‘THE SHAPE OF WATER’, de Guillermo del Toro conquista o LEÃO DE OURO

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Guillermo del Toro beija seu Leão de Ouro por The Shape of Water pic by The Globe and Mail)

GUILLERMO DEL TORO NOVAMENTE SE UTILIZA DA FÁBULA PARA CONTAR HISTÓRIA DURA

Nesse último dia 09, o Festival de Veneza anunciou sua lista de vencedores, e seu prêmio máximo foi para o mexicano Guillermo del Toro por uma produção americana da Fox Searchlight, The Shape of Water. O cineasta é conhecido por dirigir filmes de fantasia e terror como Hellboy, Círculo de Fogo, Blade II, A Colina Escarlate e O Labirinto do Fauno, este o que mais se assemelha ao novo trabalho. No filme de 2006, a fantasia procurava encobrir a dureza da Guerra Civil Espanhola. Já neste filme, a realidade é a Guerra Fria nos anos 60 e sua falta de escrúpulos.

A crítica presente no festival rasgou elogios ao filme vencedor, e mesmo que tenha sido exibido no segundo dia do evento, foi logo considerado um favorito para o Leão de Ouro. Em seu discurso de agradecimento, o cineasta mexicano abriu com uma declaração tocante: “Eu acredito na vida, acredito no amor e acredito no cinema”. O longa The Shape of Water aborda temas como a solidão e a empatia entre personagens complexos.

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Love’s in the water: Sally Hawkins num momento de interação com a criatura em The Shape of Water (pic by i2.wp.com)

É difícil defender um filme que ainda não conferimos, mas considero bem interessante o reconhecimento de del Toro num festival tão grandioso como o de Veneza. Para quem trabalha na área ou mesmo é cinéfilo, sabe, mesmo que inconscientemente, que os filmes de gênero (aqui incluo a Ficção Científica, Terror, Thriller e até mesmo Policial) costumam ser os excluídos e renegados em premiações. Tanto que existem prêmios específicos para eles como o Fantasia, Fantasporto, o Fangoria Chainsaw Awards e o Academy of Science Fiction, Fantasy and Horror Films, que anualmente acolhem essas produções que dificilmente chegam ao tapete vermelho do Oscar, vide o único filme de “terror” premiado O Silêncio dos Inocentes em 1992. Portanto, a vitória de The Shape of Water tem um significado bem especial para quem atua com cinema de gênero ao redor do mundo. Aproveito para protestar contra premiação de apenas filmes “cabeçudos” ou politicamente corretos, como se precisasse ter apenas esses dois elementos para se candidatar ao Oscar de Melhor Filme.

Contudo, voltando ao Festival de Veneza, algumas matérias internacionais teriam alegado que o júri, presidido pela atriz Annette Bening, teria optado por uma escolha segura, já que o filme de del Toro seria bem mais light na questão política do que outros candidatos ao Leão de Ouro como o israelense Foxtrot, de Samuel Maoz, que retrata a vida de militares sempre prontos para a guerra, e que acabou levando o Grande Prêmio do Júri, uma espécie de segundo lugar da competição. Esse alto reconhecimento pode render uma indicação ao Oscar de Filme em Língua Estrangeira, já que representará Israel na categoria.

Foxtrot

Soldados em alerta para o próximo ataque em Foxtrot, de Samuel Maoz (pic by outnow.ch)

Dentre outras produções selecionadas que tinham forte apelo político estão o canadense Jusqu’a La Garde (Custody), de Xavier Legrand, que trata da violência doméstica ao tratar de um divórcio que se torna uma batalha pela guarda do filho; e o novo filme do insano Martin McDonagh, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, no qual Frances McDormand é uma mãe que cobra as autoridades policiais com protestos em outdoors pelo assassinato de sua filha. Enquanto o filme de Legrand levou Melhor Direção, o de McDonagh levou Melhor Roteiro. Embora não tenha visto, os diálogos fenomenais de humor negro característicos de McDonagh devem ter colaborado bastante nessa vitória.

Já nas categorias de atuação, o palestino Kamel El Basha levou Melhor Ator pela produção libanesa The Insult, que retrata uma briga fora de proporções por causa de religião (aliás, por também considerar a religião como grande causadora de guerras, estou bastante curioso pra ver essa filme), a atriz britânica Charlotte Rampling levou o prêmio de Melhor Atriz por Hannah, de Andrea Pallaoro. De acordo com o jornalista Bruno Ghetti da Folha de S. Paulo, a atriz faz “o mesmo papel contido, amargurado e de poucas falas que […] tem feito há anos”, e aproveitou pra defender uma vitória para Helen Mirren por The Leisure Seeker, onde ela faz uma esposa com câncer que pega a estrada para levar seu marido com Alzheimer para a Disneylândia.

