jackson’s ‘Thriller’ 3D
    Dir: John Landis (EUA)
  • Making of Michael Jackson’s ‘Thriller’
    Dir: Jerry Kramer (EUA)

FICÇÃO

  • Our Souls at Night
    Dir: Ritesh Batra (EUA)
  • Il Signor Rotopeter
    Dir: Antonietta De Lillo (Itália)
  • Victoria and Abdul
    Dir: Stephen Frears (Reino Unido)
  • La Melodie
    Dir: Rachid Hami (França)
  • Outrage Coda
    Dir: Takeshi Kitano (Japão)
  • Loving Pablo
    Dir: Fernando Leon De Aranoa (Espanha)
  • Zama
    Dir: Lucrecia Martel (Argentina, Brasil)
  • Wormwood
    Dir: Errol Morris (EUA)
  • Diva!
    Dir: Francesco Patierno (Itália)
  • La Fidele
    Dir: Michael R. Roskam (Bélgica, França, Holanda)
  • The Private Life of a Modern Woman
    Dir: James Toback (EUA)
  • Brawl in Cell Block 99
    Dir: S. Craig Zahler (EUA)

NÃO-FICÇÃO

  • Cuba and the Cameraman
    Dir: Jon Albert (EUA)
  • My Generation
    Dir: David Batty (Reino Unido)
  • The Devil and Father Amorth
    Dir: William Friedkin (EUA)
  • This Is Congo
    Dir: Daniel McCabe (Congo)
  • Ryuichi Sakamoto: Coda
    Dir: Stephen Nomura Schible (EUA, Japão)
  • Jim & Andy: The Great Beyond. The Story of Jim Carrey, Andy Kaufman, and Tony Clifton
    Dir: Chris Smith (EUA)
  • Happy Winter
    Dir: Giovanni Totaro (Itália)

HORIZONTES

  • Disappearance
    Dir: Ali Asgari (Irã, Catar)
  • Especes Menaces
    Dir: Gilles Bourdos (França, Bélgica)
  • The Rape of Recy Taylor
    Dir: Nancy Buirski (EUA)
  • Caniba
    Dir: Lucian Castaing-Taylor, Verena Paravel (França)
  • Les Bienheureux
    Dir: Sofia Djama (França, Bélgica)
  • Marvin
    Dir: Anne Fontaine (França)
  • Invisibile
    Dir: Pablo Giorgelli (Argentina, Brasil, Uruguai, Alemanha)
  • Brutti e Cattivi
    Dir: Cosimo Gomez (Itália, França)
  • The Cousin
    Dir: Tzahi Grad (Israel)
  • Reparer les vivants
    Dir: Katell Quillevere (França, Bélgica)
  • The Testament
    Dir: Amichai Greenberg (Israel, Áustria)
  • No Date, No Signature
    Dir: Vahid Jalilvand (Irã)
  • Los Versos Del Olvido
    Dir: Alireza Khatami (França, Alemanha, Holanda, Chile)
  • Nico, 1988
    Dir: Susanna Nicchiarelli (Itália)
  • Krieg
    Dir: Rick Ostermann, Barbara Auer (Alemanha)
  • West of Sunshine
    Dir: Jason Raftopoulos (Austrália)
  • Gotta Cenerentola
    Dir: Alessandro Rak, Ivan Cappiello, Marino Guarnieri, Dario Sansone (Itália)
  • Under The Tree
    Dir: Hafsteinn Gunnar Sigurdsson (Islândia, Dinamarca, Polônia, Alemanha)
  • La Vita in Comune
    Dir: Edoardo Winspeare (Itália)

CINEMA IN THE GARDEN

  • Manuel
    Dir: Dario Albertini (Itália)
  • Controfigura
    Dir: Ra Di Martino (Itália, França, Marrocos, Suíça)
  • Woodstock
    Dir: Kate Mulleavy, Laura Mulleavy (EUA)
  • Nato A Casal Di Principe
    Dir: Bruno Oliviero (Itália, Espanha)
  • Suburra — The Series
    Dir: Michele Placido, Andrea Molaioli, Giuseppe Capotondi (Itália)
  • Tuers
    Dir: Francois Truokens, Jean-Francois Hensgens (Bélgica, França)

