‘PODERIA ME PERDOAR?’ e ‘OITAVA SÉRIE’ VENCEM no WGA

2019 Writers Guild Awards L.A. Ceremony - Inside

O jovem diretor e roteirista Bo Burnham vence o WGA de Roteiro Original por Oitava Série (pic by Metrópoles)

ÚLTIMO GRANDE PRÊMIO DE SINDICATOS ANTES DO OSCAR REVELA POSSÍVEL DIVERGÊNCIA

Nesse último domingo, o Sindicato de Roteiristas (Writers Guild of America) divulgou seus vencedores, e revelou uma divergência certa e outra possível com o Oscar.

Pela categoria de Roteiro Original, o vencedor foi Bo Burnham, roteirista e diretor estreante do ainda inédito no Brasil Oitava Série (Eighth Grade), que apesar de ter levado o DGA de Diretor Estreante, sequer foi indicado ao Oscar de Roteiro Original.

“Para os outros indicados da categoria, divirtam-se no Oscar, perdedores!”, abriu Burnham seu discurso de agradecimento. “Não, eu não preparei nada. Isto pertence à Elsie Fisher que interpretou o roteiro. Ninguém ligaria para o roteiro se ela não tivesse feito o filme”, continuou.

O filme sobre a última semana da oitava série bateu os indicados ao Oscar: Roma (Alfonso Cuarón), Vice (Adam McKay) e Green Book: O Guia (Nick Vallelonga, Brian Currie e Peter Farrelly), e o esnobado Um Lugar Silencioso (Bryan Woods, Scott Bleck e John Krasinski). No lugar de Oitava  Série e Um Lugar Silencioso no Oscar, estão Paul Schrader (No Coração da Escuridão) e a dupla Deborah Davis e Tony McNamara (A Favorita).

Apesar das regras rígidas do WGA, Oitava Série é o primeiro roteiro a ganhar o WGA sem sequer ter recebido uma indicação ao Oscar desde Michael Moore em 2003 por Tiros em Columbine.

Já pela categoria de Roteiro Adaptado, deu Poderia Me Perdoar? sobre o então favorito Infiltrado na Klan. Embora o filme tenha se sobressaído na temporada graças aos seus atores Melissa McCarthy e Richard E. Grant, a força do roteiro foi primordial para transmitir as dores artísticas da escritora Lee Israel, falecida em 2014. Para quem trabalha com qualquer forma de Arte, especialmente aqui no Brasil, será fácil se identificar com a trajetória da protagonista.

2019 Writers Guild Awards, Show, The Beverly Hilton, Los Angeles, USA - 17 Feb 2019

Nicole Holofcener e Jeff Whitty vencem o WGA de Roteiro Adaptado por Poderia Me Perdoar? (pic by IndieWire)

“Quero agradecer a Lee,” disse Holofcener. “Ela provavelmente estaria sentada em sua sala julgando todos nós. Ela pensava que era a pessoa mais esperta e provavelmente era.”

As estatísticas do WGA em relação ao Oscar não são das melhores (seis vencedores levaram o Oscar dos últimos dez), mas no ano passado, os dois vencedores aqui se consagraram também no prêmio da Academia. Jordan Peele levou o Oscar de Roteiro Original por Corra!, e James Ivory levou Roteiro Adaptado por Me Chame Pelo Seu Nome. Já este ano, com a não-indicação para Oitava Série, não será possível um novo feito duplo.

VENCEDORES DO 71º WGA AWARDS:

ROTEIRO ORIGINAL
Bo Burnham (Oitava Série)

ROTEIRO ADAPTADO
Nicole Holofcener e Jeff Whitty, Based no livro de Lee Israel (Poderia Me Perdoar?)

