Com presença de CLOONEY, ARONOFSKY e PAYNE, Festivais de VENEZA e TORONTO se consolidam como REDUTOS PRÉ-OSCAR

Suburbicon

Cena de Suburbicon, novo filme dirigido por George Clooney, com Julianne Moore e Matt Damon (pic by cine.gr)

PRÉ-CANDIDATOS AO OSCAR BUSCAM OS HOLOFOTES INTERNACIONAIS PARA ABRIR A TEMPORADA DE PREMIAÇÕES

Houve um tempo em que os filmes selecionados pelo Festival de Veneza, o mais antigo do mundo, tinham um distância quilométrica do Oscar. Era extremamente raro que um filme presente no evento italiano também estivesse no prêmio da Academia. Claro que todos os grandes festivais hoje tiveram uma aproximação com o Oscar por causa da projeção internacional, mas Veneza se tornou palco do “esquenta”.

Pra isso, Veneza convidou artistas hollywoodianos que certamente atrairão mais olhares para o evento e ao mesmo tempo se beneficiarão com a abertura de temporada de premiações. Assim, teremos os novos trabalhos de George Clooney, Darren Aronofsky, Alexander Payne e Guillermo del Toro. Se vão ganhar prêmios são outros quinhentos, mas somente a presença no festival já os consolida como fortes candidatos ao Oscar. Vale sempre ressaltar que Veneza teve recordistas de indicações ao Oscar nos últimos 4 anos: Gravidade (2013), Birdman (2014) e La La Land (2016).

Particularmente, já dou como certas as indicações para Clooney e Payne, que costumam ter uma forte afinidade com os gostos da Academia. Curiosamente, ambos os filmes foram protagonizados por Matt Damon, que pode ter até dupla indicação na categoria de Ator – Comédia ou Musical no próximo Globo de Ouro.

Já os filmes de Aronofsky e del Toro ainda tenho minhas dúvidas por apresentarem elementos do gênero terror, mas acredito que devem obter sucesso em categorias técnicas. Contudo, ambos podem ter ótimas chances com suas atrizes: Jennifer Lawrence e Sally Hawkins, respectivamente, em Mother! e The Shape of Water.

shape of water

Sally Hawkins interage com um experimento do governo em The Shape of Water, de Guillermo del Toro

Particularmente, tenho boas expectativas em relação a três diretores:

Martin McDonagh
Mais conhecido pelas ótimas comédias Na Mira do Chefe e Sete Psicopatas e um Shih Tzu, o diretor britânico chega com Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. Aqui temos a atriz Frances McDormand como uma mãe que desafia o chefe da polícia da cidade depois que sua filha foi assassinada e não houve nenhum preso. É curiosa a capacidade de McDonagh de conseguir extrair humor de temas bastante pesados, algo que apenas os irmãos Coen conseguiam fazer com maestria até alguns anos atrás. E engana-se quem pensa que se trata de apenas uma comédia. O filme critica a baixa eficiência policial (imagina se a personagem vivesse no Brasil…) e a prisão e tortura de negros, que continua recorrente nos EUA. Veja trailer abaixo:

Andrew Haigh
Admito que a trama de Lean on Pete, adaptação homônima do romance, sobre um jovem que busca sua tia perdida acompanhado por um cavalo de corrida não me animou muito, mas pra quem amou seu filme anterior, 45 Anos, é impossível não criar expectativas. No elenco, o diretor conta com os experientes Steve Buscemi e Chloë Sevigny. É esperar pra ver…

Abdellatif Kechiche
Esse diretor tunisiano conquistou Cannes e o mundo com seu filme anterior: Azul é a Cor Mais Quente, mas pra quem conferiu seus outros trabalhos como O Segredo do Grão e Vênus Negra, sabe que estamos diante de um diretor extremamente cuidadoso esteticamente e que não abre mão de seu olhar minucioso do comportamento humano. Ele traz Mektoub, My Love: Canto Uno que aborda a difícil decisão de um roteirista entre seu amor e sua carreira, curiosamente, um tema bastante parecido com o musical La La Land.

FORA DE COMPETIÇÃO

Embora não estejam competindo pelo Leão de Ouro, algumas produções também podem conseguir seu lugar ao sol na temporada de premiações. O novo filme de Stephen Frears, Victoria and Abdul, sobre a história verídica da amizade entre a rainha Victoria e um serviçal indiano, aparentemente se assemelha ao A Rainha (2006), que rendeu o Oscar para Helen Mirren. Honestamente, com exceção do ótimo Philomena (2014), os últimos trabalhos de Frears me desagradam um pouco por apresentarem formato e linguagem de TV, mas o diretor britânico tem seu talento inquestionável na direção de atores. E curiosamente Judi Dench volta a interpretar a rainha Victoria depois de Sua Majestade Mrs. Brown (1997), filme pelo qual foi indicada ao Oscar e perdeu injustamente para Helen Hunt.

Achei interessante o documentário que William Friedkin trouxe a Veneza: The Devil and Father Amorth (em tradução livre: “O Diabo e o Padre Amorth”), que captura imagens do nono exorcismo praticado pelo padre na Itália. Mesmo após mais de quatro décadas do clássico O Exorcista (1973), o diretor americano continua muito vinculado ao exorcismo, portanto, esse documentário pode de alguma forma “exorcizá-lo” dessa ligação e ao mesmo tempo, alimentar a sede de seus incontáveis fãs de como ele tratará desse tema novamente.

DISPUTA POR NOVOS FILMES

Por se tratar de um festival que acontece em setembro, existem desvantagens também, pois as atenções se dividem com o festival canadense de Toronto. Embora não tenha o mesmo prestígio do italiano, tem servido de vitrine para os filmes americanos, os vencedores do People’s Choice Awards costumam ser indicados a Melhor Filme (vide os recentes O Quarto de Jack, O Jogo da Imitação, 12 Anos de Escravidão e O Lado Bom da Vida), sem contar que o país é vizinho dos EUA e o mesmo idioma.

Em entrevista, o diretor do Festival de Veneza, Alberto Barbera, se disse “97% satisfeito” com sua seleção, já que houve apenas dois ou três filmes que ele queria exibir, mas não pôde porque já estavam comprometidos com outros festivais, provavelmente Toronto.

Contudo, se formos analisar os filmes exibidos em Veneza, temos muitos que também estarão presentes em Toronto. A única diferença é que o festival italiano exibirá alguns dias antes. Entre algumas exclusividades estão o novo filme de Angelina Jolie como diretora, First They Killed My Father, um drama pesado sobre o genocídio no Camboja feito para a Netflix; a nova produção de Joe Wright, Darkest Hour, que promete gerar a segunda indicação ao Oscar para Gary Oldman, interpretando um impecável Winston  Churchill; o drama verídico Film Stars Don’t Die in Liverpool sobre um romance da atriz Gloria Grahame com um jovem traz Annette Bening como a protagonista (será que ela ganha o Oscar desta vez?); e Stronger, um drama que recria o atentado da Maratona de Boston e uma vítima que perdeu as pernas com a explosão da bomba. Jake Gyllenhaal promete arrancar lágrimas do público.

Estou bastante curioso pra conferir o novo filme da dupla Jonathan Dayton e Valerie Faris, que se consagraram com Pequena Miss Sunshine (2006): Battle of the Sexes, que recria uma disputa de tênis bastante curiosa ocorrida em 1973 entre Billie Jean King (Emma Stone) e o ex-campeão Bobby Riggs (Steve Carell). Além de toda a caracterização de época (Emma Stone está quase irreconhecível com aqueles óculos fundo de garrafa), será curioso ver o quanto de atual ainda temos sobre essa discussão de igualdade entre gêneros.

battle-of-the-sexes-mit-emma-stone-und-steve-carell

Emma Stone e Steve Carell fazem dupla de tenistas em 1973 em Battle of the Sexes (pic by moviepilot.de)

E também bastante interessado em assistir ao francês 120 Battements par Minute (BPM (Beats per Minute), de Robin Campillo, que foi bem ovacionado em Cannes. Trata-se da luta de um portador de Aids contra a indiferença no início dos anos 90. Embora os filmes representantes para o Oscar de Filme Estrangeiro ainda não tenham sido definidas, muito provavelmente este será o candidato da França e com fortes chances de ganhar a estatueta, que o país não ganha desde 1993 com Indochina.

toronto-international-film-festival-website

SELEÇÃO DO FESTIVAL INTERNACIONAL DE TORONTO

GALAS
Breathe
The Catcher Was A Spy
Darkest Hour
Film Stars Don’t Die in Liverpool
Kings
Long Time Running
Mary Shelley
The Mountain Between Us
Mudbound
Stronger
The Wife
Woman Walks Ahead

APRESENTAÇÕES ESPECIAIS
Battle of the Sexes
BPM (Beats Per Minute)
The Brawler
The Breadwinner
Call Me By Your Name
Catch the Wind
The Current War

The Children Act
Disobedience
Downsizing
A Fantastic Woman
First They Killed My Father
The Guardians
Hostiles
The Hungry
I, Tonya
mother!
Novitiate
Omerta
Plonger
The Price of Success
Professor Marston & the Wonder Women
The Rider
A Season in France
The Shape of Water
Sheikh Jackson
The Square
Submergence
Suburbicon
Thelma
Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Untitled Bryan Cranston/Kevin Hart Film

Victoria and Abdul

 

Festival-de-Cinema-de-Veneza-em-2017

INDICADOS AO LEÃO DE OURO 2017

  • Human Flow
    Dir: Ai Weiwei (Alemanha, EUA)
  • Mother!
    Dir: Darren Aronofsky (EUA)
  • Suburbicon
    Dir: George Clooney (EUA)
  • The Shape Of Water
    Dir: Guillermo Del Toro (EUA)
  • L’Insulte
    Dir: Ziad Doueiri (França, Líbano)
  • La Villa
    Dir: Robert Guediguian (França)
  • Lean on Pete
    Dir: Andrew Haigh (Reino Unido)
  • Mektoub, My Love: Canto Uno
    Dir: Abdellatif Kechiche (França)
  • The Third Murder
    Dir: Hirkazu Koreeda (Japão)
  • Jusqu’a La Garde
    Dir: Xavier Legrand (França)
  • Amore e Malavita
    Dir: Manetto Bros. (Itália)
  • Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
    Dir: Martin McDonagh (Reino Unido)
  • Hannah
    Dir: Andrea Pallaoro (Itália, Bélgica, França)
  • Downsizing
    Dir: Alexander Payne (EUA)
  • Angels Wear White
    Dir: Vivian Qu (China, França)
  • Una Famiglia
    Dir: Sebastiano Risio (Itália)
  • First Reformed
    Dir: Paul Schrader (EUA)
  • Sweet Country
    Dir: Warwick Thornton (Austrália)
  • The Leisure Seeker
    Dir: Paolo Virzì (Itália)
  • Ex Libris – The New York Public Library
    Dir: Frederick Wiseman (EUA)

FORA DE COMPETIÇÃO

Eventos Especiais

  • Casa D’Altri
    Dir: Gianni Amelio (Itália)
  • Michael Jackson’s ‘Thriller’ 3D
    Dir: John Landis (EUA)
  • Making of Michael Jackson’s ‘Thriller’
    Dir: Jerry Kramer (EUA)

FICÇÃO

  • Our Souls at Night
    Dir: Ritesh Batra (EUA)
  • Il Signor Rotopeter
    Dir: Antonietta De Lillo (Itália)
  • Victoria and Abdul
    Dir: Stephen Frears (Reino Unido)
  • La Melodie
    Dir: Rachid Hami (França)
  • Outrage Coda
    Dir: Takeshi Kitano (Japão)
  • Loving Pablo
    Dir: Fernando Leon De Aranoa (Espanha)
  • Zama
    Dir: Lucrecia Martel (Argentina, Brasil)
  • Wormwood
    Dir: Errol Morris (EUA)
  • Diva!
    Dir: Francesco Patierno (Itália)
  • La Fidele
    Dir: Michael R. Roskam (Bélgica, França, Holanda)
  • The Private Life of a Modern Woman
    Dir: James Toback (EUA)
  • Brawl in Cell Block 99
    Dir: S. Craig Zahler (EUA)

NÃO-FICÇÃO

  • Cuba and the Cameraman
    Dir: Jon Albert (EUA)
  • My Generation
    Dir: David Batty (Reino Unido)
  • The Devil and Father Amorth
    Dir: William Friedkin (EUA)
  • This Is Congo
    Dir: Daniel McCabe (Congo)
  • Ryuichi Sakamoto: Coda
    Dir: Stephen Nomura Schible (EUA, Japão)
  • Jim & Andy: The Great Beyond. The Story of Jim Carrey, Andy Kaufman, and Tony Clifton
    Dir: Chris Smith (EUA)
  • Happy Winter
    Dir: Giovanni Totaro (Itália)

HORIZONTES

  • Disappearance
    Dir: Ali Asgari (Irã, Catar)
  • Especes Menaces
    Dir: Gilles Bourdos (França, Bélgica)
  • The Rape of Recy Taylor
    Dir: Nancy Buirski (EUA)
  • Caniba
    Dir: Lucian Castaing-Taylor, Verena Paravel (França)
  • Les Bienheureux
    Dir: Sofia Djama (França, Bélgica)
  • Marvin
    Dir: Anne Fontaine (França)
  • Invisibile
    Dir: Pablo Giorgelli (Argentina, Brasil, Uruguai, Alemanha)
  • Brutti e Cattivi
    Dir: Cosimo Gomez (Itália, França)
  • The Cousin
    Dir: Tzahi Grad (Israel)
  • Reparer les vivants
    Dir: Katell Quillevere (França, Bélgica)
  • The Testament
    Dir: Amichai Greenberg (Israel, Áustria)
  • No Date, No Signature
    Dir: Vahid Jalilvand (Irã)
  • Los Versos Del Olvido
    Dir: Alireza Khatami (França, Alemanha, Holanda, Chile)
  • Nico, 1988
    Dir: Susanna Nicchiarelli (Itália)
  • Krieg
    Dir: Rick Ostermann, Barbara Auer (Alemanha)
  • West of Sunshine
    Dir: Jason Raftopoulos (Austrália)
  • Gotta Cenerentola
    Dir: Alessandro Rak, Ivan Cappiello, Marino Guarnieri, Dario Sansone (Itália)
  • Under The Tree
    Dir: Hafsteinn Gunnar Sigurdsson (Islândia, Dinamarca, Polônia, Alemanha)
  • La Vita in Comune
    Dir: Edoardo Winspeare (Itália)

