Indicados à Palma de Ouro de Cannes 2013

Pôster do Festival de Cannes 2013, estrelado pelo casal hollywoodiano Paul Newman e Joanne Woodward

Pôster do Festival de Cannes 2013, estrelado pelo casal hollywoodiano Paul Newman e Joanne Woodward

Foi dada a largada do maior festival de cinema do mundo com o anúncio dos filmes indicados ao mais cobiçado prêmio: a Palma de Ouro. É importante destacar que o elo entre Cannes e o Oscar, outrora frio e distante, está numa crescente. Em 2011, o vencedor do prêmio de interpretação masculina, O Artista, acabou levando 5 Oscars incluindo Melhor Filme. Já neste ano,  além da produção franco-austríaca Amor, vencedora da Palma de Ouro, ter vencido o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, outros filmes que participaram das seleções de Cannes como Moonrise Kingdom e Indomável Sonhadora conquistaram indicações ao prêmio da Academia.

Essa ponte entre o Festival de Cannes, que ocorre em maio, e o Oscar, em fevereiro, tem sido benéfica para ambos. Enquanto os realizadores selecionados na França podem ambicionar vôos mais altos e comerciais com um possível reconhecimento nos EUA, o fato da lista de indicados ao Oscar terem esse “pedigree” de sucesso oriundo de Cannes eleva o patamar de qualidade da Academia, que já sofreu muitas críticas por valorizarem demais produções que se deram bem nas bilheterias sem levar muito em consideração a veia artística do filme.

O presidente do júri: Steven Spielberg (photo by goodfellasmovie.blogspot.com)

O presidente do júri: Steven Spielberg (photo by goodfellasmovie.blogspot.com)

Este ano, o presidente do júri de Cannes, Steven Spielberg, contará com uma seleção bem eclética que vai de nomes consagrados como os irmãos Coen e Roman Polanski (que já venceram a Palma de Ouro com Barton Fink – Delírios de Hollywood e O Pianista, respectivamente) até realizadores desconhecidos do cenário internacional como o espanhol Amat Escalante e italiana Valeria Bruni Tedeschi, atriz que já trabalhou com outro indicado este ano, o francês François Ozon, e o próprio Spielberg em Munique (2005).

Normalmente, os presidentes do júri evitam conceder a Palma às produções de seu país a fim de não criar polêmicas na divulgação dos premiados no encerramento, como o compatriota Quentin Tarantino já fez duas vezes. Em 2004, ele premiou o documentarista americano Michael Moore por Fahrenheit 11 de Setembro, e ficou marcado por ter dado explicações de sua escolha pela primeira vez na história do festival. Já em 2010, como presidente do Festival de Veneza, concedeu o Leão de Ouro à americana e ex-namorada Sofia Coppola por Um Lugar Qualquer. Ok, pode acontecer, afinal o sistema não é como futebol, no qual os árbitros não são do mesmo país ou estado dos times em campo, mas os reclamantes defendem que havia escolhas mais interessantes em competição.

Segue a lista dos indicados à Palma de Ouro, lembrando que no decorrer do evento, cerca de três filmes são inclusos na competição oficial:

Palma de Ouro

Palma de Ouro

PALMA DE OURO

O Grande Gatsby (The Great Gatsby), de Baz Luhrmann (FILME DE ABERTURA)

Un Château en Italie, de Valeria Bruni-Tedeschi
Inside Llewyn Davis, de Ethan Coen e Joel Coen
Michael Kohlhaas, de Arnaud del Pallières
Jimmy P. (Psychotherapy of Plains Indian), de Arnaud Desplechin
Heli, de Amat Escalante
Le Passé (The Past), de Asghar Farhadi
The Immigrant, de James Gray
Grigris, de Mahamat-Saleh Haroun
Tian Zhu Ding (A Touch of Sin), de Jia Zhanke
Soshite Chichi ni Naru (Like Father, Like Son), de Kore-eda Hirokazu
La Vie d’Adèle (Blue is the Warmest Color), de Abdellatif Kechiche
Wara no Tate (Shield of Straw), de Takashi Miike
Jeune et Jolie (Young and Beautiful), de François Ozon
Nebraska, de Alexander Payne
La Vénus à la Fourrure, de Roman Polanski
Behind the Candelabra, de Steven Soderbergh
La Grande Bellezza (The Great Beauty), de Paolo Sorrentino
Borgman, de Alex van Warmerdam
Only God Forgives, de Nicolas Winding Refn

Zulu, de Jérôme Salle (FILME DE ENCERRAMENTO)

Independente dos vencedores, já vale conferir novos trabalhos de diretores de visão singular como os japoneses Takashi Miike e Kore-eda Hirokazu, o chinês Jia Zhang Ke (que sabe retratar como ninguém as transformações da China na globalização), o dinamarquês Nicolas Winding Refn, que ganhou o prêmio de direção com Drive, e o italiano Paolo Sorrentino, que está em ascensão.

Particularmente, fiquei feliz com a indicação de Alexander Payne por Nebraska. O diretor é um dos poucos americanos que sabem conciliar sua veia comercial ao lado de estrelas como George Clooney e Jack Nicholson com uma perspectiva bastante humana. Para este novo projeto Nebraska, havia rumores de que o ator Robert Duvall assumiria o papel de protagonista aos 82 anos, mas outro veterano conquistou o papel principal: Bruce Dern, 76, pai da atriz Laura Dern. Ele foi considerado uma das grandes promessas no campo da atuação na década de 70, chegando a ser indicado ao Oscar de coadjuvante por Amargo Regresso, mas não vingou em Hollywood.

Claro que não tem como não mencionar o novo filme de Steven Soderbergh, afinal, o diretor tem sérios planos de parar de fazer filmes para lançamento em salas de cinema, muito em razão da covardia dos grandes estúdios de Hollywood. Numa entrevista, Soderbergh revelou que o filme foi planejado para lançamento em cinema, mas acabou indo para o ar pelo canal HBO porque os estúdios alegaram que a história era “muito gay”. “Ninguém queria fazer. Fomos atrás de todo mundo na cidade. Todos disseram que era muito gay. E isso veio depois de O Segredo de Brokeback Mountain(!), que nem é engraçado como esse filme. Fiquei chocado. Não fez nenhum sentido para nós.” Behind the Candelabra conta o caso de amor verídico entre o músico Liberace (Michael Douglas) e o bem mais jovem Scott (Matt Damon).