ROTEIRO DE DOCUMENTÁRIO
Ozzy Inguanzo e Dava Whisenant (Bathtubs Over Broadway)

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Lukasz Zal em set de filmagem de Guerra Fria. Ele não pôde comparecer ao evento. (pic by Indiewire)

GUERRA FRIA TIRA O ASC DAS MÃOS DE ALFONSO CUARÓN

Aproveitando a deixa do WGA, esqueci de postar o vencedor do ASC (American Society of Cinematographers Awards), prêmio do sindicato de diretores de fotografia que, aliás, sofreram um baque e tanto com o anúncio de que a categoria não seria apresentada ao vivo na transmissão do Oscar, levando vários membros a criticar a Academia até ela voltar atrás em sua decisão.

O diretor de fotografia polonês Łukasz Żal foi o grande vencedor por Guerra Fria. Sua belíssima fotografia em preto-e-branco já havia cativado os colegas de profissão por Ida (2013), já que venceu o Spotlight Award daquela edição de 2014, e recebeu uma indicação ao Oscar. Apesar da qualidade inegável de seu trabalho, essa vitória não deixa de ser surpreendente, já que Alfonso Cuarón estava ganhando todos os prêmios de fotografia da temporada por Roma. Será que ele consegue tirar uma das estatuetas de Cuarón no Oscar?

Já o Spotlight Award deste ano foi para Giorgi Shvelidze pelo singelo filme Namme, da Georgia.

Nos últimos cinco anos, houve apenas uma divergência entre ASC e Oscar, em 2017. Enquanto o sindicato premiou Greg Frasier por Lion: Uma Jornada Para Casa, a Academia preferiu Linus Sandgren por La La Land.

VENCEDORES DO ASC AWARDS:

MELHOR FOTOGRAFIA
Alfonso Cuarón (Roma)
Matthew Libatique (Nasce uma Estrela)
Robbie Ryan (A Favorita)
Linus Sandgren (O Primeiro Homem)
Łukasz Żal (Guerra Fria)

SPOTLIGHT AWARD
Joshua James Richards (Domando o Destino)
Giorgi Shvelidze (Namme)
Frank van den Eeden (Girl)

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A 91ª cerimônia está marcada para o próximo domingo, dia 24.

 

 

 

 

 

 

 

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‘Boyhood’ e ‘O Grande Hotel Budapeste’ conquistam o Eddie Awards 2015

Oito momentos da vida de Ellar Coltrane em Boyhood: Da Infância à Juventude, vencedor do Eddie Award (photo by http://staticvosf5b.lavozdelinterior.com.ar/sites/default/files/styles/landscape_642_366/public/nota_periodistica/boy)

Oito momentos da vida de Ellar Coltrane em Boyhood: Da Infância à Juventude, vencedor do Eddie Award (photo by http://staticvosf5b.lavozdelinterior.com.ar/sites/default/files/styles/landscape_642_366/public/nota_periodistica/boy)

INDICADOS AO OSCAR DE MONTAGEM IMPULSIONAM SUA CAMPANHA

O sindicato de editores, ACE (American Cinema Editors), elegeu Boyhood: Da Infância à Juventude e O Grande Hotel Budapeste como melhores montagens nas categorias de Drama e Comédia ou Musical, respectivamente. Trata-se de um grande passo rumo ao Oscar, pois o vencedor do Eddie Awards costuma ser eleito também o Melhor Filme pela Academia pelo menos em sete oportunidades nos últimos 12 anos. E segundo as estatísticas favoráveis, dos últimos 34 anos, todo vencedor do Oscar de Melhor Filme recebeu indicação ao Eddie.

Claro que, por mais que esses números sejam promissores, não garantem estatueta nenhuma. Veja o caso por exemplo do ano passado: Christopher Rouse (Capitão Phillips) venceu com louvor o Eddie, mas perdeu para a enxurrada de prêmios de Gravidade. Embora ambos tenham trabalhado bem a questão da tensão, os cortes foram mais eficientes no sequestro do navio pelos piratas somalianos. E em 2012, Kevin Tent levou o Eddie por Os Descendentes, mas foi a dupla Kirk Baxter e Angus Wall que ganhou seu segundo Oscar consecutivo por Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres depois de faturar por A Rede Social.