CINEMA IN THE GARDEN

  • Manuel
    Dir: Dario Albertini (Itália)
  • Controfigura
    Dir: Ra Di Martino (Itália, França, Marrocos, Suíça)
  • Woodstock
    Dir: Kate Mulleavy, Laura Mulleavy (EUA)
  • Nato A Casal Di Principe
    Dir: Bruno Oliviero (Itália, Espanha)
  • Suburra — The Series
    Dir: Michele Placido, Andrea Molaioli, Giuseppe Capotondi (Itália)
  • Tuers
    Dir: Francois Truokens, Jean-Francois Hensgens (Bélgica, França)

VENEZA REALIDADE VIRTUAL

  • Melita
    Dir: Nicolas Alcala (EUA)
  • La Camera Insabbiata
    Dir: Laurie Anderson, Huang Sin-Chien (EUA)
  • The Last Goodbye
    Dir: Gabo Arora (EUA)
  • My Name Is Peter Stillman
    Dir: Lysander Ashton, Leo Warner (Reino Unido)
  • Alice, The Virtual Reality Play
    Dir: Mathias Chelebourg (França)
  • Arden’s Wake Expanded
    Dir: Eugene YK Chung (EUA)
  • Greenland Melting
    Dir: Nonny De La Pena (EUA)
  • Bloodless
    Dir: Gina Kim (EUA)
  • Nothing Happens
    Dir: Uri Kranot, Michelle Kranot (Dinamarca, França)
  • The Dream Collector
    Dir: Mi Li (China)
  • Snatch VR Heist Experience
    Dir: Rafael Pavon, Nicolas Alcala (EUA)
  • Nefertiti
    Dir: Richard Mills, Kim-Leigh Pontin (Reino Unido)
  • Proxima
    Dir: Mathieu Pradat (França)
  • In The Pictures
    Dir: Qing Shao (China)
  • Dispatch
    Dir: Edward Robles (EUA, Reino Unido)
  • The Argos File
    Dir: Josema Roig (EUA)
  • Gomorra VR – We Own The Streets
    Dir: Enrico Roast (Itália)
  • Draw Me Close, Chapters 1-2
    Dir: Jordan Tannahill (Canadá, Reino Unido)
  • The Deserted
    Dir: Tsai Ming-Liang (Taiwan)
  • I Saw The Future
    Dir: Francois Vautier (França)
  • Separate Silences
    Dir: David Wedel (Dinamarca)
  • Free Whale
    Dir: Zhang Peibin (China)

***

O Festival de Veneza começa dia 30 de agosto e encerra dia 09 de setembro.

Já o Festival Internacional de Toronto tem início em 07 de setembro e vai até o dia 17.

‘THE SQUARE’, do sueco Ruben Östlund, vence a Palma de Ouro em Cannes 2017. NETFLIX sai de mãos abanando.

170528-cannes-312p-rs_8471f0095981e1aaf0639c5a54ae25dd.nbcnews-ux-2880-1000.jpg

No centro, o diretor Ruben Ostlund comemora sua vitória como se fosse um gol de final de campeonato. Ao fundo, o presidente do júri Pedro Almodóvar. Pic by NBC News

NO ANIVERSÁRIO DE 70 ANOS, CANNES PREMIA JOVEM DIRETOR QUE JÁ HAVIA SE DESTACADO POR FORÇA MAIOR

Após uma forte expectativa de que o festival iria conceder sua segunda Palma de Ouro para uma mulher, o prêmio máximo ficou com o diretor sueco Ruben Östlund, mantendo a neozelandesa Jane Campion como a única vencedora feminina da história do festival.

Apesar de não ter sido o filme da competição mais elogiado pela imprensa estrangeira, The Square ganhou pontos com os membros do júri ao apresentar uma sátira do mundo das Artes, em que o protagonista é um diretor de um museu, que está desesperado para fazer sucesso e pra isso, recebe uma nova instalação chamada “The Square” para promovê-lo.

170521123541-the-square-film-still-5-exlarge-169.jpg

Cena de The Square, de Ruben Ostlund.

O presidente do júri Almodóvar explicou sua escolha após a entrega dos prêmios: “É contemporâneo, é sobre a ditadura de ser politicamente correto. Eles vivem num inferno paranormal por causa disso.” Essa justificativa me atiçou um pouco a curiosidade para conferir o filme, já que sou crítico desses tempos politicamente corretos em que vivemos. Mas independente de ter sido premiado ou não, a voz do diretor Robert Östlund é uma das mais originais dos últimos tempos. Quem viu seu último filme, Força Maior, sobre uma tragédia natural que afeta uma família, sabe do que estou falando. Ele tem um humor bastante peculiar.

As fortes concorrentes femininas, a americana Sofia Coppola e a escocesa Lynne Ramsay, ficaram com os prêmios de Direção e Roteiro, respectivamente. Coppola se torna a segunda diretora a vencer esse prêmio depois da russa Yuliya Solntseva com A Epopéia dos Anos de Fogo, de 1961. “Agradeço ao júri por esta honra… Agradeço ao meu pai, que me ensinou a escrever e dirigir e por compartilhar seu amor por cinema, e para minha mãe por me encorajar a ser uma artista,” agradeceu Coppola através de nota lida pela diretora Maren Ade, já que não estava presente na cerimônia de premiação. Ade, que é membro do júri, aproveitou para “agradecer a Jane Campion por ser uma modelo e por apoiar as cineastas mulheres.”

PRÊMIOS DE INTERPRETAÇÃO

Ao contrário de Sofia, os atores Diane Kruger e Joaquin Phoenix, que ganharam os prêmios de interpretação, estiveram na cerimônia de apresentação e foram bastante aplaudidos. Em In the Fade, a atriz alemã interpreta uma mulher que, depois de ter seu marido e filho mortos num ataque de bomba terrorista, planeja uma vingança. Muito comovida, a atriz alemã subiu ao palco e fez seu discurso: “Fatih [Akin], meu irmão, obrigada por me dar essa chance… você me deu a força que eu não sabia que tinha em mim. Eu não posso aceitar este prêmio sem pensar em ninguém que já foi impactado por um ato de terrorismo, pessoas que estão tentando colher os cacos e continuar suas vidas. Por favor, saibam que vocês não estão esquecidos. Obrigada.”

Diane Kruger gettyimages-689411410.jpg

Diane Kruger agradece pelo prêmio de interpretação feminina em ‘In the Fade’ (pic by Alberto Pizzoli/ Getty Images)

Já pelo prêmio de interpretação masculina, o sempre controverso Joaquin Phoenix veio até Cannes para receber a honraria. Nada contra o ator, que aliás sou fã de seu trabalho, mas ele deveria se decidir de vez se gosta ou não de premiações. Ou ele vai para sorrir e ser agradecido, ou fica em casa com a cara emburrada, e não o contrário! Desse jeito, fica a impressão de que ele atua como ‘bad boy’ para impulsionar sua imagem de durão e psicótico.

DA7pv-QV0AABrSi

Mas enfim, no filme You Were Never Really Here, ele faz uma espécie veterano de guerra à la Taxi Driver, que tenta a todo custo salvar uma menina do tráfico de sexo. À princípio, parece um papel de alguém bastante perturbado, o que se encaixa perfeitamente no rótulo que Hollywood adora botar nos atores. Tem seu lado positivo, já que o ator domina o tipo de personagem e pode elevá-lo ainda mais, porém tem seu lado negativo, pois existe uma iminente ameaça do ator ficar limitado demais.

You Were Never Really Here.jpg

Joaquin Phoenix com a jovem Ekaterina Samsonov em cena de You Were Never Really Here, de Lynne Ramsay (pic by cine.gr)

Em relação ao Oscar, vale lembrar que desde 2007, 22 performances que tiveram sua estréia em Cannes acabaram sendo indicadas ou premiadas pela Academia no ano seguinte. Dando maior precisão aos dados estatísticos, desses 22 atores, treze foram mulheres e nove foram homens, contudo, apenas Rooney Mara (por Carol) transformou seu prêmio de atriz em indicação ao Oscar, enquanto 4 vencedores de Ator em Cannes foram ao Oscar: Christoph Waltz (Bastardos Inglórios), Javier Bardem (Biutiful), Jean Dujardin (O Artista), e Bruce Dern (Nebraska).

PRÊMIO DE 70º ANIVERSÁRIO

A cada década, o festival tem a liberdade de criar um prêmio especial. Este ano, eles prestigiaram a atriz Nicole Kidman, já que ela participa de quatro projetos distintos em Cannes: os filmes O Estranho que Nós Amamos, The Killing of a Sacred Deer, How to Talk to Girls at Parties e a série Top of the Lake, que está na segunda temporada, reconhecendo assim sua versatilidade.

SURPRESAS E DECEPÇÕES

Dentre os nomes mais citados pela imprensa estrangeira e pela crítica que mereceria o prêmio de ator estava o de Robert Pattison. Sim, aquele rapaz que já foi um vampiro que brilhava no sol naquela saga politicamente correta de Stephenie Meyer. Parece que ele está buscando novos desafios depois de ter trabalhado com o diretor David Cronenberg em Cosmópolis em 2012. Sua atuação foi bastante elogiada no drama sobre roubo de bancos intitulado Good Time. Acabou perdendo o prêmio para Joaquin Phoenix, mas pode se tornar um nome forte para a próxima temporada de premiações.

good-time-mit-robert-pattinson

Robert Pattison em Good Time, dos irmãos Safdie (pic by moviepilot.de)

Outro que está tentando (com bem menos afinco) mudar sua imagem é Adam Sandler. Esse comediante americano que estrela trocentos filmes do Netflix está em The Meyerowitz Stories: New and Selected, do diretor Noah Baumbach, que inclusive já tentou fazer um filme mais sério com o comediante Ben Stiller em O Solteirão (2010). Este novo trabalho é uma comédia de família disfuncional, mas com nomes de peso como Dustin Hoffman e Emma Thompson. A atuação deles foi elogiada, mas a de Sandler acabou sendo mais comentada e por isso mesmo, estava entre os candidatos ao prêmio. Pode soar radical demais, mas a única performance interessante que vi de Sandler foi em Embriagados de Amor (2002), quando foi dirigido por Paul Thomas Anderson. Naquele papel, ele apresentava uns tiques nervosos de uma pessoa extremamente perturbada pelas irmãs mais velhas. Mas depois ele fez apenas comédias do tipo besteirol que deixavam de explorar esse seu lado. De qualquer forma, acredito na redenção de qualquer ator, contanto que ele ou ela busquem se desafiar. E se diretores do calibre de Cronenberg e P.T. Anderson viram algo de bom nesses atores, significa que devemos olhar com mais atenção.

No campo das surpresas, a própria Palma de Ouro não deixa de ser uma. The Square estava entre os mais elogiados, mas estava meio longe de ser uma unanimidade. Entre os mais bem cotados estavam Happy End, de Michael Haneke; Loveless, de Andrey Zvyagintsev; The Killing of a Sacred Deer, de Yorgos Lanthimos; 120 battements par minute, de Robin Campillo; e You Were Never Really Here, de Lynne Ramsay. Excetuando o primeiro, todos os demais foram reconhecidos com prêmios, o que mostra certa sintonia do júri em relação à crítica.

NETFLIX E A DIFICULDADE DE ACEITAÇÃO

Após receber inúmeras vaias nas sessões de Okja e Wonderstruck, ambas produções da Netflix, era esperado que a plataforma de streaming mais conhecida no mundo fosse sair sem nenhum prêmio do evento. O próprio presidente do júri, Pedro Almodóvar, havia afirmado que “não premiaria um filme que não vai ser exibido na tela grande”. O Festival de Cannes completou 70 anos de existência, e com isso, há muita tradição envolvida que não se muda da noite para o dia. Inicialmente surpresa pelo convite, a Netflix sofreu um um cerco ferrenho por parte dos exibidores franceses, já que perderiam dinheiro com a não-exibição dos filmes em salas de cinema. Essa discussão está apenas no começo e deve ser assunto para as próximas edições, não só de Cannes, mas de outros grandes festivais, que terão que lidar com a produção de conteúdo da Netflix.

Adam-Sandler.jpg

À direita, o diretor Noah Baumbach com os atores Adam Sandler e Dustin Hoffman no set de The Meyerowitz Stories

VITÓRIA BRASILEIRA EM CANNES

Embora o Brasil não tivesse representantes na competição oficial, por outro lado, participou da mostra da Semana da Crítica e saiu com dois prêmios. Gabriel e a Montanha, do jovem Fellipe Gamarano Barbosa, levou o Prêmio Visionário e o Gan Foundation que fornecerá um apoio enorme para a distribuição na França. O prêmio foi concedido pelo presidente do júri da Semana da Crítica, o conterrâneo Kléber Mendonça Filho. Parabéns à equipe do filme!

Gabriel e a Montanha.jpg

Os atores Caroline Abras e João Pedro Zappa em cena de Gabriel e a Montanha, de Fellipe Gamarano Barbosa. Pic by cineuropa.org

NOTAS PESSOAIS

Fiquei bastante feliz que Taylor Sheridan, que ficou conhecido por roteirizar o western moderno A Qualquer Custo (Hell or High Water), foi premiado como Melhor Diretor da mostra Un Certain Regard logo em sua primeira investida na cadeira de diretor em Wind River. O filme centra num assassinato que ocorreu numa reserva indígena, e é estrelado por Jeremy Renner e Elisabeth Olsen.

Também dos filmes premiados em Cannes, estou ansioso pra conferir os novos trabalhos de Andrey Zvyagintsev (ele tem uma visão bastante dura, porém realista, vide O Retorno e Leviatã), Lynne Ramsay (é uma diretora extremamente detalhista, e que consegue enxergar poesia onde não há) e Yorgos Lanthimos (seu nome vem sendo atrelado a um cinema de conteúdo criativo que vem desde Dente Canino e que se consagrou com O Lagosta).

