APOSTAS PARA O OSCAR 2019: O ANO DA DIVERSIDADE

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ACADEMIA TEM ANO ATÍPICO QUE COLOCA EM XEQUE SUA CREDIBILIDADE. SERÁ QUE OS RESULTADOS AJUDAM A RESGATAR?

PERRENGUES DA ACADEMIA

Vamos encarar o fato. A Academia está em crise, ou melhor, em transformação. Diante da abertura para vários novos membros que a presidente anterior Cheryl Boone Isaacs trouxe, o atual John Bailey não soube dar a continuidade de seu trabalho. Além de suas propostas não terem sido bem aceitas, ele não teve pulso firme em nenhuma decisão, voltando atrás em todas elas. Pelo menos, a volta foi benéfica para todos.

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O Presidente da Academia John Bailey (pic Los Angeles Times)

OSCAR DE MELHOR FILME POPULAR?

O que é um filme popular? Qual o parâmetro ou critério para qualificar um filme de popular? É o que todos se questionaram quando a Academia decidiu que iria lançar uma nova categoria. Seriam as bilheterias ou a temática dos filmes? Ou ambos?

Nosso melhor palpite para tamanha aberração seria uma forte pressão por parte da Disney para que o estúdio pudesse ganhar prêmios mais importantes, e não apenas os técnicos. Primeiro: a Academia jamais deveria se curvar diante de interesses próprios de estúdio algum. E segundo: Não é criando uma nova categoria que as coisas se resolvem magicamente.

Os profissionais de cinema ficaram meio divididos, mas a maioria foi contra essa decisão. Assim, a Academia resolveu suspender, pelo menos até o próximo ano o tal Oscar de Filme Popular. De qualquer forma, os candidatos a filmes populares estão entre os indicados a Melhor Filme este ano: Pantera Negra, Nasce uma Estrela e Bohemian Rhapsody, todos sucesso de público. Só faltaram Vingadores: Guerra Infinita e Podres de Ricos.

OSCAR SEM HOST

Há 30 anos o Oscar sempre elegeu um ou dois hosts para a cerimônia de premiação, sejam eles experientes como Billy Crystal ou Ellen DeGeneres, ou sejam apostas terríveis como o casal James Franco e Anne Hathaway. Se a maioria reclama dos hosts do Oscar é porque certamente não viu o último ano sem host de cerimônia. Resolveram colocar um número musical estranhíssimo estrelado pelo ator Rob Lowe e uma atriz desconhecida trajada de Branca de Neve (que a Disney afirma não ter autorizado e que abomina este evento até hoje).

Com atraso, decidiram chamar o ator e comediante Kevin Hart, mas mal sabiam que ele tinha um histórico de tweets homofóbicos. Dois dias depois, a Academia o pressionou para pedir desculpas publicamente, caso contrário, ele não assumiria o cargo. Cansado das ofensas que gerou esse resgate no Twitter, Hart decidiu recusar a proposta e pediu demissão-relâmpago. Aí fica a pergunta: Por que não analisaram o histórico do candidato antes de anunciar?

Kevin Hart Oscars

Kevin Hart foi host do Oscar 2019 por quase 2 dias! 

Com receio de serem crucificados como Kevin Hart, ninguém queria tomar seu lugar, afinal, quem tem um histórico que seja 0% sem polêmica alguma hoje em dia?  Ninguém quer ter a vida vasculhada em busca de polêmicas, ainda mais nos dias de #MeToo. Com isso, a Academia resolveu regredir e cancelou apresentação de um host ou hostess. Não haveria monólogo de abertura. Mas então, o que vai abrir o Oscar 2019? Até agora, esse é o nosso maior receio. Tudo pode desmoronar antes mesmo da abertura do primeiro envelope! Medo…

FAVORITISMO EM CANÇÃO ORIGINAL

Com o intuito de reduzir a duração do evento televisivo, começaram a rodar boatos de que apenas duas das cinco canções indicadas seriam apresentadas ao vivo: “Shallow” e “All the Stars”, que coincidentemente são dos famosos Lady Gaga e Kendrick Lamar. Curioso, não? Isso acabou gerando protestos e o boato sequer saiu do papel. Essa pré-seleção injusta já havia acontecido em duas oportunidades anteriores, quando Adele levou o Oscar por “Skyfall” e Sam Smith levou por “Writings on the Wall”. Ficou ridículo mostrar um breve clipe das canções não apresentadas ao vivo.

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Lady Gaga quando se apresentou com a canção “Til it Happens to You” do documentário The Hunting Ground

4 CATEGORIAS NO PORÃO

Ainda com o objetivo de reduzir a duração da cerimônia para até 3 horas, o presidente da Academia alegou que combinara com os departamentos respectivos que os Oscars de Fotografia, Montagem, Maquiagem e Curta-Metragem seriam apresentados durante o intervalo, e os discursos editados para serem apresentados em seguida. Pra quê?

Todos os profissionais afetados pela decisão botaram a boca no trombone como Alfonso Cuarón e Caleb Deschanel, que concorrem por Fotografia. Eles alegaram que seu ofício é essencial para o cinema. Sim, realmente é essencial, mas outros departamentos também são como Montagem e Maquiagem. Afinal, Cinema é uma Arte colaborativa, não?

Já pensou o Oscar de Fotografia apresentado nos bastidores desde o ano passado? Roger Deakins finalmente receberia seu Oscar depois de 14 indicações no porão do Dolby Theater? Seria trágico.

Roger Deakins Oscar

Roger Deakins recebe seu Oscar de Fotografia por Blade Runner 2049

Diante de tantos protestos, a Academia enfiou o rabo entre as pernas e voltou atrás. Todas as 24 categorias serão apresentadas ao vivo. Porém, eles ressaltaram que cada vencedor terá 90 segundos do momento que se levantar até o término do discurso. Querem apostar que vários vão ultrapassar esse tempo? Vão conceder 3 minutos para Rami Malek e 80 segundos para o maquiador de Vice. Com certeza, vai ter gente reclamando no discurso. Pode escrever aí!

91ª EDIÇÃO: O QUE PODE ACONTECER

O primeiro Oscar para um diretor negro. Curiosamente, o primeiro diretor negro que a Academia considerou uma indicação foi justamente Spike Lee em 1989, mas ele acabou sendo indicado apenas para Roteiro Original pelo marcante Faça a Coisa Certa. Caso Spike Lee ganhe, seria uma feliz e justa coincidência.

As categorias de Direção de Arte e Figurino também podem ter os primeiros profissionais negros premiados por causa de Pantera Negra, especialmente Ruth E. Carter pelos figurinos afro do filme da Marvel. E falando em Pantera Negra, este pode se tornar o primeiro filme de super-heróis ganhando o Oscar de Melhor Filme.

Yalitza Aparicio, uma professora numa cidadezinha do México, pode se tornar a primeira descendente de índios a ganhar um Oscar, por Roma. Depois de sofrer ofensas por não ter a beleza desejada pelos mexicanos, a atriz pode ter ganhado um gás na campanha, mas é pouco provável que ela surpreenda.

E falando em Roma, a produção que já foi a primeira da Netflix a ser indicada a Melhor Filme, pode se tornar a primeira a vencer o Oscar. Seria uma vitória e tanto para a plataforma de streaming, que busca atrair novos projetos com profissionais em alta de Hollywood, e faria frente a qualquer grande estúdio. Contudo, é preciso repensarem as exibições da Netflix em salas de cinema, afinal, Roma merece ser visto numa tela grande e com boas caixas de som.

Roma 2

Roma pode ser a primeira produção da Netflix a ganhar o Oscar de Melhor Filme

As indicações e as possibilidades denotam uma maior diversidade na Academia. Claro que ainda falta muito para que a adesão de novos membros de outras etnias e outras nacionalidades surta o resultado esperado nas votações, mas certamente estamos diante de mudanças. Mesmo que Roma não leve Melhor Filme, só o fato de vê-lo como favorito significa uma maior abertura para filmes de língua estrangeira na Academia. E o Oscar só tem a ganhar com isso.

MELHOR FILME

  • BOHEMIAN RHAPSODY (Bohemian Rhapsody)
  • A FAVORITA (The Favourite)
  • GREEN BOOK: O GUIA (Green Book)
  • INFILTRADO NA KLAN (BlackKklansman)
  • NASCE UMA ESTRELA (Nasce uma Estrela)
  • PANTERA NEGRA (Black Panther)
  • ROMA (Roma)
  • VICE (Vice)

DEVE GANHAR: Green Book: O Guia
DEVERIA GANHAR: Roma
SE ROLAR, É ZEBRA: Vice

NÃO RECEBEU O CONVITE: Oitava Série (Eighth Grade)

Apesar dos esforços de Roma, o ano de 2018 foi um ano abaixo da média em relação a qualidade dos filmes, tanto que qualquer um dos oito filmes poderia levar o Oscar. Alguns são considerados ruins por vários cinéfilos como Vice, Bohemian Rhapsody e Green Book. Segundo eles, esses filmes jamais poderiam ser indicados a Melhor Filme.

Nenhum dos oito indicados pertence ao cinema independente (se pensarmos que Netflix não é produção independente). Filmes menores mas com coração como Oitava Série e No Coração da Escuridão ficaram faltando na disputa.

Sobre a disputa em si, o favorito permanece Roma, mesmo se tratando de um filme falado em espanhol, preto-e-branco e da Netflix. Aliás, será o primeira da plataforma de streaming a ganhar o Oscar de Melhor Filme caso vença. Como os votantes da Academia estão encarando essa ascensão da Netflix? Devem privilegiar os estúdios ou a maior abundância de empregos gerados pelo streaming? Para nós do blog, esse preconceito deve cair para que o cinema abrace uma nova era, e não corra o risco de ficar ultrapassado.

MELHOR DIREÇÃO

  • Alfonso Cuarón (Roma)
  • Yorgos Lanthimos (A Favorita)
  • Spike Lee (Infiltrado na Klan)
  • Adam McKay (Vice)
  • Pawel Pawlikowski (Guerra Fria)

DEVE GANHAR: Alfonso Cuarón (Roma)
DEVERIA GANHAR: Alfonso Cuarón (Roma)
SE ROLAR, É ZEBRA: Adam McKay (Vice)

NÃO RECEBEU O CONVITE: Chang-dong Lee (Em Chamas)

Alfonso Cuarón Roma

Alfonso Cuarón em set de Roma

Alfonso Cuarón levou o DGA de Melhor Diretor. E isso já resulta em suas melhores chances, pois a estatística de acerto é de 95%. Seria o segundo Oscar de Direção para Cuarón, e o quinto dos seis últimos Oscars de Direção para um mexicano!

Ainda assim, nos 5%, Spike Lee pode surpreender o favoritismo do concorrente e ainda entrar para a história como o primeiro diretor negro a vencer nesta categoria.

Quando digo que este ano os melhores diretores foram de filmes em língua estrangeira é a mais pura verdade. Além de Alfonso Cuarón, destacamos o sul-coreano Chang-dong Lee por Em Chamas. Se você gosta de finais previsíveis, esquecíveis e com tudo devidamente respondido, passe longe deste filme.

MELHOR ATRIZ

  • Yalitza Aparicio (Roma)
  • Glenn Close (A Esposa)
  • Olivia Colman (A Favorita)
  • Lady Gaga (Nasce uma Estrela)
  • Melissa McCarthy (Poderia Me Perdoar?)

DEVE GANHAR: Glenn Close (A Esposa)
DEVERIA GANHAR: Olivia Colman (A Favorita)
SE ROLAR, É ZEBRA: Yalitza Aparicio (Roma)

NÃO RECEBEU O CONVITE: Toni Collette (Hereditário), Helena Howard (A Madeline de Madeline), Elsie Fisher (Oitava Série)

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Glenn Close em A Esposa

Em sua sétima indicação sem vitória e muito querida pelos seus colegas de profissão, Glenn Close tem a melhor chance da carreira de finalmente levar seu Oscar para casa. Embora tenha empatado no Critics’ Choice com Lady Gaga, Close venceu o Globo de Ouro de Atriz – Drama, e o SAG Award.

Olivia Colman, que venceu o BAFTA há duas semanas, pode ser a surpresa aqui. Porém, diante de tanto amor por Glenn Close, ela pode se sentir embaraçada caso venha a vencer logo em sua primeira indicação.

MELHOR ATOR

  • Christian Bale (Vice)
  • Bradley Cooper (Nasce uma Estrela)
  • Willem Dafoe (No Portal da Eternidade)
  • Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
  • Viggo Mortensen (Green Book: O Guia)

DEVE GANHAR: Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
DEVERIA GANHAR: Christian Bale (Vice)
SE ROLAR, É ZEBRA: Willem Dafoe (No Portal da Eternidade)

NÃO RECEBEU O CONVITE: Ethan Hawke (No Coração da Escuridão)

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Rami Malek em Bohemian Rhapsody

A performance de Christian Bale tem todos os elementos necessários para ganhar um Oscar: interpreta uma figura real, engordou para o papel, usou próteses de maquiagem para se transformar e tem prestígio da Academia. Porém, o que pesa contra sua campanha é justamente a figura que ele interpreta: Dick Cheney, um político extremamente odiado pelos democratas (que são maioria em Hollywood). E o filme Vice não consegue mostrar o outro lado do político.

Se falta carisma e amor por Cheney, sobra para Freddie Mercury de Rami Malek. O ator também tem se empenhado bastante em sua campanha, comparecendo a todos os eventos, falando mal do diretor Bryan Singer que abusou de menores e foi expulso da produção, e dos cinco indicados é o único com página oficial no facebook. Rami Malek quer levar o Oscar e ele vai conseguir.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

  • Amy Adams (Vice)
  • Regina King (Se a Rua Beale Falasse)
  • Emma Stone (A Favorita)
  • Marina de Tavira (Roma)
  • Rachel Weisz (A Favorita)

DEVE GANHAR: Regina King (Se a Rua Beale Falasse)
DEVERIA GANHAR: Emma Stone (A Favorita)
SE ROLAR, É ZEBRA: Marina de Tavira (Roma)

NÃO RECEBEU O CONVITE: Thomasin McKenzie (Sem Rastros)

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Regina King em Se a Rua Beale Falasse

De todas as categorias de atuação, Atriz Coadjuvante parece ser a única incoerente na temporada. Regina King, considerada a favorita, levou o Globo de Ouro, mas sequer foi indicada ao SAG e ao BAFTA! Como pode isso? Quando fui ver o filme Se a Rua Beale Falasse, foi possível entender tamanha divisão de votos. O papel de King é limitado e quase raso na trama.

Tem também a dobradinha entre Emma Stone e Rachel Weisz pelo mesmo filme A Favorita. Divisão de votos? Talvez. Mas Weisz levou o BAFTA pra casa. Também vale ressaltar que Marina de Tavira foi a maior surpresa das indicações ao Oscar, e se ganhar, pode ser a primeira a vencer sem indicação em Globo de Ouro, BAFTA e SAG desde Marcia Gay Harden por Pollock.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

  • Mahershala Ali (Green Book: O Guia)
  • Adam Driver (Infiltrado na Klan)
  • Sam Elliott (Nasce uma Estrela)
  • Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?)
  • Sam Rockwell (Vice)

DEVE GANHAR: Mahershala Ali (Green Book: O Guia)
DEVERIA GANHAR: Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?)
SE ROLAR, É ZEBRA: Sam Rockwell (Vice)

NÃO RECEBEU O CONVITE: Steven Yeun (Em Chamas)

Mahershala Ali Green Book

Mahershala Ali em Green Book: O Guia

Apesar de ter levado seu primeiro Oscar há dois anos por Moonlight, a campanha do ator Mahershala Ali não parece ter sofrido nenhum revés. Nenhum de seus concorrentes foi unanimidade na temporada, e ele pode se tornar o único Oscar para Green Book: O Guia.

Se ocorrer algum imprevisto, este pode se chamar Richard E. Grant. Para quem acompanha as redes sociais, sabe que ele está se empenhando bastante na campanha, buscando votos e apoio entre colegas. Embora tenha deslanchado apenas agora com Poderia me Perdoar?, o ator já é um veterano na profissão.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

  • Roma, Alfonso Cuarón
  • A Favorita, Deborah Davis, Tony McNamara
  • No Coração da Escuridão, Paul Schrader
  • Vice, Adam McKay
  • Green Book: O Guia, Brian Hayes Currie, Peter Farrelly, Nick Vallelonga

DEVE GANHAR: Green Book: O Guia
DEVERIA GANHAR: No Coração da Escuridão
SE ROLAR, É ZEBRA: Vice

NÃO RECEBEU O CONVITE: Bo Burnham (Oitava Série)

Honestamente, não entendi a indicação de Roteiro Original para Roma. O filme de Cuarón prima pelo aspecto técnico de fotografia e direção, mas seu roteiro não apresenta lá grande originalidade. Em seu lugar, poderiam ter indicado o jovem Bo Burnham por Oitava Série, considerado um dos melhores sobre a juventude de hoje. Claro que se fôssemos levar em conta a qualidade do roteiro, o de Adam McKay em Vice também não se garantiria nesta categoria…

Repleto de polêmicas externas como o apoio preconceituoso do roteirista Nick Vallelonga a Donald Trump contra muçulmanos e os nudes que o diretor Peter Farrelly mandou para Cameron Diaz na época de Quem Vai Ficar com Mary?, o roteiro Green Book ainda tem ótimas chances de vencer. Porém, A Favorita ficaria sem nenhum prêmio importante…

Se Paul Schrader for anunciado como vencedor, será um dos melhores da cerimônia. Roteirista de clássicos de Martin Scorsese como Taxi Driver e Touro Indomável, Schrader nunca foi indicado anteriormente. Caso vença, a Academia estaria fazendo justiça aos trabalhos anteriores, mas também reconhecendo um grande e maduro roteiro em No Coração da Escuridão.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

  • A Balada de Buster Scruggs, Joel Coen e Ethan Coen
  • Infiltrado na Klan, Charlie Wachtel, David Rabinowitz, Kevin Willmott e Spike Lee
  • Se a Rua Beale Falasse, Barry Jenkins
  • Poderia Me Perdoar?, Nicole Holofcener e Jeff Whitty
  • Nasce uma Estrela, Eric Roth, Bradley Cooper e Will Fetters

DEVE GANHAR: Infiltrado na Klan
DEVERIA GANHAR: Poderia Me Perdoar?
SE ROLAR, É ZEBRA: A Balada de Buster Scruggs

NÃO RECEBEU O CONVITE: Jungmi Oh e Chang-dong Lee (Em Chamas)

Esta categoria representa a melhor chance de Spike Lee para ganhar seu primeiro Oscar (competitivo, já que venceu o Oscar Honorário há pouco tempo). Ele terá que bater fortes concorrentes como Poderia Me Perdoar? e Nasce uma Estrela, mas ainda assim pode ser considerado o favorito nesta reta final.

O roteiro de Poderia Me Perdoar?, que levou o WGA semana passada, é o melhor aqui. Tem uma ótima trama, apresenta personagens consistentes e diálogos hilários, além de explorar as dificuldades de um artista em decadência.

A melhor adaptação de Haruki Murakami não foi lembrada aqui injustamente, mas fazemos questão de destacá-la aqui. Em Chamas tem um roteiro fabuloso, repleto de dúvidas e incertezas que o fará se questionar por semanas.

MELHOR FOTOGRAFIA

  • Roma, Alfonso Cuarón
  • Nasce uma Estrela, Matthew Libatique
  • A Favorita, Robbie Ryan
  • Nunca Deixe de Lembrar, Caleb Deschanel
  • Guerra Fria, Łukasz ŻAl

DEVE GANHAR: Roma
DEVERIA GANHAR: Roma
SE ROLAR, É ZEBRA: Nasce uma Estrela

NÃO RECEBEU O CONVITE: Benoît Delhomme (No Portal da Eternidade)

Duas fotografias preto-e-branco belíssimas que certamente merecem o Oscar. Mas para qual? Em termos de qualidade de fotografia, Guerra Fria parece ter a melhor, porém a de Cuarón tem os melhores movimentos de câmera. Suas cenas são devidamente coreografadas, explorando com poucos a rotina simples da personagem.

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Fotografia de Alfonso Cuarón em Roma

MELHOR MONTAGEM

  • A Favorita, Yorgos Mavropsaridis
  • Green Book: O Guia, Patrick J. Don Vito
  • Vice, Hank Corwin
  • Bohemian Rhapsody, John Ottman
  • Infiltrado na Klan, Barry Alexander Brown

DEVE GANHAR: Bohemian Rhapsody
DEVERIA GANHAR: A Favorita
SE ROLAR, É ZEBRA: Infiltrado na Klan

NÃO RECEBEU O CONVITE: Tom Cross (O Primeiro Homem)

Apesar dos protestos da ordem cronológica dos shows do Queen estarem incorretas, a montagem de John Ottman fez a maioria esquecer disso e se deliciar com as apresentações em Bohemian Rhapsody. E ele fez seu trabalho basicamente sem a presença física do diretor Bryan Singer, que foi demitido a duas semanas do término das filmagens.

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

  • A Favorita, Fiona Crombie e Alice Felton
  • O Retorno de Mary Poppins, John Myhre e Gordon Sim
  • O Primeiro Homem, Nathan Crowley e Kathy Lucas
  • Pantera Negra, Hannah Beachler e Jay Hart
  • Roma, Eugenio Caballero e Bárbara Enriquez

DEVE GANHAR: Pantera Negra
DEVERIA GANHAR: Pantera Negra
SE ROLAR, É ZEBRA: O Retorno de Mary Poppins

NÃO RECEBEU O CONVITE: Ilha dos Cachorros

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Palácio de Wakanda em Pantera Negra

Todos sabem que os filmes de época sempre levam vantagem nesta categoria, mas com o forte apelo cultural de Pantera Negra, esse favoritismo pode cair por terra. Só aquele palácio de Wakanda já pode se tornar o motivo principal para uma vitória merecida.