A editora Sandra Adair de Boyhood (photo by austinchronicle.com)

A editora Sandra Adair de Boyhood (photo by austinchronicle.com)

Tanto Boyhood quanto O Grande Hotel Budapeste estão concorrendo ao Oscar de Montagem. Enquanto Sandra Adair teve de comprimir material bruto de 12 anos em um pouco menos de 3 horas de filme com o acerto de não inserir divisão de anos, Barney Pilling fez uma bela compilação de personagens sem perder o ritmo e extraindo humor de seus cortes. Se um desses trabalhos sair com o Oscar, a categoria estará bem representada, assim como o belo trabalho de edição de Tom Cross, por Whiplash: Em Busca da Perfeição. Como o filme é sobre música, ele se guia pela mesma para criar jump cuts para sincronizar as imagens com o áudio, mas de forma imperceptível.

Pela categorias de Animação, o Eddie foi para Uma Aventura Lego, enquanto de Documentário, Citizenfour se consagrou como o melhor, elevando um pouco mais suas chances no Oscar de Melhor Documentário. Gostaria de aproveitar e fazer uma espécie de crítica, pois a Academia não inclui montagens de documentários e animações na categoria. Talvez pela comodidade, só reconhece edições de ficções (dramas, comédias, musicais, policiais, suspenses etc), acumulando o reconhecimento todo desses dois gêneros para os Oscars de Melhor Documentário e Melhor Longa de Animação. Sei que tem muita gente que acha que a edição de documentário é tudo igual (estilo entrevista e imagens de arquivo), mas existem trabalhos bem inventivos do gênero como o dinamismo de Kurt Engfehr de Tiros em Columbine (2002), que utiliza até animação para explicar a História das armas nos EUA. Ou o mais recente O Ato de Matar (2012), que ousa ao reencenar o massacre da Indonésia em gêneros cinematográficos.

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Segue lista completa dos vencedores do Eddie Awards 2015:

MELHOR MONTAGEM – DRAMA
Sandra Adair (Boyhood: Da Infância à Juventude)

MELHOR MONTAGEM –  COMÉDIA OU MUSICAL
Barney Pilling (O Grande Hotel Budapeste)

MELHOR MONTAGEM – ANIMAÇÃO
David Burrows, Chris McKay (Uma Aventura Lego)

MELHOR MONTAGEM – DOCUMENTÁRIO
Mathilde Bonnefoy (Citizenfour)

Edward Snowden em Citizenfour (photo by outnow.ch)

Edward Snowden em Citizenfour (photo by outnow.ch)

MELHOR MONTAGEM – DOCUMENTÁRIO (TELEVISÃO)
Erik Ewers (The Roosevelts: An Intimate History) – Episódio 3: The Fire of Life

MELHOR MONTAGEM – SÉRIE DE TV DE MEIA-HORA
Anthony Boys (Veep) – Episódio: “Special Relationship”

MELHOR MONTAGEM – SÉRIE DE TV DE UMA HORA COM COMERCIAL
Yan Miles (Sherlock) – Episódio: “His Last Vow”

MELHOR MONTAGEM – SÉRIE DE TV DE UMA HORA SEM COMERCIAL
Affonso Gonçalvez (True Detective) – Episódio: “Who Goes There”

MELHOR MONTAGEM – MINISSÉRIE OU FILME FEITO PARA TV
Adam Penn (The Normal Heart)

MELHOR MONTAGEM – SÉRIES NÃO ROTEIRIZADAS
Hugo Gross (Anthony Bourdain: Parts Unknown) – Episódio: “Iran”

MELHOR MONTAGEM DE ESTUDANTE
Johnny Sepulveda (Video Symphony)

Nova tentativa de tiroteio na sessão de A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2

A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2: Quase esse cenário romântico virou um filme do Schwarzenegger.