VENEZA REALIDADE VIRTUAL

  • Melita
    Dir: Nicolas Alcala (EUA)
  • La Camera Insabbiata
    Dir: Laurie Anderson, Huang Sin-Chien (EUA)
  • The Last Goodbye
    Dir: Gabo Arora (EUA)
  • My Name Is Peter Stillman
    Dir: Lysander Ashton, Leo Warner (Reino Unido)
  • Alice, The Virtual Reality Play
    Dir: Mathias Chelebourg (França)
  • Arden’s Wake Expanded
    Dir: Eugene YK Chung (EUA)
  • Greenland Melting
    Dir: Nonny De La Pena (EUA)
  • Bloodless
    Dir: Gina Kim (EUA)
  • Nothing Happens
    Dir: Uri Kranot, Michelle Kranot (Dinamarca, França)
  • The Dream Collector
    Dir: Mi Li (China)
  • Snatch VR Heist Experience
    Dir: Rafael Pavon, Nicolas Alcala (EUA)
  • Nefertiti
    Dir: Richard Mills, Kim-Leigh Pontin (Reino Unido)
  • Proxima
    Dir: Mathieu Pradat (França)
  • In The Pictures
    Dir: Qing Shao (China)
  • Dispatch
    Dir: Edward Robles (EUA, Reino Unido)
  • The Argos File
    Dir: Josema Roig (EUA)
  • Gomorra VR – We Own The Streets
    Dir: Enrico Roast (Itália)
  • Draw Me Close, Chapters 1-2
    Dir: Jordan Tannahill (Canadá, Reino Unido)
  • The Deserted
    Dir: Tsai Ming-Liang (Taiwan)
  • I Saw The Future
    Dir: Francois Vautier (França)
  • Separate Silences
    Dir: David Wedel (Dinamarca)
  • Free Whale
    Dir: Zhang Peibin (China)

***

O Festival de Veneza começa dia 30 de agosto e encerra dia 09 de setembro.

Já o Festival Internacional de Toronto tem início em 07 de setembro e vai até o dia 17.

‘THE SQUARE’, do sueco Ruben Östlund, vence a Palma de Ouro em Cannes 2017. NETFLIX sai de mãos abanando.

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No centro, o diretor Ruben Ostlund comemora sua vitória como se fosse um gol de final de campeonato. Ao fundo, o presidente do júri Pedro Almodóvar. Pic by NBC News

NO ANIVERSÁRIO DE 70 ANOS, CANNES PREMIA JOVEM DIRETOR QUE JÁ HAVIA SE DESTACADO POR FORÇA MAIOR

Após uma forte expectativa de que o festival iria conceder sua segunda Palma de Ouro para uma mulher, o prêmio máximo ficou com o diretor sueco Ruben Östlund, mantendo a neozelandesa Jane Campion como a única vencedora feminina da história do festival.

Apesar de não ter sido o filme da competição mais elogiado pela imprensa estrangeira, The Square ganhou pontos com os membros do júri ao apresentar uma sátira do mundo das Artes, em que o protagonista é um diretor de um museu, que está desesperado para fazer sucesso e pra isso, recebe uma nova instalação chamada “The Square” para promovê-lo.

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Cena de The Square, de Ruben Ostlund.

O presidente do júri Almodóvar explicou sua escolha após a entrega dos prêmios: “É contemporâneo, é sobre a ditadura de ser politicamente correto. Eles vivem num inferno paranormal por causa disso.” Essa justificativa me atiçou um pouco a curiosidade para conferir o filme, já que sou crítico desses tempos politicamente corretos em que vivemos. Mas independente de ter sido premiado ou não, a voz do diretor Robert Östlund é uma das mais originais dos últimos tempos. Quem viu seu último filme, Força Maior, sobre uma tragédia natural que afeta uma família, sabe do que estou falando. Ele tem um humor bastante peculiar.