Não fosse o preconceito da Academia, a direção de arte da animação Ilha dos Cachorros deveria estar indicada e possivelmente ganhar aqui. Todos sabem que o diretor Wes Anderson é extremamente perfeccionista e cuidadoso no aspecto do design de produção. Ele recria um Japão inteiro, que vai de cidades até sushis.

MELHOR FIGURINO

  • A Balada de Buster Scruggs, Mary Zophres
  • A Favorita, Sandy Powell
  • Duas Rainhas, Alexandra Byrne
  • Pantera Negra, Ruth E. Carter
  • O Retorno de Mary Poppins, Sandy Powell

DEVE GANHAR: Pantera Negra
DEVERIA GANHAR: Pantera Negra
SE ROLAR, É ZEBRA: A Balada de Buster Scruggs

NÃO RECEBEU O CONVITE: Mary E. Vogt (Podres de Ricos)

Black Panther costume design

Figurinos de Ruth E. Carter para Pantera Negra (pic by IMDb)

Sobre esta categoria, assim como de Direção de Arte, sempre costumo comentar que existe um gosto por parte da Academia muito restrito aos filmes de época, e em segundo caso, dos filmes de fantasia. Assim como nos filmes indicados, os figurinos de Podres de Ricos também são recriações e também têm sua importância para a trama, especialmente as roupas da protagonista Rachel Chu. Então por que não indicar outro sucesso comercial como este?

Apesar de reconhecer o talento nato de Sandy Powell, que teve o “infortúnio” de ser dupla indicada com chances de ser dupla perdedora, os figurinos de Ruth E. Carter (aliás, uma colaboradora de Spike Lee) para Pantera Negra exploram como poucos a cultura africana aliada ao universo dos quadrinhos da Marvel. A terra fictícia de Wakanda não seriam os mesmos sem suas criações.

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO

  • Vice, Greg Cannom, Kate Biscoe, Patricia Dehaney
  • Duas Rainhas, Jenny Shircore, Marc Pilcher, Jessica Brooks
  • Border, Göran Lundström, Pamela Goldammer

DEVE GANHAR: Vice
DEVERIA GANHAR: Vice
SE ROLAR, É ZEBRA: Duas Rainhas

NÃO RECEBEU O CONVITE: Pantera Negra

A transformação mais comentada da temporada foi a de Christian Bale no ex-vice presidente norte-americano Dick Cheney em Vice. Claro que os méritos não são apenas dos maquiadores, pois o ator também engordou bastante para o papel, uma vez que o filme retrata um longo período de tempo da vida do político. Mas como a foto de Bale como Cheney foi veiculada pelo mundo todo, e os demais atores estão parecidos com as figuras reais retratadas, o Oscar deve ir para Vice, o que seria um prêmio de consolação caso perca nas demais sete categorias.

A maquiadora Jenny Shircore, indicada por Duas Rainhas, já venceu o Oscar em 1999, quando realizou a transformação de Cate Blanchett na rainha em Elizabeth. Já a dupla do filmes sueco Border vem fazendo prostéticos em blockbusters americanos como X-Men: Primeira Classe e Fúria de Titãs. A transformação dos dois atores centrais em trolls é digna de nota.

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL

  • Se a Rua Beale Falasse, Nicholas Brittel
  • Pantera Negra, Ludwig Göransson
  • Ilha dos Cachorros, Alexandre Desplat
  • O Retorno de Mary Poppins, Marc Shaiman
  • Infiltrado na Klan, Terence Blanchard

DEVE GANHAR: Se a Rua Beale Falasse
DEVERIA GANHAR: Se a Rua Beale Falasse
SE ROLAR, É ZEBRA: Infiltrado na Klan

NÃO RECEBEU O CONVITE: Justin Hurwitz (O Primeiro Homem)

É muito estranho não contarmos aqui com a bela e importante trilha de Justin Hurwitz em O Primeiro Homem. A música consegue pontuar os momentos-chave do filme biográfico de Neil Armstrong. Chegou a ganhar o Globo de Ouro e o Critics’ Choice, mas no Oscar… nem indicação. Vai entender!

Já dentre os indicados, a trilha de Nicholas Brittel consegue ressaltar as imagens plásticas e de câmera lenta de Barry Jenkins em Se a Rua Beale Falasse. Ele já havia conseguido esse feito lírico no filme anterior do diretor, Moonlight, mas desta vez sua música traz uma alma romântica necessária, já que os atores não conseguiram transparecer esse sentimento na tela.

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

  • “When a Cowboy Trades His Spurs for Wings”, A Balada de Buster Scruggs (escrita por David Rawlings e Gillian Welch)
  • “Shallow”, Nasce uma Estrela (escrita por Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando e Andrew Wyatt)
  • “All the Stars”, Pantera Negra (escrita por Kendrick Lamar, Al Shux, Sounwave e SZA)
  • “The Place Where Lost Things Go”, O Retorno de Mary Poppins (escrita por Marc Shaiman e Scott Wittman)
  • “I’ll Fight”, RBG (escrita por Diane Warren)

DEVE GANHAR: “Shallow” (Nasce uma Estrela)
DEVERIA GANHAR: “Shallow” (Nasce uma Estrela)
SE ROLAR, É ZEBRA: “When a Cowboy Trades His Spurs for Wings” (A Balada de Buster Scruggs)

NÃO RECEBEU O CONVITE: “Girl in the Movies” (Dumplin’)

A Star is Born

Lady Gaga e Bradley Cooper cantam “Shallow” em Nasce uma Estrela (pic by IMDb)

É difícil entender a Academia quando se trata desta categoria. Eles fazem umas escolhas que até hoje é difícil de entender, como ocorreu em 2006, quando resolveram premiar “It’s Hard Out Here for a Pimp” no lugar de “Travellin’ Thru”. E nos últimos anos, estão vindo com essa história de apresentar duas ou três canções, gerando uma injustiça indefensável. Este ano, por pouco, evitam uma nova tragédia. Queriam apresentar Lady Gaga e Kendrick Lamar, e os outros que se explodam. Felizmente, por pressão externa e protestos, o plano não passou de um boato.

De qualquer forma, “Shallow” é a única canção concorrente que tem 100% de garantia de vitória por três motivos: Pelo histórico nas outras premiações, por ser um possível único Oscar para Nasce uma Estrela, e pela importância que a canção tem na trama do filme. Como fã, gostaria que Diane Warren finalmente levasse seu Oscar depois de 10 indicações, mas sua nova canção “I’ll Fight” do documentário RBG não empolgou tanto assim.

MELHOR MIXAGEM DE SOM

  • Nasce uma Estrela
  • Bohemian Rhapsody
  • Roma
  • O Primeiro Homem
  • Pantera Negra

DEVE GANHAR: Bohemian Rhapsody
DEVERIA GANHAR: O Primeiro Homem
SE ROLAR, É ZEBRA: Roma

NÃO RECEBEU O CONVITE: Missão: Impossível – Efeito Fallout

Se reconheceram tantos blockbusters e os chamados “filmes populares” nesta edição do Oscar, por que não finalmente reconhecer o Som da franquia Missão: Impossível? Não se trata de cotas, mas o trabalho de som realmente é impressionante. São tiros, explosões, perseguições e pancadarias com ótima qualidade sonora (para aqueles que viram numa sala IMAX sabem do que estou falando). E seria um ótimo reconhecimento para um dos melhores filmes da franquia e para os esforços descomunais de Tom Cruise, que quase morreu nas filmagens.

Nesta categoria, quando não há filmes de guerra no páreo, os musicais costumam levar vantagem. Foi assim com Dreamgirls, Os Miseráveis e Whiplash. Portanto, não será surpresa se Bohemian Rhapsody levar mais esse Oscar para casa, ainda mais que já ganhou o prêmio do sindicato dos técnicos de som. Não querendo desmerecer as músicas do Queen, o melhor trabalho de som foi de O Primeiro Homem.

MELHORES EFEITOS SONOROS

  • O Primeiro Homem
  • Bohemian Rhapsody
  • Um Lugar Silencioso
  • Pantera Negra
  • Roma

DEVE GANHAR: Um Lugar Silencioso
DEVERIA GANHAR: O Primeiro Homem
SE ROLAR, É ZEBRA: Roma

NÃO RECEBEU O CONVITE: Vingadores: Guerra Infinita

Pra quem não sabe a diferença entre Mixagem de Som e Efeitos Sonoros, os efeitos são aqueles criados em estúdio, normalmente presentes em filmes de ação, ficção científica e, claro, animações. Particularmente, nenhum dos candidatos me impressionou nesse quesito, mas o efeitos sonoros são utilizados com bastante propriedade em Um Lugar Silencioso.

MELHORES EFEITOS VISUAIS

  • Vingadores: Guerra Infinita
  • Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível
  • Jogador Nº 1
  • Solo: Uma História Star Wars
  • O Primeiro Homem

DEVE GANHAR: Vingadores: Guerra Infinita
DEVERIA GANHAR: O Primeiro Homem
SE ROLAR, É ZEBRA: Solo: Uma História Star Wars

NÃO RECEBEU O CONVITE: Pedro Coelho

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Thanos e o efeito motion capture em Vingadores: Guerra Infinita (pic by Marvel)

Se formos pensar em quantidade de efeitos e de diversidade, nossa aposta vai para Vingadores: Guerra Infinita. Sua vitória coroaria a maior bilheteria de 2018 também. Mas se formos pensar em qualidade, os efeitos de O Primeiro Homem estão bem caprichados e quase imperceptíveis, como deveriam ser.

MELHOR DOCUMENTÁRIO

  • RBG
  • Hale County This Morning, This Evening
  • Minding the Gap
  • Free Solo
  • Of Fathers and Sons

DEVE GANHAR: RBG
DEVERIA GANHAR: Free Solo
SE ROLAR, É ZEBRA: Hale County This Morning, This Evening

NÃO RECEBEU O CONVITE: Shirkers

RBG

RBG, sobre a juíza Ruth Bader Ginsburg

A categoria de Documentário também é uma incógnita de vez em quando. Algumas vezes, premiam os favoritos da temporada como Amy e Procurando Sugar Man, às vezes premiam temáticas em filmes mais desconhecidos como Undefeated. Este ano, a zebra já começou dando as caras com a ausência do favorito Won’t You Be My Neighbour?, sobre o apresentador Fred Rogers, que vinha ganhando todos os prêmios.

Com a exclusão deste, o favorito passou a ser Free Solo, o documentário belíssimo da National Geographics e que tem sido o maior sucesso de bilheterias nos EUA. Porém, na última semana, RBG tem ganhado força devido à fama da juíza Ruth Badder Ginsburg, que defende há tempos a igualidade entre homens e mulheres perante a lei. Apesar de ser um documentário mais com cara de televisão, o peso da protagonista e de seu tema pode ser o diferencial no Oscar.

Em relação a Shirkers, disponível no Netflix, trata-se de um ótimo documentário que merecia uma indicação. Ele dialoga com os sonhos de jovens cineastas em Singapura, que foram despedaçados com o sumiço de seu trabalho. Tudo narrado com memórias investigativas e melancólicas.

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA

  • Black Sheep
  • Uma Noite no Madison Square Garden (A Night at the Garden)
  • A Partida Final (End Game)
  • Lifeboat
  • Absorvendo o Tabu (Period. End of Sentence.)

DEVE GANHAR: Black Sheep
DEVERIA GANHAR: Black Sheep
SE ROLAR, É ZEBRA: Lifeboat

MELHOR CURTA-METRAGEM

  • Detainment
  • Fauve
  • Madre
  • Marguerite
  • Skin

DEVE GANHAR: Skin
DEVERIA GANHAR: Fauve
SE ROLAR, É ZEBRA: Detainment

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

  • Comportamento Animal (Animal Behaviour)
  • Bao
  • Fim de Tarde (Late Afternoon)
  • Um Pequeno Passo (One Small Step)
  • Weekends

DEVE GANHAR: Bao
DEVERIA GANHAR: Weekends
SE ROLAR, É ZEBRA: Comportamento Animal

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Os Incríveis (Incredibles 2)
  • Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs)
  • Mirai (Mirai no Mirai)
  • WiFi Ralph: Quebrando a Internet (Ralph Breaks the Internet)
  • Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man Into the Spider-verse)

DEVE GANHAR: Homem-Aranha no Aranhaverso
DEVERIA GANHAR: Mirai
SE ROLAR, É ZEBRA: Mirai

NÃO RECEBEU O CONVITE: O Homem das Cavernas

Spider-Man in Spiderverse

Homem-Aranha no Aranhaverso

Homem-Aranha no Aranhaverso tem sido uma unanimidade na temporada. E se vencer, será o primeiro Oscar da Sony na categoria dominada por Disney e Pixar. Seu aspecto visual é realmente único, e seu humor sarcástico encanta tanto o público infantil quanto o adulto. O único porém seria a trama simples demais: basta plugar um pen drive na máquina que tudo volta ao normal.

A animação de stop motion O Homem das Cavernas pode não ser a melhor do ano, mas se você quer assistir a um bom filme sobre futebol (sim, o nosso futebol, não o americano), não deixe de conferir este novo trabalho de Nick Park, que conta com dublagens fenomenais de Tom Hiddleston e Eddie Redmayne.

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

  • Cafarnaum (Capharnaum)
  • Guerra Fria (Zimna wojna)
  • Roma (Roma)
  • Nunca Deixe de Lembrar (Werk ohne Autor)
  • Assunto de Família (Manbiki Kazoku)

DEVE GANHAR: Roma
DEVERIA GANHAR: Roma
SE ROLAR, É ZEBRA: Cafarnaum

NÃO RECEBEU O CONVITE: Em Chamas (Coréia do Sul)

Roma

Roma

Normalmente, o filme estrangeiro indicado a Melhor Filme e Melhor Filme em Língua Estrangeira leva o último. Foi assim com A Vida é Bela, O Tigre e o Dragão e Amor, dos mais recentes. Portanto, tudo leva a crer que Roma levará o Oscar da categoria… mas e se também levar Melhor Filme? Pela primeira vez, um filme poderá levar os dois Oscars pra casa.

Nesse cenário, as chances dos demais concorrentes aumentam consideravelmente, principalmente para o polonês Guerra Fria, que também disputa Melhor Direção e Fotografia, e em segundo caso, para o alemão Nunca Deixe de Lembrar, que também concorre por Melhor Fotografia.

Pena que o sul-coreano Em Chamas ficou de fora da disputa. Ele chegou a ser pré-selecionado entre nove filmes, mas acabou sendo esnobado na reta final. Seria a primeira indicação ao Oscar do cinema da Coréia do Sul, que já entregou tantas obras-primas do século XXI como Memórias de um Assassino (2003), Oldboy (2003), O Hospedeiro (2006), Poesia (2010), Invasão Zumbi (2016) e A Criada (2016). Em Chamas foi considerado a melhor adaptação do escritor japonês Haruki Murakami para o cinema.

***

A 91ª cerimônia do Oscar acontece a partir das 22h na TNT e… sei lá quando depois do BBB na Globo.

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BOLÃO DO OSCAR 2019!

88th Annual Academy Awards, Arrivals, Los Angeles, America - 28 Feb 2016

Pela primeira vez, o blog e a página do Cinema Oscar e Afins estão promovendo um bolão do Oscar.

Obviamente, ganha aquele ou aquela que acertar o maior número de vencedores das 24 categorias (sim, inclusive os curtas-metragens). Em caso de empate, levará quem postou primeiro as respostas. Ainda não decidimos sobre o brinde, mas deve ser um filme ou talvez livro relacionado a cinema, que enviaremos via Correios.

A cédula de votação está no link abaixo. Basta preencher seus dados e seus votos para quem você acha que vai ganhar a estatueta. Só será aceita uma cédula por usuário e não será possível editar os votos depois do envio, portanto pense com carinho. Por favor, VOTE, CURTA A PÁGINA do FACEBOOK (para receber o prêmio) e COMPARTILHE com seus amigos!

A votação se encerra no próximo dia 24, domingo às 16h. A 91ª cerimônia do Oscar se inicia às 23h (com tapete vermelho às 22h – horário de Brasília) e será transmitida pelo canal TNT e pela Globo (depois do tal BBB), além do canal do Oscar no YouTube.

Boa sorte a todos!

https://goo.gl/forms/be0uG50vV7qtvXF03

#Oscar #Oscar2019 #Bolão #BolãoOscar

‘ROMA’ e ‘A FAVORITA’ LIDERAM as INDICAÇÕES ao OSCAR 2019 com 10 INDICAÇÕES CADA

Roma 2

Cena da praia de Roma, indicado a 10 Oscars.

‘ROMA’ SE TORNA PRIMEIRA PRODUÇÃO NETFLIX INDICADA A MELHOR FILME

Na manhã desta terça, dia 22, os atores Kumail Nanjiani e Tracee Ellis Ross se encarregaram do anúncio das indicações ao Oscar 2019.

Não sei se sou conservador, mas ainda prefiro o antigo modo de anúncio das indicações, com o presidente da Academia acompanhado de algum ator ou atriz, e ao fundo, as imagens dos filmes, atores e diretores indicados. Fica tudo mais ilustrativo e dinâmico. Colocar apenas um painel com os nomes fica muito sem graça… Apesar de gostar dos dois apresentadores, achei as piadinhas meio bobas…

NÚMEROS DA 91ª EDIÇÃO DO OSCAR

Que A Favorita seria recordista de indicações desta edição ninguém duvidava, mas o que poucos previam era que a liderança seria compartilhada com o mexicano Roma, primeira produção Netflix a concorrer para Melhor Filme, e que poderia ter conquistado mais uma indicação por Montagem. Ambos os filmes conquistaram 10 indicações cada, incluindo Filme, Direção e Roteiro.

the favourite oscar

Rachel Weisz e Olivia Colma, ambas indicadas por A Favorita

Empatados em segundo lugar, com oito indicações cada estão Vice e Nasce uma Estrela. A grande diferença entre os dois é que o diretor Bradley Cooper não foi indicado como Melhor Diretor, o que enfraquece bastante suas chances de vitória, uma vez que dificilmente uma produção leva Melhor Filme sem ter seu diretor sequer indicado na categoria respectiva. A ausência de Cooper foi uma das mais notáveis, pois ele vinha recebendo altos elogios pela sua estréia na direção, tendo sido indicado inclusive pelo Sindicato de Diretores (DGA).

Em terceiro lugar, com sete indicações, a surpresa que todos já sabiam que iria acontecer: Pantera Negra. Com a suspensão do tal Oscar de Filme Popular, muitos acreditavam que a produção da Marvel Studios conseguiria uma vaga para Melhor Filme, justificando a repercussão mundial no âmbito cultural e comercial. Trata-se do primeiro filme de super-heróis a conquistar uma indicação a Melhor Filme no Oscar em 91 anos de história da Academia. Curiosamente, tal acontecimento só foi possível graças a outro filme de super-herói de 2008, Batman: O Cavaleiro das Trevas, cuja ausência foi bastante criticada no Oscar, aumentando para dez indicados a Melhor Filme no ano seguinte.

Com seis indicações, Infiltrado na Klan resgata o cineasta Spike Lee, coroando-o com sua primeira indicação de Diretor, assim como de Produtor. Num ano sem um franco-favorito e com alguns filmes sem chance de levar Melhor Filme, este pode se tornar um forte candidato na reta final. Além de ter seu diretor reconhecido, tem roteiro adaptado, montagem e Ator Coadjuvante (Adam Driver).

Bohemian Rhapsody e Green Book: O Guia empataram com cinco indicações cada. Enquanto o primeiro basicamente se apoia na performance de Rami Malek, o segundo se sustenta pela química entre Viggo Mortensen e Mahershala Ali, no roteiro sobre racismo com bom humor e que, recentemente, levou o importante prêmio do Producers Guild of America (PGA), que costuma prever o vencedor do Oscar de Melhor Filme.

SURPRESAS e INJUSTIÇAS

A primeira grande surpresa veio logo na primeira categoria anunciada: a mexicana Marina Tavira indicada como Atriz Coadjuvante por Roma. Ela recebeu elogios, mas nada comparado a uma indicação como esta. As excluídas foram Margot Robbie por Duas Rainhas e Claire Foy por O Primeiro Homem.

roma team

O diretor Alfonso Cuarón com suas atrizes indicadas ao Oscar: Yalitza Aparicio e Marina de Tavira (pic by IMDb)

Yalitza Aparicio, por mais desconhecida que seja também, ainda integrou a lista do Critics’ Choice Awards. Emily Blunt foi a grande esnobada, já que poderia ter concorrido por O Retorno de Mary Poppins como Atriz e por Um Lugar Silencioso como Coadjuvante. Pena que nessa dança de cadeiras, outra excluída foi Toni Collette pela ótima performance em Hereditário

Na ala masculina, a grande ausência foi de Timothée Chalamet por Querido Menino, que deu lugar a Sam Rockwell por Vice. Na categoria de Ator, Willem Dafoe ficou com a última vaga, que poderia ter ido para Ethan Hawke por No Coração da Escuridão, que pelo menos foi lembrado como Roteiro Original escrito por Paul Schrader, que foi responsável pelos roteiros de Taxi Driver e Touro Indomável.

Na categoria de Direção, a ausência praticamente inexplicável foi de Bradley Cooper, que vinha aparecendo em todas as listas de premiação. Ele foi substituído pelo polonês Pawel Pawlikowski por Guerra Fria. Aliás, não me lembro do último ano em que vi dois diretores de filmes estrangeiros na categoria. Pawlikowski concorre com Alfonso Cuarón, que está indicado a Melhor Filme Estrangeiro por Roma. E curiosamente, também temos um diretor grego, Yorgos Lanthimos, mas que concorre por um filme britânico, A Favorita.

