Cannes & Almodóvar vs. Netflix & TILDA SWINTON!

okja cannes

Equipe do filme Okja, da Netflix, no Festival de Cannes. No centro, o diretor Bong Joon-ho ao lado da atriz Tilda Swinton e Jake Gyllenhaal. Pic by AFP.com

EM SEGUNDO DIA DO FESTIVAL, NETFLIX CAUSA GRANDE ALVOROÇO

Sim, tá rolando uma treta em Cannes! E a musa Tilda Swinton calou a boca do povo! Por isso venho aqui pra compartilhar com vocês não apenas a treta, mas toda uma discussão sobre o futuro do cinema como o conhecemos hoje.

Vamos pela cronologia dos fatos:

1 – NETFLIX NA SELEÇÃO OFICIAL DE CANNES

Dentre os indicados à Palma de Ouro, havia duas produções de streaming da Netflix competindo pela primeira vez na história do evento: The Meyerowitz Stories, de Noah Baumbach; e Okja, do sul-coreano Bong Joon-ho.

OKJA

Cena do filme Okja, de Bong Joon-ho. Pic by cine.gr

2 – INCÔMODO ENTRE OS DISTRIBUIDORES DE CINEMA NA FRANÇA

Como se trata de um festival bastante tradicional, obviamente que os inúmeros distribuidores de cinema não gostaram nem um pouco do início da invasão da Netflix em Cannes, já que as produções não serão exibidas nas salas de cinema comercialmente, apenas pela plataforma da própria Netflix. Mais do que deixar de lucrar, os distribuidores estão enfurecidos com a possibilidade da profissão se tornar obsoleta num futuro não muito distante.

3 – OS ORGANIZADORES TOMAM PROVIDÊNCIAS

Com a insatisfação dos distribuidores no ouvido, os organizadores se viram obrigados a tomar providências para agradar gregos e troianos. Assim, passou a exigir que os filmes de streaming sejam exibidos em salas de cinema para que possam competir a partir de 2018.

4 – NETFLIX REAGE COM SENSATEZ

Depois de sofrer retaliações, a Netflix poderia reclamar ou se espernear, mas tem ciência do ótimo impacto de ter produções selecionadas e por isso, anunciou que está estudando a possibilidade de lançar seus filmes em algumas salas selecionadas.

5 – ALMODÓVAR USUFRUI DE SUA AUTORIDADE

Como presidente do júri deste ano, o cineasta Pedro Almodóvar, resolveu fazer declaração sobre o assunto, mas de forma intimidatória: “Não concederei não apenas a Palma de Ouro, mas qualquer outro prêmio para um filme que não poderei ver na tela grande”. Embora o júri seja formado por outros artistas como os atores Will Smith, Jessica Chastain, Fan Bingbing, e os cineastas Paolo Sorrentino, Park Chan-wook, Maren Ade e Agnès Jaoui, além do compositor Gabriel Yared, o presidente sempre tem a palavra final, portanto, existe forte possibilidade desses dois filmes da Netflix saírem de mãos abanando apenas por causa de seu formato.

Jury Press Conference - The 70th Annual Cannes Film Festival

À direita, o presidente do júri Pedro Almodóvar em coletiva de imprensa. Pic by The Upcoming

6 – TILDA SWINTON CALA A BOCA DE ALMODÓVAR

Durante a conferência do filme em Cannes, a atriz do filme Okja, a britânica Tilda Swinton, rebateu a declaração do presidente do júri Pedro Almodóvar: “NÃO VIEMOS AQUI PELOS PRÊMIOS”. Cadê aquela musiquinha do “Turn down for what” com os óculos escuros pra Tilda Swinton???

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Tilda Swinton responde às perguntas dos jornalistas em coletiva de Okja em Cannes. Ao fundo, Jake Gyllenhaal. (pic by thestar.com)

ADENDO: A EXIBIÇÃO DE ‘OKJA’ EM CANNES

Depois de toda essa discussão, até parece que sabotaram a exibição do longa Okja! Após alguns minutos de exibição, o filme foi interrompido por problemas técnicos. Alguns membros da imprensa estrangeira aproveitaram para vaiar, mas o diretor Bong Joon-ho soube ter jogo de cintura após o término da sessão, quando disse: “Fiquei feliz pelos problemas técnicos. Assim vocês tiveram a oportunidade de ver duas vezes a sequência de abertura!”.

ANÁLISE PERTINENTE EM RELAÇÃO AO FUTURO DO CINEMA

Bom, mas tirando a sarrafada da Tilda Swinton, o que é necessário entender aqui é que a Netflix é o FUTURO. Simples. Para quem acompanha cinema, sabe que houve uma queda significativa de conteúdo nas salas de exibição. Os estúdios não querem mais arriscar em novas idéias, e preferem ficar limitados a adaptações de quadrinhos, refilmagens e sequências, pois as chances de prejuízo são praticamente inexistentes. Claro que não estou criticando esses filmes de estúdio (eu mesmo sou fã dos filmes da Marvel), mas cinema não deve ficar restrito a essas produções. Cinema é uma arte que precisa sempre se reinventar para poder sobreviver.

E a Netflix está providenciando isso. Há pouco tempo, eles deixaram de ser uma mera plataforma de exibição para produzir conteúdo. Começaram com as séries de TV , que logo conquistaram o grande público como as pioneiras House of Cards e Orange is the New Black, e agora estão fazendo grandes contratos com diretores renomados e renegados do cinema como os já citados Bong Joon-ho e Noah Baumbach. Esses mesmos diretores sabem que estão perdendo espaço nas salas de cinema e por isso, estão buscando alternativas para produzirem seus filmes. Vale lembrar que recentemente o diretor David Lynch anunciou sua aposentadoria de filmes, concentrando seus esforços na série Twin Peaks. Quem sabe ele não consegue retornar com a ajuda da Netflix também?

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Tela da Netflix com destaque para a série House of Cards, sucesso absoluto de crítica e público. 

Quando o Festival de Cannes impõe restrições à Netflix, ele está adiando o futuro. Mesmo sendo cinéfilo que gosta de frequentar salas de cinema, não dá pra simplesmente ignorar uma plataforma tão promissora. Logo de cara, já desbancou as locadoras do mundo todo, e agora a tendência é aposentar as salas de cinema.

ÉPOCA DE TRANSIÇÃO

Embora a Netflix seja o futuro, ele não vem da noite para o dia. É necessário um período de adaptação do público e até mesmo da crítica. Acredito que o ideal nesse caso seja que a Netflix inicialmente disponibilize seus filmes em salas selecionadas de cinema, e que retire suas produções dos cinemas gradativamente. Hoje, podem lançar um filme para 200 salas nos EUA. Daqui a 6 meses, 150 salas, e assim sucessivamente. E o público que vai decidir isso. Se hoje pagam bem pra assistir mega-produções da Disney nos cinemas, eles podem elevar os números positivos das produções de streaming.

Voltando ao discurso do Almodóvar, ele lança sua opinião para que possamos refletir sobre essas mudanças. “Plataformas digitais são um novo meio de oferecer trabalho, o que é interessante e positivo. Mas elas não devem tomar o lugar de formatos existentes. Elas não deveriam mudar os hábitos dos espectadores. Essa é a grande questão do debate.”, declarou o diretor.

Realmente, assistir a um filme na tela grande do cinema é uma experiência de outro nível. A tela grande consegue aprimorar a experiência de ver um filme, e até mesmo melhorar a qualidade daquele filme meio capenga. É verdade. E tem uma questão primordial nesse modo de assistir a um filme: a concentração do espectador. Na sala de cinema, além da imagem e áudio de qualidades, existe o foco. Não há interrupções de telefone, barulho ou mesmo de distrações dentro da sala de cinema, que certamente existem em casa. Então, nesse sentido, o Almodóvar tem razão.

Mas pra ele, que já é um cineasta de renome que frequenta os festivais e sempre tem público nos cinemas, é mais fácil condenar a Netflix. Mas e praquele diretor em começo de carreira? Ou mesmo praquele que foi esquecido pelos grandes estúdios como o já citado David Lynch? Hoje, eles têm duas alternativas: Ou imploram por financiamento por leis de incentivo ou eles cedem para o streaming que vai produzir os filmes e vão oferecer para milhões de espectadores via plataforma.

O próprio diretor Bong Joon-ho ressaltou sua experiência de ter trabalhado com a Netflix: “Eu amei ter trabalhado com a Netflix. Eles me deram muito apoio. O orçamento para este filme foi considerável. Dar esse tipo de orçamento para um diretor não é muito comum.” A Netflix concedeu 50 milhões de dólares para a produção de Okja. Uma boa grana para quem teve astros como Tilda Swinton, Jake Gyllenhaal, Lily Collins e Paul Dano, sem contar com os efeitos especiais.

Enfim, fechando a discussão, nada desse debate todo justifica Pedro Almodóvar fechar as portas para as duas produções por causa da plataforma! Por isso, adorei Tilda Swinton, que ressaltou o privilégio de estar em Cannes, e de lembrar que o real intuito do filme é ser visto e passar sua mensagem. Os prêmios são mera consequência.

***

A 70ª edição do Festival de Cannes termina dia 28 de maio, quando serão anunciados os vencedores.

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Com 12 indicações, o musical ‘La La Land’ lidera o Critics’ Choice Awards 2016

Cena do musical La La Land, de Damien Chazelle. Os atores Ryan Gosling e Emma Stone também fora indicados. (photo by moviepilot.de)

Cena do musical La La Land, de Damien Chazelle. Os atores Ryan Gosling e Emma Stone também fora indicados. (photo by moviepilot.de)

COMO AGUARDADO DESDE O FESTIVAL DE VENEZA E TORONTO, O NOVO FILME DE DAMIEN CHAZELLE ASSUME FAVORITISMO 

Antes de começar a falar sobre a premiação, gostaria de abrir um parênteses aqui. Vou ser sucinto: Que raios de traduções de títulos de filmes são esses de hoje em dia, hein? Pessoal das distribuidoras que trabalha com isso, pelamordedeus! Vamos usar um pouco o bom senso! Como um “Florence Foster Jenkins” vira um “Florence: Que Mulher é Essa?”?? Parece documentário de uma prostituta que teve um caso com o presidente e derrubou o governo! E “Hello, My Name is Doris” que virou “Doris, Redescobrindo o Amor”? Se querem manter o nome da personagem, coloquem pelo menos “Doris Redescobre o Amor”. Também tenho certa aversão aos subtítulos inúteis que teimam em aderir ao título (meu favorito de todos os tempos é do filme de David Cronenberg: “Spider – Desafie Sua Mente” – parece nome de um jogo de tabuleiro). Acho que nas últimas decádas, as distribuidoras brasileiras sempre estão em cima do muro: não querem traduzir o título todo (por medo ou por incapacidade), mas sempre subestimam o público colocando um subtítulo que mais se assemelha a um aposto. Esse ano (por enquanto – porque ainda devem vir mais pérolas!), meu eleito é “La La Land: Cantando Estações”. Seria alguma alusão ao clássico musical “Cantando na Chuva”? Na minha opinião, ou mantém apenas “La La Land” ou vira “La La Lândia”.

Enfim… deixa eu respirar aqui.

Bom, como tenho falado nos últimos anos, o Critics’ Choice Awards pra mim é a “Bolha Assassina”. Lembram daquele filme em que uma bolha gosmenta rosa vai engolindo tudo o que vê pela frente e devora uma cidade inteira? Pois então! Esse prêmio quer ser todos os prêmios em um só, porque engloba várias categorias distintas (são 27!!) e ainda oferece uma vaga a mais nas categorias principais. Procura acertar os indicados ao Oscar, mas não abre mão das estrelas hollywoodianas ao indicá-las nas categorias de ação como Chris Evans, Matt Damon e Scarlett Johansson, parecendo uma cópia genérica da bajulação do Globo de Ouro. Só continua “relevante” porque tem ótimas porcentagens de acerto em relação ao Oscar: acertou 4 dos últimos 5 Oscar de Melhor Filme, por exemplo.

Esta 22ª edição do Critics’ Choice tem o musical La La Land liderando com 12 indicações, incluindo nas categorias principais: Filme, Diretor (Damien Chazelle), Ator (Ryan Gosling) e Atriz (Emma Stone). Como se trata de um musical estilizado, a produção foi reconhecida em várias categorias técnicas como direção de arte, figurino e montagem. Desde que foi ovacionado nos festivais de Toronto e de Veneza, o novo trabalho de Chazelle, que ficou conhecido pelo ótimo Whiplash: Em Busca da Perfeição, passa a carregar a tocha do favoritismo da temporada.

Logo atrás, a ficção científica A Chegada e o drama Moonlight receberam 10 indicações cada. Enquanto o primeiro vem sendo reconhecido como o “Interestelar que deu certo” pela suas teorias de universo sem ser tão cabeçudo e explicativo como o filme de Christopher Nolan, o segundo tem ganhado glórias por sua visão do crescimento do personagem central em meio à questões raciais, sexuais e familiares.

Cena de primeiro contato em A Chegada, com Amy Adams. 10 indicações para filme de Denis Villeneuve. Photo by moviepilot.de

Cena de primeiro contato em A Chegada, com Amy Adams. 10 indicações para filme de Denis Villeneuve. Photo by moviepilot.de

Dentre os filmes mais bem cotados que ficaram de fora, o mais prejudicado foi Silêncio, novo filme de Martin Scorsese. Como não acredito que o filme seja tão ruim a ponto de não levar nenhuma indicação sequer, a estratégia de lançamento em cima da hora da Paramount Pictures deve ter sido a causa. Não que a ausência de Silêncio no Critics’ Choice vá abalar sua campanha promissora, mas foi uma bola fora. Também no mesmo barco está o filme Rogue One: Uma História Star Wars. Parece que não ficou pronto a tempo da exibição para os críticos.

Por outro lado, o filme de guerra Até o Último Homem foi muito bem reconhecido, com indicações para Melhor Filme, Diretor (Mel Gibson) e Ator (Andrew Garfield). Pode significar um retorno para Gibson, que vem amargando um ostracismo desde suas declarações e filme Paixão de Cristo anti-semitas. Ele ganhou o Oscar de Filme e Diretor pelo épico Coração Valente lá no longíquo ano de 1996.

Andrew Garfield protagoniza Até o Último Homem, novo trabalho de Mel Gibson na direção (photo by moviepilot.de)

Andrew Garfield protagoniza Até o Último Homem, novo trabalho de Mel Gibson na direção (photo by moviepilot.de)

O MELHOR NO CALENDÁRIO TAMBÉM

Normalmente, as cerimônias de premiação ocorrem um mês depois do anúncio dos indicados, mas o Critics’ Choice quer se achar o prêmio inovador, e resolveu fazer a entregas das estatuetas UMA semana depois. Isso mesmo, sete dias depois das indicações! Aí você pergunta: “Por que tanta pressa assim?”. Como o calendário de premiações é altamente disputado, o Critics’ Choice está com receio de ficar ali esquecido até janeiro, e acredito que queiram se gabar sendo “o primeiro grande prêmio de cinema” a revelar seus vencedores.

Quer saber? Gostaria que quase ninguém fosse pra essa cerimônia, assim eles caem na real de que as coisas não funcionam assim à bel-prazer. Vale lembrar aqui que a cerimônia de janeiro deste ano houve muitas ausências importantes como Mark Ruffalo, Michael Keaton, Brie Larson, Tom Hardy, Charlize Theron e Leonardo DiCaprio.

A cerimônia tem previsão para o próximo dia 11, domingo, por volta das 23h, horário de Brasília, pelo canal pago A&E (provavelmente na TNT aqui no Brasil).

ALTOS E BAIXOS DO CRITICS’ CHOICE

Obviamente, ter um alto número de categorias e indicações ajuda a reconhecer aqueles filmes bons que não acham lugar nenhum em premiações, principalmente por se tratarem de gêneros subvalorizados como ficção científica, terror e comédia.

Dessa leva muito bem reconhecida incluo:

  1. Deadpool
    Filme de Ação, Ator em Filme de Ação (Ryan Reynolds), Comédia, Ator em Comédia (Ryan Reynolds)
    Apesar da saturação de filmes de super-heróis, a adaptação de Deadpool conseguiu apresentar muita criatividade com a metalinguagem atípica (muito se deve ao próprio quadrinho), bom ritmo e ótima química entre os atores. E foi recompensado nas bilheterias por sua ousadia de elevar sua classificação etária. Tudo bem que foi um pouco exagerado sua dupla indicação como Comédia e Ação, mas…
Ryan Reynolds na pele deformada de Deadpool (pic by moviepilot.de)

Ryan Reynolds na pele deformada de Deadpool (pic by moviepilot.de)

2. Dois Caras Legais

Comédia, Ator em Comédia (Ryan Gosling)
O novo trabalho do diretor Shane Black foi uma grata surpresa, tem seus méritos como roteiro e a direção de arte dos anos 70, mas por se tratar de um filme despretensioso, era difícil premiá-lo. Provavelmente não vai ganhar nada, mas merecidamente estará na festa.

3. Florence: Quem é Essa Mulher?
Comédia, Ator em Comédia (Hugh Grant), Atriz em Comédia (Meryl Streep)
Está comédia sobre uma figura real que foi considerada a pior cantora de todos os tempos tem conquistado boas críticas, mas não chega com força para cravar indicações ao Oscar. Talvez exceto por Meryl Streep e o figurino. Como a atriz não foi indicada na categoria principal, pelo menos tem o favoritismo da categoria de comédia.

4. Rua Cloverfield, 10
Ficção Científica/Terror
Esse foi um das melhores surpresas do ano, mas como é modesto, também ficou difícil reconhecer em premiações. Mas esta pequena gema do cinema sci-fi tem muitos méritos, principalmente porque soube contar umas história simples, com baixo orçamento e com um ótimo clima de tensão do início ao fim. Os atores Mary Elizabeth Winstead e John Goodman mereciam indicações, mas o Critics’ Choice Awards não tem categorias de Atores em Terror/Sci-Fi… ainda.

Mary Elisabeth Winstead em cativeiro com John Goodman em Rua Cloberfield, 10, de Dan Trachtenberg (pic by cine.gr)

Mary Elizabeth Winstead em cativeiro com John Goodman em Rua Cloberfield, 10, de Dan Trachtenberg (pic by cine.gr)

5. Capitão Fantástico
Ator em Comédia (Viggo Mortensen)
Este pequeno filme foi uma das maiores surpresas do cinema independente americano de 2016. Mortensen interpreta um pai que cuida de seis crianças numa floresta até que precisa abandonar seu paraíso para adentrar o verdadeiro mundo. Houve inúmeras críticas positivas, principalmente pelo casting do elenco infantil.

E o lado negativo da Bolha Assassina:

1. Batman vs Superman: A Origem da Justiça
Atriz em Ação (Gal Gadot)
Não me interpretem mal. Acho Gal Gadot muito linda. Mas o que ela fez nesse crossover de Batman e Superman? A personagem dela, que é totalmente dispensável na trama, não tem profundidade alguma. Nem se fosse uma boa atriz nesse papel sairia algo notável.

A bela Gal Gadot em cena de Batman vs Superman. Beleza faz uma boa interpretação? Pic by moviepilot.de

A bela Gal Gadot em cena de Batman vs Superman. Beleza faz uma boa interpretação? Pic by moviepilot.de

2. Esquadrão Suicida
Atriz em Comédia (Margot Robbie)
Tudo bem que a concorrência nesta categoria parece ter sido apenas para preencher cota, mas nem Margot Robbie salva um filme tão medíocre como Esquadrão Suicida. Ela tem os looks da personagem Harlequina, mas é apenas o superficial. Provavelmente este será o prêmio mais fácil que Meryl Streep vai levar.

