19 Animações disputam 5 indicações no Oscar 2014

Universidade Monstros: vaga cativa no Oscar 2014

Universidade Monstros: vaga cativa no Oscar 2014

“Regrinha número 1: Reserve uma das vagas para a PIXAR.” Foi assim que comecei o post do ano passado sobre o mesmo tópico. A Academia acaba de fazer a pré-seleção das animações que podem ser indicadas para Melhor Animação em 2014. E, como de costume, a PIXAR está na lista e deve figurar entre os cinco finalistas. Se há um ano não acreditei na vitória de Valente (da PIXAR), este ano não vou duvidar de uma possível vitória de Universidade Monstros, ainda mais que não há favoritos na corrida e o Oscar pode querer compensar aquela derrota de Monstros S.A. em 2002 para Shrek. Sem contar as estatísticas: são 7 Oscars para a PIXAR em 12 anos.

E quais as outras quatro animações que podem concorrer? Vamos à lista das 19 produções:

Tá Chovendo Hambúrguer 2 (Cloudy with a Chance of Meatballs 2), de Cody Cameron e Kris Pearn – EUA
Os Croods (The Croods), de Kirk De Micco e Chris Sanders – EUA
Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2), de Pierre Coffin e Chris Renaud – EUA
Reino Escondido (Epic), de Chris Wedge – EUA
Ernest & Celestine (Ernest et Célestine), de Stéphane Aubier, Vincent Patar e Benjamin Renner – FRANÇA
The Fake (Saibi), de Sang-ho Yeon – CORÉIA DO SUL
Bons de Bico (Free Birds), de Jimmy Hayward – EUA
Frozen: Uma Aventura Congelante (Frozen), de Chris Buck e Jennifer Lee – EUA
Khumba (Khumba), de Anthony Silverston – ÁFRICA DO SUL
The Legend of Sarila (La Légende de Sarila), de Nancy Florence Savard – CANADÁ
A Letter to Momo (Momo e no tegami), de Hiroyuki Okiura – JAPÃO
Universidade Monstros (Monsters University), de Dan Scanlon – EUA
O Apostolo (O Apóstolo), de Fernando Cortizo – ESPANHA
Aviões (Planes), de Klay Hall – EUA
Puella Magi Madoka Magica the Movie Part III: The Rebellion Story (Gekijôban Mahou Shojo Madoka Magica Shinpen: Hangyaku no Monogatari), de Yukihiro Miyamoto e Akiyuki Shinbo – JAPÃO
Uma História de Amor e Fúria (Rio: 2096 A Story of Love and Fury), de Luiz Bolognesi – BRASIL
Os Smurfs 2 (The Smurfs 2), de Raja Gosnell – EUA
Turbo (Turbo), de David Soren – EUA
The Wind Rises (Kaze Tachinu), de Hayao Miyazaki – JAPÃO

Apesar da predominância de animações norte-americanas (dez), ainda temos trabalhos de outros três continentes. Com muita tradição no gênero, o Japão possui três representantes, mas deve participar oficialmente do Oscar através de The Wind Rises, mais nova obra de arte do mestre Hayao Miyazaki. Seu estilo de animação mais artesanal se tornou um dos poucos redutos da animação bidimensional do cinema mundial, rendendo-lhe prêmios importantes como o Urso de Ouro em Berlim e o próprio Oscar em 2003 com A Viagem de Chihiro. Se sua nomeação se consolidar, esta será sua terceira indicação ao Oscar (concorreu também com O Castelo Animado).

Vale destacar a presença do brasileiro Luiz Bolognesi, já que seu Uma História de Amor e Fúria é a primeira animação nacional a dar importante passo ao Oscar. Até então, o nome brasileiro mais próximo era o de Carlos Saldanha, que co-dirigiu A Era do Gelo 2 e Rio. Embora Bolognesi seja mais conhecido como o roteirista da diretora Laís Bodanzky (Bicho de Sete Cabeças e As Melhores Coisas do Mundo), o cineasta se mostra bastante versátil, pois também já se aventurou no gênero documentário. Uma História de Amor e Fúria foca no romance de um herói imortal e sua amada Janaína por 600 anos, abrangendo a colonização do Brasil, escravidão, regime militar e o futuro de 2096.