VENCEDORES DO 70º FESTIVAL DE CANNES

PALMA DE OURO
Ruben Östlund – The Square

GRANDE PRÊMIO DO JÚRI
Robin Campillo – 120 Beats Per Minute

PRÊMIO DO JÚRI
Andrey Zvyagintsev – Loveless

DIRETOR
Sofia Coppola – O Estranho que Nós Amamos

ATOR
Joaquin Phoenix – You Were Never Really Here

ATRIZ
Diane Kruger – In the Fade

ROTEIRO
Yorgos Lanthimos – The Killing of a Sacred Deer
Lynne Ramsay – You Were Never Really Here

CAMERA D’OR
Léonor Sérraille – Jeune Femme

PALMA DE OURO PARA CURTA-METRAGEM
Qiu Yang – A Gentle Night

PRÊMIO ESPECIAL DE 70º ANIVERSÁRIO
Nicole Kidman

MOSTRA UN CERTAIN REGARD

UN CERTAIN REGARD
Mohammad Rasoulof – A Man of Integrity

ATRIZ
Jasmine Trinca – Fortunata

NARRATIVA POÉTICA
Mathieu Amalric – Barbara

DIRETOR
Taylor Sheridan – Wind River

PRÊMIO DO JÚRI
Michel Franco – April’s Daughter

MOSTRA SEMANA DA CRÍTICA

GRANDE PRÊMIO: Emmanuel Gras – Makala
PRÊMIO VISIONÁRIO: Fellipe Gamarano Barbosa – Gabriel and the Mountain
Leica Cine Discovery Prize for Short Film: Laura Ferrés – Los Desheredados
Gan Foundation Support for Distribution Award: Fellipe Gamarano Barbosa – Gabriel and the Mountain

SACD Award: Léa Mysius – Ava
Canal+ Award: Aleksandra Terpińska – The Best Fireworks

DIRECTOR’S FORTNIGHT

Art Cinema Award: Chloé Zhao – The Rider
SACD Award: Claire Denis – Let the Sunshine In, Philippe Garrel – Lover for a Day
Europa Cinemas Label Award: Jonas Carpignano – A Ciambra
Illy Prize for Short Film: Benoit Grimalt – Back to Genoa City

Onde e Quando acompanhar os Indicados ao Oscar 2015

Chris Pine a presidente da Academia Cheryl Boone Isaacs anunciam os indicados ao Oscar (photo by http://cdn4.hoy.com.do)

Chris Pine a presidente da Academia Cheryl Boone Isaacs anunciam os indicados ao Oscar (photo by http://cdn4.hoy.com.do)

GUIA COMPLETO PARA CONFERIR OS INDICADOS AO OSCAR 2015

As indicações ao Oscar foram anunciadas no último dia 15 e você ainda não viu nenhum filme? Não se desespere! Ainda temos um mês pra cerimônia, e felizmente, já dá pra conferir muitos deles através de mídias (DVDs e Blu-rays) e alguns filmes que já estão em cartaz como é o caso de Whiplash: Em Busca da Perfeição, que coletou 5 indicações, e um dos favoritos Boyhood: Da Infância à Adolescência, que tem 6 indicações.

O filme de Richard Linklater estreou aqui no Brasil no final de outubro de 2014 e já estava quase saindo de cartaz. Contudo, graças às indicações ao Oscar, ganhou novo fôlego pra aguentar mais algumas semanas nas salas de cinema. Aqui em São Paulo, Boyhood está atualmente nas salas Cidade Jardim Cinemark, Cine Livraria Cultura 1, Eldorado Cinemark e Metrô Santa Cruz Cinemark. Como cinéfilo e frequentador dessas salas, recomendo o Cine Livraria Cultura, localizado no Conjunto Nacional na Avenida Paulista. Trata-se de uma sala grande, com poltronas grandes e confortáveis e um público que sabe respeitar uma projeção. Já as grandes redes como o Cinemark costumam tratar os filmes como meros produtos e seus frequentadores como meros pagadores.

Patricia Arquette com o pequeno Ellar Coltrane em cena de Boyhood: Da Infância à Juventude

Patricia Arquette com o pequeno Ellar Coltrane em cena de Boyhood: Da Infância à Juventude

Isso que eu acho bacana do Oscar, porque ele pode resgatar bons filmes do limbo e trazê-los de volta às salas de cinema. Aliás, poderiam passar O Grande Hotel Budapeste novamente, porque o filme de Wes Anderson merece uma projeção de qualidade para valorizar sua ótima fotografia e direção de arte. E gostaria que os distribuidores se esforçassem pra colocar alguns filmes em cartaz antes do Oscar como a animação japonesa O Conto da Princesa Kaguya, que é produzida pelo Studio Ghibli do homenageado com o Oscar Honorário desde ano, o mestre Hayao Miyazaki. Assim como o documentário Citizenfour sobre Edward Snowden, e claro, o novo filme de Mike Leigh, Sr. Turner, com 4 indicações.

Por outro lado, a ausência parcial ou total de indicações ao Oscar pode comprometer bastante a divulgação e lançamento de um filme aqui no Brasil. O novo longa de Paul Thomas Anderson, Vício Inerente, tinha tudo para estrear em janeiro, mas como conquistou apenas duas indicações (Roteiro Adaptado e Figurino), a distribuidora empurrou seu lançamento para final de março, ficando impossível de conferir o trabalho antes da cerimônia do Oscar, que acontece no dia 22 de fevereiro. Quer dizer, “impossível” de forma legal. Se você não se importar em fazer um download ou streaming, acredito que dá pra ver todos os indicados ao Oscar! Mas aí tem que se sujeitar às leis e muitas vezes às péssimas resoluções de imagem dos filmes.

Pra quem assina Netflix, vale a pena assistir à produção indicada a Melhor Documentário, Virunga. Trata-se de um ótimo filme que disseca a preservação dos últimos gorilas de montanhas que vivem no Parque Nacional de Virunga, num Congo em conflitos civis armados. É o segundo filme produzido pela Netflix a concorrer ao Oscar. Em 2014, The Square competiu na mesma categoria de Documentário.

Cena do documentário Virunga, sobre a proteção aos gorilas quase extintos do Congo (photo by outnow.ch)

Cena do documentário Virunga, sobre a proteção aos gorilas quase extintos do Congo (photo by outnow.ch)

DISPONÍVEIS EM BLU-RAY/DVD

Uma Aventura Lego (The Lego Movie)
1 indicação: Canção Original (“Everything is Awesome”)

Capitão América 2: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier)
1 indicação: Efeitos Visuais

Como Treinar o Seu Dragão 2 (How to Train Your Dragon 2)
1 indicação: Animação

O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel)
9 indicações: Filme, Diretor (Wes Anderson), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Direção de Arte, Figurino, Maquiagem e Trilha Musical Original.

Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy)
1 indicação: Maquiagem e Efeitos Visuais.

Malévola (Maleficent)
1 indicação: Figurino

Mesmo Se Nada Der Certo (Begin Again)
1 indicação: Canção Original (“Lost Stars”)

Planeta dos Macacos: O Confronto (Dawn of the Planet of the Apes)
1 indicação: Efeitos Visuais

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past)
1 indicação: Efeitos Visuais

Michael Fassbender em cena de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (photo by outnow.ch)

Michael Fassbender em cena de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (photo by outnow.ch)

DISPONÍVEL NO NETFLIX

Virunga
1 indicação: Documentário

FILMES EM CARTAZ NOS CINEMAS – com base na programação de São Paulo

O Abutre (Nightcrawler)
1 indicação: Roteiro Original

Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)
6 indicações: Filme, Diretor (Richard Linklater), Ator Coadjuvante (Ethan Hawke), Atriz Coadjuvante (Patricia Arquette), Roteiro Original, Montagem.

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (The Hobbit: The Battle of the Five Armies)
1 indicação: Efeitos Sonoros.

Ida (Ida)
2 indicações: Filme em Língua Estrangeira e Fotografia.

Interestelar (Interstellar)
5 indicações: Direção de Arte, Trilha Musical Original, Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais.

Invencível (Unbroken)
3 indicações: Fotografia, Som e Efeitos Sonoros.

Leviatã (Leviafan)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira.

Livre (Wild)
2 indicações: Atriz (Reese Whiterspoon) e Atriz Coadjuvante (Laura Dern).

Operação Big Hero (Big Hero 6)
1 indicação: Animação

Relatos Selvagens (Relatos Salvajes)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira.

Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash)
5 indicações: Filme, Ator Coadjuvante (J.K. Simmons), Roteiro Adaptado, Montagem e Som.

Miles Teller em ótima cena de Whiplash: Em Busca da Perfeição (photo by outnow.ch)

Miles Teller em ótima cena de Whiplash: Em Busca da Perfeição (photo by outnow.ch)

PREVISÃO DE ESTRÉIA – Datas previstas para São Paulo, que podem sofrer alterações de acordo com as distribuidoras

22/01: Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher)
5 indicações: Diretor (Bennett Miller), Ator (Steve Carell), Ator Coadjuvante (Mark Ruffalo), Roteiro Original e Maquiagem.

22/01: Timbuktu
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira

25/01: Selma
2 indicações: Filme e Canção Original.

29/01: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance)
9 indicações: Filme, Diretor (Alejandro González Iñárritu), Ator (Michael Keaton), Ator Coadjuvante (Edward Norton), Atriz Coadjuvante (Emma Stone), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Som e Efeitos Sonoros.

29/01: Caminhos da Floresta (Into the Woods)
3 indicações: Atriz Coadjuvante (Meryl Streep), Direção de Arte e Figurino.

29/01: O Jogo da Imitação (The Imitation Game)
8 indicações: Filme, Diretor (Morten Tyldum), Ator (Benedict Cumberbatch), Atriz Coadjuvante (Keira Knightley), Roteiro Adaptado, Montagem, Direção de Arte e Trilha Musical Original.

29/01: A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)
5 indicações: Filme, Ator (Eddie Redmayne), Atriz (Felicity Jones), Roteiro Adaptado e Trilha Musical Original.

05/02: Dois Dias, Uma Noite (Deux Jours, Une Nuit)
1 indicação: Atriz (Marion Cotillard)

19/02: Sniper Americano (American Sniper)
6 indicações: Filme, Ator (Bradley Cooper), Roteiro Adaptado, Montagem, Som e Efeitos Sonoros.

26/02: Para Sempre Alice (Still Alice)
1 indicação: Atriz (Julianne Moore)

12/03: O Sal da Terra (The Salt of the Earth)
1 indicação: Documentário

26/03: Vício Inerente (Inherent Vice)
2 indicações: Roteiro Adaptado e Figurino.

O casal Stephen e Jane Hawking (Eddie Redmayne e Felicity Jones) em A Teoria de Tudo (photo by outnow.ch)

O casal Stephen e Jane Hawking (Eddie Redmayne e Felicity Jones) em A Teoria de Tudo (photo by outnow.ch)

FORA DE CARTAZ E AGUARDANDO LANÇAMENTO EM BLU-RAY/DVD

Os Boxtrolls (The Boxtrolls)
1 indicação: Animação

Garota Exemplar (Gone Girl)
1 indicação: Atriz (Rosamund Pike)

O Juiz (The Judge)
1 indicação: Ator Coadjuvante (Robert Duvall)

Os Boxtrolls (The Boxtrolls), de

Os Boxtrolls (The Boxtrolls)

SEM PREVISÃO DE ESTRÉIA (*caham!* Mas pra isso existe a internet…)

Além das Luzes (Beyond the Lights)
1 indicação: Canção Original (“Grateful”)

Citizenfour
1 indicação: Documentário

O Conto da Princesa Kaguya (Kaguyahime no Monogatari)
1 indicação: Animação

A Fotografia Oculta de Vivian Maier (Finding Vivian Maier)
1 indicação: Documentário

Glen Campbell: I’ll Be Me
1 indicação: Canção Original (“I’m Not Gonna Miss You”)

Last Days in Vietnam
1 indicação: Documentário

Song of the Sea
1 indicação: Animação

Sr. Turner (Mr. Turner)
4 indicações: Fotografia, Direção de Arte, Figurino e Trilha Musical Original.

Tangerines (Mandariinid)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira.

Minnie Driver com a novata Gugu em Além das Luzes (photo by cine.gr)

Minnie Driver com a novata Gugu Mbatha-Raw em Além das Luzes (photo by cine.gr)

A cerimônia do 87º Oscar será no dia 22 de fevereiro, e será transmitida pelo canal pago TNT.

‘Capitão Phillips’ conquista o Eddie Awards e pode ter garantido seu único Oscar

Tom Hanks e Barkhad Abdi no bote claustrofóbico de Capitão Phillips (photo by outnow.ch)

Tom Hanks e Barkhad Abdi no bote claustrofóbico de Capitão Phillips (photo by outnow.ch)

Com as ausências de Tom Hanks e seu diretor, Paul Greengrass, entre os indicados ao Oscar, as chances de Capitão Phillips tiveram queda expressiva, mesmo que tenha sido indicado a Melhor Filme. Contudo, na semana passada, o filme conquistou o prêmio de roteiro adaptado (WGA), e agora, o de montagem – drama no ACE – Eddie Awards, reconhecimento de extrema importância concedido pelo sindicato de montadores.

Excetuando o ano de 2012, quando a montagem de Kirk Baxter e Angus Wall (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres) bateu o vencedor do Eddie, Kevin Tent (Os Descendentes), o Oscar de montagem coincide desde 2002. Então nessa lógica, Capitão Phillips pode ter garantido seu único Oscar da noite para seu montador Christopher Rouse, uma vez que o WGA não contava com um dos favoritos: John Ridley (12 Anos de Escravidão).

Christopher Rouse recebe o Eddie de Leonardo DiCaprio (photo by)

Christopher Rouse recebe o Eddie de Leonardo DiCaprio (photo by deadline.com)

Colaborador assíduo de Paul Greengrass, Christopher Rouse está em sua 3ª indicação ao Oscar e já ganhou um pelo ótimo trabalho em O Ultimato Bourne (2007). Trata-se de um dos melhores montadores da atualidade, pois consegue criar tensão através de cortes rápidos, aliando-se ao material bruto de Greengrass repleto de “câmeras nervosas”. Em Capitão Phillips, assim que a abordagem dos piratas somalianos têm início, os cortes rápidos acompanham as ações desesperadas dos tripulantes a fim de evitar uma catástrofe até a cena final em que o conflito se resolve. Rouse não deixa o espectador respirar, fazendo com que o público sinta a mesma tensão que os personagens estão passando. A seqüência no bote é claustrofóbica e interminável, no bom sentido.