3. Um Espião e Meio
Comédia, Ator em Comédia
Deve ter gente que ama essas comédias estereotipadas, mas acho que o Critics’ Choice podia ter caprichado mais nessa escolha. Por que não incluir o último filme de Woody Allen, Café Society? Ou o humor negro de Swiss Army Man?

Indicados ao 22º Critics’ Choice Awards:

MELHOR FILME
A Chegada (Arrival)
Fences
Até o Último Homem (Hacksaw Ridge)
A Qualquer Custo (Hell or High Water)
La La Land: Cantando Estações (La La Land)
Lion
Loving
Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea)
Moonlight
Sully: O Herói do Rio Hudson (Sully)

MELHOR DIRETOR
Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)
Mel Gibson (Até o Último Homem)
Barry Jenkins (Moonlight)
Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
David Mackenzie (A Qualquer Custo)
Denis Villeneuve (A Chegada)
Denzel Washington (Fences)

MELHOR ATOR
Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
Joel Edgerton (Loving)
Andrew Garfield (Até o Último Homem)
Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações)
Tom Hanks (Sully: O Herói do Rio Hudson)
Denzel Washington (Fences)

MELHOR ATRIZ
Amy Adams (A Chegada)
Annette Bening (20th Century Women)
Isabelle Huppert (Elle)
Ruth Negga (Loving)
Natalie Portman (Jackie)
Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali (Moonlight)
Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
Ben Foster (A Qualquer Custo)
Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
Dev Patel (Lion)
Michael Shannon (Animais Noturnos)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Viola Davis (Fences)
Greta Gerwig (20th Century Women)
Naomie Harris (Moonlight)
Nicole Kidman (Lion)
Janelle Monáe  (Estrelas Além do Tempo)
Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)

MELHOR JOVEM ATOR/ATRIZ
Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
Alex R. Hibbert (Moonlight)
Lewis MacDougall (Sete Minutos Depois da Meia-Noite)
Madina Nalwanga (Rainha de Katwe)
Sunny Pawar ( Lion)
Hailee Steinfeld (The Edge of Seventeen)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Luke Davies (Lion)
Tom Ford (Animais Noturnos)
Eric Heisserer (A Chegada)
Todd Komarnicki (Sully: O Herói do Rio Hudson)
Allison Schroeder, Theodore Melfi (Estrelas Além do Tempo)
August Wilson (Fences)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)
Barry Jenkins (Moonlight)
Yorgos Lanthimos/Efthimis Filippou (O Lagosta)
Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
Jeff Nichols (Loving)
Taylor Sheridan (A Qualquer Custo)

MELHOR FOTOGRAFIA
Bradford Young (A Chegada)
Stéphane Fontaine (Jackie)
Linus Sandgren (La La Land: Cantando Estações)
James Laxton (Moonlight)
Seamus McGarvey (Animais Noturnos)

MELHOR FIGURINO
Joanna Johnston (Aliados)
Colleen Atwood (Animais Fantásticos e Onde Habitam)
Consolata Boyle (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Madeline Fontaine (Jackie)
Mary Zophres (La La Land: Cantando Estações)
Eimer Ni Mhaoldomhnaigh (Amor & Amizade)

MELHOR MONTAGEM
Joe Walker (A Chegada)
John Gilbert (Até o Último Homem)
Tom Cross (La La Land: Cantando Estações)
Nat Sanders, Joi McMillon (Moonlight)
Blu Murray (Sully: O Herói do Rio Hudson)

MELHOR CABELO E MAQUIAGEM
Doutor Estranho
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Até o Último Homem
Jackie
Star Trek: Sem Fronteiras

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Patrice Vermette; Paul Hotte, André Valade (A Chegada)
Stuart Craig; James Hambidge, Anna Pinnock (Animais Fantásticos e Onde Habitam)
Jean Rabasse; Véronique Melery (Jackie)
David Wasco; Sandy Reynolds-Wasco (La La Land: Cantando Estações)
Jess Gonchor; Nancy Haigh (A Lei da Noite)

MELHOR TRILHA MUSICAL
Jóhann Jóhannsson (A Chegada)
Mica Levi (Jackie)
Justin Hurwitz (La La Land: Cantando Estações)
Nicholas Britell (Moonlight)
Dustin O’Halloran, Hauschka (Lion)

MELHOR CANÇÃO
“Audition (The Fools Who Dream)” (La La Land: Cantando Estações)
“City of Stars” (La La Land: Cantando Estações)
“How Far I’ll Go” (Moana – Um Mar de Aventuras)
“Can’t Stop the Feeling!” (Trolls)
“The Rules Don’t Apply” (Rules Don’t Apply)
“Drive It Like You Stole It” (Sing Street)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
A Chegada
Doutor Estranho
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Mogli, o Menino Lobo
Sete Minutos Depois da Meia-Noite

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO
Procurando Dory
Kubo e as Cordas Mágicas
Moana – Um Mar de Aventuras
The Red Turtle
Trolls
Zootopia

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Elle
The Handmaiden
Julieta
Neruda
O Apartamento
Toni Erdmann

MELHOR ELENCO
Fences
A Qualquer Custo
Estrelas Além do Tempo
Manchester À Beira-Mar
Moonlight
20th Century Women

MELHOR FILME DE AÇÃO
Capitão América: Guerra Civil
Deadpool
Doutor Estranho
Até o Último Homem
Jason Bourne

MELHOR ATOR EM FILME DE AÇÃO
Benedict Cumberbatch (Doutor Estranho)
Matt Damon (Jason Bourne)
Chris Evans (Capitão América: Guerra Civil)
Andrew Garfield (Até o Último Homem)
Ryan Reynolds (Deadpool)

MELHOR ATRIZ EM FILME DE AÇÃO
Gal Gadot (Batman vs Superman: A Origem da Justiça)
Scarlett Johansson (Capitão América: Guerra Civil)
Margot Robbie (Esquadrão Suicida)
Tilda Swinton (Doutor Estranho)

MELHOR COMÉDIA
Um Espião e Meio
Deadpool
Don’t Think Twice
The Edge of Seventeen
Ave, César!
Dois Caras Legais

MELHOR ATOR EM COMÉDIA
Ryan Gosling (Dois Caras Legais)
Hugh Grant (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Dwayne Johnson (Um Espião e Meio)
Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)
Ryan Reynolds (Deadpool)

MELHOR ATRIZ EM COMÉDIA
Kate Beckinsale (Amor & Amizade)
Sally Field (Doris, Redescobrindo o Amor)
Kate McKinnon (Caça-Fantasmas)
Hailee Steinfeld (The Edge of Seventeen)
Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)

MELHOR FILME DE FICÇÃO CIENTÍFICA/TERROR
A Chegada
Doutor Estranho
O Homem nas Trevas
Star Trek: Sem Fronteiras
Rua Cloverfield, 10
A Bruxa

***

A cerimônia do 22º Critics’ Choice Awards acontece dia 11 de dezembro.

30º Independent Spirit Awards também reconhece ‘Birdman’, mas premia Linklater como diretor

Michael Keaton levou o Independent Spirit Award um dia antes do Oscar por Birdman (photo by entertainment.inquirer.net)

Michael Keaton levou o Independent Spirit Award um dia antes do Oscar por Birdman (photo by entertainment.inquirer.net)

EM SEU 30º ANO, PRÊMIO DOS INDEPENDENTES ESTÁ CADA VEZ MAIS EQUIPARADO AO OSCAR

Um dia antes do Oscar, ocorreu o 30º Independent Spirit Awards. Lembro que até a década de 90, a regra era a seguinte: o filme ou artista que ganhar o Independent não ganhará o Oscar. Mas os tempos mudaram com crises econômicas (obrigado, George W. Bush), e agora parece não haver quase nenhuma distinção entre Oscar e o prêmio independente.

Para quem não conhece, o regulamento do Independent Spirit exige basicamente que os filmes candidatos não ultrapassem a barreira dos 20 milhões de dólares de custo de produção (incluindo a pós-produção) e que seja produzido nos EUA. Só para citar alguns exemplos: Foxcatcher e Vício Inerente foram desqualificados pelo primeiro quesito, enquanto A Teoria de Tudo foi pelo segundo, por ser britânico.

Mas, como dito, com a crise econômica, muitas das produções de estúdio estão com seus orçamentos bastante enxugados, fazendo com que esses filmes também concorram ao Independent um dia antes do Oscar. Assim, Birdman, Boyhood e Whiplash, por exemplo, estavam presentes e concorrendo em ambas as premiações.

Ethan Hawke aceita o prêmio de Diretor na ausência de Richard Linklater por Boyhood (photo by novo.wada.vn)

Ethan Hawke aceita o prêmio de Diretor na ausência de Richard Linklater por Boyhood (photo by novo.wada.vn)

Claro que por um lado, é vantajoso para esses filmes ganhar mais projeção num evento mais aconchegante (o Independent foi realizado em tendas da praia de Santa Monica!), mas e como ficam os filmes realmente menores? Ok, tem algumas produções que estão concorrendo ao Independent que não foram convidadas para o Oscar como O Amor é Estranho, Kumiko the Treasure Hunter e Amantes Eternos, mas nenhum deles ganhou um Independent Spirit Award sequer!

Com a crise apertando e mudando o cenário, sugiro uma mudança bem simples: alterar o teto de orçamento qualificatório para 10 milhões de dólares. Essa medida eliminaria muitos desses novos papa-Oscars e resgataria produções mais modestas para a premiação a fim de alavancar suas bilheterias, pois como muitos se esquecem, um prêmio tem também essa função de ajudar na divulgação de um trabalho e levantar uma graninha extra.

Bom, agora cortando o discurso político, vamos aos resultados. Birdman faturou os prêmios de Filme, Ator (Michael Keaton) e Fotografia. Já Boyhood ficou com o prêmio de Diretor para Richard Linklater (que tem mais cara de indie) e Atriz Coadjuvante (Patricia Arquette).

Tudo bem que ficaria feio para o Independent ser do contra se elegesse outros atores que não fossem os favoritos (Michael Keaton, Julianne Moore, J.K. Simmons e Patricia Arquette), mas poderiam dar uma variada, pois tinham boas opções alternativas. Por que não premiar Tilda Swinton por Amantes Eternos ou Jake Gyllenhaal por O Abutre como Ator? Sairia da mesmice da temporada e demonstraria mais personalidade; pra não soar redundante e dizer “seria mais independente”. Alguns podem achar que essa opinião é uma mera tentativa de ser diferente, mas se olharmos para a safra de 2014, houve mais atores tão merecedores quanto aqueles que ganharam todos os prêmios.

Julianne Moore recebe prêmio por Para Sempre Alice (photo by chinadaily.com.cn)

Julianne Moore recebe prêmio por Para Sempre Alice (photo by chinadaily.com.cn)

O mesmo digo na categoria de Filme em Língua Estrangeira. Pô, o mesmo filme quadrado polonês ganhou o Independent?! Só pra citar aqueles que assisti, tinha o ótimo filme russo Leviatã, que destrincha a Rússia atual com um roteiro inteligente; tinha o sueco Força Maior, que tem uma veia de humor negro tão bizonha que já merecia qualquer prêmio por sua atmosfera; e o britânico Sob a Pele, com seu tom experimental em vários campos como a fotografia, a trilha musical e a montagem. Deixe para o Oscar premiar Ida por seu tipo conservador.

VENCEDORES DO INDEPENDENT SPIRIT AWARDS 2015:

MELHOR FILME
• Birdman (Birdman (or The Unexpected Virtue of Ignorance)
Produtores: Alejandro González Iñárritu, John Lesher, Arnon Milchan, James W. Skotchdopole

DIRETOR
Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)

ATRIZ
Julianne Moore (Still Alice)

ATOR
Michael Keaton (Birdman)

ATRIZ COADJUVANTE
Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)

Patricia Arquette discursa por Boyhood (photo by hollywoodreporter.com)

Patricia Arquette discursa por Boyhood (photo by hollywoodreporter.com)

ATOR COADJUVANTE
J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

J.K. Simmons aceita seu prêmio por Whiplash: Em Busca da Perfeição. Ao fundo, Jared Leto. Photo by variety.com

J.K. Simmons aceita seu prêmio por Whiplash: Em Busca da Perfeição. Ao fundo, Jared Leto. Photo by variety.com

MELHOR FOTOGRAFIA
Emmanuel Lubezki (Birdman)

MELHOR MONTAGEM
Tom Cross (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR ROTEIRO
Dan Gilroy (O Abutre)

MELHOR FILME DE ESTRÉIA
• O Abutre (Nightcrawler)
Diretor: Dan Gilroy
Produtores: Jennifer Fox, Tony Gilroy, Jake Gyllenhaal, David Lancaster, Michel Litvak

PRIMEIRO ROTEIRO
Justin Simien (Dear White People)

PRÊMIO JOHN CASSAVETES – Para produções feitas abaixo de 500 mil dólares.
• Land Ho!
Diretores-roteiristas: Aaron Katz, Martha Stephens
Produtores: Christina Jennings, Mynette Louie, Sara Murphy

MELHOR DOCUMENTÁRIO
• CitizenFour
Diretora-produtora: Laura Poitras
Produtores: Mathilde Bonnefoy, Dirk Wilutzky

FILME INTERNACIONAL
• Ida – POLÔNIA
Diretor: Pawel Pawlikowski

O diretor Pawel Pawlikowski discursa por Ida (photo by pictures.zimbio.com)

O diretor Pawel Pawlikowski discursa por Ida (photo by pictures.zimbio.com)

PRÊMIO ROBERT ALTMAN – Concedido a um diretor, diretor de elenco e elenco
• Vício Inerente (Inherent Vice)
Diretor: Paul Thomas Anderson
Diretor de Casting: Cassandra Kulukundis
Elenco: Josh Brolin, Martin Donovan, Jena Malone, Joanna Newsom, Joaquin Phoenix, Eric Roberts, Maya Rudolph, Martin Short Serena Scott Thomas, Benicio Del Toro, Katherine Waterston, Michael Kenneth Williams, Owen Wilson, Reese Witherspoon

SPECIAL DISTINCTION AWARD
• Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher)
Diretor/Produtor: Bennett Miller
Produtores: Anthony Bregman, Megan Ellison, Jon Kilik
Roteiristas: E. Max Frye, Dan Futterman
Atores: Steve Carell, Mark Ruffalo, Channing Tatum

PRODUCERS AWARD
Chad Burris
Elisabeth Holm
Chris Ohlson

SOMEONE TO WATCH AWARD
• A Girl Walks Home Alone at Night
Diretora: Ana Lily Amirpour
• H.
Diretores: Rania Attieh & Daniel Garcia
• The Retrieval
Diretor: Chris Eska

TRUER THAN FICTION AWARD
• Approaching the Elephant
Diretor: Amanda Rose Wilder
• Evolution of a Criminal
Diretor: Darius Clark Monroe
• The Kill Team
Diretor: Dan Krauss
• The Last Season
Diretora: Sara Dosa

Apostas para o Oscar 2015

MELHOR FILME

Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)

Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)

Indicados:

– Sniper Americano
– Birdman
– Boyhood: Da Infância à Juventude
– O Grande Hotel Budapeste
– O Jogo da Imitação
– Selma: A Luta Pela Igualdade
– A Teoria de Tudo
– Whiplash: Em Busca da Perfeição

DEVE GANHAR: Boyhood: Da Infância à Juventude
DEVERIA GANHAR: Boyhood: Da Infância à Juventude
ZEBRA: Selma: Uma Luta Pela Igualdade

ESNOBADO: Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

Quando vi Boyhood, na hora pensei no Oscar de Melhor Filme, assim como quando vi 12 Anos de Escravidão, tive a mesma visão. O projeto ambicioso de 12 anos de Richard Linklater tem cara de Oscar de Melhor Filme e acho que merece ser reconhecido por seu esforço descomunal, além de ter alterado para sempre qualquer filme sobre amadurecimento.

Mas o filme perdeu muito de sua força depois que perdeu para Birdman como Melhor Filme no PGA, sindicato dos produtores, que costuma acertar bem os vencedores desta categoria. E outra vantagem que Birdman possui é que a maioria dos 6 mil votantes do Oscar é ator ou atriz, e eles adoraram esse filme justamente por sua temática teatral, afinal, só um ator sabe como é ficar no ostracismo por anos e tentar um retorno triunfal como faz o personagem de Michael Keaton.

Nessa briga entre os dois filmes, curiosamente, Sniper Americano tem surpreendido como elemento surpresa. Sua bilheteria americana de mais de 300 milhões de dólares (até o momento) tem chamado muito a atenção, além da sua polêmica envolvendo o tratamento da Guerra do Iraque (os iraquianos quase não têm falas e o protagonista mata uma criança e sua mãe – com razão – mas mata).

Normalmente, a Academia se mostra mais conservadora, e prefere ficar longe de polêmicas, mas o crescimento do filme de Clint Eastwood tem sido impossível de ficar indiferente. Uma escolha excelente seria O Grande Hotel Budapeste, que ainda por cima, deve ganhar várias estatuetas, mas boa parte dos especialistas defendem que o filme de Wes Anderson não tem o peso para ganhar um prêmio de tamanha importância como o Oscar de Melhor Filme. Muitos o enxergam apenas como uma trama de assassinato bonita. E o mesmo vale para Whiplash, que seria pequeno demais para um prêmio grande demais.

Por outro lado, Selma: Uma Luta Pela Igualdade tem o tal peso que os especialistas falam, mas só foi indicado a Filme e Canção Original. Seria praticamente impossível essa vitória, por mais que o Oscar de canção esteja garantido. Além disso, o filme só foi indicado a Filme por causa da campanha levantada por Oprah Winfrey, que além de atuar, também é produtora do longa. Muito provavelmente, sem Winfrey, o filme jamais teria saído do papel, pois nenhum grande estúdio se interessou.

MELHOR DIRETOR

Indicados:

– Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
– Alejandro González Iñárritu (Birdman)
– Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
– Bennett Miller (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
– Morten Tyldum (O Jogo da Imitação)

Alejandro González Iñárritu com o ator Michael Keaton em set de Birdman (photo by outnow.ch)

Alejandro González Iñárritu com o ator Michael Keaton em set de Birdman (photo by outnow.ch)

DEVE GANHAR: Alejandro González Iñárritu (Birdman)
DEVERIA GANHAR: Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
ZEBRA: Morten Tyldum (O Jogo da Imitação)

ESNOBADO: Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

O Oscar de direção tá concorrido este ano. Alejandro González Iñárritu está ligeiramente na frente por ter vencido o DGA (Directors Guild of America), mas Richard Linklater ganhou o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards. E a divisão de votos entre ambos pode muito bem beneficiar Wes Anderson, que está logo atrás por O Grande Hotel Budapeste. E não dá pra simplesmente descartar Bennett Miller, pois foi o elemento surpresa da categoria e pode surpreender, mesmo que seu Foxcatcher não esteja entre os indicados a Melhor Filme.

Em termos de mérito, Linklater ganha muitos pontos por ter se dedicado por 12 anos a um projeto que ninguém se interessou. Se ele perder na categoria de Roteiro Original, deve levar Diretor. Já o mexicano Iñárritu desempenha o papel do diretor que se faz presente no estilo do filme. Alguns consideram mão pesada seus longos planos-sequência, enquanto outros o consagram pela tensão originada pelos mesmos.