As fortes concorrentes femininas, a americana Sofia Coppola e a escocesa Lynne Ramsay, ficaram com os prêmios de Direção e Roteiro, respectivamente. Coppola se torna a segunda diretora a vencer esse prêmio depois da russa Yuliya Solntseva com A Epopéia dos Anos de Fogo, de 1961. “Agradeço ao júri por esta honra… Agradeço ao meu pai, que me ensinou a escrever e dirigir e por compartilhar seu amor por cinema, e para minha mãe por me encorajar a ser uma artista,” agradeceu Coppola através de nota lida pela diretora Maren Ade, já que não estava presente na cerimônia de premiação. Ade, que é membro do júri, aproveitou para “agradecer a Jane Campion por ser uma modelo e por apoiar as cineastas mulheres.”

PRÊMIOS DE INTERPRETAÇÃO

Ao contrário de Sofia, os atores Diane Kruger e Joaquin Phoenix, que ganharam os prêmios de interpretação, estiveram na cerimônia de apresentação e foram bastante aplaudidos. Em In the Fade, a atriz alemã interpreta uma mulher que, depois de ter seu marido e filho mortos num ataque de bomba terrorista, planeja uma vingança. Muito comovida, a atriz alemã subiu ao palco e fez seu discurso: “Fatih [Akin], meu irmão, obrigada por me dar essa chance… você me deu a força que eu não sabia que tinha em mim. Eu não posso aceitar este prêmio sem pensar em ninguém que já foi impactado por um ato de terrorismo, pessoas que estão tentando colher os cacos e continuar suas vidas. Por favor, saibam que vocês não estão esquecidos. Obrigada.”

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Diane Kruger agradece pelo prêmio de interpretação feminina em ‘In the Fade’ (pic by Alberto Pizzoli/ Getty Images)

Já pelo prêmio de interpretação masculina, o sempre controverso Joaquin Phoenix veio até Cannes para receber a honraria. Nada contra o ator, que aliás sou fã de seu trabalho, mas ele deveria se decidir de vez se gosta ou não de premiações. Ou ele vai para sorrir e ser agradecido, ou fica em casa com a cara emburrada, e não o contrário! Desse jeito, fica a impressão de que ele atua como ‘bad boy’ para impulsionar sua imagem de durão e psicótico.

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Mas enfim, no filme You Were Never Really Here, ele faz uma espécie veterano de guerra à la Taxi Driver, que tenta a todo custo salvar uma menina do tráfico de sexo. À princípio, parece um papel de alguém bastante perturbado, o que se encaixa perfeitamente no rótulo que Hollywood adora botar nos atores. Tem seu lado positivo, já que o ator domina o tipo de personagem e pode elevá-lo ainda mais, porém tem seu lado negativo, pois existe uma iminente ameaça do ator ficar limitado demais.

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Joaquin Phoenix com a jovem Ekaterina Samsonov em cena de You Were Never Really Here, de Lynne Ramsay (pic by cine.gr)

Em relação ao Oscar, vale lembrar que desde 2007, 22 performances que tiveram sua estréia em Cannes acabaram sendo indicadas ou premiadas pela Academia no ano seguinte. Dando maior precisão aos dados estatísticos, desses 22 atores, treze foram mulheres e nove foram homens, contudo, apenas Rooney Mara (por Carol) transformou seu prêmio de atriz em indicação ao Oscar, enquanto 4 vencedores de Ator em Cannes foram ao Oscar: Christoph Waltz (Bastardos Inglórios), Javier Bardem (Biutiful), Jean Dujardin (O Artista), e Bruce Dern (Nebraska).

PRÊMIO DE 70º ANIVERSÁRIO

A cada década, o festival tem a liberdade de criar um prêmio especial. Este ano, eles prestigiaram a atriz Nicole Kidman, já que ela participa de quatro projetos distintos em Cannes: os filmes O Estranho que Nós Amamos, The Killing of a Sacred Deer, How to Talk to Girls at Parties e a série Top of the Lake, que está na segunda temporada, reconhecendo assim sua versatilidade.

