74 canções disputam as 5 vagas da categoria no Oscar 2016

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Cena caliente de Cinquenta Tons de Cinza com Dakota Johnson e Jamie Dornan (photo by cine.gr)

ARTISTAS FAMOSOS COMO LADY GAGA, SAM SMITH E ELLIE GOULDING CONCORREM ATÉ COM CANÇÕES INDIANAS

Na última sexta-feira, dia 11, a Academia revelou uma lista de 74 canções elegíveis para concorrer ao Oscar de Melhor Canção Original. Só para constar, no ano passado, foram 79 canções.

A categoria de Canção Original já premiou muitos trabalhos que marcaram sua época como “Over the Rainbow” (O Mágico de Oz), “Moon River” (Bonequinha de Luxo), “Raindrops Keep Fallin’ on my Head” (Butch Cassidy), “The Way We Were” (Nosso Amor de Ontem), “Take my Breath Away” (Top Gun: Ases Indomáveis), “My Heart Will Go On” (Titanic) e “Skyfall” (007: Operação Skyfall), mas às vezes faz umas escolhas que parece até protesto do Comitê de Música quando elegeu “It’s Hard Out Here for a Pimp” (Ritmo de um Sonho) em 2006, rendendo até piada do apresentador.

As pessoas me perguntam: “Como eles escolhem a melhor canção?”. Muitos deduzem que basta a canção se dar bem nas listas de mais tocadas do ano e ter um artista em ascensão por trás que já lhe assegura o prêmio, mas não é bem assim. Nesse caso, canções como “I Don’t Want to Miss a Thing” do Aerosmith (Armageddon) ou “Vanilla Sky” de Paul McCartney (Vanilla Sky) teriam vencido em seus respetivos anos. Para eleger a melhor canção do ano, o Comitê avalia a relação da música com a temática do filme. Eles buscam aquela união de ambos, como se um dependesse do outro. Se ouvirmos a canção, lembraremos do filme, e vice-versa.

Por isso, algumas canções menos famosas ganharam a estatueta, como foram os casos mais recentes de “Falling Slowly” (Apenas Uma Vez) e “Glory” (Selma: Uma Luta Pela Igualdade).

Este ano, um candidato que acredito que preenche esses requisitos é a “Love me Like You Do”. Além de se relacionar com a temática do filme com  letras do tipo “touch me like you do” ou “every inch of your skin is a Holy Grail i’ve gotta find”, consegue melhorar a adaptação fraca e sem sal de Cinquenta Tons de Cinza.

Aliás, a canção foi indicada nessa última semana ao Globo de Ouro, ao lado de:

  • “One Kind of Love” (Love & Mercy)
  • “See You Again” (Velozes & Furiosos 7)
  • “Simple Song #3” (Youth)
  • “Writing’s on the Wall” (007 Contra Spectre)

Tem duas coisas que gostaria de ressaltar nessa lista. A primeira, que considero meio suspeita, é a inclusão de 7 (SETE!) canções do filme desconhecido Salt Bridge, dirigido pelo indiano Abhijit Deonath. Tudo bem que a categoria permite a participação de filmes que provavelmente nunca veremos, mas sete canções?! Dá pra incluir nessa conta, as quatro canções de outra produção indiana chamada Jalam. Pode soar como preconceito, mas me pareceu mais uma espécie de “encheção de linguiça”, porque 63 (74 menos 11) canções seria um número baixo demais para elegíveis. Lembrando que apenas duas canções podem ser indicadas pelo mesmo filme.

E a segunda é a presença de Lady Gaga na lista. Ela concorre com “Til It Happens To You” do documentário The Hunting Ground. Trata-se de um tema pesadíssimo de estupro em campus de universidades nos EUA. Vítima de abuso sexual aos 19 anos, a cantora teria se identificado e composto a corajosa canção, que vem se tornando uma espécie de hino por um movimento. Em conjunto com a talentosa compositora Diane Warren, elas trabalharam nesta canção que transforma dor em música. Honestamente, não tem cara de vencedor do Oscar de Canção, mas tem todos os requisitos de ser indicada.

Vale lembrar que nesse ano, Gaga se apresentou na cerimônia do Oscar cantando as canções clássicas de A Noviça Rebelde ao vivo. E como atriz, foi recentemente indicada ao Globo de Ouro em Melhor Atriz em Minissérie por American Horror Story: Hotel.

Segue lista completa das 74 canções que disputam as 5 indicações:

“Happy” de Altered Minds
“Home” de Alvin e os Esquilos: Na Estrada
“None Of Them Are You” de Anomalisa
“Stem To The Rose” de Becoming Bulletproof
“The Mystery Of Your Gift” de O Coro
“I Run” de Chi-Raq
“Pray 4 My City” de Chi-Raq
“Sit Down For This” de Chi-Raq
“Strong” de Cinderela
“So Long” de Um Homem Entre Gigantes
“Fighting Stronger” de Creed: Nascido Para Lutar
“Grip” de Creed: Nascido Para Lutar
“Waiting For My Moment” de Creed: Nascido Para Lutar
“Don’t Look Down” de Não Olhe Para Trás
“Hey Baby Doll” de Não Olhe Para Trás
“Dreamsong” de The Diary of a Teenage Girl
“It’s My Turn Now” de Um Deslize Perigoso
“Ya Rahem, Maula Maula” de Dukhtar
“Earned It” de Cinquenta Tons de Cinza
“Love Me Like You Do” de Cinquenta Tons de Cinza
“Salted Wound” de Cinquenta Tons de Cinza
“Hands Of Love” de Freeheld
“See You Again” de Velozes & Furiosos 7
“Brother” de Godspeed: The Story of Page Jones
“As Real As You And Me” de Cada um na sua Casa
“Dancing In The Dark” de Cada um na sua Casa
“Feel The Light” de Cada um na sua Casa
“Red Balloon” de Cada um na sua Casa
“Two Of A Crime” de Belas e Perseguidas
“Til It Happens To You” de The Hunting Ground
“I’ll See You In My Dreams” de I’ll See You in My Dreams
“The Movie About Us” de Ingrid Bergman – In Her Own Words
“Bhoomiyilenghanumundo” de Jalam
“Koodu Vaykkan” de Jalam
“Pakalppaathi Chaari” de Jalam
“Yaathra Manoradhamerum” de Jalam
“Lost In Love” de Jenny’s Wedding
“True Love Avenue” de Jenny’s Wedding
“Hypnosis” de The Prophet
“Juntos (Together)” de McFarland dos EUA
“The Light That Never Fails” de Meru
“The Crazy Ones” de Já Sinto Saudades
“There’s A Place” de Já Sinto Saudades
“Johanna” de Mortdecai: A Arte da Trapaça
“Little Soldier” de Peter Pan
“Something’s Not Right” de Peter Pan
“Paranoid Girl” de Paranoid Girls
“Better When I’m Dancin’” de Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme
“Pink & Blue” de Pink & Blue: Colors of Hereditary Cancer
“Flashlight” de A Escolha Perfeita 2
“Birds Of A Feather” de Poached
“Still Breathing” de Caçadores de Emoção: Além do Limite
“Manta Ray” de Racing Extinction
“Cold One” de Ricki and the Flash: De Volta Para Casa
“Torch” de Rock the Kasbah
“Someone Like You” de The Rumperbutts
“Aankhon Me Samaye Dil” de Salt Bridge
“Bachpana Thaa” de Salt Bridge
“Kanpne Lage Tum” de Salt Bridge
“Kyaa Bataaun Tujhe” de Salt Bridge
“Le Jaaye Jo Door Tumse” de Salt Bridge
“Na Jaane Kitni Door” de Salt Bridge
“Sookha Hi Rang Daalo” de Salt Bridge
“Feels Like Summer” de Shaun: O Carneiro
“Phenomenal” de Nocaute
“Writing’s On The Wall” de 007 Contra Spectre
“Squeeze Me” de Bob Esponja: Um Herói Fora d’Água
“Teamwork” de Bob Esponja: Um Herói Fora d’Água
“Who Can You Trust” de A Espiã que Sabia de Menos
“Came To Win” de Sweet Micky for President
“Mean Ol’ Moon” de Ted 2
“Love Was My Alibi” de Promessas de Guerra
“Fine On The Outside” de As Memórias de Marnie
“Simple Song #3” de Youth

As indicações ao Oscar 2016 serão anunciadas no dia 14 de janeiro, e a cerimônia no dia 28 de fevereiro.

 

‘Mad Max: Estrada da Fúria’ é eleito o Melhor Filme pelo National Board of Review 2015

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Tom Hardy e Charlize Theron em cena de Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller (photo by cine.gr)

SUCESSO DE CRÍTICA E PÚBLICO SE CONSAGRA NO NBR

É uma surpresa, e ao mesmo tempo, não é. Surpresa porque é um blockbuster sendo eleito o melhor filme do ano. Quando foi a última vez que isso aconteceu? Em 1997 com Titanic? Mas não seria surpresa se levarmos em conta a qualidade excepcional do trabalho de George Miller.

Exceto talvez pelo roteiro mais simples, Mad Max: Estrada da Fúria apresenta uma visão extraordinária fílmica que há muito não se via, ainda mais depois de décadas de um cinema politicamente correto (pra não dizer chato) e mega econômico. Apesar de já ter realizado outros três filmes da série Mad Max, aos 70 anos, Miller consegue oferecer um futuro apocalíptico riquíssimo de conceitos, que vão desde os desastres naturais como a escassez da água, até as bizarrices de reprodução humana em cativeiro.

Com as idéias fluindo e tudo funcionando em perfeita sincronia: fotografia, direção de arte, trilha musical, som e efeitos sonoros, as sequências são de encher os olhos do espectador. Como se não bastasse, ainda temos uma performance corajosa de Charlize Theron como Furiosa, a lacaia que rebela contra seu mestre.

Acredito que o filme recebeu esse reconhecimento incomensurável por quebrar essa barreira do cinema comercial. Mad Max nos prova que é muito possível lançar um trabalho de sucesso comercial com qualidade autoral repleta de criatividade e coragem. É como se fosse uma forma de protesto/incentivo por parte da National Board of Review a todos os produtores e estúdios, para que eles repensem o cinema como Arte. Como digo sempre: o Cinema é uma Arte que precisa de inovações e criatividade para sobreviver. Precisa de artistas e profissionais como George Miller, que buscam contar uma história sem medo ou amarras de produtores mesquinhos mais interessados em números.

Enfim, foi um desabafo. Mas aplaudo o NBR, que coloca mais uma importante marca na sua História, já que premiou Cidadão Kane, de Orson Welles, As Vinhas da Ira, de John Ford, Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder, e Um Lugar ao Sol, de George Stevens.

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Matt Damon como o botânico Mark Watney em Perdido em Marte, de Ridley Scott (photo by cine.gr)

De volta à edição deste ano, Perdido em Marte ficou com três prêmios: Melhor Diretor, Ator e Roteiro Adaptado. Assim que saí da sessão desse filme, pensei: “Que bacana que Ridley Scott está de volta!”. Após uma série de trabalhos inferiores, ele finalmente está se recuperando com uma ficção científica otimista (quem diria: o diretor de Alien!). A presidente da NBR, Annie Schulhof comentou: “2015 tem sido um ano de cinema mais popular. Estamos animados de premiar George Miller e Ridley Scott, dois cineastas icônicos em seus auges, enquanto celebramos também a próxima geração de talentos.” – Só quero abrir um pequeno parêntese: Mesmo assim, estou com medo desse boato de Blade Runner 2… Não mexe com o que já está perfeito!

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Brie Larson e Jacob Tremblay em cena de O Quarto de Jack, de Lenny Abrahamson

Em relação às atrizes, Brie Larson e Jennifer Jason Leigh, ok! Elas estão no bolo de prováveis indicadas ao Oscar. Mas Matt Damon e Sylvester Stallone são surpresas pra mim. Gosto do Damon, e ele realmente está bem no papel do astronauta abandonado de Perdido em Marte, mas acho que ele demonstra mais carisma do que atua de fato. Lembra-me um pouco o caso de Tom Hanks em Capitão Phillips: apesar de ter interpretado um personagem, continua sendo Tom Hanks. E também estou levando em consideração a forte concorrência com nomes como Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa), Michael Fassbender (Steve Jobs) e Ian McKellen (Sr. Holmes). Quanto ao mito Stallone, ele deve ter apresentado uma faceta inédita do personagem Rocky que interpretou seis vezes. Confesso que meu interesse por Creed: Nascido Para Lutar era quase zero, mas depois dessa menção no NBR, estou bem curioso.

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Sylvester Stallone como Rocky Balboa e Michael B. Jordan como o filho de Apollo em Creed: Nascido Para Lutar (photo by cine.gr)

Entre os candidatos ao Oscar, o filme em língua estrangeira O Filho de Saul, a animação Divertida Mente e o documentário Amy venceram e dão mais um importante passo rumo ao prêmio da Academia, assim como Quentin Tarantino na categoria de Roteiro Original por seu novo western, Os 8 Odiados.

Já entre os mais prejudicados por não terem recebido nenhuma menção estão o drama Carol, As Sufragistas, Steve Jobs, A Garota Dinamarquesa, O Regresso e, por mais que estejam no Top 5, Spotlight e Ponte dos Espiões. Claro que ainda temos o NYFCC e o LAFCA dentro de poucos dias, mas ganhar aqui seria um belo início de temporada.

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Alan Alda em cena com Tom Hanks e Amy Ryan em Ponte dos Espiões (photo by cine.gr)

E a corrida pelo Oscar de Filme em Língua Estrangeira ficou mais interessante para o Brasil com Que Horas Ela Volta? no Top 5 da categoria. A ‘dramédia’ de Anna Muylaert estrelada por Regina Casé começa a temporada de premiações com o pé direito após conquistar reconhecimento em Berlim e Sundance no primeiro semestre. Claro que será bastante difícil bater o franco favorito húngaro O Filho de Saul, mas se conquistar uma das cinco vagas no Oscar, já será um feito tremendo para o cinema nacional.

Que Horas Ela Volta?