Apesar de todas as controvérsias deste ano na categoria como as ausências de Ava DuVernay (Selma), Angelina Jolie (Invencível) e Clint Eastwood (Sniper Americano), acho que todos os diretores estão bem representados aqui, inclusive o norueguês Morten Tyldum (O Jogo da Imitação), que achei que não seria indicado por ser meio desconhecido. Seu filme anterior, Headhunters, é um ótimo thriller estilo A Conversação que merece ser visto (só peca pelo excesso de redundância no final). Mas eu incluiria o jovem Damien Chazelle como forma de encorajá-lo ainda mais para os próximos projetos, assim como a Academia fez com o jovem Benh Zeitlin por Indomável Sonhadora há dois anos.

MELHOR ATOR

Indicados:

– Steve Carell (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
– Bradley Cooper (Sniper Americano)
– Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação)
– Michael Keaton (Birdman)
– Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)

Esforços do ator Eddie Redmayne devem impressionar mais do que a maquiagem em A Teoria de Tudo (photo by elfilm.com)

Eddie Redmayne  em A Teoria de Tudo (photo by elfilm.com)

DEVE GANHAR: Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)
DEVERIA GANHAR: Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação)
ZEBRA: Steve Carell (Foxcatcher)

ESNOBADO: Jake Gyllenhaal (O Abutre)

Muito se fala da cartilha para se ganhar o Oscar de atuação, na qual se lê muito das transformações físicas para obter a consistência do personagem. Para isso, muitos dos vencedores emagreceram, engordaram, usaram próteses de nariz e dentes, e este ano, Eddie Redmayne chegou a entortar sua espinha tamanha sua obsessão em se tornar Stephen Hawking. Esse tipo de sacrifício vale um Oscar. A Teoria de Tudo é um filme clichê, sim, mas vale a pena pra ver a transformação do ator gradativamente. Contudo, particularmente, considero sua atuação fraca. Claro que ele faz caras e bocas, mas parece que ele está mais preocupado em reproduzir os macetes da figura de Stephen Hawking do que propriamente construir e desenvolver seu personagem.

Em termos de atuação mesmo, prefiro Benedict Cumberbatch, que consegue captar nuances com um simples olhar ou um gesto. Em O Jogo da Imitação, ele faz Alan Turing, o matemático homossexual que quebrou o código Enigma usado pelos nazistas.  Ou a atuação de Michael Keaton como Riggan. Assim como Mickey Rourke fez em O Lutador, Keaton explora e extrai de sua vida pessoal experiências necessárias para a construção e consistência de seu personagem, que busca um retorno triunfal na Broadway. Se a maioria dos votantes considerar que Redmayne é muito jovem para ter um Oscar (ele tem 33), Michael Keaton leva.

Curiosamente, excetuando Bradley Coooper, todos os demais estão em sua primeira indicação ao Oscar. E o que dá ainda mais vantagem para Cooper é que esta é sua terceira indicação consecutiva: ele foi indicado por O Lado Bom da Vida e Trapaça. Quer mais? Sniper Americano está concorrendo a 6 estatuetas, incluindo Melhor Filme, e tem a maior bilheteria de todos os indicados, ultrapassando a marca dos 300 milhões só em território americano. Essas cartas na manga normalmente contribuem muito para que a Academia conceda seus prêmios, e como Clint Eastwood não foi indicado, pode sobrar um Oscar surpresa para Bradley Cooper.

Tudo bem que a Academia não curte filmes sombrios do tipo de O Abutre, mas a ausência de Gyllenhaal nesta categoria é um ultraje. Indicado anteriormente como coadjuvante em 2006 por O Segredo de Brokeback Mountain, ele segue à risca os anais da transformação física que leva ao Oscar ao perder 10 quilos, buscando realçar o brilho dos olhos ao evitar de piscá-los.

MELHOR ATRIZ

Indicadas:

– Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite)
– Julianne Moore (Para Sempre Alice)
– Felicity Jones (A Teoria de Tudo)
– Rosamund Pike (Garota Exemplar)
– Reese Witherspoon (Livre)

Julianne Moore em Para Sempre Alice (photo by cinemagia.ro)

Julianne Moore em Para Sempre Alice (photo by cinemagia.ro)

DEVE GANHAR: Julianne Moore (Para Sempre Alice)
DEVERIA GANHAR: Julianne Moore (Para Sempre Alice)
ZEBRA: Felicity Jones (A Teoria de Tudo)

ESNOBADO: Keira Knightley (Mesmo se Nada Der Certo)

Sabe aquele papo de “dá logo o Oscar pra ela”? . Claro que o papel que ela desempenha em Para Sempre Alice ajuda bastante, já que ela interpreta uma personagem que sofre de Mal de Alzheimer precoce. Mas engana-se aquele que acha que qualquer atriz mediana daria conta do recado. O “problema” é que Julianne tira de letra a personagem sem fazer muito esforço.

Talvez em um ano mais disputado, ela teria que suar um pouco mais a camisa para conquistar a estatueta. A grande surpresa da categoria foi a francesa Marion Cotillard, que concorre pelo filme belga Dois Dias, Uma Noite. Só o fato de ela ter batido as favoritas à indicação, Jennifer Aniston (Cake: Uma Razão Para Viver) e Amy Adams (Grandes Olhos), já a coloca como uma vitoriosa, mas sua atuação como uma trabalhadora que busca convencer seus colegas de trabalho a não perder o emprego é digna de nota. Ao contrário da maioria das atrizes, Cotillard se despe de qualquer vaidade em prol da personagem, que até tem uma postura levemente curvada de fracasso. Para sua infelicidade, como ela já havia ganhado o Oscar por Piaf – Um Hino ao Amor em 2008, suas chances são baixas.

Rosamund Pike era vista como uma concorrente em potencial por sua atuação elétrica em Garota Exemplar, mas como o filme não obteve mais nenhuma indicação, sua campanha enfraqueceu consideravelmente. Já Reese Witherspoon pode ser considerado aquele caso de atriz bonitinha que saiu da zona de conforto (também literalmente), pois sua personagem Cheryl Strayed percorre vários quilômetros numa busca por sua identidade, mas que apresenta consistência dramática beirando o 0%.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Indicados:

– Robert Duvall (O Juiz)
– Ethan Hawke (Boyhood: Da Infância à Juventude)
– Edward Norton (Birdman)
– Mark Ruffalo (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
– J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição) - photo by elfilm.com

J.K. Simmons em Whiplash: Em Busca da Perfeição (photo by elfilm.com)

DEVE GANHAR: J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
DEVERIA GANHAR: J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
ZEBRA: Robert Duvall (O Juiz)

ESNOBADO: Riz Ahmed (O Abutre)

Não importa o quanto você tenha gostado da performance de Edward Norton ou Mark Ruffalo, o Oscar é de J.K. Simmons, e com méritos. Toda grande atuação começa com um bom papel e o monstruoso professor de música Fletcher que usa torturas psicológicas como método de ensino é um material de primeira qualidade, que caiu como uma luva para Simmons. Apesar de apresentar semelhanças com o chefe do Homem-Aranha, J.J. Jameson, em termos de rabugice, em Whiplash, ele consegue humanizar o personagem na sequência em que ele toca piano num pub. Como se não bastasse, a Academia adora um personagem durão que rouba a cena. Foi assim com Louis Gossett Jr. em A Força do Destino e Jack Palance em Amigos, Sempre Amigos conseguiram seus Oscars de coadjuvante.

Quanto a Norton, fico feliz que ele tenha conseguido sua terceira indicação depois de 16 anos! No final dos anos 90, ele foi considerado um dos mais promissores talentos em Hollywood após as indicações por As Duas Faces de um Crime em 1997 e A Outra História Americana em 1999, além de ter atuado no cult Clube da Luta. Em Birdman, ele desempenha uma tarefa complicada: interpretar um ator egocêntrico sem cair no clichê. Pena que seu personagem não teve mais participação na segunda metade do filme, pois merecia mais destaque.

Já Ruffalo… o que dizer? É um ator sutilmente multifacetado, que cedo ou tarde terá seu Oscar. Por Foxcatcher, assim como seu colega Channing Tatum, teve intenso treinamento de wrestling, ganhando massa muscular, mas também foi responsável pelo equilíbrio da história ao trazer uma boa dose de humanismo ao universo frio do multimilionário John Du Pont. Esta é sua segunda indicação depois de Minhas Mães e Meu Pai (2010).

Agora, no quesito humanismo, Ethan Hawke tira de letra em Boyhood. Ele pode ser um pai ausente para Mason, mas nos momentos em que volta, consegue compensá-lo e colaborar bastante em seu amadurecimento como homem. É um pai que todo garoto gostaria de ter, que conta os segredos de pegar meninas e bebe junto. E como Hawke já é um colaborador assíduo do diretor Richard Linklater, percebe-se nitidamente que ele está completamente à vontade no papel ao longo dos 12 anos do projeto. Sua vitória seria uma grata surpresa.

E Robert Duvall basicamente está na lista para dar uma credibilidade de veterano. Não que ele esteja mal em O Juiz, mas se fosse um ano mais disputado, ele poderia não estar na lista. Ainda pra sorte de Duvall, não houve muitos esnobados este ano.

A performance do novato Riz Ahmed como o ingênuo aprendiz Rick em O Abutre foi bastante simbólica. Ele representa toda uma classe de imigrantes latinos que lutam por oportunidades de empregos nos EUA ao mesmo tempo em que coletam migalhas para sobreviver. Uma indicação certamente deslancharia sua carreira, mas se ele fizer as escolhas certas nos próximos projetos, ele tem tudo para crescer em Hollywood.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Indicadas:

– Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
– Laura Dern (Livre)
– Keira Knightley (O Jogo da Imitação)
– Emma Stone (Birdman)
– Meryl Streep (Caminhos da Floresta)

Patricia Arquette com o pequeno Ellar Coltrane em cena de Boyhood: Da Infância à Juventude

Patricia Arquette em Boyhood: Da Infância à Juventude (photo by outnow.ch)

DEVE GANHAR: Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
DEVERIA GANHAR: Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
ZEBRA: Meryl Streep (Caminhos da Floresta)

ESNOBADA: Jessica Chastain (O Ano Mais Violento) e Tilda Swinton (Expresso do Amanhã)

Patricia Arquette ganhou todos os prêmios que podia como atriz coadjuvante, tanto que as concorrentes já devem ir ao Oscar cientes de que vão ficar sentadas nas poltronas. Caso o filme não fosse sobre o crescimento do menino Mason (Ellar Coltrane), Arquette facilmente seria o centro de tudo. Sua personagem passa por maus bocados mas sempre com a cabeça erguida como uma representante da mulher do século XXI. Sua cena mais marcante, obviamente, é aquela em que se indigna com a saída do filho para a faculdade: “Então é só isso? Achei que havia mais…” – é de cortar o coração.

Entre as demais candidatas, Emma Stone consegue extrair uma vulnerabilidade de sua personagem sarcástica, mantendo uma postura misteriosa sobre seu passado com as drogas depois que seu pai a abandonou. Talvez não seja material de Oscar, mas sua interpretação ajuda Birdman a construir um belo mosaico de personagens.

Não gosto muito de Livre, mas ao sair da sessão, fiquei com o pensamento de que Laura Dern merecia mais tempo de tela. Sua personagem, uma mãe que descobre ter câncer quando planeja recomeçar a vida, só aparece em flashbacks curtos. E aí fica a impressão de que a Academia só a indicou pelo papel (e o sobrenome), e não pela atuação. Dern faz o que pode nos minutos que tem, mas não passa de uma memória da protagonista vivida por Reese Witherspoon.

Não gosto de botar Meryl Streep no patamar de zebra, mas neste caso, ela faz o mesmo papel de Robert Duvall: dar credibilidade à categoria com toda sua experiência. Seu melhor momento no musical Caminhos da Floresta é quando canta “Stay With Me”, quando demonstra uma vulnerabilidade, e obviamente, a transformação de Streep como a bruxa com a ajuda da maquiagem já chama a atenção, mas tudo isso não é o suficiente para ganhar uma quarta estatueta do Oscar. Esta é sua 19ª indicação. Alguém duvida que ela ultrapassa as 20?

Assim como em 2011, quando Jessica Chastain teve vários trabalhos lançados no mesmo ano e acabou indicada por Histórias Cruzadas, em 2014, ela também estrelou várias produções como Interestelar, Miss Julie, Dois Lados do Amor e O Ano Mais Violento, pelo qual ganhou o prêmio de coadjuvante no National Board of Review (NBR), então por que não uma nova indicação? De qualquer forma, Chastain também é daqueles talentos que já tem seu Oscar garantido no futuro… E Tilda Swinton foi bastante elogiada pela ficção científica futurista Expresso do Amanhã, mas como a Academia não curte o gênero…

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

À esquerda, Ralph Fiennes como o concierge Gustave com o seu leal lobby boy Zero, interpretado por Tony Revolori (photo by outnow.ch)

À esquerda, Ralph Fiennes como o concierge Gustave com o seu leal lobby boy Zero, interpretado por Tony Revolori (photo by outnow.ch)

Indicados:

– Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
– Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo (Birdman)
– E. Max Frye, Dan Futterman (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
– Wes Anderson, Hugo Guinness (O Grande Hotel Budapeste)
– Dan Gilroy (O Abutre)

DEVE GANHAR: Wes Anderson, Hugo Guinness (O Grande Hotel Budapeste)
DEVERIA GANHAR: Wes Anderson, Hugo Guinness (O Grande Hotel Budapeste)
ZEBRA: Dan Gilroy (O Abutre)

ESNOBADO: Andrey Zvyagintsev e Oleg Negin (Leviatã)

Embora o roteiro de Birdman tenha faturado alguns prêmios importantes como o Globo de Ouro, não chega à ótima elaboração de O Grande Hotel Budapeste com sua trama de assassinato que lembra uma Agatha Christie, mas com um humor que somente Wes Anderson conseguiria imprimir. Além disso, possui uma ampla gama de personagens interessantes que se cruzam em vários linhas narrativas. Como se não bastasse o Oscar que a Academia anda devendo a Anderson, ela adora tramas mirabolantes como a premiada de Assassinato em Gosford Park (2001).

Já os roteiros de Foxcatcher e O Abutre são sombrios demais para ganhar o Oscar. Claro que são bem escritos e defendidos por ótimos atores, mas não vejo a Academia os premiando. Já a presença de Boyhood aqui parece mais garantir que o filme seja premiado de alguma forma do que propriamente pela qualidade do roteiro. Talvez se a campanha de Leviatã fosse mais forte, seus roteiristas poderiam concorrer ao Oscar de roteiro original também. Eles conseguem fazer uma ótima metáfora de uma história bíblica de Jó ao adaptá-la para a Rússia dos dias de hoje, comandada por Vladimir Putin e a Igreja. O filme levou o prêmio de roteiro no último Festival de Cannes.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Keira Knightley (The Imitation Game) - photo by outnow.ch

Keira Knightley, Benedict Cumberbatch em cena de O Jogo da Imitação– photo by outnow.ch

Indicados:

– Jason Hall (Sniper Americano)
– Paul Thomas Anderson (Vício Inerente)
– Graham Moore (O Jogo da Imitação)
– Anthony McCarten (A Teoria de Tudo)
– Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

DEVE GANHAR: Graham Moore (O Jogo da Imitação)
DEVERIA GANHAR: Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
ZEBRA: Jason Hall (Sniper Americano)

ESNOBADO: James Gunn e Nicole Perlman (Guardiões da Galáxia)

A campanha de O Jogo da Imitação foi boa, o que resultou em 8 indicações ao Oscar, mas na prática mesmo, nenhum prêmio está garantido. A única indicação que está mais próxima de se concretizar em uma estatueta é a de roteiro adaptado, mesmo com suas incoerências que alguns sites adoram citar (como o fato de que a máquina decodificadora não foi criada propriamente por Alan Turing, mas por poloneses). Trata-se de uma ótima forma da Academia compensar o filme de não sair de mãos vazias da cerimônia.

Contudo, em termos de roteiro, ainda prefiro o de Damien Chazelle. Claro que de longe, pode parecer uma história boba de aprendizado de música, mas olhando à fundo, ele aborda temas muito mais profundos como a própria existência, a exploração do dom de cada um e a obsessão em alcançar um objetivo. Os diálogos entre Fletcher (J.K. Simmons) e Andrew (Miles Teller) estão afiadíssimos e seus atores devem muito ao roteiro. Curiosidade: o filme originalmente concorria ao Oscar de roteiro original, mas a Academia considerou-o como roteiro adaptado depois que descobriu que houve um curta de mesmo nome em 2013 do mesmo diretor.

Eu poderia colocar o roteiro de Gillian Flynn (Garota Exemplar) ou Nick Hornby (Livre) como um dos esnobados, mas preferi incluir a adaptação dos quadrinhos de Guardiões da Galáxia. O universo dos personagens da Marvel era até então meio secundário, mas o roteiro soube captar tão bem o espírito desse quadrinho, que acabou se tornando esse sucesso inquestionável.

MELHOR FOTOGRAFIA

Emmanuel Lubezki (Birdman) - photo by outnow.ch

Edward Norton e Emma Stone em cena de Birdman – photo by outnow.ch

Indicados:

– Emmanuel Lubezki (Birdman)
– Robert D. Yeoman (O Grande Hotel Budapeste)
– Lukasz Zal, Ryszard Lenczewski (Ida)
– Dick Pope (Sr. Turner)
– Roger Deakins (Invencível)

DEVE GANHAR: Emmanuel Lubezki (Birdman)
DEVERIA GANHAR: Robert D. Yeoman (O Grande Hotel Budapeste)
ZEBRA: Dick Pope (Sr. Turner)

ESNOBADO: Daniel Landin (Sob a Pele)

Emmanuel Lubezki pode ter ganhado seu primeiro Oscar no ano passado por Gravidade, mas seu trabalho em Birdman foi tão além de saber onde botar a câmera e iluminar, que seria quase impossível ele não ser devidamente recompensado. Birdman não seria Birdman sem os vários planos-sequência (cenas sem cortes) bem pensados por ele e o diretor Alejandro González Iñárritu. Curiosamente, ele já havia trabalhado bem plano-sequência na ficção científica de seu colaborador assíduo, Alfonso Cuarón, em Filhos da Esperança. Por Birdman, Lubezki ganhou seu 4º prêmios ASC (do sindicato dos diretores de fotografia) e o BAFTA.

Particularmente, prefiro os trabalhos mais plásticos de Lubezki como A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça ou A Árvore da Vida, por isso, meu voto pessoal vai pra bela fotografia de Robert D. Yeoman em O Grande Hotel Budapeste. O filme de Wes Anderson casa tudo tão bem no departamento artístico, que a fotografia não poderia ficar de fora. Já meu voto de coração vai pra Roger Deakins, um dos melhores diretores de fotografia ativos. Esta é sua 12ª indicação sem vitória, mas a campanha do filme Invencível não anda tão invencível assim. Uma pena mesmo…

Sei que é experimental demais pro Oscar, mas gosto da fotografia de Sob a Pele. Pode não ter o plasticismo todo, mas possui ótimos ângulos que reforçam ainda mais o estranhismo desse filme.