Michael Douglas e Matt Damon já caracterizados em Behind the Candelabra, de Steven Soderbergh: "Gay demais"? (photo by www.cine.gr)

Michael Douglas e Matt Damon já caracterizados em Behind the Candelabra, de Steven Soderbergh: “Gay demais”? (photo by http://www.cine.gr)

Além dessa polêmica, com a indicação de Behind the Candelabra, o Festival de Cannes garante a presença de estrelas hollywoodianas no tapete vermelho. Além dos já citados Michael Douglas e Matt Damon, a veterana Debbie Reynolds (do musical Cantando na Chuva), Dan Aykroyd e Rob Lowe podem comparecer ao evento. Já Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire e Carey Mulligan devem marcar presença pela nova adaptação de O Grande Gatsby, de Baz Luhrmann, ainda mais que o filme abrirá o festival. Mulligan ainda compete pelo novo filme dos irmãos Coen, Inside Llewyn Davis, que conta também com Justin Timberlake e John Goodman. E ainda estão convidados Ryan Gosling e Kristin Scott Thomas pelo novo filme de Nicolas Winding Refn, Only God Forgives, que aborda uma vingança no submundo do crime em Bangkok.

Carey Mulligan e Justin Timberlake em Inside Llewyn Davis

Carey Mulligan e Justin Timberlake em Inside Llewyn Davis (photo by http://www.elfilm.com)

Apesar de contar também com a presença das estrelas Joaquin Phoenix, Jeremy Renner e Marion Cotillard, vale a pena ficar atento ao novo filme James Gray, The Immigrant (Lowlife). Embora seja relativamente jovem, o diretor tem chamado atenção por seu trabalho com o elenco, tendo valorizado o potencial de Joaquin Phoenix através dos filmes Os Donos da Noite (2007) e Amantes (2008). Talvez um dos prêmios de atuação saia deste filme.

Joaquin Phoenix e Marion Cotillard em The Immigrant, de James Gray (photo by www.elfilm.com

Joaquin Phoenix e Marion Cotillard em The Immigrant, de James Gray (photo by http://www.elfilm.com

E pra fechar, a indicação de Le Passé (The Past) possibilita o público de conferir o primeiro filme do iraniano Asghar Farhadi depois do sucesso de A Separação (vencedor do Urso de Ouro e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro) numa produção em língua francesa, dirigindo a atriz Bérènice Bejo (de O Artista).

Bérènice Bejo em Le Passé (The Past), do iraniano Asghar Farhadi (photo by www.cineimage.ch)

Bérènice Bejo em Le Passé (The Past), do iraniano Asghar Farhadi (photo by http://www.cineimage.ch)

O Festival de Cannes também oferece outras seleções, sendo a mais instigante a Mostra Un Certain Regard, que visa buscar um olhar inovador que reflita os problemas dos tempos atuais. Em 2012, o mexicano Depois de Lúcia se sagrou vencedor dessa competição ao questionar a eficiência do sistema educacional (confira post sobre o filme em https://cinemaoscareafins.wordpress.com/2013/03/24/depois-de-lucia-despues-de-lucia-de-michel-franco-2012/).

Seleção Un Certain Regard

Seleção Un Certain Regard

UN CERTAIN REGARD (Um Certo Olhar):

The Bling Ring, de Sofia Coppola
Omar, de Hany Abu-Assad
Death March, de Adolfo Alix Jr.
Fruitvale, de Ryan Coogler
Les Salauds, de Claire Denis
Norte, Hangganan Ng Kasaysayan (Norte, the End of History), de Lav Diaz
As I Lay Dying, de James Franco
Miele, de Valeria Golino
L’Inconnu du Lac, de Alain Guiraudie
Bends, de Flora Lau
L’Image Manquante, de Rithy Panh
La Jaula de Oro, de Diego Quemada-Diez
Sarah Préfère la Course (Sarah Would Rather Run), de Chloé Robichaud
Grand Central, de Rebecca Zlotowski

FORA DE COMPETIÇÃO

All is Lost, de J.C. Chandor
Blood Ties, de Guillaume Canet

Resumidamente, vale destacar a forte presença de Sofia Coppola com o filme pop The Bling Ring, sobre uma gangue real de jovens de classe média alta roubando casas de celebridades em Beverly Hills. Coppola apostou suas fichas na jovem Emma Watson, da extinta cinessérie Harry Potter, que comprova que cresceu uma bela atriz.

Emma Watson (à dir.) em cena de The Bling Ring (photo by OutNow.CH)

Emma Watson (à dir.) em cena de The Bling Ring (photo by OutNow.CH)

Os atores James Franco e Valeria Golino foram selecionados por trabalhos na direção, denotando uma forte tendência de novos diretores oriundos da escola de atuação tendo como forte referência Ben Affleck (vencedor do Oscar de Melhor Filme por Argo).

E Fruitvale, de Ryan Coogler, que já ganhou o Grande Prêmio do Jury – Dramático no Festival de Sundance, volta a concorrer por outro importante reconhecimento em Cannes, podendo seguir os mesmos passos de Indomável Sonhadora, de Benh Zeitlin.

O Festival de Cannes 2013 tem início no dia 15 de maio e vai até o dia 26, quando serão divulgados os vencedores desta edição.

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63º Festival de Berlim (2013)

Pôster da 63ª edição do Festival de Berlim nas ruas da cidade (photo by http://www.cp24.com)

Pôster da 63ª edição do Festival de Berlim nas ruas da cidade (photo by http://www.cp24.com)

O Festival de Berlim tem um histórico de seleções oficiais que prioriza filmes com teor mais político. Claro que não se tratam de roteiros envolvendo politicagens, mas tudo que esteja relacionado mesmo que indiretamente. Um claro exemplo dessa preferência foi a vitória do iraniano A Separação, de Asghar Farhadi, em 2011. O filme trata de uma briga familiar causado por filosofias políticas distintas que podem explicar a situação atual da sociedade iraniana.

Entre os grandes vencedores do Urso de Ouro, temos clássicos como O Salário do Medo, de Henri-Georges Clouzot, 12 Homens e uma Sentença, de Sidney Lumet, e A Noite, de Michelangelo Antonioni. E clássicos modernos como Além da Linha Vermelha, de Terrence Malick, e Domingo Sangrento, de Paul Greengrass.

Entre os grandes festivais internacionais, Berlim talvez seja o mais democrático de todos, pois reconhece a qualidade sem ficar preso a nomes consagrados como costuma fazer o Festival de Cannes. E o Brasil já se beneficiou dessa democracia em duas oportunidades: Central do Brasil, de Walter Salles, e Tropa de Elite, de José Padilha, duas produções que oferecem perspectivas diferentes do mesmo país, levaram o Urso de Ouro em 1998 e 2008, respectivamente.

Este ano, a tarefa de garimpar entre os 19 selecionados foi concedida ao cineasta chinês Wong Kar-Wai. Em seu currículo invejável constam títulos notáveis como Felizes Juntos, Amores Expressos e um dos melhores filmes das últimas décadas, Amor à Flor da Pele. Seu mais novo filme, The Grandmaster, que conta a história do mestre de artes marciais Ip Man que treinou Bruce Lee, abrirá o festival, contudo, por razões óbvias, fora de competição.