À esquerda, Camila Márdila contracena com Regina Casé. Elas interpretam filha e mãe, respectivamente, em Que Horas Ela Volta? (photo by outnow.ch)

Seguem todos os vencedores do NBR 2015:

MELHOR FILME:  Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road)
MELHOR DIRETOR:  Ridley Scott (Perdido em Marte)
MELHOR ATOR:  Matt Damon (Perdido em Marte)
MELHOR ATRIZ: Brie Larson (O Quarto de Jack)
MELHOR ATOR COADJUVANTE:  Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE:  Jennifer Jason Leigh (Os 8 Odiados)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL:  Quentin Tarantino (Os 8 Odiados)
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO:  Drew Goddard (Perdido em Marte)
MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO:  Divertida Mente (Inside Out)
MELHOR REVELAÇÃO:  Abraham Attah (Beasts of No Nation) & Jacob Tremblay (O Quarto de Jack)
MELHOR DIRETOR ESTREANTE:  Jonas Carpignano (Mediterranea)
MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA:  O Filho de Saul (Saul Fia)
MELHOR DOCUMENTÁRIO:  Amy (Amy)
MELHOR ELENCO:  A Grande Aposta (The Big Short)
Spotlight Award:  Sicario: Terra de Ninugém (Sicario) – pela incrível visão colaborativa
PRÊMIO NBR Freedom of Expression: Beasts of No Nation & Mustang
PRÊMIO William K. Everson Film History:  Cecilia DeMille Presley – Neta do lendário Cecil B. DeMille, pela preservação de filmes

Top Filmes
Ponte dos Espiões (Bridge of Spies)
Creed: Nascido Para Lutar (Creed)
Os 8 Odiados (The Hateful Eight)
Divertida Mente (Inside Out)
Spotlight
Perdido em Marte (The Martian)
O Quarto de Jack (Room)
Sicario: Terra de Ninguém (Sicario)
Straight Outta Compton: A História do N.W.A. (Straight Outta Compton)

Top 5 Filmes em Língua Estrangeira
Goodnight Mommy (Ich seh, Ich seh)
Mediterranea
Phoenix
Que Horas Ela Volta? (The Second Mother)
A Gangue (Plemya)

Top 5 Documentários
Best of Enemies
The Black Panthers: Vanguard of the Revolution
The Diplomat
Listen to Me Marlon
The Look of Silence

Top 10 Filmes Independentes
’71
45 Anos (45 Years)
Cop Car
Ex-Machina: Instinto Artificial (Ex Machina)
Grandma
Corrente do Mal (It Follows)
James White
Mississippi Grind
Welcome to Me
Enquanto Somos Jovens (While We’re Young)

A cerimônia de entrega dos prêmios será no dia 05 de janeiro em Nova York.

a gangue

Cena do filme ucraniano A Gangue, totalmente em língua de sinais (photo by outnow.ch)

‘Carol’ lidera as indicações do Independent Spirit Awards 2016

Carol

Rooney Mara e Cate Blanchett em cena de Carol, de Todd Haynes (photo by outnow.ch)

PREMIAÇÃO DOS INDEPENDENTES DESTACA OSCARIZÁVEIS

Antes de analisar esta edição, cabe aqui recordar o crescimento da importância do Independent Spirit em relação ao Oscar. Considerado como anti-Oscar até os anos 90, quando a Academia premiava grandes produções de estúdios em sua grande maioria como Coração Valente e Titanic, o prêmio singelo focado em filmes independentes ganhou muita força por sua veia mais artística e claro, por seus baixos orçamentos que animam qualquer produtor em anos de crise econômica.

Nos últimos anos, Birdman, 12 Anos de Escravidão e O Artista se sagraram Melhor Filme tanto no Independent como no Oscar, assim como vários atores, cujas performances foram reconhecidas em ambas as premiações como Julianne Moore (Para Sempre Alice), J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição), Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude), Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas), Cate Blanchett (Blue Jasmine), Jared Leto (Clube de Compras Dallas) e Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão) só pra citar as duas últimas edições, ou seja, 7 vencedores coincididos em 8. Resumindo: O Independent Spirit só fica atrás do SAG Awards para garantir o Oscar de atuação. Portanto, nessa função de prévia do Oscar, o Independent Spirit tomou o lugar do Globo de Ouro há tempos.

Neste ano, os convidados para o anúncio das indicações foram os atores Elizabeth Olsen, a Feiticeira Escarlate de Vingadores: Era de Ultron, e John Boyega, que estrela o novo filme da saga: Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força. Eles revelaram os indicados na manhã desta última terça-feira, dia 24, e a transmissão segue em link do Youtube:

O recordista em indicações é o novo filme de Todd Haynes, conhecido por Longe do Paraíso e Velvet Goldmine, Carol. Rotulado como o romance lésbico, o longa conquistou seis indicações, incluindo para a dupla de protagonistas Cate Blanchett e Rooney Mara, que competirão na mesma categoria. Claro que isso não significa que Mara não possa concorrer por Coadjuvante no Oscar, pois dependerá de sua inscrição pela campanha, mas certamente sua inclusão como atriz principal aqui, juntamente com o prêmio de atuação feminina em Cannes, reforçam sua indicação ao Oscar.

Em seguida, com cinco indicações, vem Beasts of No Nation, de Cary Joji Fukunaga, que aborda o treinamento de crianças para se formarem soldados com o intuito de lutarem em guerras civis no continente africano. Curiosamente, é a primeira produção da Netflix a concorrer ao prêmio, comprovando que as plataformas de streaming não vão se limitar às séries.

Michael Keaton e Mark Ruffalo em cena de Spotlight (photo by cine.gr)

Michael Keaton e Mark Ruffalo em cena de Spotlight (photo by cine.gr)

Com quatro indicações, Spotlight, drama jornalístico sobre escândalos verídicos de abusos de padres católicos, ganhou mais impulso para a temporada. Havia um certo receio de que o conservadorismo da Academia pudesse barrar a produção, mas com a alta de seu reconhecimento, fica praticamente impossível ignorar o filme, que já conquistou o prêmio de Melhor Elenco pelas performances de Mark Ruffalo, Michael Keaton, Rachel McAdams, Liev Schreiber e Stanley Tucci.

Com o mesmo número de indicações, a animação Anomalisa surpreendeu ao conquistar espaço nas principais categorias como Filme, Diretor e Roteiro. Contudo, a maior surpresa aqui é a inclusão do trabalho de dublagem da atriz Jennifer Jason Leigh como Atriz Coadjuvante. Sem contar com a presença de tela, a dublagem normalmente passa desapercebida pela maioria dos prêmios, pois muitos acreditam ainda que se trata de uma performance menor, ou mesmo limitada. As últimas duas atuações vocais que causaram um hype foram a de Scarlett Johansson, que faz a voz do sistema operacional em Ela (2013), e Ellen DeGeneres como a personagem amnésica Dory de Procurando Nemo (2003). Infelizmente, nenhuma das duas atrizes foram indicadas ao Oscar, mas alguns críticos já estão fazendo campanha para Jennifer Jason Leigh, que ainda conta com sua participação em Os 8 Odiados.

À direita, a personagem Lisa, dublada pela atriz Jennifer Jason Leigh (photo by observatoriodocinema.com.br)

À direita, a personagem Lisa, dublada pela atriz Jennifer Jason Leigh em Anomalisa  (photo by observatoriodocinema.com.br)

De todas as indicações, a que mais gostei foi para o diretor David Robert Mitchell por seu trabalho em Corrente do Mal. Trata-se de um terror pós-moderno que faz uma bela analogia à liberdade sexual entre os jovens de hoje. Fazer um filme de terror com conteúdo como fazia John Carpenter nos anos 70 e 80 está cada vez mais raro, e por isso mesmo, merece tal reconhecimento.

Vale destacar também as quatro indicações para o drama Tangerina, sobre duas prostitutas transsexuais que buscam vingança com seu cafetão na época do Natal em Los Angeles. Com um orçamento irrisório de 100 mil dólares e câmeras de iPhones modificadas, está competindo com grandes favoritos ao Oscar. Além disso, está lançando duas atrizes transsexuais para competir nas categorias de Atriz e Atriz Coadjuvante: Kitana Kiki Rodriguez e Mya Taylor, respectivamente. Caso uma das duas seja indicada para o Oscar, será a primeira vez que um ator transgênero consegue o feito.

Da esquerda pra direita, as atrizes Kitana Kiki Rodriguez e Mya Taylor em cena de Tangerina (photo by cine.gr)

Da esquerda pra direita, as atrizes Kitana Kiki Rodriguez e Mya Taylor em cena de Tangerina (photo by cine.gr)

Ainda sobre a lista de indicados, muitos especialistas acreditam que o drama O Quarto de Jack, considerado um “Oscar lock”, ficou aquém das expectativas na premiação. Segundo as apostas, faltaram indicações para Melhor Filme, Diretor (Lenny Abrahamson), Atriz Coadjuvante para Joan Allen, e Ator Coadjuvante Para Jacob Tremblay. Nesse cenário, a protagonista Brie Larson continua firme e forte na disputa para o Oscar de Atriz.

Outras ausências sentidas foram das atrizes Blythe Danner (I’ll See You in My Dreams), Lily Tomlin (Grandma), Saoirse Ronan (Brooklyn) e Elizabeth Banks (Love & Mercy), confirmando que estamos diante de um ano excepcional para atrizes como há muito não se via.

Diante desses indicados, com mais “cara de independente”, com exceções de Spotlight e Carol, talvez seja um ano de ruptura entre o Independent Spirit e o Oscar.

Seguem as indicações do Independent Spirit Awards 2016:

MELHOR FILME
– Anomalisa
– Beasts of No Nation
– Carol
– Spotlight
– Tangerina (Tangerine)

MELHOR DIRETOR
– Sean Baker (Tangerina)
– Cary Joji Fukunaga (Beasts of No Nation)
– Todd Haynes (Carol)
– Charlie Kaufman & Duke Johnson (Anomalisa)
– Tom McCarthy (Spotlight)
– David Robert Mitchell (Corrente do Mal)

MELHOR ROTEIRO
– Charlie Kaufman (Anomalisa)
– Donald Margulies (O Fim da Turnê)
– Phyllis Nagy (Carol)
– Tom McCarthy & Josh Singer (Spotlight)
– S. Craig Zahler (Bone Tomahawk)

MELHOR FILME DE ESTRÉIA
– The Diary of a Teenage Girl
– James White
– Manos Sucias
– Mediterranea
– Songs My Brothers Taught Me

MELHOR ROTEIRO ESTREANTE
– Jesse Andrews (Eu, Você e a Garota que Vai Morrer)
– Jonas Carpignano (Mediterranea)
– Emma Donoghue (O Quarto de Jack)
– Marielle Heller (The Diary of a Teenage Girl)
– John Magary, Russell Harbaugh, Myna Joseph (The Mend)

MELHOR ATOR
– Christopher Abbott (James White)
– Abraham Attah (Beasts of No Nation)
– Ben Mendelsohn (Mississippi Grind)
– Jason Segel (O Fim da Turnê)
– Koudous Seihon (Mediterranea)

MELHOR ATRIZ
– Cate Blanchett (Carol)
– Brie Larson (O Quarto de Jack)
– Rooney Mara (Carol)
– Bel Powley (The Diary of A Teenage Girl)
– Kitana Kiki Rodriguez (Tangerina)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
– Kevin Corrigan (Resultados)
– Paul Dano (Love & Mercy)
– Idris Elba (Beasts of No Nation)
– Richard Jenkins (Bone Tomahawk)
– Michael Shannon (99 Homes)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
– Robin Bartlett (H.)
– Marin Ireland (Glass Chin)
– Jennifer Jason Leigh (Anomalisa)
– Cynthia Nixon (James White)
– Mya Taylor (Tangerina)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
– (T)error
– Best of Enemies
– Heart of a Dog
– The Look of Silence
– Meru
– The Russian Woodpecker

MELHOR FILME INTERNACIONAL
– Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência (En duva satt på en gren och funderade på tillvaron), de Roy Andersson
– Embrace of the Serpent (El Abrazo de la Serpiente), de Ciro Guerra
– Garotas (Bande de Filles), de Céline Sciamma
– Mustang, de Deniz Gamze Ergüven
– O Filho de Saul (Saul Fia), de László Nemes

MELHOR FOTOGRAFIA
– Beasts of No Nation
– Carol
– Corrente do Mal
– Meadlowland
– Songs My Brothers Taught Me

MELHOR MONTAGEM
– Heaven Knows What
– Corrente do Mal
– Manos Sucias
– O Quarto de Jack
– Spotlight

PRÊMIO JOHN CASSAVETES (Best Feature Under $500,000)
– Advantageous
– Christmas, Again
– Heaven Knows What
– Krisha
– Out of My Hand

PRÊMIO ROBERT ALTMAN (Best Ensemble)
* Spotlight

Kiehl’s Someone to Watch Award
– Chloé Zhao
– Felix Thompson
– Robert Machoian & Rodrigo Ojeda-Beck

PRÊMIO PIAGET DE PRODUTORES
– Darren Dean
– Mel Eslyn
– Rebecca Green and Laura D. Smith

A 31ª edição do Independent Spirit Awards acontece no dia 27 de fevereiro, como de costume, um dia antes da cerimônia do Oscar.

Idris Elba em cena de Beasts of No Nation, de Cary Fukunaga (photo by cine.gr)

Idris Elba em cena de Beasts of No Nation, de Cary Joji Fukunaga (photo by cine.gr)

Neil Patrick Harris será o host do Oscar 2015!

Neil Patrick Harris na última cerimônia do Emmy (photo by variety.com)

Neil Patrick Harris na última cerimônia do Emmy (photo by variety.com)

A ESCOLHA É MAIS UMA TENTATIVA DE APROXIMAR O PÚBLICO JOVEM AO OSCAR

O anúncio feito na última quarta-feira, dia 15, causou uma reação bem positiva da indústria do entretenimento. O ator e comediante Neil Patrick Harris, que ficou mundialmente conhecido pela série How I Met Your Mother, está em alta na mídia depois de ser host dos eventos Tony Awards (por 2 vezes) e Emmy Awards (por 4 vezes), e de ter faturado o mesmo Tony de melhor performance no musical Hedwig and the Angry Inch.

Apesar do sucesso das últimas edições do Oscar, com a presença dos hosts Seth MacFarlane e Ellen DeGeneres, os produtores do evento Craig Zaidan e Neil Meron querem dar um passo adiante. A escolha de Neil Patrick Harris reflete o desejo deles de extrapolar os limites tradicionais das cerimônias da Academia com maior interação com os artistas e o público, como fez Ellen DeGeneres na última edição ao fazer aquela famosa selfie com nomes de peso como Meryl Streep, Julia Roberts, Brad Pitt, Angelina Jolie, Kevin Spacey e Bradley Cooper.

Além da questão de números de audiência concretizados através do retweet da foto alegrarem os patrocinadores do evento, a intenção é trazer uma aproximação maior do público. Todo ano, a Academia adora se gabar dos bilhões de espectadores mundo afora acompanhando a cerimônia ao vivo. Segundo as estatísticas reais, o Oscar 2014 alcançou a audiência de 43 milhões de TVs, o maior número nos últimos 10 anos. O recorde de todos os tempos permanece o de 1998 com 55,3 milhões, quando Titanic levou 11 estatuetas.

Na edição de 2010, Neil Patrick Harris fez uma breve apresentação musical antes mesmo da introdução dos hosts Steve Martin e Alec Baldwin, então números musicais são esperados. Ele seria uma espécie de mistura do clássico Billy Crystal com a energia dos palcos de Hugh Jackman e uma pitada meio circense de Whoopi Goldberg. Em entrevista, ele teria admitido que gostaria de contar com alguns artistas em seus números. Dentre os nomes citados estão Lady Gaga, Adele e até Miley Cyrus pra adicionar uma vertente mais circense e polêmica.


Neil Patrick Harris e seu número de abertura do Oscar 2010

Na mesma entrevista, elogiou características que admira nos hosts anteriores. Ele gosta dos clipes de Billy Crystal interagindo com personagens dos filmes indicados, e do quão confortável e relaxada Ellen DeGeneres deixa a platéia. São qualidades que ele gostaria de aderir em sua própria apresentação.