Na manhã do dia 15 de novembro, a polícia americana prendeu um rapaz de 20 anos, chamado Blaec Lammers, que teria planejado um tiroteio em massa numa sessão do filme A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2. Sim, você já viu esse filme (e não, não estou me referindo ao carnaval de vampiros e lobisomens).

A polícia recebeu a ligação da mãe de Lammers na quinta, dia 14, dizendo que estava preocupada, pois seu filho não estava tomando seus medicamentos e havia comprado fuzis similares àqueles usados no recente massacre durante sessão de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, no cinema de Colorado. O rapaz foi encontrado num restaurante de fast food Sonic e levado pela viatura.

Já na delegacia, à princípio ele alegou que as armas seriam utilizadas para caça, porém ao entrarem na discussão sobre as tragédias recentes nos EUA, ele admitiu que tinha “muito em comum com os atiradores”.

Blaec Lammers, 20 anos: enquadrado por ameaça terrorista.

“Lammers afirmou que era quieto, do tipo solitário e que recentemente tinha comprado armas de fogo… e que tinha pensamentos homicidas”, relatou um detetive. Em seguida, confessou que tinha intenção de atirar nas pessoas no cinema de sua cidade Bolivar, no estado do Missouri neste sábado, dia 16.

Num segundo pensamento, teria receio de ficar sem munição, então iria mudar seu plano para o supermercado Wal-Mart, onde ele poderia facilmente quebrar o vidro dos balcões, pegar mais balas e continuar atirando na polícia.

Ele foi acusado de agressão em primeiro grau, ação penal armado e fazer uma ameaça terrorista.

Curiosamente, Blaec Lammers já fora preso em 2009 depois que afirmou que queria esfaquear um funcionário do Wal-Mart até a morte e seguir outros funcionários .

Tudo bem que o atendimento no Wal-Mart é ruim, mas uma cuspida na cara já seria o suficiente, não? Não, mas falando sério agora, os EUA têm um longo  e problemático histórico de gente maluca que sai atirando da noite pro dia. Como já visitei o país, chego a deduzir que pode se tratar da cultura individualista deles. Geralmente, esses atiradores também tiveram traumas na infância que têndem a se agravar nos anos seguintes.

Mas nada seria dos loucos se não houvesse tantas armas e munições ao alcance de todos. No documentário de Michael Moore, Tiros em Columbine (2002), ele confirma a extrema facilidade de adquirir uma arma, seja em lojas ou supermercados (no início do documentário, o diretor encena uma compra de arma num banco!). Essa facilidade se assemelha a uma criança comprando cigarro, cerveja e Playboy aqui no Brasil…

O documentarista Michael Moore sai feliz com sua arma recém-comprada em Tiros em Columbine (2002), vencedor do Oscar.

Recentemente reeleito, o presidente Barack Obama deveria endurecer a política de venda de armas nos EUA. Entendo que a sociedade americana, especialmente a que reside nos estados centrais e republicanos, tem uma cultura antiga e tradicional com as caças, afinal, eles interpretam a atividade como um ritual de passagem do menino para o homem, mas algumas tradições devem cair pelo bem maior das pessoas.

Os EUA já enfrentam uma onda de racismo extremo que começou depois dos ataques do 11 de Setembro de 2001, portanto, esse tipo de tragédia pode e deve ser evitado pelas autoridades.

Aqui no Brasil, o caso mais semelhante foi o do rapaz Wellington Menezes de Oliveira, da cidade de Realengo, no Rio de Janeiro, que voltou à sua escola e atirou em alunos. A mídia cobriu o incidente e rotulou como caso de bullying, que dividiu a população. Alguns acreditam que os traumas devem ser tratados na escola e outros, mais céticos, acham que todo mundo já enfrentou traumas e xingamentos, e nem por isso saem atirando por aí.

Parentes das vítimas da escola municipal de Realengo, RJ.