O prêmio do Sindicato de Montadores, o famoso Eddie (de Editors) - photo by goldderby.com

MELHOR MONTAGEM – DRAMA

– Joe Walker (12 Anos de Escravidão)
• Christopher Rouse (Capitão Phillips)
– Alfonso Cuarón, Mark Sanger (Gravidade)
– Eric Zumbrunnen, Jeff Buchanan (Ela)
– Mark Livolsi (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)

Jennifer Lawrence em seu momento 'Live and Let Die' (photo by elfilm.com)

Jennifer Lawrence em seu momento ‘Live and Let Die’ (photo by elfilm.com)

Já na categoria de Comédia ou Musical, a dupla Jay Cassidy e Crispin Struthers (aliados a Alan Baumgarten) voltou a ganhar o mesmo prêmio do ano passado por O Lado Bom da Vida. Mérito também do roteiro do diretor David O. Russell, que possibilita a montagem quebra-cabeça policial, que destaca o plano genial do protagonista. Além disso, vale destacar também algumas seqüências musicadas por “Goodbye Yellow Brickroad” de Elton John, “How Can You Mend a Broken Heart” dos Bee Gees, e especialmente “Live and Let Die” de Paul McCartney, em que Rosalyn, personagem de Jennifer Lawrence, interage com a música do ex-beatle enquanto limpa a casa.

O trio Crispin Struthers, Jay Cassidy e Alam Baumgraten recebem o Eddie (photo by zimbio/getty images)

Da esquerda para direita: O trio Crispin Struthers, Jay Cassidy e Alam Baumgarten recebem o Eddie (photo by zimbio/getty images)

MELHOR MONTAGEM – COMÉDIA OU MUSICAL

• Jay Cassidy, Crispin Struthers, Alan Baumgarten (Trapaça)
– Stephen Mirrione (Álbum de Família)
– Ethan Coen, Joel Coen (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
– Kevin Tent (Nebraska)
– Thelma Schoonmaker (O Lobo de Wall Street)

Sonho de neve: O boneco Olaf em cena de Frozen: Uma Aventura Congelante (photo by elfilm.com)

Sonho de neve: O boneco Olaf em cena de Frozen: Uma Aventura Congelante (photo by elfilm.com)

Entre as animações, Frozen: Uma Aventura Congelante continua sua coleta de prêmios após o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards. A animação feita pela Disney (não confundir com Pixar) está quase atingindo a marca de 400 milhões de dólares em sua 11ª semana de exibição só nos EUA. Esses números encorajam os executivos a não ficarem tão dependentes das produções da Pixar.

Na categoria documentário, A Um Passo do Estrelato explora o universo dos backup singers que, embora fiquem atrás dos holofotes, são responsáveis pela harmonia de inúmeras bandas. Esse prêmio traz ainda mais equilíbrio à categoria no Oscar, pois The Square ganhou o DGA, enquanto O Ato de Matar, o European Film Awards.

MELHOR MONTAGEM – ANIMAÇÃO

– Gregory Perler (Meu Malvado Favorito 2)
• Jeff Draheim (Frozen: Uma Aventura Congelante)
– Greg Snyder (Universidade Monstros)

MELHOR MONTAGEM – DOCUMENTÁRIO

• Douglas Blush, Kevin Klauber, Jason Zeldes (A Um Passo do Estrelato)
– Eli B. Despres (Blackfish: Fúria Animal)
– Patrick Sheffield (Tim’s Vermeer)

A 86ª cerimônia do Oscar acontece no dia 02 de março e será transmitido pela TNT.

Cena de A Um Passo do Estrelato (photo by outnow.com)

Cena do documentário A Um Passo do Estrelato (photo by outnow.com)

Onde e Quando acompanhar os Indicados ao Oscar 2014

O ator Chris Hemsworth e a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaac, divulgam as indicadas a Melhor Atriz (photo by cnikky.com)

O ator Chris Hemsworth e a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaac, divulgam as indicadas a Melhor Atriz (photo by cnikky.com)

COM A CERIMÔNIA DO OSCAR 2014 SÓ NO DIA 02 DE MARÇO, A MAIORIA DOS INDICADOS JÁ ESTARÁ DISPONÍVEL EM BREVE PARA O PÚBLICO

Num mundo ideal, o público poderia conferir TODOS os indicados antes da cerimônia do Oscar. Sim, incluindo os curtas, documentários e filmes estrangeiros. Mas na realidade, se apenas os indicados a Melhor Filme estrearem antes (nem que seja na sexta-feira que antecede o evento), o público brasileiro já teria que se dar como satisfeito. Todo ano, eu estipulo como meta pelo menos assistir a todos os indicados a Melhor Filme, mas nem sempre foi possível como aconteceu em 2010, quando o drama Um Sonho Possível estreou mais de uma semana depois do Oscar de Melhor Atriz ter sido concedido a Sandra Bullock.

Este ano, como a cerimônia só será no dia 02 de Março devido às Olimpíadas de Inverno na Rússia, as distribuidoras daqui estão concentrando os maiores lançamentos da temporada para o mês de fevereiro. Contudo, poderiam fazer um esforço para lançar 12 Anos de Escravidão antes do dia 28 de fevereiro, né? Poxa, assistir ao favorito ao Oscar no fim de semana da cerimônia? Caso não haja empecilhos legais, acho uma baita sacanagem com o público. Claro que, pelo menos aqui em São Paulo, existem as pré-estréias. Nesta semana, já estão rolando algumas de filmes indicados ao Oscar como Trapaça e Philomena. Não é o ideal, mas já é um quebra-galho.

Vale ressaltar aqui que, devido à péssima campanha de Até o Fim e Walt nos Bastidores de Mary Poppins no Oscar, suas datas de estréia foram adiadas para só depois da cerimônia, como uma espécie de protesto das distribuidoras pela indicação única para cada filme: Efeitos Sonoros e Trilha Musical Original, respectivamente. Enquanto existia uma esperança de que Robert Redford fosse indicado como Melhor Ator pelo primeiro, esperavam que Emma Thompson e Tom Hanks pudessem conquistar indicações como Atriz e Ator Coadjuvante a fim de alavancar as bilheterias, mas a Academia praticamente descartou ambas as produções.

Este ano, pela primeira vez, estou colocando a situação “Disponível no Netflix” (não, não estou ganhando um mísero centavo pra divulgar. Droga!). Pra quem não conhece, o Netflix é o futuro da locadora. Se aquela locadora que você amava fechou (como é o meu caso), recorra ao Netflix! Ao assinar (se não me engano o valor da assinatura é de R$16,90), vc tem acesso livre a vários títulos através de streaming, inclusive de séries de TV antiga e recente. Claro que ainda carece de mais produções recentes em seu acervo, mas segundo usuários, já houve uma melhora significativa de um ano pra cá. Acho uma ótima opção para quem não quer ficar refém da programação da TV à cabo. Só fiquem atentos para adesão através de cartão de crédito, pois já tive amigos que tiveram problema com clonagem de cartão! (Agora que não vou ganhar nada da Netflix!).

A Netflix está disponibilizando o documentário The Square, ainda inédito nas telas brasileiras. Trata-se da primeira produção a ser distribuída pela Netflix a concorrer ao Oscar. A empresa já ganhou o Globo de Ouro e o Emmy através da série House of Cards, e tem sido reconhecida pelas séries Orange is the New Black e Arrested Development. É mera questão de tempo para que a Netflix se expanda, conquiste o mercado e modifique radicalmente os meios de comunicação como a TV. Confira o acervo completo no site: http://www.netflix.com

Netflix (brasilblog.netflix.com)

Netflix (brasilblog.netflix.com)

DISPONÍVEIS EM BLU-RAY/DVD

Além da Escuridão: Star Trek (Star Trek Into Darkness)
1 indicação: Efeitos Visuais

Antes da Meia-Noite (Before Midnight)
1 indicação: Roteiro Adaptado

Blue Jasmine (Blue Jasmine)
3 indicações: Atriz (Cate Blanchett), Atriz Coadjuvante (Sally Hawkins) e Roteiro Original

A Caça (Jagten)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira

O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger)
2 indicações: Maquiagem e Efeitos Visuais

Os Croods (The Croods)
1 indicação: Animação

O Grande Gatsby (The Great Gatsby)
2 indicações: Direção de Arte e Figurino

Homem de Ferro 3 (Iron Man 3)
1 indicação: Efeitos Visuais

Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2)
2 indicações: Canção Original (“Happy”) e Animação

A animação Meu Malvado Favorito 2 desbancou Universidade Monstros, da Pixar (photo by outnow.ch)

A animação Meu Malvado Favorito 2 desbancou Universidade Monstros, da Pixar (photo by outnow.ch)

DISPONÍVEL NO NETFLIX

Antes da Meia-Noite (Before Midnight)
1 indicação: Roteiro Adaptado

Os Croods (The Croods)
1 indicação: Animação

The Square
1 indicação: Documentário

Direto do Netflix, o documentário The Square (photo by emptykingdom.com)

Direto do Netflix, o documentário The Square (photo by emptykingdom.com)

FILMES EM CARTAZ NOS CINEMAS – com base na programação de São Paulo

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave)
9 indicações: Filme, Diretor, Ator (Chiwetel Ejiofor), Ator Coadjuvante (Michael Fassbender), Atriz Coadjuvante (Lupita Nyong’o), Roteiro Adaptado, Montagem, Direção de Arte e Figurino

Alabama Monroe (The Broken Circle Breakdown)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira

Álbum de Família (August: Osage County)
2 indicações: Atriz (Meryl Streep) e Atriz Coadjuvante (Julia Roberts)

Capitão Phillips (Captain Phillips)
6 indicações: Filme, Ator Coadjuvante (Barkhad Abdi), Roteiro Adaptado, Montagem, Som e Efeitos Sonoros

Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club)
6 indicações: Filme, Ator (Matthew McConaughey), Ator Coadjuvante (Jared Leto), Roteiro Original, Montagem e Maquiagem

Ela (Her)
5 indicações: Filme, Roteiro Original, Direção de Arte, Trilha Musical Original e Canção Original (“The Moon Song”)

Frozen: Uma Aventura Congelante (Frozen)
2 indicações: Canção Original (“Let it go”) e Animação

A Grande Beleza (La Grande Bellezza)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira

Gravidade (Gravity)
10 indicações: Filme, Diretor, Atriz (Sandra Bullock), Fotografia, Montagem, Direção de Arte, Trilha Musical Original, Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais

O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug)
3 indicações: Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais

A Imagem que Falta (L’Image Manquante)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis)
2 indicações: Fotografia e Som

O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)
5 indicações: Filme, Diretor, Ator (Leonardo DiCaprio), Ator Coadjuvante (Jonah Hill) e Roteiro Adaptado

A Menina que Roubava Livros (The Book Thief)
1 indicação: Trilha Musical Original

Nebraska
6 indicações: Filme, Diretor, Ator (Bruce Dern), Atriz Coadjuvante (June Squibb), Roteiro Original e Fotografia

Philomena
4 indicações: Filme, Atriz (Judi Dench), Roteiro Adaptado e Trilha Musical Original

Trapaça (American Hustle)
10 indicações: Filme, Diretor, Ator (Christian Bale), Atriz (Amy Adams), Ator Coadjuvante (Bradley Cooper), Atriz Coadjuvante (Jennifer Lawrence), Roteiro Adaptado, Montagem, Direção de Arte e Figurino

Vidas ao Vento (Kaze Tachinu)
1 indicação: Animação

Leonardo DiCaprio volta a ser indicado ao Oscar com a ajuda de Martin Scorsese em O Lobo de Wall Street (photo by outnow.ch)

Leonardo DiCaprio volta a ser indicado ao Oscar com a ajuda de Martin Scorsese em O Lobo de Wall Street (photo by outnow.ch)

PREVISÃO DE ESTRÉIA – Datas previstas para São Paulo, que podem sofrer alterações de acordo com as distribuidoras

07/03: Até o Fim (All is Lost)
1 indicação: Efeitos Sonoros

07/03: Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks)
1 indicação: Trilha Musical Original

Indicado a apenas Efeitos Sonoros, Até o Fim ficou pra depois do Oscar (photo by outnow.ch)

Indicado a apenas Efeitos Sonoros, Até o Fim ficou pra depois do Oscar (photo by outnow.ch)

FORA DE CARTAZ E AGUARDANDO LANÇAMENTO EM BLU-RAY/DVD

Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha (Jackass Presents: Bad Grandpa)
1 indicação: Maquiagem

Os Suspeitos (Prisoners)
1 indicação: Fotografia

Keller Dover (Hugh Jackman) enquadra Alex Jones (Paul Dano) em Os Suspeitos (photo by www.outnow.ch)

Cena de Os Suspeitos: 1 única indicação para ótima Fotografia de Roger Deakins (photo by http://www.outnow.ch)

SEM PREVISÃO DE ESTRÉIA (*caham!* Mas pra isso existe a internet…)

A Um Passo do Estrelato (20 Feet from Stardom)
1 indicação: Documentário

O Ato de Matar (The Act of Killing)
1 indicação: Documentário

Cutie and the Boxer
1 indicação: Documentário

Ernest & Celestine (Ernest et Celéstine)
1 indicação: Animação

O Grande Herói (Lone Survivor)
2 indicações: Som e Efeitos Sonoros

O Grande Mestre (Yi Dai Zong Shi)
2 indicações: Fotografia e Figurino

Guerras Sujas (Dirty Wars)
1 indicação: Documentário

The Invisible Woman
1 indicação: Figurino

Mandela: Long Walk to Freedom
1 indicação: Canção Original (“Ordinary Love”)

Omar
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira

Cena de Ernest & Celestine, indicado ao Oscar de Animação (photo by outnow.ch)

Cena de Ernest & Celestine, indicado ao Oscar de Animação (photo by outnow.ch)

Alfonso Cuarón vence o DGA e fortalece chances de ‘Gravidade’

Alfonso Cuarón recebe o DGA das mãos do vencedor de 2013, Ben Affleck, tornando-se o primeiro hispânico a ganhar o DGA (photo by zimbio.com)

Alfonso Cuarón recebe o DGA das mãos do vencedor de 2013, Ben Affleck, tornando-se o primeiro hispânico a ganhar o DGA (photo by zimbio.com)

COM VITÓRIA NO DGA, GRAVIDADE ENTRA DE VEZ NA COMPETIÇÃO DO OSCAR DE MELHOR FILME

Para quem está acompanhando a corrida para o Oscar 2014, percebe que a briga para o prêmio de Melhor Filme está cada vez mais acirrada. Nas últimas semanas, Trapaça venceu o SAG de Melhor Elenco e conquistou o Globo de Ouro de Melhor Filme – Comédia ou Musical. Já 12 Anos de Escravidão e Gravidade empataram como Melhor Filme no PGA, sendo que o primeiro também venceu o Critics’ Choice Awards e o Globo de Ouro de Melhor Filme – Drama.