Ele preside o júri composto por grandes nomes: a diretora dinamarquesa Susanne Bier, o ator norte-americano Tim Robbins, o diretor alemão Andreas Dresen, a diretora de fotografia Ellen Kuras, a diretora e vídeo-artista iraniana Shirin Neshat, e a produtora grega Athina Rachel Tsangari.

The Grandmaster, de Wong Kar-Wai (photo by www.berlinale.de)

The Grandmaster, de Wong Kar-Wai (photo by http://www.berlinale.de)

Confira lista dos indicados ao Urso de Ouro 2013:

A Long and Happy Life, de Boris Khlebnikov
An Episode in the Life of an Iron Picker, de Danis Tanovic
Camille Claudel 1915, de Bruno Dumont
Child’s Pose, de Calin Peter Netzer
Closed Curtain, de Jafar Panahi, Camboziya Partovi
Gloria, de Sebastián Lelio
Gold, de Thomas Arslan
Harmony Lessons, de Emir Baigazin
In the Name Of, de Malgorzata Szumowska
Layla Fourie, de Pia Marais
Nobody’s Daughter Haewon, de Sang-soo Hong
On My Way, de Emmanuelle Bercot
Paradise: Hope, de Ulrich Seidl
Prince Avalanche, de David Gordon Green
Promised Land, de Gus Van Sant
Side Effects, de Steven Soderbergh
The Necessary Death of Charlie Countryman, de Frederick Bond
The Nun, de Guillaume Nicloux
Vic + Flo Saw a Bear, de Denis Côté

Alguns filmes foram selecionados, mas não competirão pelo Urso de Ouro:

 Before Midnight, de Richard Linklater
√ Dark Blood, de George Sluizer
Night Train to Lisbon, de Bille August
The Croods, de Chris Sanders, Kirk De Micco
The Grandmaster, de Wong Kar-Wai

Um dos fatos mais curiosos desta 63ª edição de Berlim é a presença do filme Dark Blood, de George Sluizer. No elenco, temos Jonathan Pryce, Judy Davis e River Phoenix. River Phoenix?! Sim, o falecido ator. Ele morreu onze dias antes do término das filmagens em 1993. O diretor resolveu comprar o material bruto e finalizar a pós-produção. Independente do resultado final, já vale a pena conferir pelo talento que River Phoenix era. Foi considerado o novo James Dean dos anos 80.

River Phoenix em Dark Blood (photo by www.berlinale.de)

River Phoenix em Dark Blood (photo by http://www.berlinale.de)

Quanto à seleção oficial, algumas mídias publicaram algo como “Steven Soderbergh e Gus Van Sant salvam Berlim”. Ok, ambos possuem currículos invejáveis e foram reconhecidos pela Academia com um Oscar e indicação, respectivamente, mas discordo do tom que desvaloriza os demais selecionados. Na verdade, existe uma teoria de que o filme de Soderbergh, Side Effects, e de Van Sant, Promised Land, só foram selecionados para que os astros de Hollywood marquem presença no tapete vermelho alemão: Jude Law, Rooney Mara, Channing Tatum, Catherine Zeta-Jones e Matt Damon.

Na seleção oficial, também temos ótimos cineastas como Danis Tanovic, Bruno Dumont e Sang-soo Hong. O primeiro, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por Terra de Ninguém em 2002, veio para São Paulo em 2005 para promover seu filme O Inferno e sua extrema simpatia na Mostra Internacional de Cinema. Além disso, o Festival de Berlim tem uma tradição de selecionar trabalhos de cineastas estreantes na tentativa de buscar novas visões do cinema mundial.

An Episode of an Iron Picker, de Danis Tanovic (photo by http://www.berlinale.de/)

An Episode in the Life of an Iron Picker, de Danis Tanovic (photo by http://www.berlinale.de/)

Apesar da presença dos hollywoodianos, a expectativa de premiação gira em torno de atrizes européias veteranas como Juliette Binoche, Catherine Deneuve e Isabelle Huppert, que estrelam produções separadamente.

Outra surpresa agradável é o retorno de Jafar Panahi aos festivais. Em março de 2010, o diretor foi preso por autoridades iranianas depois que descobriram que seu documentário levantava suspeitas de  fraudes na reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad em 2009. Foi sentenciado a prisão domiciliar e teoricamente, não poderia filmar por dez anos.

Muito conhecido por suas críticas sociais, Panahi se firmou como um dos grandes representantes do cinema iraniano com filmes como O Balão Branco e O Círculo, que além de revelarem a situação de seu país, influenciaram outros diretores como Walter Salles. Por esses motivos, seu novo trabalho, Closed Curtain, tem alta expectativa por parte da crítica e do público presente em Berlim.

Novo trabalho do diretor Jafar Panahi, Closed Curtain (photo by http://www.berlinale.de/)

Novo trabalho do diretor Jafar Panahi, Closed Curtain (photo by http://www.berlinale.de/)

O Urso de Ouro Honorário homenageará o documentarista francês Claude Lanzmann. Seu filme mais conhecido, Shoah (1985), entrou para a história do Cinema ao destrinchar o genocídio de judeus através de entrevistas (de sobreviventes a agressores), visitas aos locais do extermínio, e sem a utilização de imagens de arquivo (muito comuns em documentários sobre o Holocausto). Shoah ocupa a 29ª posição da lista dos melhores filmes de todos os tempos da revista britânica Sight & Sound, e tem nove horas e meia de duração. Confira lista completa dos 50 filmes aqui: https://cinemaoscareafins.wordpress.com/2012/08/03/vertigo-quebra-hegemonia-de-cidadao-kane/

Claude Lanzmann receberá homenagem pela carreira (photo by digitalproductionme.com)

Claude Lanzmann receberá homenagem pela carreira (photo by digitalproductionme.com)

O Festival de Berlim começou no dia 07 de fevereiro e termina no dia 17, quando serão anunciados os vencedores.

Oscar 2013: Recorde de 71 filmes estrangeiros inscritos

Federico Fellini recebendo Oscar Honorário em 1993. O diretor levou quatro vezes Melhor Filme Estrangeiro para a Itália, além de doze indicações.

Uma nova marca é adicionada à história do Oscar. Setenta e um países inscreveram filmes para representá-los na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. É claro que o fato de concorrer oficialmente ao prêmio já seria um prestígio enorme, mas talvez esse aumento de participantes se deva à vitória de A Separação, de Asghar Farhadi, um filme iraniano pequeno que não pertence ao círculo de países de primeiro mundo que costuma ganhar nessa categoria.