Cold War 2

Guerra Fria: Indicado a Diretor, Fotografia e Filme em Língua Estrangeira

Já li algumas matérias reclamando da falta de mulheres na categoria de direção, mas pelo que acompanhamos até aqui na temporada, nenhuma delas se destacou a ponto de ser uma garantia no Oscar. Alguns apontavam Debra Granik por Sem Rastros ou até mesmo Chloé Zhao por Domando o Destino, mas não conquistaram os votantes este ano. Ainda na categoria, temos enfim a primeira indicação de Spike Lee como Diretor e Produtor por Infiltrado na Klan. Antes, ele havia sido indicado apenas pelo roteiro de Faça a Coisa Certa em 1990.

Ainda sobre Filmes Estrangeiros, estava na torcida pela indicação de Em Chamas, da Coréia da Sul, mas como alguns já previam, ele foi substituído pelo alemão Never Look Away. O filme pode até ser bom, pois é do diretor do excelente A Vida dos Outros, que ganhou em 2007, mas filme sobre Segunda Guerra Mundial e nazistas de novo?! Sério mesmo?

Outra surpresa foi a indicação de Caleb Deschanel pela fotografia do filme alemão Never Look Away. Apesar de Deschanel já ter um histórico no Oscar (esta é sua 6ª indicação), a fotografia do filme não vinha chamando atenção em nenhuma premiação anterior, nem do sindicato de Fotógrafos (ASC).

Fiquei triste com a ausência de Oitava Série também. Não acreditava numa indicação para a atriz Elsie Fisher, mas esperava que o roteiro original de Bo Burnham fosse reconhecido… Outro que estava com bom hype, mas ficou completamente de fora foi Podres de Ricos, mas esse já era difícil de acontecer… Outra ausência sentida foi do documentário sobre Fred Rogers, Won’t You Be My Neighbor?, que estava conquistando praticamente todos os prêmios de documentário na temporada.

A indicação de Pantera Negra a Melhor Filme premia o trabalho colossal da Marvel Studios e seu produtor Kevin Feige, que soube aliar comercial, com crítica sócio-racial, transformando a estréia do filme nos cinemas um evento cultural pelo mundo. Essa indicação importante também pode ser interpretada como uma gratidão da Academia pelas excelentes bilheterias que as produções da Marvel renderam nesses últimos dez anos, mantendo toda uma indústria de cinema trabalhando e gerando receitas.

Black Panther

Pantera Negra se torna o primeiro filme de super-heróis a chegar lá: Oscar de Melhor Filme

Além da fantástica campanha de 10 indicações para Roma, a Netflix conseguiu mais três indicações com outra produção sua: The Ballad of Buster Scruggs, dos irmãos Joel e Ethan Coen. Apesar de não ter conquistado uma vaga como Melhor Filme, foi reconhecido na categoria de Roteiro Adaptado (dos próprios Coen), Figurino e uma surpreendente indicação para Canção Original por “When a Cowboy Trades His Spurs for Wings”, que não estava em nenhuma lista anterior.

Na categoria de Maquiagem e Cabelo, acreditava que Pantera Negra e Suspiria competiriam o Oscar com Vice, seus trabalhos foram esnobados em prol de Duas Rainhas e do filme sueco Border, que curiosamente, era o filme selecionado pela comissão da Suécia para concorrer ao Oscar de Filme em Língua Estrangeira, mas não conseguiu sequer passar da pré-lista de 9 filmes.

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Cena do filme sueco Border, que foi indicado a Melhor Maquiagem e Cabelo (pic by IMDb)

Ainda sobre ausências, embora O Primeiro Homem tenha recebido quatro indicações técnicas de Direção de Arte, Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais, continuou sua decadência na temporada. Nem o diretor Damien Chazelle, nem sua atriz Claire Foy conseguiram indicações, contudo, por se tratar de um filme tecnicamente impecável, a fotografia de Linus Sandgren poderia ter sido lembrada, assim como a bela trilha de Justin Hurwitz, que levou o Globo de Ouro no início de janeiro.

FILME
Roma (Roma)
Nasce uma Estrela (A Star is Born)
Green Book: O Guia (Green Book)
Pantera Negra (Black Panther)
Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman)
A Favorita (The Favourite)
Bohemian Rhapsody (Bohemian Rhapsody)
Vice (Vice)

DIREÇÃO
* Alfonso Cuarón (Roma)
* Spike Lee (Infiltrado na Klan)
* Pawel Pawlikowski (Guerra Fria)
* Adam McKay (Vice)
* Yorgos Lanthimos (A Favorita)

ATOR
* Christian Bale (Vice)
* Bradley Cooper (Nasce uma Estrela)
* Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
* Viggo Mortensen (Green Book: O Guia)
* Willem Dafoe (No Portal da Eternidade)

ATRIZ
* Yalitza Aparicio (Roma)
* Glenn Close (A Esposa)
* Olivia Colman (A Favorita)
* Lady Gaga (Nasce uma Estrela)
* Melissa McCarthy (Poderia Me Perdoar?)

ATOR COADJUVANTE
* Mahershala Ali (Green Book: O Guia)
* Adam Driver (Infiltrado na Klan)
* Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?)
* Sam Elliott (Nasce uma Estrela)
* Sam Rockwell (Vice)

ATRIZ COADJUVANTE
* Amy Adams (Vice)
* Regina King (Se a Rua Beale Falasse)
* Emma Stone (A Favorita)
* Marina de Tavira (Roma)
* Rachel Weisz (A Favorita)

ROTEIRO ORIGINAL
Roma, Alfonso Cuarón
A Favorita, Deborah Davis, Tony McNamara
* No Coração da Escuridão, Paul Schrader
Vice, Adam McKay
Green Book: O Guia, Brian Hayes Currie, Peter Farrelly, Nick Vallelonga

ROTEIRO ADAPTADO
* A Balada de Buster Scruggs, Joel Coen e Ethan Coen
Infiltrado na Klan, Charlie Wachtel, David Rabinowitz, Kevin Willmott e Spike Lee
Se a Rua Beale Falasse, Barry Jenkins
Poderia Me Perdoar?, Nicole Holofcener e Jeff Whitty
Nasce uma Estrela, Eric Roth, Bradley Cooper e Will Fetters

FOTOGRAFIA
Roma, Alfonso Cuarón
Nasce uma Estrela, Matthew Libatique
A Favorita, Robbie Ryan
* Nunca Deixe de Lembrar, Caleb Deschanel
Guerra Fria, Łukasz ŻAl

MONTAGEM
* A Favorita, Yorgos Mavropsaridis
Green Book: O Guia, Patrick J. Don Vito
Vice, Hank Corwin
Bohemian Rhapsody, John Ottman
Infiltrado na Klan, Barry Alexander Brown

DESENHO DE PRODUÇÃO
A Favorita, Fiona Crombie e Alice Felton
O Retorno de Mary Poppins, John Myhre e Gordon Sim
O Primeiro Homem, Nathan Crowley e Kathy Lucas
Pantera Negra, Hannah Beachler e Jay Hart
Roma, Eugenio Caballero e Bárbara Enriquez

FIGURINOS
* A Balada de Buster Scruggs, Mary Zophres
A Favorita, Sandy Powell
Duas Rainhas, Alexandra Byrne
Pantera Negra, Ruth E. Carter
O Retorno de Mary Poppins, Sandy Powell

MAQUIAGEM
Vice
Duas Rainhas
Border

TRILHA MUSICAL ORIGINAL
Se a Rua Beale Falasse, Nicholas Brittel
* Pantera Negra, Ludwig Göransson
Ilha dos Cachorros, Alexandre Desplat
O Retorno de Mary Poppins, Marc Shaiman
Infiltrado na Klan, Terence Blanchard

CANÇÃO ORIGINAL
* “When a Cowboy Trades His Spurs for Wings”, The Ballad of Buster Scruggs (escrita por David Rawlings e Gillian Welch)
* “Shallow”, Nasce uma Estrela (escrita por Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando e Andrew Wyatt)
* “All the Stars”, Pantera Negra (escrita por Kendrick Lamar, Al Shux, Sounwave e SZA)
* “The Place Where Lost Things Go”, O Retorno de Mary Poppins (escrita por Marc Shaiman e Scott Wittman)
* “I’ll Fight”, RBG (escrita por Diane Warren)

MIXAGEM DE SOM
Nasce uma Estrela
Bohemian Rhapsody
Roma
O Primeiro Homem
* Pantera Negra

EDIÇÃO DE SOM
O Primeiro Homem
Bohemian Rahpsody
Um Lugar Silencioso
* Pantera Negra
Roma

EFEITOS VISUAIS
Vingadores: Guerra Infinita
* Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível

Jogador Número 1
Solo: Uma História Star Wars
O Primeiro Homem

ANIMAÇÃO
Os Incríveis 2
Ilha dos Cachorros
Homem-Aranha no Aranhaverso
Wi-Fi Ralph: Quebrando a Internet
Mirai

DOCUMENTÁRIO
RBG
* Hale County This Morning, This Evening
Minding the Gap
Free Solo
* Of Fathers and Sons

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Roma (México)
Guerra Fria (Polônia)
Cafarnaum (Líbano)
Assunto de Família (Japão)
Nunca Deixe de Lembrar (Alemanha)

CURTA-METRAGEM
* Detainment
* Fauve
* Madre
* Marguerite
* Skin

CURTA DE ANIMAÇÃO
* Comportamento Animal (Animal Behaviour)
* Bao
* Fim de Tarde (Late Afternoon)
* Um Pequeno Passo (One Small Step)
* Weekends

DOCUMENTÁRIO-CURTA
* Black Sheep
* Uma Noite no Madison Square Garden (A Night at the Garden)
* A Partida Final (End Game)
* Lifeboat
* Absorvendo o Tabu (Period. End of Sentence.)

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Cena da animação japonesa Mirai, de Mamoru Hosoda, indicada para Melhor Longa de Animação (pic by IMDb)

***

A 91ª cerimônia do Oscar está marcada para o dia 24 de fevereiro e será transmitida pela TNT. Até o momento, o evento não conta com nenhum host ou hostess.

‘A FAVORITA’ REINA no BAFTA com 12 INDICAÇÕES

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Emma Stone em cena de A Favorita, recordista de indicações ao BAFTA 2019 (pic by cineimage.ch)

FILME BRITÂNICO TEM AMPLA VANTAGEM DIANTE DOS DEMAIS CONCORRENTES

Com o Oscar antecipado para o dia 24 de fevereiro, TODOS os prêmios que o antecedem estão antecipando suas listas e cerimônias, então, todo dia tem uns trocentos indicados novos e mil coisas pra postar, e quem precisa dormir como faz?! Brincadeiras à parte, é curioso ver como uma mudança simples no calendário gera um tsunami.

Neste dia 09, foi a vez da Academia Britânica (BAFTA) anunciar suas indicações. E como esperado, A Favorita foi o filme recordista de indicações com 12, já que se trata de um filme de época (que proporciona indicações de Direção de Arte, Figurino e Maquiagem) e um elenco qualificado (três atrizes em alta: Olivia Colman, Rachel Weisz e Emma Stone).

Bem abaixo, empatados em segundo lugar, estão Bohemian Rhapsody, Roma, O Primeiro Homem e Nasce uma Estrela com sete indicações cada. Logo em seguida, Vice com seis, Infiltrado na Klan com cinco, e Green Book e Guerra Fria com quatro cada.

Vale destacar que Alfonso Cuarón conquistou SEIS indicações em seu nome, e Bradley Cooper conquistou CINCO. E esses feitos notáveis podem e devem se repetir nas indicações ao Oscar. A questão que fica é: em qual categoria eles serão compensados? À princípio, Cuarón em Filme Estrangeiro e Fotografia, e Cooper em Ator ou Diretor.

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Alfonso Cuarón dirige cena marcante na praia em Roma (pic by IMDb)

O anúncio foi feito pelos atores Hayley Squires (do vencedor da Palma de Ouro Eu, Daniel Blake) e Will Poulter (que recentemente participou do filme interativo da Netflix Black Mirror: Bandersnatch).

As indicações do BAFTA reforçam bastante a campanha do filme de Yorgos Lanthimos, e pode consolidá-lo como recordista de indicações ao Oscar também, assim como reforçar uma possível primeira indicação à Direção, mesmo que tenha ficado de fora da seleção do DGA.

Muito beneficiado pela recente vitória no Globo de Ouro, Bohemian Rhapsody conquistou inacreditáveis sete indicações. Há um mês, falavam apenas numa única indicação de Melhor Ator para Malek, e olhe lá! Acho um tanto exagerado esse hype todo em torno do filme, principalmente as indicações para Fotografia e Montagem.

E o BAFTA retirou um pouco do limbo o filme de Damien Chazelle. Eram esperadas as indicações técnicas como Fotografia, Montagem, Som e Efeitos Sonoros, mas O Primeiro Homem conquistou ainda espaço em Roteiro Adaptado (particularmente não curto muito os trabalhos do Josh Singer, mas…) e Atriz Coadjuvante (Claire Foy ficou meio esquecida depois de ter sido preterida no SAG).

E vale citar o crescimento do filme polonês Guerra Fria que, além de Melhor Filme em Língua Estrangeira, foi reconhecido como Melhor Direção (lembrando que Pawlikowski venceu este mesmo prêmio em Cannes, e já levou o Oscar por seu filme anterior, Ida), Melhor Fotografia (um belíssimo preto-e-branco) e Roteiro Original, que me parece um pouco exagerado.

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Joanna Kulig e Tomasz Kot em cena do polonês Guerra Fria (pic by Outnow.CH)

Nas categorias de atuação, a surpresa ficou por conta de Steve Coogan por Stan & Ollie. Enquanto os poucos que lembravam da cinebiografia de O Gordo e o Magro só mencionavam John C. Reilly, o BAFTA resolveu reconhecer Coogan. Ele deixa pra trás alguns concorrentes mais fortes como Willem Dafoe, Lucas Hedges e até Ethan Hawke. Na ala feminina, o elemento surpresa ficou com Viola Davis, cujo filme As Viúvas estava desaparecido na temporada. Achei curiosa a ausência de Emily Blunt pelo O Retorno de Mary Poppins pelo ícone que a personagem é na cultura britânica, mas pelo visto, os votantes não quiseram trair a Poppins de Julie Andrews.

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Steve Coogan como Stanley em Stan & Ollie (pic by IMDb)

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Viola Davis foi lembrada por As Viúvas no BAFTA (pic by IMDb)

Ainda sobre os atores, chama a atenção uma nova ausência de Regina King como Coadjuvante por Se a Rua Beale Falasse. Mesmo depois de ganhar o Globo de Ouro, a atriz não havia emplacado no SAG, e agora no BAFTA. Será que ainda rola indicação ao Oscar desse jeito? Amy Adams agradece novamente.

Fiquei desapontado com a ausência de Oitava Série (nem Roteiro Original para Bo Burnham, nem Atriz para Elsie Fisher) e Hereditário (será que não teria sido melhor ter lançado o filme perto do fim de ano? Toni Collette está morrendo na praia…).

MELHOR FILME
INFILTRADO NA KLAN (BLACKkKLANSMAN) Jason Blum, Spike Lee, Raymond Mansfield, Sean McKittrick, Jordan Peele
A FAVORITA (THE FAVOURITE) Ceci Dempsey, Ed Guiney, Yorgos Lanthimos, Lee Magiday
GREEN BOOK: O GUIA (GREEN BOOK) Jim Burke, Brian Currie, Peter Farrelly, Nick Vallelonga, Charles B. Wessler
ROMA (ROMA) Alfonso Cuarón, Gabriela Rodríguez
NASCE UMA ESTRELA (A STAR IS BORN) Bradley Cooper, Bill Gerber, Lynette Howell Taylor

MELHOR FILME BRITÂNICO
BEAST Michael Pearce, Kristian Brodie, Lauren Dark, Ivana MacKinnon
BOHEMIAN RHAPSODY (BOHEMIAN RHAPSODY) Bryan Singer, Graham King, Anthony McCarten
A FAVORITA (THE FAVOURITE) Yorgos Lanthimos, Ceci Dempsey, Ed Guiney, Lee Magiday, Deborah Davis, Tony McNamara
McQUEEN Ian Bonhôte, Peter Ettedgui, Andee Ryder, Nick Taussig
STAN & OLLIE Jon S. Baird, Faye Ward, Jeff Pope
VOCÊ NUNCA ESTEVE REALMENTE AQUI (YOU WERE NEVER REALLY HERE) Lynne Ramsay, Rosa Attab, Pascal Caucheteux, James Wilson

ROTEIRISTA, DIRETOR OU PRODUTOR BRITÂNICO ESTREANTE 
APOSTASY Daniel Kokotajlo (Writer/Director)
BEAST Michael Pearce (Writer/Director), Lauren Dark (Producer)
A CAMBODIAN SPRING Chris Kelly (Writer/Director/Producer)
PILI Leanne Welham (Writer/Director), Sophie Harman (Producer)
RAY & LIZ Richard Billingham (Writer/Director), Jacqui Davies (Producer)

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
CAPERNAUM Nadine Labaki, Khaled Mouzanar
GUERRA FRIA Paweł Pawlikowski, Tanya Seghatchian, Ewa Puszczyńska
DOGMAN Matteo Garrone, Jean Labadie, Jeremy Thomas,
Paolo Del Brocco
ROMA Alfonso Cuarón, Gabriela Rodríguez
ASSUNTO DE FAMÍLIA Hirokazu Kore-eda, Kaoru Matsuzaki

DOCUMENTÁRIO
FREE SOLO Elizabeth Chai Vasarhelyi, Jimmy Chin
McQUEEN Ian Bonhôte, Peter Ettedgui
RBG Julie Cohen, Betsy West
THEY SHALL NOT GROW OLD Peter Jackson
TRÊS ESTRANHOS IDÊNTICOS Tim Wardle, Grace Hughes-Hallett, Becky Read

LONGA DE ANIMAÇÃO
OS INCRÍVEIS 2 Brad Bird, John Walker
ILHA DOS CACHORROS Wes Anderson, Jeremy Dawson
HOMEM-ARANHA NO ARANHAVERSO Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman, Phil Lord

DIREÇÃO
INFILTRADO NA KLAN Spike Lee
GUERRA FRIA Paweł Pawlikowski
A FAVORITA Yorgos Lanthimos
ROMA Alfonso Cuarón
NASCE UMA ESTRELA Bradley Cooper

ROTEIRO ORIGINAL
GUERRA FRIA Janusz Głowacki, Paweł Pawlikowski
A FAVORITA Deborah Davis, Tony McNamara
GREEN BOOK Brian Currie, Peter Farrelly, Nick Vallelonga
ROMA Alfonso Cuarón
VICE Adam McKay

ROTEIRO ADAPTADO
INFILTRADO NA KLAN Spike Lee, David Rabinowitz, Charlie Wachtel, Kevin Willmott
PODERIA ME PERDOAR? Nicole Holofcener, Jeff Whitty
O PRIMEIRO HOMEM Josh Singer
SE A RUA BEALE FALASSE Barry Jenkins
NASCE UMA ESTRELA Bradley Cooper, Will Fetters, Eric Roth

ATRIZ
GLENN CLOSE (A Esposa)
LADY GAGA (Nasce uma Estrela)
MELISSA McCARTHY (Poderia me Perdoar?)
OLIVIA COLMAN (A Favorita)
VIOLA DAVIS (As Viúvas)

ATOR
BRADLEY COOPER (Nasce uma Estrela)
CHRISTIAN BALE (Vice)
RAMI MALEK (Bohemian Rhapsody)
STEVE COOGAN (Stan & Ollie)
VIGGO MORTENSEN (Green Book)

ATRIZ COADJUVANTE
AMY ADAMS (Vice)
CLAIRE FOY (O Primeiro Homem)
MARGOT ROBBIE (Duas Rainhas)
EMMA STONE (A Favorita)
RACHEL WEISZ (A Favorita)

ATOR COADJUVANTE
ADAM DRIVER (Infiltrado na Klan)
MAHERSHALA ALI (Green Book)
RICHARD E. GRANT (Poderia me Perdoar?)
SAM ROCKWELL (Vice)
TIMOTHÉE CHALAMET (Querido Menino)

TRILHA ORIGINAL
INFILTRADO NA KLAN Terence Blanchard
SE A RUA BEALE FALASSE Nicholas Britell
ILHA DOS CACHORROS Alexandre Desplat
O RETORNO DE MARY POPPINS Marc Shaiman
NASCE UMA ESTRELA Bradley Cooper, Lady Gaga, Lukas Nelson

FOTOGRAFIA
BOHEMIAN RHAPSODY Newton Thomas Sigel
GUERRA FRIA Łukasz Żal
A FAVORITA Robbie Ryan
O PRIMEIRO HOMEM Linus Sandgren
ROMA Alfonso Cuarón

MONTAGEM
BOHEMIAN RHAPSODY John Ottman
A FAVORITA Yorgos Mavropsaridis
O PRIMEIRO HOMEM Tom Cross
ROMA Alfonso Cuarón, Adam Gough
VICE Hank Corwin

DIREÇÃO DE ARTE
ANIMAIS FANTÁSTICOS: OS CRIMES DE GRINDELWALD Stuart Craig, Anna Pinnock
A FAVORITA Fiona Crombie, Alice Felton
O PRIMEIRO HOMEM Nathan Crowley, Kathy Lucas
O RETORNO DE MARY POPPINS John Myhre, Gordon Sim
ROMA Eugenio Caballero, Bárbara Enríquez

FIGURINO
THE BALLAD OF BUSTER SCRUGGS Mary Zophres
BOHEMIAN RHAPSODY Julian Day
A FAVORITA Sandy Powell
O RETORNO DE MARY POPPINS Sandy Powell
DUAS RAINHAS Alexandra Byrne

MAQUIAGEM E CABELO
BOHEMIAN RHAPSODY Mark Coulier, Jan Sewell
A FAVORITA Nadia Stacey
DUAS RAINHAS Jenny Shircore
STAN & OLLIE Mark Coulier, Jeremy Woodhead
VICE Indicados ainda não definidos

SOM
BOHEMIAN RHAPSODY John Casali, Tim Cavagin, Nina Hartstone, Paul Massey, John Warhurst
O PRIMEIRO HOMEM Mary H. Ellis, Mildred Iatrou Morgan, Ai-Ling Lee, Frank A. Montaño, Jon Taylor
MISSÃO: IMPOSSÍVEL – EFEITO FALLOUT Gilbert Lake, James H. Mather, Christopher Munro, Mike Prestwood Smith
UM LUGAR SILENCIOSO Erik Aadahl, Michael Barosky, Brandon Procter, Ethan Van der Ryn
NASCE UMA ESTRELA Steve Morrow, Alan Robert Murray, Jason Ruder, Tom Ozanich, Dean Zupancic

EFEITOS VISUAIS
VINGADORES: GUERRA INFINITA Dan DeLeeuw, Russell Earl, Kelly Port, Dan Sudick
PANTERA NEGRA Geoffrey Baumann, Jesse James Chisholm, Craig Hammack, Dan Sudick
ANIMAIS FANTÁSTICOS: OS CRIMES DE GRINDELWALD Tim Burke, Andy Kind, Christian Manz, David Watkins
O PRIMEIRO HOMEM Ian Hunter, Paul Lambert, Tristan Myles, J.D. Schwalm
JOGADOR Nº 1 Matthew E. Butler, Grady Cofer, Roger Guyett, David Shirk

CURTA DE ANIMAÇÃO BRITÂNICO
I’M OK Elizabeth Hobbs, Abigail Addison, Jelena Popović
MARFA Gary McLeod, Myles McLeod
ROUGHHOUSE Jonathan Hodgson, Richard Van Den Boom

CURTA-METRAGEM BRITÂNICO
73 COWS Alex Lockwood
BACHELOR, 38 Angela Clarke
THE BLUE DOOR Ben Clark, Megan Pugh, Paul Taylor
THE FIELD Sandhya Suri, Balthazar de Ganay
WALE Barnaby Blackburn, Sophie Alexander, Catherine Slater, Edward Speleers

PRÊMIO EE RISING STAR (votado pelo público)
BARRY KEOGHAN
CYNTHIA ERIVO
JESSIE BUCKLEY
LAKEITH STANFIELD
LETITIA WRIGHT

ee-rising-star-2019.jpg

Indicados ao EE Rising Star, da esquerda para a direita: Cynthia Erivo, Barry Keoghan, Letitia Wright, Lakeith Stanfield e Jessia Buckley (montage by Movie Marker)

***

A cerimônia de premiação acontece no dia 10 de fevereiro no London’s Royal Albert Hall. Joanna Lumley retorna como hostess.