Com a vitória do mexicano Alfonso Cuarón no Directors Guild (DGA), Gravidade tem suas chances elevadas consideravelmente, pois em 65 anos de DGA, apenas 7 diretores não repetiram a façanha no Oscar, e no mesmo período, apenas 13 diretores não tiveram seus filmes vencedores do Oscar de Melhor Filme. Já nos 85 anos do Oscar, houve 23 ocasiões.

Cuarón se tornou o primeiro diretor hispânico a ganhar o DGA, o que reforça uma certa tendência de diretores estrangeiros. Só para constar, nos últimos anos, Ang Lee (Taiwan), Michel Hazanavicius (França) e Tom Hooper (Inglaterra) ganharam o Oscar. O maior concorrente de Alfonso Cuarón era Steve McQueen (Inglaterra), que poderia se tornar o primeiro diretor negro a ganhar o DGA. As chances de Cuarón se mantêm altas no Oscar também, uma vez que os concorrentes são praticamente os mesmos, excetuando Alexander Payne (Nebraska), que tomou a vaga de Paul Greengrass (Capitão Phillips).

Enquanto o primeiro teve de inventar a tecnologia necessária para filmar as cenas espaciais juntamente com seu diretor de fotografia Emmanuel Lubezki e o supervisor de efeitos digitais Tim Webber, o segundo enfrentou um desafio típico de maratonas telvisivas: filmou 12 Anos de Escravidão em 35 dias com apenas uma câmera. Vale ressaltar aqui também que Gravidade representa o sucesso de público (mais de 600 milhões de dólares) e 12 Anos de Escravidão representa a unanimidade da crítica.

Alfonso Cuarón dirige cena com Sandra Bullock (photo by www.thehollywoodreporter.com)

Alfonso Cuarón (centro) dirige cena com Sandra Bullock (photo by http://www.thehollywoodreporter.com)

É um duelo tão interessante e extremamente competitivo que pode favorecer um terceiro filme na briga, no caso, Trapaça, um filme bem escrito e muito bem dirigido por David O. Russell, que encaminhou mais uma vez seus atores para as quatro categorias de atuação: Christian Bale (Ator), Amy Adams (Atriz), Bradley Cooper (Ator Coadjuvante) e Jennifer Lawrence (Atriz Coadjuvante). Ele já havia conseguido essa proeza com seu filme anterior, O Lado Bom da Vida. Na História do Oscar, esta é apenas a 15ª vez que as quatro categorias são preenchidas pelo mesmo filme, sendo Reds (1981) e Rede de Intrigas (1976) exemplos mais recentes.

Os indicados ao DGA este ano, da esquerda para a direita: (photo by thehollywoodreporter.com)

Os indicados ao DGA este ano, da esquerda para a direita: Alfonso Cuarón, Steve McQueen, Martin Scorsese, David O. Russell e Paul Greengrass (photo by thehollywoodreporter.com)

Já na categoria de direção para Documentários, a vitória da egípcia Jehane Noujaim por The Square foi uma surpresa, já que bateu o favorito Joshua Oppenheimer (O Ato de Matar), que também concorre ao Oscar. Trata-se da primeira grande vitória em Cinema para o Netflix. Na TV, já ganhou o Emmy e o Globo de Ouro pela série House of Cards. A diretora Jehane Noujaim já havia ganhado o DGA em 2001 pelo documentário Startup.com (com Chris Hegedus) e foi indicada anteriormente por Control Room em 2004.

A diretora egípcia Jehane Noujaim (photo by Matt Furman)

A diretora egípcia Jehane Noujaim (photo by Matt Furman)

Na categoria Direção para Minisséries ou Filmes para TV, Steven Soderbergh subiu ao palco por Minha Vida com Liberace (Behind the Candelabra), que já havia vencido o Globo de Ouro e o Emmy. Emocionado, ele também recebeu o prêmio especial Robert B. Aldrich, concedido pelo reconhecimento pelo extraordinário serviço ao Directors Guild of America e seus membros.

O presidente do DGA, Paris Barclay agradeceu Soderbergh por sua devoção ao sindicato, especialmente seu trabalho em proteger e extender os direitos criativos dos diretores, algo extremamente importante nos dias atuais em que produtores mandam mais do que o diretores, gerando filmes nitidamente feitos para arrecadar dinheiro. Soderbergh foi presidente do DGA por nove anos, e foi indicado duas vezes em 2000 por Traffic e Erin Brockovich: Uma Mulher de Talento.

Steven Soderbergh dirige Michael Douglas em cena de Minha Vida com Liberace (photo by cineplex.com)

Steven Soderbergh dirige Michael Douglas em cena de Minha Vida com Liberace (photo by cineplex.com)

Confira todos os vencedores desta edição:

Feature Film: Alfonso Cuarón (Gravidade)
Documentary Feature: Jehane Noujaim (The Square)
Dramatic Series: Vince Gilligan (Breaking Bad – episódio: Felina)
Comedy Series: Beth McCarthy-Miller (30 Rock – episódio: Hogcock!/Last Lunch)
Movie for Television or Mini-Series: Steven Soderbergh (Minha Vida com Liberace)
Variety/Talk/News/Sports – Series: Don Roy King (Saturday Night Live – with the host Justin Timberlake)
Variety/Talk/News/Sports – Specials: Glenn Weiss (The 67th Annual Tony Awards)
Reality Programs: Neil P. DeGroot (72 Hours – episódio: The Lost Coast)
Children’s Program: Amy Schatz (An Apology to Elephants)
Commercial: Martin de Thurah (Epoch Films)

Robert B. Aldrich Award: Steven Soderbergh
DGA Diversity Award: Shonda Rhimes e Betsy Beers
Frank Capra Achievement Award: Lee Blaine
Franklin J. Schaffner Achievement Award: Vincent DeDario

‘Gravidade’ e ‘Trapaça’ lideram as indicações ao Oscar 2014

the-oscars

COM TODAS AS CATEGORIAS BEM PREENCHIDAS, HOUVE POUCO ESPAÇO PARA SURPRESAS, SEJAM AGRADÁVEIS OU INDESEJÁVEIS

OK. Depois de vários anos convidando atrizes para anunciar as indicações ao Oscar, as indicadas finalmente tiveram o prazer de terem seus nomes pronunciados pelo sotaque australiano de Chris Hemsworth. E pelo visto, o tom mais cômico e informal do ano passado criado pela dupla Seth MacFarlane e Emma Stone não deve ter agradado a todos. A presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, retoma a presença da comissão oficial ao palanque. E a ordem alfabética dos indicados foi reestabelecida.

NÚMEROS DO OSCAR 2014

Os grandes recordistas de indicações este ano são Gravidade e Trapaça com 10 indicações. Logo atrás, 12 Anos de Escravidão vem com 9 indicações. Os três estão competindo nas principais categorias, entre elas: Melhor Filme e Diretor.

Nos últimos anos, o recorde de indicações no ano não tem significado garantia de Oscar de Melhor Filme. No ano passado, por exemplo, Lincoln teve 12 indicações e acabou chupando os dedos com apenas dois Oscars, enquanto Argo se tornou Melhor Filme com 7 indicações.

Com 6 indicações, temos Nebraska e Capitão Phillips. Com 5: O Lobo de Wall Street, Ela e Clube de Compras Dallas, seguidos por Philomena com 4.

SURPRESAS OU PEQUENAS ALTERAÇÕES NOS INDICADOS?

Apesar deste ano haver pouca chance para surpresas pelo elevada quantidade de competidores de alto nível, algumas trocas chegaram a surpreender. Contrariando o mais parelho de todos os prêmios, o DGA, Alexander Payne (Nebraska) substituiu Paul Greengrass (Capitão Phillips), denotando um prestígio colossal de Payne em Hollywood. Esta é sua 3ª indicação como diretor (foi indicado por Sideways e Os Descendentes), e já ganhou 2 vezes como roteirista (Sideways e Os Descendentes). Nebraska totaliza seis indicações e pode render o Oscar para o veterano Bruce Dern.

À direita, Alexander Payne dirige o veterano Bruce Dern em set de Nebraska. Ele conseguiu sua 3ª indicação como diretor (photo by www.collider.com)

À direita, Alexander Payne dirige o veterano Bruce Dern em set de Nebraska. Ele conseguiu sua 3ª indicação como diretor (photo by http://www.collider.com)

Aliás, em sua categoria de Mehor Ator, Tom Hanks (Capitão Phillips) foi cortado de última hora. Embora não tenha vencido nenhum prêmio expressivo por essa atuação, ele vinha figurando em quase todas as listas dos melhores de 2013. Hanks também fica de fora da categoria de coadjuvante pelo filme Walt nos Bastidores de Mary Poppins. Recém-vitorioso no Globo de Ouro, Leonardo DiCaprio conseguiu sua 4ª indicação após ser ignorado pela Academia no ano passado por Django Livre.

Havia um certo hype para indicarem o galã veterano Robert Redford por Até o Fim, mas não se concretizou. Apesar de ser conhecido como ator, ele ganhou seu único Oscar como diretor em 1981 pelo drama Gente Como a Gente. Até o Fim (All is Lost) venceu o Globo de Ouro de Melhor Triha Musical, mas teve que se contentar com a única indicação para Melhores Efeitos Sonoros.

Já na ala feminina, a vencedora do Globo de Ouro, Amy Adams (Trapaça) finalmente obteve sua primeira indicação como Melhor Atriz. Suas quatro indicações anteriores foram sempre como Atriz Coadjuvante. Num ano em que teve três trabalhos em destaque (além de Trapaça, houve Ela e O Homem de Aço), sua indicação comprova essa extrema ascensão em Hollywood. Ela não é bem do tipo que se transforma fisicamente e sequer usa maquiagem para ficar mais feia (sim, ela sempre tem esse rostinho lindo de patricinha), mas ela sabe encarnar bem personagens bem distintos. Já foi garçonete, princesa, cozinheira e freira. Podia talvez ter modificado um pouco sua aparência para O Mestre, mas ela consegue entregar uma performance diferente num papel ameaçador que merecia mais tempo no filme de Paul Thomas Anderson.

Amy Adams em personagem no filme Trapaça. 1ª indicação como atriz principal (photo by www.collider.com)

Amy Adams em personagem no filme Trapaça. 1ª indicação como atriz principal (photo by http://www.collider.com)

E temos mais um novo recorde para Meryl Streep. 18ª indicação ao Oscar! Apesar de ter vencido há 2 anos por A Dama de Ferro, Meryl é sempre uma forte candidata mesmo quando sua personagem em Álbum de Família é grossa e amarga. Ela perdeu o Globo de Ouro para Amy Adams, mas consegue a vaga que poderia ter sido da britânica Emma Thompson (por Walt nos Bastidores de Mary Poppins). Aliás, o filme sobre a autora e criadora de Mary Poppins só não ficou totalmente de fora do Oscar 2014, porque a trilha musical de Thomas Newman salvou o filme do esquecimento.

Continuando nos atores, vale destacar a segunda indicação para o jovem Jonah Hill por O Lobo de Wall Street. Ele havia sido indicado anteriormente por O Homem que Mudou o Jogo na mesma categoria. Seu reconhecimento comprova o prestígio que Scorsese tem na direção de atores, pois se dependesse do currículo de comédias, dificilmente Hill teria chances no Oscar. Particularmente, adoro Jonah Hill em Superbad – É Hoje (2007), e me surpreendi com o amadurecimento do ator em tão pouco tempo. Sem 2012 ele tirou Albert Brooks da categoria, este ano ele tirou a boa atuação de Daniel Brühl (Rush: No Limite da Emoção), que vinha aparecendo em todas as listas de coadjuvante.

Jonah Hill conquista sua segunda indicação com apenas 30 anos (photo by movies.yahoo.com)

Jonah Hill conquista sua segunda indicação com apenas 30 anos (photo by movies.yahoo.com)

Entre as mulheres, havia uma forte pressão para que a Academia indicasse a estrela maior da TV americana, Oprah Winfrey por O Mordomo da Casa Branca, pois ela traria peso ao tapete vermelho do Oscar. Felizmente, os membros votantes não se intimidaram com a figura de Oprah e indicaram a britânica Sally Hawkins, por uma performance e personagens mais consistentes em Blue Jasmine.

Minha maior alegria foi ver duas produções estrangeiras concorrendo no Oscar de Melhor Animação: o japonês Vidas ao Vento, de Hayao Miyazaki, e o francês Ernest & Celestine, de Benjamin Renner e Didier Brunner, comprovando a força da escola francesa de animação. Apesar de admirar os filmes da Pixar, acho que ultimamente eles não têm acertado na escolha dos projetos. Fazer sequências nem sempre é o melhor negócio. Universidade Monstros não concorre ao Oscar. Não sei se a vitória será de um dos estrangeiros, mas se tiver de ser americana, torço por Os Croods.

Ernest & Celestine (França) e Vidas ao Vento (Japão) fazem uma mini briga de filme estrangeiro na categoria de Animação pela primeira vez (www.cartoonbrew.com)

Ernest & Celestine (França) e Vidas ao Vento (Japão) fazem uma mini briga de filme estrangeiro na categoria de Animação pela primeira vez (www.cartoonbrew.com)

O musical dos irmãos Coen, Inside Llewyn Davis, teve de se contentar com as indicações para Melhor Fotografia para Bruno Delbonnel e Melhor Som. Esperava-se que haveria pelo menos uma indicação para Melhor Canção Original, mas também ficou de fora. O filme teve boa aceitação da crítica, mas o público não abraçou o novo filme dos Coen. Em 2011, Bravura Indômita concorreu em 10 categorias, mas não ganhou nada.

Já a inclusão da comédia Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha na categoria Maquiagem foi uma surpresa. Tudo bem que já haviam indicado Norbit na mesma categoria alguns anos atrás, mas o tipo de humor pornográfico e escatológico dificilmente adentra as categorias do Oscar. Com certeza, a hostess Ellen DeGeneres fará alguma piada em cima disso…

À direita, Johnny Knoxville transformado no vovô politicamente incorreto de Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha (photo by www.geeksofdoom.com)

À direita, Johnny Knoxville transformado no vovô politicamente incorreto de Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha (photo by http://www.geeksofdoom.com)

Se o Oscar pode indicar um filme desses, por que não perdoar e acolher o fracasso comercial O Cavaleiro Solitário? Repleto de altas expectativas, o filme estreou no verão americano, mas não obteve boa resposta nas bilhererias. A Academia deu uma nova chance ao filme de Gore Verbinski arrecadar dinheiro, reconhecendo-o nas categorias de Maquiagem e Efeitos Visuais. Aliás, ele roubou a vaga dos efeitos digitais dos ótimos monstros de Círculo de Fogo.

