JORDAN PEELE e GRETA GERWIG entre os INDICADOS ao DGA!

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INDICADOS AO DGA: GRETA GERWIG e JORDAN PEELE. Pic by Vanity Fair

ESNOBADOS POR ALGUNS PRÊMIOS IMPORTANTES, PEELE E GERWIG RETOMAM BOAS CHANCES DE INDICAÇÃO AO OSCAR

O sindicato de diretores (DGA) anunciou seus indicados da categoria e tivemos boas surpresas. Além dos habituais Guillermo del Toro, que levou o Globo de Ouro no último domingo por A Forma da Água, Martin McDonagh, que levou o Globo de Ouro de roteiro por Três Anúncios Para um Crime, e Christopher Nolan por Dunkirk, dois nomes que costumavam ficar limitados às categorias de roteiro ressurgiram para serem reconhecidos pela trabalho na direção: Jordan Peele pelo fenomenal Corra! e Greta Gerwig por Lady Bird.

Jordan Peele também foi reconhecido na categoria de Diretor Estreante, ao lado dos colegas Geremy Jasper (Patti Cake$), William Oldroyd (Lady Macbeth), Taylor Sheridan (Terra Selvagem) e Aaron Sorkin (A Grande Jogada). Sheridan e Sorkin, muito conhecidos por seus roteiros, resolveram arriscar na carreira de diretor e agora estão colhendo frutos. Sou bastante fã dos roteiros de Sheridan, mas ao ver Terra Selvagem, achei que ele desperdiçou um bom material (seu próprio roteiro) e caiu em alguns clichês do gênero policial.

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TERRA SELVAGEM: Elizabeth Olsen e Jeremy Renner em estréia de Taylor Sheridan na direção. Pic by imdb.com

Para aqueles que gostam de curiosidades e estatísticas, vale lembrar que o DGA é um dos raros parâmetros para o Oscar. Em sua 70ª edição, não coincidiu seus vencedores com o do Oscar em apenas 13 oportunidades, sendo a última em 2013, naquele caso bem atípico quando Ben Affleck sequer fora indicado por Argo. Portanto, aquele que vencer o DGA já estará praticamente com as mãos no Oscar.

Continuando, Greta Gerwig se tornou a OITAVA mulher a ser indicada ao DGA. Suas antecessoras foram:
– Lina Wertmüller (Pasqualino Sete Belezas)
– Randa Haines (Filhos do Silêncio)
– Barbra Streisand (O Príncipe das Marés)
– Jane Campion (O Piano)
– Sofia Coppola (Encontros e Desencontros)
– Valerie Faris (Pequena Miss Sunshine)
– Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror)*
– Kathryn Bigelow (A Hora Mais Escura)

Kathryn Bigelow foi a única a vencer e a ser indicada mais de uma vez ao prêmio. E Valerie Faris foi indicada ao lado de seu parceiro Jonathan Dayton.

Jordan Peele se tornou o QUARTO diretor negro a ser indicado ao DGA. Antes dele vieram:
– Lee Daniels (Preciosa)
– Steve McQueen (12 Anos de Escravidão)
– Barry Jenkins (Moonlight)

Neste caso, nenhum deles venceu até o momento. Mas na minha opinião, Jordan Peele poderia ser o primeiro. Pra quem acompanha o blog há um tempo, sabe que minha opinião passa longe do politicamente correto. Prefiro sempre observar o talento e a qualidade do trabalho, e sob esse aspecto, Peele entregou um filme sensacional que entrou para a história do cinema. Ele falou de um tema “espinhudo” que é o preconceito racial sem ir para aquele lado mais careta e politizado que 99% dos diretores preferem trilhar nesse assunto. Provavelmente, o DGA lhe dará o prêmio de diretor estreante, o que certamente é um honra, mas esse reconhecimento em si já pode lhe render uma merecidíssima indicação ao Oscar.

PERDERAM O LUGAR

São cinco vagas para muitos diretores nessa dança, então alguns nomes não escapariam de ficar de fora. Luca Guadagnino (Me Chame Pelo Seu Nome), Steven Spielberg (The Post: A Guerra Secreta) e Ridley Scott (Todo o Dinheiro do Mundo) são nomes que já tiveram participação na temporada de premiações, mas não consolidaram uma boa campanha.

Christopher Nolan recebeu sua quarta indicação ao DGA e não deve ter chances reais de ganhar. Ele foi previamente indicado por Amnésia, Batman – O Cavaleiro das Trevas e A Origem. Em nenhum dos casos, a indicação do DGA se tornou indicação ao Oscar. Se dependesse do meu voto, ele cederia sua vaga para Sean Baker pelo ótimo Projeto Flórida ou para Denis Villeneuve por Blade Runner 2049.

Algumas matérias citam ainda as diretoras Sofia Coppola (O Estranho que Nós Amamos), Angelina Jolie (First They Killed my Father), Dee Rees (Mudbound), e Patty Jenkins (Mulher-Maravilha). Não conferi as outras diretoras, mas querer Jenkins no DGA e Oscar seria forçar a barra. Os que defendem essa idéia estão visando apenas a vibe feminista que Mulher-Maravilha proporcionou na mídia. Particularmente, as poucas cenas que gostei da sua direção (primeira metade do filme) muito se deve a Richard Donner, diretor de Superman: O Filme (1978), que serviu de inspiração/plágio para Patty Jenkins.

INDICADOS AO 70º DGA:

  • GUILLERMO DEL TORO (A Forma da Água)
  • GRETA GERWIG (Lady Bird)
  • MARTIN MCDONAGH (Três Anúncios Para um Crime)
  • CHRISTOPHER NOLAN (Dunkirk)
  • JORDAN PEELE (Corra!)