‘NASCE UMA ESTRELA’ LIDERA as INDICAÇÕES ao SAG AWARDS

Bradley Cooper Lady Gaga

Bradley Cooper e Lady Gaga em cena de Nasce uma Estrela, com 4 indicações ao SAG (pic by IMDb)

SUCESSOS COMERCIAIS ROUBAM A CENA NA CATEGORIA DE ELENCO

Na manhã desta quarta, dia 12, foram anunciadas as indicações da 25ª edição do Screen Actors Guild Awards (SAG). Caso siga a tradição, quem estiver indicado aqui, terá grandes chances de chegar à lista final do Oscar, afinal, trata-se do prêmio do sindicato de atores, o maior grupo dos membros da Academia.

As atrizes Awkwafina e Laverne Cox apresentaram o anúncio dos indicados do SAG. Veja vídeo abaixo:

O drama/musical Nasce uma Estrela foi o recordista deste ano com quatro indicações: Ator (Bradley Cooper), Atriz (Lady Gaga), Ator Coadjuvante (Sam Elliott) e Elenco. Pra mim, Gaga e Elliott já confirmaram suas indicações ao Oscar, enquanto Cooper reforçou seu favoritismo como Melhor Ator. Não entendi bem a indicação de Elenco, porque além dos três atores, existe mais alguém a destacar? Em segundo lugar, vem Infiltrado na Klan e A Favorita, ambos com três indicações cada. Curiosamente, A Favorita não foi reconhecido como Melhor Elenco.

Porém, o que mais chamou a atenção foi como o SAG abraçou a causa do suspenso Oscar de Filme Popular. Em Melhor Elenco, se trocassem o Infiltrado na Klan por Vingadores: Guerra Infinita, por exemplo, a categoria seria baseada em números das bilheterias. Os sucessos comerciais de Pantera Negra e Podres de Ricos, que coincidentemente, têm elencos etnicamente alternativos e politicamente corretos, foram reconhecidos ao lado de Bohemian Rhapsody e Nasce uma Estrela.

Bohemian Rhapsody cast

Bohemian Rhapsody: Indicado para Melhor Ator (Rami Malek) e Elenco (pic by IMDb)

Até 2017, a regra dizia que para o filme ganhar Melhor Filme no Oscar, teria que no mínimo estar entre os indicados nesta categoria de Elenco do SAG, pois isto significava que a produção tinha o suporte necessário do sindicato de atores, como dito, o maior grupo de votantes da Academia. Porém, este ano, A Forma da Água quebrou esse paradigma, ao levar o Oscar sem ser reconhecido como Elenco no SAG. Portanto, muita coisa pode mudar até o final de fevereiro.

Ainda no termômetro popular, o SAG concedeu dupla indicação para Emily Blunt: por reprisar um papel consagrado por Julie Andrews em O Retorno de Mary Poppins, e por fazer caras e bocas no suspense sobrenatural Um Lugar Silencioso. Sério mesmo? Sim. A página do Cinema, Oscar e Afins é super a favor de indicar performances diversas justamente para reconhecer outros trabalhos além do mainstream, mas Um Lugar Silencioso?! Que boa atuação viram na Blunt nessa draga? No lugar dela, se fosse pra diversificar, colocaria Kaily Carter do Mais Uma Chance ou Thomasin McKenzie do Não Deixe Rastros, por exemplo.

Emily Blunt A Quiet Place_

Emily Blunt em cena de Um Lugar Silencioso (pic by IMDb)

SURPRESAS… E NÃO SÃO POUCAS!

SE A RUA BEALE FALASSE e REGINA KING
O filme é dirigido por Barry Jenkins, que causou na temporada de 2016 com Moonlight, e estava ganhando prêmios este ano pelo novo trabalho, mas ficou completamente de fora da lista do SAG, inclusive a até então franco-favorita Regina King  pela categoria de Coadjuvante. Chocante, no mínimo.

ROMA, O PRIMEIRO HOMEM e AS VIÚVAS
Ok, As Viúvas realmente tinha poucas chances aqui, mas alguns acreditavam na possibilidade de indicação de elenco, já que nenhum ator ou atriz estava com gás para decolar em vôo solo, porém é estranho ver Roma e O Primeiro Homem de fora. O filme de Alfonso Cuarón tinha chances com Yalitza Aparicia como Melhor Atriz, enquanto o filme de Damien Chazelle depositava suas esperanças em Claire Foy como Coadjuvante, mas nem isso rolou…

ETHAN HAWKE
Tudo bem que First Reformed nunca foi material para premiações populares e televisionadas, mas Ethan Hawke estava construindo uma bela campanha com vitórias importantes como no LAFCA. Contudo, após ficar de fora do Globo de Ouro e agora do SAG, fica a dúvida no ar: será que ele vai mesmo conquistar sua terceira indicação ao Oscar?

MARGOT ROBBIE
Quando saíram as primeiras imagens do filme Duas Rainhas, estrelado por Saoirse Ronan e Margot Robbie, muitos já apostavam que o filme seria protagonista no Oscar, já que adoram filmes de época e ainda com as atrizes que estavam em seus auges. Entretanto, desde o começo da temporada de premiações, o filme só estava sendo lembrado por seu figurino. Eis que o SAG surge com a primeira oportunidade de ressurgimento com esta indicação surpresa para Robbie como a Rainha Elizabeth I. Será que ainda dá tempo?

Margot Robbie Mary Queen of Scots_

Margot Robbie caracterizada como a Rainha Elizabeth I em Duas Rainhas (pic by IMDb)

JOHN DAVID WASHINGTON
Com o crescimento de Infiltrado na Klan nas premiações, a atuação do filho de Denzel Washington passou a crescer nas preferências dos votantes. Para conquistar este espaço, bateu nomes fortes até agora como Ethan Hawke, Willem Dafoe, Lucas Hedges e Robert Redford.

VICE
Apesar das indicações de Christian Bale e Amy Adams, o elenco formado por atores consagrados como Sam Rockwell e Steve Carell foi esnobado da categoria. Há uma semana, a sátira de Adam McKay sobre o ex-vice presidente Dick Cheney foi abraçada pelo Globo de Ouro, e recentemente pelo Critics’ Choice Awards, enquanto no SAG, apenas Bale e Adams, que aliás, tem muito a comemorar com a ausência de Regina King em sua categoria.

TELEVISÃO

Pelas categorias televisivas, os recordistas foram The Marvelous Mrs. Maisel, e Ozark com quatro indicações cada. Já Barry, GLOW, The Handmaid’s Tale, e The Kominsky Method conquistaram três indicações cada.

Entre as ausências em destaque estão Julia Roberts por Homecoming, Donald Glover por Atlanta, Laura Dern por The Tale, e Benedict Cumberbatch por Patrick Melrose.

INDICADOS AO 25º SAG AWARDS:

CINEMA

MELHOR ATOR
Christian Bale (Vice)
Bradley Cooper (Nasce uma Estrela)
Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
Viggo Mortensen (Green Book: O Guia)
John David Washington (Infiltrado na Klan)

MELHOR ATRIZ
Emily Blunt (O Retorno de Mary Poppins)
Glenn Close (A Esposa)
Olivia Colman (A Favorita)
Lady Gaga (Nasce uma Estrela)
Melissa McCarthy (Poderia Me Perdoar?)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali (Green Book: O Guia)
Timothee Chalamet (Querido Menino)
Adam Driver (Infiltrado na Klan)
Sam Elliott (Nasce uma Estrela)
Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Amy Adams (Vice)
Emily Blunt (Um Lugar Silencioso)
Margot Robbie (Duas Rainhas)
Emma Stone (A Favorita)
Rachel Weisz (A Favorita)

MELHOR ELENCO
Nasce uma Estrela
Pantera Negra
Infiltrado na Klan
Bohemian Rhapsody
Podres de Ricos

TELEVISÃO

MELHOR ATOR EM SÉRIE OU MINISSÉRIE
Antonio Banderas (Genius: Picasso)
Darren Criss (Assassination of Gianni Versace)
Hugh Grant (A Very English Scandal)
Anthony Hopkins (King Lear)
Bill Pullman (The Sinner)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE OU MINISSÉRIE
Amy Adams (Sharp Objects)
Patricia Arquette (Escape at Dannemora)
Patricia Clarkson (Sharp Objects)
Penelope Cruz (Assassination of Gianni Versace)
Emma Stone (Maniac)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMÁTICA
Jason Bateman (Ozark)
Sterling K. Brown (This Is Us)
Joseph Fiennes (The Handmaid’s Tale)
John Krasinski (Tom Clancy’s Jack Ryan)
Bob Odenkirk (Better Call Saul)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMÁTICA
Julia Garner (Ozark)
Laura Linney (Ozark)
Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale)
Sandra Oh (Killing Eve)
Robin Wright (House of Cards)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA
Alan Arkin (The Kominsky Method)
Michael Douglas (The Kominsky Method)
Bill Hader (Barry)
Tony Shalhoub (The Marvelous Mrs. Maisel)
Henry Winkler (Barry)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA
Alex Borstein (The Marvelous Mrs. Maisel_
Alison Brie (GLOW)
Rachel Brosnahan (The Marvelous Mrs. Maisel)
Jane Fonda (Grace and Frankie)
Lily Tomlin (Grace and Frankie)

MELHOR ELENCO EM SÉRIE DRAMÁTICA
The Americans
Better Call Saul
The Handmaid’s Tale
Ozark
This Is Us

MELHOR ELENCO EM SÉRIE DE COMÉDIA
Atlanta
Barry
GLOW
The Kominsky Method
The Marvelous Mrs. Maisel

MELHOR EQUIPE DE DUBLÊS EM SÉRIE DRAMÁTICA OU DE COMÉDIA
Glow
Marvel’s: Daredevil
Tom Clancy’s Jack Ryan
The Walking Dead
Westworld

MELHOR EQUIPE DE DUBLÊS DE CINEMA
Homem-Formiga e a Vespa
Vingadores: Guerra Infinita
The Ballad of Buster Scruggs
Pantera Negra
Missão: Impossível – Efeito Fallout

 

***

A 25ª cerimônia do SAG Awards está marcada para o dia 27 de janeiro, e deverá ser transmitida ao vivo pelo canal pago TNT.

Com 14 INDICAÇÕES, ‘A FAVORITA’ LIDERA o CRITICS’ CHOICE AWARDS

The Favourite Emma Stone Olivia Colman

Emma Stone agradando a Rainha Anne (Olivia Colman) em cena de A Favorita (pic by IMDb)

FILME DE ÉPOCA DO GREGO YORGOS LANTHIMOS TEM TUDO PARA REPETIR O FEITO NO BAFTA E NO OSCAR

Nesta segunda, dia 10/12, foram anunciadas as indicações ao Critics’ Choice Awards, ou como gostamos de chamar carinhosamente de “A Bolha Assassina” (quer ser todos os prêmios, mas não é nenhum). Explicando rapidamente: o Critics’ Choice está apenas em sua 24ª edição, mas a cada ano que passa, o prêmio gosta de agregar novas categorias, tipo aquele vizinho chato que quer convidar o bairro inteiro para a festa dele só pra dizer que é a melhor? Já “roubou” a categoria de Melhor Elenco do SAG, e Melhor Terror e Sci-Fi do Saturn Awards. Daqui a pouco, pegam Melhor Beijo do MTV Movie Awards. Este ano, inventaram que deveriam ter 7 (sete!) indicados nas categorias de direção e atuação. Daqui a pouco até o Keanu Reeves vai ser indicado. Cadê a seletividade nesse negócio?

Aliás, vamos dar o braço a torcer este ano para o Critics’, afinal ele está fazendo escola até no Oscar, que está inventando de criar uma nova categoria para “Filmes Populares”. No Critics’, isso já existe faz tempo: Melhor Filme de Comédia, Melhor Filme de Ação e Melhor Filme de Terror e Ficção Científica. Podiam criar Melhor Filme de Arte! Vamos chamar os diretores europeus e asiáticos pra roda, ué!

E uma coisa que detestamos na cerimônia do Critics’ Choice é a apresentação de prêmios seletiva no palco. Eles têm cerca de 50 categorias, mas só querem apresentar umas 20 no palco. Os outros menos populares passam nos intervalos com seus nomes expostos em quadros, tipo resultado de loteria. Muito capenga!

NÚMEROS DA BOLHA

Como dito anteriormente, 14 indicações para A Favorita. Não é nenhuma surpresa, já que os filmes de época tendem a conquistar indicações em categorias técnicas como Direção de Arte, Figurino e Maquiagem, pelo menos. Além disso, as três atrizes do filme foram reconhecidas, o que expande ainda mais o espaço do filme na premiação. Desse total, apenas 3 indicações são de categorias que não existem no Oscar: Comédia, Atriz de Comédia e Elenco, ou seja, o filme de Yorgos Lanthimos deve conquistar entre 10 ou 11 indicações em janeiro.

Black panther Michael B Jordan

Michael B. Jordan e Chadwick Boseman em cena de Pantera Negra (pic by IMDb)

 

Em segundo lugar, o blockbuster conceitual politicamente correto Pantera Negra acumula 12 indicações, com destaque para Michael B. Jordan como Coadjuvante e Ryan Coogler concorrendo por Roteiro Adaptado. Em terceiro, vem O Primeiro Homem, que estava em franca decadência na temporada, com 10 indicações. Essas três produções concorrem com Nasce uma Estrela (9 indicações), Vice (9), O Retorno de Mary Poppins (9), Roma (8), Green Book: O Guia (7), Se a Rua Beale Falasse (5) e Infiltrado na Klan (4) o prêmio de Melhor Filme.

Nas categorias alternativas, estão filmes que até pouco tempo atrás estavam mega cotados para serem indicados ao novo Oscar de Filme Popular, tais como Vingadores: Guerra Infinita, Missão: Impossível – Efeito Fallout, Podres de Ricos, e Um Lugar Silencioso.

Crazy Rich Asians_

Awkwafina e Constance Wu em cena de Podres de Ricos (pic by IMDb)

AUSÊNCIAS

Sim, mesmo com sete indicados em 583 categorias, é possível ter ausências. Ano que vem, o Critics’s Choice aumenta para 12 indicados. Claro que nenhuma ausência assim tão alternativa para direcionar um pouco de atenção para filmes menores porém de qualidade, afinal, o Critics’ Choice está unicamente preocupado em acertar os vencedores do Oscar.

Pelas categorias de atuação, dá pra citar os ausentes Lucas Hedges (Boy Erased), Sam Rockwell (Vice), Rosamund Pike (A Private War) e John David Washington (Infiltrado na Klan), todos foram recentemente indicados ao Globo de Ouro. Tem ainda Ben Foster (Não Deixe Rastros), que estava indicado ao Gotham Awards e ficou em segundo lugar no LAFCA, e Joaquin Phoenix (Você Nunca Esteve Realmente Aqui), que levou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes e foi indicado ao Independent Spirit Awards.

Com certeza ficou faltando a indicação para a fenomenal Helena Howard (A Madeline de Madeline) na categoria de Jovem Atriz, e por que não incluir Kayli Carter por Mais Uma Chance? Ambas foram merecidamente lembradas pelo Independent Spirit.

Também ressalto a ausência das belas fotografias Lukasz Zal (Guerra Fria) e de Sayombhu Mukdeeprom no remake de Suspiria. Pelo menos o filme de Luca Guadanigno foi reconhecido na categoria de Filme de Terror ou Sci-Fi, e Cabelo e Maquiagem.

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No centro, Dakota Johnson lidera grupo de bailarinas em Suspiria (pic by IMDb)

PELA TELEVISÃO…

Muitas séries e minisséries previamente reconhecidos pelo Globo de Ouro repetem suas indicações aqui no Critics’ como é o caso do The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story, The Americans e Escape from Dannemora, que conquistaram 5 indicações cada, liderando o quadro de indicações, enquanto Sharp Objects acumulou 4.

Já na divisão por produtoras, a HBO lidera com 20 indicações, seguida por FX com 17, Amazon com 12, e NBC e Netflix com 11 cada.