MELHOR MONTAGEM

Da esquerda para a direita: Lorelei Linklater, Ethan Hawke e Ellar Coltrane em Boyhood: Da Infância à Juventude (photo by elfilm.com)

Da esquerda para a direita: Lorelei Linklater, Ethan Hawke e Ellar Coltrane em Boyhood: Da Infância à Juventude (photo by elfilm.com)

Indicados:

– Joel Cox, Gary Roach (Sniper Americano)
– Sandra Adair (Boyhood: Da Infância à Juventude)
– Barney Pilling (O Grande Hotel Budapeste)
– William Goldenberg (O Jogo da Imitação)
– Tom Cross (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

DEVE GANHAR: Sandra Adair (Boyhood: Da Infância à Juventude)
DEVERIA GANHAR: Tom Cross (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
ZEBRA: William Goldenberg (O Jogo da Imitação)

ESNOBADO: James Herbert e Laura Jennings (No Limite do Amanhã)

Como competir com um filme que teve material bruto de 12 anos para editar?? Seria até cruel por parte da Academia não premiar o trabalhoso esforço da montadora Sandra Adair em Boyhood. Claro que não premiariam apenas por quilometragem de película editada, mas Adair acerta o ritmo do filme, pois não se percebe que são quase 3 horas de duração, e na não-inclusão de legendas de tempo decorrido (tipo “1 ano depois”), o que certamente prejudicaria o bom andamento do longa.

Meu favorito indubitável é o trabalho de Tom Cross em Whiplash. Além de ter uma baita dor de cabeça para sincronizar todo aquele jazz com os cortes de forma mais imperceptível possível, ele criou um ritmo meio experimental que o tira do lugar comum dos filmes sobre música. Acho que está tão bem casado o tema com a montagem, que não vejo Whiplash nascer sem esses cortes.

As montagens de Sniper Americano e O Jogo da Imitação são boas. Basicamente, elas estão aí porque brincam com flashbacks. Coloquei William Goldenberg como azarão porque ele ganhou recentemente com Argo. Agora, poderiam ter incluído a bem elaborada montagem de No Limite do Amanhã. Claro que tem muito de Feitiço do Tempo, mas sem aquela montagem de repetição bem executada, o filme certamente falharia feio. Foi um dos filmes blockbusters mais elogiados de 2014, por que não inclui-lo na competição?

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

O belo trabalho de Adam Stockhausen em O Grande Hotel Budapeste (photo by elfilm.com)

O belo trabalho de Adam Stockhausen em O Grande Hotel Budapeste (photo by elfilm.com)

Indicados:

– Adam Stockhausen e Anna Pinnock (O Grande Hotel Budapeste)
– Maria Djurkovic e Tatiana Macdonald (O Jogo da Imitação)
– Nathan Crowley e Gary Fettis (Interestelar)
– Dennis Gassner e Anna Pinnock (Caminhos da Floresta)
– Suzie Davies e Charlotte Watts (Sr. Turner)

DEVE GANHAR: Adam Stockhausen e Anna Pinnock (O Grande Hotel Budapeste)
DEVERIA GANHAR: Adam Stockhausen e Anna Pinnock (O Grande Hotel Budapeste)
ZEBRA: Dennis Gassner e Anna Pinnock (Caminhos da Floresta)

Todos os trabalhos de design de produção têm suas peculiaridades. Caminhos da Floresta busca adaptar para o cinema a peça teatral da Broadway, usando árvores retorcidas fabricadas manualmente e alguns achados de locação como a torre da Rapunzel. A arte de Sr. Turner se baseia na palheta de cores das pinturas do próprio J.M.W. Turner para recriar seu estúdio. O design de O Jogo da Imitação se baseia em alguns desenhos do próprio Alan Turing e de sua máquina “Christopher”, e ao contrário da maioria dos filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, apresenta cores mais quentes e vivas.

Interestelar tem toda aquela base secreta do lançamento da nave, a nave em si, o ambiente rural e dos planetas visitados pelos astronautas. Mas se for comparar ao design caprichadíssimo de O Grande Hotel Budapeste, seria covardia para os demais concorrentes. Não bastasse toda a decoração típica de hotéis de luxo do início do século XX, tem toda uma pesquisa das pinturas para preencher todas aquelas paredes. E o hotel em si é um personagem do filme. Não tem como bater isso.

MELHOR FIGURINO

Figurinos de Milena Canonero para O Grande Hotel Budapeste (photo by outnow,ch)

Figurinos de Milena Canonero para O Grande Hotel Budapeste (photo by outnow,ch)

Indicados:

– Milena Canonero (O Grande Hotel Budapeste)
– Mark Bridges (Vício Inerente)
– Colleen Atwood (Caminhos da Floresta)
– Anna B. Sheppard (Malévola)
– Jacqueline Durran (Sr. Turner)

DEVE GANHAR: Milena Canonero (O Grande Hotel Budapeste)
DEVERIA GANHAR: Milena Canonero (O Grande Hotel Budapeste)
ZEBRA: Colleen Atwood (Caminhos da Floresta)

ESNOBADO: Sonia Grande (Magia ao Luar)

Normalmente, o vencedor desta categoria apresenta figurinos de época e que tenham um peso na trama como Memórias de uma Gueixa ou Maria Antonieta, aliás, desenhados pela indicada e favorita Milena Canonero. O que dizer da figurinista que trabalhou e aprendeu com o mestre perfeccionista Stanley Kubrick? Ela já ganhou o Oscar três vezes, e se ganhar, pode se tornar a recordista viva com 4, batendo Sandy Powell e Colleen Atwood. A recordista de todos os tempos, obviamente, é a icônica Edith Head, com 8 Oscars.

Aqui a competição não tem muita força. E mesmo aqueles que teriam, os figurinistas já ganharam o Oscar anteriormente como Mark Bridges ou Jacqueline Durran. Apenas Anna B. Shepard não levou seu Oscar ainda, mas com Malévola será muito improvável sua primeira vitória.

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO

Tilda Swinton como Madame D. em O Grande Hotel Budapeste (photo by outnow.ch)

Tilda Swinton como Madame D. em O Grande Hotel Budapeste (photo by outnow.ch)

Indicados:

– Bill Corso, Dennis Liddiard (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
– Frances Hannon e Mark Coulier (O Grande Hotel Budapeste)
– Elizabeth Yanni-Georgiou e David White (Guardiões da Galáxia)

DEVE GANHAR: O Grande Hotel Budapeste
DEVERIA GANHAR: O Grande Hotel Budapeste
ZEBRA: Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

ESNOBADO: Noé

Muita gente deve estar pensando que a maquiagem feita em Tilda Swinton (na foto acima) é o único motivo do filme ganhar o Oscar da categoria. Claro que este seria o ápice da transformação, pois é a mais evidente, mas os maquiadores Frances Hannon e Mark Coulier se encarregaram de transformar quase todos os atores em seus devidos personagens, seja com um bigode, uma peruca ou uma cicatriz no rosto. Vale lembrar que Coulier já ganhou o Oscar por A Dama de Ferro em 2012.

E o que dizer de Foxcatcher? Uma prótese de nariz vale uma indicação ao Oscar? Se fosse assim, o nariz de Nicole Kidman em As Horas também merecia… Aliás, muita gente anda dizendo que Steve Carell no filme está a versão em carne e osso do personagem Gru, que ele dublou em Meu Malvado Favorito! Tudo bem que este ano a competição está fraca, mas poderiam ter indicado Noé pela quantidade de atores ou até mesmo O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro pelos vilões maquiados.

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL

Alexandre Desplat tem 5 trilhas elegíveis este ano. O homem mais compõe do que dorme (photo by nytimes.com)

Alexandre Desplat concorre por O Grande Hotel Budapeste e O Jogo da Imitação (photo by nytimes.com)

Indicados:

– Alexandre Desplat (O Grande Hotel Budapeste)
– Alexandre Desplat (O Jogo da Imitação)
– Jóhann Jóhannsson (A Teoria de Tudo)
– Gary Yershon (Sr. Turner)
– Hans Zimmer (Interestelar)

DEVE GANHAR: Alexandre Desplat (O Grande Hotel Budapeste)
DEVERIA GANHAR: Jóhann Jóhannsson (A Teoria de Tudo)
ZEBRA: Gary Yershon (Sr. Turner)

ESNOBADO: Mica Levi (Sob a Pele)

Apesar de ser um baita azar ser duplamente indicado no mesmo ano (o compositor John Williams perdeu por Memórias de uma Gueixa e Munique em 2007, e por A.I. – Inteligência Artificial e Harry Potter e a Pedra Filosofal em 2002), vou apostar em uma vitória do duplamente indicado Alexandre Desplat. Ele é um dos melhores compositores em atuação, tanto que estas são suas sétima e oitava indicações sem vitória.

No Globo de Ouro, Jóhann Jóhannsson levou a melhor pela bela e multi-instrumental trilha de A Teoria de Tudo, mas Desplat o bateu no BAFTA. Quem sabe não é este ano, né? Não conheço a trilha de Sr. Turner, mas poderiam indicar a trilha do jovem Mica Levi do estranhíssimo Sob a Pele, de Jonathan Glazer. Sei que seu tom é altamente experimental para o Oscar, mas não vejo o filme sem essa trilha…

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

Indicados:

– “Everything is Awesome”, de Shawn Patterson (Uma Aventura Lego)
– “Glory”, de John Stephens e Lonnie Lynn (Selma: Uma Luta Pela Igualdade)
– “Grateful”, de Diane Warren (Além das Luzes)
– “I’m Not Gonna Miss You”, de Glen Campbell e Julian Raymond (Glen Campbell… I’ll Be Me)
– “Lost Stars”, de Gregg Alexander e Danielle Brisebois (Mesmo Se Nada Der Certo)

DEVE GANHAR: “Glory”, de John Stephens e Lonnie Lynn (Selma: Uma Luta Pela Igualdade)
DEVERIA GANHAR: “Glory”, de John Stephens e Lonnie Lynn (Selma: Uma Luta Pela Igualdade)
ZEBRA: “Grateful”, de Diane Warren (Além das Luzes)

Se “Glory” já era favorita antes quando artistas mais famosos estavam na disputa como Lorde (por Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1) e Lana Del Rey (por Grandes Olhos), imagina sem elas no páreo? Ouvi recentemente as demais canções que estão concorrendo e apenas a de Selma: Uma Luta por Igualdade tem cara de Oscar. A “I’m Not Gonna Miss You” de Glen Campbell… I’ll Be Me é bonita e “Everything is Awesome” de Uma Aventura Lego é divertida, mas não tem como ganhar. Vale lembrar que Selma foi indicado a Melhor Filme e Melhor Canção Original.

MELHOR SOM

Cena com Milles Teller e J.K. Simmons de Whiplash: Em Busca da Perfeição, de Damien Chazelle. (photo by outnow.ch)

Cena com Milles Teller e J.K. Simmons de Whiplash: Em Busca da Perfeição, de Damien Chazelle. (photo by outnow.ch)

Indicados:

– John Reitz, Gregg Rudloff e Walt Martin (Sniper Americano)
– Jon Taylor, Frank A. Montaño e Thomas Varga (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
– Gary A. Rizzo, Gregg Landaker e Mark Weingarten (Interestelar)
– Jon Taylor, Frank A. Montaño e David Lee (Invencível)
– Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

DEVE GANHAR: Whiplash: Em Busca da Perfeição
DEVERIA GANHAR: Interestelar
ZEBRA: Invencível

ESNOBADO: Guardiões da Galáxia

Embora Interestelar corra sério risco de sair da cerimônia do Oscar sem ganhar nada, ainda acredito que a Academia possa compensar com uma vitória em Melhor Som. Prêmio de consolo? Talvez. Mas pelo menos o filme vai sair como “vencedor do Oscar” e não apenas indicado. Além disso, o som é a melhor qualidade de Interestelar. Os fãs do filme que me perdoem.

Apesar de ser uma produção bem menor do que Interestelar, Whiplash já faturou o prêmio de Melhor Som no BAFTA, provando que os votantes avaliam a qualidade técnica de fato. Por se tratar de um filme sobre música, é imprescindível que o som esteja de melhor nível, pois os personagens são extremamente exigentes em relação a isso. Outro fator que ajuda Whiplash: os musicais são costumeiramente premiados nesta categoria como Chicago, Ray, Dreamgirls e Os Miseráveis.

MELHORES EFEITOS SONOROS

Bradley Cooper em cena de Sniper Americano (photo by cinemagia.ro)

Bradley Cooper em cena de Sniper Americano (photo by cinemagia.ro)

Indicados:

– Alan Robert Murray e Bub Asman (Sniper Americano)
– Martin Hernández e Aaron Glascock (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
– Brent Burge e Jason Canovas (O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos)
– Richard King (Interestelar)
– Becky Sullivan e Andrew DeCristofaro (Invencível)

DEVE GANHAR: Sniper Americano
DEVERIA GANHAR: Sniper Americano
ZEBRA: O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

ESNOBADO: Capitão América 2: O Soldado Invernal

A Academia gosta de premiar filmes de ação nesta categoria. Para citar exemplos recentes: 007 – Operação Skyfall, A Hora Mais Escura e A Origem. Sons criados em estúdio como tiros de metralhadoras, explosões de bombas e batidas de carros são bem reconhecidos, então Sniper Americano sai em ligeira vantagem por se tratar de um filme que se passa em campo de guerra. Mas não dá pra ignorar a forte possibilidade de Richard King ganhar sua terceira estatueta por um filme de Christopher Nolan. Se tem algo inquestionavelmente bom em Interestelar, são seus efeitos sonoros, tanto que todo mundo recomendou assistir ao filme numa sala IMAX. Já a terceira e última parte da trilogia de O Hobbit fica com o posto de zebra, pois foi a única indicação que a produção recebeu.

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Cena de Interestelar (photo by outnow.ch)

Cena de Interestelar (photo by outnow.ch)

Indicados:

– Capitão América: O Soldado Invernal
– Planeta dos Macacos: O Confronto
– Guardiões da Galáxia
– Interestelar
– X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

DEVE GANHAR: Interestelar
DEVERIA GANHAR: Planeta dos Macacos: O Confronto
ZEBRA: X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

ESNOBADO: O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

Depois que o primeiro filme do reboot de Planeta dos Macacos perdeu injustamente em 2012, fico na dúvida se o segundo filme não vai trilhar o mesmo caminho. Se a Academia quiser compensar ainda mais o filme de Christopher Nolan, eis aí um prêmio possível para suas imagens de planetas distantes e naves gigantes. Na briga entre os dois, pode sobrar também para o mega-sucesso de 2014: Guardiões da Galáxia.

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Edward Snowden em Citizenfour (photo by outnow.ch)

Edward Snowden em Citizenfour (photo by outnow.ch)

Indicados:

– CitizenFour
– A Fotografia Oculta de Vivian Maier
– Last Days in Vietnam
– O Sal da Terra
– Virunga

DEVE GANHAR: Citizenfour
DEVERIA GANHAR: Virunga
ZEBRA: Last Days in Vietnam

ESNOBADO: Life Itself – A Vida de Roger Ebert

Elogiado desde o início da temporada de premiações, o documentário sobre Edward Snowden, Citizenfour, vem conquistando inúmeros prêmios, inclusive o DGA para sua diretora Laura Poitras. Mas nem tudo são rosas. Nos últimos anos, a Academia tem pregado algumas peças nesta categoria, trocando os favoritos por surpresas nem sempre agradáveis como no ano passado, quando o fraco A Um Passo do Estrelato bateu o surpreendente O Ato de Matar.

Nesse sentido, o segundo filme mais premiado, A Fotografia Oculta de Vivian Maier pode prevalecer ou até mesmo Virunga, produzido pela Netflix, um ótimo documentário sobre os gorilas de montanhas extintos no Congo. O documentário sobre o fotógrafo Sebastião Salgado, O Sal da Terra, só não fica entre as zebras porque tem Wim Wenders como diretor. Em sua terceira indicação sem vitória, o Oscar pode sobrar pra ele.

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA

Cena de Our Curse (photo by nyt.com)

Cena de Our Curse (photo by nyt.com)

Indicados:

– Crisis Hotline: Veterans Press 1
– Joanna
– Our Curse
– The Reaper (La Parka)
– White Earth

Talvez a categoria mais imprevisível de todas. Normalmente, vale apostar naquele cujo tema tem doenças, guerras ou… acertou! judeus. Crisis Hotline: Veterans Press 1 é sobre veteranos de guerra, Our Curse é sobre o filho dos diretores do curta que tem uma doença incurável. Já Joanna e The Reaper tratam do tema morte, mas enquanto o primeiro é de forma poética, o segundo aborda de forma mais crua com o protagonista que trabalha há 25 anos num matadouro. E White Earth lida com a velha temática do racismo. Em termos de premiação, todos estão muito nivelados, então ninguém sai em vantagem aqui.

MELHOR CURTA-METRAGEM

Cena de The Phone Call (photo by cloudfront.net)

Cena de The Phone Call com Sally Hawkins (photo by cloudfront.net)

Indicados:

– Aya
– Boogaloo and Graham
– Butter Lamp (La Lampe au Beurre de Yak)
– Parvaneh
– The Phone Call

Boogaloo and Graham pode ter ganhado o BAFTA de curta, mas se tem um trabalho que ganhou prêmios este foi Butter Lamp. Até o momento, levou 22 prêmios! Mas não podemos esquecer que o curta The Phone Call tem nomes famosos no elenco como Sally Hawkins e Jim Broadbent. Ah! Vale ressaltar aqui que a montadora do curta Boogaloo and Graham é brasileira. Lívia Serpa já trabalhou inclusive com Walter Salles em Linha de Passe.

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

Cena de O Banquete (photo by outnow.ch)

Cena de O Banquete (photo by outnow.ch)

Indicados:

– The Bigger Picture
– The Dam Keeper
– O Banquete (Feast)
– Me and My Moulton
– A Single Life

The Bigger Picture ganhou o BAFTA, enquanto O Banquete levou o Annie Awards de melhor curta de animação. Assim com as demais categorias de curtas, é complicado prever qual pode ganhar. De todos os indicados, apenas A Single Life não foi indicado a mais nada, o que teoricamente enfraquece sua campanha.

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO

Princesa Kaguya (photo by outnow.CH)

O Conto da Princesa Kaguya (photo by outnow.CH)

Indicados:

– Operação Big Hero
– Os Boxtrolls
– Como Treinar o seu Dragão 2
– Song of the Sea
– O Conto da Princesa Kaguya

DEVE GANHAR: O Conto da Princesa Kaguya
DEVERIA GANHAR: O Conto da Princesa Kaguya
ZEBRA: Os Boxtrolls

ESNOBADO: Uma Aventura Lego

Cara, eu posso estar viajando, mas como não tem Uma Aventura Lego, que era o franco-favorito, e nem um filme da Pixar que costuma papar tudo, vou apostar no filme japonês O Conto da Princesa Kaguya. Vi o trailer e achei lindíssimo. Sou fã de animações em 2D, então sou meio suspeito pra defender. Além disso, vale lembrar que o mestre da animação Hayao Miyazaki vai estar na cerimônia pra receber o Oscar Honorário. Seria uma ótima dobradinha nipônica, hein?

Caso não role, eu apostaria em Song of the Sea do irlandês Tomm Moore. Acho que com a saída dos favoritos, a Academia tem liberdade total de apostar em algo diferente este ano. Por que não sair do lugar comum? Como Treinar Seu Dragão 2 não tem sido aquela unanimidade entre os críticos.