Desde que a Academia criou a categoria internacional em 1957 (de 1948 a 1956, os filmes estrangeiros eram reconhecidos com Oscars Honorários), Itália e França são os maiores vencedores com dez e nove vitórias respectivamente. Contudo, ambos não ganham há um bom tempo. A última produção francesa a ganhar foi Indochina, de Régis Wargnier, em 1993, enquanto a Itália tem um jejum de treze anos desde que A Vida é Bela, de Roberto Benigni levou três prêmios naquele ano de 1999.

César Deve Morrer, dos irmãos Taviani: vencedor do Urso de Ouro em Berlim, representando a Itália no Oscar

E se depender do burburinho, a Itália pode voltar ao páreo com o César Deve Morrer, dos irmãos Vittorio e Paolo Taviani (sem previsão de estréia aqui). O docu-drama que mostra presidiários reais encenando a peça Júlio César, de Shakespeare, levantou polêmica e levou o Urso de Ouro no Festival de Berlim desse ano. Não tem tanta cara de Oscar pelo lado polêmico, mas seria uma excelente oportunidade da Academia resgatar grandes nomes do cinema italiano.

Intocáveis, de Olivier Nakache e Eric Toledano: sucesso comercial e boas atuações garantem uma indicação ao Oscar

Maiores chances tem a França, pois conta com o sucesso comercial Intocáveis, de Olivier Nakache e Eric Toledano, que já consolidou a segunda melhor posição da bilheteria francesa de todos os tempos, faturando mais de US$ 300 milhões ao redor do mundo. A comédia dramática, ainda em cartaz nos cinemas de São Paulo, conta a história verídica de um aristocrata que ficou quadriplégico e contratou um jovem incomum para seus cuidados. Seu sucesso de público se deve à química dos atores principais, François Cluzet e Omar Sy, e pelo roteiro que explora muito bem as diferenças culturais dos dois personagens.

Amour, de Michael Haneke: diretor austríaco (à esq) dirige os veteranos Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant. A Palma de Ouro lhe deu a merecida notoriedade.

Entretanto, os franceses têm dura competição com o representante da Áustria: o drama Amour, de Michael Haneke, uma vez que arrebatou a última Palma de Ouro em Cannes e conta ainda com uma ótima dupla de atores, o casal Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva, ambos cotados para indicações nas categorias de atuação. Conta a favor também o fato de Michael Haneke ter a segunda chance na categoria depois que perdeu em 2010 pelo forte drama A Fita Branca, quando concorria pela Alemanha.

Em termos de favoritismo, parece claro que os três filmes citados acima estão com maiores chances. Porém, como se trata de uma categoria bastante imprevisível às vezes, vale a pena ressaltar alguns trabalhos bem comentados até o momento pela mídia e que não são necessariamente do mainstream, como é o caso do romeno Beyond the Hills, de Cristian Mungiu. Foi graças ao diretor que o cinema da Romênia voltou ao cenário internacional em 2007, quando seu filme anterior, o drama 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias foi reconhecido pela Palma de Ouro. O fato de Beyond the Hills ter saído com dois prêmios de Cannes esse ano: Melhor Atriz (recebido pela dupla de protagonistas Cosmina Stratan e Cristina Flutur) e Melhor Roteiro (Cristian Mungiu) certamente colabora na campanha, mas por se tratar de temática religiosa e sobrenatural envolvendo exorcismo verídico, os votantes velhinhos podem molhar suas fraldas geriátricas e nem terminar de ver o filme até o fim.

Beyond the Hills, de Cristian Mungiu: exorcismo na Academia? Só se for pra compensar O Exorcista (1973).

O mesmo asco deve acontecer entre os votantes ao ver o filme sul-coreano Pietá, de Kim Ki-duk, pois contém violência (apenas alguns membros decepados) e cenas de incesto (coisa mais light hoje em dia). Apesar de ter levado o Leão de Ouro em Veneza, as chances do filme ficar entre os cinco finalistas são as mesmas do mundo acabar em 2012.

Outros concorrentes apresentam alguns elementos que podem facilitar a indicação. No caso do israelense Fill the Void, o prêmio Volpi Cup de Melhor Atriz para Hadas Yaron seria um bom adendo, mas convenhamos que a maioria vontante judia também dá uma forcinha. Já o dinamarquês A Royal Affair, de Nikolaj Arcel, que ganhou Melhor Ator e Melhor Roteiro em Berlim, ganha pontos pela produção caprichada de filme de época, com figurinos e direção de arte vistosos, contando com Mads Mikkelsen, ator em ascensão internacional.

A Suécia pode conseguir grande ajuda pelo peso do nome Lasse Hallström. O diretor chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado pelo drama sueco Minha Vida de Cachorro em 1988 e novamente como Melhor Diretor pelo meloso Regras da Vida em 2000. Lasse Hallström conseguiu comandar bons projetos em Hollywood, resultando em Gilbert Grape – Aprendiz de um Sonhador (1993), Chocolate (2000), Chegadas e Partidas (2001), Sempre ao seu Lado (2009) e mais recentemente o drama baseado no best-seller de Nicholas Sparks, Querido John (2010). Ele pode voltar a competir com The Hypnotist, adaptação literária homônima da obra de Lars Kepler.

The Hypnotist, de Lasse Hallström. O diretor retorna à gélida Suécia e volta a ter boas chances no Oscar.

Se forçar um pouco a barra, dá pra incluir na briga o musical no melhor estilo Bollywood, Barfi!. A última indicação da Índia aconteceu em 2002 com outro musical Lagaan – Era Uma Vez na Índia, de Ashutosh Gowariker. Quem sabe não sai uma dobradinha musical com uma possível vitória de Les Miserábles, de Tom Hooper? OK, já seria muita ilusão de minha parte…

E o que dizer da primeira participação da Quênia no Oscar? Eles selecionaram o drama Nairobi Half Life, de David ‘Tosh’ Gitonga. Obviamente, trata-se de uma produção de baixo orçamento que acompanha a trajetória de um jovem aspirante a ator que se muda para a cidade grande (Nairobi) a fim de tentar a sorte na carreira. Talvez o filme tenha baixa qualidade técnica pelas dificuldades do país, mas se mandaram bem no lado emotivo da história, por que não teria chances reais? Se uma coisa eu aprendi nesses anos acompanhando o Oscar foi que a categoria de Filme Estrangeiro privilegia a boa e velha catarse. Histórias que mexem com elementos de superação são os favoritos.

Nairobi Half Life, de David ‘Tosh’ Gitonga: Primeiríssima participação do Quênia no Oscar. Motivo de orgulho e torcida.