Gostei também da indicação para William Butler e Owen Pallett para Trilha Musical Original por Ela. Trata-se de um importante reconhecimento para a música e a canção “The Moon Song” do mesmo filme. Essa aliança, que se repete depois de Onde Vivem os Monstros, reforça o prestígio que o diretor Spike Jonze tem com os artistas musicais Karen O e a banda Arcade Fire.

Na categoria de Filme Estrangeiro, na ausência do francês Azul é a Cor Mais Quente (desqualificado pelas regras da Academia), a briga deve ficar acirrada entre o dinamarquês A Caça e o italiano A Grande Beleza, que venceu o Globo de Ouro no último domingo. Contudo, o representante belga The Broken Circle Breakdown pode surpreender em caso de empate de votos. A indicação de The Missing Picture entra para a História como a primeira do Camboja. O filme ganhou o prêmio Un Certain Regard em Cannes em 2013.

Toni Servillo em cena de A Grande Beleza (photo by www.outnow.ch)

Toni Servillo em cena de A Grande Beleza (photo by http://www.outnow.ch)

A grande surpresa aqui é a exclusão de O Grande Mestre, de Wong Kar-Wai (Hong Kong), mesmo tendo conquistado indicações nas categorias técnicas de Fotografia e Figurino. É uma pena que Kar-Wai não tenha sido indicado, pois seria uma oportunidade rara de reconhecer um dos cineastas mais ousados das últimas duas décadas. Em sua filmografia, constam títulos como Amores Expressos, Feliz Juntos, Amor à Flor da Pele e 2046 – Os Segredos do Amor.

Tudo bem que a fotografia e o figurino são os campos em destaque de O Grande Mestre, mas e a indicação para Filme Estrangeiro? (photo by themovieblog.com)

Tudo bem que a fotografia e o figurino são os campos em destaque de O Grande Mestre, mas e a indicação para Filme Estrangeiro? (photo by themovieblog.com)

Na categoria de Documentário, a ausência de Histórias que Contamos (Stories We Tell), de Sarah Polley, foi a mais surpreendente, afinal venceu três grandes prêmios da crítica americana: National Board of Review, Los Angeles Film Critics Association e New York Film Critics Circle. Se alguém souber de um motivo oficial, por favor comente abaixo! O prêmio deve ficar entre O Ato de Matar e A Um Passo do Estrelato.

Pra quem perdeu ao vivo, confira o vídeo do anúncio dos indicados:

MELHOR FILME
Trapaça (American Hustle)
Capitão Phillips (Captain Phillips)
Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club)
Gravidade (Gravity)
Ela (Her)
Nebraska
Philomena
12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave)
O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)

MELHOR DIRETOR
Alfonso Cuarón (Gravidade)
Steve McQueen (12 Anos de Escravidão)
Alexander Payne (Nebraska)
David O. Russell (Trapaça)
Martin Scorsese (O Lobo de Wall Street)

MELHOR ATOR
Christian Bale (Trapaça)
Bruce Dern (Nebraska)
Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)
Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão)
Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas)

MELHOR ATRIZ
Amy Adams (Trapaça)
Cate Blanchett (Blue Jasmine)
Sandra Bullock (Gravidade)
Judi Dench (Philomena)
Meryl Streep (Álbum de Família)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
Bradley Cooper (Trapaça)
Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)
Jonah Hill (O Lobo de Wall Street)
Jared Leto (Clube de Compras Dallas)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Sally Hawkins (Bue Jasmine)
Jennifer Lawrence (Trapaça)
Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão)
Julia Roberts (Álbum de Família)
June Squibb (Nebraska)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Eric Warren Singer, David O. Russell (Trapaça)
Woody Allen (Blue Jasmine)
Craig Borten, Melisa Wallack (Clube de Compras Dallas)
Spike Jonze (Ela)
Bob Nelson (Nebraska)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Richard Linklater, Julie Delpy, Ethan Hawke (Antes da Meia-Noite)
Billy Ray (Capitão Phillips)
Steve Coogan, Jeff Pope (Philomena)
John Ridley (12 Anos de Escravidão)
Terence Winter (O Lobo de Wall Street)

MELHOR FOTOGRAFIA
Philippe Le Sourd (O Grande Mestre)
Emmanuel Lubezki (Gravidade)
Bruno Delbonnel (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
Phedon Papamichael (Nebraska)
Roger Deakins (Os Suspeitos)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Judy Becker, Heather Loeffler (Trapaça)
Andy Nicholson, Rosie Goodwin (Gravidade)
Catherine Martin, Beverley Dunn (O Grande Gatsby)
K.K. Barrett, Gene Serdena (Ela)
Adam Stockhausen, Alice Baker (12 Anos de Escravidão)

MELHOR MONTAGEM
Alan Baumgarten, Jay Cassidy, Crispin Struthers (Trapaça)
Christopher Rouse (Capitão Phillips)
John Mac McMurphy, Martin Pensa (Clube de Compras Dallas)
Alfonso Cuarón, Mark Sanger (Gravidade)
Joe Walker (12 Anos de Escravidão)

MELHOR FIGURINO
Michael Wilkinson (Trapaça)
William Chang Suk Ping (O Grande Mestre)
Catherine Martin (O Grande Gatsby)
Michael O’Connor (The Invisible Woman)
Patricia Norris (12 Anos de Escravidão)

MELHOR MAQUIAGEM
Adruitha Lee, Robin Mathews (Clube de Compras Dallas)
Steve Prouty (Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha)
Joel Harlow, Gloria Pasqua Casny (O Cavaleiro Solitário)

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
John Williams (A Menina que Roubava Livros)
Steven Price (Gravidade)
William Butler e Owen Pallett (Ela)
Thomas Newman (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)
Alexandre Desplat (Philomena)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Happy” – Pharrell Williams (Meu Malvado Favorito 2)
“Let It Go” – Robert Lopez, Kristen Anderson-Lopez (Frozen: Uma Aventura Congelante)
“Ordinary Love” – Bono, Adam Clayton, The Edge, Larry Mullen Jr. (Mandela: Long Walk to Freedom)
“The Moon Song” – Karen O, Spike Jonze (Ela)
“Alone Yet Not Alone” – Bruce Broughton, Dennis Spiegel (Alone Yet Not Alone)

MELHOR SOM
– Chris Burdon, Mark Taylor, Mike Prestwood Smith, Chris Munro (Capitão Phillips)
– Skip Lievsay, Niv Adiri, Christopher Benstead, Chris Munro (Gravidade)
– Christopher Boyes, Michael Hedges, Michael Semanick, Tony Johnson (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
– Skip Lievsay, Greg Orloff, Peter F. Kurland (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
– Andy Koyama, Beau Borders, David Bronlow (O Grande Herói)

MELHORES EFEITOS SONOROS
– Steve Boeddeker, Richard Hymns (Até o Fim)
– Oliver Tarney (Capitão Phillips)
– Glenn Freemantle (Gravidade)
– Brent Burge (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
– Wylie Stateman (O Grande Herói)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
– Timothy Webber, Chris Lawrence, David Shirk, Neil Corbould (Gravidade)
– Joe Letteri, Eric Saindon, David Clayton, Eric Reynolds (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
– Christopher Townsend, Guy Williams, Erik Nash, Daniel Sudick (Homem de Ferro 3)
– Tim Alexander, Gary Brozenich, Edson Williams, John Frazier (O Cavaleiro Solitário)
– Roger Guyett, Pat Tubach, Ben Grossmann, Burt Dalton (Além da Escuridão – Star Trek)

MELHOR ANIMAÇÃO
– Os Croods (The Croods)
– Meu Malvado Favorito (Despicable Me 2)
– Ernest & Celestine (idem)
– Frozen: Uma Aventura Congelante (Frozen)
– Vidas ao Vento (The Wind Rises)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
– The Broken Circle Breakdown (Bélgica)
– A Grande Beleza (Itália)
– A Caça (Dinamarca)
– The Missing Picture (Camboja)
– Omar (Palestina)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
– O Ato de Matar (The Act of Killing), de Joshua Oppenheimer, Signe Byrge Sørensen
– Cutie and the Boxer, de Zachary Heinzerling, Lydia Dean Pilcher
– Guerras Sujas (Dirty Wars), de Rick Rowley, Jeremy Scahill
– The Square (Al Midan), de Jehane Noujaim, Karim Amer
– A Um Passo do Estrelato (20 Feet from Stardom), de Morgan Neville

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
– CaveDigger, de Jeffrey Karoff
– Facing Fear, de Jason Cohen
– Karama Has No Walls, de Sara Ishaq
– The Lady in Number 6: Music Saved My Life, de Malcolm Clarke, Carl Freed
– Prison Terminal: The Last Days of Private Jack Hall, de Edgar Barens

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
– Feral, de Daniel Sousa, Dan Golden
– É Hora de Viajar, de Lauren MacMullan, Dorothy McKim
– Mr. Hublot, de Laurent Witz, Alexandre Espigares
– Possessions, de Shuhei Morita
– Room on the Broom, de Max Lang, Jan Lachauer

MELHOR CURTA-METRAGEM
– Aquel No Era Yo (That Wasn’t Me), de Esteban Crespo
– Avant Que De Tout Perdre (Just Before Losing Everything), de Xavier Legrand
– Helium, de Anders Walter
– Do I Have to Take Care of Everything?, de Selma Vilhunen
– The Voorman Problem, de Mark Gill

‘Ela’, de Spike Jonze, fatura o National Board of Review 2013

Joaquin Phoenix no futurista Ela, de Spike Jonze, que faturou o National Board of Review (photo by www.cine.gr)

Joaquin Phoenix no futurista Ela, de Spike Jonze, que faturou o National Board of Review (photo by http://www.cine.gr)

Como já foi dito no post anterior, se depender da quantidade de filmes candidatos ao Oscar, 10 indicados a Melhor Filme pode ser pouco para a demanda. Logo depois de Trapaça conquistar o New York Film Critics Circle (NYFCC), o novo filme de Spike Jonze, Ela (Her), vence as duas principais categorias: Filme e Diretor.

Até ontem, o filme era considerado um dos vários candidatos em potencial, mas nenhuma unanimidade, tanto que seu burburinho mais alto até então era a polêmica vitória de Scarlett Johansson como Melhor Atriz no Festival de Roma. Explico: a trama de Ela se passa num futuro hi-tech, no qual o escritor Theodore (Joaquin Phoenix) desenvolve um sentimento pela voz feminina de seu sistema operacional, feita por Johansson.

Li alguns artigos a respeito da “polêmica” e o problema parece ser premiar uma interpretação em que o ator não surge na tela. Não acredito que a origem da discussão seja Scarlett Johansson, pois se a crítica tem elogiado, ela deve ter conseguido criar profundidade e humanismo apenas com suas cordas vocais. Mesmo que fosse a voz de Meryl Streep, haveria uma polemicazinha, afinal, não existe a cultura de reconhecer trabalhos de interpretação vocal nas grandes premiações.

Scarlett Johansson ao lado do diretor Spike Jonze no último Festival de Roma (photo by )

Scarlett Johansson ao lado do diretor Spike Jonze no último Festival de Roma (photo by Vittorio Zunino Celotto/Getty Images)

Atualmente, existem apenas prêmios específicos para trabalhos de dublagem como o Voice Acting no Annie Awards. No Oscar, já houve tentativas fracassadas de incluírem dublagens nas categorias de atuação. Robin Williams como o Gênio em Aladdin (1992), e mais recentemente, Ellen DeGeneres como a Dori de Procurando Nemo (2003) geraram debates sobre suas inclusões como indicados à estaueta. Curiosamente, o Oscar já foi concedido às performances quase sem nenhum diálogo como Marlee Matlin em Filhos do Silêncio (1986) e no ano passado para Jean Dujardin em O Artista.

No final de novembro, foi anunciado que a voz de Scarlett era inelegível para concorrer ao Globo de Ouro, mas ela ainda pode disputar na categoria de atriz coadjuvante por seu papel em Como Não Perder Essa Mulher. Sem divulgar as razões, a Hollywood Foreign Press Association simplesmente vetou, mas até agora, poderá concorrer no SAG Awards e até no Oscar (quem diria!). Mas, convenhamos, as chances são quase nulas diante do conservadorismo da Academia.

Felizmente, os prêmios de críticos não têm dessas firulas. E também não há preconceitos com gêneros como ficção científica. O filme de Spike Jonze faz um interessante estudo sobre o futuro próximo enquanto nos tenta contar algo sobre o nosso tempo. Formado na escola de videoclipes, o diretor tem uma necessidade constante de inovação na linguagem e estrutura narrativa. Foi assim com Quero Ser John Malkovich (1999), Adaptação (2002) e Onde Vivem os Monstros (2009). Seu prêmio de Melhor Diretor serve como ótimo estímulo para que ele continue amadurecendo e se reinventando, algo essencial para a sobrevivência do Cinema.

Ao contrário dos demais prêmios de críticos, o National Board of Review também cria listas de top 10 e top 5 que permitem maior visibilidade de outros filmes não-premiados. Os favoritos ao Oscar estão lá:

– 12 Years a Slave
– Fruitvale Station: A Última Parada (Fruitvale Station)
– Gravidade (Gravity)
– Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis)
– Lone Survivor
– Nebraska
– Os Suspeitos (Prisoners)
– Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks)
– A Vida Secreta de Walter Mitty (The Secret Life of Walter Mitty)
– O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)

Tratado como zebra, o filme Lone Survivor, de Peter Berg, pode continuar surpreendendo até o anúncio das indicações ao Oscar (photo by www.elfilm.com)

Tratado como zebra, o filme Lone Survivor, de Peter Berg, pode continuar surpreendendo até o anúncio das indicações ao Oscar (photo by http://www.elfilm.com)

Esse bônus também favorece algumas produções estrangeiras, que podem nem ter sido qualificadas para a categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar.

Além das Montanhas (Dupa Dealuri), de Cristian Mungiu – ROMÊNIA
Gloria (idem), de Sebastián Lelio – CHILE
The Grandmaster (Yi dai zong shi), de Wong Kar-Wai – HONG KONG
Seqüestro (Kapringen), de Tobias Lindholm – DINAMARCA
A Caça (Jagten), de Thomas Vinterberg – DINAMARCA

A produção dinamarquesa Sequestro pode não representar o país no Oscar, mas recebe reconhecimento dos críticos (photo by www.elfilm.com)

A produção dinamarquesa Sequestro pode não representar o país no Oscar, mas recebe reconhecimento dos críticos (photo by http://www.elfilm.com)

Entre as categorias de atuação, nenhum dos premiados do NYFCC voltou nessa lista, comprovando que não há favoritismos até o momento. Bruce Dern e Will Forte foram premiados ator e coadjuvante, respectivamente, pelo novo filme de Alexander Payne, Nebraska. Dern, que já havia vencido o prêmio de interpretação masculina em Cannes, renova suas chances no Oscar, tornando-o uma figurinha praticamente carimbada.