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

O polonês Ida, de Pawel Pawlikowski. Temática judia leva vantagem automática. (photo by outnow.ch)

O polonês Ida, de Pawel Pawlikowski. Temática judia leva vantagem automática. (photo by outnow.ch)

Indicados:

– Ida, de Pawel Pawlikowski (POLÔNIA)
– Leviatã, de Andrey Zvyagintsev (RÚSSIA)
– Tangerines, de Zaza Urushadze (ESTÔNIA)
– Timbuktu, de Abderrahmane Sissako (MAURITÂNIA)
– Relatos Selvagens, de Damián Szifrón (ARGENTINA)

DEVE GANHAR: Ida
DEVERIA GANHAR: Leviatã ou Relatos Selvagens
ZEBRA: Tangerines

ESNOBADO: Força Maior (SUÉCIA)

Eu deveria amar esta categoria, mas por insistirem em manter regras arcaicas com votantes idosos e judeus para definir a melhor produção em língua estrangeira, acho pra lá de injusto. Quantos filmes excelentes deixaram de ser premiados por votos conservadores ao extremo? Só pra citar alguns recentes: Cidade de Deus, A Pele que Habito e Azul é a Cor Mais Quente.

Mas na atual conjuntura, nada me resta a não ser eleger o possível vencedor. Filme polonês com temática judaica? Entrega logo o Oscar para Ida! Não que Ida seja um filme ruim. Nada disso. É bom, mas é quadrado demais. Eu votaria no russo Leviatã, que capta bem a Rússia de Putin, ou o delicioso Relatos Selvagens, provando mais uma vez que o cinema argentino está à anos-luz do cinema brasileiro.

***

Acompanhe o Oscar pela TNT a partir das 20h30 (tapete vermelho). Não dêem audiência pra Globo, pois ela prefere passar aquela draga de Big Brother e fazer o público perder os primeiros prêmios da cerimônia.

Academia define 7 semi-finalistas para Melhor Maquiagem e Cabelo para o Oscar 2015

Colagens aplicadas na pele do ator Dave Bautista para o personagem Drax de Guardiões da Galáxia (photo by businessinsider.com)

Colagens aplicadas na pele do ator Dave Bautista para o personagem Drax de Guardiões da Galáxia (photo by businessinsider.com)

No último dia 15 de dezembro (perdoem a demora!), a Academia anunciou sete filmes semi-finalistas na corrida para o Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo. Sim, o trabalho primoroso de cabelo e as perucas passaram a ser avaliadas oficialmente desde 2013, quando Os Miseráveis levou o prêmio.

Sempre digo que nesta categoria, é Rick Baker e mais dois concorrentes, afinal, trata-se do pioneiro e veterano da maquiagem, que ganhou ao todo 7 estatuetas pelos trabalhos em Um Lobisomem Americano em Londres, Um Hóspede do Barulho, Ed Wood, O Professor Aloprado, Homens de Preto, O Grinch e O Lobisomem num total de 12 indicações. MAS, infelizmente, o mestre não teve nenhum filme lançado este ano…

O pioneiro da maquiagem Rick Baker com o trabalho de O Lobisomem, que lhe rendeu seu último Oscar (photo by dailyredcarpet.com)

O pioneiro da maquiagem Rick Baker com o trabalho de O Lobisomem, que lhe rendeu seu último Oscar (photo by dailyredcarpet.com)

Dos sete semi-finalistas, temos três ficções científicas/fantasias: O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, Malévola e Guardiões da Galáxia, sendo que o último leva vantagem pelos personagens mais inovadores como Drax e Nebula (foto), além da gorda bilheteria mundial.

A personagem Nebula, de Guardiões da Galáxia, fez com que a atriz Karen Gillan raspasse todo seu belo cabelo ruivo (photo by outnow.ch)

A personagem Nebula, de Guardiões da Galáxia, fez com que a atriz Karen Gillan raspasse todo seu belo cabelo ruivo (photo by outnow.ch)

Temos também trabalhos mais na linha realista como o de Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo, que exigiu maior mudança no visual de Steve Carell no envelhecimento e também da prótese do nariz para se assemelhar à figura real de John du Pont; e toda a caracterização do físico Stephen Hawking com a bela contribuição da deformação do corpo do ator Eddie Redmayne em A Teoria de Tudo, que começa na mandíbula torta até os dedos dos pés contorcidos (foto).

Esforços do ator Eddie Redmayne devem impressionar mais do que a maquiagem em A Teoria de Tudo (photo by elfilm.com)

Esforços do ator Eddie Redmayne devem impressionar mais do que a maquiagem em A Teoria de Tudo (photo by elfilm.com)

E ainda temos a maquiagem mais estilizada vista em O Grande Hotel Budapeste, repleto de personagens bem caracterizados como a Madame D., interpretada pela ótima Tilda Swinton (foto); e a saga épica e bíblica de Noé, preenchida por personagens de cabelos compridos e barbas.

Tilda Swinton como Madame D. em O Grande Hotel Budapeste (photo by outnow.ch)

Tilda Swinton como Madame D. em O Grande Hotel Budapeste conta com um belo trabalho de envelhecimento (photo by outnow.ch)

Curiosamente, a terceira parte da trilogia O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos sequer concorre por uma das indicações. Por mais que não apresente grandes inovações perante os filmes anteriores em termos de maquiagem, era de praxe a Academia incluir as adaptações de J.R.R. Tolkien na lista. A cinebiografia James Brown, sobre a vida do cantor James Brown também era aguardada na lista, especialmente pelo envelhecimento da personagem de Viola Davis, que vive a mãe do artista, mas também ficou de fora. E talvez a ausência mais notável seja a da mega-produção Caminhos da Floresta, que apresenta uma Meryl Streep bem alterada como a bruxa.

Meryl Streep como a Bruxa de Caminhos da Floresta (photo by outnow.ch)

Meryl Streep como a Bruxa de Caminhos da Floresta (photo by outnow.ch)

Seguem candidatos em lista por ordem alfabética:

– O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro (The Amazing Spider-Man 2)
– Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher)
– O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel)
– Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy)
– Malévola (Maleficent)
– Noé (Noah)
– A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)

Angelina Jolie como Malévola (photo by outnow.ch)

Angelina Jolie como Malévola (photo by outnow.ch)

Steve Carell e sua prótese de nariz em Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (photo by outnow.ch)

Steve Carell e sua prótese de nariz em Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (photo by outnow.ch)

À esquerda, Anthony Hopkins caracterizado como (photo by outnow.ch)

À esquerda, Anthony Hopkins caracterizado como Matusalém em Noé (photo by outnow.ch)

Dane DeHaan como o vilão Duende Verde em O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro (photo by elfilm.com)

Dane DeHaan como o vilão Duende Verde em O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro (photo by elfilm.com)

Qual dos sete trabalhos de maquiagem merece estar entre os 3 indicados? Vote na enquete para dar sua opinião.

As indicações ao Oscar 2015 serão anunciadas no dia 15 de janeiro, deixando apenas 3 indicados nessa categoria. E a cerimônia ocorre no dia 22 de fevereiro.

20º Critics’ Choice Awards leva ‘Birdman’ à frente da corrida ao Oscar 2015

20º Critics' Choice Awards

20º Critics’ Choice Awards

PRÉVIA DO OSCAR DESTACA BIRDMAN, O GRANDE HOTEL BUDAPESTE E BOYHOOD. JÁ INTERESTELAR CONQUISTA 7 INDICAÇÕES, MAS EM CATEGORIAS MENORES

Com tantos prêmios disputando espaço no calendário, o Critics’ Choice Awards é um dos que mais tem se destacado por dois motivos básicos: 1) Ao contrário da maioria dos prêmios, este oferece 6 vagas para indicados, o que facilita na hora da indecisão de quem deixar de fora; 2) A precisão de acertos tem sido espantosa. Dos últimos 15, houve acerto em 12 Melhores Filmes em relação ao Oscar.

O Critics’ Choice Awards é um prêmio relativamente novo na indústria cinematográfica, uma vez que iniciou suas premiações em 1995, quando laureou Razão e Sensibilidade. Concedido pela Broadcast Film Critics Association, formado por uma organização de críticos de cinema dos Estados Unidos e do Canadá, o prêmio vem se tornando um novo parâmetro para o Oscar, pois a outrora prévia Globo de Ouro não tem tido o mesmo nível de acerto de antes.

Este ano, Birdman foi o grande recordista de indicações com 13. Vale ressaltar aqui que das 13, três indicações são para categorias inexistentes no Oscar: Comédia, Ator em Comédia e Elenco. E também já dá pra excluir a indicação de Antonio Sanchez para Trilha Musical, já que seu trabalho foi considerado inelegível pela Academia.

Michael Keaton e Edward Norton em cena de Birdman (photo by outnow.ch)

Michael Keaton e Edward Norton em cena de Birdman (photo by outnow.ch)

Em seguida, com 11 indicações, surge O Grande Hotel Budapeste, de Wes Anderson. E assim como Birdman, também acumulou indicações em categorias que inexistem no prêmio da Academia: Comédia, Ator em Comédia, Elenco e Jovem Ator/Atriz. Contudo, confirma presença do filme em categorias como Roteiro Original, Direção de Arte, Figurino, e se os votantes estiverem animados, Filme e Diretor.

Algumas produções ganharam um novo gás com as indicações ao Critics’ Choice e podem ainda correr atrás do prejuízo como o novo filme de Paul Thomas Anderson, Vício Inerente, e o drama de guerra Invencível, que conquistou 4 indicações, inclusive a de Diretor para Angelina Jolie, por seu segundo longa. Curiosamente, ela se junta a outra mulher na categoria: Ava DuVernay, diretora de Selma, também concorre depois de ser indicada ao Globo de Ouro. Seu ator central David Oyelowo também foi indicado e pode acabar tirando Ralph Fiennes ou Steve Carell da competição.

Angelina Jolie observa cena de Invencível (photo by outnow.ch)

Angelina Jolie observa cena de Invencível (photo by outnow.ch)

Como pode se perceber, o Critics’ Choice é uma grande mãe para os filmes do ano. Por isso mesmo que criou trocentas categorias (28 para ser mais preciso) e uma indicação extra para os abandonados e excluídos. Como cinéfilo, considero ótima oportunidade de reconhecer filmes de ação e de comédia tomando como base a sua qualidade fílmica, e não pela quantidade de votos de internet como faz o MTV Movie Awards.

Dentre os indicados a Melhor Filme de Ação, Capitão América: O Soldado Invernal merece destaque por criar uma sequência muito consistente que remete aos filmes de espionagem dos anos 70, e que consegue dialogar com a sociedade à beira do colapso da crise da segurança. Já Guardiões da Galáxia merece respeito por se tratar de uma aposta arriscada que deu certo. São personagens da Marvel Comics que eram considerados de segundo escalão que poucos gostariam de adaptar para as telas, mas o diretor James Gunn captou bem o tom do universo e obteve a maior bilheteria de 2014 em solo americano.

Sebastian Stan em ótima performance como o Soldado Invernal na sequência Capitão América: O Soldado Invernal (photo by outnow.ch)

Sebastian Stan em ótima performance como o Soldado Invernal na sequência Capitão América: O Soldado Invernal (photo by outnow.ch)

Vale também citar o uso criativo da montagem na ficção científica No Limite do Amanhã, no qual toda vez que Tom Cruise morre, ele deve repetir toda sua atividade até conseguir uma solução. Claro que, para quem viu a comédia Feitiço do Tempo, não é nada inovador, mas trata-se de uma boa releitura em novo gênero.

Seguem todos os indicados do 20º Critics’ Choice Awards:

MELHOR FILME
Birdman
Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)
Garota Exemplar (Gone Girl)
O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel)
O Jogo da Imitação (The Imitation Game)
O Abutre (Nightcrawler)
Selma
A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)
Invencível (Unbroken)
Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash)

DIRETOR
Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
Ava DuVernay (Selma)
David Fincher (Garota Exemplar)
Alejandro González Iñárritu (Birdman)
Angelina Jolie (Invencível)
Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)

ATOR
Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação)
Ralph Fiennes (O Grande Hotel Budapeste)
Jake Gyllenhaal (O Abutre)
Michael Keaton (Birdman)
David Oyelowo (Selma)
Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)

ATRIZ
Jennifer Aniston (Cake)
Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite)
Felicity Jones (A Teoria de Tudo)
Julianne Moore (Para Sempre Alice)
Rosamund Pike (Garota Exemplar)
Reese Witherspoon (Livre)

Josh Brolin obteve sua primeira indicação expressiva por Vício Inerente. (photo by elfilm.com)

Josh Brolin obteve sua primeira indicação expressiva por Vício Inerente. (photo by elfilm.com)

ATOR COADJUVANTE
Josh Brolin (Vício Inerente)
Robert Duvall (O Juiz)
Ethan Hawke (Boyhood: Da Infância à Juventude)
Edward Norton (Birdman)
Mark Ruffalo (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

 

 

 

ATRIZ COADJUVANTE
Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
Jessica Chastain (A Most Violent Year)
Keira Knightley (O Jogo da Imitação)
Emma Stone (Birdman)
Meryl Streep (Caminhos da Floresta)
Tilda Swinton (Expresso do Amanhã)

ELENCO
Birdman
Boyhood: Da Infância à Juventude
O Grande Hotel Budapeste
O Jogo da Imitação
Caminhos da Floresta
Selma

ROTEIRO ORIGINAL
Alejandro González Iñárritu, Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris, Jr., Armando Bo (Birdman)
Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
Wes Anderson, Hugo Guinness (O Grande Hotel Budapeste)
Dan Gilroy (O Abutre)
Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

ROTEIRO ADAPTADO
Gillian Flynn (Garota Exemplar)
Graham Moore (O Jogo da Imitação)
Paul Thomas Anderson (Vício Inerente)
Anthony McCarten (A Teoria de Tudo)
Joel Coen & Ethan Coen, Richard LaGravenese, William Nicholson (Invencível)
Nick Hornby (Livre)

FOTOGRAFIA
Emmanuel Lubezki (Birdman)
Robert Yeoman (O Grande Hotel Budapeste)
Hoyte Van Hoytema (Interestelar)
Dick Pope (Sr. Turner)
Roger Deakins (Invencível)

Fotografia de Sr. Turner (photo by outnow.ch)

Fotografia de Sr. Turner por Dick Pope (photo by outnow.ch)

DIREÇÃO DE ARTE
Kevin Thompson, George DeTitta Jr. (Birdman)
Adam Stockhausen, Anna Pinnock (O Grande Hotel Budapeste)
David Crank, Amy Wells (Vício Inerente)
Nathan Crowley, Gary Fettis (Interestelar)
Dennis Gassner, Anna Pinnock (Caminhos da Floresta)
Ondrej Nekvasil, Beatrice Brentnerova (Expresso do Amanhã)

MONTAGEM
Douglas Crise, Stephen Mirrione (Birdman)
Sandra Adair (Boyhood: Da Infância à Juventude)
Kirk Baxter (Garota Exemplar)
Lee Smith (Interestelar)
Tom Cross (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

FIGURINO
Milena Canonero (O Grande Hotel Budapeste)
Mark Bridges (Vício Inerente)
Colleen Atwood (Caminhos da Floresta)
Anna B. Sheppard (Malévola)
Jacqueline Durran (Sr. Turner)

CABELO E MAQUIAGEM
Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
Guardiões da Galáxia
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
Caminhos da Floresta
Malévola

EFEITOS VISUAIS
Planeta dos Macacos: O Confronto
No Limite do Amanhã
Guardiões da Galáxia
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
Interestelar

ANIMAÇÃO
Operação Big Hero 6 (Big Hero 6)
Festa no Céu (The Book of Life)
Os  Boxtrolls (The Boxtrolls)
Como Treinar o Seu Dragão 2 (How to Train Your Dragon 2)
Uma Aventura Lego (The Lego Movie)

FILME DE AÇÃO
Sniper Americano (American Sniper)
Capitão América: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier)
No Limite do Amanhã (Edge of Tomorrow)
Corações de Ferro (Fury)
Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy)

Integrantes excêntricos do grupo Guardiões da Galáxia. (photo by outnow.ch)

Integrantes excêntricos do grupo Guardiões da Galáxia. (photo by outnow.ch)

ATOR EM FILME DE AÇÃO
Bradley Cooper (Sniper Americano)
Tom Cruise (No Limite do Amanhã)
Chris Evans (Capitão América: O Soldado Invernal)
Brad Pitt (Corações de Ferro)
Chris Pratt (Guardiões da Galáxia)

ATRIZ EM FILME DE AÇÃO
Emily Blunt (No Limite do Amanhã)
Scarlett Johansson (Lucy)
Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1)
Zoe Saldana (Guardiões da Galáxia)
Shailene Woodley (Divergente)

COMÉDIA
Birdman
O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel)
Um Santo Vizinho (St. Vincent)
Top Five
Anjos da Lei 2 (22 Jump Street)

ATOR EM COMÉDIA
Jon Favreau (Chef)
Ralph Fiennes (O Grande Hotel Budapeste)
Michael Keaton (Birdman)
Bill Murray (Um Santo Vizinho)
Chris Rock (Top Five)
Channing Tatum (Anjos da Lei 2)

Chris Rock em Top Five (photo by outnow.ch)

Chris Rock na comédia Top Five (photo by outnow.ch)

ATRIZ EM COMÉDIA
Rose Byrne (Vizinhos)
Rosario Dawson (Top Five)
Melissa McCarthy (Um Santo Vizinho)
Jenny Slate (Obvious Child)
Kristen Wiig (The Skeleton Twins)

FILME DE TERROR OU FICÇÃO CIENTÍFICA
The Babadook
Planeta dos Macacos: O Confronto (Dawn of the Planet of the Apes)
Interestelar (Interstellar)
Expresso do Amanhã (Snowpiercer)
Sob a Pele (Under the Skin)

A bela e misteriosa Scarlett Johansson em Sob a Pele (photo by outnow.ch)

A bela e misteriosa Scarlett Johansson em Sob a Pele (photo by outnow.ch)

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Força Maior (Turist) – SUÉCIA
Ida – POLÔNIA
Leviatã (Leviafan) – RÚSSIA
Dois Dias, Uma Noite (Deux Jours, Une Nuit) – BÉLGICA
Relatos Selvagens (Relatos Salvajes) – ARGENTINA

DOCUMENTÁRIO
Citizenfour
Glen Campbell: I’ll Be Me
Duna de Jodorowsky (Jodorowsky’s Dune)
Last Days in Vietnam
Life Itself – A Vida de Roger Ebert (Life Itself)
The Overnighters

CANÇÃO
“Big Eyes” (Grandes Olhos)
“Everything Is Awesome” (Uma Aventura Lego)
“Glory” (Selma)
“Lost Stars” (Mesmo Se Nada Der Certo)
“Yellow Flicker Beat” (Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1)

TRILHA MUSICAL
Alexandre Desplat (O Jogo da Imitação)
Johann Johannsson (A Teoria de Tudo)
Trent Reznor, Atticus Ross (Garota Exemplar)
Antonio Sanchez (Birdman)
Hans Zimmer (Interestelar)

JOVEM ATOR OU ATRIZ
Ellar Coltrane (Boyhood: Da Infância à Juventude)
Ansel Elgort (A Culpa é das Estrelas)
Mackenzie Foy (Interestelar)
Jaeden Lieberher (Um Santo Vizinho)
Tony Revolori (O Grande Hotel Budapeste)
Quvenzhane Wallis (Annie)
Noah Wiseman (The Babadook)

A emotiva Mackenzie Foy em cena de Interestelar ao lado de Matthew McConaughey (photo by outnow.ch)

A emotiva Mackenzie Foy em cena de Interestelar ao lado de Matthew McConaughey (photo by outnow.ch)

A cerimônia acontece no dia 15 de janeiro, mesmo dia em que as indicações ao Oscar serão anunciadas na manhã, ou seja, um loooongo dia para os artistas indicados em ambas as premiações.