Particularmente, meus votos seriam para Jon Stewart (com as piadas ácidas políticas) ou, se fosse para apostar em ineditismo, o comediante Jim Carrey, que foi preterido pelo Oscar duas vezes mesmo após faturar o Globo de Ouro. As apostas da Academia às vezes me assustam. Quem imaginaria Steve Martin com Alec Baldwin, ou a dupla Anne Hathaway e James Franco? Sem contar a catástrofe de 1989 com Rob Lowe e a atriz Eileen Bowman trajada de Branca de Neve! Nesses casos, melhor seria o destruidor de celebridades Ricky Gervais…

Neil Patrick Harris em sua performance profunda que lhe rendeu o Tony award (photo by variety.com)

Neil Patrick Harris em sua performance profunda que lhe rendeu o Tony award (photo by variety.com)

ASC e ADG divulgam seus indicados para Fotografia e Direção de Arte

Brasão da ASC: American Society of Cinematographers (photo by btlnews.com)

Brasão da ASC: American Society of Cinematographers (photo by btlnews.com)

THE 28th ASC AWARDS (2014)

O ASC (American Society of Cinematographers – sindicato de diretores de fotografia) anunciou seus indicados para Melhor Fotografia. Tradicionalmente, figuram apenas cinco indicados, mas houve empates que resultaram em sete candidatos:

  • Sean Bobbitt, BSC por 12 Anos de Escravidão
  • Barry Ackroyd, BSC por Capitão Phillips
  • Philippe Le Sourd por O Grande Mestre
  • Emmanuel Lubezki, ASC, AMC por Gravidade
  • Bruno Delbonnel, ASC, AFC por Inside Llewyn Davis
  • Phedon Papamichael, ASC por Nebraska
  • Roger Deakins, ASC, BSC por Os Suspeitos
The Grandmaster, de Wong Kar-Wai (photo by www.berlinale.de)

Fotografia de Philippe Le Sourd para O Grande Mestre, de Wong Kar-Wai (photo by http://www.berlinale.de). A iluminação com chuva lembra a antológica cena de Paul Newman em Estrada Para Perdição, feita por Conrad L. Hall

“Nossos membros acreditam que esses diretores de fotografia estabeleceram um padrão contemporâneo para a fotografia cinematográfica. Eles dominaram um ofício complexo que contribui vitalmente ao processo de contar uma história e gera maior intensidade a todos os envolvidos na produção“, disse o presidente da ASC Richard Crudo.

Ao contrário da maioria dos prêmios de sindicato, o ASC não tem eleito o vencedor do Oscar da categoria. Nos últimos 5 anos, apenas dois vencedores coincidiram: em 2011, Wally Pfister (A Origem), e 2008, Anthony Dod Mantle (Quem Quer Ser um Milionário?). Ano passado, Roger Deakins (007 – Operação Skyfall) não repetiu a vitória no Oscar, concedido ao ultra-manipulado As Aventuras de Pi, de Claudio Miranda.

Não sou tão radical como o diretor de fotografia australiano Christopher Doyle (do belíssimo Amor à Flor da Pele), que tachou a fotografia de Claudio Miranda como “lixo” depois que ele ganhou o Oscar, mas concordo com o excesso de manipulação digital na pós-produção, onde uma iluminação esdrúxula e amadora poderia se transformar numa obra bela, porém sem vida.

O diretor de fotografia Roger Deakins (à dir) acompanha a direção de Denis Villeneuve no set de Os Suspeitos (photo by www.goldderby.com)

O diretor de fotografia Roger Deakins (à dir) acompanha a direção de Denis Villeneuve no set de Os Suspeitos (photo by http://www.goldderby.com)

Roger Deakins recebe sua 12ª indicação ao ASC e já ganhou em 3 oportunidades. Além de Skyfall, foi reconhecido anteriormente por Um Sonho de Liberdade e O Homem que Não Estava Lá, através de uma belíssima fotografia em preto-e-branco.  Apesar dessas vitórias e de já ter sido até homenageado com o prêmio Lifetime Achievement em 2011, ele foi indicado 10 vezes ao Oscar, mas injustamente nunca ganhou.

No momento, seu grande concorrente é o mexicano Emmanuel Lubezki, colaborador assíduo de Alfonso Cuarón. Ele foi responsável por verdadeiras pinturas na última década como O Novo Mundo, Filhos da Esperança e A Árvore da Vida. Apesar de nunca ter vencido o Oscar também, já levou o ASC em duas oportunidades.

Representando uma ameça menor, o francês Bruno Delbonnel já ganhou o ASC com Eterno Amor e foi indicado pelo cult O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, do mesmo diretor Jean-Pierre Jeunet. 3 indicações ao Oscar, mas nenhuma vitória. Já Barry Ackroyd, previamente indicado por Guerra ao Terror, conquista sua segunda indicação no ASC por Capitão Phillips.

Papamichael foi indicado por trabalhos televisivos, mas nunca ganhou. Enquanto Bobbitt e Le Sourd foram lembrados pelo sindicato pela primeira vez.

O vencedor será divulgado no dia 1º de fevereiro.

Logo do Art Directors Guild (photo by cinema7arte.com)

Logo do Art Directors Guild (photo by cinema7arte.com)

THE 18th ADG AWARDS (2014)

As estatísticas do prêmio do sindicato de Direção de Arte (Art Directors Guild) também não são das melhores em relação ao Oscar, mesmo havendo três categorias: Filme de Época, Filme de Fantasia e Filme Contemporâneo. Nos últimos 5 anos, apenas 3 acertos com o Oscar: A Invenção de Hugo Cabret, Avatar e O Curioso Caso de Benjamin Button.

Em seus 18 anos de existência, nunca um trabalho de Filme Contemporâneo levou o prêmio da Academia, pois eles preferem pesquisa histórica e reprodução como de Titanic ou imaginação fértil como a visão do paraíso e do inferno de Amor Além da Vida. Confira os indicados por categoria:

Filme de Época (Period Film)
♦ Judy Becker (Trapaça)
♦ Catherine Martin (O Grande Gatsby)
♦ Jess Gonchor (Inside Llewyn Davis)
♦ Michael Corenblith (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)
♦ Adam Stockhausen (12 Anos de Escravidão)

Meticuloso trabalho de direção de arte de Catherine Martin em O Grande Gatsby (photo by www.beyondhollywood.com)

Meticuloso trabalho de direção de arte de Catherine Martin em O Grande Gatsby (photo by http://www.beyondhollywood.com)

Filme de Fantasia ou Fantástico
♣ Philip Ivey (Elysium)
♣ Andy Nicholson (Gravidade)
♣ Dan Hennah (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
♣ Darren Gilford (Oblivion)
♣ Scott Chambliss (Além da Escuridão: Star Trek)

Futuro apocalíptico mais clean de Oblivion (photo by www.beyondhollywood.com)

Futuro apocalíptico mais clean de Oblivion (photo by http://www.beyondhollywood.com)

Filme Contemporâneo
♠ David Gropman (Álbum de Família)
♠ Santo Loquasto (Blue Jasmine)
♠ Paul Kirby (Capitão Phillips)
♠ K.K. Barrett (Ela)
♠ Bob Shaw (O Lobo de Wall Street)

K.K. Barret trabalha sutilezas para criar um futuro bem próximo em Ela (photo by www.cine.gr)

K.K. Barrett trabalha sutilezas para criar um futuro bem próximo em Ela (photo by http://www.cine.gr)

ANÚNCIO DAS INDICAÇÕES AO OSCAR 2014

Agora, você, mulher cinéfila, que estava aguardando um bom motivo para finalmente assistir ao anúncio dos indicados ao Oscar, aqui está: Chris Hemsworth, o Thor dos Vingadores. Talvez você fique mais atenta aos bíceps e peitoral do ator, mas ele também vai ler as indicações, viu?

Chris Hemsworth

Chris Hemsworth (photo by prince-hemsworth.tumblr.com/post/69270956741/chris-hemsworth)

Ele dividirá a tarefa meio ingrata de levantar no início da madrugada do dia 16 para estar pronto às 5h15 da manhã (no horário da costa oeste dos EUA, e às 11h15 no horário de Brasília) com a nova presidente da Academia, a sul-africana Cheryl Boone Isaacs.

A transmissão do anúncio dos indicados será feita ao vivo pelo canal TNT, que também transmitirá o SAG no dia 17 e o Oscar no dia 02 de março.

‘Trapaça’ conquista 3 prêmios no NYFCC 2013

Vencedora do prêmio de coadjuvante, Jennifer Lawrence (à esquerda) divide cena com Amy Adams em Trapaça (photo by ww.elfilm.com)

Vencedora do prêmio de coadjuvante, Jennifer Lawrence (à esquerda) divide cena com Amy Adams em Trapaça (photo by ww.elfilm.com)

A New York Film Critics Circle, formada por críticos nova-iorquinos, divulgou sua lista anual de premiados:

FILME: Trapaça (American Hustle)
DIRETOR: Steve McQueen (12 Years a Slave)
ATOR: Robert Redford (All is Lost)
ATRIZ: Cate Blanchett (Blue Jasmine)
ATOR COADJUVANTE: Jared Leto (Dallas Buyers Club)
ATRIZ COADJUVANTE: Jennifer Lawrence (Trapaça)
ROTEIRO: Eric Singer, David O. Russell (Trapaça)
FOTOGRAFIA: Bruno Delbonnel (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
FILME ESTRANGEIRO: Azul é a Cor Mais Quente (La Vie d’Adèle), de Abdellatif Kechiche (França)
DOCUMENTÁRIO: Stories We Tell, de Sarah Polley
ANIMAÇÃO: O Vento Está Soprando, de Hayao Miyazaki
PRIMEIRO FILME: Fruitvale Station: A Última Parada, de Ryan Coogler

Os três prêmios para Trapaça surpreendeu aqueles que acompanhavam a corrida do Oscar 2014, que tinha como favoritos 12 Years a Slave, de Steve McQueen, e Gravidade, de Alfonso Cuarón. Como o editor da Variety, Tim Gray, comentou: “…the critics prizes take the pressure off each of the films as the One To Beat (os prêmios dos críticos tiram a pressão dos filmes considerados favoritos)”.

No set de 12 Years a Slave, o diretor britânico Steve McQueen faturou o prêmio de Diretor (photo by www.collider.com)

No set de 12 Years a Slave, o diretor britânico Steve McQueen faturou o prêmio de Diretor (photo by http://www.collider.com)

Além dessa virtude, os críticos têm como objetivo lembrar a variedade de bons filmes que têm chances reais de chegar ao Oscar de Melhor Filme, principalmente com 10 indicados, evitando aqueles casos de franco-favoritismo que papa mais de 10 estatuetas como fizeram os recordistas Ben-Hur e Titanic. Além dos filmes já citados, temos Nebraska, de Alexander Payne, O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese, Álbum de Família, de John Wells, Capitão Phillips, de Paul Greengrass, O Mordomo da Casa Branca, de Lee Daniels, e Inside Llewyn Davis, de Joel e Ethan Coen, só para citar alguns.

Apesar da vitória no NYFCC significar pontuação na corrida para o Oscar, vale ressaltar que os críticos nova-iorquinos não estão tão em sintonia com a Academia. Nos últimos 10 anos, apenas em quatro vezes os Melhores Filmes coincidiram: em 2011 com O Artista, 2009: Guerra ao Terror, 2007: Onde os Fracos Não Têm Vez, e 2003: O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei. Sem contar os atores que nem chegam a ser indicados no Oscar como os vencedores do ano passado de Melhor Atriz e Ator Coadjuvante, respectivamente: Rachel Weisz (Amor Profundo) e Matthew McConaughey (Magic Mike).

Como Trapaça teve sua premiere agora nos EUA, (sim, o Brasil não tem pressa nenhuma. Estréia marcada para fevereiro de 2014!), alguns talvez façam a leitura de que o NYFCC estaria tentando compensar a ausência total de O Lado Bom da Vida, do mesmo diretor David O. Russell, da última edição. Em 2012, eles premiaram o polêmico A Hora Mais Escura, de Kathryn Bigelow. Como o filme foi acusado erroneamente de fazer apologia à tortura e gerou uma série de discussões, talvez eles quiseram deixar polêmicas de lado e apostaram em David O. Russell, que sempre fez filmes mais light. Apesar de ter ter sido premiado como diretor, recebeu a honraria de Melhor Roteiro juntamente com o colaborador Eric Singer.

Embora a vitória de Jennifer Lawrence tenha possibilidade de também se encaixar na leitura de compensação por 2012, comprova que a jovem continua no topo de Hollywood aos 23 anos. Ela sabe aliar com maestria o sonho de todo ator: sucesso de crítica e público. Seu outro trabalho de 2013, a seqüência Jogos Vorazes: Em Chamas já conquistou 300 milhões de dólares apenas em sua segunda semana nos EUA. Como a corrida da categoria de coadjuvante está relativamente mais fraca, Lawrence deve figurar entre as indicadas do Oscar 2014, mas como já ganhou este ano, não deve ter muitas chances.

No geral, a premiação do NYFCC foi bastante democrática. Lembrou bons trabalhos de 2013 como a direção de Steve McQueen em 12 Years a Slave. Apesar deste ser apenas seu terceiro longa, o diretor britânico vem conquistando muito prestígio da ala artística americana depois dos aclamados Fome (2008) e Shame (2011). O NYFCC consagra o talento e a versatilidade de Cate Blanchett, que vive uma socialite falida no novo filme de Woody Allen, Blue Jasmine, e resgata o veterano da atuação e charme em pessoa Robert Redford, por sua interpretação em All is Lost, um drama de ação em que um marinheiro encara sua mortalidade após a colisão de seu barco em alto mar.

Aos 77 anos, Robert Redford é o único ator do segundo longa do jovem J.C. Chandor, All is Lost (photo by www.elfilm.com)

Aos 77 anos, Robert Redford é o único ator do segundo longa do jovem J.C. Chandor, All is Lost (photo by http://www.elfilm.com)

Assim como eles, o ator Jared Leto, que ficou conhecido por Réquiem Para um Sonho (2001) e retornou de um afastamento de quatro anos dos cinemas, deve conquistar uma indicação pela ousadia de seu papel em Dallas Buyers Club. Na produção independente, Leto dá vida a Rayon, um gay travesti que ajuda o protagonista Ron Woodroof (Matthew McConaughey) a encontrar uma cura para o HIV em meados da década de 80. Além do homossexualismo e do travestismo já chamarem atenção para o papel, o ator também perdeu cerca de 13 quilos para viver Rayon, o que deve lhe garantir auto-publicidade até março.

Já na categoria de Filme Estrangeiro, é uma pena que Azul é a Cor Mais Quente não possa disputar o Oscar. Infelizmente, as regras arcaicas da Academia desqualificaram o filme vencedor da Palma de Ouro por estrear na França após o prazo permitido. Assim, um dos filmes mais aclamados da temporada fica de fora da categoria, mas dependendo do lobby, talvez conquista uma indicação para Direção (Abdellatif Kechiche) e Atriz (Adèle Exarchopoulos).