E o Brasil? Quando vem o bendito primeiro Oscar para o nosso país? Teria O Palhaço, de Selton Mello, boas chances de ficar entre os finalistas? Particularmente, gostei da escolha entre os filmes nacionais, pois mostra um Brasil diferente dos últimos retratos de Cidade de Deus (2002) e Tropa de Elite (2007). Como já afirmei antes, a categoria diverge das demais em termos de votação. Já tentamos ganhar com Walter Salles (Central do Brasil) e Fernando Meirelles (Cidade de Deus) pelo prestígio internacional. Já apelamos pelos gostos dos votantes com Olga (2004), de Jayme Monjardim, e O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006), de Cao Hamburger. Nada. Então, mesmo que O Palhaço sequer figure entre os finalistas, pelo menos estamos tentando com novas perspectivas. O filme possui temática universal do circo, boas atuações e qualidades técnicas como fotografia e trilha. Quem sabe?

Vale lembrar que lista dos 71 filmes que participam da maratona do Oscar poderia ser de 72 filmes. O governo (patético) do Irã resolveu chamar a atenção da mídia ao cancelar a participação do país no Oscar como forma de protesto pelo vídeo (ainda mais patético) Inocência dos Muçulmanos, que o Youtube foi obrigado a retirar do ar por ordem do governo brasileiro (muito mais patético) que mesmo tendo mais de vinte anos de ditadura na História, ainda não aprendeu que censura é uma atitude desprezível que vai contra a liberdade que foi conquistada com muito suor e sangue. Azar também do pobre filme iraniano A Cube of Sugar, de Seyyed Reza Mir-Karimi, que teve que pagar o pato com essa história ridícula de boicote…
Segue lista completa em ordem alfabética:

Afeganistão: The Patience Stone, de Atiq Rahimi

África do Sul: Little One, de Darrell James Roodt
Albânia: Pharmakon, de Joni Shanaj

Alemanha: Barbara, de Christian Petzold
Argélia: Zabana!, de Said Ould Khelifa
Argentina: Clandestine Childhood, de Benjamín Ávila
Armênia: If Only Everyone, de Natalia Belyauskene
Austrália: Lore, de Cate Shortland
Áustria: Amour, de Michael Haneke
Azerbaijão: Buta, de Ilgar Najaf
Bangladesh: Pleasure Boy Komola, de Humayun Ahmed
Bélgica: Our Children, de Joachim Lafosse
Bósnia e Herzegovina: Children of Sarajevo, de Aida Begic
Brasil: O Palhaço, de Selton Mello
Bulgária: Sneakers, de Valeri Yordanov e Ivan Vladimirov
Camboja: Lost Loves, de Chhay Bora
Canadá: War Witch, de Kim Nguyen

Cazaquistão: Myn Bala: Warriors of the Steppe, de Akan Satayev
Chile: No, de Pablo Larraín;
China: Caught in the Web, de Chen Kaige
Colômbia: The Snitch Cartel, de Carlos Moreno

Coréia do Sul: Pieta, de Kim Ki-duk
Croácia: Vegetarian Cannibal, de Branko Schmidt
Dinamarca: A Royal Affair, de Nikolaj Arcel

Eslováquia: Made in Ash, de Iveta Grófová
Eslovênia: A Trip, de Nejc Gazvoda
Espanha: Blancanieves, de Pablo Berger
Estônia: Mushrooming, de Toomas Hussar

Filipinas: Bwakaw, de Jun Robles Lana
Finlândia: Purge, de Antti J. Jokinen
França: Intocáveis, de Olivier Nakache e Eric Toledano
Georgia: Keep Smiling, de Rusudan Chkonia
Grécia: Unfair World, de Filippos Tsitos
Greenland: Inuk, de Mike Magidson

Holanda: Kauwboy, de Boudewijn Koole
Hong Kong: Life without Principle, de Johnnie To
Hungria: Just the Wind, de Bence Fliegauf
Índia: Barfi!, de Anurag Basu
Indonésia: The Dancer, de Ifa Isfansyah

Islândia: The Deep, de Baltasar Kormákur
Israel: Fill the Void, de Rama Burshtein
Itália: Caesar Must Die, de Paolo Taviani e Vittorio Taviani
Japão: Our Homeland, de Yang Yonghi
Letônia: Gulf Stream under the Iceberg, de Yevgeny Pashkevich
Lituânia: Ramin, de Audrius Stonys
Macedônia: The Third Half, de Darko Mitrevski
Malásia: Bunohan, de Dain Iskandar Said

Marrocos: Death for Sale, de Faouzi Bensaïdi
México: After Lucia, de Michel Franco
Noruega: Kon-Tiki, de Joachim Rønning e Espen Sandberg
Palestina: When I Saw You, de Annemarie Jacir
Peru: The Bad Intentions, de Rosario García-Montero
Polônia: 80 Million, de Waldemar Krzystek
Portugal: Blood of My Blood, de João Canijo

Quênia: Nairobi Half Life, de David ‘Tosh’ Gitonga

Quirguistão: The Empty Home, de Nurbek Egen

República Dominicana: Jaque Mate, de José María Cabral

República Tcheca: In the Shadow, de David Ondrícek
Romênia: Beyond the Hills, de Cristian Mungiu
Rússia: White Tiger, de Karen Shakhnazarov
Sérvia: When Day Breaks, de Goran Paskaljevic

Singapura: Already Famous, de Michelle Chong
Suécia: The Hypnotist, de Lasse Hallström
Suíça: Sister, de Ursula Meier
Tailândia: Headshot, de Pen-ek Ratanaruang

Taiwan: Touch of the Light, de Chang Jung-Chi
Turquia: Where the Fire Burns, de Ismail Gunes
Ucrânia: The Firecrosser, de Mykhailo Illienko
Uruguai: The Delay, de Rodrigo Plá
Venezuela: Rock, Paper, Scissors, de Hernán Jabes
Vietnã: The Scent of Burning Grass, de Nguyen Huu Muoi

Indicações ao Oscar 2012 amanhã!

Em 2011, Mo’Nique divide a tarefa de anunciar os indicados

Todo ano o anúncio das indicações ocorre numa terça de manhã. Lá em Los Angeles às 5h30 e aqui, em São Paulo, em horário de verão, às 11h30. Já tive algumas oportunidades de assistir ao vivo pela TV pelos canais Telecine e CNN, mas hoje em dia, pela internet, é possível acompanhar em tempo real (streaming).

Parece idiotice eu dizer que, apesar de todo ano se repetir esse ritual do Oscar, ainda sinto um friozinho na barriga. Por mais que eu reclame dos filmes atuais, das porcarias que são lançadas nos cinemas e da covardia dos produtores de Hollywood, gosto de acompanhar o Cinema, porque sempre surgem novos talentos em todos os campos, em todos os países e em todos os gêneros de filme. Nem sempre aquele que a mídia lança como um novo talento realmente se mostra tão promissor, mas o que seria da Arte se apenas os bons trabalhassem? (Eu sei, eu sei… tem gente com a resposta na ponta da língua!)