SURPRESAS E DECEPÇÕES

Dentre os nomes mais citados pela imprensa estrangeira e pela crítica que mereceria o prêmio de ator estava o de Robert Pattison. Sim, aquele rapaz que já foi um vampiro que brilhava no sol naquela saga politicamente correta de Stephenie Meyer. Parece que ele está buscando novos desafios depois de ter trabalhado com o diretor David Cronenberg em Cosmópolis em 2012. Sua atuação foi bastante elogiada no drama sobre roubo de bancos intitulado Good Time. Acabou perdendo o prêmio para Joaquin Phoenix, mas pode se tornar um nome forte para a próxima temporada de premiações.

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Robert Pattison em Good Time, dos irmãos Safdie (pic by moviepilot.de)

Outro que está tentando (com bem menos afinco) mudar sua imagem é Adam Sandler. Esse comediante americano que estrela trocentos filmes do Netflix está em The Meyerowitz Stories: New and Selected, do diretor Noah Baumbach, que inclusive já tentou fazer um filme mais sério com o comediante Ben Stiller em O Solteirão (2010). Este novo trabalho é uma comédia de família disfuncional, mas com nomes de peso como Dustin Hoffman e Emma Thompson. A atuação deles foi elogiada, mas a de Sandler acabou sendo mais comentada e por isso mesmo, estava entre os candidatos ao prêmio. Pode soar radical demais, mas a única performance interessante que vi de Sandler foi em Embriagados de Amor (2002), quando foi dirigido por Paul Thomas Anderson. Naquele papel, ele apresentava uns tiques nervosos de uma pessoa extremamente perturbada pelas irmãs mais velhas. Mas depois ele fez apenas comédias do tipo besteirol que deixavam de explorar esse seu lado. De qualquer forma, acredito na redenção de qualquer ator, contanto que ele ou ela busquem se desafiar. E se diretores do calibre de Cronenberg e P.T. Anderson viram algo de bom nesses atores, significa que devemos olhar com mais atenção.

No campo das surpresas, a própria Palma de Ouro não deixa de ser uma. The Square estava entre os mais elogiados, mas estava meio longe de ser uma unanimidade. Entre os mais bem cotados estavam Happy End, de Michael Haneke; Loveless, de Andrey Zvyagintsev; The Killing of a Sacred Deer, de Yorgos Lanthimos; 120 battements par minute, de Robin Campillo; e You Were Never Really Here, de Lynne Ramsay. Excetuando o primeiro, todos os demais foram reconhecidos com prêmios, o que mostra certa sintonia do júri em relação à crítica.

NETFLIX E A DIFICULDADE DE ACEITAÇÃO

Após receber inúmeras vaias nas sessões de Okja e Wonderstruck, ambas produções da Netflix, era esperado que a plataforma de streaming mais conhecida no mundo fosse sair sem nenhum prêmio do evento. O próprio presidente do júri, Pedro Almodóvar, havia afirmado que “não premiaria um filme que não vai ser exibido na tela grande”. O Festival de Cannes completou 70 anos de existência, e com isso, há muita tradição envolvida que não se muda da noite para o dia. Inicialmente surpresa pelo convite, a Netflix sofreu um um cerco ferrenho por parte dos exibidores franceses, já que perderiam dinheiro com a não-exibição dos filmes em salas de cinema. Essa discussão está apenas no começo e deve ser assunto para as próximas edições, não só de Cannes, mas de outros grandes festivais, que terão que lidar com a produção de conteúdo da Netflix.

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À direita, o diretor Noah Baumbach com os atores Adam Sandler e Dustin Hoffman no set de The Meyerowitz Stories

VITÓRIA BRASILEIRA EM CANNES

Embora o Brasil não tivesse representantes na competição oficial, por outro lado, participou da mostra da Semana da Crítica e saiu com dois prêmios. Gabriel e a Montanha, do jovem Fellipe Gamarano Barbosa, levou o Prêmio Visionário e o Gan Foundation que fornecerá um apoio enorme para a distribuição na França. O prêmio foi concedido pelo presidente do júri da Semana da Crítica, o conterrâneo Kléber Mendonça Filho. Parabéns à equipe do filme!