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Kamel El Basha ostenta seu Volpi Cup de Melhor Ator por The Insult (pic by oglobo.com)

 

Charlotte Rampling Hannah Volpi Cup

Charlotte Rampling abraça seu prêmio de Melhor Atriz por Hannah (pic by topsy.one)

Para o prêmio de Atriz, a disputa ia além de Rampling e Mirren. A americana Frances McDormand (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri) e a britânica Sally Hawkins (The Shape of Water) estavam super bem cotadas também, fato que pode impulsionar bastante suas campanhas para o Oscar.

Vale a pena destacar que Veneza se tornou o primeiro festival a conceder prêmios de realidade virtual, com o diretor americano John Landis presidindo o júri. As produções live-action ou animações devem ser vistas por óculos de realidade virtual, e os personagens costumam interagir com o espectador.

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Espectadora no festival de Veneza usando os óculos de realidade virtual (pic by http://www.labiennale.org)

Vencedor por Arden’s Wake, Eugene Y.K. Chung, recebeu o prêmio e soltou: “Aqui que o cinema estava há 100 anos, e será uma jornada realmente excitante. Mal posso esperar até onde isso vai.” Arden’s Wake é uma história de futuro apocalíptico, quando as águas engoliram as terras, e os personagens centrais são um pai e sua filha que vivem num farol adaptado como lar até ele desaparecer.

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Arte de Arden’s Wake, de Eugene Y.K. Chung (pic by www.vrandfun.com)

VENCEDORES DA 74ª EDIÇÃO DO FESTIVAL DE VENEZA:

LEÃO DE OURO
The Shape of Water
Dir: Guillermo del Toro

GRANDE PRÊMIO DO JÚRI
Foxtrot
Dir: Samuel Maoz

LEÃO DE PRATA DE MELHOR DIRETOR
Xavier Legrand (Custody)

MELHOR ATRIZ
Charlotte Rampling (Hannah)

MELHOR ATOR
Kamel El Basha (The Insult)

MELHOR ROTEIRO
Martin McDonagh (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Sweet Country
Dir: Warwick Thornton

PRÊMIO MARCELLO MASTROIANNI PARA JOVEM ATOR
Charlie Plummer (Lean on Pete)

 

MOSTRA HORIZONTES

MELHOR FILME
Nico, 1988
Dir: Susanna Nicchiarelli

MELHOR DIRETOR
Vahid Jalilvand (No Date, No Signature)

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Caniba
Dir: Verena Paravel e Lucien Castaing-Taylor

MELHOR ATRIZ
Lyna Khoudri (Les bienheureux)

MELHOR ATOR
Navid Mohammadzadeh (No Date, No Signature)

MELHOR ROTEIRO
Alireza Khatami (Oblivion Verses)

MELHOR CURTA-METRAGEM
Gros chagrin
Dir: Céline Devaux

 

LEÃO DO FUTURO

Prêmio Luigi De Laurentiis por Filme Debutante
Custody
Dir: Xavier Legrand

 

CLÁSSICOS DE VENEZA

Melhor Documentário
The Prince and the Dybbuk
Dir: Elvira Niewiera and Piotr Rosolowski

Melhor Filme Restaurado
Come and See
Dir: Elem Klimov

 

COMPETIÇÃO DE REALIDADE VIRTUAL

Melhor Realidade Virtual
Arden’s Wake (Expanded)
Dir: Eugene Y.K. Chung

Melhor Experiência de Realidade Virtual
La Camera Insabbiata
Dir: Laurie Anderson e Hsin-chien Huang

Melhor História de Realidade Virtual
Bloodless
Dir: Gina Kim

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Com presença de CLOONEY, ARONOFSKY e PAYNE, Festivais de VENEZA e TORONTO se consolidam como REDUTOS PRÉ-OSCAR

Suburbicon

Cena de Suburbicon, novo filme dirigido por George Clooney, com Julianne Moore e Matt Damon (pic by cine.gr)

PRÉ-CANDIDATOS AO OSCAR BUSCAM OS HOLOFOTES INTERNACIONAIS PARA ABRIR A TEMPORADA DE PREMIAÇÕES

Houve um tempo em que os filmes selecionados pelo Festival de Veneza, o mais antigo do mundo, tinham um distância quilométrica do Oscar. Era extremamente raro que um filme presente no evento italiano também estivesse no prêmio da Academia. Claro que todos os grandes festivais hoje tiveram uma aproximação com o Oscar por causa da projeção internacional, mas Veneza se tornou palco do “esquenta”.