INDICADOS AO 24º CRITICS’ CHOICE AWARDS:

CINEMA

MELHOR FILME
A Favorita (The Favourite)
Green Book: O Guia (Green Book)
Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman)
Nasce uma Estrela (A Star is Born)
Pantera Negra (Black Panther)
O Primeiro Homem (First Man)
O Retorno de Mary Poppins (Mary Poppins Returns)
Roma (Roma)
Se a Rua Beale Falasse (If Beale Street Could Talk)
Vice

MELHOR ATOR
Christian Bale (Vice)
Bradley Cooper (Nasce uma Estrela)
Willem Dafoe (No Portal da Eternidade)
Ryan Gosling (O Primeiro Homem)
Ethan Hawke (First Reformed)
Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
Viggo Mortensen (Green Book: O Guia)

MELHOR ATRIZ
Yalitza Aparicio (Roma)
Emily Blunt (O Retorno de Mary Poppins)
Glenn Close (A Esposa)
Toni Collette (Hereditário)
Olivia Colman (A Favorita)
Lady Gaga (Nasce uma Estrela)
Melissa McCarthy (Poderia Me Perdoar?)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali (Green Book: O Guia)
Timothée Chalamet (Querido Menino)
Adam Driver (Infiltrado na Klan)
Sam Elliott (Nasce uma Estrela)
Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?)
Michael B. Jordan (Pantera Negra)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Amy Adams (Vice)
Claire Foy (O Primeiro Homem)
Nicole Kidman (Boy Erased: Uma Verdade Anulada)
Regina King (Se a Rua Beale Falasse)
Emma Stone (A Favorita)
Rachel Weisz (A Favorita)

MELHOR JOVEM ATOR OU ATRIZ
Elsie Fisher (Oitava Série)
Thomasin McKenzie (Não Deixe Rastros)
Ed Oxenbould (Vida Selvagem)
Millicent Simmonds (Um Lugar Silencioso)
Amandla Stenberg (O Ódio que Você Semeia)
Sunny Suljic (Mid90s)

MELHOR ELENCO
Pantera Negra
Podres de Ricos
A Favorita
Vice
As Viúvas

MELHOR DIREÇÃO
Damien Chazelle (O Primeiro Homem)
Bradley Cooper (Nasce uma Estrela)
Alfonso Cuarón (Roma)
Peter Farrelly (Green Book: O Guia)
Yorgos Lanthimos (A Favorita)
Spike Lee (Infiltrado na Klan)
Adam McKay (Vice)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Bo Burnham (Oitava Série)
Alfonso Cuarón (Roma)
Deborah Davis, Tony McNamara (A Favorita)
Adam McKay (Vice)
Paul Schrader (First Reformed)
Nick Vallelonga, Brian Hayes Currie, Peter Farrelly (Green Book: O Guia)
Bryan Woods, Scott Beck, John Krasinski (Um Lugar Silencioso)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Ryan Coogler, Joe Robert Cole (Pantera Negra)
Nicole Holofcener, Jeff Whitty (Poderia Me Perdoar?)
Barry Jenkins (Se a Rua Beale Falasse)
Eric Roth, Bradley Cooper, Will Fetters (Nasce uma Estrela)
Josh Singer (O Primeiro Homem)
Charlie Wachtel, David Rabinowitz, Kevin Willmott, Spike Lee (Infiltrado na Klan)

MELHOR FOTOGRAFIA
Alfonso Cuarón (Roma)
James Laxton (Se a Rua Beale Falasse)
Matthew Libatique (Nasce uma Estrela)
Rachel Morrison (Pantera Negra)
Robbie Ryan (A Favorita)
Linus Sandgren (O Primeiro Homem)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Hannah Beachler, Jay Hart (Pantera Negra)
Eugenio Caballero, Barbara Enriquez (Roma)
Nelson Coates, Andrew Baseman (Podres de Ricos)
Fiona Crombie, Alice Felton (A Favorita)
Nathan Crowley, Kathy Lucas (O Primeiro Homem)
John Myhre, Gordon Sim (O Retorno de Mary Poppins)

MELHOR MONTAGEM
Jay Cassidy (Nasce uma Estrela)
Hank Corwin (Vice)
Tom Cross (O Primeiro Homem)
Alfonso Cuarón, Adam Gough (Roma)
Yorgos Mavropsaridis (A Favorita)
Joe Walker (As Viúvas)

MELHOR FIGURINO
Alexandra Byrne (Duas Rainhas)
Ruth Carter (Pantera Negra)
Julian Day (Bohemian Rhapsody)
Sandy Powell (A Favorita)
Sandy Powell (O Retorno de Mary Poppins)

MELHOR CABELO E MAQUIAGEM
Pantera Negra
Bohemian Rhapsody
A Favorita
Duas Rainhas
Suspiria
Vice

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Vingadores: Guerra Infinita
Pantera Negra
O Primeiro Homem
O Retorno de Mary Poppins
Missão: Impossível – Efeito Fallout
Jogador Nº 1

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO
O Grinch
Os Incríveis 2
Ilha dos Cachorros
Mirai
WiFi Ralph: Quebrando a Internet
Homem-Aranha no Aranhaverso

MELHOR FILME DE AÇÃO
Vingadores: Guerra Infinita
Pantera Negra
Deadpool 2
Missão: Impossível – Efeito Fallout
Jogador Nº 1
As Viúvas

MELHOR COMÉDIA
Podres de Ricos
Deadpool 2
A Morte de Stalin
A Favorita
A Noite do Jogo
Sorry to Bother You

MELHOR ATOR EM COMÉDIA
Christian Bale (Vice)
Jason Bateman (A Noite do Jogo)
Viggo Mortensen (Green Book: O Guia)
John C. Reilly (Stan & Ollie)
Ryan Reynolds (Deadpool 2)
Lakeith Stanfield (Sorry to Bother You)

MELHOR ATRIZ EM COMÉDIA
Emily Blunt (O Retorno de Mary Poppins)
Olivia Colman (A Favorita)
Elsie Fisher (Oitava Série)
Rachel McAdams (A Noite do Jogo)
Charlize Theron (Tully)
Constance Wu (Podres de Ricos)

MELHOR TERROR OU FICÇÃO CIENTÍFICA
Aniquilação (Annihilation)
Halloween (Halloween)
Hereditário (Hereditary)
Um Lugar Silencioso (A Quiet Place)
Suspiria

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Em Chamas
Cafarnaum
Guerra Fria
Roma
Assunto de Família

MELHOR CANÇÃO
All the Stars (Pantera Negra)
Girl in the Movies (Dumplin’)
I’ll Fight (RBG)
The Place Where Lost Things Go (O Retorno de Mary Poppins)
Shallow (Nasce uma Estrela)
Trip a Little Light Fantastic (O Retorno de Mary Poppins)

MELHOR TRILHA MUSICAL
Kris Bowers (Green Book: O Guia)
Nicholas Britell (Se a Rua Beale Falasse)
Alexandre Desplat (Ilha dos Cachorros)
Ludwig Göransson (Pantera Negra)
Justin Hurwitz (O Primeiro Homem)
Marc Shaiman (O Retorno de Mary Poppins)

TELEVISÃO E STREAMING

MELHOR SÉRIE DRAMÁTICA
The Americans (FX)
Better Call Saul (AMC)
The Good Fight (CBS All Access)
Homecoming (Amazon)
Killing Eve (BBC America)
My Brilliant Friend (HBO)
Pose (FX)
Succession (HBO)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMÁTICA
Freddie Highmore – “The Good Doctor” (ABC)
Diego Luna – “Narcos: Mexico” (Netflix)
Richard Madden – “Bodyguard” (Netflix)
Bob Odenkirk – “Better Call Saul” (AMC)
Billy Porter – “Pose” (FX)
Matthew Rhys – “The Americans” (FX)
Milo Ventimiglia – “This Is Us” (NBC)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMÁTICA
Jodie Comer – “Killing Eve” (BBC America)
Maggie Gyllenhaal – “The Deuce” (HBO)
Elisabeth Moss – “The Handmaid’s Tale” (Hulu)
Sandra Oh – “Killing Eve” (BBC America)
Elizabeth Olsen – “Sorry For Your Loss” (Facebook Watch)
Julia Roberts – “Homecoming” (Amazon)
Keri Russell – “The Americans” (FX)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DRAMÁTICA
Richard Cabral – “Mayans M.C.” (FX)
Asia Kate Dillon – “Billions” (Showtime)
Noah Emmerich – “The Americans” (FX)
Justin Hartley – “This Is Us” (NBC)
Matthew Macfadyen – “Succession” (HBO)
Richard Schiff – “The Good Doctor” (ABC)
Shea Whigham – “Homecoming” (Amazon)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DRAMÁTICA
Dina Shihabi – “Jack Ryan” (Amazon)
Julia Garner – “Ozark” (Netflix)
Thandie Newton – “Westworld” (HBO)
Rhea Seehorn – “Better Call Saul” (AMC)
Yvonne Strahovski – “The Handmaid’s Tale” (Hulu)
Holly Taylor – “The Americans” (FX)

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA
Atlanta (FX)
Barry (HBO)
The Good Place (NBC)
The Kominsky Method (Netflix)
The Marvelous Mrs. Maisel (Amazon)
The Middle (ABC)
One Day at a Time (Netflix)
Schitt’s Creek (Pop)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA
Hank Azaria – “Brockmire” (IFC)
Ted Danson – “The Good Place” (NBC)
Michael Douglas – “The Kominsky Method” (Netflix)
Donald Glover – “Atlanta” (FX)
Bill Hader – “Barry” (HBO)
Jim Parsons – “The Big Bang Theory” (CBS)
Andy Samberg – “Brooklyn Nine-Nine” (Fox)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA
Rachel Bloom – “Crazy Ex-Girlfriend” (The CW)
Rachel Brosnahan – “The Marvelous Mrs. Maisel” (Amazon)
Allison Janney – “Mom” (CBS)
Justina Machado – “One Day at a Time” (Netflix)
Debra Messing – “Will & Grace” (NBC)
Issa Rae – “Insecure” (HBO)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA
William Jackson Harper – “The Good Place” (NBC)
Sean Hayes – “Will & Grace” (NBC)
Brian Tyree Henry – “Atlanta” (FX)
Nico Santos – “Superstore” (NBC)
Tony Shalhoub – “The Marvelous Mrs. Maisel” (Amazon)
Henry Winkler – “Barry” (HBO)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA
Alex Borstein – “The Marvelous Mrs. Maisel” (Amazon)
Betty Gilpin – “GLOW” (Netflix)
Laurie Metcalf – “The Conners” (ABC)
Rita Moreno – “One Day at a Time” (Netflix)
Zoe Perry – “Young Sheldon” (CBS)
Annie Potts – “Young Sheldon” (CBS)
Miriam Shor – “Younger” (TV Land)

MELHOR MINISSÉRIE
A Very English Scandal (Amazon)
American Vandal (Netflix)
The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story (FX)
Escape at Dannemora (Showtime)
Genius: Picasso (National Geographic)
Sharp Objects (HBO)

MELHOR FILME PARA TV
Icebox (HBO)
Jesus Christ Superstar Live in Concert (NBC)
King Lear (Amazon)
My Dinner with Hervé (HBO)
Notes from the Field (HBO)
The Tale (HBO)

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Antonio Banderas – “Genius: Picasso” (National Geographic)
Darren Criss – “The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story” (FX)
Paul Dano – “Escape at Dannemora” (Showtime)
Benicio Del Toro – “Escape at Dannemora” (Showtime)
Hugh Grant – “A Very English Scandal” (Amazon)
John Legend – “Jesus Christ Superstar Live in Concert” (NBC)

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Amy Adams – “Sharp Objects” (HBO)
Patricia Arquette – “Escape at Dannemora” (Showtime)
Connie Britton – “Dirty John” (Bravo)
Carrie Coon – “The Sinner” (USA Network)
Laura Dern – “The Tale” (HBO)
Anna Deavere Smith – “Notes From the Field” (HBO)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Brandon Victor Dixon – “Jesus Christ Superstar Live in Concert” (NBC)
Eric Lange – “Escape at Dannemora” (Showtime)
Alex Rich – “Genius: Picasso” (National Geographic)
Peter Sarsgaard – “The Looming Tower” (Hulu)
Finn Wittrock – “The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story” (FX)
Ben Whishaw – “A Very English Scandal” (Amazon)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Ellen Burstyn – “The Tale” (HBO)
Patricia Clarkson – “Sharp Objects” (HBO)
Penelope Cruz – “The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story” (FX)
Julia Garner – “Dirty John” (Bravo)
Judith Light – “The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story” (FX)
Elizabeth Perkins – “Sharp Objects” (HBO)

MELHOR SÉRIE ANIMADA
Adventure Time (Cartoon Network)
Archer (FX)
Bob’s Burgers (Fox)
BoJack Horseman (Netflix)
The Simpsons (Fox)
South Park (Comedy Central)

***

A cerimônia de premiação está marcada para o dia 13 de janeiro, e deve ser transmitida ao vivo pela TNT.

‘VICE’, de Adam McKay, LIDERA o GLOBO DE OURO com 6 INDICAÇÕES

Vice Adam McKay

No centro, o diretor Adam McKay dirige Sam Rockwell e Christian Bale em Vice no cenário da Casa Branca (pic by IMDb)

FILME DE ADAM McKAY DESPONTA COMO O FAVORITO COM TRÊS ATORES INDICADOS

Na manhã desta quinta, dia 06, foram anunciadas as indicações ao 76º Globo de Ouro diretamente do Beverly Hilton Hotel, onde será a cerimônia em janeiro. A presidente da Hollywood Foreign Press Association (HFPA), Meher Tatna, contou com a colaboração de quatro atores para a tarefa: Christian Slater, Danai Gurira, Terry Crews e Leslie Mann. Confira o vídeo abaixo:

A grande surpresa foi também a recordista de indicações nesta edição. Vice, novo trabalho do diretor de A Grande Aposta (2015), Adam McKay, até então contava apenas com burburinho, pois havia passado desapercebido por prêmios anteriores, e agora foi agraciado enormemente com seis indicações, inclusive Melhor Filme de Comédia ou Musical, Direção e Roteiro. As demais indicações foram para o elenco: Christian Bale, Amy Adams e Sam Rockwell.

Logo em seguida, com 5 indicações cada, temos Nasce uma Estrela, A Favorita e Green Book. Ainda sobre números, na ala televisiva, o recordista foi a minissérie The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story que obteve 4 indicações, enquanto Barry, The Kominsky Method, Homecoming, Sharp Objects, The Marvelous Mrs. Maisel, e A Very English Scandal acumularam 3 cada.

Vale destacar que Amy Adams retorna à temporada de premiação com 2 indicações: Atriz Coadjuvante por Vice, e Atriz em Série Dramática por Sharp Objects, com chances reais de ganhar ambos. Será que agora o Oscar vai desta vez? Curiosamente, a outra atriz que está duplamente indicada é Regina King, que também concorre nas mesmas categorias de Amy Adams. King disputa por Se a Rua Falasse e pela série Seven Seconds.

Amy Adams Sharp Objects_

Amy Adams em cena da série Sharp Objects, pela qual também foi indicada (pic by IMDb)

AUSÊNCIAS SENTIDAS

Primeiramente, para nós cinéfilos, apesar de torcermos por nossos favoritos, o importante da temporada de premiações reside no fato do reconhecimento abrangente. De nada adiantaria todos os prêmios nomearem sempre os mesmos filmes e trabalhos, ainda mais hoje que contamos com uma variedade absurda de títulos de qualidade. Aliás, felizmente, até a Netflix está melhorando a qualidade de seus originais de cinema, vide Roma, de Alfonso Cuarón.

Dito isso, é triste dizer que First Reformed ficou de fora (acreditava que haveria pelo menos 2 indicações: Ator para Ethan Hawke e Roteiro), assim como Toni Collette pela ótima atuação em Hereditário, levando ainda em consideração que os dois filmes saíram premiados recentemente do Gotham Awards. Outro que estava decolando com a recente premiação do NYFCC, Sam Elliott, acabou ficando de fora da categoria de Ator Coadjuvante por Nasce uma Estrela.

Viúvas, de Steve McQueen, que foi muito comentado no mês passado, estava com esperanças de que o Globo de Ouro pudesse deslanchar a campanha do filme, mas acabou de mãos abanando. Nem a roteirista Gillian Flynn, nem Viola Davis se salvaram…

Embora Se a Rua Beale Falasse tenha conquistado 3 indicações (Filme, Atriz Coadjuvante e Roteiro), muitos deram falta de Barry Jenkins na lista de Direção. Aliás, muito foi discutido da total ausência feminina na categoria. Ano passado, como vocês devem lembrar, Natalie Portman  (aliás, outra ausência por Vox Lux) ressaltou enfaticamente que só havia diretores homens indicados. Claro, adoraria ver Marielle Heller (Poderia Me Perdoar?), Lynne Ramsay (Você Nunca Esteve Realmente Aqui) ou Tamara Jenkins (Mais uma Chance), mas se for pra incluir meramente por preencher cota feminina, o intuito da premiação cai por terra.

Particularmente, fiquei sentido pela ausência do filme sul-coreano Em Chamas (Burning), de Lee Chang-dong, que concorria como Melhor Filme em Língua Estrangeira. Espero que ganhe alguns prêmios importantes ou seja indicado em outros para ter chances no Oscar.

SURPRESAS

Nas categorias de cinema, é possível cravar que Rosamund Pike é a maior surpresa deste ano. Nenhum prêmio ou mesmo crítico destacou seu filme A Private War até agora. O Globo de Ouro certamente fez com que muitos incluíssem o filme sobre uma correspondente de guerra em muitas watchlists.

Rosamund Pike A Private War_

Rosamund Pike como a corresponde de guerra Marie Colvin em A Private War (pic by IMDb)

As indicações de John David Washington como Ator – Drama por Infiltrado na Klan, e de John C. Reilly como Ator – Comédia ou Musical por Stan & Ollie chamam a atenção e certamente deverão reforçar a campanha rumo ao Oscar. Uma surpresa não tão surpresa assim foi a de Elsie Fisher na categoria de Atriz – Comédia ou Musical por Oitava Série. Já que o filme não foi lembrado nas categorias de Filme, Direção e Roteiro, foi um alívio vê-la representando esta pequena gema no Globo de Ouro!

John C. Reilly Stan Ollie_

John C. Reilly atua como o comediante Oliver Hardy em Stan & Ollie (pic by IMDb)

Pela televisão, a indicação de Sacha Baron Cohen como Ator de Comédia foi a mais comentada na rede. Em seu novo programa intitulado Who is America?, o ator britânico conhecido por Borat, traveste-se de sete personagens distintos para entrevistar ou mesmo enfrentar situações com pessoas patriotas, inclusive políticos republicanos como ex-vice presidente Dick Cheney, deixando-os em situação constrangedora.

INDICADOS AO GLOBO DE OURO 2019:

MELHOR FILME – DRAMA
Pantera Negra (Black Panther)
Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman)
Bohemian Rhapsody (Bohemian Rhapsody)
Se a Rua Beale Falasse (If Beale Street Could Talk)
Nasce uma Estrela (A Star Is Born)

MELHOR ATRIZ – DRAMA
Glenn Close (A Esposa)
Lady Gaga (Nasce uma Estrela)
Nicole Kidman (O Peso do Passado)
Melissa McCarthy (Poderia Me Perdoar?)
Rosamund Pike (A Private War)

MELHOR ATOR – DRAMA
Bradley Cooper (Nasce uma Estrela)
Willem Dafoe (No Portal da Eternidade)
Lucas Hedges (Boy Erased: Uma Verdade Anulada)
Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
John David Washington (Infiltrado na Klan)

MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL
Podres de Ricos (Crazy Rich Asians)
A Favorita (The Favourite)
Green Book: O Guia (Green Book)
O Retorno de Mary Poppins (Mary Poppins Returns)
Vice

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL
Emily Blunt (O Retorno de Mary Poppins)
Olivia Colman (A Favorita)
Elsie Fisher (Oitava Série)
Charlize Theron (Tully)
Constance Wu (Podres de Ricos)

MELHOR ATOR – COMÉDIA OU MUSICAL
Christian Bale (Vice)
Lin-Manuel Miranda (O Retorno de Mary Poppins)
Viggo Mortensen (Green Book: O Guia)
Robert Redford (The Old Man & the Gun)
John C. Reilly (Stan & Ollie)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Amy Adams (Vice)
Claire Foy (O Primeiro Homem)
Regina King (Se a Rua Beale Falasse)
Emma Stone (A Favorita)
Rachel Weisz (A Favorita)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali (Green Book: O Guia)
Timothée Chalamet (Querido Menino)
Adam Driver (Infiltrado na Klan)
Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?)
Sam Rockwell (Vice)

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO
Os Incríveis 2 (Incredibles 2)
Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs)
Mirai
WiFiRalph: Quebrando a Internet (Ralph Breaks the Internet)
Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man: Into the Spider-Verse)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Capernaum – LÍBANO
Girl – BÉLGICA
Never Look Away – ALEMANHA
Roma (Roma) – MÉXICO
Assunto de Família (Shoplifters) – JAPÃO

MELHOR DIREÇÃO
Bradley Cooper (Nasce uma Estrela)
Alfonso Cuaron (Roma)
Peter Farrelly (Green Book: O Guia)
Spike Lee (Infiltrado na Klan)
Adam McKay (Vice)

MELHOR ROTEIRO
Alfonso Cuaron (Roma)
Deborah Davis, Tony McNamara (A Favorita)
Barry Jenkins (Se a Rua Beale Falasse)
Adam McKay (Vice)
Peter Farrelly, Nick Vallelonga, Brian Currie (Green Book: O Guia)

MELHOR TRILHA MUSICAL
Marco Beltrami (Um Lugar Silencioso)
Alexandre Desplat (Ilha de Cachorros)
Ludwig Göransson (Pantera Negra)
Justin Hurwitz (O Primeiro Homem)
Marc Shaiman (O Retorno de Mary Poppins)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“All the Stars” (Pantera Negra)
“Girl in the Movies” (Dumplin’)
“Requiem For a Private War” (A Private War)
“Revelation’ (Boy Erased: Uma Verdade Anulada)
“Shallow” (Nasce uma Estrela)

MELHOR SÉRIE – DRAMA
The Americans
Bodyguard
Homecoming
Killing Eve
Pose

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMÁTICA
Caitriona Balfe (Outlander)
Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale)
Sandra Oh (Killing Eve)
Julia Roberts (Homecoming)
Keri Russell (The Americans)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMÁTICA
Jason Bateman (Ozark)
Stephan James (Homecoming)
Richard Madden (Bodyguard)
Billy Porter (Pose)
Matthew Rhys (The Americans)

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA OU MUSICAL
“Barry” (HBO)
“The Good Place” (NBC)
“Kidding” (Showtime)
“The Kominsky Method” (Netflix)
“The Marvelous Mrs. Maisel” (Amazon)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA OU MUSICAL
Kristen Bell (The Good Place)
Candice Bergen (Murphy Brown)
Alison Brie (Glow)
Rachel Brosnahan (The Marvelous Mrs. Maisel)
Debra Messing (Will & Grace)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA OU MUSICAL
Sacha Baron Cohen (Who Is America?)
Jim Carrey (Kidding)
Michael Douglas (The Kominsky Method)
Donald Glover (Atlanta)
Bill Hader (Barry)

MELHOR MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
The Alienist (TNT)
The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story (FX)
Escape at Dannemora (Showtime)
Sharp Objects (HBO)
A Very English Scandal (Amazon)

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Amy Adams (Sharp Objects)
Patricia Arquette (Escape at Dannemora)
Connie Britton (Dirty John)
Laura Dern (The Tale)
Regina King (Seven Seconds)

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Antonio Banderas (Genius: Picasso)
Daniel Bruhl (The Alienist)
Darren Criss (The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story)
Benedict Cumberbatch (Patrick Melrose)
Hugh Grant (A Very English Scandal)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU FILME PARA TV

Alex Borstein (The Marvelous Mrs. Maisel)
Patricia Clarkson (Sharp Objects)
Penelope Cruz (The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story)
Thandie Newton (Westworld)
Yvonne Strahovski (The Handmaid’s Tale)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Alan Arkin (The Kominsky Method)
Kieran Culkin (Succession)
Edgar Ramirez (The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story)
Ben Whishaw (A Very English Scandal)
Henry Winkler (Barry)

***

A cerimônia da 76ª edição do Globo de Ouro está marcada para o próximo dia 06 de janeiro, e contará com os atores Sandra Oh e Andy Samberg como hostess e host. Como de costume, o evento deve ser transmitido ao vivo pela TNT.