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Os atores Caroline Abras e João Pedro Zappa em cena de Gabriel e a Montanha, de Fellipe Gamarano Barbosa. Pic by cineuropa.org

NOTAS PESSOAIS

Fiquei bastante feliz que Taylor Sheridan, que ficou conhecido por roteirizar o western moderno A Qualquer Custo (Hell or High Water), foi premiado como Melhor Diretor da mostra Un Certain Regard logo em sua primeira investida na cadeira de diretor em Wind River. O filme centra num assassinato que ocorreu numa reserva indígena, e é estrelado por Jeremy Renner e Elisabeth Olsen.

Também dos filmes premiados em Cannes, estou ansioso pra conferir os novos trabalhos de Andrey Zvyagintsev (ele tem uma visão bastante dura, porém realista, vide O Retorno e Leviatã), Lynne Ramsay (é uma diretora extremamente detalhista, e que consegue enxergar poesia onde não há) e Yorgos Lanthimos (seu nome vem sendo atrelado a um cinema de conteúdo criativo que vem desde Dente Canino e que se consagrou com O Lagosta).

VENCEDORES DO 70º FESTIVAL DE CANNES

PALMA DE OURO
Ruben Östlund – The Square

GRANDE PRÊMIO DO JÚRI
Robin Campillo – 120 Beats Per Minute

PRÊMIO DO JÚRI
Andrey Zvyagintsev – Loveless

DIRETOR
Sofia Coppola – O Estranho que Nós Amamos

ATOR
Joaquin Phoenix – You Were Never Really Here

ATRIZ
Diane Kruger – In the Fade

ROTEIRO
Yorgos Lanthimos – The Killing of a Sacred Deer
Lynne Ramsay – You Were Never Really Here

CAMERA D’OR
Léonor Sérraille – Jeune Femme

PALMA DE OURO PARA CURTA-METRAGEM
Qiu Yang – A Gentle Night

PRÊMIO ESPECIAL DE 70º ANIVERSÁRIO
Nicole Kidman

MOSTRA UN CERTAIN REGARD

UN CERTAIN REGARD
Mohammad Rasoulof – A Man of Integrity

ATRIZ
Jasmine Trinca – Fortunata

NARRATIVA POÉTICA
Mathieu Amalric – Barbara

DIRETOR
Taylor Sheridan – Wind River

PRÊMIO DO JÚRI
Michel Franco – April’s Daughter

MOSTRA SEMANA DA CRÍTICA

GRANDE PRÊMIO: Emmanuel Gras – Makala
PRÊMIO VISIONÁRIO: Fellipe Gamarano Barbosa – Gabriel and the Mountain
Leica Cine Discovery Prize for Short Film: Laura Ferrés – Los Desheredados
Gan Foundation Support for Distribution Award: Fellipe Gamarano Barbosa – Gabriel and the Mountain

SACD Award: Léa Mysius – Ava
Canal+ Award: Aleksandra Terpińska – The Best Fireworks

DIRECTOR’S FORTNIGHT

Art Cinema Award: Chloé Zhao – The Rider
SACD Award: Claire Denis – Let the Sunshine In, Philippe Garrel – Lover for a Day
Europa Cinemas Label Award: Jonas Carpignano – A Ciambra
Illy Prize for Short Film: Benoit Grimalt – Back to Genoa City

Documentário italiano ‘Sacro GRA’ leva o Leão de Ouro 2013

Gianfranco Rosi com o Leão de Ouro (photo by news.geliyoo.com)

Gianfranco Rosi com o Leão de Ouro (photo by news.geliyoo.com)

Após um hiato de 15 anos, uma produção italiana vence o prêmio máximo de Veneza. A última vez que a Itália saiu vencedora em casa foi em 1998, com Assim é que se Ria, de Gianni Amelio, que concorria este ano também por L’Intrepido. Além dessa quebra de tabu, Sacro GRA é o primeiro documentário a vencer o mais tradicional festival do mundo.