Pra isso, Veneza convidou artistas hollywoodianos que certamente atrairão mais olhares para o evento e ao mesmo tempo se beneficiarão com a abertura de temporada de premiações. Assim, teremos os novos trabalhos de George Clooney, Darren Aronofsky, Alexander Payne e Guillermo del Toro. Se vão ganhar prêmios são outros quinhentos, mas somente a presença no festival já os consolida como fortes candidatos ao Oscar. Vale sempre ressaltar que Veneza teve recordistas de indicações ao Oscar nos últimos 4 anos: Gravidade (2013), Birdman (2014) e La La Land (2016).

Particularmente, já dou como certas as indicações para Clooney e Payne, que costumam ter uma forte afinidade com os gostos da Academia. Curiosamente, ambos os filmes foram protagonizados por Matt Damon, que pode ter até dupla indicação na categoria de Ator – Comédia ou Musical no próximo Globo de Ouro.

Já os filmes de Aronofsky e del Toro ainda tenho minhas dúvidas por apresentarem elementos do gênero terror, mas acredito que devem obter sucesso em categorias técnicas. Contudo, ambos podem ter ótimas chances com suas atrizes: Jennifer Lawrence e Sally Hawkins, respectivamente, em Mother! e The Shape of Water.

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Sally Hawkins interage com um experimento do governo em The Shape of Water, de Guillermo del Toro

Particularmente, tenho boas expectativas em relação a três diretores:

Martin McDonagh
Mais conhecido pelas ótimas comédias Na Mira do Chefe e Sete Psicopatas e um Shih Tzu, o diretor britânico chega com Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. Aqui temos a atriz Frances McDormand como uma mãe que desafia o chefe da polícia da cidade depois que sua filha foi assassinada e não houve nenhum preso. É curiosa a capacidade de McDonagh de conseguir extrair humor de temas bastante pesados, algo que apenas os irmãos Coen conseguiam fazer com maestria até alguns anos atrás. E engana-se quem pensa que se trata de apenas uma comédia. O filme critica a baixa eficiência policial (imagina se a personagem vivesse no Brasil…) e a prisão e tortura de negros, que continua recorrente nos EUA. Veja trailer abaixo:

Andrew Haigh
Admito que a trama de Lean on Pete, adaptação homônima do romance, sobre um jovem que busca sua tia perdida acompanhado por um cavalo de corrida não me animou muito, mas pra quem amou seu filme anterior, 45 Anos, é impossível não criar expectativas. No elenco, o diretor conta com os experientes Steve Buscemi e Chloë Sevigny. É esperar pra ver…

Abdellatif Kechiche
Esse diretor tunisiano conquistou Cannes e o mundo com seu filme anterior: Azul é a Cor Mais Quente, mas pra quem conferiu seus outros trabalhos como O Segredo do Grão e Vênus Negra, sabe que estamos diante de um diretor extremamente cuidadoso esteticamente e que não abre mão de seu olhar minucioso do comportamento humano. Ele traz Mektoub, My Love: Canto Uno que aborda a difícil decisão de um roteirista entre seu amor e sua carreira, curiosamente, um tema bastante parecido com o musical La La Land.

FORA DE COMPETIÇÃO

Embora não estejam competindo pelo Leão de Ouro, algumas produções também podem conseguir seu lugar ao sol na temporada de premiações. O novo filme de Stephen Frears, Victoria and Abdul, sobre a história verídica da amizade entre a rainha Victoria e um serviçal indiano, aparentemente se assemelha ao A Rainha (2006), que rendeu o Oscar para Helen Mirren. Honestamente, com exceção do ótimo Philomena (2014), os últimos trabalhos de Frears me desagradam um pouco por apresentarem formato e linguagem de TV, mas o diretor britânico tem seu talento inquestionável na direção de atores. E curiosamente Judi Dench volta a interpretar a rainha Victoria depois de Sua Majestade Mrs. Brown (1997), filme pelo qual foi indicada ao Oscar e perdeu injustamente para Helen Hunt.