‘Birdman’ lidera SAG Awards 2015 com 4 indicações

Michael Keaton conquista sua primeira indicação ao SAG Awards por Birdman (photo by outnow.ch)

Michael Keaton conquista sua primeira indicação ao SAG Awards por Birdman (photo by outnow.ch)

DEPOIS DE SER COADJUVANTE NAS PREMIAÇÕES DOS CRÍTICOS, BIRDMAN REASSUME POSTO DE FAVORITO PELO SAG

O anúncio das indicações foi feito nesta quarta, dia 10 de dezembro, pelos atores Ansel Elgort e Eva Longoria. Confira o vídeo lançado pelo canal TNT, que transmitirá a cerimônia no dia 25 de janeiro.


Ansel Egort e Eva Longoria apresentam os indicados

A comédia de humor negro de Alejandro González Iñárritu obteve maior êxito em premiação do sindicato de atores, o que certamente garantirá indicações nas categorias de atuação no Oscar 2015. Edward Norton, Emma Stone e Michael Keaton, como o mais forte candidato à vitória, foram reconhecidos nas devidas categorias, além de concorrerem também como Melhor Elenco.

Aliás, pela categoria de elenco, a grande supresa foi a indicação de O Grande Hotel Budapeste. Bem, não se trata exatamente de uma surpresa, pois merece essa lembrança, mas pelo fato de ser a única indicação do filme. E, talvez por isso, tenha grandes chances de ganhar, premiando boas performances que sequer foram indicadas como a de Ralph Fiennes.

Boyhood: Da Infância à Juventude, A Teoria de Tudo, O Jogo da Imitação e Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo receberam 3 indicações cada. E o único artista a receber 3 indicações é o jovem prodígio Benedict Cumberbatch, que concorre como Melhor Ator e Melhor Elenco por O Jogo da Imitação e Melhor Ator de Filme para TV ou Minissérie por Sherlock: His Last Vow.

As maiores surpresas atendem pelos nomes de Jake Gyllenhaal e Jennifer Aniston. No primeiro caso, não se trata de surpresa pela performance, afinal Gyllenhaal tem sido bem aclamado até o momento, mas pelo tipo de filme obscuro que pouco frequenta premiações. O Abutre é aquele soco no estômago que a maioria dos votantes de sindicatos e Academia não gostam de levar, sabe?

Jake Gyllenhaal (Nightcrawler) - photo by outnow.ch

Jake Gyllenhaal emagreceu bastante para alcançar seu objetivo em O Abutre – photo by outnow.ch

Já no caso de Aniston, até eu estou mega-surpreso! Cara, eu achava que ela só sabia interpretar a Rachel do seriado Friends! Aniston sempre se mostrou uma atriz muito limitada, tanto nas suas interpretações como nas escolhas de papéis, mas parece que em Cake, ela finalmente acertou. Parece. Porque ainda não vi o filme. Em Cake, ela cria interesse pela vida de uma colega de grupo de apoio a doentes crônicos que cometeu suicídio, indo atrás de seu endereço e de seu namorado. Aniston usa a tática de “enfeiamento” para atrair atenção e até chora no trailer! Vamos ver se tem algo bom aí ou o pessoal do SAG apenas queria convidá-la pro tapete vermelho…

Com aparência mais desgastada, Jennifer Aniston conquistou sua primeira indicação ao SAG com atuação por cinema por Cake (photo by outnow.ch)

Com aparência mais desgastada, Jennifer Aniston conquistou sua primeira indicação ao SAG com atuação por cinema por Cake (photo by outnow.ch)

Ainda no campo da surpresa, a indicação de coadjuvante de Naomi Watts por Um Santo Vizinho também foi bastante comentada entre os especialistas. Curiosamente, ela foi indicada por um filme menor, e não por Birdman. Havia forte expectativa de que Jessica Chastain ocuparia sua vaga pela performance em A Most Violent Year, que recentemente lhe rendeu o prêmio do National Board of Review. Além dela, havia Anne Hathaway (por Interestelar), Viola Davis (por James Brown) e Laura Dern (Livre).

A indicação de Naomi Watts por Um Santo Vizinho foi uma surpresa geral. Ela interpreta uma prostituta russa.

A indicação de Naomi Watts por Um Santo Vizinho foi uma surpresa geral. Ela interpreta uma prostituta russa.

Já entre os excluídos do SAG, figuram filmes como Sniper Americano (Bradley Cooper), Grandes Olhos (Amy Adams e Christoph Waltz), The Homesman (Hilary Swank e Tommy Lee Jones), Vício Inerente (Joaquin Phoenix, Josh Brolin, Benicio Del Toro), Sr. Turner (Timothy Spall), Selma (David Oyelowo), Invencível (o novato Jack O’Connell) e A Most Violent Year (Oscar Isaac, além de Chastain já citada acima). Ainda bem que há quantidade de filmes esnobados, pois isso significa que houve produções de qualidade acima da média. Tem anos em que é preciso tirar leite de pedra para preencher vagas de indicações…

Bom, sempre é válido lembrar que uma indicação no SAG é meio caminho andado para o Oscar. Claro que as estatísticas não são tão ótimas quanto às do sindicato de Diretores (DGA), mas apresentam bons e recentes números. Neste ano, todos os quatro vencedores do SAG repetiram o feito no Oscar: Matthew McConaughey, Cate Blanchett, Jared Leto e Lupita Nyong’o.

Mas mesmo havendo esse acerto, dos 20 indicados do SAG, seis não obtiveram indicação no Oscar: Tom Hanks (Capitão Phillips), Forest Whitaker (O Mordomo da Casa Branca), Emma Thompson (Walt nos Bastidores de Mary Poppins), Daniel Brühl (Rush: No Limite da Emoção), James Gandolfini (À Procura do Amor) e Oprah Winfrey (O Mordomo da Casa Branca). Tal brecha permite alguns concorrentes sonhar com o Oscar ainda, como é o caso da própria Jessica Chastain, Oscar Isaac e David Oyelowo.

Enquanto eu escrevia este post, eu estava lendo uma matéria do site Indiewire, postado por Peter Knegt, a repeito das 7 surpresas das indicações ao SAG. Aí, num dos itens, ele apontou a falta de diversidade de títulos (que todos os filmes indicados eram dirigidos por homens brancos) e que dentre todos os indicados de atuação de cinema, não havia um negro. Peter, qualé! Cinema não é cota racial. Até parece que o sindicato de atores vai ficar quebrando a cabeça com porcentagens destinadas às “minorias”. Se no conceito artístico deles, não houve nenhum negro merecedor da indicação, paciência! Não é porque o país está num momento delicado racialmente que um prêmio deve ser diretamente influenciado, certo?

David Oyelowo como Martin Luther King (photo by outnow.ch)

David Oyelowo como Martin Luther King em Selma. Caso ele seja indicado ao Oscar, agradará o nosso querido Peter Knegt que pensa em cores e raças (photo by outnow.ch)

Pelas categorias de TV, a série de comédia Modern Family conquistou o maior número de indicações: quatro, podendo ganhar seu quinto prêmio consecutivo de Melhor Elenco. Logo em seguida, com 3 indicações cada, vem Boardwalk Empire, Game of Thrones, Homeland e House of Cards.

Uma curiosidade é a migração da série da Netflix Orange is the New Black de Drama para Comédia. No início do ano, no Globo de Ouro, a série recebeu uma única indicação para a protagonista Taylor Schilling como Melhor Atriz – Série Dramática. Com a mudança, a série ganhou novas perspectivas nos votantes, que indicaram Uzo Aduba como Atriz de série cômica e seu elenco todo foi indicado também.

Uzo Aduba foi indicada como Atriz de série de comédia por Orange is the New Black da Netflix.

Uzo Aduba foi indicada como Atriz de série de comédia por Orange is the New Black da Netflix.

Segue lista completa das indicações ao SAG Awards 2015:

CINEMA

MELHOR ATOR
STEVE CARELL / John du Pont – FOXCATCHER: UMA HISTÓRIA QUE CHOCOU O MUNDO
BENEDICT CUMBERBATCH / Alan Turing – O JOGO DA IMITAÇÃO
JAKE GYLLENHAAL / Louis Bloom – O ABUTRE
MICHAEL KEATON / Riggan – BIRDMAN
EDDIE REDMAYNE / Stephen Hawking – A TEORIA DE TUDO

MELHOR ATRIZ
JENNIFER ANISTON / Claire Bennett – CAKE
FELICITY JONES / Jane Hawking – A TEORIA DE TUDO
JULIANNE MOORE / Alice Howland-Jones – STILL ALICE
ROSAMUND PIKE / Amy Dunne – GAROTA EXEMPLAR
REESE WITHERSPOON / Cheryl Strayed – LIVRE

MELHOR ATOR COADJUVANTE
ROBERT DUVALL / Joseph Palmer – O JUIZ
ETHAN HAWKE / Mason, Sr. – BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE
EDWARD NORTON / Mike – BIRDMAN
MARK RUFFALO / Dave Schultz – FOXCATCHER: UMA HISTÓRIA QUE CHOCOU O MUNDO
J.K. SIMMONS / Fletcher – WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
PATRICIA ARQUETTE / Olivia – BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE
KEIRA KNIGHTLEY / Joan Clarke – O JOGO DA IMITAÇÃO
EMMA STONE / Sam – BIRDMAN
MERYL STREEP / The Witch – CAMINHOS DA FLORESTA
NAOMI WATTS / Daka – UM SANTO VIZINHO

MELHOR ELENCO
BIRDMAN
ZACH GALIFIANAKIS, MICHAEL KEATON, EDWARD NORTON, ANDREA RISEBOROUGH, AMY RYAN, EMMA STONE, NAOMI WATTS

BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE
PATRICIA ARQUETTE, ELLAR COLTRANE, ETHAN HAWKE, LORELEI LINKLATER

O GRANDE HOTEL BUDAPESTE
F. MURRAY ABRAHAM, MATHIEU AMALRIC, ADRIEN BRODY, WILLEM DAFOE, RALPH FIENNES, JEFF GOLDBLUM, HARVEY KEITEL, JUDE LAW, BILL MURRAY, EDWARD NORTON, TONY REVOLORI, SAOIRSE RONAN, JASON SCHWARTZMAN, LÉA SEYDOUX, TILDA SWINTON, TOM WILKINSON, OWEN WILSON

O JOGO DA IMITAÇÃO
MATTHEW BEARD, BENEDICT CUMBERBATCH, CHARLES DANCE, MATTHEW GOODE, RORY KINNEAR, KEIRA KNIGHTLEY, ALLEN LEECH, MARK STRONG

A TEORIA DE TUDO
CHARLIE COX, FELICITY JONES, SIMON McBURNEY, EDDIE REDMAYNE, DAVID THEWLIS, EMILY WATSON

TELEVISÃO

MELHOR ATOR DE TELEFILME OU MINISSÉRIE
ADRIEN BRODY / Harry Houdini  – HOUDINI
BENEDICT CUMBERBATCH / Sherlock Holmes – SHERLOCK: HIS LAST VOW
RICHARD JENKINS / Henry Kitteridge – OLIVE KITTERIDGE
MARK RUFFALO / Ned Weeks – THE NORMAL HEART
BILLY BOB THORNTON / Lorne Malvo – FARGO

MELHOR ATRIZ DE TELEFILME OU MINISSÉRIE
ELLEN BURSTYN / Olivia Foxworth – FLOWERS IN THE ATTIC
MAGGIE GYLLENHAAL / Nessa Stein – THE HONORABLE WOMAN
FRANCES McDORMAND / Olive Kitteridge – OLIVE KITTERIDGE
JULIA ROBERTS / Dr. Emma Brookner – THE NORMAL HEART
CICELY TYSON / Carrie Watts – THE TRIP TO BOUNTIFUL

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMÁTICA
STEVE BUSCEMI / Enoch “Nucky” Thompson – BOARDWALK EMPIRE
PETER DINKLAGE / Tyrion Lannister – GAME OF THRONES
WOODY HARRELSON / Martin Hart – TRUE DETECTIVE
MATTHEW McCONAUGHEY / Rust Cohle – TRUE DETECTIVE
KEVIN SPACEY / Francis Underwood – HOUSE OF CARDS

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMÁTICA
CLAIRE DANES / Carrie Mathison – HOMELAND
VIOLA DAVIS / Annalise Keating – HOW TO GET AWAY WITH MURDER
JULIANNA MARGULIES / Alicia Florrick – THE GOOD WIFE
TATIANA MASLANY / Sarah/Coxima/Alison/Rachel/ – ORPHAN BLACK
Helena/Tony/Jennifer and Various Others
MAGGIE SMITH / Violet, Dowager Countess of Grantham – DOWNTON ABBEY
ROBIN WRIGHT / Claire Underwood – HOUSE OF CARDS

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA
TY BURRELL / Phil Dunphy – MODERN FAMILY
LOUIS C.K. / Louie – LOUIE
WILLIAM H. MACY / Frank Gallagher – SHAMELESS
JIM PARSONS / Sheldon Cooper – THE BIG BANG THEORY
ERIC STONESTREET / Cameron Tucker – MODERN FAMILY

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA
UZO ADUBA / Suzanne “Crazy Eyes” Warren – ORANGE IS THE NEW BLACK
JULIE BOWEN / Claire Dunphy – MODERN FAMILY
EDIE FALCO / Jackie Peyton – NURSE JACKIE
JULIA LOUIS-DREYFUS / Vice President Selina Meyer – VEEP
AMY POEHLER / Leslie Knope – PARKS AND RECREATION

MELHOR ELENCO DE SÉRIE DRAMÁTICA
BOARDWALK EMPIRE
STEVE BUSCEMI, PAUL CALDERON, NICHOLAS CALHOUN, LOUIS CANCELMI, JOHN ELLISON CONLEE, MICHAEL COUNTRYMAN, STEPHEN GRAHAM, DOMENICK LOMBARDOZZI, NOLAN LYONS, KELLY MACDONALD, BORIS McGIVER, VINCENT PIAZZA, PAUL SPARKS, TRAVIS TOPE, SHEA WHIGHAM, ANATOL YUSEF, MICHAEL ZEGEN

DOWNTON ABBEY
HUGH BONNEVILLE, LAURA CARMICHAEL, JIM CARTER, BRENDAN COYLE, MICHELLE DOCKERY, KEVIN DOYLE, JOANNE FROGGATT, LILY JAMES, ROBERT JAMES-COLLIER, ALLEN LEECH, PHYLLIS LOGAN, ELIZABETH McGOVERN, SOPHIE McSHERA, MATT MILNE, LESLEY NICOL, DAVID ROBB, MAGGIE SMITH, ED SPELEERS, CARA THEOBOLD, PENELOPE WILTON

GAME OF THRONES
JOSEF ALTIN, JACOB ANDERSON, JOHN BRADLEY, DOMINIC CARTER, GWENDOLINE CHRISTIE, EMILIA CLARKE, NIKOLAJ COSTER-WALDAU, BEN CROMPTON, CHARLES DANCE, PETER DINKLAGE, NATALIE DORMER, NATHALIE EMMANUEL, IAIN GLEN, JULIAN GLOVER, KIT HARINGTON, LENA HEADEY, CONLETH HILL, RORY McCANN, IAN McELHINNEY, PEDRO PASCAL, DANIEL PORTMAN, MARK STANLEY, SOPHIE TURNER, MAISIE WILLIAMS

HOMELAND
NUMAN ACAR, NAZANIN BONIADI, CLAIRE DANES, RUPERT FRIEND, RAZA JAFFREY, NIMRAT KAUR, TRACY LETTS, MARK MOSES, MICHAEL O’KEEFE, MANDY PATINKIN, LAILA ROBINS, MAURY STERLING

HOUSE OF CARDS
MAHERSHALA ALI, JAYNE ATKINSON, RACHEL BROSNAHAN, DEREK CECIL, NATHAN DARROW, MICHEL GILL, JOANNA GOING, SAKINA JAFFREY, MICHAEL KELLY, MOZHAN MARNÒ, GERALD McRANEY, MOLLY PARKER, JIMMI SIMPSON, KEVIN SPACEY, ROBIN WRIGHT

MELHOR ELENCO DE SÉRIE DE COMÉDIA
THE BIG BANG THEORY
MAYIM BIALIK, KALEY CUOCO-SWEETING, JOHNNY GALECKI, SIMON HELBERG, KUNAL NAYYAR, JIM PARSONS, MELISSA RAUCH

BROOKLYN NINE-NINE
STEPHANIE BEATRIZ, DIRK BLOCKER, ANDRE BRAUGHER, TERRY CREWS, MELISSA FUMERO, JOE LO TRUGLIO, JOEL McKINNON MILLER, CHELSEA PERETTI, ANDY SAMBERG

MODERN FAMILY
AUBREY ANDERSON EMMONS, JULIE BOWEN, TY BURRELL, JESSE TYLER FERGUSON, NOLAN GOULD, SARAH HYLAND, ED O’NEILL, RICO RODRIGUEZ, ERIC STONESTREET, SOFIA VERGARA, ARIEL WINTER

ORANGE IS THE NEW BLACK
UZO ADUBA, JASON BIGGS, DANIELLE BROOKS, LAVERNE COX, JACKIE CRUZ, CATHERINE CURTIN, LEA DELARIA, BETH FOWLER, YVETTE FREEMAN, GERMAR TERRELL GARDNER, KIMIKO GLENN, ANNIE GOLDEN, DIANE GUERRERO, MICHAEL J. HARNEY, VICKY JEUDY, JULIE LAKE, LAUREN LAPKUS, SELENIS LEYVA, NATASHA LYONNE, TARYN MANNING, JOEL MARSH GARLAND, MATT McGORRY, ADRIENNE C. MOORE, KATE MULGREW, EMMA MYLES, JESSICA PIMENTEL, DASCHA POLANCO, ALYSIA REINER, JUDITH ROBERTS, ELIZABETH RODRIGUEZ, BARBARA ROSENBLAT, NICK SANDOW, ABIGAIL SAVAGE, TAYLOR SCHILLING, CONSTANCE SHULMAN, DALE SOULES, YAEL STONE, LORRAINE TOUSSAINT, LIN TUCCI, SAMIRA WILEY

VEEP
SUFE BRADSHAW, ANNA CHLUMSKY, GARY COLE, KEVIN DUNN, TONY HALE, JULIA LOUIS-DREYFUS, REID SCOTT, TIMOTHY SIMONS, MATT WALSH

MELHOR PERFORMANCE DE DUBLÊS EM CINEMA
CORAÇÕES DE FERRO (FURY)
JAMES BROWN (GET ON UP)
O HOBBIT: A BATALHA DOS CINCO EXÉRCITOS (THE HOBBIT: THE BATTLE OF THE FIVE ARMIES)
INVENCÍVEL (UNBROKEN)
X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO (X-MEN: DAYS OF FUTURE PAST)

MELHOR PERFORMANCE DE DUBLÊS EM SÉRIES DE COMÉDIA OU DRAMÁTICAS
24: LIVE ANOTHER DAY
BOARDWALK EMPIRE
GAME OF THRONES
HOMELAND
SONS OF ANARCHY
THE WALKING DEAD

PRÊMIO PELO CONJUNTO DA OBRA: DEBBIE REYNOLDS

Os vencedores serão conhecidos no dia 25 de janeiro em cerimônia transmitida pelo canal TNT.