Vencedor da Palma de Ouro e do prêmio do NYFCC, Azul é a Cor Mais Quente está fora da corrida pelo Oscar de Filme Estrangeiro. Porém a bela Adèle Exarchopoulos pode ser uma surpresa (photo by www.elfilm.com)

Vencedor da Palma de Ouro e do prêmio do NYFCC, Azul é a Cor Mais Quente está fora da corrida pelo Oscar de Filme Estrangeiro. Porém a bela Adèle Exarchopoulos pode ser uma surpresa (photo by http://www.elfilm.com)

O prêmio de Melhor Fotografia para Bruno Delbonnel deve reforçar a campanha para sua 4ª indicação ao Oscar. Após ter sido indicado por O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001), Eterno Amor (2004) e Harry Potter e o Enigma do Príncipe (2009), o diretor de fotografia francês pode vencer, caso o franco-favorito mexicano Emmanuel Lubezki não figurar na lista por Gravidade. E, espero que a vitória da animação japonesa O Vento Está Soprando também se transforme em indicação e segundo Oscar para o mestre Hayao Miyazaki. Considerado um ano fraco para animações dos grandes estúdios, Miyazaki e seu Studio Ghibli podem se consagrar mais uma vez na Academia.

O diretor de fotografia francês Bruno Delbonnel dá o toque artístico ao visual de Inside Llewyn Davis, dos irmãos Coen (photo by www.elfilm.com)

O diretor de fotografia francês Bruno Delbonnel dá o toque artístico ao visual de Inside Llewyn Davis, dos irmãos Coen (photo by http://www.elfilm.com)

O prêmio de Primeiro Filme acabou indo para Fruitvale Station: A Última Parada, que visa não apenas o merecimento do diretor Ryan Coogler, mas de todo o elenco formado por Michael B. Jordan, Melonie Diaz, Octavia Spencer e Chad Michael Murray. A produção independente foi bastante aplaudida no último Festival de Cannes, e mais recentemente, recebeu 3 indicações ao Independent Spirit Awards. Com a benção do lobby de Harvey Weinstein, o filme pode surpreender ainda mais espaço nessa corrida ao Oscar.

E como Melhor Documentário, um trabalho singelo da diretora e atriz canadense Sarah Polley intitulado Stories We Tell. Ao contrário da maioria dos documentários que visa temas polêmicos, ela opta por um trabalho mais intimista ao atuar como entrevistadora num experimento que busca identificar mitos e verdades sobre sua família. Aliás, o documentário foi pré-selecionado para competir no Oscar de Melhor Documentário.

A diretor e atriz canadense Sarah Polley foi premiada por seu documentário intimista (photo by www.outnow.ch)

A diretor e atriz canadense Sarah Polley foi premiada por seu documentário intimista (photo by http://www.elfilm.com)

Veja lista dos 15 semi-finalistas:

– O Ato de Matar (The Act of Killing), de Joshua Oppenheimer
– The Armstrong Lie, de Alex Gibney
– Blackfish, de Gabriela Cowperthwaite
– The Crash Reel, de Lucy Walker
– Cutie and the Boxer, de Zachary Heinzerling
– Dirty Wars, de Rick Rowley
– First Cousin Once Removed, de Alan Berliner
– God Loves Uganda, de Roger Ross Williams
– Life According to Sam, de Sean Fine, Andrea Nix
– Pussy Riot: A Punk Prayer, de Mike Lerner, Maxim Pozdorovkin
– The Square, de Jehane Noujaim
– Stories We Tell, de Sarah Polley
– Tim’s Vermeer, de Teller
– 20 Feet from Stardom, de Morgan Neville
– Which Way Is the Front Line from Here? The Life and Time of Tim Hetherington, de Sebastian Junger

The Armstrong Lie, de Alex Gibney, destrincha os altos e baixos do campeão Lance Armstrong que venceu 7 Tour de France, mas perdeu após exame anti-dopping (photo by www.outnow.ch)

The Armstrong Lie, de Alex Gibney, destrincha os altos e baixos do campeão Lance Armstrong que venceu 7 Tour de France, mas perdeu após exame anti-dopping (photo by http://www.outnow.ch)

Mulheres no Cinema

Zooey Deschannel como a inesquecível e inexplicável Summer de (500) Dias com Ela (photo by olszowy.com.pl)

Zooey Deschanel como a inesquecível e inexplicável Summer de (500) Dias com Ela (photo by olszowy.com.pl)

Primeiramente, Feliz Dia Internacional da Mulher!

Não sei exatamente qual a porcentagem de mulheres internautas e cinéfilas que perambulam pelo blog, mas desejo um dia excepcional a todas! Ao ler a coluna da Lúcia Guimarães, no jornal Estado de S. Paulo do dia 05 de março, descobri que a data comemorativa fora criada em 1909 nos EUA originalmente como o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, inspirada por socialistas numa época em que as mulheres sequer tinham direito ao voto.

Apesar da mulher de hoje ser tratada de forma mais digna, ainda falta muito para que ela alcance a igualdade plena. E vejo a data comemorariva como forma de nos lembrar de que essa luta ainda está longe do fim. Além de problemas como a desigualdade salarial, o que mais preocupa é a violência contra as mulheres, e não me refiro aos casos na terra do machismo extremo como no Oriente Médio, mas aqui no Brasil.

Só o aumento do número de delegacias da mulher já reflete essa escalada da violência doméstica. E embora a lei Maria da Penha tenha sido uma importante conquista, as denúncias contra os parceiros ainda são bastante tímidas devido às penas brandas. Infelizmente, ameaças não garantem um boletim de ocorrência, muito menos atitudes policiais. O Brasil ainda engatinha nessa importante questão para uma sociedade civilizada.

Mesmo que ainda estejamos distantes do ideal, espero que um dia não haja mais a necessidade do Dia Internacional da Mulher. Afinal, todo dia é dia da mulher. O que seríamos de nós, homens, sem as mulheres? Esposas, namoradas, mães, tias, primas, amigas, ficantes… a lista é extensa. Na tentativa de homenageá-las, recordei algumas personagens fortes que encantaram (ou assustaram) platéias do cinema. A seleção enxuta, que possui ordem aleatória, busca ressaltar essências femininas que fascinam: delicadeza, ternura, força e inteligência.

Linda Hamilton nos dois filmes de O Exterminador do Futuro (montagem por bodygeeks.com)

Linda Hamilton nos dois filmes de O Exterminador do Futuro (montagem por bodygeeks.com)

SARAH CONNOR (Linda Hamilton) em O Exterminador do Futuro (1984) e O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1992)

Se a pergunta “Até onde uma mãe vai para salvar seu filho?” já mexe com os limites de uma mãe, imagine então para manter o filho vivo para salvar o planeta? No primeiro filme de James Cameron, a ficha ainda não caiu para Sarah Connor. Ela tem uma vida pacata, trabalhando como garçonete no subúrbio americano. Essa história maluca de que seu filho será uma importante peça para o futuro da humanidade mexe com toda a lógica da personagem.

Já convencida da veracidade do fim do mundo depois de ser quase assassinada por um ciborgue, no segundo filme, ela se prepara para a guerra, deixando o comportamento mais ingênuo de lado. Internada num hospital pisquiátrico por causa das previsões, ela utiliza artimanhas para fugir e finalmente procurar seu filho.

O que impressiona aqui é a transformação física e psicológica de Sarah Connor. A atriz Linda Hamilton se envolveu de tal forma com a história que acabou ganhando massa muscular e até feições masculinas, motivo pelo qual teria recebido críticas na época do lançamento. Curiosamente, Hamilton ficou casada com o diretor tirano James Cameron até pouco depois do sucesso de Titanic, quando ele resolveu trocá-la pela atriz Suzy Amis.

Michelle Pfeiffer como Mulher-Gato em Batman - O Retorno (photo by herocomplex.latimes.com)

Michelle Pfeiffer como Mulher-Gato em Batman – O Retorno (photo by herocomplex.latimes.com)

MULHER-GATO (Michelle Pfeiffer) em Batman – O Retorno (1992)

“Oi, querido! Cheguei!… Esqueci que não sou casada”. A solitária secretária Selina Kyle chega em casa e profere essa frase todos os dias. Morando sozinha, tendo como única companhia sua gatinha, ela anda estressada com sua vida profissional, familiar e amorosa. Ao contrário dos quadrinhos em que a personagem é uma ladra profissional, Selina muda de vida quando seu patrão Max (Christopher Walken), empurra-a da janela. Numa atmosfera sobrenatural, o filme de Tim Burton cria o alter-ego dela através das mordidas de vários gatos no cadáver gélido.

Ressuscitada e com nove vidas, ela passa por um processo de transformação. A Mulher-Gato é exatamente o oposto de Selina Kyle: livre, anárquica e apaixonante. Obviamente, essa nova vida dupla altera seu comportamento, dando-lhe auto-confiança em meio a tantos personagens masculinos da trama.

O filme pode ter recebido algumas duras críticas em relação ao lado caricato que Tim Burton queria imprimir, além da trama sombria demais, porém Michelle Pfeiffer saiu ilesa por sua interpretação como Mulher-Gato. Até hoje sua figura sensual serve como referência ao universo de Batman, algo que Anne Hathaway nem passou perto com Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge.

Diane Keaton inaugura um estilo em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (photo by moviepilot.de)

Diane Keaton inaugura um estilo em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (photo by moviepilot.de)

ANNIE HALL (Diane Keaton) em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977)

Criativa, inteligente, carinhosa e com um estilo próprio, Annie Hall conquistou toda uma geração de homens e mulheres nos anos 70. Cantora amadora de clubes noturnos, ela conhece o comediante Alvy Singer (Woody Allen) através de amigos em comum numa partida de tênis em Nova York.

A atriz Diane Keaton cedeu um pouco de si mesma para poder criar essa personagem que modernizou a mulher no cinema. Annie Hall tinha atitude, voz ativa, independência, mas continuava feminina, graciosa com pitadas de loucura. No filme, acompanhamos a complexidade do protagonista Alvy, que faz terapia há 15 anos, conferindo o fracasso de seus casos amorosos anteriores. Quando Annie surge, ela consegue conquistar o coração dele de mansinho. Numa conversa mais séria, ela consegue impressioná-lo ao rebater seu papo filosófico, criando uma química que torna o sexo mais interessante. Vale ressaltar que o figurino de Annie, composta por peças masculinas como a gravata, gerou uma série de seguidores.

O diretor e roteirista Woody Allen tem fama de longa data pela criação de incontáveis personagens femininas marcantes. Além de Annie, podemos citar a atriz com problemas de grandiosidade Helen Sinclair em Tiros na Broadway, a atriz pornô Linda Ash de Poderosa Afrodite, a calorosa Nola Rice de Ponto Final – Match Point. Diane Keaton levou seu único Oscar pelo papel.

Sigourney Weaver como mãe em Aliens, o Resgate (photo by OutNow.CH)

Sigourney Weaver como mãe em Aliens, o Resgate (photo by OutNow.CH)

ELLEN RIPLEY (Sigourney Weaver) em Aliens, o Resgate (1986)

Guerreira, mãe e sobrevivente, esta personagem já passou muitos perrengues com a raça alienígena que invade sua nave Nostromo em Alien, o Oitavo Passageiro (1979). No primeiro filme, Ripley sequer era a personagem principal, mas ao longo dos quatro filmes, a atriz Sigourney Weaver, que trabalhou com 4 diretores diferentes, entrega uma nova faceta dessa mulher. Na sequência Aliens, o Resgate (1986), ela demonstra que é capaz de tudo para salvar a menina Newt, que a tomou como filha.

Ela cria uma espécie de pacto de nunca abandoná-la. E cumpre o que promete. Na sequência final, Ripley volta para o criadouro de aliens, repleto de ovos e encara a rainha deles para resgatar Newt. O instinto feminino de Ripley fala tão alto que chega a intimidar a líder dos alienígenas, não poupando esforços para salvar a menina, inclusive utilizando um traje mecânico para lutar corpo a corpo.

Tanto esforço acaba indo pelo ralo no início do terceiro filme da série. O jovem promissor David Fincher assume a cadeira de diretor e logo mata a menina e todos os demais tripulantes da nave, exceto Ripley, numa queda logo no início do filme, o que irritou bastante o diretor James Cameron (de Aliens, o Resgate).

Kathleen Turner em Mamãe é de Morte (photo by futuracast.wordpress.com)

Kathleen Turner em Mamãe é de Morte (photo by futuracast.wordpress.com)

BEVERLY SUTPHIN (Kathleen Turner) em Mamãe é de Morte (1994)

Proteção da família elevado ao nível extremo, Beverly se mostra a dona-de-casa exemplar do subúrbio americano, até que surgem investigações de crimes na região, sendo a primeira delas uma denúncia de ligações telefônicas em tom grosseiro. Kathleen Turner se transforma ao passar os trotes para sua vizinha, só porque ela roubou a sua vaga de estacionamento no mercado.

O diretor John Waters queria Susan Sarandon, mas o salário pedido foi muito alto, ainda mais depois do sucesso de Thelma & Louise (1991). Já em baixa após os bem-sucedidos anos 80, Kathleen Turner aceitou o papel se nitidamente ela se diverte interpretando Beverly.

Além dos crimes hediondos cometidos para agradar seus entes queridos, ela ainda consegue ser sua própria advogada no tribunal e reverter as evidências contra ela. Embora seja meio despirocada, a personagem leva à sério a segurança do núcleo familiar. Em tempos atuais de famílias sem a figura paterna, ela teria que se desdobrar ainda mais para cumprir suas obrigações e alimentar suas obsessões assassinas.

Holly Hunter dubla Elastigirl em Os Incríveis (photo by OutNow.CH)

Holly Hunter dubla Elastigirl em Os Incríveis (photo by OutNow.CH)

HELEN PARR (voz de Holly Hunter) em Os Incríveis (2004)

Enquanto 90% da população masculina votaria em Jessica Rabbit como personagem feminina em animação, gostaria de lembrar da figura arrebatadora de Helen Parr, a fantástica Elastigirl. Logo no começo quando ela fala para Mr. Incredible “You need to be more… flexible!” (Você precisa ser mais… flexível!)” e demonstra o quão flexível ela é, ela já comprova que sabe laçar um homem.

Já casada e mãe de três filhos, Helen NUNCA deixa a peteca cair. Ela cuida da família, coloca os filhos pra fazer tarefa de casa, pra dormir e ainda apóia o marido em tudo. Embora não queira mais vestir o uniforme de sua identidade secreta de Elastigirl, ela dá conta do recado quando requisitada para salvar o marido na selva de Syndrome. Na sequência da explosão do avião, ela toma uma importante decisão de incentivar a filha Violet a usar seus poderes, mas quando falha, ela logo corre para proteger seus filhos com o próprio corpo.

Com tantas coisas para cuidar, Helen não deixa de cuidar do visual. O diretor Brad Bird caprichou no quadril da personagem e ainda criou a breve cena da foto acima que dá um toque feminino. Há tempos eu não via uma personagem tão completa e contemporânea nas animações. Além disso, a voz sexy de Holly Hunter torna tudo mais gostoso de ouvir.