NATIONAL BOARD OF REVIEW premia ‘GREEN BOOK: O GUIA’ como MELHOR FILME

 

Film Title: Green Book

Viggo Mortensen contracena com Mahershala Ali em cena de Green Book: O Guia

FILME-FÓRMULA SOBRE RELAÇÃO INTER-RACIAL CONQUISTA O NBR

O National Board of Review divulgou sua seleção de 2018 hoje, dia 27 de novembro. De todos os prêmios da crítica, o NBR é o que mais perdeu credibilidade nos últimos anos. Não somente por não prever os filmes do Oscar, mas por reconhecer produções de qualidade meio duvidosa.

Em 2017, a organização composta por cineastas, profissionais e acadêmicos concedeu o prêmio de Melhor Filme para The Post: A Guerra Secreta. Fala sério! Até o Spielberg sabe que este foi um de seus piores trabalhos! Em 2015, deram os prêmios de Ator para Matt Damon e Diretor para Ridley Scott por Perdido em Marte. E em 2014, premiaram O Ano Mais Violento como Melhor Filme e seus atores Oscar Isaac e Jessica Chastain.

Este ano, o NBR premiou Green Book: O Guia como Melhor Filme, e reconheceram Viggo Mortensen como Melhor Ator. Até então, o filme dirigido por Peter Farrelly tinha como maior reconhecimento em seu currículo o prêmio do People’s Choice Award no Festival de Toronto. Pode ser um ótimo filme? Sim, claro. Mas pelas críticas até o momento, o filme seria uma versão masculina da fórmula batida de Estrelas Além do Tempo e Histórias Cruzadas, ambos indicados ao Oscar de Melhor Filme. A questão racial continua em alta em Hollywood e Green Book certamente fará a alegria da ideologia do politicamente correto.

A Star is Born

Vencedores do NBR, Lady Gaga e Bradley Cooper em cena de Nasce uma Estrela (pic by OutNow.CH)

Pelas categorias de atuação, o histórico dos últimos cinco anos não é nada bom. Três acertos em 20 possíveis em relação ao Oscar, ou seja, Viggo Mortensen, Lady Gaga, Sam Elliott e Regina King não se animem muito! Com exceção de Elliott, acredito que os outros três vencedores estarão entre os futuros indicados pela Academia, mas mesmo assim, as chances de vitória ainda são relativamente baixas.

Pelas categorias de Roteiro, tanto Paul Schrader, que acabou de levar o Gotham Awards por First Reformed, como Barry Jenkins por Se a Rua Beale Falasse, devem ser figuras presentes durante toda esta temporada. Por se tratar de um filme meio pesado pela temática e até filosófico demais para o Oscar, acreditava que Schrader morreria na praia, mas com esses prêmios recentes, sua campanha pode deslanchar de vez. Já Jenkins, já premiado por Moonlight, não deve encontrar dificuldades de ser indicado novamente.

Honestamente, fiquei um pouco surpreso com a vitória de Bradley Cooper como Diretor por Nasce uma Estrela. Não que não mereça tal honraria, mas por se tratar de uma estréia na direção, poderiam tê-lo premiado como Diretor Estreante, que foi para Bo Burnham, merecidamente, por Oitava Série.

Dentre os filmes totalmente ignorados pelo NBR estão A Favorita, do Yorgos Lanthimos (nenhuma das três atrizes deu as caras por aqui), O Primeiro Homem, de Damien Chazelle, o Vice, de Adam McKay, e o Infiltrado na Klan, de Spike Lee.

Por preferência pessoal, votaria em Ilha dos Cachorros no lugar de Os Incríveis 2 como Melhor Longa de Animação, e votaria no sul-coreano Em Chamas no lugar do polonês Guerra Fria como Filme em Língua Estrangeira. Aliás, foi uma surpresa Roma, de Alfonso Cuarón, não ter sido o premiado aqui, mas ficou entre os cinco melhores.

Cold War 2

Joanna Kulig e Tomasz Kot em cena de Guerra Fria (pic by OutNow.CH)

Apesar da lista de vencedores já ter sido divulgada, a cerimônia de entrega dos prêmios só acontecerá no dia 08 de janeiro em Nova York.

Vencedores do National Board of Review 2018:

FILME
Green Book: O Guia (Green Book)

DIREÇÃO
Bradley Cooper (Nasce uma Estrela)

ATOR
Viggo Mortensen (Green Book: O Guia)

ATRIZ
Lady Gaga (Nasce uma Estrela)

ATOR COADJUVANTE
Sam Elliott (Nasce uma Estrela)

ATRIZ COADJUVANTE
Regina King (Se a Rua Beale Falasse)

ROTEIRO ORIGINAL
Paul Schrader (First Reformed)

ROTEIRO ADAPTADO
Barry Jenkins (Se a Rua Beale Falasse)

LONGA DE ANIMAÇÃO
Os Incríveis 2 (Incredibles 2)

REVELAÇÃO
Thomasin McKenzie (Não Deixe Rastros)

DIRETOR ESTREANTE
Bo Burnham (Oitava Série)

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Guerra Fria (Zimna wojna), de Pawel Pawlikowski

DOCUMENTÁRIO
RBG, de Julie Cohen e Betsy West

ELENCO
Podres de Ricos (Crazy Rich Asians)

WILLIAM K. EVERSON FILM HISTORY AWARD
O Outro Lado do Vento (The Other Side of the Wind), de Orson Welles

Serei Amado Quando Morrer (They’ll Love Me When I’m Dead), de Morgan Neville

NBR FREEDOM OF EXPRESSION AWARD
22 de Julho (22 July), de Paul Greengrass
On Her Shoulders, de Alexandria Bombach

TOP 10 FILMES (em ordem alfabética)
The Ballad of Buster Scruggs
Pantera Negra (Black Panther)
Poderia me Perdoar? (Can You Ever Forgive Me?)
Oitava Série (Eighth Grade)
First Reformed
Se a Rua Beale Falasse (If Beale Street Could Talk)
O Retorno de Mary Poppins (Mary Poppins Returns)
Um Lugar Silencioso (A Quiet Place)
Roma
Nasce uma Estrela (A Star Is Born)

TOP 5 FILMES EM LÍNGUA ESTRANGEIRA (in alphabetical order)
Em Chamas (Beoning)
Custódia (Jusqu’à la garde)
A Culpa (Den skyldige)
Happy as Lazzaro (Lazzaro Felice)
Assunto de Família (Manbiki kazoku)

TOP 5 DOCUMENTÁRIOS (in alphabetical order)
Crime + Punishment
Free Solo
Minding the Gap
Three Identical Strangers
Won’t You Be My Neighbor?

TOP 10 FILMES INDEPENDENTES (in alphabetical order)
A Morte de Stalin (The Death of Stalin)
A Rota Selvagem (Lean on Pete)
Não Deixe Rastros (Leave No Trace)
Mid90s
The Old Man & the Gun
Domando o Destino (The Rider)
Buscando… (Searching)
Sorry to Bother You
We the Animals
Você Nunca Esteve Realmente Aqui (You Were Never Really Here)

APOSTAS PARA O OSCAR 2017: O Ano de ‘LA LA LAND’

Pôster oficial do Oscar 2017, com o host Jimmy Kimmel

Pôster oficial do Oscar 2017, com o host Jimmy Kimmel

EM SUA 89ª EDIÇÃO, O OSCAR PODE VOLTAR A PREMIAR UM MUSICAL APÓS 14 ANOS

Yes, it’s Oscar time! Infelizmente, este ano coincidiu com o Carnaval, este evento anual que é responsável por ruas públicas urinadas, e com isso, a Globo, que é detentora dos direitos de transmissão, não deve passar ao vivo porque o Carnaval é mais importante, né gente? Primeiro vem o Carnaval, em segundo o Big Brother e se sobrar tempo, vem o Oscar. Aí eu pergunto: Por que não deixar outra emissora aberta transmitir? Porque a Globo não gosta de concorrência.

Enfim, felizmente, o Oscar pode contar com a TNT, que aliás, iniciará sua transmissão a partir das 21h, horário de Brasília, quando teremos o famoso tapete vermelho e as entrevistas. Para quem ouve a faixa de áudio com tradução simultânea, poderá contar com os comentários de Rubens Ewald Filho e Domingas Person. Como a tradução mais atrapalha do que ajuda, prefiro sempre ouvir em áudio original em inglês.

HOST: JIMMY KIMMEL

É difícil prevermos se um host mandará bem ou não no Oscar, por isso, os produtores do evento costumam fazer apostas mais seguras, convidando profissionais que lidam com humor de stand up como Chris Rock ou que tenham os próprios talk shows como David Letterman. Das poucas vezes que arriscaram, os resultados foram desastrosos: em 2010, a dupla Steve Martin e Alec Baldwin; e em 2011, a dupla mais sem química de todas Anne Hathaway e James Franco. Honestamente, até hoje não entendo quem teve a brilhante idéia de fazer essa combinação.

Os produtores desta 89ª cerimônia, Michael de Luca e Jennifer Todd, foram no safe bet (aposta segura) com Jimmy Kimmel. Seu talk show, o Jimmy Kimmel Live!, trabalha bem com sátiras de filmes e assim como o Oscar, é transmitido ao vivo, o que lhe garante experiência nos possíveis imprevistos. Além disso, Kimmel já foi host do Emmy Awards duas vezes. Espero que ele faça uma ótima apresentação, porque 3 horas de show tem que saber não deixar a peteca cair! Mas se dependesse de mim, pediria o retorno de Jon Stewart (ele seria perfeito nesse momento de turbulências políticas de Trump!), ou se fosse pra “estrear” alguém, chamaria Jim Carrey, que sempre foi muito bem nas apresentações de prêmios do Oscar e Globo de Ouro.

A 89ª EDIÇÃO DO OSCAR

Após conferir todos os nove filmes indicados a Melhor Filme, consegui chegar a um veredito pessoal. Claro que alguns vão concordar e outros podem discordar, afinal, estamos falando de Arte, que pode ser interpretada de acordo com cada espectador. De todos os nove, se eu fosse membro da Academia, votaria no western moderno A Qualquer Custo. Trata-se de um filme bem realizado, com uma direção segura e minimalista de David Mackenzie (que infelizmente não foi indicado), todo o elenco apresenta performances acima da média, inclusive os quase figurantes em cena, os personagens são ricos e complexos, e gera reflexão enquanto expõe o país do pós-crise econômica e nos diverte com suas piadas politicamente incorretas proferidas pelo personagem Marcus Hamilton (Jeff Bridges). Não entendi como Ben Foster não estava entre os indicados a Ator Coadjuvante.

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A Qualquer Custo (Hell or High Water)

Mas ao mesmo tempo, entendo o hype em torno de La La Land, que concorre a 14 Oscars. Primeiramente, é um dos bons exemplares do gênero musical, que predominava na Hollywood dos anos 50 e 60. Fazer um musical bem feito hoje em dia é para poucos. Não contamos mais com Fred Astaire, Ginger Rogers e Gene Kelly pra ajudar o musical a brilhar. Mas acima da qualidade fílmica em si, o filme de Damien Chazelle merece os láureos da temporada por saber dialogar sobre o sonho artístico. E não precisa ter feito faculdade ou trabalhado com Artes pra ser pego por La La Land, afinal, quem nunca teve o sonho de viver de Arte? Fazer um filme, pintar quadros, fazer exposições com suas fotos, ser cantor! Depois de conferirmos La La Land, é possível entender um pouco melhor os percalços de cada aspirante a artista, seja em Hollywood, seja na Índia.

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La La Land: Cantando Estações (La La Land)

Se A Chegada vencesse o Oscar de Melhor Filme, não seria nada injusto. Primeiramente, porque o gênero da ficção científica sempre foi considerado como Filme B pela Academia, tanto que nunca foi premiado como Melhor Filme em 88 anos de história. E em segundo lugar, o filme de Denis Villeneuve é mais do que um mero sci-fi. Aproveitando-se de uma história de invasão alienígena, ele cria uma análise do poder da comunicação entre povos como antítese da guerra. Em tempos de extrema direita de Donald Trump, em que imigrantes estão sendo deportados por pertencerem à religião muçulmana e de sete países do Oriente Médio, percebe-se claramente que está havendo uma falta de comunicação entre as nações. Embora tenha seu diretor indicado, a campanha do filme perdeu um pouco de sua força quando sua protagonista vivida por Amy Adams foi excluída da categoria de Melhor Atriz.

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A Chegada (Arrival)

Entre os filmes indies, o novo filme de Kenneth Lonergan, Manchester à Beira-Mar, foi um dos grandes destaques da temporada. Favorito nas categorias de Roteiro Original e Ator, o longa realmente tem seus maiores méritos justamente nesses dois campos. Com ampla experiência em peças, Lonergan consegue tecer uma história poderosa sobre perdas e traumas familiares, sem cair nos chavões dramáticos do subgênero. Mesmo numa história sobre luto, ele consegue criar momentos de ótimo humor negro, elemento esse que casou muito bem com a performance introspectiva de Casey Affleck. Na verdade, o elenco todo está bem equilibrado, já que Lucas Hedges se contrapõe a Affleck com sua energia, e Michelle Williams consegue extrair um pouco do passado tenebroso com sua sensibilidade.

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Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea)

 

Quanto ao filme de guerra Até o Último Homem, acredito que a indicação em si teve dois propósitos. Primeiramente, a Academia sempre gosta de preencher uma cota de filme de mocinho. A história verídica do soldado que nunca pegou numa arma, mas salvou várias vidas tinha de ser contada. E em segundo, a Academia gosta de perdoar artistas numa tentativa de causar uma redenção. Foi assim com problemáticos como Robert Downey Jr. e Sean Penn. Aqui é Mel Gibson, que nos últimos anos, soltou declarações polêmicas anti-semitas em situações constrangedoras, como quando foi pego bêbado pela polícia. Acho um bom filme, consistente, bem filmado por Gibson, mas peca pelo excesso nítido de Cristianismo. Daria pra dizer que é um filme patrocinado pela Igreja Cristã de tantas menções bíblicas e a forte inclinação do protagonista vivido por Andrew Garfield.

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Até o Último Homem (Hacksaw Ridge)

Em relação a Lion: Uma Jornada Para Casa e Um Limite Entre Nós, vejo um problema grave de adaptação. Vamos partir do princípio fundamental de que Cinema, Literatura e Teatro são formas de Arte distintas entre si. Cada meio de comunicação tem suas características muito próprias que precisam ser respeitadas para que funcionem. Nem tudo o que funcionou no livro vai funcionar no filme, assim como tudo o que funcionou numa peça vai funcionar no filme. Embora sejam duas histórias que precisavam ser contadas (Lion é sobre um rapaz indiano que encontra sua mãe biológica depois de vários anos, e Um Limite Entre Nós faz um belo estudo sobre a vida suburbana num bairro negro nos anos 60), faltou alguém que lapidasse as coisas que não funcionam em cinema.

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Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion)

Em Lion, o segundo ato é totalmente ineficiente. Temos um ótimo começo e um ótimo final, mas o desenvolvimento da trama simplesmente nos faz engolir alguns acontecimentos por serem verídicos. Além disso, a personagem de Rooney Mara, apesar de ser real também, poderia ter sido cortada por completo, pois além de um papel mal escrito, não ajuda em nada a avançar a trama. Já em Um Limite Entre Nós, não tem como assistir ao filme sem pensar na peça de teatro. Eu mesmo ficava imaginando a história toda encenada num palco. Claro que não se trata apenas de um cenário confinando os personagens, mas a história toda se baseia em texto (diálogos bem defendidos pelos atores, especialmente Viola Davis, que tem dois monólogos), e Cinema é texto transformado em ação. Até movimentos de câmera foram economizados e a adaptação ficou essa coisa pobre. O texto original de August Wilson merecia um tratamento melhor pras telas. Honestamente, não entendi alguns críticos defendendo reconhecimento de Denzel Washington como diretor…

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Um Limite Para Nós (Fences)

Falando em coisas que não entendi foi o alto reconhecimento para Moonlight: Sob a Luz do Luar, começando pelo roteiro de Barry Jenkins. Ele reúne temas fortes e polêmicos como homossexualidade e drogas, mas os trata de forma superficial, quase estereotipada. Temos uma mãe viciada que maltrata seu filho, que passa a ser cuidado por um ex-traficante, e ao amadurecer, descobre-se homossexual e sofre bullying por sua opção sexual. Essa reunião de elementos me pareceu muito didática com soluções muito simples, algo comum para diretores em processo de formação. Obviamente, há méritos isolados como a atuação de Mahershala Ali, que merecia mais tempo de filme, e a trilha musical de Nicholas Britell, mas no geral considero uma produção superestimada, e muito provavelmente só está em alta por pegar carona com a polêmica do #OscarSoWhite. A Academia precisava eleger um filme que pudesse responder às críticas que sofreu ano passado e optou por este. Contudo, quero deixar bem claro que não estou criticando Moonlight por seus temas (antes que venham comentários politicamente corretos), mas a forma como os temas foram trabalhados. Já vi e gostei de inúmeros filmes que abordam o mesmo universo, porém de um jeito mais maduro e consistente como o Querelle, do Fassbinder, por exemplo, ou os mais recentes como Mistérios da Carne, Direito de AmarWeekend. Pode ser que lá pra frente Barry Jenkins se torne um bom diretor, pois tem potencial, mas por enquanto é cedo demais para tanto.

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Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight)

E por último, apesar de ser mega convencional, Estrelas Além do Tempo funciona. De todos os filmes de temática negra é o que mais sabe valorizar a raça com personagens fortes e uma história sensacional e verídica de moças negras que ajudaram a NASA a levar John Glenn ao espaço com seus conhecimentos técnicos.É uma fórmula batida? Sim, mas está bem aplicada. Não sei se merecia o posto de indicado a Oscar de Melhor Filme, mas pelo menos é honesto. Não entendi bem a indicação isolada para Octavia Spencer, já que todas as atrizes estão bem, embora Taraji P. Henson tenha o papel mais tridimensional por ser a protagonista de fato. Enfim, é uma história edificante que a Academia adora reconhecer, mesmo sendo quadrado.

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Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)

MELHOR FILME

  • A Chegada (Arrival)
  • Um Limite Entre Nós (Fences)
  • Até o Último Homem (Hacksaw Ridge)
  • A Qualquer Custo (Hell or High Water)
  • Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)
  • La La Land: Cantando Estações (La La Land)
  • Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion)
  • Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea)
  • Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight)
La La Land: A Última Estação (La La Land)

La La Land: Cantando Estações (La La Land), de Damien Chazelle

DEVE GANHAR: La La Land
DEVERIA GANHAR: La La Land
ZEBRA: A Qualquer Custo

ESNOBADO: Animais Noturnos

Este ano, a Academia decidiu praticamente reproduzir a lista de indicados do PGA (sindicato de produtores), com a única exceção de Deadpool, injustamente excluído. Embora o filme do personagem da Marvel tenha se saído bem na temporada, com participações no Critics’ Choice, Globo de Ouro e no próprio PGA, não conseguiu furar o bloqueio do conservadorismo dos votantes da Academia. Eles ainda têm aversão a adaptações de quadrinhos, mesmo depois de ser severamente criticada com a não-indicação de Batman: O Cavaleiro das Trevas em 2009.

Se Histórias em Quadrinhos ainda é um subgênero que não merece o respeito da Academia, por que não indicar Animais Noturnos? Apesar de se tratar apenas do segundo longa de Tom Ford (que merecia uma indicação de Roteiro Adaptado), o filme é marcante pela tensão das cenas. Teria sido tenso demais para os corações dos votantes mais idosos?

Quanto aos resultados, de acordo com o histórico da temporada, o musical La La Land deve ganhar sem maiores sustos, já que levou o Globo de Ouro, o PGA e o BAFTA. Como a Academia adora premiar filmes que tem como tema Hollywood (O Artista, por exemplo) e o universo dos atores (Birdman), o musical é nada mais, nada menos do que a junção das duas coisas. A única ameaça atende pelo nome de Moonlight, que pode surpreender no caso dos quase 7 mil membros decidirem responder às críticas racistas do ano passado.

MELHOR DIRETOR

  • Damien Chazelle (La La Land)
  • Mel Gibson (Até o Último Homem)
  • Barry Jenkins (Moonlight)
  • Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
  • Denis Villeneuve (A Chegada)

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DEVE GANHAR: Damien Chazelle (La La Land)
DEVERIA GANHAR: Denis Villeneuve (A Chegada)
ZEBRA: Mel Gibson (Até o Último Homem)

ESNOBADO: David Mackenzie (A Qualquer Custo)

Após as vitórias no Critics’ Choice, Globo de Ouro e no próprio sindicato de diretores (DGA), fica praticamente impossível Damien Chazelle não levar seu primeiro Oscar aos 32 anos, e se tornar o mais jovem profissional a ganhar nesta categoria. “Ah, mas ele não é muito jovem para ganhar?” – alguns podem se questionar. Sim, ele pode ter a idade de um artista em formação, mas para quem viu La La Land, sabe que estava diante de um trabalho altamente profissional e excepcional. Como um bom discípulo de Quentin Tarantino, ele se apoiou em inúmeras referências que vão desde Amor Sublime Amor até Os Guarda-Chuvas do Amor, já que apostar no gênero consagrado por ícones do cinema, tinha altas probabilidades de ser um projeto fracassado.

A zebra ficou com Mel Gibson, porque ele foi o elemento surpresa da categoria e também porque foi o único da lista que fora indicado previamente (e ganhou por Coração Valente em 1996). Sua indicação já foi vista por muitos como um perdão aceito pela Academia em relação às declarações anti-semitas dele. A respeito da direção dele, acho que ele pecou em dois aspectos: o excesso de Cristianismo (o filme parece patrocinado pela Igreja), e a questão da unidade, já que a primeira e a segunda metade são filmes bem diferentes.