Achei interessante o documentário que William Friedkin trouxe a Veneza: The Devil and Father Amorth (em tradução livre: “O Diabo e o Padre Amorth”), que captura imagens do nono exorcismo praticado pelo padre na Itália. Mesmo após mais de quatro décadas do clássico O Exorcista (1973), o diretor americano continua muito vinculado ao exorcismo, portanto, esse documentário pode de alguma forma “exorcizá-lo” dessa ligação e ao mesmo tempo, alimentar a sede de seus incontáveis fãs de como ele tratará desse tema novamente.

DISPUTA POR NOVOS FILMES

Por se tratar de um festival que acontece em setembro, existem desvantagens também, pois as atenções se dividem com o festival canadense de Toronto. Embora não tenha o mesmo prestígio do italiano, tem servido de vitrine para os filmes americanos, os vencedores do People’s Choice Awards costumam ser indicados a Melhor Filme (vide os recentes O Quarto de Jack, O Jogo da Imitação, 12 Anos de Escravidão e O Lado Bom da Vida), sem contar que o país é vizinho dos EUA e o mesmo idioma.

Em entrevista, o diretor do Festival de Veneza, Alberto Barbera, se disse “97% satisfeito” com sua seleção, já que houve apenas dois ou três filmes que ele queria exibir, mas não pôde porque já estavam comprometidos com outros festivais, provavelmente Toronto.

Contudo, se formos analisar os filmes exibidos em Veneza, temos muitos que também estarão presentes em Toronto. A única diferença é que o festival italiano exibirá alguns dias antes. Entre algumas exclusividades estão o novo filme de Angelina Jolie como diretora, First They Killed My Father, um drama pesado sobre o genocídio no Camboja feito para a Netflix; a nova produção de Joe Wright, Darkest Hour, que promete gerar a segunda indicação ao Oscar para Gary Oldman, interpretando um impecável Winston  Churchill; o drama verídico Film Stars Don’t Die in Liverpool sobre um romance da atriz Gloria Grahame com um jovem traz Annette Bening como a protagonista (será que ela ganha o Oscar desta vez?); e Stronger, um drama que recria o atentado da Maratona de Boston e uma vítima que perdeu as pernas com a explosão da bomba. Jake Gyllenhaal promete arrancar lágrimas do público.

Estou bastante curioso pra conferir o novo filme da dupla Jonathan Dayton e Valerie Faris, que se consagraram com Pequena Miss Sunshine (2006): Battle of the Sexes, que recria uma disputa de tênis bastante curiosa ocorrida em 1973 entre Billie Jean King (Emma Stone) e o ex-campeão Bobby Riggs (Steve Carell). Além de toda a caracterização de época (Emma Stone está quase irreconhecível com aqueles óculos fundo de garrafa), será curioso ver o quanto de atual ainda temos sobre essa discussão de igualdade entre gêneros.

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Emma Stone e Steve Carell fazem dupla de tenistas em 1973 em Battle of the Sexes (pic by moviepilot.de)

E também bastante interessado em assistir ao francês 120 Battements par Minute (BPM (Beats per Minute), de Robin Campillo, que foi bem ovacionado em Cannes. Trata-se da luta de um portador de Aids contra a indiferença no início dos anos 90. Embora os filmes representantes para o Oscar de Filme Estrangeiro ainda não tenham sido definidas, muito provavelmente este será o candidato da França e com fortes chances de ganhar a estatueta, que o país não ganha desde 1993 com Indochina.

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SELEÇÃO DO FESTIVAL INTERNACIONAL DE TORONTO

GALAS
Breathe
The Catcher Was A Spy
Darkest Hour
Film Stars Don’t Die in Liverpool
Kings
Long Time Running
Mary Shelley
The Mountain Between Us
Mudbound
Stronger
The Wife
Woman Walks Ahead

APRESENTAÇÕES ESPECIAIS
Battle of the Sexes
BPM (Beats Per Minute)
The Brawler
The Breadwinner
Call Me By Your Name
Catch the Wind
The Current War

The Children Act
Disobedience
Downsizing
A Fantastic Woman
First They Killed My Father
The Guardians
Hostiles
The Hungry
I, Tonya
mother!
Novitiate
Omerta
Plonger
The Price of Success
Professor Marston & the Wonder Women
The Rider
A Season in France
The Shape of Water
Sheikh Jackson
The Square
Submergence
Suburbicon
Thelma
Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Untitled Bryan Cranston/Kevin Hart Film

Victoria and Abdul

 