Este é o segundo caso envolvendo tiroteio nos cinemas só neste ano nos EUA. Apesar da ameça não ter se consumado, se não fosse a mãe de Lammers, as estatísticas de vítimas fatais teriam aumentado. O primeiro aconteceu em julho, numa sala de cinema no Colorado, quando James Holmes se armou até os dentes, matando 12 espectadores.

O atirador de Colorado, James Holmes, em corte. Seu cabelo alaranjado seria uma homenagem ao personagem anarquista Coringa de Batman: O Cavaleiro das Trevas. Photo by Getty Images.

Meu receio é que esses casos nos cinemas se multipliquem e causem um rebuliço tão grande que levaria políticos a adotar detectores de metal nas filas dos cinemas ou em caso mais extremo, acabarem com as exibições. Ok, a economia dos EUA não deixaria essa última opção se consolidar, mas com certeza, a frequência dos espectadores deve cair com esses ataques. A qualidade dos filmes nos cinemas já não ajuda, ainda tem que levar em conta os malucos que acham que a realidade é um Counter Strike eterno…

12 Mortos em sessão de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Palco de tiroteio em Denver, Colorado – EUA

É com extremo, extremo pesar que informo uma tragédia, que já tomou conta de todas as manchetes. Esse é o pior tipo de notícia para todos os cinéfilos do mundo. Nessa última madrugada, dia 20 de julho, no subúrbio chamado Aurora, na cidade de Denver, estado de Colorado, EUA, um suspeito usando uma máscara de gás e munido de um rifle e duas pistolas, invadiu uma sala que exibia a pré-estréia do novo filme de Christopher Nolan.

Pelos relatos, o homem teria entrado na sala e detonado uma bomba de gás lacrimogêneo. Logo em seguida, posicionado em frente à tela, começou a atirar no público que, com a visão comprometida pela fumaça espessa, teve extrema dificuldade para a fuga em massa. Ele teria subido degrau por degrau, atirando em todos que estivessem em sua frente. Inicialmente, muitos desses espectadores teriam deduzido que os tiros faziam parte do espetáculo, afinal, performances de marketing são comuns em pré-estréias desse porte.

A polícia contabilizou oficialmente 12 mortos (10 mortos na cena do crime e 2 no hospital) no total de 59 feridos. Como se o elevado número de mortos não fosse o suficiente, a tragédia infelizmente levou uma menina de 6 anos de idade, que apesar da censura ser de 13 anos, só queria ver seu herói mascarado nas telas. Veronica Moser-Sullivan foi acompanhada de seu pai, que foi seriamente ferido com tiros no abdômen e garganta e está hospitalizado em estado crítico. E infelizmente, alguns casais foram separados, quando os homens pularam em frente às suas parceiras, protegendo-as com as próprias vidas.

James Holmes, 24, o atirador de Denver

O FBI prendeu o suspeito trajado com colete à prova de balas no estacionamento do cinema tentando fugir. Ele foi identificado como James Holmes, 24 anos, morador da cidade e não teria qualquer ligação com grupos terroristas. Holmes cursava Neurociências na Universidade de Colorado e era considerado um rapaz muito solitário; não tinha amigos e sequer perfis em redes sociais. Talvez por isso, tenha se autodenominado ‘Coringa’ para a polícia, pois assim como o personagem de Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008), não tinha qualquer registro dele online.

Curiosamente, Aurora é um subúrbio de Denver localizado muito próximo do palco de outros dois tiroteios: na escola de Columbine, onde 15 pessoas (entre estudantes e professores) foram baleadas e mortas em 1999; e mais recentemente, em 2007, quando o estudante sul-coreano matou 32 estudantes e professores na Universidade de Virgínia.