Cena de Uma História de Amor e Fúria (photo by www.outnow.ch)

Cena de Uma História de Amor e Fúria: dublagem de Camila Pitanga e Selton Mello (photo by http://www.outnow.ch)

Sem quase nenhuma tradição em animação (até na TV a série animada Peixonauta é algo muito recente), o Cinema brasileiro ainda sofre com precariedade tecnológica, por isso, só o fato desse trabalho ter alcançado o público das salas de cinema já é uma vitória. A pré-seleção do Oscar apenas coroou a trajetória do filme de Luiz Bolognesi. Minha única crítica ficaria a respeito da técnica de movimento. Como os movimentos são mais duros, fica a impressão de que economizaram nos in-betweens. Ademais, os traços dos personagens são compostos por linhas simples, que lembram O Príncipe do Egito (1998), e possui um trabalho de cores que soube explorar as diferentes épocas que a trama se passa. Desejo sorte à animação brasileira, mas vejo poucas chances de classificação.

Apesar do histórico curto da categoria de animação, o Oscar demonstrou que aprecia trabalhos internacionais. Além de França e Japão, recentemente as animações espanhola Chico & Rita e a co-produzida pela Irlanda The Secret of Kells foram indicadas. Portanto, existe forte probabilidade de uma produção estrangeira entrar no páreo (além da japonesa de Miyazaki). Por apresentarem um apelo mais artístico, o francês Ernest & Celestine e a espanhola O Apóstolo largam na frente, com ligeira vantagem para o primeiro, pois conquistou prêmio em Cannes e César.

Traços e cores já comprovam qualidade da animação francesa Ernest & Celestine (photo by www.outnow.ch)

Traços e cores já comprovam qualidade da animação francesa Ernest & Celestine (photo by http://www.outnow.ch)

Entretanto, o espanhol O Apóstolo não fica muito atrás, principalmente por se tratar do único representante que utilizou a técnica stop-motion com marionetes.

Além da técnica de stop motion, O Apóstolo também capricha na fotografia (photo by www.elfilm.com)

Além da técnica de stop motion, O Apóstolo também capricha na fotografia (photo by http://www.elfilm.com)

Este ano, ao contrário dos anos anteriores, não há um diretor mais conhecido com filmografia live-action que esteja se aventurando em animação como Gore Verbinski (Rango) e George Miller (Happy Feet – O Pingüim), mas há nomes previamente indicados na categoria como Chris Wedge (A Era do Gelo), Chris Sanders (Lilo & Stitch), Jennifer Lee (Kung Fu Panda 2) e Chris Buck (Tá Dando Onda), o que deve lhes proporcionar maiores chances.

Por enquanto, minhas apostas para os cinco indicados são:

♣ Os Croods (The Croods), de Kirk De Micco e Chris Sanders
♣ Ernest & Celestine (Ernest et Célestine), de Stéphane Aubier, Vincent Patar e Benjamin Renner
Universidade Monstros (Monsters University), de Dan Scanlon
O Apostolo (O Apóstolo), de Fernando Cortizo
The Wind Rises (Kaze Tachinu), de Hayao Miyazaki

Gostaria muito que três produções estrangeiras estivessem concorrendo pelo Oscar, mas acho um pouco improvável. Os grandes estúdios devem pressionar os membros da Academia a votar em Frozen: Uma Aventura Congelante, Meu Malvado Favorito 2, Turbo e Reino Escondido, utilizando como argumentos a costumeira bilheteria e a audiência da cerimônia do Oscar, enquanto o Cinema como Arte perde espaço no cenário.

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21 Animações inscritas para o Oscar 2013

O diretor Tim Burton trabalhando num dos moldes da animação Franknweenie, provável candidato a favorito ao Oscar 2013 (photo by Enterntainment Weekly)

Inscrições encerradas. O Oscar 2013 já fechou com 21 animações que se tornarão cinco finalistas. Vendo os concorrentes, dá pra fazer uma breve análise de quem tem maiores chances de chegar ao tapete vermelho. Apesar da categoria de Melhor Animação ser a mais nova da premiação com seus 11 aninhos, é possível distinguir um certo padrão nos indicados.