Joan Allen em A Outra Face da Raiva (photo by OutNow.CH)

Joan Allen em A Outra Face da Raiva (photo by OutNow.CH)

TERRY ANN WOLFMEYER (Joan Allen) em A Outra Face da Raiva (2005)

Abandonada por seu marido, que fugiu com a secretária para a Suécia, Terry se vê desorientada para tocar a vida e cuidar de suas quatro filhas jovens. Para agravar ainda mais sua situação desoladora, cada uma delas enfrenta dificuldades comuns nas áreas dos estudos, trabalho e amor, o que gera calorosas discussões em casa.

Mas engana-se aquele que prevê um dramalhão chato. Joan Allen não deixa a peteca cair, tocando a vida de sua personagem de forma amargamente apaixonante e sem nunca perder o bom humor. Esse comportamento acaba atraindo a atenção do vizinho Denny (Kevin Costner), um ex-jogador de beisebol, que anda exagerando no álcool. Apesar de problemático, vemos nele uma figura importante para o equilíbrio dela.

Com uma boa dose de humor negro por parte da direção de Mike Binder, que também atua como o namorado de uma de suas filhas, A Outra Face da Raiva ganha pontos por retratar a vida de uma família após a saída do pai sem apelar para emoções fáceis. Pena que Joan Allen não teve lobby suficiente para chegar à lista do Oscar de Melhor Atriz, pois merecia maior reconhecimento.

Jodie Foster como a agente Clarice Starling em O Silêncio dos Inocentes (photo by collider.com)

Jodie Foster como a agente Clarice Starling em O Silêncio dos Inocentes (photo by collider.com)

CLARICE STARLING (Jodie Foster) em O Silêncio dos Inocentes (1991)

Agente novata do FBI, Clarice Starling é uma bela jovem num universo masculino, o que a torna um centro de atenções. Para sobreviver nessa rotina, ela busca mascarar sua feminilidade com uma fachada séria e fria. Essa dualidade encontrada em incontáveis mulheres de sucesso que adentram o universo masculino como o dos negócios, acaba instigando todos os homens ao seu redor por sua dedicação.

Clarice se aproveita disso e cria um elo forte com o assassino Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) para desvender o sumiço da filha de uma importante senadora americana. A investigação acaba mexendo também em seus próprios traumas passados como a morte de seu pai policial e a tentativa de libertar os pobres cordeirinhos da fazendo do tio.

Para criar a vida de Clarice, Jodie Foster participou de um intenso treinamento ao lado de agentes do FBI. Ela estudou fichas criminais e aprendeu a manusear armas de fogo. Esse esforço foi extremamente importante para dar veracidade à sua performance, uma vez que a beleza da personagem poderia facilmente atrapalhar na imagem de agente do FBI. Sua atuação rendeu seu segundo Oscar de Melhor Atriz em 1992.

Uma Thurman em Kill Bill (photo by gunslot.com)

Uma Thurman em Kill Bill: Vol. 2 (photo by gunslot.com)

A NOIVA (Uma Thurman) em Kill Bill: Vol. 1 (2003) e Kill Bill: Vol. 2 (2004)

A Noiva tem seu casamento interrompido por ex-colegas de profissão (leiam-se assassinos mercenários), que matam todos os presentes na pequena igreja e ainda dão um tiro na cabeça dela. Infelizmente, a bala não a matou e agora ela tem que sair do coma para buscar uma das mais sangrentas vinganças da história do Cinema.

No primeiro filme, vemos uma mulher forte e praticamente indestrutível ao derrotar os Crazy 88 num restaurante japonês em Okinawa. A facilidade com que ela elimina seus oponentes provém da sede de vingança, mas nitidamente se trata de um filme mais físico que abusa da ação.

Já no segundo, temos uma análise psicológica, quando vemos a Noiva em estado mais vulnerável. A personagem deixa de ser bidimensional quando o diretor Quentin Tarantino aprofunda suas raízes nas artes marciais ao lado do mestre Pai Mei, e no seu ponto mais fraco: sua filha, que sobreviveu ao massacre, agora cuidada por Bill. Essa sensibilidade maternal transforma a vida da Noiva, afinal, ela desistiu de ser assassina para poder criar uma família.

Anne Bacroft em A Primeira Noite de um Homem (photo by top10films.co.uk)

Anne Bacroft em A Primeira Noite de um Homem (photo by top10films.co.uk)

MRS. ROBINSON (Anne Bancroft) em A Primeira Noite de um Homem (1967)

Pra quem acha que sogra é tudo igual, assista a A Primeira Noite de um Homem. Lá, vemos o rapaz Benjamin (Dustin Hoffman) que passa a conviver com uma amiga dos seus pais, a Mrs. Robinson. O envolvimento se aquece até que ela dá o primeiro movimento numa noite em sua casa. Embaraçado, Benjamin solta uma das mais famosas frases do Cinema: “Senhora Robinson, você está tentando me seduzir. Não é?”. Mrs. Robinson dá risada.

Anne Bancroft se tornou um ícone da mulher mais velha e deu origem à canção “Mrs. Robinson”, da dupla Simon & Garfunkel. Presa a um casamento estagnado, ela busca um pouco de aventura como a clássica personagem de Gustave Flaubert, Madame Bovary, uma senhora da burguesia provinciana insatisfeita com o casamento e que busca a felicidade que falta na infidelidade.

A personagem acaba perdendo terreno quando seu alvo se apaixona por sua filha. Bancroft entrega uma performance que parte da sedução e satisfação até a dor de ser esquecida a ponto de se tornar rabugenta. O diretor Mike Nichols queria uma atriz francesa para o papel devido à cultura do país em que as mulheres mais velhas iniciam os rapazes na vida sexual, mas Anne Bancroft conseguiu imortalizar a figura de Mrs. Robinson, mesmo sendo apenas 6 anos mais velha que Dustin Hoffman.

Frances McDormand em Fargo (photo by cinemasquid.com)

Frances McDormand em Fargo (photo by cinemasquid.com)

MARGE GUNDERSON (Frances McDormand) em Fargo (1996)

Numa trama macabra que envolve um sequestro falso que resulta na morte de várias pessoas, a chefe de polícia Marge Gunderson, que está gravidíssima com todos os devidos enjôos matinais, assume a investigação. Em todas as cenas em que Marge aparece, vemos ela comendo ou deitada com o marido, fornecendo um elemento aquecedor para uma trama tão fria num local ainda mais gélido como Minnesota.

Com um sotaque da região bastante afiado, Frances McDormand cria uma personagem que tem uma visão otimista e simples da vida, refletindo seus pensamentos em gestos, senso de humor e graça. Como está grávida, ela fica mais lenta para as atividades diárias e mais vulnerável fisicamente, mas isso não a impede de realizar suas tarefas, mesmo que tenha que parar num buffet antes.

Fargo é um filme que procura contrastar a extrema violência do mundo contemporâneo com os valores humanos, aqui representados pela figura da policial. Em seu discurso final, Marge finalmente muda de feição: “I just don’t understand it… (Não consigo entender)”. Só uma mulher para proferir tais palavras. Frances McDormand levou o Oscar de Melhor Atriz, e os irmãos Coen, Melhor Roteiro Original.

Meg Ryan como Sally em Harry & Sally - Feitos um Para o Outro (photo by nicksflickpicks.com)

Meg Ryan como Sally em Harry & Sally – Feitos um Para o Outro (photo by nicksflickpicks.com)

SALLY ALBRIGHT (Meg Ryan) em Harry & Sally – Feitos um Para o Outro (1989)

Meg Ryan interpreta aquela colega da faculdade por quem nós, homens, nos apaixonamos inconscientemente. Ela é inteligente, trabalhadora, tem excelente humor e aquele probleminha chamado “beleza”. Harry (Billy Crystal) tem uma forte teoria de que o homem jamais pode ser amigo de uma mulher, porque a beleza atrapalha.

Bem, se atrapalha a amizade, que tal aquela amizade colorida? Numa das melhores cenas, Sally finge um belo orgasmo numa lanchonete só para contrariar a opinião do amigo Harry. Que mulher! O roteiro de Nora Ephron brilha por sua relação com a realidade. Até então, comédias românticas ainda vinham da escola de Doris Day, nas quais os personagens tinham características definidas e comuns. Seguindo a mesma essência, o diretor Rob Reiner coletou depoimentos de casais reais para incrementar a veracidade da história complicada de Harry e Sally.

Meg Ryan ficou tão marcada por esse papel que acabou se tornando a namoradinha da América no começo dos anos 90, quando estrelou as comédias românticas ao lado de Tom Hanks: Joe Contra o Vulcão (1990), Sintonia de Amor (1993) e Mens@gem Para Você (1998). Para os fãs de comédia romântica, o filme serviu como base para outro sucesso recente: (500) Dias com Ela, com Zooey Deschannel e Joseph Gordon-Levitt.

Glenn Close em Atração Fatal (photo by ftmovie.com)

Glenn Close em Atração Fatal (photo by ftmovie.com)

ALEX FORREST (Glenn Close) em Atração Fatal (1987)

Toda vez que uma moça ficar no encalço de um homem, logo vem a memória a imagem de Glenn Close como a maníaca Alex. No filme, ela se envolve com um homem casado (Michael Douglas), mas que simplesmente surta quando ele resolve dar um chute na bunda dela. Aí vêm os truquezinhos dela para segurá-lo, como falar que está grávida, tentar se matar ou matar animaizinhos de estimação da filha dele.

O papel foi oferecido a incontáveis atrizes, inclusive Isabelle Adjani e Barbara Hershey, mas indo contra todas as expectativas, Glenn abraçou o projeto. Sua primeira atitude foi levar o roteiro para dois psicólogos para questionar o quão real era o comportamento de sua personagem. O diagnóstico de ambos revelou que ela sofreu abusos quando criança, tornando-a uma pessoa violenta com quem a considere atraente.

Atração Fatal ficou marcado pelos anos do auge da AIDS nos anos 80, mas para quem acha que o filme está desatualizado, basta dar uma olhada em algumas mulheres mais ciumentas que ficam 100% do tempo de vigia no facebook do namorado! Curiosamente, segundo a atriz, as pessoas ainda vêm até ela para lhe dizer “obrigada, você salvou o meu casamento!”. Glenn Close foi indicada ao Oscar pelo papel.

Audrey Hepburn e seu gato em Bonequinha de Luxo (photo by theladyandthecat.tumblr.com)

Audrey Hepburn e seu gato em Bonequinha de Luxo (photo by theladyandthecat.tumblr.com)

HOLLY GOLIGHTLY (Audrey Hepburn) em Bonequinha de Luxo (1961)

Apesar do autor do romance, Truman Capote, ter escolhido a musa Marylin Monroe para dar vida à protagonista, o estúdio optou em escalar uma figura oposta e bem menos óbvia: Audrey Hepburn, que ganhou fama por sua graciosidade em filmes anteriores como A Princesa e o Plebeu (1953), Sabrina (1954) e Cinderela em Paris (1957).

Em colaboração com o diretor de comédias, Blake Edwards, a atuação de Hepburn como Holly Golightly ganhou muito em leveza, graça e estilo, marcando para sempre a atriz no cinema, mas para quem conhece o livro, o tom da história é bem mais pesado. No original, Holly flerta com a bissexualidade, mas tal fato é omitido para se adequar ao conservadorismo de Audrey, que já era uma estrela. No filme, mal se percebe que sua personagem é uma prostituta!

Com tamanhas alterações, Bonequinha de Luxo acabou se tornando um clássico da comédia romântica, e hoje o corpo de Truman Capote deve estar se revirando no caixão. Contudo, Hepburn criara uma figura facilmente identificável com o público feminino pelo jeito carinhoso, tresloucado, sua paixão por gatos e sua busca por amor verdadeiro. Audrey Hepburn foi indicada para o Oscar de Melhor Atriz.

Thora Birch em Ghost World - Aprendendo a Viver (photo by frontroomcinema.com)

Thora Birch em Ghost World – Aprendendo a Viver (photo by frontroomcinema.com)

ENID (Thora Birch) em Ghost World – Aprendendo a Viver (2001)

Para quem conhece os quadrinhos do americano Daniel Clowes, Thora Birch incorpora a personagem Enid, uma adolescente que não sabe o que fazer depois de se formar do 2º grau. Seu único plano é de se mudar para um apartamento com a melhor amiga Rebecca (Scarlett Johansson), mas as coisas não dão certo.

Mesmo assim, ela permanece fiel à si mesma, não deixando o mundo ensiná-la a viver sua vida do jeito “normal”. Ela se desvia do caminho comum das moças interessadas em moda, rapazes e faculdade para andar com tipos mais estranhos, abusar da sinceridade em seus empregos e conhecer gente interessante, como o solitário Seymour (Steve Buscemi), que coleciona discos de blues.

Embora seja uma pessoa deslocada, Enid sustenta autenticidade e defende suas crenças e perspectivas com afinco, mesmo com uma fachada fria no rosto. Interessante ver como a personagem busca manter sua essência numa sociedade cada vez mais massificada. Thora Birch faz seu melhor trabalho da carreira. Pena que nunca mais deslanchou um bom filme.

Sissy Spacek em cena inicial de Carrie, a Estranha (photo by quermedar.com.br)

Sissy Spacek em cena inicial de Carrie, a Estranha (photo by quermedar.com.br)

CARRIE WHITE (Sissy Spacek) em Carrie, a Estranha (1976)

Criada debaixo da asa da mãe, a adolescente Carrie nunca foi popular na escola. De comportamento tímido e bastante quieta, sua reputação sofre um baque quando ela surta no vestiário feminino quando vê sangue escorrendo nas suas pernas. Sem a mínima informação sobre menstruação, ela vira alvo predileto das outras colegas.

Além desse incidente na escola, Carrie ainda sofre com o fanatismo religioso da mãe (Piper Laurie), que a proíbe de sair de casa e a isola de novas amizades. Mas, como todas as adolescentes americanas sonham com a noite do baile, a adolescente gostaria de participar do evento. Ela acaba conseguindo através de uma armação feita pela colega Chris (Nancy Allen) com o objetivo de humilhá-la na frente de todos com um banho de sangue de porco.

Como se trata de uma história baseada em romance de terror do cultuado Stephen King, a jovem descobre que tem o poder da telecinésia. E a noite romântica se torna um inferno na terra. Sem controle nenhum, Carrie quer dar o troco a todo custo. Esse filme mexe muito com o imaginário de várias mulheres ainda hoje, tanto que uma refilmagem está prevista para estrear no final de 2013, com a talentosa Chlöe Grace Moretz.

Claro que existem inúmeras personagens femininas não citadas nessa lista como Scarlett O’Hara de … E o Vento Levou, ou Mary Poppins. Não tinha intenção de fazer uma cobertura completa, mas mais pessoal. Caso queira acrescentar mais nomes à lista, fique à vontade para incluir um comentário!

‘Argo’ resiste e vence o Oscar de Melhor Filme

O produtor e diretor Ben Affleck agradece seu Oscar, que tenta compensar sua ausência na lista de diretores (photo by dawn.com)

O produtor e diretor Ben Affleck agradece seu Oscar, que tenta compensar sua ausência na lista de diretores (photo by dawn.com)

Argo leva Melhor Filme. Ang Lee rouba o Oscar de direção. E Steven Spielberg tem seu primeiro ator vencedor do Oscar, o terceiro de Daniel Day-Lewis. A premiação do Oscar 2013 buscou ser o mais democrática possível, talvez na tentativa de compensar as ausências dos diretores Ben Affleck e Kathryn Bigelow numa noite de poucas surpresas.