Com essa tragédia, a discussão sobre a venda de armas volta à pauta nos EUA. Como visto no documentário de Michael Moore, Tiros em Columbine (2002), é possível comprar armas de fogo com extrema facilidade e em lugares inusitados como supermercados. Apesar do presidente norte-americano Barack Obama lamentar profundamente o ocorrido, ele deverá encarar a discussão sobre a restrição da venda de armas em pleno ano eleitoral, uma vez que James Holmes tinha a posse legal de todas as armas.

Mateus da Costa Meira: o assassino do shopping Morumbi

Aqui no Brasil, devido à essa tragédia, muitos devem ter se recordado da polêmica sessão do filme Clube da Luta (1999), ocorrida no dia 13 de novembro de 1999 no Shopping Morumbi, em São Paulo-SP. Na ocasião, o estudante de medicina, Mateus da Costa Meira, matou 3 pessoas e feriu 4 com uma submetralhadora 9mm. Rendido pelos seguranças desarmados do cinema, ele teria justificado que escolheu o filme de David Fincher porque seu protagonista é esquizofrênico como ele. Conversa pra boi dormir, porque todo louco e seu advogado de defesa buscam argumentos válidos para abrandar a pena, e nesse caso, a culpa sobrou para o ótimo filme estrelado por Brad Pitt e Edward Norton.

Pelo que se sabe, ele estava preso na penitenciária de Salvador, mas depois de tentar matar um colega de cela com uma tesoura, foi transferido para um hospital psiquiátrico, onde permanece até hoje. Isso comprova que ele poderia ter assistido a Branca de Neve e os Sete Anões que ele teria cometido esse crime premeditado de qualquer maneira.

Curiosamente, na história em quadrinhos The Dark Knight Returns de autoria de Frank Miller, há uma sequência em que um homem abre fogo numa sala de cinema. Felizmente, até o momento, não existe nenhuma ligação de que isso tenha servido como inspiração ao maluco.

Sequência de atirador na graphic novel The Dark Knight Returns, de Frank Miller

Não duvido nada daqui a pouco começarem a tachar os fãs de quadrinhos de potenciais lunáticos, afinal, tem que sempre haver um culpado. E muitas vezes a Arte e admiradores dela são responsabilizados para encobrir falhas humanas individuais.

Aproveitando o incidente, cito o escritor Oscar Wilde, parafraseando um trecho de seu romance O Retrato de Dorian Gray:

“Quanto a ser envenenado por um livro, não existe nada disso. A arte não tem influência sobre a ação. Ela aniquila o desejo de agir. Ela é soberbamente estéril. Os livros que o mundo chama de imorais são livros que mostram ao mundo a sua própria vergonha. Isso é tudo”

Chucky: o culpado

Em Brasília, um menino de 9 anos desferiu 25 golpes de faca na amiga de 7 anos, uma semana depois de ter assistido ao filme de terror Brinquedo Assassino 2 (1990), que passou no SBT. No boletim de ocorrência, o menor teria afirmado que sua inspiração foi Chucky, o boneco possuído. Na época, o então presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu critérios mais rigorosos para as emissoras com faixa etária e horário de transmissão num discurso transmitido ao vivo pela TV. Felizmente, o SBT seguiu as normas e havia passado o filme depois das 22h. Não seriam os pais os responsáveis pelo crime? Não, melhor culpar o Chucky e o SBT… Que tal culpar o governo por não reformar a educação do país?

Como cinéfilo, torço para que esse tipo de tragédia não volte a ocorrer e que não comprometa a diversão de incontáveis espectadores pelo mundo. O ingresso já é caro, tem que pagar estacionamento caro (porque aqui em São Paulo e em alguns estados brasileiros, 90% dos cinemas estão em shoppings), um saquinho de pipoca por 10 reais, tem que aguentar calado inúmeros infelizes que atendem celular e conversam durante o filme e ainda por cima, malucos armados?! Desse jeito, muita gente vai passar a adotar o cinema no conforto da casa, com lançamentos baixados da internet, sem a companhia de gente ignorante e pipoca no microondas…