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David Mackenzie

Apesar dos diretores ausentes mais comentados serem Tom Ford (Animais Noturnos) e Garth Davis (Lion), meu voto de maior ausência aqui vai para a direção mais minimalista e eficiente de David Mackenzie. Bastante conciso, ele consegue contar uma boa história, dirigir muito bem todos os seus atores (desde os protagonistas até os quase-figurantes) e ainda construir um poderoso reflexo da crise econômica que desolou os EUA sem soar piegas. Responsável por bons dramas independentes desde os anos 90, uma indicação aqui não apenas reconheceria sua filmografia, mas poderia proporcionar projetos ainda mais ambiciosos e até lhe dar carta branca com o estúdio.

MELHOR ATOR

  • Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
  • Andrew Garfield (Até o Último Homem)
  • Ryan Gosling (La La Land)
  • Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)
  • Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
Segundo críticos, Casey Affleck entrega a performance de sua vida em Manchester à Beira-Mar (photo by moviepilot.de)

Segundo críticos, Casey Affleck entrega a performance de sua vida em Manchester à Beira-Mar (photo by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
DEVERIA GANHAR: Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
ZEBRA: Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)

ESNOBADO: Adam Driver (Paterson)

Quando a temporada começou, Casey Affleck ganhou importantes prêmios de Ator como o National Board of Review, o NYFCC e o Globo de Ouro, mas nas últimas semanas, teve seu reinado ameaçado com a vitória de Denzel Washington no SAG Awards. Como todos sabem, uma vitória no sindicato de atores é meio Oscar ganho, pois boa parte dos votantes do sindicato também votam na Academia. O único porém nessa história é que Denzel nunca havia vencido o SAG em 22 anos de existência, fato que teria colaborado com sua primeira vitória.

Já no Oscar, vale lembrar que o ator já conquistou duas estatuetas: Coadjuvante por Tempo de Glória em 1990 e Ator por Dia de Treinamento em 2002, e se ganhar a terceira, juntar-se-á um seleto grupo de atores que inclui Jack Nicholson e Meryl Streep. Particularmente, não acho que ele mereça tudo isso, pois vejo que ele tem algumas limitações como ator, começando com suas escolhas restritas de papéis, normalmente de personagens arrogantes e rebeldes. E para quem conferiu Manchester à Beira-Mar, sabe que estava diante de uma performance contida e repleta de nuances, que apenas o cinema poderia proporcionar. Infelizmente, levantaram um suposto incidente envolvendo atitudes machistas de Casey Affleck em set de filmagens, que podem prejudicar seu favoritismo. E, honestamente, ele poderia se ajudar nas premiações, sendo mais alegre e grato. Já que ele é ator, poderia pelo menos fingir que realmente gostou de ser reconhecido!

MELHOR ATRIZ

  • Isabelle Huppert (Elle)
  • Ruth Negga (Loving)
  • Natalie Portman (Jackie)
  • Emma Stone (La La Land)
  • Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Emma Stone em cena do musical La La Land: Cantando Estações (photo by tumblr.com)

Emma Stone em cena do musical La La Land: Cantando Estações (photo by tumblr.com)

DEVE GANHAR: Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
DEVERIA GANHAR: Isabelle Huppert (Elle)
ZEBRA: Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)

ESNOBADA: Amy Adams (A Chegada)

Após ganhar o Globo de Ouro, o SAG e o BAFTA, Emma Stone só perde seu primeiro Oscar em caso de tragédia surpreendente, que particularmente, gostaria que ocorresse. Obviamente, ela merece uma série de elogios em relação à sua performance, sua voz cantada e principalmente seu carisma, tanto que se tornou a nova America’s sweetheart. Definitivamente, sua melhor cena é aquela em que canta “Audition (The Fools Who Dream)”, pois ao mesmo tempo em que canta, ela expõe a última chama do sonho dela de atuar.

Além do carisma, Emma tem vantagem em dois campos: o papel e a nacionalidade. Sim, ela interpreta uma atriz que tenta alcançar seu objetivo, e sim, ela é americana. Com essas armas, ela deverá bater a melhor atriz em competição: Isabelle Huppert, que além de ser francesa, interpreta uma personagem bastante complexa que não espera a identificação do público em Elle. Embora seja a melhor atuação feminina, ganhando vários prêmios da crítica, inclusive americana, quando se trata de Oscar, parece que o patriotismo fala mais alto. Em 89 anos de história, a Academia premiou apenas três atores que atuaram em língua estrangeira: os italianos Sophia Loren e Roberto Benigni, e a francesa Marion Cotillard. Em caso de vitória de Huppert, o Oscar ganharia muito em credibilidade.

E a ausência mais comentada do Oscar 2017 foi a de Amy Adams. Esta seria sua sexta indicação ao Oscar, mas talvez por questão de timing, resolveram substitui-la com Meryl Streep após aquele grandioso discurso de agradecimento no Globo de Ouro contra Trump. Considero Adams uma boa atriz, mas torço para que ela busque se desafiar mais em papéis que nada se assemelham à figura dela, e ela possa mostrar ao público um tom de voz, um jeito de caminhar, uns trejeitos mais diferentes ou até apelar pra uma maquiagem mais forte para alguém dizer “aquela é a Amy Adams”? Pode soar como uma estratégia barata e superficial, mas funciona e esse pode ser o caminho para o primeiro Oscar dela.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

  • Mahershala Ali (Moonlight)
  • Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
  • Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
  • Dev Patel (Lion)
  • Michael Shannon (Animais Noturnos)
Mahershala Ali em cena de Moonlight (photo by moviepilot.de)

Mahershala Ali em cena de Moonlight (photo by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Mahershala Ali (Moonlight)
DEVERIA GANHAR: Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
ZEBRA: Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)

ESNOBADO: John Goodman (Rua Cloverfield, 10) e Ben Foster (A Qualquer Custo)

Nessa categoria, nunca houve um favorito de fato, tanto que o que mais teve relevância  na temporada, Aaron Taylor-Johnson, sequer foi indicado ao Oscar por Animais Noturnos. Na indecisão, Mahershala Ali se tornou um favorito depois que ganhou o SAG e fez um belo e propício discurso sobre ter origens muçulmanas perante a decisão xenófoba do presidente Donald Trump.

Embora muitos falem que Jeff Bridges foi Jeff Bridges em A Qualquer Custo, gosto da atuação dele. Claro que ele não se transforma, e seu tom de voz é aquele mesmo de Coração Louco, mas ele assume tão bem a personalidade politicamente incorreta do Texas Ranger Marcus que suas falas são memoráveis. E a atuação dele cresce com minúcias como a pausa silenciosa dele após ser atendido por uma garçonete arrogante, ou ele soltar uma comemoração tímida após acertar um tiro.

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John Goodman

Além dos indicados, dois nomes não poderiam ter ficado de fora dessa lista: John Goodman e Ben Foster. O primeiro, mais conhecido por personagens bonzinhos como Fred Flinstone e até na dublagem de Sully na animação Monstros S.A., jogou tudo para o alto ao assumir o papel do sinistro Howard, que mantém a ordem em seu abrigo subterrâneo. E não se trata apenas de uma mudança radical de tipos de papéis, mas ele consegue segurar o filme todo nas costas mesmo sob a pele de um ser desprezível em Rua Cloverfield, 10. Acreditava que a Academia não perderia essa oportunidade de reconhecê-lo pela primeira vez, mas creio que seu papel bem pesado acabou o tirando da disputa. Uma pena.

E quanto a Ben Foster, alguns anos atrás, fiz uma matéria sobre atores promissores e o incluí nessa lista: https://cinemaoscareafins.wordpress.com/2012/07/19/nova-geracao-de-atores/. Apesar de pegar uns papéis de seres meio estranhos e

Ben Foster

Ben Foster

violentos, ele consegue se transformar sem deixar rastros como faz grandes atores como Daniel Day-Lewis. Aqui no western moderno de A Qualquer Custo, ele atua como o irmão que foi preso e largou a família na mão em tempos difíceis. Um personagem complexo e anti-herói, mas que Foster oferece uma empatia tão grande que fica difícil não torcer por ele até o final. Também seria sua primeira indicação, mas… é mera questão de tempo para Ben Foster pisar o tapete vermelho.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

  • Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
  • Naomie Harris (Moonlight)
  • Nicole Kidman (Lion)
  • Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
  • Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
Viola Davis em cena de Um Limite Entre Nós (pic by moviepilot.de)

Viola Davis em cena de Um Limite Entre Nós (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
DEVERIA GANHAR: Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
ZEBRA: Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)

ESNOBADAS: Laura Linney (Animais Noturnos)

Viola Davis está simplesmente imbatível em Um Limite Entre Nós. Além de expôr suas entranhas em dois monólogos, ela consegue dobrar Denzel Washington no meio e a única que consegue fazer aquele personagem chato calar a boca. Na internet, muitos pediam a indicação de Viola como Melhor Atriz, mas infelizmente, como ela mesma defendeu, sua personagem é secundária no filme. Talvez na peça, pelo qual ela ganhou o Tony Award, tenha sido mais protagonista, mas no filme ela fica em segundo plano. Mas para quem conhece o talento da atriz sabe que um Oscar como Melhor Atriz não tardará em sua carreira. Ela sim, ao contrário de Denzel, merece estar no mesmo panteão de atores que ganharam 3 Oscars…

As demais concorrentes da categoria também têm pouco tempo de tela, principalmente Michelle Williams que está em três cenas curtas em Manchester à Beira-Mar. Claro que uma atuação boa pode durar dois minutos como aconteceu com Laura Linney em Animais Noturnos, mas para vencer esta estatueta, a personagem tem de apresentar uma profundidade e relevância um pouco maior, algo que faltou para Octavia Spencer em Estrelas Além do Tempo.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

  • Taylor Sheridan (A Qualquer Custo)
  • Damien Chazelle (La La Land)
  • Yorgos Lanthimos e Efthymis Filippou (O Lagosta)
  • Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
  • Mike Mills (Mulheres do Século 20)
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Michelle Williams discute com Casey Affleck em uma das cenas mais fortes do drama escrito por Kenneth Lonergan (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
DEVERIA GANHAR: Taylor Sheridan (A Qualquer Custo)
ZEBRA: Mike Mills (Mulheres do Século 20)

ESNOBADO: Shane Black e Anthony Bagarozzi (Dois Caras Legais)

O dramaturgo Kenneth Lonergan criou um roteiro que poderia servir como base para uma ótima peça de teatro, com personagens tridimensionais e cenas poderosas. Soube adaptar para o cinema com atuações minuciosas e flashbacks que guardam o segredo da trama. Com isso, levou boa parte dos prêmios de roteiro e pode ser o único Oscar do filme Manchester à Beira-Mar.

Contudo, a categoria de Roteiro Original é uma das mais fortes do ano e temos competidores de respeito que poderiam facilmente sair vitoriosos. Se formos levar em conta a originalidade, O Lagosta seria o melhor sem sombra de dúvidas. Tendo como cenário um clima futurista, a dupla Yorgos Lanthimos e Efthymis Filippou cria todo um sistema que pune o ser humano solteiro transformando-no em um animal de sua escolha. Além da criatividade, o roteiro permite um questionamento mais profundo do amor como sentimento mais humano ou se seria apenas uma convenção da sociedade.

Embora a seleção esteja em alto nível aqui, ainda defendo o roteiro de Taylor Sheridan de A Qualquer Custo, no qual temos uma trama simples, com personagens ricos, diálogos memoráveis e algo que aprecio bastante: a crítica social e econômica. Os personagens centrais são irmãos que assaltam o mesmo banco que lhes rouba dinheiro em hipotecas. Vemos uma Texas devastada pela crise econômica preenchida por casas à venda e outdoors anunciando empréstimos. E é o único dos concorrentes que eu assistiria várias vezes.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

  • Eric Heisserer (A Chegada)
  • August Wilson (Um Limite Entre Nós)
  • Allison Schroeder e Theodore Melfi (Estrelas Além do Tempo)
  • Luke Davis (Lion)
  • Barry Jenkins (Moonlight)

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DEVE GANHAR: Barry Jenkins (Moonlight)
DEVERIA GANHAR: Eric Heisserer (A Chegada)
ZEBRA: August Wilson (Um Limite Entre Nós)

ESNOBADO: Tom Ford (Animais Noturnos)

Ao contrário da categoria vizinha Original, aqui os concorrentes deixam a desejar e assim, abre caminho para Barry Jenkins provavelmente levar seu Oscar de consolação por não conseguir levar Melhor Filme e Diretor por Moonlight. Ok, acho bacana o Jenkins ser reconhecido pela dupla função roteirista/diretor, provando que Hollywood tem lugar para todas as raças, religiões e nacionalidades, MAS se for pra premiar o melhor mesmo aqui, o ideal seria entregar o Oscar para Eric Heisserer por A Chegada.

Por seu vasto e extenso histórico, o gênero da ficção científica sempre buscou fazer críticas sociais num cenário de invasão alienígena, desde os filmes de Roger Corman, portanto, o roteiro de A Chegada mantém essa tradição ao apontar a falha de comunicação entre os povos que gera conflitos intermináveis. Como ressalta a personagem central de Amy Adams, “a linguagem é a fundação da civilização”. Eric Heisserer nos introduz a esse cenário de interação com seres de outro espaço para nos contar um pouco mais sobre nós mesmos.

Só lembrando que caso August Wilson vença por seu roteiro de Um Limite Sobre Nós, será um Oscar póstumo, já que ele faleceu em 2005. E mais um adendo: Cadê Tom Ford nessa categoria?? O homem sabe escrever roteiro e costurar um terno impecável. Quer mais o quê, Academia?

MELHOR FOTOGRAFIA

  • Bradford Young (A Chegada)
  • Linus Sandgren (La La Land)
  • Greig Fraser (Lion)
  • James Laxton (Moonlight)
  • Rodrigo Prieto (Silêncio)
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A fotografia de Greig Fraser em Lion (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Linus Sandgren (La La Land)
DEVERIA GANHAR: Greig Fraser (Lion: Uma Jornada Para Casa)
ZEBRA: Rodrigo Prieto (Silêncio)

ESNOBADO: Seamus McGarvey (Animais Noturnos)

Embora a fotografia de Linus Sandgren seja a mais chamativa pela sua paleta de cores, acredito que a composição de luzes foi melhor trabalhada por Greig Fraser no drama Lion. Na verdade, tudo é tão belamente fotografado que até nos esquecemos que se trata de um filme triste de perdas. Existem cenas naturais como as montanhas com borboletas e cenas com luz artificial como as das estações de trem, que torna a fotografia de Fraser mais eclética.

Não ficaria nem um pouco chateado se Rodrigo Prieto levasse o Oscar, porque vale já pelos enquadramentos. E também porque seria um ótimo consolo para o filme de Martin Scorsese, Silêncio, que recebeu apenas essa indicação.

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

  • Patrice Vermette, Paul Hotte (A Chegada)
  • Stuart Craig, Anna Pinnock (Animais Fantásticos e Onde Habitam)
  • Jess Gonchor, Nancy Haigh (Ave, César!)
  • David Wasco, Sandy Reynolds-Wasco (La La Land)
  • Guy Hendrix Dyaz, Gene Sardena (Passageiros)
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Direção de Arte de Passageiros (pic by cine.gr)

DEVE GANHAR: La La Land
DEVERIA GANHAR: Passageiros
ZEBRA: Ave, César!

ESNOBADO: Seong-hie Ryu (A Criada)

Em se tratando de design de criação, as duas ficções científicas, Passageiros e A Chegada, estão à frente das demais. Particularmente, a direção de arte de Passageiros se mostra mais relevante pelo fato do filme todo se passar dentro de uma espaçonave. Embora seja composta por referências espaciais de outros filmes, como as câmaras criogênicas da franquia Alien, a arte conceitual futurista da nave merece elogios.

Agora, em termos de reprodução, a arte de La La Land nos remete aos anos dourados de Hollywood ao exibir os ambientes de sets de filmagem, e cria cenários bem feitos como o jazz club.

Contudo, nenhum trabalho foi mais majestoso do que o filme sul-coreano A Criada, que reproduz as várias construções da Coréia dos anos 30. Por apresentar uma trama repleta de sexo e violência, não imaginava que passaria pelo crivo conservador da Academia, mas acreditava que poderia ser indicado nas categorias técnicas como Arte e Figurino. Ponto negativo para a Academia, já que preferiu reconhecer trabalhos menos competentes por serem americanos e britânicos.

MELHOR MONTAGEM

  • Joe Walker (A Chegada)
  • John Gilbert (Até o Último Homem)
  • Jake Roberts (A Qualquer Custo)
  • Tom Cross (La La Land)
  • Joi McMillon, Nat Sanders (Moonlight)
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Amy Adams e Jeremy Renner em cena de A Chegada (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Tom Cross (La La Land)
DEVERIA GANHAR: Joe Walker (A Chegada)
ZEBRA: Jake Roberts (A Qualquer Custo)

ESNOBADO: Jae-Bum Kim e Sang-Beong Kim (A Criada)

Qual foi a montagem mais trabalhosa de todos os indicados? Respondo na lata: La La Land. Os cortes tinham que ser precisos para que a música não parasse, e ditasse o ritmo do filme. Embora haja ótimos planos-sequência (quando não há cortes), o trabalho de Tom Cross merece respeito pela complexidade de sua edição. Talvez por ter vencido um Oscar há dois anos por Whiplash: Em Busca da Perfeição, ele pode ser preterido, e aí poderia entrar Joe Walker em cena por A Chegada.

Por utilizar flash-forwards (adiantamento de trechos que se passam depois na linha do tempo), a montagem de Joe Walker se mostra mais fresca que as demais. Ele soube casar muito bem os trechos que precisava adiantar no momento certo da trama para que o público pudesse entender o que estava havendo sem subestimá-lo. De uma forma geral também, a edição acompanha a tensão na sequência final, em que uma guerra está iminente. Walker foi indicado por 12 Anos de Escravidão, mas não levou o Oscar, e deveria ter sido indicado por Sicario no ano passado.

Lembrei também da montagem de A Criada, pois cria três linhas narrativas (devido aos três personagens) que fazem a trama avançar com surpreendentes revelações. A edição me fez lembrar de Rashomon, de Akira Kurosawa, que cria três sequências diferentes para um mesmo ato.

MELHOR FIGURINO

  • Joanna Johnston (Aliados)
  • Colleen Atwood (Animais Fantásticos e Onde Habitam)
  • Consolata Boyle (Florence: Quem é Essa Mulher?)
  • Madeline Fontaine (Jackie)
  • Mary Zophres (La La Land)
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Figurino ensanguentado de Jackie (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Mary Zophres (La La Land)
DEVERIA GANHAR: Madeline Fontaine (Jackie)
ZEBRA: Joanna Johnston (Aliados)

ESNOBADO: Sang-gyeong Jo (A Criada)

Toda vez que eu via o trailer de Jackie, eu já imaginava: “Esse filme vai ganhar o Oscar de Figurino!”, porque aquelas roupas da ex-primeira dama Jacqueline Kennedy eram muito chamativas. Normalmente, prefiro mais criações do que recriações, mas aqui houve uma pesquisa tão ampla que os figurinos passaram a ser parte fundamental da trama. Quando as roupas apresentam uma importância na história e não apenas algo ilustrativo, elas costumam render um Oscar como Memórias de uma Gueixa ou Maria Antonieta.

Mas acredito que este ano, a quantidade de figurinos pode ser mais crucial para a vitória de Mary Zophres. Ela foi responsável pelas roupas coloridas de La La Land. Embora o foco sejam os vestidos da personagem de Emma Stone, é evidente o trabalho de cores nos figurinos de personagens secundários e figurantes. Aliado à direção de arte e fotografia, o figurino ajuda Damien Chazelle a contar sua história de sonhos Hollywoodianos.

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO

  • Um Homem Chamado Ove
  • Star Trek: Sem Fronteiras
  • Esquadrão Suicida
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Sofia Boutella sob forte maquiagem em Star Trek: Sem Fronteiras (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Star Trek: Sem Fronteiras
DEVERIA GANHAR: Star Trek: Sem Fronteiras
ZEBRA: Um Homem Chamado Ove

ESNOBADO: Invocação do Mal 2, A Bruxa e qualquer filme de gênero com maquiagem

Honestamente? Depois que o mestre Rick Baker se aposentou, a categoria de Maquiagem ficou meio chocha. É como assistir à Fórmula 1 depois de perder Ayrton Senna. Pra mim, maquiagem de cinema não é um pózinho na cara, um bigode mal colado ou uma peruca. Maquiagem é prótese e transformação criativa! É atores dormindo na cadeira depois de oito horas de maquiagem! E nesse quesito, o único que se encaixa é a maquiagem de Star Trek: Sem Fronteiras. Temos personagens com cara de gremlins for christ sake!

E mais uma coisa: a categoria de Maquiagem tem um papel fundamental no Oscar, porque se tornou o único refúgio dos filmes de terror e ficção científica, que nunca encontram lugar nas categorias principais. Se for pra premiar uma monocelha da Frida Kahlo ou uns bigodes de Os Miseráveis, melhor extinguir a categoria…

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL

  • Mica Levi (Jackie)
  • Justin Hurwitz (La La Land)
  • Dustin O’Halloran, Hauschka (Lion)
  • Nicholas Britell (Moonlight)
  • Thomas Newman (Passageiros)
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O compositor Justin Hurwitz dá uns toques para Ryan Gosling no piano em La La Land

DEVE GANHAR: Justin Hurwitz (La La Land)
DEVERIA GANHAR: Justin Hurwitz (La La Land)
ZEBRA: Thomas Newman (Passageiros)

ESNOBADO: Abel Korzeniowski (Animais Noturnos)

Primeiramente, fiquei feliz com a indicação de Mica Levi. Embora esteja em início de carreira no cinema (esta é sua segunda trilha), ela já demonstra bastante personalidade em suas composições. Como vivemos há décadas com trilhas que buscam apenas evocar emoção no espectador, Mica traz novos ares ao trazer experimentalismo nas notas musicais. Não deve levar o prêmio por causa da excelência de Justin Hurwitz que traz a alma de La La Land, mas sua indicação certamente representa uma porta aberta para seu trabalho.