‘Birdman’ lidera as indicações ao Independent Spirit Awards 2015

Michael Keaton e Emma Stone em cena de Birdman: ambos foram indicados para ator e atriz coadjuvante. (photo by outnow.ch)

Michael Keaton e Emma Stone em cena de Birdman: ambos foram indicados para ator e atriz coadjuvante. (photo by outnow.ch)

APROXIMAÇÃO DE INDEPENDENT SPIRIT AO OSCAR NOS ÚLTIMOS ANOS GERA RETOMADA DE FOCO EM PRODUÇÕES MENOS VISADAS

Com o anúncio das indicações ao Independent Spirit Award (veja vídeo abaixo), que ocorreu nesta terça, dia 25 de novembro, foi dada a largada para a temporada de premiações 2015. Em sua 30ª edição, o prêmio tem se tornado cada vez mais um holofote para os votantes da Academia, tanto que este ano 12 Anos de Escravidão, Matthew McConaughey, Jared Leto, Cate Blanchett e Lupita Nyong’o inacreditavelmente ganharam tanto o Independent quanto o Oscar. Claro que isso naturalmente beneficia mais seus indicados, contudo, este ano o comitê da organização resolveu valorizar mais os filmes menores.

Entre os indicados, o novo filme do mexicano Alejandro González Iñárritu, Birdman, conquistou seis indicações: Filme, Diretor, Ator (Michael Keaton), Ator Coadjuvante (Edward Norton), Atriz Coadjuvante (Emma Stone) e Fotografia (Emmanuel Lubezki). A história de uma estrela de cinema decadente que busca uma retomada nos palcos já agradou a crítica quando passou no último Festival de Veneza, onde muitos alegaram que Keaton merecia o prêmio de atuação, concedido a Adam Driver. Se o filme permanecer nas listas de indicações dos prêmios seguintes, Michael Keaton tem tudo para conseguir sua primeira indicação ao Oscar, e quem sabe até a vitória.

Logo atrás de Birdman, com 5 indicações cada, vêm Boyhood: Da Infância à Juventude, O Abutre e Selma. De acordo com as previsões, o destaque a Boyhood não se trata de surpresa alguma devido à grande veia independente de seu projeto, mas a ascensão de O Abutre, primeiro filme de Dan Gilroy, que era então mais conhecido por escrever os roteiros de Gigantes de Aço e O Legado Bourne, realmente impressiona. Alguns apostam até em uma indicação meio azarão de Melhor Filme no Oscar e Melhor Ator para Jake Gyllenhaal, que emagreceu bastante para viver o paparazzo de Los Angeles.

O paparazzo vivido por Jake Gyllenhaal em O Abutre (photo by outnow.ch)

O paparazzo vivido por Jake Gyllenhaal em O Abutre (photo by outnow.ch)

Selma ainda é uma incógnita para a sequência de premiações pois, por mais que apresente um retrato forte da conquista dos direitos civis por Martin Luther King, não tem uma diretora e roteirista experientes por trás das câmeras, e seu protagonista é interpretado por David Oyelowo, conhecido apenas por O Mordomo da Casa Branca, de Lee Daniels. Aliás, o filme de Ava DuVernay se assemelha ao de Daniels no aspecto das questões raciais e também nas participações de celebridades em papéis menores como Cuba Gooding Jr., Tim Roth, Tom Wilkinson e mais uma vez, Oprah Winfrey. Lembrando que O Mordomo não recebeu nenhuma indicação ao Oscar.

David Oyelowo como Martin Luther King (photo by outnow.ch)

David Oyelowo como Martin Luther King em Selma (photo by outnow.ch)

O Independent Spirit Award poderia reconhecer algumas produções bem cotadas como O Jogo da Imitação, que levou 4 prêmios no Hollywood Film Awards na semana passada, St. Vincent, Mesmo Se Nada Der Certo e Grandes Olhos (que levou apenas uma indicação de roteiro), todas distribuídas pela famigerada Weinstein Co., mas percebeu que nos últimos anos o prêmio, que deveria consagrar mais produções menores, aproximou-se demais do Oscar e está correndo sério risco de perder a sua própria identidade. Assim, além de todas essas produções acima, que receberão ótima campanha pela Weinstein Co., o Independent Spirit também resolveu não indicar Livre, de Jean-Marc Vallée, produzido pela Fox Searchlight.

Essa preocupação do Independent Spirit reflete o cenário de contenção de custos que passa o atual cinema norte-americano. Aquelas apostas de estúdio de mais de 200 milhões estão em extinção, com raras exceções às adaptações de livros best-sellers, quadrinhos e diretores associados ao sucesso como Christopher Nolan. A crise financeira atingiu o cinema de tal forma, que acabou transformando a premiação exclusivamente independente numa prévia genérica do Oscar.

Claro que o Independent Spirit ganhou notoriedade que nunca teve em 30 anos, portanto, fica difícil de não agradar algumas produções que não se adequaram ao regulamento. Muitas produções foram desclassificadas por ultrapassar a barreira dos 20 milhões de dólares de orçamento (que inclui a pós-produção), como Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo, de Bennett Miller, e Vício Inerente, de Paul Thomas Anderson. Contudo, o comitê ficou impressionado com esses trabalhos e resolveu conceder prêmios especiais para ambos. Enquanto Vício Inerente receberá o prêmio Robert Altman pelo elenco e o diretor de elenco, Foxcatcher ficará com o Special Distinction Award, uma espécie de prêmio de consolação.

Fora de competição por ultrapassar os 20 milhões de dólares, Vício Inerete foi lembrado pelo prêmio Robert Altman, que reconhece a força de seu elenco, aqui representado por Joaquin Phoenix e Benicio Del Toro (photo by outnow.ch)

Fora de competição por ultrapassar os 20 milhões de dólares, Vício Inerente foi lembrado pelo prêmio Robert Altman, que reconhece a força de seu elenco, aqui representado por Joaquin Phoenix e Benicio Del Toro (photo by outnow.ch)

Ao indicar produções menos conhecidas como Obvious Child, Amantes Eternos e Kumiko, the Treasure Hunter (que aliás tem uma ótima sinopse*), o Independent Spirit quer fazer com que a Academia e seus membros olhem com mais carinho esses filmes artesanais e por que não alavancá-los ao tapete vermelho também?

Ainda está cedo pra fazer previsão, mas vou apostar nos possíveis vencedores do Oscar nas categorias de atuação: Michael Keaton, Julianne Moore, J.K. Simmons e Patricia Arquette. Se isso acontecer, será bacana que nenhum deles venceu anteriormente. Já diretor e filme, apostaria em Boyhood: Da Infância à Juventude por ter a cara do prêmio independente.

J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição) - photo by elfilm.com

Entre os coadjuvantes, J.K. Simmons tem uma das atuações mais elogiadas do ano por Whiplash: Em Busca da Perfeição – photo by elfilm.com

INDICAÇÕES AO INDEPENDENT SPIRIT AWARDS 2015:

MELHOR FILME
• Birdman (Birdman (or The Unexpected Virtue of Ignorance)
Produtores: Alejandro González Iñárritu, John Lesher, Arnon Milchan, James W. Skotchdopole
• Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)
Produtores: Richard Linklater, Jonathan Sehring, John Sloss, Cathleen Sutherland
• O Amor é Estranho (Love Is Strange)
Produtores: Lucas Joaquin, Lars Knudsen, Ira Sachs, Jayne Baron Sherman, Jay Van Hoy
• Selma
Produtores: Christian Colson, Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Oprah Winfrey
Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash)
Produtores: Jason Blum, Helen Estabrook, David Lancaster, Michael Litvak

DIRETOR
Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
Ava DuVernay (Selma)
Alejandro González Iñárritu (Birdman)
Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
David Zellner (Kumiko, the Treasure Hunter)

ATRIZ
Marion Cotillard (Era Uma Vez em Nova York)
Rinko Kikuchi (Kumiko, the Treasure Hunter)
Julianne Moore (Still Alice)
Jenny Slate (Obvious Child)
Tilda Swinton (Amantes Eternos)

ATOR
André Benjamin (All Is by My Side)
Jake Gyllenhaal (O Abutre)
Michael Keaton (Birdman)
John Lithgow (O Amor é Estranho)
David Oyelowo (Selma)

ATRIZ COADJUVANTE
Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
Jessica Chastain (A Most Violent Year)
Carmen Ejogo (Selma)
Andrea Suarez Paz (Stand Clear of the Closing Doors)
Emma Stone (Birdman)

ATOR COADJUVANTE
Riz Ahmed (O Abutre)
Ethan Hawke (Boyhood: Da Infância à Juventude)
Alfred Molina (O Amor é Estranho)
Edward Norton (Birdman)
J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR FOTOGRAFIA
Darius Khondji (Era Uma Vez em Nova York)
Emmanuel Lubezki (Birdman)
Sean Porter (Parece Amor)
Lyle Vincent (A Girl Walks Home Alone at Night)
Bradford Young (Selma)

MELHOR MONTAGEM
Sandra Adair (Boyhood: Da Infância à Juventude)
Tom Cross (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
John Gilroy (O Abutre)
Ron Patane (A Most Violent Year)
Adam Wingard (The Guest)

MELHOR ROTEIRO
Scott Alexander, Larry Karaszewski (Grandes Olhos)
J.C. Chandor (A Most Violent Year)
Dan Gilroy (O Abutre)
Jim Jarmusch (Amantes Eternos)
Ira Sachs, Mauricio Zacharias (O Amor é Estranho)

MELHOR FILME DE ESTRÉIA
• A Girl Walks Home Alone at Night
Diretora: Ana Lily Amirpour
Produtores: Justin Begnaud, Sina Sayyah
Dear White People
Diretor-produtor: Justin Simien
Produtores: Effie T. Brown, Ann Le, Julia Lebedev, Angel Lopez, Lena Waithe
• O Abutre (Nightcrawler)
Diretor: Dan Gilroy
Produtores: Jennifer Fox, Tony Gilroy, Jake Gyllenhaal, David Lancaster, Michel Litvak
Obvious Child
Diretora: Gillian Robespierre
Produtora: Elisabeth Holm
• She’s Lost Control
Diretor-produtor: Anja Marquardt
Produtores: Mollye Asher, Kiara C. Jones

PRIMEIRO ROTEIRO
Desiree Akhavan (Appropriate Behavior)
Sara Colangelo (Little Accidents)
Justin Lader (The One I Love)
Anja Marquardt (She’s Lost Control)
Justin Simien (Dear White People)

PRÊMIO JOHN CASSAVETES – Para produções feitas abaixo de 500 mil dólares.
• Blue Ruin
Diretor-roteirista: Jeremy Saulnier
Produtores: Richard Peete, Vincent Savino, Anish Savjani
• Parece Amor (It Felt Like Love)
Diretor-produtor: Eliza Hittman
Produtores: Shrihari Sathe, Laura Wagner
• Land Ho!
Diretores-roteiristas: Aaron Katz, Martha Stephens
Produtores: Christina Jennings, Mynette Louie, Sara Murphy
• Man From Reno
Diretor-roteirista: Dave Boyle
Roteiristas: Joel Clark, Michael Lerman
Produtor: Ko Mori
• Test
Diretor-roteirista-produtor: Chris Mason Johnson
Produtor: Chris Martin

MELHOR DOCUMENTÁRIO
• 20.000 Dias na Terra (20,000 Days on Earth)
Diretores: Iain Forsyth, Jane Pollard
Produtores: Dan Bowen, James Wilson
• CitizenFour
Diretora-produtora: Laura Poitras
Produtores: Mathilde Bonnefoy, Dirk Wilutzky
• Stray Dog
Diretora: Debra Granik
Produtora: Anne Rosellini
• O Sal da Terra (The Salt of the Earth)
Diretores: Juliano Ribeiro Salgado, Wim Wenders
Produtor: David Rosier
• Virunga
Diretor-produtor: Orlando von Einsiedel
Produtora: Joanna Natasegara

FILME INTERNACIONAL
• Força Maior (Force Majeure) – SUÉCIA
Diretor: Ruben Östlund
• Ida – POLÔNIA
Diretor: Pawel Pawlikowski
• Leviatã (Leviafan) – RÚSSIA
Diretor: Andrey Zvyagintsev
• Mommy – CANADÁ
Diretor: Xavier Dolan
Norte, the End of History – FILIPINAS
Diretor: Lav Diaz
• Sob a Pele (Under the Skin) – REINO UNIDO
Diretor: Jonathan Glazer

PRÊMIO ROBERT ALTMAN – Concedido a um diretor, diretor de elenco e elenco
• Vício Inerente (Inherent Vice)
Diretor: Paul Thomas Anderson
Diretor de Casting: Cassandra Kulukundis
Elenco: Josh Brolin, Martin Donovan, Jena Malone, Joanna Newsom, Joaquin Phoenix, Eric Roberts, Maya Rudolph, Martin Short Serena Scott Thomas, Benicio Del Toro, Katherine Waterston, Michael Kenneth Williams, Owen Wilson, Reese Witherspoon

SPECIAL DISTINCTION AWARD
• Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher)
Diretor/Produtor: Bennett Miller
Produtores: Anthony Bregman, Megan Ellison, Jon Kilik
Roteiristas: E. Max Frye, Dan Futterman
Atores: Steve Carell, Mark Ruffalo, Channing Tatum

PRODUCERS AWARD
Chad Burris
Elisabeth Holm
Chris Ohlson

SOMEONE TO WATCH AWARD
• A Girl Walks Home Alone at Night
Diretora: Ana Lily Amirpour
• H.
Diretores: Rania Attieh & Daniel Garcia
• The Retrieval
Diretor: Chris Eska

TRUER THAN FICTION AWARD
• Approaching the Elephant
Diretor: Amanda Rose Wilder
• Evolution of a Criminal
Diretor: Darius Clark Monroe
• The Kill Team
Diretor: Dan Krauss
• The Last Season
Diretora: Sara Dosa

O 30º Independent Spirit Awards acontece no dia 21 de fevereiro de 2015, como de costume, um dia antes da cerimônia do Oscar.

* Ah sim! A sinopse de Kumiko, the Treasure Hunter é a seguinte: Uma mulher japonesa descobre a fita VHS do filme Fargo (1996) e acredita que se trata de um mapa para a localização de uma mala cheia de dinheiro. Essa idéia é baseada na lenda urbana de que algumas pessoas teriam ido a Minnesota para procurar a maleta de dinheiro enterrada na neve do filme Fargo, porque os diretores irmãos Coen incluíram letreiro no início do filme dizendo que se tratava de uma história baseada em fatos verídicos, o que na verdade, é uma mentira usada para atrair mais a atenção do espectador.

Rinko Kikuchi em cena de Kumiko, the Treasure Hunter (photo by elfilm.com)

Rinko Kikuchi em cena de Kumiko, the Treasure Hunter (photo by elfilm.com)

Oscar 2015: Atores para sua consideração

Keira Knightley (The Imitation Game) - photo by outnow.ch

Pelo filme The Imitation Game: À esquerda, Keira Knightley, e ao centro, Benedict Cumberbatch, fazem parte do grupo de atores jovens e promissores de Hollywood que podem preencher as vagas do Oscar 2015 (photo by outnow.ch)

DISPUTA NAS CATEGORIAS DE ATUAÇÃO BUSCAM APOSTAS ALTERNATIVAS

Num recente levantamento feito pela Variety, houve uma previsão interessante para a categoria de Melhor Ator no Oscar 2015. Todos os cinco concorrentes podem ter sua primeira indicação! Dentre os possíveis concorrentes estão: Steve Carell (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo), Benedict Cumberbatch (The Imitation Game), Michael Keaton (Homem-Pássaro), Oscar Isaac (A Most Violent Year), Jack O’Connell (Invencível), Eddie Redmayne (The Theory of Everything) e Timothy Spall (Sr. Turner), nenhum deles jamais foi reconhecido pela Academia.

Claro que dificilmente todos os cinco serão estreantes, mas no mínimo três são bem prováveis: Steve Carell, Michael Keaton e Benedict Cumberbatch. Embora nunca tenham sido indicados, o trabalho deles vêm sendo aclamado pela crítica, e dependendo dos prêmios de associação de críticos como o National Board of Review (NBR), New York Film Critics Circle (NYFCC) e Los Angeles Film Critics Association (LAFCA), as apostas ganham consistência e podem se concretizar em indicações.

Como levantado aqui no blog (https://cinemaoscareafins.wordpress.com/2014/09/05/primeira-previa-do-oscar-2015-para-aqueles-que-nao-aguentam-esperar/), alguns atores mais conhecidos são esperados na lista como Joaquin Phoenix (Vício Inerente), Brad Pitt (Corações de Ferro) e Ralph Fiennes (O Grande Hotel Budapeste), mas outros nomes ainda precisam daquele “empurrãozinho” na campanha pela indicação.

Já na ala feminina, nomes mais conhecidos e indicados anteriormente figuram na lista. Reese Witherspoon já corre um pouco na frente pelo drama Livre. Ela ganhou o Oscar em 2006 por sua performance como June Carter em Johnny & June. Se depender do número de indicações sem vitória, Amy Adams já está no páreo por Big Eyes. Recebeu ao todo 5 indicações: 4 como coadjuvante e uma como atriz principal neste ano por Trapaça. Existe a possibilidade também de Julianne Moore entrar no bolo por Still Alice, no qual ela faz uma professora de linguística que passa a esquecer as palavras. Personagens com problemas mentais sempre largam na frente, como a Iris de Judi Dench.

Também na lista, Jessica Chastain pode concorrer pela terceira vez ao Oscar por dois trabalhos: A Most Violent Year e The Disappearence of Eleanor Rigby. Numa disputa acirrada com Jennifer Lawrence em 2013, a Academia pode tentar compensá-la pela derrota por A Hora Mais Escura. Entre as nunca indicadas, estão Felicity Jones (The Theory of Everything) e Rosamund Pike (Garota Exemplar).

CHANNING TATUM
Melhor Ator (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)

Chaning Tatum (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo) - photo by elfilm.com

Channing Tatum (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo) – photo by elfilm.com

Quando o jovem Channing Tatum se tornou um rosto famoso, ele fez uma declaração que me deixou intrigado. Na ocasião, ele teria dito que faria de tudo para ser indicado ao Oscar. Não levei muito à sério devido ao naipe das produções que ele estrelava naqueles anos como G.I. Joe: A Origem de Cobra e Ela Dança, Eu Danço, mas ele passou a chamar a atenção de diretores renomados como Steven Soderbergh e Michael Mann, chegando a esse papel em Foxcatcher.

Sob a direção de Bennett Miller, Tatum consegue imprimir uma de suas melhores performances de forma bem contida. Tentamos entender seu personagem o filme todo através de seu olhar e mesmo assim, sem grande sucesso. Seu maior “problema” para ser indicado é justamente seu parceiro de tela, Steve Carell. A Sony Pictures Classics decidiu fazer a campanha de ambos para a categoria de Melhor Ator, o que deve enfraquecer seu lado, uma vez que Carell me parece imbatível com sua interpretação fria, contida e com a prótese de nariz. O caso de Channing Tatum me lembra muito o de Mark Wahlberg, que estava bem em O Vencedor, mas ficou em segundo plano por causa de seus colegas Christian Bale e Melissa Leo, que ganharam os Oscars de coadjuvante.