Sua vitória foi considerada uma grande surpresa pela mídia internacional, pois trata-se de um filme simples que visa registrar a vida de pessoas que residem ao largo do rodoanel que circunda a cidade de Roma. Porém o retrato dessa realidade se mostrou singelo o suficiente para conquistar o júri. Será mesmo?

O diretor Gianfranco Rosi capta imagens d rodoanel de Sacro GRA (photo by sacrogra.it)

O diretor Gianfranco Rosi capta imagens d rodoanel de Sacro GRA (photo by http://www.sacrogra.it)

Pelas cotações, Philomena, de Stephen Frears, era considerado o grande favorito a conquistar o Leão de Ouro, mas saiu apenas com o prêmio de roteiro. Apesar de ter uma história verídica com elementos emotivos e com humor britânico excepcional, não é bem o tipo de filme que o presidente do júri, Bernardo Bertolucci, curte. Vide seus filmes como O Último Imperador e O Último Tango em Paris. O diretor prefere uma linguagem mais artística, o que levanta a questão da pressão italiana para premiar o documentário conterrâneo.

Contudo, essa preferência de Bertolucci prevaleceu nos demais prêmios. Conquistando o Leão de Prata de Melhor Diretor para Alexandros Avranas, a produção grega Miss Violence se mostra mais ousada ao narrar uma história de suicídio no núcleo de uma família desequilibrada que, aliás, lembra outra família estranha de outra produção grega intitulada Dente Canino (Kynodontas, 2009), que foi indicada ao Oscar de Filme Estrangeiro. Miss Violence também ganhou o Volpi Cup de Melhor Ator para Themis Panou, que interpreta o patriarca da família.

Cena de Miss Violence, de Alexandros Avranas (photo by www.outnow.ch)

Cena de Miss Violence, de Alexandros Avranas (photo by http://www.outnow.ch)

Curiosamente, as produções Jiaoyou (Stray Dogs) e Die Frau des Polizisten (The Police Officer’s Wife), que ganharam o Grande Prêmio do Júri e Prêmio Especial do Júri respectivamente, também dialogam com violência doméstica. Enquanto o primeiro abusa de longos planos-sequência ao estilo de Tsai Ming-Liang, o segundo vai na contramão ao fragmentar seus 175 minutos de duração em 59 (sim, 59!) capítulos da história da mulher que sofre nas mãos do marido policial.

Suposta família feliz na produção alemã Die Frau des Polizisten (The Police Officer’s Wife) (photo by www.outnow.ch)

Suposta família feliz na produção alemã Die Frau des Polizisten (The Police Officer’s Wife) (photo by http://www.outnow.ch)

Outra surpresa foi a vitória da atriz Elena Cotta pelo filme Via Castellana Bandiera, da italiana Emma Dante. Aos 82 anos, a atriz possui larga experiência na TV e se mostrou motivada a continuar sua carreira no cinema. Ela bateu a favoritíssima ao prêmio Volpi Cup de Melhor Atriz, a britânica Judi Dench. Apesar de sua derrota, Dench ainda deve figurar na lista final do Oscar 2014, principalmente por se tratar de um papel mais tenro e orgânico que a Academia costuma celebrar.

Elena Cotta recebe o Volpi Cup (photo by Tiziana Fabi/ AFP)

Elena Cotta recebe o Volpi Cup (photo by Tiziana Fabi/ AFP)

Embora estivessem em maior número na competição oficial, os filmes norte-americanos levaram apenas um prêmio (de consolação) para o jovem ator Tye Sheridan pelo filme Joe, de David Gordon Green. Vale também citar o comentário-pérola de Bernardo Bertolucci na divulgação dos vencedores. Ao comentar o documentário de Errol Morris, The Unknown Known, centrado na figura do Secretário de Defesa do ex-presidente George W. Bush, Donald Rumsfeld, responsável pela invasão ao Iraque em 2003:

“Vendo aquele sorriso permanente no rosto de um responsável por centenas de milhares de mortos, cogitamos dar-lhe o prêmio de melhor ator. Ou talvez de melhor atriz. Mas achamos que não era bem o caso.”