E com o anúncio das indicações amanhã, talvez o mais importante seja que a vida de muita gente pode mudar para melhor. Uma indicação ao Oscar representa um reconhecimento internacional do trabalho de um artista, seja ele um ator ou um sound mixer. Uma indicação significa um upgrade na carreira de qualquer um e automaticamente no salário! E, se o indicado (e talvez futuro vencedor) do Oscar for inteligente, ele aproveitará as várias oportunidades que lhe serão oferecidas para buscar um desafio ainda maior, afinal, um Oscar (e sua indicação) pode muito bem acabar se tornando uma maldição e enterrar a carreira também.

Mas, no geral, o Oscar melhora e muito a vida do artista. E por isso, que muitos deles estarão acordados às 5h30 para acompanhar o anúncio (ou se estiverem dormindo, certamente seus agentes estarão com os olhos grudados na TV para já contabilizar a fortuna que vem adiante). Eu mesmo adoraria assistir ao anúncio, mas pelo horário deve ficar difícil. Quem sabe não passo na frente de uma TV pra pelo menos ver como a Jennifer Lawrence vai estar vestida?

Bom, quanto às probabilidades, dá pra adiantar que tem muita gente com o nome praticamente garantido na lista amanhã. Quem não apostaria que o George Clooney e a Meryl Streep não estarão entre os nomes indicados? Seria loucura total! Vamos analisar algumas categorias e medir as chances de alguns atores, diretores, roteiristas…

MELHOR FILME

Ah sim, este ano a coisa muda. Sim, de novo! Se a partir de 2010, 10 filmes foram indicados, agora é assim: 5 filmes no mínimo e 10 no máximo. O que isso quer dizer? Que 5 filmes estão garantidos, mas pode figurar um número não-convencional de filmes indicados como 7 ou 9. Nove filmes indicados a Melhor Filme? Sim. Dependendo da porcentagem que um filme consegue, ele pode não conseguir ultrapassar essa espécie de nota de corte do Oscar e sequer competir porque suas chances seriam ínfimas.

Quais os 5 que estão praticamente garantidos? Vejamos:

1. Os Descendentes

2. A Invenção de Hugo Cabret

3. Meia-Noite em Paris

4. Histórias Cruzadas

5. O Artista

São filmes que praticamente apareceram em todas as listas e têm chances reais de ganhar Melhor Filme. Além disso, todos devem colecionar um bom número de indicações, principalmente A Invenção de Hugo Cabret, que apresenta uma ótima direção de arte, um esplêndido trabalho de efeitos visuais e fotografia, sem contar as categorias de som e efeitos sonoros.

Aliás, também sempre fica essa questão no ar: Qual filme será o recordista de indicações? Todo ano tem um campeão. Nos últimos 20 anos, 15 recordistas do ano levaram Melhor Filme. Ano passado, O Discurso do Rei foi o recordista com 12 indicações.

Algumas apostas correm por fora como Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, O Homem que Mudou o Jogo, Cavalo de Guerra, Missão Madrinha de Casamento e A Árvore da Vida. Sendo que este último tem perdido muito de seu fôlego para esta reta final do Oscar, pois nem figurou entre os indicados ao Globo de Ouro, nem no SAG Awards.

Gary Oldman em O Espião que Sabia Demais

CATEGORIAS DE ATUAÇÃO

Na ala masculina, George Clooney, Brad Pitt, Jean Dujardin e até mesmo Michael Fassbender têm chances bastante concretas de indicação. A briga ficaria mais acirrada pela quinta e última vaga. Muitos especialistas estão apostando nessa briga entre Leonardo DiCaprio (por J. Edgar) e Gary Oldman (por O Espião que Sabia Demais). Particularmente, acredito que DiCaprio tem conseguido mudar sua imagem de bom mocinho e queridinho das meninas do então Jack de Titanic e até de Diário de um Adolescente, mas sinceramente, ainda tem que comer muito arroz e feijão para chegar ao nível de Gary Oldman. Ao contrário do jovem, Oldman sempre buscou se entregar ao máximo em cada papel, não se limitando às transformações físicas e de maquiagem, tanto que seus personagens não apresentam semelhança. O Drácula de Drácula de Bram Stoker, o Comissário Gordon dos filmes do Batman, o assassino frio Stansfield de O Profissional, o vilão engraçado de O Quinto Elemento e como Sid Vicious em Sid & Nancy. Gary Oldman sempre foi um coringa, nunca sendo maior do que o papel. E nesse trabalho como espião, seu trabalho merece ser coroado pela Academia pela primeira vez! Leonardo DiCaprio já foi indicado 3 vezes e nunca teve chances reais de ganhar.

Rooney Mara em Millennium

Já na ala feminina, fica a dúvida se a jovem Rooney Mara conseguirá uma vaga como Melhor Atriz. Há 2 questões em se tratando de Mara. Primeiro: Ela vai concorrer como atriz ou como atriz coadjuvante? Se para as associações de críticos, ela foi coadjuvante, para o Globo de Ouro e o BAFTA, Rooney foi considerada para atriz principal. Pelo histórico de confusões desse tipo, acredito que se forem indicá-la, será como coadjuvante pois suas chances serão concretas. Olha só o nível de competição na categoria principal: Meryl Streep, Viola Davis, Tilda Swinton, Michelle Williams e Glenn Close. Pense a respeito.

Outra dúvida que muitos aguardam uma resposta positiva é uma possível indicação para Andy Serkis. Em 2011, apesar de ter trabalhado na animação de As Aventuras de Tintim, Serkis brilhou ao dar vida ao macaco Cesar em Planeta dos Macacos: A Origem. Nenhum ator já conquistou o que Serkis conseguiu no campo do motion capture. Ele foi descoberto na pele do atormentado Gollum em O Senhor dos Anéis – As Duas Torres, criando o novo Kong em King Kong, voltando sua parceria de sucesso com Peter Jackson. Muito se especula sobre uma indicação como coadjuvante, mas a Academia sempre teve essa barreira de conservadorismo que a impede de dar passos largos. Acho pouco provável, mas não impossível, afinal a mesma Academia criou novas categorias ao longo dos anos como Melhor Maquiagem na década de 80 e Melhor Animação em 2001.

MELHOR DIRETOR

Martin Scorsese, Alexander Payne e Michel Hazanavicius podem passar. As poltronas já estão reservadas. Woody Allen pode aparecer na lista e deve causar um frisson em muita gente se isso se confirmar. Talvez o único porém seja o lado anti-social do diretor, que prefere tocar seu clarinete no pub. Mas suas chances são melhores este ano do que com Vicky Cristina Barcelona. Fica a última vaga aberta, disputada a tapa entre David Fincher (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres), Nicolas Winding Refn (Drive), George Clooney (Tudo Pelo Poder) e até Tate Taylor (Histórias Cruzadas), sendo que Fincher teve leve vantagem por ter sido indicado ao DGA – Directors Guild of America. O veterano Terrence Malick corre ainda, mas muito por fora por A Árvore da Vida, que agora parece com mais cara de filme de festival do que competição.