JAKE GYLLENHAAL
Melhor Ator (O Abutre)

Jake Gyllenhaal (O Abutre) - photo by outnow.ch

Jake Gyllenhaal (O Abutre) – photo by outnow.ch

Jake Gyllenhaal foi indicado uma vez como coadjuvante por O Segredo de Brokeback Mountain em 2006. De lá pra cá, ele vem testando seus limites como ator em papéis diversificados em Soldado Anônimo e nos elogiados Marcados Para Morrer e Os Suspeitos, pelos quais alguns críticos acreditam que ele merecia maior reconhecimento artístico. Mas talvez ele venha agora com seu novo trabalho em O Abutre, de Dan Gilroy.

Nele, Gyllenhaal é um jornalista criminólogo que passa de observador a participante de um crime depois de muito tempo sem trabalho. A matéria da Variety aponta que não se trata de material para Oscar, o que é verdade, afinal é um filme e uma performance mais sombria que dificilmente sai premiada pela Academia, mas o ator obedeceu à cartilha de vitória no Oscar ao perder bastante peso para o papel (vencedor do Oscar deste ano, Matthew McConaughey, é um ótimo exemplo disso). Gyllenhaal perdeu mais de 13 quilos para viver o paparazoo Lou Bloom, e esta pode ser sua passagem para o tapete vermelho.

ELLAR COLTRANE
Melhor Ator (Boyhood – Da Infância à Juventude)

Ellar Coltrane (Boyhood - Da Infância à Juventude) - photo by cinemagia.ro

Ellar Coltrane (Boyhood – Da Infância à Juventude) – photo by cinemagia.ro

Com tantos atores na disputa na categoria de Melhor Ator, fica difícil de incluir o novato Ellar Coltrane até mesmo no buzz (burburinho) do Oscar. Claro que a sua conquista de 12 anos é digna de muitos prêmios, afinal, são poucos os atores que se comprometeriam a um projeto por tanto tempo de suas vidas (lembrando que o diretor Richard Linklater pediu para que os atores não fizessem alterações em seus rostos nesse período).

Obviamente, se a Academia estiver disposta a incentivar o menino, nada melhor do que uma indicação ao Oscar, certo? Em uma declaração recente, Coltrane teria dito que não tinha planos de continuar atuando, então essa decisão pode tomar rumos inesperados nessa temporada de premiação. Por um lado, o reconhecimento pode se tornar uma espécie de despedida, e de outro, um incentivo, do tipo que faltou para a cantora islandesa Björk depois da sua intensa atuação em Dançando no Escuro.

BEN AFFLECK
Melhor Ator (Garota Exemplar)

Ben Affleck (Garota Exemplar)

Ben Affleck (Garota Exemplar)

A Variety defende o posto de Ben Affleck aqui com o inedistimo de uma indicação como ator, já que já ganhou como roteirista por Gênio Indomável em 1998 e mais recentemente como produtor por Argo em 2013. Claro que a direção de David Fincher ajudou Affleck a encontrar uma atuação mais consistente, mas sinceramente? Só consigo ver Ben Affleck sendo Ben Affleck. Ele se esforça em construir a personalidade inferiorizada de Nick Dunne em meio ao caos do desaparecimento de sua esposa, mas não consigo me desvencilhar da imagem do próprio ator.

Essa interpretação me lembra um pouco a do ano passado de Tom Hanks em Capitão Phillips. Ele é capturado, torturado e mantido em cativeiro o filme todo, mas pra mim, era o Tom Hanks ali. Parecia não haver um trabalho para construir uma personagem de fato, mas apenas as reações de um personagem perante às situações absurdas do seqüestro do navio cargueiro. De qualquer forma, considero Affleck carta fora do baralho também pela forte concorrência do ano. Nem sua absurda não-indicação como diretor por Argo há dois anos vai ser compensada numa indicação aqui.

KEIRA KNIGHTLEY
Melhor Atriz (Mesmo se Nada der Certo)

Keira Knightley (Mesmo Se Nada Der Certo) - photo by outnow.ch

Keira Knightley (Mesmo Se Nada Der Certo) – photo by outnow.ch

A Academia adora quando atores soltam suas cordas vocais. Anne Hathaway, Marion Cotillard, Reese Witherspoon e Jamie Foxx são alguns exemplos recentes de vencedores da estatueta que cantaram para viver seus personagens. Nesse quesito, a jovem Keira Knightley pode ter um trunfo na manga por seu papel em Mesmo se Nada Der Certo. Nele, ela interpreta Gretta, uma dedicada cantora de Manhattan com o mesmo guarda-roupa da personagem Annie Hall (Diane Keaton em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa), que tem que se virar depois se separar do namorado, que é uma estrela do rock.

Contudo, como a própria atriz ressaltou numa entrevista, ela gostaria que o filme tivesse sido mais visto nos cinemas, mas provavelmente só será nos formatos digitais do DVD e do Blu-ray. Os baixos números podem prejudicar sua campanha ao Oscar, mas os DVDs podem ser mais facilmente entregues aos votantes da Academia. De qualquer forma, Knightley está bem cotada para sua segunda indicação (foi previamente indicada como Melhor Atriz em 2006 por Orgulho e Preconceito), mas desta vez como coadjuvante por The Imitation Game.

ANNE DORVAL
Melhor Atriz (Mommy)

Anne Dorval (Mommy) - photo by outnow.ch

Anne Dorval (Mommy) – photo by outnow.ch

A atriz canadense Anne Dorval se mostra a mais bem cotada entre as estrangeiras a receber uma indicação em 2015. É bem provável que ela ganhe o prêmio de Melhor Atriz da Associação de Críticos de Los Angeles (LAFCA), que adora reconhecer o trabalho de atrizes estrangeiras. Só para citar algumas recentemente premiadas: as francesas Adèle Exarchopoulos e Emmanuelle Riva, as sul-corenas Jeong-hie Yun e Hye-ja Kim, e a belga Yolande Moreau. Além disso, o filme que ela protagoniza, Mommy, foi muito bem recebido em Cannes, e alguns alegam que ela foi “roubada” em sua categoria. O júri presidido pela cineasta Jane Campion resolveu premiar a atriz americana Julianne Moore por Maps to the Stars.

Em Mommy, Dorval interpreta uma mãe viúva disposta a tudo para ajudar seu filho violento e problemático. Com a categoria de Atriz não tão acirrada assim, a atriz canadense pode ter uma ótima chance de adentrar a lista de indicadas. Tudo vai depender dos prêmios dos críticos americanos até sua chegada no Globo de Ouro em janeiro.

JOHN LITHGOW
Ator Coadjuvante (O Amor é Estranho)

John Lithgow (O Amor é Estranho) - photo by cine.gr

John Lithgow (O Amor é Estranho) – photo by cine.gr

Uma das coisas que mais admiro no cinema americano é a existência de oportunidades de um ator ou atriz se reerguer. Sempre defendo que se um profissional de interpretação quer mesmo um desafio, procure o cinema americano independente. Lá, ele encontrará projetos estimulantes e desafiadores que podem  criar ou resgatar uma identidade do artista. Um que sempre cito nessas conversas é o Keanu Reeves. Se eu fosse amigo dele, falaria: “Keanu, meu filho, esqueça essas bobagens de blockbusters. Você já tem dinheiro o suficiente. Resgate sua auto-estima e procure projetos menores e independentes.” Claro que seu agente não deve compartilhar do mesmo pensamento que o meu, mas acredito que ele ainda pode resgatar um pouquinho daquela fase de Garotos de Programa (1991) e Parenthood – O Tiro que Não Saiu Pela Culatra (1990), com quem trabalhou com Gus Van Sant e Ron Howard, respectivamente.

Claro que o veterano John Lithgow não está no mesmo patamar fundo de poço de Reeves, mas digamos que ele ficou um pouco esquecido nas últimas duas décadas. Ele retomou um pouco sua popularidade com sua participação na série de TV Dexter, mas acredito que sua atuação em O Amor é Estranho pode ajudá-lo ainda mais na sua retomada.

No filme dirigido por Ira Sachs, ele é casado com Alfred Molina, formando um casal gay. Contudo, as dificuldades começam quando seu parceiro é despedido, obrigando-os a vender a casa e viver em locais diferentes até a poeira baixar e conseguir uma casa mais barata. Aqueles que viram o filme defendem que se trata do melhor trabalho de Lithgow desde O Mundo Segundo Garp (1983), e também a mais franca atuação dele desde então. Ele já foi indicado duas vezes como coadjuvante, a primeira por Garp e a segunda por Laços de Ternura, mas nunca levou. E a Academia adora retornos triunfais, tipo Alan Arkin e Christopher Plummer.

JAEDEN LIEBERHER
Melhor Ator Coadjuvante (St. Vincent)

Jaeden Lieberher (St. Vincent) - photo by cine.gr

Jaeden Lieberher (St. Vincent) – photo by cine.gr

Ok, crianças no Oscar vocês já sabem: ascensão ou maldição. Que o diga Tatum O’Neal e Haley Joel Osment (que sequer ganhou, mas desapareceu do mapa). Claro que existem casos mais raros em que o ator ou atriz-mirim conseguem driblar uma possível maldição provinda de um certo deslumbramento do Oscar e se tornar um sucesso por tempo indeterminado. O caso mais concreto disso é Jodie Foster, que atua em comerciais de TV desde os 3 anos e até hoje, com mais de 50, continua uma excelente profissional.Claro que o alto QI dela ajuda bastante, mas os pais são fundamentais nessas horas.

A Academia também gosta de fazer sua parte ao não premiar uma criança e acabar “estragando” um futuro todo de sucesso. Quando a jovem Abigail Breslin foi indicada por Pequena Miss Sunshine em 2007, seu colega de filme e veterano Alan Arkin declarou poucos dias antes da cerimônia que não gostaria que ela ganhasse para que a vitória não lhe subisse à cabeça. A Academia tem evitado indicar crianças, mas em alguns casos como o da própria Abigail, eles seriam crucificados se não o fizessem. Então, essa menção ao jovem Jaeden Lieberher tem de ser vista com cautela. Ele tem 12 anos e faz par com Bill Murray na comédia de humor negro St. Vincent.

No filme, ele faz um menino cujos pais acabam de se divorciar e acaba encontrando conforto e amizade no vizinho veterano de guerra. Dizem que sua química com Murray é tão boa e seus diálogos são tão afiados, que fica quase impossível não xingar a Academia em caso de ausência na lista de indicados…

TILDA SWINTON
Melhor Atriz Coadjuvante (Expresso do Amanhã)

Tilda Swinton (Expresso do Amanhã) - photo by outnow.ch

Tilda Swinton (Expresso do Amanhã) – photo by outnow.ch

Eu adoro Tilda Swinton. Desde os trabalhos em que ela protagoniza como Até o Fim (1999) até os que ela faz pontas como O Grande Hotel Budapeste (2014). Ela tem presença de tela e talento, uma combinação que ajudou Meryl Streep a assumir o posto que tem hoje. Ela só não foi mais indicada ou ganhou mais prêmios americanos porque ela é meio off-Hollywood.

Prova disso também são suas escolhas incomuns. Este ano, ela viveu uma espécie de líder distópica e autoritária na ficção científica futurista Expresso do Amanhã, dirigido pelo sul-coreano Bong Joon-ho. Neste futuro apocalíptico, as condições climáticas acabaram com a vida na Terra, restando apenas os passageiros do trem Snowpiercer, que viaja ao redor do globo. Ali dentro, as classes brigam entre si para ter o controle do sistema. A caracterização da personagem de Swinton chama a atenção já pelo figurino e pelos óculos fundos, e se aprofunda pelo tom de voz frio e autoritário com a imagem meio Margaret Thatcher de Meryl Streep em A Dama de Ferro.

Embora a Academia não saiba admirar uma boa atuação no gênero (aliás, uma das poucas atuações de ficção científica indicadas foi de Sigourney Weaver em Aliens, o Resgate em 1987), espero que o filme seja bem recebido pelos votantes e que pelo menos considerem o talento de Swinton. Ela ganhou um Oscar de coadjuvante em 2008 por Conduta de Risco.

 

* As indicações ao Oscar 2015 serão conhecidas no dia 15 de janeiro, e a cerimônia será no dia 22 de fevereiro.

Contrariando expectativas, filme chinês ‘Black Coal, Thin Ice’ leva o Urso de Ouro 2014

À esquerda, o ator Liao Fan ao lado do diretor Yi'nan Diao, vencedor do Urso de Ouro por Black Coal, Thin Ice (photo by www.thelocal.de)

À esquerda, o ator Liao Fan ao lado do diretor Yi’nan Diao, vencedor do Urso de Ouro por Black Coal, Thin Ice (photo by http://www.thelocal.de)

Por se tratar de um festival na Alemanha, a imprensa do país estava com altas expectativas de que o Urso de Ouro pudesse vir para casa, ainda mais por haver quatro produções alemãs em disputa, mas o presidente do júri, James Schamus (mais conhecido por produzir filmes do diretor Ang Lee), não estava interessado em patriotagem (talvez com receio de repetir o que Bernardo Bertolucci fez no último Festival de Veneza) e apenas um desses filmes recebeu o prêmio de roteiro: Kreuzweg (Stations of the Cross), que aborda a religião de ponto de vista familiar.

Outro que caiu do cavalo foi o diretor americano Richard Linklater, mundialmente conhecido por sua trilogia: Antes do Amanhecer (1995), Antes do Pôr-do-Sol (2004) e Antes da Meia-Noite (2013). Como suas sessões foram ovacionadas ao final e o filme fora muito bem cotado pela crítica especializada, Linklater aguardava pelo prêmio máximo como reconhecimento de sua ousadia em filmar uma história em 12 anos, mas acabou premiado apenas como Melhor Diretor (ele já havia sido premiado anteriormente por Antes do Amanhecer). Boyhood (sem título e sem previsão de estréia no Brasil) acompanha a vida e o amadurecimento do menino Mason dos 5 até os 17 anos de idade, mas sem exigir a troca de ator, já que ele esperou 12 anos pelo crescimento do ator Ellar Coltrane.

Equipe de Boyhood, da esquerda para a direita: Ethan Hawke, Ellar Coltrane, Patricia Arquette e o diretor Richard Linklater. No detalhe, o menino Coltrane (bigger photo by LA times)

Equipe de Boyhood, da esquerda para a direita: Ethan Hawke, Ellar Coltrane, Patricia Arquette e o diretor Richard Linklater. No detalhe, o menino Coltrane (bigger photo by LA times)

Na coletiva de imprensa dos vencedores, Richard Linklater procurou amenizar a decepção: “Quando a gente faz um filme, é porque sente necessidade de expressar alguma coisa, não é pensando em prêmios. O cinema não é, nem deve ser uma competição. Há espaço para todos.” A produção do filme teve que se virar para levantar a grana, pois nenhum investidor queria apostar dinheiro num filme que levaria mais de 12 anos para ser finalizado e distribuído. A idéia de aguardar por mais de uma década a retomada de uma filmagem soa como ousada e merecia mais reconhecimento, contudo é preciso conferir se essa exigência do diretor foi realmente devida e bem aplicada no filme, e não mera frescura experimental. Segundo depoimento, Linklater teria assemelhado sua idéia aos filmes de François Truffaut estrelados por Jean-Pierre Léaud que acompanham o amadurecimento do personagem Antoine Doinel: Os Incompreendidos (1959), Amor aos 20 Anos (1962), Beijos Proibidos (1968), Domicílio Conjugal (1970) e O Amor em Fuga (1979).

Com tanta insatisfação, a vitória do filme chinês Black Coal, Thin Ice, de Yi’nan Diao só podia ficar indigesta. Pra piorar o quadro, Schamus também premiou o ator Liao Fan. Trata-se apenas do terceiro filme de Diao, que retoma o tema da violência da China contemporânea explorada recentemente por Jia Zhang-Ke em Um Toque de Pecado (que ganhou Melhor Roteiro em Cannes 2013), mas com uma vertente cinema noir detetivesco. Obviamente, o cinema chinês está em alta, mas não significa que todos os filmes de lá são imprescindíveis.

Cena de Black Coal, Thin Ice (photo by elfilm.com)

Cena de Black Coal, Thin Ice (photo by elfilm.com)

Na matéria publicada hoje no jornal O Estado de S. Paulo por Luiz Carlos Merten, ele fala em “incompetência do júri”, metendo o pau no James Schamus. Particularmente, não acredito em más escolhas no âmbito da Arte. Ele foi apenas convidado pelos organizadores do evento e deu seu voto como realizador. Se ele votasse nos melhores segundo a imprensa, não haveria necessidade de um júri, certo? Nessa questão, sou apenas contra a escalação de um júri composto por artistas previamente envolvidos com os concorrentes, seja profissional ou amorosamente, pois permite equívocos como o Leão de Ouro para Um Lugar Qualquer, de Sofia Coppola (ex-namorada do presidente do júri, Quentin Tarantino) e ambigüidades como a Palma de Ouro para A Fita Branca, de Michael Haneke, concedido por sua atriz favorita Isabelle Huppert.

Com um elenco inflado de celebridades internacionais como Ralph Fiennes, Edward Norton, Jude Law, Tilda Swinton, Saoirse Ronan, Léa Seydoux, Owen Wilson, Adrien Brody, Bill Murray, Jeff Goldblum, Willem Dafoe, Harvey Keitel, Tom Wilkinson, F. Murray Abraham e Jason Schwartzman (seria mais fácil citar quem NÃO está no filme!), o diretor Wes Anderson acompanha a rotina do concierge Gustave (Fiennes) no hotel que dá nome ao filme The Grand Budapest Hotel. Como em seus filmes anteriores, Anderson busca extrair um humor inusitado e nada comum de seus atores. No festival, saiu com o Grande Prêmio do Júri (espécie de segundo lugar), e se sobreviver ao ano todo, pode até concorrer nas categorias de Melhor Elenco de 2014…

À esquerda, Ralph Fiennes como o concierge Gustave com o seu leal lobby boy Zero, interpretado por Tony Revolori (photo by outnow.ch)

À esquerda, Ralph Fiennes como o concierge Gustave com o seu leal lobby boy Zero, interpretado por Tony Revolori em The Grand Budapest Hotel (photo by outnow.ch)

Embora o brasileiro Praia do Futuro, de Karim Aïnouz, não ter levado nenhum prêmio como os demais concorrentes sul-americanos, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, filme de estréia de Daniel Ribeiro, levou o Teddy Bear, concedido à melhor produção de temática homossexual.

Vencedores do 64º Festival de Berlim:

URSO DE OURO: Black Coal, Thin Ice (Bai ri yan huo), de Yi’nan Diao

MELHOR DIRETOR: Richard Linklater (Boyhood)

MELHOR ATOR: Liao Fan (Black Coal, Thin Ice)

MELHOR ATRIZ: Haru Kuroki (Little House)

MELHOR ROTEIRO: Dietrich Brüggemann e Anna Brüggemann (Stations of the Cross)

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI: Wes Anderson (The Grand Budapest Hotel)

ALFRED BAUER PRIZE: Amar, Beber, Cantar (Aimer, boire et chanter), de Alain Resnais

URSO DE PRATA POR CONTRIBUIÇÃO ARTÍSTICA: Zeng Jian pela fotografia de Blind Massage

TEDDY BEAR: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro

A japonesa Haru Kuroki recebe o Urso de Prata de Melhor Atriz das mãos do vencedor do Oscar Christoph Waltz (photo by japantimes.co.jp)

A japonesa Haru Kuroki recebe o Urso de Prata de Melhor Atriz das mãos do vencedor do Oscar Christoph Waltz (photo by japantimes.co.jp)