Na tapete vermelho, as celebridades apostaram na simplicidade. Novamente a mais bem vestida é a atriz Jessica Chastain, desta vez num belo Giorgio Armani.

Novamente, Jessica Chastain se tornou a mais bem vestida no tapete vermelho. Trajado em Giorgio Armani, ela acerta no cabelo e no batom vermelho (photo by http://www.redcarpet-fashionawards.com/page/6/)

Novamente, Jessica Chastain se tornou a mais bem vestida no tapete vermelho. Trajado em Giorgio Armani, ela acerta no cabelo e no batom vermelho (photo by http://www.redcarpet-fashionawards.com/page/6/)

Mesmo não sendo uma indicada, Charlize Theron ainda fica no segundo lugar com seu vestido Dior (photo by http://www.redcarpet-fashionawards.com/page/5/)

Mesmo não sendo uma indicada, Charlize Theron ainda fica no segundo lugar com seu vestido Dior (photo by http://www.redcarpet-fashionawards.com/page/5/)

Em terceiro lugar, Jennifer Lawrence abusa um pouco também com Dior, mas ela pode (photo by http://www.redcarpet-fashionawards.com/page/5/)

Em terceiro lugar, Jennifer Lawrence abusa um pouco também com Dior, mas ela pode (photo by http://www.redcarpet-fashionawards.com/page/5/)

Com menção honrosa, incluo a modelo Miranda Kerr. Apesar do vestido Valentino estar um pouco longe de ser um dos melhores, ela valoriza a roupa na Vanity Fair party (photo by http://www.gotceleb.com)

Com menção honrosa, incluo a modelo Miranda Kerr. Apesar do vestido Valentino estar um pouco longe de ser um dos melhores, ela valoriza a roupa na Vanity Fair party (photo by http://www.gotceleb.com)

Mesmo seu usar sua arma mais poderosa, o comediante Seth MacFarlane conseguiu criar momentos de bom humor. Assim que entra, ele solta um “Senhoras e senhores, bem-vindos ao Oscar… E a busca para fazer Tommy Lee Jones rir começa, agora!”. Quando cortam para o ator, ele sorri!

Ele inicia seu monólogo com alfinetadas na própria Academia. Ele explica que Argo é baseado numa missão secreta da CIA no Irã. “O filme é tão secreto que até o diretor é desconhecido pela Academia”. (Ben Affleck se mostra pouco confortável pelos aplausos). Eles sabem que erraram”. E depois parte para as celebridades com forte sarcasmo: “Ganhar um Oscar garante uma longa carreira. Jean Dujardin ganhou ano passado e agora ele está em todo lugar”. E ao elogiar a profundidade do método de Daniel Day-Lewis, ele pergunta: “O que aconteceria se, durante as filmagens, ele visse um celular? Ou se visse Don Cheadle no estúdio, ele tentaria libertá-lo?”

Quando o telão desce, vemos William Shatner como o Capitão Kirk de Jornada nas Estrelas. No papel, ele avisa a Seth MacFarlane que viajou do futuro para tentar impedir um desastre, mostrando a manchete do jornal do dia seguinte: “Seth MacFarlane: Pior Host do Oscar de todos os tempos.” Supostamente ele teria cantado a canção “We Saw Your Boobs” (Nós vimos seus peitos):

“Helen Hunt, we saw them in The Sessions, Scarlett Johansson we saw them on your phone
Jessica Chastain we saw your boobs in Lawless, Jodie Foster in The Accused….
and Kate Winslet in Heavenly Creatures, and Jude, and Hamlet, and Titantic, and Iris, and Little Children and the Reader and whatever you’re shooting right now, we saw your boobs!” (Haja pesquisa de tantos peitos em filmes!)

Seth MacFarlane durante apresentação do Oscar (photo by thehothits.com)

Seth MacFarlane durante apresentação do Oscar (photo by thehothits.com)

Tentando reverter o futuro desastroso, MacFarlane tenta animar com música e dança, mas só melhora com a encenação do filme O Vôo com meias com olhos. Na cena do avião virando, inserem uma gravação de um monte de meias numa secadora.

Ele ainda soltaria outra pérola depois da apresentação do clipe de Lincoln. “Daniel Day-Lewis é o segundo ator a ser indicado por interpretar Lincoln. Contudo, eu diria que o ator que realmente entrou na cabeça de Lincoln foi John Wilkes Booth” (ele atirou no presidente durante peça de teatro). Depois que a platéia vaia, ele completa: “Sério? 150 anos e ainda é muito cedo, hein? Eu tenho umas piadas de Napoleão, vocês vão ficar malucos”.

Ok. Resultados do Oscar. 18 acertos de 24. Este foi meu bolão de 2013. Confesso que apostei em algumas surpresas, mas elas não vieram: David O. Russell como diretor e Robert De Niro como coadjuvante.

Se fosse apontar apenas uma surpresa do Oscar, esta seria Melhor Maquiagem para Os Miseráveis. Foi tamanha surpresa que até a maquiadora se surpreendeu. Ela foi vestida com uma calça legging rosa (e devia estar até descalça na hora do anúncio do vencedor) e com um visual “estou atrasada mas cheguei”. O musical ainda levou Melhor Som e Melhor Atriz Coadjuvante para Anne Hathaway, cujo discurso ficou muito politicamente correto, agradecendo às demais concorrentes.

Ang Lee com seu segundo Oscar de direção por As Aventuras de Pi (photo by digitalspy.com)

Ang Lee com seu segundo Oscar de direção por As Aventuras de Pi (photo by digitalspy.com)

A segunda surpresa ficaria com Ang Lee vencendo Melhor Diretor pela segunda vez (depois de O Segredo de Brokeback Mountain). Com as ausências de Ben Affleck e Kathryn Bigelow, a categoria ficou confusa e qualquer um poderia vencer. Muitos apontavam Steven Spielberg como favorito, mas como ele já tem 2 estatuetas e Lincoln é um filme de época quadrado, o desafio vencido por Ang Lee de realizar o tal “infilmável” projeto de As Aventuras de Pi prevaleceu na hora da votação. Este é seu segundo Oscar de direção, tendo vencido o primeiro pelo drama O Segredo de Brokeback Mountain em 2006.

Seu filme se tornou o recordista de prêmios da noite com 4: Melhor Diretor, Fotografia, Trilha Musical Original e Efeitos Visuais. Essas vitórias mais técnicas evidenciam maior privilégio de produções em que o 3D se sobressai. No caso de Fotografia, outros dois trabalhos de 3D foram recentemente premiados: Mauro Fiore por Avatar e Robert Richardson por A Invenção de Hugo Cabret.

Apesar de ter ganhado 4 estatuetas, As Aventuras de Pi viu sentado Argo levar Melhor Filme, terminando a noite com mais dois Oscars: Montagem e Roteiro Original. O filme de Ben Affleck havia ganhado todos os prêmios da indústria como o PGA, DGA e o Globo de Ouro, e não poderia ficar sem seu Oscar. Por um momento, por causa da presença da primeira-dama Michelle Obama no telão, imaginei que Lincoln poderia surpreender, já que se trata da vida de um ex-presidente dos EUA, mas felizmente, Argo prevaleceu. É o mais novo vencedor de Melhor Filme sem ter seu diretor sequer indicado.

Ao vivo da Casa Branca, Michelle Obama elogia o Cinema e apresenta o vencedor do Oscar de Melhor Filme (photo by Hollywoodreporter.com)

Ao vivo da Casa Branca, Michelle Obama elogia o Cinema e apresenta o vencedor do Oscar de Melhor Filme (photo by Hollywoodreporter.com)

Subiram ao palco os produtores George Clooney, Grant Heslov e Ben Affleck. Este último foi bastante humilde em seu discurso, elogiando Spielberg como gênio e que qualquer um dos outros oito filmes indicados poderiam estar recebendo tal honraria. O diretor reconheceu seu passado imaturo como ator, relembrando quando esteve no Oscar 15 anos atrás ao receber Melhor Roteiro Original por Gênio Indomável, pensando que nunca mais voltaria. Mas agradeceu as oportunidades que muitas pessoas presentes na cerimônia lhe deram para poder aprender e evoluir como profissional.

Ben Affleck ostenta seu segundo Oscar, mas desta vez como produtor por Argo (photo by bostinno.com)

Ben Affleck ostenta seu segundo Oscar, mas desta vez como produtor por Argo (photo by bostinno.com)

Ainda no campo da surpresa, a mais surpreendente em termos técnicos foi o empate inédito na categoria de Efeitos Sonoros, que ficou entre A Hora Mais Escura e 007 – Operação Skyfall. Este é o quarto empate na História do Oscar: O primeiro aconteceu em 1932, quando Fredric March (O Médico e o Monstro) e Wallace Beery (O Campeão) venceram como Melhor Ator, o segundo foi em 1969: Katharine Hepburn (O Leão no Inverno) e Barbra Streisand (Funny Girl – A Garota Genial) empataram como Melhor Atriz, e o terceiro foi Melhor Curta-Metragem de 1994, quando os trabalhos Franz Kafka’s It’s a Wonderful Life e Trevor dividiram a honraria.

E o Oscar de Efeitos Sonoros vai para: Paul N.J. Ottosson por A Hora Mais Escura... (photo by thespec.com)

E o Oscar de Efeitos Sonoros vai para: Paul N.J. Ottosson por A Hora Mais Escura… (photo by thespec.com)

...e Per Hallberg e Karen M. Baker por 007 - Operação Skyfall também (photo by muckrack.com)

…e Per Hallberg e Karen M. Baker por 007 – Operação Skyfall também (photo by muckrack.com)

Aliás, a atriz e cantora Barbra Streisand subiu ao palco para cantar o sucesso “The Way We Were” de Nosso Amor de Ontem (1973) em homenagem ao recém-falecido compositor Marvin Hamslich, com quem também trabalhou na canção “I’ve Finally Found Someone” de O Espelho Tem Duas Faces, de 1996.

Incluindo a performance musical de Streisand, o Oscar 2013 dedicou bastante de seu tempo no ar para os musicais. A homenagem cansativa apresentou canções dos filmes Chicago, Dreamgirls – Em Busca de um Sonho e Os Miseráveis. Ainda no âmbito da música, Norah Jones cantou a simpática canção indicada de Ted: “Everybody Needs a Best Friend”, enquanto a cantora Shirley Bassey fez sua primeira apresentação no Oscar, cantando a clássica “Goldfinger”. Mesmo sem o mesmo vigor, aos 76 anos, a diva ainda impressiona pelas cordas vocais. Curiosamente, apesar do estrondoso sucesso, a canção sequer foi indicada ao Oscar na época. Sua performance no Oscar salvou a homenagem chocha aos 50 anos de James Bond com um clipe com trechos de vários filmes do espião.

A diva Dame Shirley Bassey em sua primeira apresentação no Oscar aos 76 anos (photo by oglobo.globo.com)

A diva Dame Shirley Bassey em sua primeira apresentação no Oscar aos 76 anos (photo by oglobo.globo.com)

Obviamente, ficou faltando também a indispensável presença dos seis atores (todos vivos) que deram vida ao personagem de Ian Fleming no palco: Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore, Timothy Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig. Talvez os produtores tentaram, mas como Connery ainda guarda rancores idiotas dos produtores da série, a homenagem terminou enxuta. Uma pena.

Já a merecida vitória de “Skyfall” como Melhor Canção Original coroou uma das melhores cantoras em atividade, Adele, homenageou o sucesso das canções-tema de James Bond e se tornou a primeira canção oscarizada da franquia de 23 filmes. Em sua primeira apresentação no Oscar, Adele não sentiu a pressão e cantou belamente com ótimos back vocals.

Adele em ótima performance de "Skyfall"... (photo by huffingtonpost.com)

Adele em ótima performance de “Skyfall”… (photo at huffingtonpost.com by Getty Images)

Adele com seu primeiro Oscar e o primeiro da franquia 007 (photo by digitalspy.com)

Adele com seu primeiro Oscar e o primeiro da franquia 007 (photo by digitalspy.com)

A vitória de Lincoln na categoria de Direção de Arte também não deixa de ser uma surpresa. Enquanto todos apostavam em Anna Karenina e Os Miseráveis, este Oscar acabou sendo uma espécie de compensação pelas inúmeras derrotas para Spielberg. A recriação dos cenários dos EUA de 1865 impressiona, mas está longe de encher os olhos como o trabalho de Sarah Greenwood de Anna Karenina.

Já nas categorias de atuação, não houve nenhuma surpresa. Acreditava que haveria pelo menos uma e que estaria em Melhor Ator Coadjuvante, mas não foi desta vez que Robert De Niro levou seu terceiro Oscar. Christoph Waltz subiu pela segunda vez em 3 anos pra receber seu segundo Oscar de coadjuvante (o primeiro foi por Bastardos Inglórios). A vitória de Waltz serviu como representante de todo o elenco: Jamie Foxx, Leonardo DiCaprio e Samuel L. Jackson, juntamente com o prêmio de Roteiro Original, serviu para comprovar que Quentin Tarantino é um dos melhores roteiristas em atividade.

Daniel Day-Lewis se tornou o primeiro a receber 3 Oscars de Melhor Ator. Além dessa importante conquista, trata-se do primeiro Oscar de uma atuação sob o comando de Steven Spielberg. Ao receber o prêmio, o ator diz: “É uma coisa estranha porque três anos atrás, na verdade eu havia me comprometido a interpretar Margaret Thatcher e Meryl (Streep) foi a primeira escolha de Steven (Spielberg) para Lincoln, e eu queria ver essa versão”. Em agradecimento à sua mulher, Rebecca Miller, ele continua: “Desde que nos casamos há 16 anos, minha esposa Rebecca viveu com alguns homens muito estranhos. Eles eram estranhos como indivíduos e talvez ainda mais estranhos quando estavam em grupo. Por sorte, ela é bem versátil e tem sido a perfeita companhia para todos eles”.

Daniel Day-Lewis recebe o Oscar de Meryl Streep e entra para a História (photo by usatoday.com)

Daniel Day-Lewis recebe o Oscar de Meryl Streep e entra para a História (photo by usatoday.com)

Apesar dos dois Oscars, Lincoln foi um dos grandes perdedores da noite (venceu 2 em 12 indicações). Se o filme não tivesse naufragado, o prêmio de Ator poderia ter ido para Joaquin Phoenix por sua explosiva interpretação em O Mestre.

Na ala feminina, a jovem Jennifer Lawrence confirmou seu favoritismo por O Lado Bom da Vida. Apesar da gafe de ter caído nas escadas do palco, ela recebeu aplausos de pé da platéia: “Vocês estão de pé porque se sentiram mal por eu ter caído e isso é embaraçoso, mas obrigada”. Em seu discurso, ela desejou feliz aniversário para Emmanuelle Riva, que completa 86 anos. Espero muito que este Oscar não desande sua carreira como atriz em ascensão, mesmo que já tenha engatilhado bons projetos como Serena e a sequência de Jogos Vorazes. Jennifer Lawrence se tornou a segunda atriz mais jovem a vencer nessa categoria aos 22 anos (Marlee Matlin permanece na 1ª posição aos 21, por Filhos do Silêncio).