Diretor de Sob a Névoa da Guerra, Errol Morris, não conseguiu o mesmo feito de extrair algumas verdades e erros de Rumsfeld como conseguiu com Robert McNamara, Secretário de Defesa americano em episódios como a Crise dos Mísseis nos anos 60 e a Guerra do Vietnã nos 70. Alguns alegam que ainda não houve distanciamento de tempo suficiente para que Rumsfeld se confessasse num documentário e desse a perder sua reputação. Já outros alegam que ele simplesmente não tem maturidade para assumir erros.

O secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, responsável pela invasão ao Iraque, ainda tenta negar sua culpa mesmo após 10 anos (photo by www.outnow.ch)

O Secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, responsável pela invasão ao Iraque, ainda tenta negar sua culpa mesmo após 10 anos no documentário The Unknown Known (photo by http://www.outnow.ch)

Pela mídia em geral, a seleção do Festival de Veneza foi considerada “mediana”. Procurei acompanhar as notícias dos jornais a respeito dos filmes e realmente não detectei nenhum destaque ou franco-favorito, mesmo o Philomena de Stephen Frears. Criei uma certa expectativa em torno do futurista The Zero Theorem, de Terry Gilliam, mas não sobrou nenhum prêmio para a produção.

Em meio a esse marasmo, a notícia que mais me deixou estarrecido foi o boato da aposentadoria do mestre da animação Hayao Miyazaki. Concorrendo com Kaze tachinu (The Wind Rises), o diretor japonês teria declarado que este seria seu último filme, e que a aposentadoria seria oficializada em Tóquio ainda este ano. Trata-se de uma péssima notícia para os amantes da animação e do cinema em geral, afinal, Hayao Miyazaki é um dos raros sobreviventes da técnica de animação em 2D num mundo dominado por animações geradas em computador.

Além do 2D ser mais humano por natureza, o cineasta conseguia imprimir alma aos seus personagens, influenciando uma geração inteira de animadores, inclusive muitos que trabalham na Pixar. Por exemplo, seu O Castelo Animado (2005) nitidamente inspirou Up – Altas Aventuras (2009). Sem seus trabalhos, o cinema regride para as mesmices de personagens e universos. Não sei se existe algum problema de saúde, mas espero que mestre Miyazaki volte atrás em sua decisão. Ele ganhou o Oscar e o Urso de Ouro com A Viagem de Chihiro (2001).

Hayao Miyazaki diante do pôster de Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar

Hayao Miyazaki diante do pôster de Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar (photo by blog.animamundi.com.br)

Segue lista dos vencedores de Veneza 2013:

Leão de Ouro: Sacro Gra, de Gianfranco Rosi
Grande Prêmio do Júri: Stray Dogs, de Tsai Ming-Liang
Leão de Prata de Direção: Alexandros Avranas, por Miss Violence
Coppa Volpi de Melhor Ator: Themis Panou, por Miss Violence
Coppa Volpi de Melhor Atriz: Elena Cotta (Via Castellana Bandiera)
Prêmio Marcello Mastroianni de Revelação: Tye Sheridan (Joe)
Roteiro: Steve Coogan e Jeff Pope (Philomena)
Prêmio especial do Júri: Die Frau des Polizisten (The Police Officer’s Wife)
Prêmio Luigi de Laurentiis para filme de estréia: White Shadow, de Noaz Deshe

Mostra paralela Orizzonti

Melhor filme: Eastern Boys, de Robin Campillo
Melhor Diretor: Uberto Pasolini (Still Life)
Prêmio Especial do Júri: Ruin, Michael Cody e Courtin Wilson
Gran Prix: Fish and Cat, de Sharam Mokri