Festival-de-Cinema-de-Veneza-em-2017

INDICADOS AO LEÃO DE OURO 2017

  • Human Flow
    Dir: Ai Weiwei (Alemanha, EUA)
  • Mother!
    Dir: Darren Aronofsky (EUA)
  • Suburbicon
    Dir: George Clooney (EUA)
  • The Shape Of Water
    Dir: Guillermo Del Toro (EUA)
  • L’Insulte
    Dir: Ziad Doueiri (França, Líbano)
  • La Villa
    Dir: Robert Guediguian (França)
  • Lean on Pete
    Dir: Andrew Haigh (Reino Unido)
  • Mektoub, My Love: Canto Uno
    Dir: Abdellatif Kechiche (França)
  • The Third Murder
    Dir: Hirkazu Koreeda (Japão)
  • Jusqu’a La Garde
    Dir: Xavier Legrand (França)
  • Amore e Malavita
    Dir: Manetto Bros. (Itália)
  • Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
    Dir: Martin McDonagh (Reino Unido)
  • Hannah
    Dir: Andrea Pallaoro (Itália, Bélgica, França)
  • Downsizing
    Dir: Alexander Payne (EUA)
  • Angels Wear White
    Dir: Vivian Qu (China, França)
  • Una Famiglia
    Dir: Sebastiano Risio (Itália)
  • First Reformed
    Dir: Paul Schrader (EUA)
  • Sweet Country
    Dir: Warwick Thornton (Austrália)
  • The Leisure Seeker
    Dir: Paolo Virzì (Itália)
  • Ex Libris – The New York Public Library
    Dir: Frederick Wiseman (EUA)

FORA DE COMPETIÇÃO

Eventos Especiais

  • Casa D’Altri
    Dir: Gianni Amelio (Itália)
  • Michael Jackson’s ‘Thriller’ 3D
    Dir: John Landis (EUA)
  • Making of Michael Jackson’s ‘Thriller’
    Dir: Jerry Kramer (EUA)

FICÇÃO

  • Our Souls at Night
    Dir: Ritesh Batra (EUA)
  • Il Signor Rotopeter
    Dir: Antonietta De Lillo (Itália)
  • Victoria and Abdul
    Dir: Stephen Frears (Reino Unido)
  • La Melodie
    Dir: Rachid Hami (França)
  • Outrage Coda
    Dir: Takeshi Kitano (Japão)
  • Loving Pablo
    Dir: Fernando Leon De Aranoa (Espanha)
  • Zama
    Dir: Lucrecia Martel (Argentina, Brasil)
  • Wormwood
    Dir: Errol Morris (EUA)
  • Diva!
    Dir: Francesco Patierno (Itália)
  • La Fidele
    Dir: Michael R. Roskam (Bélgica, França, Holanda)
  • The Private Life of a Modern Woman
    Dir: James Toback (EUA)
  • Brawl in Cell Block 99
    Dir: S. Craig Zahler (EUA)

NÃO-FICÇÃO

  • Cuba and the Cameraman
    Dir: Jon Albert (EUA)
  • My Generation
    Dir: David Batty (Reino Unido)
  • The Devil and Father Amorth
    Dir: William Friedkin (EUA)
  • This Is Congo
    Dir: Daniel McCabe (Congo)
  • Ryuichi Sakamoto: Coda
    Dir: Stephen Nomura Schible (EUA, Japão)
  • Jim & Andy: The Great Beyond. The Story of Jim Carrey, Andy Kaufman, and Tony Clifton
    Dir: Chris Smith (EUA)
  • Happy Winter
    Dir: Giovanni Totaro (Itália)

HORIZONTES

  • Disappearance
    Dir: Ali Asgari (Irã, Catar)
  • Especes Menaces
    Dir: Gilles Bourdos (França, Bélgica)
  • The Rape of Recy Taylor
    Dir: Nancy Buirski (EUA)
  • Caniba
    Dir: Lucian Castaing-Taylor, Verena Paravel (França)
  • Les Bienheureux
    Dir: Sofia Djama (França, Bélgica)
  • Marvin
    Dir: Anne Fontaine (França)
  • Invisibile
    Dir: Pablo Giorgelli (Argentina, Brasil, Uruguai, Alemanha)
  • Brutti e Cattivi
    Dir: Cosimo Gomez (Itália, França)
  • The Cousin
    Dir: Tzahi Grad (Israel)
  • Reparer les vivants
    Dir: Katell Quillevere (França, Bélgica)
  • The Testament
    Dir: Amichai Greenberg (Israel, Áustria)
  • No Date, No Signature
    Dir: Vahid Jalilvand (Irã)
  • Los Versos Del Olvido
    Dir: Alireza Khatami (França, Alemanha, Holanda, Chile)
  • Nico, 1988
    Dir: Susanna Nicchiarelli (Itália)
  • Krieg
    Dir: Rick Ostermann, Barbara Auer (Alemanha)
  • West of Sunshine
    Dir: Jason Raftopoulos (Austrália)
  • Gotta Cenerentola
    Dir: Alessandro Rak, Ivan Cappiello, Marino Guarnieri, Dario Sansone (Itália)
  • Under The Tree
    Dir: Hafsteinn Gunnar Sigurdsson (Islândia, Dinamarca, Polônia, Alemanha)
  • La Vita in Comune
    Dir: Edoardo Winspeare (Itália)