Também em sua segunda indicação, Jessica Chastain perdeu por A Hora Mais Escura (que teve que se contentar com o Oscar de Efeitos Sonoros), mas ainda tem muito tempo para conseguir seu reconhecimento. Sua versatilidade mais do que comprovada já atrai os olhares de diretores consagrados e ela deve retornar ao Oscar até 2015 pelo filme dirigido por Liv Ullman, Miss Julie.

Jennifer Lawrence é traída pelo seu vestido e cai nos degraus para receber seu Oscar. (photo by popwatch.ew.com)

Jennifer Lawrence é traída pelo seu vestido e cai nos degraus para receber seu Oscar. (photo by popwatch.ew.com)

Não concordei com a vitória do filme da Pixar, Valente, na categoria de Melhor Animação. Reconheço a qualidade técnica, tanto do design como da própria animação do cabelo ruivo enrolado da protagonista, mas em termos de história, trata-se de um típico roteiro da velha Disney, muito semelhante a Irmão Urso, lançado em 2003. Para uma produtora que prioriza a qualidade dos roteiros de seus filmes, a Pixar falhou em Valente e por isso, não deveria ser premiada. Embora o roteiro de Frankenweenie seja uma espécie de colagem de homenagens e baseado em seu curta-metragem dos anos 80, Tim Burton merecia o Oscar.

Uma das melhores coisas desse Oscar foi a forma como eles expulsavam os vencedores com seus discursos chatos e longos do palco: a trilha de Tubarão crescia ao fundo até cortarem o áudio do microfone. A tática deu certo: os discursos ficaram mais curtos e um ou outro vencedor ficou bem nervoso nos agradecimentos, como o roteirista Chris Terrio de Argo.

Outra novidade foi a escalação de seis estudantes de cinema nos EUA para ajudar na entrega dos prêmios. A atitude se mostra bastante nobre e coerente, mas confesso que senti falta das trophy girls. Não sei… elas tinham um “algo a mais”! Espero que esta tenha sido apenas uma exceção à regra!

Uma dos seis estudantes de Cinema aguarda o anúncio do vencedor para entrar com a estatueta (photo by latimes.com)

Uma dos seis estudantes de Cinema aguarda o anúncio do vencedor para entrar com a estatueta (photo by latimes.com)

Apesar de não ter muita relevância, vale destacar aqui a estranheza da atriz Renée Zellwegger. No começo da cerimônia, ela já tinha uma aparência bastante anêmica, não só pela ausência total de maquiagem e cabelo desarrumado, mas pela palidez. Ao entrar no palco para apresentar os Oscars de Trilha Musical e Canção ao lado dos atores Richard Gere, Queen Latifah e Catherine Zeta-Jones, ela estava nitidamente zonza e parecia se esforçar para manter-se em pé. Além disso, não sei se Zellwegger está filmando algo no momento, mas ela fica bem melhor mais cheinha como a Bridget Jones.

Na foto não parece tanto, mas Renée Zellwegger estava sob efeito de narcóticos (photo by arts.nationalpost.com)

Na foto não parece tanto, mas Renée Zellwegger estava sob efeito de narcóticos (photo by arts.nationalpost.com)

Finalizando, o balanço geral do Oscar 2013:

4 Oscars: As Aventuras de Pi

3 Oscars: Argo/ Os Miseráveis

2 Oscars: Lincoln/ Django Livre/ 007 – Operação Skyfall

1 Oscar: O Lado Bom da Vida/ Amor/ Anna Karenina/ A Hora Mais Escura/ Valente/ Searching for Sugar Man

Confira lista dos vencedores:

MELHOR FILME
ARGO (ARGO)

MELHOR DIRETOR
Ang Lee (As Aventuras de Pi)

MELHOR ATOR
Daniel Day-Lewis (Lincoln)

MELHOR ATRIZ
Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christoph Waltz (Django Livre)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Anne Hathaway (Os Miseráveis)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Quentin Tarantino (Django Livre)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Chris Terrio (Argo)

MELHOR FOTOGRAFIA
Claudio Miranda (As Aventuras de Pi)

MELHOR MONTAGEM
William Goldenberg (Argo)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Rick Carter e Jim Erickson (Lincoln)

MELHOR FIGURINO
Jacqueline Durran (Anna Karenina)

MELHOR MAQUIAGEM
• Lisa Westcott, Julie Dartnell (Os Miseráveis)

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
Mychael Danna (As Aventuras de Pi)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Skyfall”, de Adele Adkins e Paul Epworth (007 – Operação Skyfall)

MELHOR SOM
Andy Nelson, Mark Paterson, Simon Hayes (Os Miseráveis)

MELHORES EFEITOS SONOROS (Empate)
Per Hallberg, Karen M. Baker (007 – Operação Skyfall)
Paul N.J.Ottosson (A Hora Mais Escura)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Bill Westenhofer, Gillaume Rocheron, Erik De Boer, Donald Elliott (As Aventuras de Pi)

MELHOR ANIMAÇÃO
Valente (Brave), de Mark Andrews e Brenda Chapman

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Amor, de Michael Haneke (Áustria)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Searching for Sugar Man, de Malik Benjelloul e Simon Chinn

MELHOR DOCUMENTÁRIO CURTA
Inocente, de Sean Fine e Andrea Nix

MELHOR CURTA-METRAGEM
Curfew, de Shawn Christensen

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
Paperman
, de John Kahrs

Christoph Waltz recebe seu segundo Oscar de coadjuvante sob a direção de Quentin Tarantino (photo by movies.yahoo.com)

Christoph Waltz recebe seu segundo Oscar de coadjuvante sob a direção de Quentin Tarantino (photo by movies.yahoo.com)

Francesca Eastwood é a Miss Golden Globe 2013

Francesa Eastwood, a nova miss Golden Globe

Francesa Eastwood, a nova miss Golden Globe

Ok, esta notícia não tem muito conteúdo de cinema, mas certamente agradará aos cinéfilos masculinos. A filha do diretor, compositor, ator e produtor Clint Eastwood, Francesca (19 aninhos), será a nova Miss Golden Globe. Ela é filha do diretor com a atriz Frances Fisher, que ficou conhecida como a mãe da personagem Rose de Titanic.

Francesa Eastwood atua em filmes desde os 2 anos de idade, e já atuou como filha de Clint em Crime Verdadeiro (1999) e como filha de Frances em As Estrelas de Henrietta (1995). Atualmente, está filmando o suspense Final Girl ao lado de atores como Abigail Breslin e Wes Bentley. Curiosamente, também participa de um reality show intitulado Mrs. Eastwood & Company, sobre a vida da ex-mulher de Clint, Dina Eastwood, e suas filhas Francesca e Morgan, com os seis membros do grupo musical sul-africano Overtone.

A pequena Francesca Eastwood em cena com o pai em Crime Verdadeiro

A pequena Francesca Eastwood em cena com o pai em Crime Verdadeiro (photo by lucywho.com)

Em depoimento à sua escolha, Francesca declarou à revista People: “Estou um pouco preocupada, talvez, em cair ou algo do tipo. Não quero usar um traje de baile, mas acho que aqueles vestidos bem chiques são reservados para os indicados. Estou planejando usar algo simples que não vai me fazer cair.”

Vale ressaltar que se trata de uma tradição da cerimônia nomear filhos e netos de celebridades de Hollywood para se tornarem Miss ou Mr. Golden Globe, para assistir na entrega dos prêmios. Entre as figuras ilustres que já foram assistentes de palco estão Laura Dern (filha de Bruce Dern e Diane Ladd) e Melanie Griffith (filha de Tippi Hedren).

As indicações serão divulgadas no dia 13 de dezembro. E Francesca deixará papai Easwood orgulhoso no dia 13 de janeiro, quando será a entrega dos Globos de Ouro.

Prévia do Oscar 2013: Ator Coadjuvante

O último vencedor da categoria, Christopher Plummer, por Toda Forma de Amor.

Criada em 1937, a categoria de Melhor Ator Coadjuvante passou a suprir a demanda de atores hollywoodianos que mereciam reconhecimento, mesmo não estrelando uma produção. O maior vencedor foi o americano Walter Brennan, que levou para casa três vezes o prêmio por Meu Filho é Meu Rival (1936), Kentucky (1938) e A Última Fronteira (1940). Normalmente, vence aquele que tem um papel que costuma roubar a cena, como aconteceu com Sean Connery em Os Intocáveis (1987) ou Christoph Waltz em Bastardos Inglórios (2009). A categoria, que antes era considerada menos importante, passou a ganhar relevância quando atores do quilate de Walter Huston (O Tesouro de Sierra Madre, 1948), George Sanders (A Malvada, 1950), Jack Lemmon (Mister Roberts, 1955) e Peter Ustinov (Spartacus, 1960) se sagraram vencedores.

Vencedor de três Oscars de coadjuvante: Walter Brennan. Além de ter atuado em muitos westerns, trabalhou com grandes atores como Humphrey Bogart, Lauren Bacall, Gary Cooper e John Wayne.

Nas últimas décadas, as categorias de coadjuvante serviram como reduto de atores renomados. Nos bastidores, a estratégia da Academia seria de compensar atores de peso que não ganharam em oportunidades prévias. Claro que oficialmente, ninguém vai confirmar essa informação, mas a vitória de Morgan Freeman por Menina de Ouro em 2005 é um exemplo disso, pois o ator fora indicado em outras três vezes, mas nunca levou a estatueta. Essa leitura da premiação acredita que as chances de ele levar Melhor Ator (principal) nos próximos anos seriam pequenas e que, por isso, sua vitória como coadjuvante seria uma forma de garantir que Freeman encerre sua carreira como vencedor do Oscar.

Morgan Freeman em Menina de Ouro: Oscar de coadjuvante. Antes tarde do que nunca?

Com certeza, muitos fãs de Morgan Freeman vão discordar dessa opinião, mas as mesmas pessoas sabem que ele mereceu mais por Conduzindo Miss Daisy ou Um Sonho de Liberdade. Particularmente, sou contra esse sistema de compensação, pois pode desbancar a melhor performance do ano que, nesse ano, deveria ter ido para Thomas Haden Church (Sideways – Entre Umas e Outras) ou Clive Owen (Closer – Perto Demais).

Claro que adoraria ver atores veteranos e consagrados ganhando o Oscar pela primeira vez como aconteceu com Christopher Plummer este ano, mas nem sempre a maré está a favor deles. Nesses casos, existe o Oscar Honorário, que costuma premiar profissionais do cinema que nunca tiveram a oportunidade de levar a estatueta pra casa. Vencedores recentes atestam: James Earl Jones, Eli Wallach, Lauren Bacall e o compositor italiano Ennio Morricone, todos foram previamente indicados mas nunca venceram nas respectivas categorias.

Este ano, temos fortes candidatos vencedores do Oscar. Alan Arkin, Robert De Niro, Philip Seymour Hoffman, Russell Crowe e Tommy Lee Jones podem voltar ao tapete vermelho como indicados. O retorno mais triunfal seria o de Robert De Niro, que teve sua época de glória nas décadas de 70, 80 e 90, mas que não figura na lista há vinte anos (!). Tem também indicados prévios, mas que nunca ganharam e agora podem ter a chance de ouro como Leonardo DiCaprio, que concorreu três vezes, e em 2013, pode finalmente passar para o time dos Academy Award Winners.

Apesar de ainda estar cedo para favoritismos, Robert De Niro está na frente pelo sucesso de Silver Linings Playbook. O filme de David O. Russell vem arrancando aplausos pelos festivais que passa, especialmente o de Toronto (Canadá), de onde saiu com o prêmio People’s Choice Award. Particularmente, mesmo que ainda não tenha conferido sua performance, gostaria que esse retorno de De Niro fosse coroado para que sirva de incentivo ao ator para escolher projetos mais ousados e não somente pelo alto cachê, como vinha fazendo nas últimas duas décadas. Contudo, Philip Seymour Hoffman pode ser a pedra no meio do caminho com sua presença magnética no novo filme de Paul Thomas Anderson, The Master, que já lhe rendeu o prêmio Volpi Cup de Melhor Ator (juntamente com Joaquin Phoenix) no último Festival de Veneza.

Alan Arkin em Argo

ALAN ARKIN (Argo)

Muita gente conhece Alan Arkin como o vovô maconheiro e tutor da pequena Olive de Pequena Miss Sunshine, papel pelo qual ele ganhou seu único Oscar em 2007, batendo o favorito Eddie Murphy de Dreamgirls, mas este ator americano de 78 anos é um veterano em Hollywood, tendo participado de alguns clássicos como a comédia de guerra de Norman Jewison, Os Russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando! (1966) e no suspense Um Clarão nas Trevas (1967), ao lado de Audrey Hepburn. Chegou a atuar no filme brasileiro indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro, O que é isso, Companheiro? (1997), de Bruno Barreto.

Nessa idade e já com um Oscar em casa, alguns críticos já aposentavam Alan Arkin, mas com Argo, ele prova que tem muito ainda a ensinar e mostrar. Ele interpreta o produtor de Hollywood, Lester Siegel, que ajuda o maquiador John Chambers na missão de vender um filme fictício para encobrir a saída de seis americanos do Irã durante a Revolução Iraniana em 1980. Ao lado de John Goodman, que vive Chambers, Alan Arkin rouba a cena com seu humor escrachado repleto de palavrões, muito semelhante ao revoltado vovô de Miss Sunshine.

É claro que o fato de Arkin já ter ganhado o Oscar recentemente implica em perda de pontos na corrida, afinal os votantes certamente consideram o histórico do ator. Mas se os votos se dividirem entre Robert De Niro e Philip Seymour Hoffman, Alan Arkin viria logo em seguida para roubar a cena na cerimônia.

Russell Crowe em Les Misérables

RUSSELL CROWE (Les Miserábles)

Depois de um início fenomenal em seus primeiros anos de Hollywood com três indicações ao Oscar, Russell Crowe deu uma relaxada. Quer dizer, ainda trabalha em projetos ambiciosos e com diretores consagrados como Ridley Scott e Peter Weir, mas suas atuações deram uma estabilizada. Em O Informante, Crowe engordou para interpretar Jeffrey Wigand. Já em Gladiador, ganhou massa muscular e fez cara de mau. A Academia reconheceu oficialmente seu esforço, premiando-o com o Oscar de Melhor Ator em 2001 pelo épico Gladiador.

Talvez, com esta adaptação musical do clássico literário de Victor Hugo, Russell Crowe volte aos holofotes pelas performances na tela, e não pelos escândalos de porrada em papparazzi ou que bateu na pobre esposa. Na mega-produção, o ator neozelandês dá vida ao Inspetor Javert, que fica na cola do protagonista Jean Valjean (Hugh Jackman).