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Saiu a lista de 10 finalistas. Os títulos que escaparam do risco são minha aposta para as 5 indicações.

Capitão América – O Primeiro Vingador

– Harry Potter e as Relíquias Macabras – Parte 2

– A Invenção de Hugo Cabret

Missão: Impossível 4 – Protocolo Fantasma

– Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas

– Gigantes de Aço

– Planeta dos Macacos: A Origem

Transformers – O Lado Oculto da Lua

A Árvore da Vida

X-Men: Primeira Classe

Fiquei na dúvida se eliminaria o Transformers, mas como não acredito que a categoria terá 2 filmes com robôs, aposto mais em Gigantes de Aço, que parece saber mesclar melhor efeitos digitais de computação com efeitos especiais no estúdio. Além disso, quem quer ver mais filmes de Transformers? Pra mim já poderia ter parado no primeiro…

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Assim como efeitos visuais, a categoria passa por peneiras. Quatro finalistas cairão amanhã.

Bullhead, de Michael R. Roskam (Bélgica)

Footnote, de Joseph Cedar (Israel)

Pina, de Wim Wenders

In Darkness, de Agnieszka Holland (Polônia)

Monsieur Lazhar, de Philippe Falardeau (Canadá)

Omar Killed Me, de Roschdy Zem (Marrocos)

Pina, de Wim Wenders (Alemanha)

A Separação, de Asghar Farhadi (Irã)

Superclásico, de Ole Christian Madsen (Dinamarca)

Warriors of the Rainbow: Seediq Bale, de Te-Sheng Wei (Taiwan)

Explico. O filme polonês é sobre resgate de refugiados judeus. Ponto. Já os representantes israelense e iraniano apresentam temática de conflitos familiares que a Academia adora, além disso, o primeiro ganhou Melhor Roteiro em Cannes, enquanto o segundo tem sido um papa-prêmio e levou o Urso de Ouro em Berlim. Enquanto o alemão Wim Wenders já é um cineasta consagrado que nunca levou o Oscar, mas já foi indicado para Melhor Documentário pela fabuloso Buena Vista Social Club. E, sempre rola uma mega produção asiática e este ano, esse filme taiwanês tem tudo para ocupar a vaga.

Ryan Gosling em Drive

No geral, apesar do Oscar ficar cada vez mais previsível devido ao grande número de prêmios que o antecedem, sempre apreciei uma surpresa. De repente, um indicado que não estava figurando nas listas anteriores, mas que muitos se esqueceram de incluir nos Melhores do Ano é sempre bem-vindo. Normalmente, a “surpresa” não ganha o Oscar, mas por outro lado, constrói uma boa imagem inesperada que pode criar um sucesso como num passe de mágica. Um exemplo disso foi a indicação do jovem Ryan Goslin pelo filme Half Nelson em 2007. Ele concorreu com nomes de peso como Peter O’Toole e perdeu para Forest Whitaker, mas hoje está aproveitando ótimas oportunidades e estrelou pelo menos 3 filmes de sucesso em 2011: Drive, Amor à Toda Prova e Tudo Pelo Poder.

National Board of Review 2011

A Invenção de Hugo Cabret

Muito se falava que o Globo de Ouro, prêmio concedido pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, fosse a prévia do Oscar pela semelhança nas escolhas dos vencedores. Isso era verdade. Pra se ter uma idéia, nos últimos dez anos, os vencedores do Oscar de Melhor Filme não coincidiram com as escolhas do Globo de Ouro em sete oportunidades. Assim, outros prêmios importantes passaram a ter maior relevância, como o SAG (Screen Actors Guild – o prêmio do sindicato de atores), o DGA (Directors Guild Award – sindicato dos diretores) e o National Board of Review (NBR), prêmio concedido pela organização, sediada em New York, composta por realizadores e acadêmicos do meio cinematográfico, além do já citado NYFCC no post anterior.

Martin Scorsese no set de fimagem de Hugo

Este ano, o NBR premiou A Invenção de Hugo Cabret e seu diretor, Martin Scorsese. Marcado por um cinema inclinado à violência, Scorsese dirige seu primeiro trabalho no gênero da fábula. Passado nos anos 30, em Paris, o filme conta a história de um menino órfão de 12 anos que vive na estação de trem. Ele faz amizade com uma garota que tem a chave para acionar um robô que seu pai criara antes de morrer (é claro que em se tratando de Scorsese,  seria pedir demais um filme sem morte, vai!). Ao ver o trailer, percebe-se que o lado visual do filme é um espetáculo à parte, contando com uma bela fotografia de Robert Richardson, direção de arte e cenários de Dante Ferretti e figurinos de Sandy Powell, um trio de artistas que deve estar presente na próxima cerimônia do Oscar. Apesar de A Invenção de Hugo Cabret ter recebido altos elogios da crítica (e agora, estes 2 prêmios), o filme estreou há uma semana e ficou em 5º lugar nas bilheterias, arrecadando 15 milhões até o momento (o que, convenhamos, já dá pra pagar os técnicos de efeitos visuais, uma vez que o orçamento do filme ficou a bagatela de 170 milhões).

Quando fiquei sabendo desse projeto, confesso que não fiquei empolgado porque, como Scorsese ficou bastante marcado por temáticas violentas e sanguinolentas, uma fábula que envolve crianças, um robô e um quê de espírito natalino soou como uma provável bomba. Mas depois de ganhar finalmente seu Oscar em 2007, por Os Infiltrados, Scorsese parece querer alçar vôos mais altos e para novas direções, comprovando a atitude corajosa de um cineasta que jamais fica satisfeito com seu passado consagrado.

George Clooney e Shailene Woodley em “Os Descendentes”

Nas categorias de atuação, para quem tem acompanhado os lançamentos, não houve muita surpresa. George Clooney ganha seu terceiro NBR (os outros dois anteriores foram por Conduta de Risco e Amor Sem Escalas) pelo filme Os Descendentes (The Descendants). Não sei se se trata de puro puxa-saquismo da mídia (os repórteres amam o George), mas estão dizendo que é o melhor trabalho de Clooney. Apesar de não considerá-lo um ator de longo alcance, ele tem um carisma extremamente fora do normal que certamente o ajuda a conquistar o público em qualquer papel que ele escolha. Neste Os Descendentes, Clooney interpreta um pai de família no Havaí, que após sua mulher sofrer um acidente de barco, passa a ter que cuidar das duas filhas até ela sair do hospital. Sim, a sinopse parece daqueles filmes chorosos com final redentor, mas como foi dirigido e escrito por Alexander Payne, que você já conhece de Sideways e As Confissões de Schmidt, pode esperar por comédias dramáticas maduras de humor refinado e inusitado. Os Descendentes ganhou também Melhor Atriz Coadjuvante (a bela jovem Shailene Woodley, que faz a filha mais velha de Clooney) e Melhor Roteiro Adaptado.