Regrinha número 1: Reserve uma das vagas para a PIXAR. Se lançaram um filme produzido pela Pixar, pode incluí-lo na lista. E os números são impressionantes. Dos dez vencedores do Oscar de animação, a Pixar levou o ouro seis vezes! Concorreu em oito oportunidades e perdeu em apenas duas ocasiões: Em 2002, Monstros S.A. para o imbatível Shrek. E em 2007, Carros foi batido por Happy Feet – O Pinguim. A Pixar só não chegou na reta final em uma única vez, este ano, porque Carros 2 foi nitidamente feito pra ganhar dinheiro e agradar um dos chefes da produtora e diretor do próprio filme: John Lasseter.

Procurando Nemo (2003), de Andrew Stanton. Vencedor pela Pixar em 2004 foi relançado nas salas de cinema este ano no formato 3D.

Em 2013, a Pixar deve voltar a concorrer pelo novo trabalho Valente, de Mark Andrews e Brenda Chapman. Não sei se tentaram ir na onda do sucesso de Como Treinar Seu Dragão, mas a temática viking não fez o sucesso que se esperava. Por se tratar de uma animação com o selo da Pixar, a bilheteria costuma ficar garantida e a vaga no Oscar também, mas deve se tornar a terceira derrota da produtora.

Regrinha número 2: Traga material estrangeiro para a categoria. O segundo Oscar de animação foi para o pioneiro Hayao Miyazaki e seu belíssimo filme A Viagem de Chihiro. Nos anos seguintes, a Academia pegou esse costume de tentar trazer sempre produções internacionais, valorizando a categoria, os artistas responsáveis e a audiência na TV. Além do Japão de Miyazaki, que voltou a concorrer em 2006 com O Castelo Animado, a França se destacou com As Bicicletas de Belleville e O Mágico, ambos de Sylvain Chomet, com Persepolis, de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, e este ano com o espanhol Chico & Rita, de Tono Errando, Javier Mariscal e Fernando Trueba, e o francês Um Gato em Paris, de Jean-Loup Felicioli e Alain Gagnol.

As Bicicletas de Belleville (2003), de Sylvain Chomet, marcou a estréia da França na categoria. Merecia o Oscar.

Independente dos motivos comerciais e de audiência do Oscar, a presença da diversidade internacional ressalta a qualidade de trabalhos feitos fora do território americano, dominado pela técnica de 3D (animações tridimensionais como as da Pixar). As animações cresceram bastante com o 3D, mas pra mim, o 2D tem muito mais charme.

Regrinha número 3: Não se trata exatamente de um regra, mas uma tendência. Nos últimos anos, alguns diretores de filmes com atores vêm se aventurando no gênero da animação. O primeiro diretor sem tradição com desenho a ganhar o Oscar da categoria foi George Miller com Happy Feet – O Pinguim em 2007. Miller ficou mais conhecido pela trilogia do violento Mad Max, estrelada pelo jovem Mel Gibson. Este ano, o vencedor Rango foi dirigido por Gore Verbinski, cuja filmografia inclui Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra e O Chamado.

Quando as pessoas ainda estavam na onda “fofa” dos pinguins de A Marcha dos Pinguins, Happy Feet – O Pinguim (2006), de George Miller, foi o vencedor da categoria por causa de sua alta bilheteria. Mas quem realmente merecia era A Casa Monstro, de Gil Kenan.

Em 2013, Tim Burton pode se juntar a essa tendência. Embora tenha realizado alguns curtas de animação (como o próprio curta Frankenweenie, de 1984, que dá origem ao longa) e o longa Noiva-Cadáver (2005), que lhe rendeu a primeira e única indicação ao Oscar, o diretor ficou bem mais marcado por trabalhos com atores como Edward Mãos-de-Tesoura (1990), Ed Wood (1994) e A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999).

DOS CONCORRENTES DE 2013

Como a Academia fez a pré-seleção com 21 candidatos, isso significa que haverão cinco finalistas. Para que isso aconteça, é necessário o mínimo de 16 produções. Abaixo disso, a categoria teria apenas 3 finalistas.

Obviamente, não conferi todos os 21 filmes, mas dei uma olhada em cada um e cheguei a algumas conclusões. Primeiro, vamos conferir a lista das 21 animações, em ordem alfabética:

Frankenweenie, de Tim Burton: Favorito ao Oscar 2013.