CINEMA IN THE GARDEN

  • Manuel
    Dir: Dario Albertini (Itália)
  • Controfigura
    Dir: Ra Di Martino (Itália, França, Marrocos, Suíça)
  • Woodstock
    Dir: Kate Mulleavy, Laura Mulleavy (EUA)
  • Nato A Casal Di Principe
    Dir: Bruno Oliviero (Itália, Espanha)
  • Suburra — The Series
    Dir: Michele Placido, Andrea Molaioli, Giuseppe Capotondi (Itália)
  • Tuers
    Dir: Francois Truokens, Jean-Francois Hensgens (Bélgica, França)

VENEZA REALIDADE VIRTUAL

  • Melita
    Dir: Nicolas Alcala (EUA)
  • La Camera Insabbiata
    Dir: Laurie Anderson, Huang Sin-Chien (EUA)
  • The Last Goodbye
    Dir: Gabo Arora (EUA)
  • My Name Is Peter Stillman
    Dir: Lysander Ashton, Leo Warner (Reino Unido)
  • Alice, The Virtual Reality Play
    Dir: Mathias Chelebourg (França)
  • Arden’s Wake Expanded
    Dir: Eugene YK Chung (EUA)
  • Greenland Melting
    Dir: Nonny De La Pena (EUA)
  • Bloodless
    Dir: Gina Kim (EUA)
  • Nothing Happens
    Dir: Uri Kranot, Michelle Kranot (Dinamarca, França)
  • The Dream Collector
    Dir: Mi Li (China)
  • Snatch VR Heist Experience
    Dir: Rafael Pavon, Nicolas Alcala (EUA)
  • Nefertiti
    Dir: Richard Mills, Kim-Leigh Pontin (Reino Unido)
  • Proxima
    Dir: Mathieu Pradat (França)
  • In The Pictures
    Dir: Qing Shao (China)
  • Dispatch
    Dir: Edward Robles (EUA, Reino Unido)
  • The Argos File
    Dir: Josema Roig (EUA)
  • Gomorra VR – We Own The Streets
    Dir: Enrico Roast (Itália)
  • Draw Me Close, Chapters 1-2
    Dir: Jordan Tannahill (Canadá, Reino Unido)
  • The Deserted
    Dir: Tsai Ming-Liang (Taiwan)
  • I Saw The Future
    Dir: Francois Vautier (França)
  • Separate Silences
    Dir: David Wedel (Dinamarca)
  • Free Whale
    Dir: Zhang Peibin (China)

***

O Festival de Veneza começa dia 30 de agosto e encerra dia 09 de setembro.

Já o Festival Internacional de Toronto tem início em 07 de setembro e vai até o dia 17.

Indicados ao Leão de Ouro 2014 não apresentam favoritos

Pôster oficial do 71º Festival de Veneza, que faz alusão ao momento culminante do clássico francês Os Incompreendidos (photo by primetv.pt - image by biennale di Venezia)

Pôster oficial do 71º Festival de Veneza, que faz alusão ao momento culminante do clássico francês Os Incompreendidos (photo by primetv.pt – image by biennale di Venezia)

EMBORA HAJA NOMES EM POTENCIAL, A DISPUTA PELO PRÊMIO ESTÁ BASTANTE EQUILIBRADA

Apesar do resultado do ano passado ter sido quase motivo de uma CPI (o documentário italiano Sacro GRA foi eleito o vencedor do Leão de Ouro pelo presidente do júri conterrâneo Bernardo Bertolucci), o Festival de Veneza é um dos mais prestigiosos do mundo, além de ser o mais antigo. Ao contrário da veia mais comercial de Cannes, Veneza não tem o costume de se limitar a nomes consagrados para compor suas seleções de filmes.