Tilda Swinton criando um monstro em “Precisamos Falar Sobre o Kevin”

Para melhor atriz, a inglesa Tilda Swinton levou pelo drama Precisamos Falar Sobre o Kevin, baseado no best-seller de Lionel Schriver. Ela interpreta Eva, uma mãe de um adolescente perturbado de 16 anos que causou uma chacina ao matar colegas de escola. A profundidade de seu papel reside no peso de ser a mãe de um monstro. Em maio, o filme foi indicado à Palma de Ouro em Cannes, onde recebeu críticas positivas e acendeu algumas polêmicas. Com este prêmio, a atriz Tilda Swinton, que já ganhou o Oscar por Conduta de Risco e é mais conhecida por dar vida à Feiticeira Branca nos filmes de As Crônicas de Nárnia, pode (e deve) voltar a ser indicada à estatueta em janeiro.

Outro que tem sido bem cogitado nas premiações é o veterano Christopher Plummer. Aos 81 anos, ele tem a grande chance de ganhar seu primeiro Oscar. Plummer, mais conhecido por ter sido o Capitão Von Trapp no clássico musical A Noviça Rebelde, e mais recentemente a voz do aviador Charles Muntz na animação Up – Altas Aventuras, interpreta Hal Fields, um senhor que, após a morte da esposa, descobre ter câncer terminal e ser homossexual em Toda Forma de Amor. Por se tratar de um longa lançado em 2010, foi lançado neste mês direto nas locadoras.

O drama iraninao “A Separação”

Na categoria de filme estrangeiro, o iraniano A Separação venceu novamente (foi reconhecido pelo NYFCC). Pelo trailer, é possível perceber que se trata de uma crise conjugal, contudo, o curioso é que desta vez, a história ganha aspectos globais, ao contrário dos demais filmes iranianos, que preferem ressaltar casos mais regionais ou bem característicos de sua cultura, como em Filhos do Paraíso, no qual a trama gira em torno de um menino que não tem sapatos para disputar uma corrida escolar. Apesar de ainda não saber se isso é um aspecto positivo ou negativo, não podemos negar que esse fato reflete a nossa realidade globalizada. A Separação também ganhou o Urso de Ouro de Melhor Filme e Urso de Prata para Melhor Ator e Atriz no último Festival de Berlim.

Ainda sobre filmes estrangeiros, o maior sucesso brasileiro de 2011, Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro, consta entre os 5 eleitos do top 5. Mesmo que esteja fora da disputa pelo Globo de Ouro por divergências de regulamento (o filme estreou no Brasil em outubro de 2010, mas teria que ter estreado a partir de novembro), ainda acredito que o filme pode conseguir uma das cinco cobiçadas vagas na categoria do Oscar, fato que não ocorre desde 1999, quando Central do Brasil perdeu para o italiano A Vida É Bela.

Dos principais prêmios, apenas Toda Forma de Amor e a animação Rango pousaram aqui no Brasil, portanto ainda temos que aguardar os lançamentos que devem pipocar entre janeiro e fevereiro. E, dos demais prêmios concedidos, pelo que li até o momento, as atrizes Felicity Jones e Rooney Mara são nomes bem fortes para a temporada. Também vale lembrar o ator Michael Fassbender (pelo drama Shame), que vem conquistando fãs desde seu papel em Hunger e agora pelo sucesso de X-Men: A Primeira Classe, em que vive Magneto.

Segue a lista de vencedores do NBR 2011:

Best Actor
George Clooney, Os Descendentes

Best Actress
Tilda Swinton, Precisamos Falar Sobre o Kevin

Best Adapted Screenplay
Alexander Payne and Nat Faxon & Jim Rash , Os Descendentes

Rango, que incrivelmente não é da Pixar

Best Animated Feature
Rango, de Gore Verbinski

Best Director
Martin Scorsese, A Invenção de Hugo  Cabret

Best Documentary
Paradise Lost 3: Purgatory

Best Ensemble
Histórias Cruzadas (The Help )

Best Film
A Invenção de Hugo  Cabret (Hugo)

Best Foreign Language Film
A Separação – IRÃ

Best Original Screenplay
Will Reiser, 50/50

Best Supporting Actor
Christopher Plummer, Toda Forma de Amor

Best Supporting Actress
Shailene Woodley, Os Descendentes

Breakthrough Performance
Felicity Jones, Like Crazy

Rooney Mara como a hacker Lisbeth Salander

Breakthrough Performance
Rooney Mara, Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Debut Director
J.C. Chandor, Margin Call – O Dia Antes do Fim

NBR Freedom of Expression
Crime After Crime

NBR Freedom of Expression
Pariah

Special Achievement in Filmmaking
The Harry Potter Franchise – A Distinguished Translation from Book to Film

Spotlight Award
Michael Fassbender (A Dangerous Method, Jane Eyre, Shame, X-Men: A Primeira Classe)

Top 10 Independent Films
(em ordem alfabética) 50/50, Another Earth, Toda Forma de Amor, A Better Life, Cedar Rapids, Margin Call – O Dia Antes do Fim, Shame, Take Shelter, Precisamos Falar Sobre o Kevin, Win Win

Top 5 Documentaries
(em ordem alfabética) Born to be Wild, Buck, George Harrison: Living in the Material World, Project Nim, Senna

Top 5 Foreign Language Films
(em ordem alfabética) 13 Assassins, Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro, Footnote, Le Havre, Point Blank

Top Films
(em ordem alfabética) The Artist, The Descendants, Drive, The Girl with the Dragon Tattoo, Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2, The Ides of March, J. Edgar, A [Arvore da Vida, Cavalo de Guerra

Acompanhe alguns dos filmes premiados através dos trailers. Seguem links para dar uma mãozinha:

A Invenção de Hugo Cabret (Hugo) http://www.imdb.com/video/imdb/vi2781978137/

Os Descendentes (The Descendants) http://www.foxsearchlight.com/thedescendants/

Precisamos Falar Sobre Kevin (We Need to Talk About Kevin) http://www.imdb.com/video/imdb/vi566533657/

Toda Forma de Amor (The Beginners) http://focusfeatures.com/beginners/videos

Histórias Cruzadas (The Help) http://thehelpmovie.com/us/#s=videos&v=1

A Separação (Jodaeiye Nader az Simin) http://www.imdb.com/video/imdb/vi2726140953/

Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl With the Dragon Tatto) http://www.dragontattoo.net/site/

Like Crazy http://www.likecrazy.com/#/videos

50/50 http://www.50-50movie.com