James Bond e Danny Boyle nos jogos Olímpicos de Londres 2012

Logo das Olimpíadas de Londres 2012

A cerimônia de abertura dos jogos olímpicos de Londres encantou platéias pelo mundo nessa última sexta-feira, dia 27 de julho. O que muitos não sabem é que para dirigir esse espetáculo internacional, convocaram o diretor britânico Danny Boyle. Quem diria que o diretor dos cults violentos Cova Rasa (1994) e Trainspotting – Sem Limites (1996) iria assumir tamanha responsabilidade e representar seu país? É claro que o sucesso de superação de Quem Quer Ser um Milionário? (2008) e o Oscar deram uma “forcinha” na campanha pró-Danny Boyle.

Felizmente, o cineasta consagrado não decepcionou. Ele fez uma “breve” síntese da história da cultura britânica em quase 4 horinhas. “Há muita história no nosso país. Estamos apresentando como a nossa história afetou o mundo para o bem e o para o mal. Nós temos que aprender o nosso novo lugar no mundo”, explicou o diretor do show.

Danny Boyle numa entrevista coletiva sobre Londres 2012

Nesse espetáculo impactante, Danny Boyle procurou agradar a gregos e troianos, pós-modernos e xiitas, ao oferecer alguns minutinhos para cada peça importante na construção do país. Inseriu a História através dos maquinários da Revolução Industrial tomando o cenário inicial pastoril, com trechos do texto clássico de A Tempestade, de William Shakespeare. Além disso, homenageou o NHS (Sistema Nacional de Saúde) com incontáveis leitos e enfermeiras espalhados pelo campo.

Para os fãs da boa música, o playlist contava com ilustres nomes como os Beatles, Oasis, The Clash e Sex Pistols, encerrando com chave de ouro: Sir Paul McCartney, que cantou alguns sucessos como Hey Jude.

Já para os cinéfilos, mais de dez mil voluntários do evento representaram alguns personagens através de alegorias, como o vilão Valdemort (da série Harry Potter) e Mary Poppins (o musical com Julie Andrews). Claro que não poderia faltar a famosa e clássica trilha musical de Vangelis do filme Carruagens de Fogo (1981), que contou com a participação do personagem cômico Mr. Bean, tocando piano de forma debochada.

Espetáculo cinematográfico: Valdemort e Mary Poppins

Mas nada se compara à entrada triunfal da Rainha Elizabeth II. Danny Boyle preparou um curta-metragem ficcional filmado com exclusividade no Palácio estrelado pela própria rainha sendo escoltada por ninguém menos que James Bond, o agente secreto do MI6, vivido pelo ator Daniel Craig (foto abaixo). A majestade e o agente seguem para o helicóptero, de onde saltam para o estádio.

James Bond escoltando a Rainha Elizabeth II até a cerimônia de abertura

A Rainha (ou melhor, sua dublê) salta com o pára-quedas utilizado por James Bond em 007 – O Espião que Me Amava (1971).

Se esta foi uma participação estratégica da MGM, sinceramente não sei, mas certamente a presença da figura de Bond nas Olimpíadas abre campo para seu retorno aos filmes em 007 – Operação Skyfall, com previsão de estréia para novembro deste ano. Curiosamente, o longa dirigido por Sam Mendes teve forte cogitação do próprio Danny Boyle para a cadeira de diretor.

Para alguns especialistas que comentaram a cerimônia de abertura de Londres, Danny Boyle soube trazer a tradição britânica para o século XXI. Nessa celebração de uma nação, reuniu elementos contemporâneos com arcaicos, produzindo uma onda de orgulho que tomou os espectadores. Quando o diretor de Cerimônias para os Jogos de Londres, Bill Morris, escolheu Danny Boyle, justificou com elogios: “Sua habilidade como contador de histórias, como criador de espetáculos, sua experiência em teatro e filme e a paixão que ele tem por esta cidade e este projeto – isso tudo nos chamou a atenção”. Estima-se que um bilhão de pessoas ao redor do mundo conferiu o trabalho bem orquestrado de Boyle, que lhe garante outro patamar profissional.

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