Contudo, em entrevista, o diretor artístico Alberto Barbera revelou um fracasso para esta edição. Tentou trazer duas produções norte-americanas, cujos diretores são ninguém menos que David Fincher e Paul Thomas Anderson, que levou o Leão de Prata de Melhor Diretor em 2012 por O Mestre. Os dois viriam com Garota Exemplar (Gone Girl) e Inherent Vice, respectivamente, mas as distribuidoras recusaram a proposta para lançá-los no New York Film Festival. Tanto a 20th Century Fox como a Warner alegam que o evento americano ganha a briga por acontecer mais próximo do fim do ano, quando começa a temporada de premiações que culmina com o Oscar, e também por darem valor ao público do próprio país.

Cena com Ben Affleck de Garota Exemplar: preferência por NY a Veneza. (photo by www.outnow.ch)

Cena com Ben Affleck de Garota Exemplar: preferência por NY a Veneza. (photo by http://www.outnow.ch)

As desculpas são válidas, mas a verdade que li no site The Playlist é que as distribuidoras estão pensando duas vezes antes de mandar elenco e equipe de seus filmes para divulgação internacional para evitar gastos. Simples assim. Pagar passagens aéreas e estadias em hotéis luxuosos nem sempre representam números maiores nas bilheterias; a menos que ganhe um prêmio importante e olhe lá!

Dito isso, a missão de Barbera não foi fácil. Assistiu a 1500 filmes para peneirar 55 sobreviventes, distribuídos em três listas (Competição Oficial, Fora de Competição e Horizontes). “É um trabalho mais complexo, mais doloroso porque tem de deixar de fora alguns filmes muito bons”, afirmou Barbera em comparação a outros festivais de filmes como Toronto, que não apresenta competição e por isso mesmo não há limites de quantidade. Sem Fincher e Anderson, Veneza ainda oferece nomes conhecidos como o do alemão Fatih Akin e do mexicano Alejandro González Iñárritu.

Aliás, o novo filme de Iñárritu, Birdman, abrirá a competição oficial por trazer mais atores mundialmente conhecidos ao tapete vermelho como Michael Keaton, Edward Norton, Naomi Watts e Emma Stone. Por se tratar de uma comédia de humor negro, dificilmente deve levar o Leão de Ouro. Outras presenças ilustres são aguardadas para o evento, casos de Al Pacino e Holly Hunter (ambos por Manglehorn), Ethan Hawke e January Jones (ambos por Good Kill) e Willem Dafoe (Pasolini). Pacino e Dafoe já largam como franco-favoritos na corrida pelo prêmio de interpretação masculina, especialmente Pacino que terá mais um filme (The Humbling) exibido fora de competição.

BIRDMAN

Cena de Birdman entre Michael Keaton e Edward Norton: comédia de humor negro com clima de Queime Depois de Ler (photo by outnow.ch)

Quanto à seleção oficial, existem nomes interessantes como o do francês Xavier Beauvois que dirigiu o bom Homens e Deuses, que faturou o Grande Prêmio do Júri em Cannes 2010; e o japonês Shin’ya Tsukamoto, que tem uma linguagem visual bem peculiar, especialmente no gênero ficção científica. Mas um dos nomes que podem surpreender é o do norte-americano Joshua Oppenheimer, que este ano foi indicado para Melhor Documentário no Oscar por O Ato de Matar e pode sair do festival com o Leão de Ouro por The Look of Silence.

Já na mostra fora de competição, vale a pena destacar os retornos de dois grandes diretores. Peter Bogdanovich, que estava sumido desde O Miado do Gato (2001), volta com She’s Funny That Way, uma comédia sobre Broadway com Owen Wilson, Jennfer Aniston e Imogen Poots. E Joe Dante, que ficou conhecido por suas doideiras como Gremlins, Piranha e Viagem Insólita, faz sua versão de filme de zumbi, Burying the Ex, focado num casal de namorados formado por Anton Yelchin e Ashley Greene. E também se mostra interessante a reunião de diretores para fazer o filme mosaico Words With Gods, com tema voltado à religião. Nomes como Emir Kusturica, Mira Nair, Hideo Nakata e Hector Babenco já garantem maior atenção da mídia e do público.