 

INDICADOS A DIRETOR ESTREANTE:

  • GEREMY JASPER (Patti Cake$)
  • WILLIAM OLDROYD (Lady Macbeth)
  • JORDAN PEELE (Corra!)
  • TAYLOR SHERIDAN (Terra Selvagem) 
  • AARON SORKIN (A Grande Jogada)

Os vencedores do DGA serão conhecidos no dia 03 de fevereiro. E as indicações ao Oscar saem no dia 23 de janeiro.

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Novo filme de Spielberg, ‘THE POST’, leva MELHOR FILME no NATIONAL BOARD OF REVIEW

The Post

Tom Hanks divide cena com Meryl Streep em The Post (pic by outnow.ch)

GRUPO TRADICIONAL FORMADO POR CINÉFILOS, ACADÊMICOS E CINEASTAS DÁ UMA FORCINHA PARA ‘THE POST’, QUE PERMANECIA UMA INCÓGNITA

O que acontece quando Steven Spielberg, Meryl Streep e Tom Hanks se juntam no mesmo projeto? Cheirinho de Oscar, certo? O National Board of Review resolveu dar uma forcinha para The Post, já que até então, o novo filme de Spielberg era considerado uma incógnita total, já que ninguém tinha conferido ainda.

The Post, que aqui ganhou o subtítulo “A Guerra Secreta”, destrincha a batalha que o jornal The Washington Post travou com o governo americano quando publicou segredos de Estado, intitulados de Pentagon Papers (documentos do Pentágono), nos anos 70. Em tempos de protesto contra o governo Trump, o filme se mostra relevante no cenário atual, já que existe uma briga entre imprensa e governo sobre a influência russa na eleição de Donald Trump.

As vitórias dos atores centrais, Tom Hanks e Meryl Streep, certamente os coloca na corrida para as indicações ao Oscar. Streep tem todas as cartas na manga para conquistar sua 21ª indicação, um recorde que cresce a cada ano. Já Hanks temos que ter certa cautela. Embora tenha se destacado em filmes recentes como Capitão Phillips e Sully: O Herói do Rio Hudson, o ator sempre acaba morrendo na praia. Não sei se mais alguém pensa como eu, mas faz muito tempo que não vejo uma performance que consigo esquecer que estou vendo Tom Hanks.

Claro que a alavancada do National Board of Review ajuda The Post em sua campanha, mas não significa grande chance de vitória no Oscar. Nos últimos anos, a organização concedeu o prêmio de Melhor Filme para Manchester à Beira-Mar, Mad Max: Estrada da Fúria, Ela e A Hora Mais Escura. Embora todos tenham sido indicados ao Oscar, nenhum deles saiu com o Oscar de Melhor Filme. Sem contar O Ano Mais Violento (2014), que sequer recebeu indicação ao Oscar. E o último acerto de Melhor Filme do NBR foi lá em 2008, quando reconheceu Quem Quer Ser um Milionário?, de Danny Boyle. Faz tempo.

Entre os vencedores desta edição, chama bastante a atenção a vitória de Greta Gerwig na direção. Em seu segundo trabalho como diretora, ela recebeu muitos elogios por sua visão bastante feminina em Lady Bird. Resta saber se seu reconhecimento é por méritos ou por tempos politicamente corretos.

MELHOR FILME
The Post – A Guerra Secreta

MELHOR DIREÇÃO
Greta Gerwig (Lady Bird – É Hora de Voar)

MELHOR ATOR
Tom Hanks (The Post – A Guerra Secreta)

MELHOR ATRIZ
Meryl Streep (The Post – A Guerra Secreta)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Willem Dafoe (Projeto Flórida)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Laurie Metcalf (Lady Bird – É Hora de Voar)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Paul Thomas Anderson (Trama Fantasma)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Scott Neustadter e Michael H. Weber (Artista do Desastre)

MELHOR ANIMAÇÃO
Viva – A Vida é uma Festa (Coco)

MELHOR REVELAÇÃO
Timothée Chalamet (Me Chame Pelo seu Nome)

MELHOR DIRETOR ESTREANTE
Jordan Peele (Corra!)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Foxtrot
Dir: Samuel Maoz (ISRAEL)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Jane
Dir: Brett Morgen

MELHOR ELENCO
Corra!

PRÊMIO SPOTLIGHT
Patty Jenkins e Gal Gadot (Mulher-Maravilha)

PRÊMIO LIBERDADE DE EXPRESSÃO
First They Killed my Father; Dir: Angelina Jolie
Let it Fall: LA 1982-1992; Dir: John Ridley

Melhores filmes
Em Ritmo de Fuga (Baby Driver)
Me Chame Pelo Seu Nome (Call me by your Name)
Artista do Desastre (The Disaster Artist)
Pequena Grande Vida (Downsizing)
Dunkirk
Projeto Flórida (The Florida Project)
Corra! (Get Out)
Lady Bird – É Hora de Voar (Lady Bird)
Logan (Logan)
Trama Fantasma (Phantom Thread)

Melhores filmes independentes
Beatriz at Dinner
Bigsby Bear
A Ghost Story
Logan Lucky – Um Roubo em Família (Logan Lucky)
Com Amor, Van Gogh (Loving Vincent)
Menashe
Patti Cake$
Terra Selvagem (Wind River)
Norman: Confie em Mim (Norman: The Rise and Tragic Fall of a New York Fixer)

Melhores filmes estrangeiros
Uma Mulher Fantástica (Una Mujer Fantástica)
Frantz
Verão 1993 (Estiu 1993)
Loveless (Nelyubov)
The Square

Melhores documentários
Abacus: Pequeno o Bastante Para Condenar
Brimstone & Glory
Eric Clapton: A Life in 12 Bars
Visages, Villages
Hell On Earth: The Fall of Syria and the Rise of ISIS