Particularmente, nunca ouvi nenhuma faixa da banda australiana de Russell Crowe, 30 Odd Foot of Grunts. Mas pelos comentários, vale aquele bom e velho ditado: “Como cantor, Russell Crowe é um ótimo ator”. E pelo que me informei, não há playbacks nas canções, tanto que os atores cantavam ao vivo no set usando um fone que tocava piano para manter o ritmo. A música era acrescentada na montagem final. Será que Crowe se saiu bem ou todo mundo aplaudia por educação e com medo de levar um soco? Só vendo mesmo, mas se ele não se saiu no mínimo bem, esquece a indicação…

Robert De Niro em cena de Silver Linings Playbook

ROBERT DE NIRO (Silver Linings Playbook)

Que Robert De Niro não precisa provar mais nada pra ninguém, isso todo mundo já sabe. Afinal, não é qualquer ator que fez Taxi Driver (1976), O Poderoso Chefão: Parte II (1974), Touro Indomável (1980), Os Bons Companheiros (1990) e aterrorizou como o presidiário Max Cady em Cabo do Medo (1991). Tem dois Oscars na bagagem, mas um terceiro pode estar por vir.

Com Silver Linings Playbook, o veterano de Hollywood pode ressuscitar na temporada de prêmios. Ele faz o pai protetor e conselheiro de Pat (Bradley Cooper), que acaba de sair de uma instituição psicológica depois de pegar sua mulher traindo. Pelo trailer, já é possível ver que De Niro já se desvencilha da típica atuação de mafioso ou gângster que praticamente impregnou sua pele, crédito do ótimo diretor de atores David O. Russell.

O retorno de Robert De Niro aos bons papéis era há muito aguardada, pois o ator passou por duas décadas de filmes medianos e alguns claramente para poder pagar as contas como a comédia As Aventuras de Rocky & Bullwinkle (podem falar o que quiser do filme, mas está nítido que o contrato foi gordo).

Aí você vai se perguntar: “Mas se o De Niro já tem dois Oscars, por que ele ganharia um terceiro?”. Realmente, se levarmos em consideração o histórico vitorioso, existem outros atores da nova geração que são tão merecedores quanto ele. Mas Hollywood e sua comunidade admiram Robert De Niro e gostariam de vê-lo no topo depois de tanto tempo. Muitos acreditam que o grande ator ainda existe, mas que não teve as devidas oportunidades nas últimas duas décadas. Infelizmente, só vamos poder comprovar o potencial do papel em fevereiro, quando está prevista a estréia no Brasil.

Leonardo DiCaprio em Django Livre

LEONARDO DiCAPRIO (Django Livre)

Desde que estrelou Titanic como o pobretão galã Jack e se tornou pôster de milhões de quartos de menininhas, Leo DiCaprio decidiu virar o disco e se tornar um ator de respeito. Sua tática era formar parcerias com profissionais consagrados como forma de aprendizado e se destacar como ator e não apenas ídolo teen. Como cinéfilo, admiro bastante sua disposição para mover montanhas, mas ainda não me convenci de que ele é um bom ator. DiCaprio é esforçado: aprendeu o sotaque sul-africano para filmar Diamante de Sangue, tomou uma nova aparência mais nojenta em O Aviador e mais velha em J. Edgar, mas ainda não apresenta algumas nuances e tonalidade de voz diferenciada. Ele precisa trabalhar mais o interior do que o exterior. Pode-se dizer que Leonardo DiCaprio é um diamante bruto que precisa ser esculpido.

Creio que o diretor Martin Scorsese também pensou o mesmo a respeito dele. Contratou-o para filmar Gangues de Nova York (2002), O Aviador (2004), Os Infiltrados (2006) e A Ilha do Medo (2010). Claro que depois do curso intensivo de Scorsese, Leo ficou melhor, tanto que conseguiu mais duas indicações ao Oscar (a primeira foi aos 19 anos como coadjuvante por Gilbert Grape – Aprendiz de um Sonhador) por O Aviador e Diamante de Sangue.

Agora, em sua primeira participação num filme de Quentin Tarantino, as esperanças se renovam, ainda mais que o diretor conseguiu um Oscar de coadjuvante para Christoph Waltz em Bastardos Inglórios há dois anos. No western Django Livre, Leonardo DiCaprio interpreta o vilão, no caso, o proprietário de terras brutal de Mississipi, Calvin Candie, que tem posse da mulher do herói Django (Jamie Foxx). As expectativas sempre são altas quando se fala de um filme de Tarantino. Espera-se que a performance de DiCaprio também esteja no mesmo nível.

John Goodman em Argo

JOHN GOODMAN (Argo)

Para o público brasileiro em geral, John Goodman ficou marcado por viver Fred Flinstone nos cinemas e dar sua voz ao personagem Sully na animação Monstros S.A.. Chegou a cantar a canção “If I Didn’t Have You”, que venceu o Oscar para Randy Newman em 2002. Mas para os cinéfilos de carteirinha, o ator robusto ficará marcado eternamente pelo papel de Walter Sobchak, o sem-noção traumatizado da Guerra do Vietnã na comédia de humor negro O Grande Lebowski (1998), dos irmãos Coen.

De lá pra cá, além das participações nos filmes dos Coen, Goodman tem sido escalado para papéis menores que exigem uma presença de tela. Foi assim no blockbuster Speedy Racer, na comédia Os Delírios de Consumo de Becky Bloom e no último vencedor do Oscar, O Artista. Com o sucesso de Argo, espera-se que ele finalmente consiga sua primeira indicação ao Oscar e consequentemente, melhores ofertas de papéis.

No filme de Ben Affleck, John Goodman se destaca em todas as cenas em que aparece como o maquiador de Hollywood, John Chambers. É realmente uma pena que seu personagem não tenha mais tempo de tela, porque sua atuação merecia mais alguns minutos. Apesar da curta duração, uma indicação a Goodman se mostra bastante plausível devido ao reconhecimento da figura de Chambers com um Oscar Honorário pelas próteses inovadoras de O Planeta dos Macacos (1968).

Philip Seymour Hoffman em The Master

PHILIP SEYMOUR HOFFMAN (The Master)

Philip Seymour Hoffman começou a atuar em filmes no começo dos anos 90. Felizmente, nunca foi do tipo galã, então teve que ralar bastante para conquistar seu lugar ao sol. Mesmo em papéis menores, teve oportunidade de conhecer e atuar com grandes atores como Paul Newman, Al Pacino, James Woods e Ellen Burstyn, buscando construir seu próprio estilo de interpretação. Na maioria de seus trabalhos, percebe-se que Hoffman prioriza a atuação mais contida, mesmo com seu trabalho premiado pela Academia em Capote (2005), em que teve que copiar alguns trejeitos típicos do romancista Truman Capote, ele procurou reprimir a sexualidade de seu personagem.

Além do aprendizado com referências de Hollywood, outro fator notável na carreira de Hoffman foi o início de uma parceria forte com o jovem cineasta norte-americano Paul Thomas Anderson que, aos 26 anos, realizou seu primeiro longa, Jogada de Risco (1996). Com o diretor, Philip Seymour Hoffman voltou a trabalhar em Boogie Nights – Prazer Sem Limites (1997), Magnólia (1999), Embriagado de Amor (2002) e agora no tão aguardado The Master, no qual dá vida ao filósofo carismático Lacaster Dodd, que seria baseado na figura do criador da Cientologia, L. Ron Hubbard.

Pelo filme, Philip Seymour Hoffman já ganhou o Volpi Cup de Melhor Ator (compartilhado com seu colega Joaquin Phoenix) no último Festival de Veneza, de onde Paul Thomas Anderson também saiu premiado como Melhor Diretor. Hoffman já foi indicado três vezes ao Oscar: Melhor Ator por Capote (2005), Melhor Ator Coadjuvante por Jogos do Poder (2007) e Dúvida (2008), tendo levado pelo primeiro.

Tommy Lee Jones em Lincoln

TOMMY LEE JONES (Lincoln)

Muita gente conhece Tommy Lee Jones como o agente K da trilogia de Homens de Preto, que com sua expressão de pedra, contrabalanceou muito bem com o humor mais extrovertido de Will Smith. Contudo, Jones já possui uma extensa filmografia, que começou lá em 1970 no bem-sucedido romance Love Story – Uma História de Amor, num papel menor. Apesar de ganhar notoriedade ao atuar ao lado de Sissy Spacek na biografia da cantora country Loretta Lynn em 1980, Tommy Lee Jones só teve seu talento reconhecido nos anos 90, quando trabalhou com Oliver Stone no aclamado JFK – A Pergunta que Não Quer Calar e no polêmico Assassinos por Natureza. Em 1995, ganhou seu único Oscar de coadjuvante pelo thriller policial O Fugitivo, no qual interpreta o agente do FBI Samuel Gerard que tem a missão de perseguir Kimble (Harrison Ford), acusado de matar sua própria esposa.

Como muitos atores, Tommy desfrutou de seu sucesso tardio em Hollywood e assinou contrato para alguns filmes blockbusters como o fraco Volcano (1997) e no carnavalesco Batman Eternamente (1995), em que deu vida ao vilão Duas-Caras. Mais recentemente, estrelou o western pós-moderno dos irmãos Coen, Onde os Fracos Não Têm Vez (2007), foi indicado ao Oscar pela atuação no policial No Vale das Sombras (2007) e em 2005, ganhou o prêmio de ator no Festival de Cannes pelo ótimo Três Enterros, primeiro longa sob sua direção.

2012 foi um ano cheio para Tommy Lee Jones. Quatro produções em que participou estrearam este ano: Lincoln, Homens de Preto 3, Emperor e Um Divã Para Dois. Além do sucesso comercial de Homens de Preto 3, sua atuação na comédia romântica Um Divã Para Dois ao lado de Meryl Streep já havia chamado a atenção da crítica, o que certamente aumenta as chances de indicação pelo filme político de Steven Spielberg. Em Lincoln, ele interpreta o vice-presidente abolicionista Thadeus Stevens, que tem suma-importância como o braço direito do presidente. Na grande produção de época de Spielberg, existem vários bons atores em papéis secundários como David Strathairn, Jackie Earle Haley, John Hawkes, Joseph Gordon-Levitt, James Spader e Hal Holbrook, mas pelas críticas, Tommy Lee Jones deve representar todo o elenco secundário masculino no Oscar.

William H. Macy em The Sessions

WILLIAM H. MACY (The Sessions)

Este ator franzino norte-americano parece ter nascido para papéis secundários. Hollywood nunca lhe deu uma real oportunidade de protagonista, mas já trabalhou com diretores renomados como Woody Allen (A Era do Rádio e Neblina e Sombras), Rob Reiner (Fantasmas do Passado), Paul Thomas Anderson (Boogie Nights – Prazer Sem Limites e Magnólia), Barry Levinson (Mera Coincidência) e os irmãos Coen (Fargo), pelo qual conseguiu sua única indicação ao Oscar, como coadjuvante, claro. Na TV, William H. Macy teve mais sorte ao estrelar o filme televisivo De Porta em Porta, no qual se destaca como o vendedor ambulante com problemas mentais Bill Porter.

Casado com a atriz Felicity Huffman, da série de TV Desperate Housewives, William H. Macy tem enorme carinho por colegas de trabalho, pois costuma emprestar seu carisma para seus papéis. Desta vez, ele interpreta um padre, que enfrenta uma questão eticamente controversa. No filme independente The Sessions, seu amigo e fiel Mark O’Brien (John Hawkes) tem condições médicas delicadas e pouco tempo de vida, o que o leva a querer perder sua virgindade antes que o pior aconteça. Como padre e conselheiro, ele tenta guiar Mark pelo melhor caminho sem afetar sua fé.

No último Festival de Sundance, o filme ganhou o prêmio de público e um reconhecimento especial do júri pela atuação do elenco todo. Dependendo de como vai se sair entre os prêmios da crítica americana como o National Board of Review, New York Film Critics Circle e o Los Angeles Film Critics Association, William H. Macy tem boas chances de aparecer na lista de Melhor Ator Coadjuvante em 2013. Seria sua segunda indicação ao Oscar.

Matthew McConaughey em Magic Mike

MATTHEW McCONNAUGHEY (Magic Mike)

Galã de segunda linha, Matthew McConnaughey costuma estrelar comédias românticas com atrizes regulares como Sarah Jessica Parker e Kate Hudson, tanto que o público feminino o conhece como o conquistador de Como Perder um Homem em 10 Dias (2003). Mas de vez em quando, o ator decide participar de alguns projetos mais ambiciosos como a ficção científica Contato (1997), o filme de época de Spielberg, Amistad (1997) e ganhou certo prestígio ao interpretar advogados em Tempo de Matar (1996) e em O Poder e a Lei (2011).

Trabalhando com o diretor Steven Soderbergh (vencedor do Oscar por Traffic) em Magic Mike, McConnaughey faz o papel de Dallas, um veterano do mundo do striptease masculino no clube de mulheres. Ele rouba a cena ao passar seus ensinamentos eróticos para o jovem Mike (Channing Tatum) e, claro, em seus shows que levam as mulheres ao delírio.

Com tantas performances boas nessa categoria, McConnaughey corre por fora nessa competição. Contudo, como a maioria dos relacionados já foi indicada ou ganhou um Oscar, existe uma possibilidade do ator ser o único a conquistar a primeira indicação. A votantes femininas podem dar uma mãozinha.

 

POSSÍVEIS SURPRESAS

As categorias de coadjuvante costumam ser as mais imprevisíveis. Na reta final, surge alguém para roubar a vaga garantida de outro ator. Este ano, o veterano sueco Max von Sydow (Tão Forte e Tão Perto) foi a surpresa, passando uma rasteira em Albert Brooks (Drive) e Armie Hammer (J. Edgar), ambos indicados ao Globo de Ouro e SAG Awards, respectivamente. Alguns sites como IndieWire, colocaram alguns nomes que podem figurar como supresa na lista final. Confira:

– Javier Bardem (007 – Operação Skyfall)

– Don Cheadle (Flight)

– James D’Arcy (Hitchcock)

– Michael Fassbender (Prometheus)

– James Gandolfini (O Homem da Máfia)

– Dwight Henry (Indomável Sonhadora)

– Hal Holbrook (Promised Land)

– Ewan McGregor (O Impossível)

– Ian McKellen (O Hobbit – Uma Jornada Inesperada)

– Guy Pearce (Os Infratores)

Também considero baixas as possibilidades desses atores entrarem na lista, mas adoraria ver Michael Fassbender ser incluso de última hora por Prometheus, uma vez que o ator alemão já merecia uma indicação este ano pelo drama independente Shame. Além de seu ciborgue David ser muito convincente e deixar todo o resto do elenco no chão, ele demonstra a calma na fala mansa e pausada, e ainda empresta um carisma que às vezes se mostra mais humano do que os personagens humanos. Com certeza, um grande ator em extrema ascensão que merece ser reconhecido pela Academia, que só tem a ganhar com sua inclusão na categoria.

Michael Fassbender como o ciborgue David em Prometheus

Como fã de James Bond, seria uma grata surpresa ver Javier Bardem e seu vilão Raoul Silva de 007 – Operação Skyfall indicado ao Oscar, mas acho bastante improvável pelo papel ser parecido com o Coringa de Heath Ledger. Entretanto, o mega sucesso das bilheterias do 23º filme de Bond pode mexer na corrida.

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