Vencedora do Oscar de Atriz por Retorno a Hoawards End, a inglesa Emma Thompson pode ter seu retorno triunfal no tapete vermelho graças ao filme Walt nos Bastidores de Mary Poppins, onde ela faz a autora do livro que deu origem ao filme musical. Depois de sua última indicação ao Oscar em 1996 por Razão e Sensibilidade, Thompson se tornou uma coadjuvante de luxo em grandes produções como a série Harry Potter e protagonizou filmes infantis como Nanny McPhee – A Babá Encantada.

Emma Thompson como a autora P.L. Travers em Walt nos Bastidores de Mary Poppins (photo by www.cine.gr)

Emma Thompson como a autora P.L. Travers em Walt nos Bastidores de Mary Poppins (photo by http://www.cine.gr)

Vencedora do Oscar de coadjuvante por Histórias Cruzadas, Octavia Spencer pode conquistar sua segunda indicação pelo drama Fruitvale Station: A Última Parada, que ainda conquistou mais dois prêmios: Diretor Estreante para Ryan Coogler e Revelação para Michael B. Jordan.

Ainda nas categorias de atuação, o Melhor Elenco foi para Os Suspeitos, de Denis Villeneuve. Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal, Viola Davis, Terrence Howard, Melissa Leo e Paul Dano formam um elenco respeitável, porém alguns papéis não sustentam uma indicação como coadjuvante no Oscar.

Fechando, o iraniano Asghar Farhadi conquista o prêmio de Filme Estrangeiro, enquanto O Vento Está Soprando e Stories We Tell ganharam mais um prêmio de Animação e Documentário, respectivamente, e caminham fortalecidos para o Los Angeles Film Critics Association Awards (LAFCA), que divulgará sua lista no próximo dia 08.

Confira lista completa dos vencedores:

MELHOR FILME: Ela (Her)

MELHOR DIRETOR: Spike Jonze (Ela)

MELHOR ATOR: Bruce Dern (Nebraska)

MELHOR ATRIZ: Emma Thompson (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Will Forte (Nebraska)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Octavia Spencer (Fruitvale Station: A Última Parada)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Joel Coen e Ethan Coen (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Terence Winter (O Lobo de Wall Street)

MELHOR ANIMAÇÃO: O Vento Está Soprando, de Hayao Miyazaki

ATOR REVELAÇÃO: Michael B. Jordan (Fruitvale Station: A Última Parada)

ATRIZ REVELAÇÃO: Adèle Exarchopoulos (Azul é a Cor Mais Quente)

MELHOR DIRETOR ESTREANTE: Ryan Coogler (Fruitvale Station: A Última Parada)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: The Past, de Asghar Farhadi

MELHOR DOCUMENTÁRIO: Stories We Tell, de Sarah Polley

PRÊMIO William K. Everson Film History: George Stevens, Jr.

MELHOR ELENCO: Os Suspeitos (Prisoners), de Denis Villeneuve

Spotlight Award: Colaboração de carreira entre Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio

PRÊMIO NBR Freedom of Expression: O Sonho de Wadjda, de Haifaa Al-Mansour

PRÊMIO Creative Innovation in Filmmaking: Gravidade, de Alfonso Cuarón

Top 10 Filmes (em ordem alfabética):

12 Years a Slave, Fruitvale Station: A Última Parada, Gravidade, Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum, Lone Survivor, Nebraska, Os Suspeitos, Walt nos Bastidores de Mary Poppins, A Vida Secreta de Walter Mitty, O Lobo de Wall Street

Top 5 Filmes Estrangeiros (em ordem alfabética):

– Além das Montanhas
– Gloria
– The Grandmaster
– O Seqüestro
– A Caça

Top 5 Documentários (em ordem alfabética):

– 20 Feet from Stardom
– O Ato de Matar
– After Tiller
– Casting By
– The Square

Top 10 Filmes Independentes (em ordem alfabética):

– Ain’t Them Bodies Saints
– Dallas Buyers Club
– In a World…
– Mother of George
– Muito Barulho por Nada (Much Ado About Nothing)
– Amor Bandido (Mud)
– O Lugar Onde Tudo Termina (The Place Beyond the Pines)
– Short Term 12
– Sightseers
– The Spectacular Now

O simpático e comovente Muito Barulho por Nada foi bem lembrado pelo NBR (photo by www.elfilm.com)

O simpático e comovente Muito Barulho por Nada foi bem lembrado pelo NBR (photo by http://www.elfilm.com)

‘Trapaça’ conquista 3 prêmios no NYFCC 2013

Vencedora do prêmio de coadjuvante, Jennifer Lawrence (à esquerda) divide cena com Amy Adams em Trapaça (photo by ww.elfilm.com)

Vencedora do prêmio de coadjuvante, Jennifer Lawrence (à esquerda) divide cena com Amy Adams em Trapaça (photo by ww.elfilm.com)

A New York Film Critics Circle, formada por críticos nova-iorquinos, divulgou sua lista anual de premiados:

FILME: Trapaça (American Hustle)
DIRETOR: Steve McQueen (12 Years a Slave)
ATOR: Robert Redford (All is Lost)
ATRIZ: Cate Blanchett (Blue Jasmine)
ATOR COADJUVANTE: Jared Leto (Dallas Buyers Club)
ATRIZ COADJUVANTE: Jennifer Lawrence (Trapaça)
ROTEIRO: Eric Singer, David O. Russell (Trapaça)
FOTOGRAFIA: Bruno Delbonnel (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
FILME ESTRANGEIRO: Azul é a Cor Mais Quente (La Vie d’Adèle), de Abdellatif Kechiche (França)
DOCUMENTÁRIO: Stories We Tell, de Sarah Polley
ANIMAÇÃO: O Vento Está Soprando, de Hayao Miyazaki
PRIMEIRO FILME: Fruitvale Station: A Última Parada, de Ryan Coogler

Os três prêmios para Trapaça surpreendeu aqueles que acompanhavam a corrida do Oscar 2014, que tinha como favoritos 12 Years a Slave, de Steve McQueen, e Gravidade, de Alfonso Cuarón. Como o editor da Variety, Tim Gray, comentou: “…the critics prizes take the pressure off each of the films as the One To Beat (os prêmios dos críticos tiram a pressão dos filmes considerados favoritos)”.

No set de 12 Years a Slave, o diretor britânico Steve McQueen faturou o prêmio de Diretor (photo by www.collider.com)

No set de 12 Years a Slave, o diretor britânico Steve McQueen faturou o prêmio de Diretor (photo by http://www.collider.com)

Além dessa virtude, os críticos têm como objetivo lembrar a variedade de bons filmes que têm chances reais de chegar ao Oscar de Melhor Filme, principalmente com 10 indicados, evitando aqueles casos de franco-favoritismo que papa mais de 10 estatuetas como fizeram os recordistas Ben-Hur e Titanic. Além dos filmes já citados, temos Nebraska, de Alexander Payne, O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese, Álbum de Família, de John Wells, Capitão Phillips, de Paul Greengrass, O Mordomo da Casa Branca, de Lee Daniels, e Inside Llewyn Davis, de Joel e Ethan Coen, só para citar alguns.

Apesar da vitória no NYFCC significar pontuação na corrida para o Oscar, vale ressaltar que os críticos nova-iorquinos não estão tão em sintonia com a Academia. Nos últimos 10 anos, apenas em quatro vezes os Melhores Filmes coincidiram: em 2011 com O Artista, 2009: Guerra ao Terror, 2007: Onde os Fracos Não Têm Vez, e 2003: O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei. Sem contar os atores que nem chegam a ser indicados no Oscar como os vencedores do ano passado de Melhor Atriz e Ator Coadjuvante, respectivamente: Rachel Weisz (Amor Profundo) e Matthew McConaughey (Magic Mike).

Como Trapaça teve sua premiere agora nos EUA, (sim, o Brasil não tem pressa nenhuma. Estréia marcada para fevereiro de 2014!), alguns talvez façam a leitura de que o NYFCC estaria tentando compensar a ausência total de O Lado Bom da Vida, do mesmo diretor David O. Russell, da última edição. Em 2012, eles premiaram o polêmico A Hora Mais Escura, de Kathryn Bigelow. Como o filme foi acusado erroneamente de fazer apologia à tortura e gerou uma série de discussões, talvez eles quiseram deixar polêmicas de lado e apostaram em David O. Russell, que sempre fez filmes mais light. Apesar de ter ter sido premiado como diretor, recebeu a honraria de Melhor Roteiro juntamente com o colaborador Eric Singer.

Embora a vitória de Jennifer Lawrence tenha possibilidade de também se encaixar na leitura de compensação por 2012, comprova que a jovem continua no topo de Hollywood aos 23 anos. Ela sabe aliar com maestria o sonho de todo ator: sucesso de crítica e público. Seu outro trabalho de 2013, a seqüência Jogos Vorazes: Em Chamas já conquistou 300 milhões de dólares apenas em sua segunda semana nos EUA. Como a corrida da categoria de coadjuvante está relativamente mais fraca, Lawrence deve figurar entre as indicadas do Oscar 2014, mas como já ganhou este ano, não deve ter muitas chances.

No geral, a premiação do NYFCC foi bastante democrática. Lembrou bons trabalhos de 2013 como a direção de Steve McQueen em 12 Years a Slave. Apesar deste ser apenas seu terceiro longa, o diretor britânico vem conquistando muito prestígio da ala artística americana depois dos aclamados Fome (2008) e Shame (2011). O NYFCC consagra o talento e a versatilidade de Cate Blanchett, que vive uma socialite falida no novo filme de Woody Allen, Blue Jasmine, e resgata o veterano da atuação e charme em pessoa Robert Redford, por sua interpretação em All is Lost, um drama de ação em que um marinheiro encara sua mortalidade após a colisão de seu barco em alto mar.

Aos 77 anos, Robert Redford é o único ator do segundo longa do jovem J.C. Chandor, All is Lost (photo by www.elfilm.com)

Aos 77 anos, Robert Redford é o único ator do segundo longa do jovem J.C. Chandor, All is Lost (photo by http://www.elfilm.com)

Assim como eles, o ator Jared Leto, que ficou conhecido por Réquiem Para um Sonho (2001) e retornou de um afastamento de quatro anos dos cinemas, deve conquistar uma indicação pela ousadia de seu papel em Dallas Buyers Club. Na produção independente, Leto dá vida a Rayon, um gay travesti que ajuda o protagonista Ron Woodroof (Matthew McConaughey) a encontrar uma cura para o HIV em meados da década de 80. Além do homossexualismo e do travestismo já chamarem atenção para o papel, o ator também perdeu cerca de 13 quilos para viver Rayon, o que deve lhe garantir auto-publicidade até março.

Já na categoria de Filme Estrangeiro, é uma pena que Azul é a Cor Mais Quente não possa disputar o Oscar. Infelizmente, as regras arcaicas da Academia desqualificaram o filme vencedor da Palma de Ouro por estrear na França após o prazo permitido. Assim, um dos filmes mais aclamados da temporada fica de fora da categoria, mas dependendo do lobby, talvez conquista uma indicação para Direção (Abdellatif Kechiche) e Atriz (Adèle Exarchopoulos).

Vencedor da Palma de Ouro e do prêmio do NYFCC, Azul é a Cor Mais Quente está fora da corrida pelo Oscar de Filme Estrangeiro. Porém a bela Adèle Exarchopoulos pode ser uma surpresa (photo by www.elfilm.com)

Vencedor da Palma de Ouro e do prêmio do NYFCC, Azul é a Cor Mais Quente está fora da corrida pelo Oscar de Filme Estrangeiro. Porém a bela Adèle Exarchopoulos pode ser uma surpresa (photo by http://www.elfilm.com)

O prêmio de Melhor Fotografia para Bruno Delbonnel deve reforçar a campanha para sua 4ª indicação ao Oscar. Após ter sido indicado por O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001), Eterno Amor (2004) e Harry Potter e o Enigma do Príncipe (2009), o diretor de fotografia francês pode vencer, caso o franco-favorito mexicano Emmanuel Lubezki não figurar na lista por Gravidade. E, espero que a vitória da animação japonesa O Vento Está Soprando também se transforme em indicação e segundo Oscar para o mestre Hayao Miyazaki. Considerado um ano fraco para animações dos grandes estúdios, Miyazaki e seu Studio Ghibli podem se consagrar mais uma vez na Academia.

O diretor de fotografia francês Bruno Delbonnel dá o toque artístico ao visual de Inside Llewyn Davis, dos irmãos Coen (photo by www.elfilm.com)

O diretor de fotografia francês Bruno Delbonnel dá o toque artístico ao visual de Inside Llewyn Davis, dos irmãos Coen (photo by http://www.elfilm.com)

O prêmio de Primeiro Filme acabou indo para Fruitvale Station: A Última Parada, que visa não apenas o merecimento do diretor Ryan Coogler, mas de todo o elenco formado por Michael B. Jordan, Melonie Diaz, Octavia Spencer e Chad Michael Murray. A produção independente foi bastante aplaudida no último Festival de Cannes, e mais recentemente, recebeu 3 indicações ao Independent Spirit Awards. Com a benção do lobby de Harvey Weinstein, o filme pode surpreender ainda mais espaço nessa corrida ao Oscar.

E como Melhor Documentário, um trabalho singelo da diretora e atriz canadense Sarah Polley intitulado Stories We Tell. Ao contrário da maioria dos documentários que visa temas polêmicos, ela opta por um trabalho mais intimista ao atuar como entrevistadora num experimento que busca identificar mitos e verdades sobre sua família. Aliás, o documentário foi pré-selecionado para competir no Oscar de Melhor Documentário.