Delhi Safari, de Nikhil Advani (Índia)

Detona Ralph (Wreck-It Ralph), de Rich Moore (EUA)

A Era do Gelo 4 (Ice Age Continental Drift), de Steve Martino e Mike Thurmeier (EUA)

Frankenweenie (Frankenweenie), de Tim Burton (EUA)

From Up on Poppy Hill (Kokuriko-zaka Kara), de Goro Miyazaki (Japão)

O Gato do Rabino (Le Chat du Rabbin), de Antoine Delesvaux e Joann Sfar (França/ Áustria)

Hey Krishna (Krishna Aur Kans), de Vikram Veturi (Índia)

Hotel Transilvânia (Hotel Transylvania), de Genndy Tartakovsky (EUA)

A Liar’s Autobiography: The Untrue Story of Monty Python’s Graham Chapman, de Bill Jones, Jeff Simpson e Ben Timlett (Reino Unido)

O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida (Dr. Seuss’ The Lorax), de Chris Renauld (EUA)

Madagascar 3: Os Procurados (Madagascar 3: Europe’s Most Wanted), de Eric Darnell, Tom McGrath e Conrad Vernon (EUA)

The Mystical Laws (Shinpi no hô), de Isamu Imakake (Japão)

A Origem dos Guardiões (Rise of the Guardians), de Peter Ramsey (EUA)

The Painting (Le Tableau), de Jean-François Laguionie (França)

ParaNorman (ParaNorman), de Chris Butler e Sam Fell (EUA)

Piratas Pirados! (The Pirates! Band of Misfits), de Peter Lord (Reino Unido/ EUA)

Tinker Bell: O Segredo das Fadas (Secret of the Wings), de Roberts Gannaway e Peggy Holmes (EUA)

Valente (Brave), de Mark Andrews e Brenda Chapman (EUA)

Walter & Tandoori’s Christmas (Le Noël de Walter et Tandoori), de Sylvain Viau (Canadá)

Zambezia, de Wayne Thornley (África do Sul)

Zarafa, de Rémi Bezançon e Jean-Christophe Lie (França/ Bélgica)

Piratas Pirados!, de Peter Lord: animação de massinha muito bem representado.

Como realizador, só o fato de ter seu filme lançado numa sala de cinema já seria motivo de orgulho. Imagine então tê-lo nessa lista! Apesar da quantidade de animações lançadas em um ano ser bem inferior ao de filmes com atores (live-action), ainda assim, trata-se de uma seleção oficial da Academia. Contudo, alguns desses trabalhos não devem seguir adiante na classificação como são os casos de Tinker Bell: O Segredo das Fadas e Walter & Tandoori’s Christmas, por se tratarem de filmes mais comuns.

Voltando ao tema da diversidade internacional, acho muito bacana ver uma produção sul-africana na lista. Apesar de Zambezia parecer um clone genérico de Madagascar, vale pelo incentivo aos artistas do continente africano, que têm orçamento bastante reduzido. As animações indianas Delhi Safari e Hey Krishna também não vão muito longe no âmbito visual, mas para quem achava que a Índia só tinha musicais à la Bollywood, aí está a prova de que existe diversidade em todos os países.

Tirando Frankenweenie e Valente, que já são presença certa entre os indicados pelos motivos citados no início do post, não existem mais favoritismos. Porém, por se tratar da única animação feita com massinha, Piratas Pirados! tem boas chances de concorrer. Além de reforçar a diversidade, a Academia já comprovou que gosta dessa técnica de stop-motion ao premiar Wallace & Grommit – A Batalha dos Vegetais, de Steve Box e Nick Park, em 2006.

Detona Ralph pode se tornar uma grata surpresa na lista pelo sucesso de público.

Outro detalhe que faz diferença é a bilheteria da animação. Nesse quesito, Detona Ralph, que conta com vários personagens do universo do video-game, estreou semana passada em primeiro lugar nos EUA, com 49 milhões de dólares. É lógico que os números não se comparam a uma estréia da Pixar, que costuma superar os 100 milhões, mas devemos considerar como um sucesso grande nessa reta final. Vale lembrar que o simpático Hotel Transilvânia está na sua sexta semana em cartaz e já faturou 137 milhões.