INDICADOS AO LEÃO DE OURO

The Cut
Dir: Fatih Akin (Alemanha, França, Itália, Rússia, Canadá, Polônia, Turquia)
• A Pigeon Sat on a Branch Reflecting on Existence
Dir: Roy Andersson (Suécia, Alemanha, Noruega, França)
• 99 Homes
Dir: Ramin Bahrani (U.S.)
• Tales
Dir: Rakhshan Bani E’temad (Irã)
• La rancon de la gloire
Dir: Xavier Beauvois (França)
• Hungry Hearts
Dir: Saverio Costanzo (Itália)
• Le dernier coup de marteau
Dir: Alix Delaporte (França)
• Manglehorn
Dir: David Gordon Green (EUA)
• Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance)
Dir: Alejandro Gonzáles Iñárritu (EUA)
• Three Hearts
Dir: Benoit Jacquot (France)
• The Postman’s White Nights
Dir: Andrei Konchalovsky (Rússia)
•  Il Giovane Favoloso
Dir: Mario Martone (Itália)
• Sivas
Dir: Kaan Mujdeci (Turquia)
• Anime Nere
Dir: Francesco Munzi (Itália, França)
• Good Kill
Dir: Andrew Niccol (EUA)
• Loin des Hommes
Dir: David Oelhoffen (França)
• The Look of Silence
Dir: Joshua Oppenheimer (Dinamarca, Finlândia, Indonésia, Noruega, Reino Unido)
• Nobi
Dir: Shin’ya Tsukamoto (Japão)
• Red Amnesia
Dir: Wang Xiaoshuai (China)

FORA DE COMPETIÇÃO

• Words with Gods
Dir: Guillermo Arriaga, Emir Kusturica, Amos Gitai. Mira Nair, Warwick Thornton, Hector Babenco, Bahman Ghobadi, Hideo Nakata, Alex de la Iglesia (México, EUA)
• She’s Funny That Way
Dir: Peter Bogdanovich (EUA)
• Dearest
Dir: Peter Ho-sun Chan (Hong Kong, China)
• Olive Kitteridge
Dir: Lisa Cholodenko (EUA)
• Burying the Ex
Dir: Joe Dante (EUA)
• Perez
Dir: Edoardo De Angelis (Itália)
• La zuppa del demonio
Dir: Davide Ferrario (Itália)
• Tsili
Dir: Amos Gitai (Israel, Rússia, Itália, França)
• La trattativa
Dir: Sabina Guzzanti (Itália)
• The Golden Era
Dir: Ann Hui (China, Hong Kong)
• Make Up
Dir: Im Kwontaek (Coréia do Sul)
• The Humbling
Dir: Barry Levinson (EUA)
• The Old Man of Belem
Dir: Manoel de Oliveira (Portugal, França)
• Italy in a Day
Dir: Gabriele Salvatores (Itália, Reino Unido)
• In the Basement
Dir: Ulrich Seidl (Áustria)
• The Boxtrolls
Dir: Anthony Stacchi, Annable Graham (U.K)
• Ninfomaníaca: Volume II (versão longa) Director’s Cut
Dir: Lars Von Trier (Dinamarca, Alemanha, França, Bélgica)

HORIZONTES

• Theeb
Dir: Naji Abu Nowar (Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Catar, Reino Unido)
• Line of Credit
Dir: Salome Alexi (Georgia, Alemanha, França)
• Cymbeline
Dir: Michael Almereyda (EUA)
• Senza Nessuna Pieta
Dir: Michele Alhaique (Itália)
• Near Death Experience
Dir: Benoit Delepine, Gustave Kervern (França)
• Le Vita Oscena
Dir: Renato De Maria (Itália)
• Realite
Dir: Quentin Dupieux (França, Bélgica)
• I Spy/I Spy
Dir: Veronika Franz, Severin Fiala (Áustria)
• Hill of Freedom
Dir: Hong Sangsoo (Coréia do Sul)
• Bypass
Dir: Duane Hopkins (Reino Unido)
• The President
Dir: Moshen Makhmalbaf (Georgia, França, Reino Unido, Alemanha)
• Your Right Mind
Dir: Ami Canaan Mann (EUA)
• Belluscone, una storia siciliana
Dir: Franco Maresco (Itália)
• Nabat
Dir: Elchin Musaoglu (Azerbaijão)
• Heaven Knows What
Dir: Josh Safdie, Ben Safdie (EUA, França)
• These Are the Rules
Dir: Ognjen Svilicic (Croatia, France, Serbia, Macedonia)
• Court
Dir: Chaitanya Tamhane (Índia)