A diretor e atriz canadense Sarah Polley foi premiada por seu documentário intimista (photo by www.outnow.ch)

A diretor e atriz canadense Sarah Polley foi premiada por seu documentário intimista (photo by http://www.elfilm.com)

Veja lista dos 15 semi-finalistas:

– O Ato de Matar (The Act of Killing), de Joshua Oppenheimer
– The Armstrong Lie, de Alex Gibney
– Blackfish, de Gabriela Cowperthwaite
– The Crash Reel, de Lucy Walker
– Cutie and the Boxer, de Zachary Heinzerling
– Dirty Wars, de Rick Rowley
– First Cousin Once Removed, de Alan Berliner
– God Loves Uganda, de Roger Ross Williams
– Life According to Sam, de Sean Fine, Andrea Nix
– Pussy Riot: A Punk Prayer, de Mike Lerner, Maxim Pozdorovkin
– The Square, de Jehane Noujaim
– Stories We Tell, de Sarah Polley
– Tim’s Vermeer, de Teller
– 20 Feet from Stardom, de Morgan Neville
– Which Way Is the Front Line from Here? The Life and Time of Tim Hetherington, de Sebastian Junger

The Armstrong Lie, de Alex Gibney, destrincha os altos e baixos do campeão Lance Armstrong que venceu 7 Tour de France, mas perdeu após exame anti-dopping (photo by www.outnow.ch)

The Armstrong Lie, de Alex Gibney, destrincha os altos e baixos do campeão Lance Armstrong que venceu 7 Tour de France, mas perdeu após exame anti-dopping (photo by http://www.outnow.ch)

’12 Years a Slave’ e ‘Nebraska’ são recordistas de indicações no Independent Spirit Awards 2014

Lupita Nyong'o (Twelve Years a Slave)

12 Years a Slave, de Steve McQueen, conquista sete indicações. Na foto, da esquerda pra direita: Michael Fassbender, Lupita Nyong’o e Chiwetel Ejiofor (www.outnow.ch)

O ano está chegando ao fim e as premiações já começam a divulgar as listas de indicações. A 29ª edição do Independent Spirit Awards confirma o fortalecimento das produções independentes no cenário hollywoodiano e internacional. Alguns anos atrás, apenas um ou outro indicado chegava ao tapete vermelho do Oscar, tanto que na época diziam que quem vencesse o Independent não teria chances no prêmio da Academia. Este ano, Jennifer Lawrence ganhou como Melhor Atriz por O Lado Bom da Vida em ambas as premiações.

Se analisarmos os últimos quatro vencedores de Melhor Filme no Independent Spirit Award, podemos notar que todas as produções foram indicadas para o Oscar de Melhor Filme também, com O Artista também vencendo o Oscar. Vale ressaltar que o Independent Spirit só premia filmes com orçamento de até 20 milhões de dólares.

Ano: Independent Spirit/ Oscar
2013: O Lado Bom da Vida/Argo
2012: O Artista/ O Artista
2011: Cisne Negro/ O Discurso do Rei (que levou o Independent de Filme Estrangeiro)
2010: Preciosa – Uma História de Esperança/ Guerra ao Terror

Consequência da crise econômica? Talvez. Mas o fato é que os produtores de cinema deixaram de ser aqueles apaixonados por cinema, deixando seus cargos para engravatados que só acreditam em números de bilheterias e marketing. Eles se esqueceram que o Cinema é uma Arte centenária que necessita de uma boa história contada por profissionais apaixonados pelos projetos, resultando nessa Hollywood mecânica e de baixa qualidade de hoje. Por outro lado, as produções de baixo orçamento podem não contar com equipamentos tecnológicos de filmagem e edição, nem astros carismáticos, mas sempre respeitam a essência do Cinema e buscam formas para inovar essa Arte.


Octavia Spencer e Paula Patton anunciam as indicações ao Independent Spirit Award

Nesta edição do Independent, duas produções que já vinham figurando em listas de previsões para o Oscar se tornaram as recordistas de indicações. 12 Years a Slave, de Steve McQueen, conquistou sete indicações, enquanto Nebraska, de Alexander Payne, vem logo em seguida com seis. McQueen e Payne são dois diretores que nasceram do cinema independente (Fome e Ruth em Questão foram seus primeiros longas, respectivamente) e hoje são nomes consagrados.

Vale lembrar que Nebraska já foi indicado à Palma de Ouro e Bruce Dern foi premiado Melhor Ator em Cannes. Já 12 Years a Slave ganhou o passaporte para o Oscar de Melhor Filme ao levar o People’s Choice Award do Festival de Toronto.

Alexander Payne dirige o veterano Bruce Dern em Nebraska (photo by www.outnow.ch)

Alexander Payne dirige o veterano Bruce Dern em Nebraska (photo by http://www.outnow.ch)

Os demais indicados a Melhor Filme também foram bem avaliados pela crítica e são fortes candidatos ao Oscar. All is Lost é apenas o segundo filme do jovem J.C. Chandor, que conquistou a indicação ao Oscar de Roteiro Original por Margin Call – O Dia Antes do Fim, e tem tudo para se tornar um dos grandes nomes dessa geração. Frances Ha é uma comédia leve que há muito não se via nos cinemas, devido à graça da atriz Greta Gerwig, que escreveu o roteiro junto com o diretor Noah Baumbach. Já o musical Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum, de Joel e Ethan Coen, levou o Grande Prêmio do Júri em Cannes e deve figurar entre os 10 indicados a Melhor Filme no Oscar, com boas chances do protagonista vivido por Oscar Isaacs ser reconhecido também.

O último filme de Woody Allen também foi lembrado em três categorias: Atriz (Cate Blanchett), Atriz Coadjuvante (Sally Hawkins) e Roteiro. Se Blanchett levar o Globo de Ouro em janeiro, ela já estará com uma mão na estatueta do Academia.

Indicado pelo prêmio Un Certain Regard em Cannes este ano, Fruitvale Station: A Última Parada foi comparado a Indomável Sonhadora por ter fortes chances de conquistar espaço no Oscar, principalmente depois que Harvey Wenstein comprou os direitos de distribuição e conseqüente lobby. Deve vencer o prêmio Melhor Primeiro Filme e, se houver empates nas votações, o jovem ator Michael B. Jordan pode também sair vitorioso.

Cena de Fruitvale Station: A Última Parada, produção baseada em fatos reais com Michael B. Jordan (photo by www.elfilm.com)

Cena de Fruitvale Station: A Última Parada, produção baseada em fatos reais com Michael B. Jordan (photo by http://www.elfilm.com)

Aliás, a briga entre atores está bastante acirrada. A categoria Melhor Ator conta com seis candidatos fortíssimos, sendo Matthew McConaughey um dos favoritos a levar. Para viver seu personagem aidético em Dallas Buyers Club, o ator emagreceu 18 quilos (!) e vive seu melhor momento na carreira. Ele poderia ter sido duplamente indicado, mas resolveram deixar de lado sua performance em Amor Bandido. Seu companheiro de tela em Dallas Buyers Club, Jared Leto, também não fica muito atrás, pois perdeu 13 quilos nesse seu retorno ao cinema após quatro anos.

Atores sob dieta: Jared Leto e Matthew McConaughey podem colher frutos de suas greves de fome (photo by www.elfilm.com)

Atores sob dieta: Jared Leto e Matthew McConaughey podem colher frutos de suas greves de fome (photo by http://www.elfilm.com)

Indicações ao Independent Spirit Award 2014:

MELHOR FILME
12 Years a Slave
Produtores: Dede Gardner, Anthony Katagas, Jeremy Kleiner, Steve McQueen, Arnon Milchan, Brad Pitt, Bill Pohlad
All Is Lost
Produtores: Neal Dodson, Anna Gerb
Frances Ha
Produtores: Noah Baumbach, Scott Rudin, Rodrigo Teixeira, Lila Yacoub
Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis)
Produtores: Ethan Coen, Joel Coen, Scott Rudin
Nebraska
Produtores: Albert Berger, Ron Yerxa

MELHOR DIRETOR
– Shane Carruth (Upstream Color)
– J.C. Chandor (All Is Lost)
– Steve McQueen (12 Years a Slave)
– Jeff Nichols (Amor Bandido)
– Alexander Payne (Nebraska)

MELHOR ROTEIRO
– Woody Allen (Blue Jasmine)
– Julie Delpy, Ethan Hawke & Richard Linklater (Antes da Meia-Noite)
– Nicole Holofcener (À Procura do Amor)
– Scott Neustadter & Michael H. Weber (The Spectacular Now)
– John Ridley (12 Years a Slave)

MELHOR PRIMEIRO FILME
Chevrolet Azul (Blue Caprice)
Diretor/Produtor: Alexandre Moors
Produtores: Kim Jackson, Brian O’Carroll, Isen Robbins, Will Rowbotham, Ron Simons, Aimee Schoof, Stephen Tedeschi
Concussion
Diretor: Stacie Passon
Produtor: Rose Troche
Fruitvale Station: A Última Parada (Fruitvale Station)
DIRECTOR: Ryan Coogler
PRODUCERS: Nina Yang Bongiovi, Forest Whitaker
Uma Noite (Una Noche)
Diretor/Produtor: Lucy Mulloy
Produtores: Sandy Pérez Aguila, Maite Artieda, Daniel Mulloy, Yunior Santiago
O Sonho de Wadjda (Wadjda)
Diretor: Haifaa Al Mansour
Produtores: Gerhard Meixner, Roman Paul

MELHOR PRIMEIRO ROTEIRO
– Lake Bell (In A World…)
– Joseph Gordon-Levitt (Como Não Perder Essa Mulher)
– Bob Nelson (Nebraska)
– Jill Soloway (Afternoon Delight)
– Michael Starrbury (The Inevitable Defeat of Mister & Pete)

PRÊMIO JOHN CASSAVETES (Concedido à produção com orçamento abaixo de 500 mil dólares)
Computer Chess
Diretor/Roteirista: Andrew Bujalski
Produtores: Houston King & Alex Lipschultz
Crystal Fairy & the Magical Cactus
Diretor/Roteirista: Sebastiàn Silva
Produtores: Juan de Dios Larraín & Pablo Larraín
Museum Hours
Diretor/Roteirista: Jem Cohen
Produtores: Paolo Calamita & Gabriele Kranzelbinder
Pit Stop
Diretor/Produtor: Yen Tan
Roteirista: David Lowery
Produtores: Jonathan Duffy, James M. Johnston, Eric Steele, Kelly Williams
This is Martin Bonner
Diretor/Roteirista: Chad Hartigan
Produtor: Cherie Saulter

MELHOR ATRIZ
– Cate Blanchett (Blue Jasmine)
– Julie Delpy (Antes da Meia-Noite)
– Gaby Hoffmann (Crystal Fairy & the Magical Cactus)
– Brie Larson (Short Term 12)
– Shailene Woodley (The Spectacular Now)

MELHOR ATOR
– Bruce Dern (Nebraska)
– Chiwetel Ejiofor (12 Years a Slave)
– Oscar Isaac (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
– Michael B. Jordan (Fruitvale Station: A Última Parada)
– Matthew McConaughey (Dallas Buyers Club)
– Robert Redford (All Is Lost)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
– Melonie Diaz (Fruitvale Station: A Última Parada)
– Sally Hawkins (Blue Jasmine)
– Lupita Nyong’o (12 Years a Slave)
– Yolonda Ross (Go For Sisters)
– June Squibb (Nebraska)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
– Michael Fassbender (12 Years a Slave)
– Will Forte (Nebraska)
– James Gandolfini (À Procura do Amor)
– Jared Leto (Dallas Buyers Club)
– Keith Stanfield (Short Term 12)

MELHOR FOTOGRAFIA
– Sean Bobbitt (12 Years a Slave)
– Benoit Debie (Spring Breakers: Garotas Perigosas)
– Bruno Delbonnel (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
– Frank G. DeMarco (All Is Lost)
– Matthias Grunsky (Computer Chess)

MELHOR MONTAGEM
– Shane Carruth & David Lowery (Upstream Color)
– Jem Cohen & Marc Vives (Museum Hours)
– Jennifer Lame (Frances Ha)
– Cindy Lee (Uma Noite)
– Nat Sanders (Short Term 12)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
20 Feet From Stardom
Diretor/Produtor: Morgan Neville
Produtores: Gil Friesen & Caitrin Rogers
After Tiller
Diretores/Produtores: Martha Shane & Lana Wilson
Gideon’s Army
Diretor/Produtor: Dawn Porter
Produtora: Julie Goldman
O Ato de Matar (The Act of Killing)
Diretor/Produtor: Joshua Oppenheimer
Produtores: Joram Ten Brink, Christine Cynn, Anne Köhncke, Signe Byrge Sørensen, Michael Uwemedimo
The Square (Al Midan)
Diretor: Jehane Noujaim
Produtor: Karim Amer

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Um Toque de Pecado (Tian zhu Ding), de Jia Zhang-Ke (China)
Azul é a Cor Mais Quente (La Vie d’Adèle), de Abdellatif Kechiche (França)
Gloria, de Sebastián Lelio (Chile)
The Great Beauty (La Grande Bellezza), de Paolo Sorrentino (Itália)
A Caça (Jagten), de Thomas Vinterberg (Dinamarca)

PRÊMIO ROBERT ALTMAN AWARD
• Amor Bandido (Mud)
Diretor: Jeff Nichols
Diretor de casting: Francine Maisler
Elenco:  Joe Don Baker, Jacob Lofland, Matthew McConaughey, Ray McKinnon, Sarah Paulson, Michael Shannon, Sam Shepard, Tye Sheridan, Paul Sparks, Bonnie Sturdivant, Reese Witherspoon

17º PRÊMIO PIAGET PRODUCERS (Concedido aos produtores emergentes pela criatividade, tenacidade e visão apesar do orçamento limitado)
– Toby Halbrooks & James M. Johnston
– Jacob Jaffke
– Andrea Roa
– Frederick Thornton

20º PRÊMIO SOMEONE TO WATCH (Concedido aos cineastas talentosos com visão singular que ainda não recebeu reconhecimento apropriado)
– My Sister’s Quinceañera, de Aaron Douglas Johnston
– Newlyweeds, de Shake King
– The Foxy Merkins, de Madeline Olnek

19º PRÊMIO STELLA ARTOIS TRUER THAN FICTION (Concedido ao diretor de não-ficção emergente que ainda não recebeu reconhecimento significante)
– A River Changes Course, de Kalvanee Mam
– Let the Fire Burn, de Jason Osder
– Manakamana, de Stephanie Spray & Pacho Velez

A 29ª edição do Independent Spirit Awards acontece no dia 1º de Março de 2014, costumeiramente um dia antes do Oscar.

Ao lado de Miles Teller, Shailene Woodley foi indicada ao prêmio de Melhor Atriz por The Spectacular Now (photo by www.elfilm.com)

Ao lado de Miles Teller, Shailene Woodley foi indicada ao prêmio de Melhor Atriz por The Spectacular Now (photo by http://www.elfilm.com)