Gente, estou com pena do Thomas Newman. Esta é a sua 14ª indicação ao Oscar sem nenhuma vitória! Claro que a indicação já é uma honra e tal, mas daqui a pouco o homem nem vai mais pra cerimônia! Olha, Thomas, vai na fé que logo seu dia chega! Assim como chegou para Randy Newman, que levou 16 indicações pra ganhar a primeira.

E sinceramente, não entendi por que preteriram a rica trilha de Abel Korzeniowski em Animais Noturnos. As composições conseguem acentuar a estranheza do filme de Tom Ford do início ao fim. Algumas faixas como a “Wayward Sisters” me lembraram o glamour aliado à tensão das trilhas de Pino Donaggio, costumeiro colaborador dos filmes do Brian De Palma. Uma lástima sequer concorrer ao Oscar…

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

  • “Audition (The Fools Who Dream)”, de Justin Hurwitz, Benj Pasek, Justin Paul (La La Land)
  • “Can’t Stop the Feeling”, de Justin Timberlake, Max Martin, Shellback (Trolls)
  • “City of Stars”, de Justin Hurwitz, Benj Pasek, Justin Paul (La La Land)
  • “The Empty Chair”, de J. Ralph, Sting (Jim: The James Foley Story)
  • “How Far I’ll Go”, de Lin-Manuel Miranda (Moana: Um Mar de Aventuras)
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Emma Stone em cena de Audition (The Fools Who Dream)

DEVE GANHAR: “City of Stars”
DEVERIA GANHAR: “Audition (The Fools Who Dream)”
ZEBRA: “The Empty Chair”

ESNOBADO: “Drive it Like You Stole it” (Sing Street)

Como se avalia se uma canção merece um Oscar? Muita gente apenas avalia a canção em si, e muitas vezes votam apenas pelo artista/intérprete, mas o que faz uma canção vencedora é capturar a alma do filme, ajustar o tom certo. Servem como uma extensão do filme que perdura mesmo dias depois que você assistiu ao filme. Foi assim como “Glory” de Selma: Uma Luta Pela Igualdade, por exemplo, ou “Falling Slowly” de Apenas Uma Vez.

As canções de La La Land preenchem esses requisitos. Embora “City of Stars” tenha sido eleita a mais queridinha, fico com a “Audition (The Fools Who Dream)” porque só toca uma vez no filme e ela, aliada à interpretação de Emma Stone, permanece na sua cabeça, martelando a alma do musical que homenageia todos os sonhadores.

Não entendi o porquê da canção pop de Sing Street ter ficado de fora. É uma espécie de “That Thing You Do” de adolescentes. Teria Justin Timberlake preenchido a cota de canções pop do ano?

MELHOR SOM

  • A Chegada
  • Até o Último Homem
  • La La Land
  • Rogue One: Uma História Star Wars
  • 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi
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Ryan Gosling ao piano em La La Land (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: La La Land
DEVERIA GANHAR: La La Land
ZEBRA: 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi

Musicais sempre levam vantagem nessa categoria. Basta olhar as premiações de Chicago, DreamGirls e até Whiplash, que envolve música. Os demais parecem estar fazendo mais figuração.

Uma notícia de última hora: a indicação para Greg P. Russell por 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi foi revogada. A Academia identificou que ele fazia lobby entre companheiros e colegas no departamento de Som. O filme em si continua concorrendo, mas o profissional não.

MELHORES EFEITOS SONOROS

  • A Chegada
  • Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
  • Até o Último Homem
  • La La Land
  • Sully: O Herói do Rio Hudson
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Comunicação visual e sonora em A Chegada (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: A Chegada
DEVERIA GANHAR: A Chegada 
ZEBRA: Sully: O Herói do Rio Hudson

Para quem não conhece essa categoria, os efeitos sonoros são aqueles criados em estúdio, e que não foram captados nas filmagens. Então filmes que tenham elementos de explosão e tiros costumam levar esse prêmio. Casos clássicos são de Pearl Harbor, Os Incríveis, King Kong e Cartas de Iwo Jima. Contudo, A Chegada pode ser um diferencial devido aos sons alienígenas, que são essenciais no filme.

MELHORES EFEITOS VISUAIS

  • Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
  • Doutor Estranho
  • Mogli: O Menino Lobo
  • Kubo e as Cordas Mágicas
  • Rogue One: Uma História Star Wars
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O menino Neel Sethi em cena de Mogli: O Menino Lobo (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Mogli: O Menino Lobo
DEVERIA GANHAR: Mogli: O Menino Lobo
ZEBRA: Horizonte Profundo: Desastre no Golfo

Os efeitos de Doutor Estranho e Kubo e as Cordas Mágicas são merecedores desse prêmio, mas os efeitos de Mogli: O Menino Lobo são mais vistosos e cruciais para o bom funcionamento do filme de Jon Favreau. Sem eles, o filme realmente não existiria e eles revolucionam a técnica de animais falantes que vão desde Dr. Dolittle (1967) até Babe – O Porquinho Atrapalhado (1995).

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

  • Terra de Minas, de Martin Zandvliet (DINAMARCA)
  • Um Homem Chamado Ove, de Hannes Holm (SUÉCIA)
  • O Apartamento, de Asghar Farhadi (IRÃ)
  • Tanna, de Martin Butler, Bentley Dean (AUSTRÁLIA)
  • Toni Erdmann, de Mare Ade (ALEMANHA)
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Cena estranha de Toni Erdmann, representante alemão no Oscar. (photo by critic.de)

DEVE GANHAR: Toni Erdmann
ZEBRA: Tanna

ESNOBADO: Elle, de Paul Verhoeven (FRANÇA)

Depois que o favorito Elle foi desqualificado ainda em dezembro, o caminho para o Oscar ficou bem mais fácil para o alemão Toni Erdmann. Sua história de relacionamento complicado entre pai e filha certamente tocou o coração dos votantes e tem tudo para levar a estatueta. O sucesso do filme de Maren Ade vai se expandir com o recente anúncio de que Toni Erdmann será refilmado e estrelado por Jack Nicholson, que não faz um filme desde Os Infiltrados (2006).

O único concorrente que poderia dar trabalho a Toni Erdmann seria o filme iraniano O Apartamento. Embora tenha participado ativamente da temporada de premiações, o filme não ganhou nenhum prêmio de destaque e, além disso seu diretor levou o Oscar há cinco anos com o ótimo A Separação, porém, com a recente nota de que o diretor Asghar Farhadi não comparecerá ao evento por causa do bloqueio do presidente americano Donald Trump aos países do Oriente Médio, alguns especialistas passaram a defender uma possível segunda vitória para o Irã na categoria.

Sei lá, acho que cansei de falar sobre essa categoria que parece congelada num conservadorismo eterno. Quando Elle foi desqualificado, não tive ânimo para ver os indicados. Americanos têm aversão a ver filmes legendados em pleno século XXI, então fica difícil a maioria provar que viu os cinco filmes indicados, aí acaba prevalecendo o gosto dos idosos pra filmes de Segunda Guerra Mundial e água com açúcar.

MELHOR ANIMAÇÃO

  • Kubo e as Cordas Mágicas (Kubo and the Two Strings)
  • Moana: Um Mar de Aventuras (Moana)
  • Minha Vida de Abobrinha (Ma vie de Courgette)
  • A Tartaruga Vermelha (Le Tortue Rouge)
  • Zootopia (Zootopia)
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Cena da animação Kubo e as Cordas Mágicas, de Travis Knight (photo by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Zootopia
DEVERIA GANHAR: Kubo e as Cordas Mágicas
ZEBRA: A Tartaruga Vermelha

ESNOBADO: Your Name (Kimi no na wa.)

Desde que foi criada em 2002, a categoria de Animação é a mais internacional e globalizada de todas, pois não fica limitada às produções americanas. Como o gênero é trabalhoso demais (algumas levam mais de cinco anos para ficar prontas), não há inúmeros lançamentos por ano, e por isso, a Academia recorre às animações estrangeiras para preencher as vagas. Embora essa estratégia soe muito cômoda, é graças a ela que os trabalhos dos animadores mundo afora pode ganhar muito mais atenção e ter seus devidos reconhecimentos.

Apesar da democracia globalizada nas indicações, em termos de vitórias, a coisa muda de figura. Nesses 14 anos de existência, a Academia premiou apenas UMA animação estrangeira: a japonesa A Viagem de Chihiro (2001), de Hayao Miyazaki.

Da competição, torço para os dois estrangeiros Minha Vida de Abobrinha que tem ótima técnica de stop motion, e A Tartaruga Vermelha, que dispensa diálogos para contar uma bela história de sobrevivência. Acho bacana a trama de conspirações de Zootopia, mas prefiro o visual de Kubo, cujo estúdio, Laika Entertainment, vem merecendo o primeiro Oscar há tempos, vide: Coraline e o Mundo Secreto, ParaNorman e Os Boxtrolls.

MELHOR DOCUMENTÁRIO

  • Fogo no Mar (Fire at Sea)
  • Eu Não Sou seu Negro (I Am Not Your Negro)
  • Life, Animated
  • O.J.: Made in America
  • A 13ª Emenda (The 13th)

DEVE GANHAR: O.J.: Made in America
ZEBRA: Life, Animated

ESNOBADOS: The Eagle Huntress, Weiner

Eu juro que queria ver O.J.: Made in America, mas depois que vi a duração de mais de sete horas, deixei pra depois. Bom, a Academia tem três ótimos indicados sobre a temática negra: O.J.: Made in America, Eu Não Sou Seu Negro e A 13ª Emenda. Acredito que em caso de vitória de qualquer um desses, promete ser um dos melhores discursos da noite.

O documentário A 13ª Emenda, dirigido por Ava DuVernay de Selma, busca as respostas de hoje em séculos atrás no escravismo. Por que os negros formam a maior parte da população carcerária? E por que o sistema carcerário não funciona? Assim como fez Michael Moore no vencedor do Oscar Tiros em Columbine, ela destrincha o passado para explicar o presente. Seria um belo prêmio para compensá-la da ausência por Selma em 2015.

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA

  • Extremis
  • 4.1 Miles
  • Joe’s Violin
  • Watani: My Homeland
  • The White Helmets

MELHOR CURTA-METRAGEM

  • Ennemis Intérieurs
  • La Femme et le TGV
  • Mindenki
  • Timecode
  • Silent Nights

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

  • Blind Vaysha
  • Borrowed Time
  • Pear Cider and Cigarettes
  • Pearl
  • Piper

***

COMEMORAÇÃO

Pra mim, se Isabelle Huppert ganhar como Melhor Atriz, esse Oscar já valeu. Até esqueço das injustiças! E em segundo lugar, se A Qualquer Custo ou O Lagosta vencerem como Roteiro Original, já posso entrar em feliz hibernação até o Oscar 2018.

Bom, independente dos resultados, que todos tenham uma ótima noite de Oscar!

***

A 89ª cerimônia do Oscar terá transmissão ao vivo pela TNT a partir das 21h, horário de Brasília.

ONDE E QUANDO ACOMPANHAR OS INDICADOS AO OSCAR 2017

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Todos os 9 indicados a Melhor Filme: A Chegada, Cercas, Até o Último Homem, A Qualquer Custo, Estrelas Além do Tempo, La La Land, Lion, Manchester à Beira-Mar e Moonlight (pic by goldderby.com)

PRODUÇÕES INDICADAS AINDA SÃO DESTRATADAS PELAS DISTRIBUIDORAS BRASILEIRAS

Se os únicos filmes que você assistiu até agora foram Rogue One: Uma História Star Wars e Esquadrão Suicida, não se desespere! Você já derrubou 3 indicações! E ainda temos um mês pela frente até o Oscar, que tem data marcada para o dia 26 de fevereiro. Com um pouco de empenho, dá pra conferir pelo menos os filmes mais badalados como o musical La La Land, que equivaleu o recorde com A Malvada (1950) e Titanic (1997) com 14 indicações, e A Chegada, ficção científica moderna que conquistou 8 indicações.

Claro que algumas categorias como Documentário e Filme em Língua Estrangeira são mais difíceis de acompanhar todos os filmes, mas por exemplo, temos o ótimo documentário de Ava DuVernay, A 13ª Emenda, disponível no Netflix, ou seja, nem precisa sair de casa pra conferir.

The 13th

À direita, a diretora Ava DuVernay em still do documentário A 13ª Emenda que faz um giro pela história americana para analisar o sistema penitenciário (pic by critic.de)

Obviamente, eu poderia dizer pra todos simplesmente baixarem os torrents de todos os filmes na internet, mas legalmente, não posso recomendar isso. Mas o principal motivo que não recomendo é porque a maioria dos lançamentos não tem arquivos de ótima qualidade (risos). E alguns como La La Land merecem ser vistos numa sala de cinema, mesmo que o ingresso esteja carinho e ainda haja alguns retardados que teimam em conversar e atender o celular durante a sessão. Também tenho pavor de casaizinhos em início de relacionamento, em que o namorado quer impressionar a moça comentando o filme todo, e ela não tem coragem de mandar ele calar a boca!

Enfim, distribuidoras e empresas de cinema, estou fazendo um serviço de utilidade pública e dando um empurrãozinho aqui pra que haja mais espectadores em suas salas. Por favor, vamos colaborar e colocar esses filmes em cartaz o quanto antes! Particularmente, recomendo as salas do Espaço Itaú de Cinema, localizadas nos shoppings Bourbon Pompéia e Frei Caneca, e na rua Augusta, por apresentarem diversidade e qualidade na programação (os indicados ao Oscar devem preencher as salas), e também vale ressaltar que o público costuma ser um pouco melhor (um pouco), porque apesar de muitos serem da terceira idade, alguns ainda acham que estão vendo o filme na sala da casa deles.

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Corredor das salas do Espaço Itaú de Cinema do Shopping Bourbon Pompéia (pic by apontador.com)

Sim, existem muitas produções que sequer ganharam data de lançamento, mas as indicações, como sempre, ajudam a adiantar todo o processo. São os casos dos dramas Cercas e Loving, que concorrem em categorias principais de atuação. Já outros como o australiano Tanna (concorre como Filme em Língua Estrangeira) e o documentário Jim: The James Foley Story (concorre como Canção Original), não devem estimular as distribuidoras a se mexerem. Para esses filmes esquecidos, ou você espera por lançamentos de DVD ou Blu-ray importados, ou se vira de outras formas, se é que você me entende.

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Joel Edgerton com a indicada ao Oscar Ruth Negga em cena de Loving, ainda sem data de estréia (pic by moviepilot.de)

Só gostaria de fazer um adendo que me esqueci no post sobre as indicações: Meryl Streep fez novamente história ao ser indicada pela 20ª vez. É a atriz mais indicada da história da Academia, e acho quase impossível alguém bater essa marca um dia. Não querendo desmerecer a performance da sra. Streep, mas admito que esta indicação soou meio preguiçosa. Para quem viu Florence Foster Jenkins (prefiro não botar o título horroso brasileiro), sabe que aquela atuação dela foi meio automática, talvez sem muito esforço das habilidades de interpretação.

DISPONÍVEIS EM BLU-RAY/DVD/ON DEMAND

Ave, César! (Hail, Caesar!)
1 indicação: Direção de Arte.

Esquadrão Suicida (Suicide Squad)
1 indicação: Maquiagem.

Florence: Quem é Essa Mulher? (Florence Foster Jenkins)
2 indicações: Atriz (Meryl Streep) e Figurino.

Fogo no Mar (Fuocoammare)
1 indicação: Documentário

Mogli: O Menino Lobo (The Jungle Book)
1 indicação: Efeitos Visuais.

Star Trek: Sem Fronteiras (Star Trek Beyond)
1 indicação: Maquiagem.

Trolls (Trolls)
1 indicação: Canção Original (“Can’t Stop the Feeling”)

Zootopia (Zootopia)
1 indicação: Animação

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Cena da animação da Disney, Zootopia (pic by moviepilot.de)

DISPONÍVEL NO NETFLIX

A 13ª Emenda (The 13th)
1 indicação: Documentário

FILMES EM CARTAZ NOS CINEMAS – com base na programação de São Paulo

Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beasts and Where to Find Them)
2 indicações: Direção de Arte e Figurino.

Animais Noturnos (Nocturnal Animals)
1 indicação: Ator Coadjuvante (Michael Shannon)

O Apartamento (Forushande)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira.

Até o Último Homem (Hacksaw Ridge)
6 indicações: Filme, Diretor (Mel Gibson), Ator (Andrew Garfield), Montagem, Som e Efeitos Sonoros.

Capitão Fantástico (Captain Fantastic)
1 indicação: Ator (Viggo Mortensen)

A Chegada (Arrival)
8 indicações: Filme, Diretor (Denis Villeneuve), Roteiro Adaptado, Fotografia, Montagem, Direção de Arte, Som e Efeitos Sonoros.

Doutor Estranho (Doctor Strange)
1 indicação: Efeitos Visuais.

Elle (Elle)
1 indicação: Atriz (Isabelle Huppert)

La La Land: Cantando Estações (La La Land)
14 indicações: Filme, Diretor (Damien Chazelle), Ator (Ryan Gosling), Atriz (Emma Stone), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Direção de Arte, Figurino, Trilha Musical Original, Canção Original (“Audition (The Fools Who Dream)”), Canção Original (“City of Stars”), Som e Efeitos Sonoros.

Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea)
6 indicações: Filme, Diretor (Kenneth Lonergan), Ator (Casey Affleck), Ator Coadjuvante (Lucas Hedges), Atriz Coadjuvante (Michelle Williams) e Roteiro Original.

Moana: Um Mar de Aventuras (Moana)
2 indicações: Canção Original (“How Far I’ll Go”) e Animação.

Passageiros (Passengers)
2 indicações: Direção de Arte e Trilha Musical Original.

Rogue One: Uma História Star Wars (Rogue One: A Star Wars Story)
2 indicações: Som e Efeitos Visuais.

Sully: O Herói do Rio Hudson (Sully)
1 indicação: Efeitos Sonoros.

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Felicity Jones e Diego Luna em cena de Rogue One: Uma História Star Wars (pic by moviepilot.de)

PREVISÃO DE ESTRÉIA – Datas previstas para São Paulo, que podem sofrer alterações de acordo com as distribuidoras

02/02: A Qualquer Custo (Hell or High Water)
4 indicações: Filme, Ator Coadjuvante (Jeff Bridges), Roteiro Original e Montagem.

02/02: Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)
3 indicações: Filme, Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer) e Roteiro Adaptado.

02/02: Jackie (Jackie)
3 indicações: Atriz (Natalie Portman), Figurino e Trilha Musical Original.

02/02: Minha Vida de Abobrinha (Ma Vie de Courgette)
1 indicação: Animação.

09/02: Silêncio (Silence)
1 indicação: Fotografia.

16/02: Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion)
6 indicações: Filme, Ator Coadjuvante (Dev Patel), Atriz Coadjuvante (Nicole Kidman), Roteiro Adaptado, Fotografia e Trilha Musical Original.

16/02: 13 Horas: Os Soldados Secretos do Benghazi (13 Hours)
1 indicação: Som.

23/02: Moonlight: Sob a Luz do Luar
8 indicações: Filme, Diretor (Barry Jenkins), Ator Coadjuvante (Mahershala Ali), Atriz Coadjuvante (Naomie Harris), Roteiro Adaptado, Fotografia, Montagem e Trilha Musical Original.

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Dev Patel em cena de Lion: Uma Jornada Para Casa (pic by moviepilot.de)

FORA DE CARTAZ E AGUARDANDO LANÇAMENTO EM BLU-RAY/DVD

Horizonte Profundo: Desastre no Golfo (Deepwater Horizon)
2 indicações: Efeitos Visuais e Efeitos Sonoros.

Kubo e as Cordas Mágicas (Kubo ans the Two Strings)
2 indicações: Efeitos Visuais e Animação.

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Kurt Russell e Mark Wahlberg em cena de Horizonte Profundo, que conquistou as indicações de Efeitos Visuais e Sonoros (pic by moviepilot.de)

SEM PREVISÃO DE ESTRÉIA (*cof! cof!* Mas pra isso existe a internet…)

Aliados (Allied)
1 indicação: Figurino.

Cercas (Fences)
4 indicações: Filme, Ator (Denzel Washington), Atriz Coadjuvante (Viola Davis) e Roteiro Adaptado.

Um Homem Chamado Ove (En man som heter Ove)
2 indicações: Maquiagem e Filme em Língua Estrangeira.

I Am Not Your Negro
1 indicação: Documentário

Jim: The James Foley Story
1 indicação: Canção Original (“The Empty Chair”)

O Lagosta (The Lobster)
1 indicação: Roteiro Original.

Life, Animated
1 indicação: Documentário.

Loving
1 indicação: Atriz (Ruth Negga)

O.J.: Made in America
1 indicação: Documentário

Tanna
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira.

A Tartaruga Vermelha (Le Tortue Rouge)
1 indicação: Animação.

Terra de Minas (Under Sandet)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira.

Toni Erdmann
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira.

20th Century Women
1 indicação: Roteiro Original.

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Rachel Weisz e Colin Farrell formam casal no futurista O Lagosta (pic by moviepilot.de)

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A cerimônia da 89ª edição do Oscar será no dia 26 de fevereiro, e transmitida pelo canal pago TNT. Fiquem atentos pra quem costuma acompanhar pela Globo, porque a emissora deve priorizar o Carnaval.