Não acredito que a Academia vá compensar com uma indicação as sequências A Era do Gelo 4 e Madagascar 3 – Os Procurados, mas não podemos ignorar que Shrek 2 e Kung Fu Panda 2 já foram finalistas. Isso acabaria abrindo uma bela brecha para que a produção com visual mais caprichado entre na roda: o francês The Painting (Le Tableau), que mexe com pinturas e surrealismo. Por mais que não agrade alguns votantes, é inegável a qualidade estética da animação de Jean-François Laguionie, um veterano que já dirigiu sete curtas e quatro longas. Deve e merece ser indicado. Veja a foto abaixo e tente discordar:

The Painting (Le Tableau): um espetáculo visual que merece maior exposição internacional

Ainda vale citar alguns trabalhos que podem surpreender como o japonês From Up on Poppy Hill, dirigido pelo filho de Hayao Miyazaki, Goro Miyazaki. O Gato do Rabino seria uma segunda opção para a França, caso The Painting não passe, ainda mais que contém elementos da religião judaica, muito forte entre os votantes da Academia. Eu também citaria ParaNorman pelo sucesso que fez em solo americano, mas talvez o fato de ter algumas semelhanças mórbidas com Frankenweenie atrapalhe na seleção.

E pra fechar, gostaria muito de ver o alternativo britânico A Liar’s Autobiography: The Untrue Story of Monty Python’s Graham Chapman entre os indicados. A animação que mistura várias técnicas diferentes como 2D, 3D, pintura e colagem pra contar a história de Graham Chapman, criador do grupo de humor Monty Phyton já vale pela idéia genial. Resta saber se os votantes têm a cabeça aberta para algo mais incomum, pois infelizmente, a maioria ainda acredita que animação é obrigatoriamente material infanto-juvenil. Vamos crescer, né?

A Liar’s Autobiography: The Untrue Story of Monty Python’s Graham Chapman: uma das cenas que contém colagem. Será que cola na Academia?

Então, sem mais delongas, minha lista de palpites ficaria assim: (Seria uma mistura das minhas apostas com o que gostaria de ver na categoria)

Detona Ralph

Frankenweenie

The Painting

Piratas Pirados!

Valente

Valente: aposta certa da Pixar, mas não detém o favoritismo desta vez

Espelho, Espelho Meu (Mirror Mirror), de Tarsem Singh (2012)

Espelho, Espelho Meu

Filme capricha em aspecto estético, mas se perde no tom

Assim como eu, 99% das pessoas ainda associa os contos de fada às animações da Disney, afinal, foram décadas de pioneirismo na arte da animação. Hoje, mesmo após a revolução satírica que Shrek causou nesse universo em 2001, a universalidade das fábulas ainda se mostra uma mina de ouro para Hollywood. Como prova disso, este ano, duas produções que adaptaram o conto Branca de Neve serão lançadas nos cinemas: este Espelho, Espelho Meu e em junho, Branca de Neve e o Caçador. Enquanto o primeiro busca agradar todas as faixas etárias, o segundo visa despertar o interesse do público pelo lado mais sombrio da história.

Mas adaptar os contos de fada, especialmente os escritos pelos irmãos Grimm, podem se tornar grandes armadilhas, afinal todo mundo praticamente nasce conhecendo as histórias, portanto seria necessário buscar perspectivas inovadoras sem desrespeitar o material original. Além disso, como os contos carregam essa essência cruel e até sexual que muitos pais “cortam” ao ler para os filhos pequenos antes de dormir, os filmes teriam que saber lidar com essas entrelinhas se quiserem conquistar os adultos também, afinal, são eles que levam as crianças para assistir ao filme.

Seguindo essa lógica, quando contrataram o cineasta indiano Tarsem Singh (conhecido por explorar o universo de um serial killer no filme A Cela) para comandar Espelho, Espelho Meu, achei que essa questão estaria bem resolvida: enquanto a produção se encarregaria do visual colorido para o público infantil, o diretor entreteria os mais velhos com as entrelinhas. Na teoria funciona, mas na prática o filme se perde em vários tons indefinidos e não sabe a quem agradar. As crianças podem até se encantar com a história e umas gags, mas o público mais velho corre sério risco de ficar entediado na sala, pois nessa salada toda, ficou faltando o tempero da ambiguidade que o conto original permite.

Tarsem Singh dirigindo suas atrizes

Obviamente, o filme é bem feito nos mínimos detalhes como uma grande produção hollywoodiana manda. Além dos efeitos visuais (tirando o monstro tosco), a direção de arte enche os olhos, especialmente os aposentos do castelo da Rainha Má e o casebre dos anões na floresta. Mas nada se destaca tanto quanto o trabalho de figurino de Eiko Ishioka, que são um espetáculo à parte. A atriz Julia Roberts deveria ser a mais agradecida à figurinista, já que sua atuação ganhou ares mais maléficos e cômicos que o papel requer. Apesar do árduo esforço de usar vestimentas pesadas, a atriz se destaca devidamente como celebridade do primeiro escalão.

Trabalho primoroso de Eiko Ishioka

Infelizmente, este foi o último trabalho da figurinista japonesa Eiko Ishioka. Ela faleceu em janeiro aos 73 anos, encerrando uma forte parceria com o diretor Tarsem Singh que vinha desde A Cela (2000). Venceu o Oscar da categoria em 1993 por Drácula de Bram Stoker, e com este trabalho lançado postumamente, deve voltar a concorrer como Melhor Figurino em 2013.

Tarsem Singh tem uma forte veia visual em seus trabalhos, o que o faz se assemelhar a Tim Burton, responsável por títulos como Edward Mãos-de-Tesoura e Noiva Cadáver. Curiosamente, ambos resolveram adaptar fábulas para o cinema, mas foram um pouco vítimas do sistema predominado por produtores de Hollywood. Seria algo como: “Vamos contratá-lo pelo seu nome e seu forte apelo estético, mas a palavra final é do estúdio”. Hoje em dia, os produtores (e detentores do dinheiro) não se arriscam em mais nada. Preferem refilmar algo de sucesso ou adaptar um livro best-seller como Jogos Vorazes a apostar em novos formatos e inovações de linguagem. Se não gostam do final, dispensam o diretor e assinam um novo final; simples assim.

Alice no País das Maravilhas: Quando o cartaz foi lançado, todos já queriam ver o filme

Por um lado até entendo, afinal, Alice no País das Maravilhas custou cerca de 200 milhões de dólares, mas quais as chances de Tim Burton naufragar um filme como esse? A bilheteria mundial certamente se encarregaria de um fracasso em território americano. E esse forte receio do fracasso comercial que tem ditado as regras dos filmes americanos de hoje, que também vitimou Espelho, Espelho Meu.

Ok, o filme tem um orçamento bem menor de 85 milhões de dólares e o diretor é bem menos conhecido que Burton, mas acredito que se dessem mais carta branca ao diretor, o resultado final teria sido bem mais instigante e chamativo. Ao que parece, Tarsem não teve como apitar na escalação do elenco. Lily Collins e Armie Hammer já eram escolhas certas para viver o casal Branca de Neve e o Príncipe Alcott, mas os jovens atores não conseguem demonstrar empatia alguma em cena, algo que seria fundamental para o bom andamento da trama e principalmente para conquistar a torcida do público. Eu mesmo queria que a Rainha Má matasse logo todo mundo!

“Mais empatia?”

Espelho, Espelho Meu tenta inverter alguns papéis como forma de atualizar o conto do século XIX, transformando a jovem princesa numa aventureira e o príncipe num covarde que vive levando a pior, mas é a Rainha Má e seu lacaio Brighton (Nathan Lane) que roubam a cena com momentos mais engraçadinhos. Seus personagens discutem formas de administração de um reinado, formas de salvar a política econômica (reflexo da crise na Europa?) e até moda e beleza! Tratamentos estéticos contra a velhice são um dos poucos ápices bem explorados do contos dos Grimm. A Rainha Má faz uso de alguns deles que são bastante reais como os excrementos de papagaio para passar no rosto (foto abaixo), manicure feita por pequenos peixes que comem a pele velha, massagem de cobra e lábios à la Angelina Jolie com o auxílio de picadas de abelha (mas este último parece que não existe mesmo).

Vai um pouco de cocô de papagaio fresco?

Como todo filme dirigido por Tarsem Singh, ele oferece um espetáculo visual de tirar o chapéu. Os cenários foram feitos para suportar um ótimo resultado final, mas sem o essencial, que seriam química entre os atores e personagens e diálogos mais afiados, o filme inevitavelmente vai ficando chato e monótono. Aqueles 100 minutos parecem 200 e no final, Espelho, Espelho Meu não passa de um aperitivo para Branca de Neve e o Caçador (Snow White and the Huntsman), que tem previsão de estréia no Brasil para 1º de junho. Confira o trailer para ver se também te apetece:

http://www.youtube.com/watch?v=0Moa6lGuhw4&feature=fvst