Meryl Streep será homenageada com o prêmio Cecil B. DeMille no Globo de Ouro 2017

Meryl Streep com o Globo de Ouro por A Dama de Ferro (photo by etonline.com)

Meryl Streep com seu Globo de Ouro por A Dama de Ferro (photo by etonline.com)

EM ANO QUE PODE CONQUISTAR SUA 30ª INDICAÇÃO AO GLOBO DE OURO,
ELA RECEBE PRÊMIO HONORÁRIO

Meryl Streep merece o prêmio Cecil B. DeMille? Absolutamente. Indubitavelmente. Contudo, aos 67 anos, a atriz sinônimo de atuação premiada ainda atravessa um período extenso de auge na carreira, que se iniciou nos anos 70.

Ao contrário do Oscar Honorário, que costuma reconhecer o conjunto da obra de um artista preterido anteriormente, mais idoso ou que tinha chances quase nulas de concorrer em categorias (este ano, temos o ator Jackie Chan homenageado pela Academia), o prêmio Cecil B. DeMille carrega uma essência mais bajuladora por parte da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, que enxerga o prêmio como uma oportunidade de reverenciar um artista em alta.

Curiosamente, Streep pode (e deve) estar na lista de indicados do Globo de Ouro de Melhor Atriz – Comédia ou Musical, já que sua atuação em Florence: Quem é Essa Mulher? (Florence Foster Jenkins) tem figurado na lista de previsões de sites especializados. Se isso se concretizar, será sua 30ª indicação ao prêmio. E se ela conseguir bater a franco-favorita Emma Stone por La La Land: Cantando Estações, pode ser sua 9ª estatueta dourada.

Enfim, excetuando-se essa questão do auge da atriz ainda nos dias de hoje, não há outra artista mais merecedora e digna de homenagens do que Meryl Streep. Toda vez que me perguntam qual a melhor atriz, o nome dela está sempre na ponta da língua. Pra mim, bom ator é aquele que se despe de qualquer orgulho e vaidade a fim de encarnar o personagem, e isso ela faz como poucos, e ainda entrega sempre um carisma pessoal dela, mesmo num papel odiável como o de Miranda Priestly em O Diabo Veste Prada ou a freira Aloysius em Dúvida.

Meryl Streep como Miranda Priestly em O Diabo Veste Prada (photo by outnow.ch)

Meryl Streep como Miranda Priestly em O Diabo Veste Prada (photo by outnow.ch)

Ela é uma das pouquíssimas que consegue salvar um filme ruim como a refilmagem de Sob o Domínio do Mal (2004) ou o mais recente A Dama de Ferro (2011), pelo qual ganhou seu terceiro Oscar. Em seu discurso, é possível ver quanta admiração vem da platéia. Todos congelam para prestar atenção em cada palavra dela. Pra quem não viu ou quer rever, segue seu discurso na cerimônia da Academia:

Claro, o prêmio Cecil B. DeMille será uma bela homenagem para uma dama das telas, com direito a um discurso igualmente memorável, mas acredito que Streep ainda terá pelo menos mais 10 anos de um trabalho cada vez mais rico, sólido e minucioso de interpretação. Portanto, qual a pressa, certo?

Já que só temos uma oportunidade por ano, por que não resgatar tantos outros artistas que caíram um pouco no ostracismo como Michelle Pfeiffer, Sissy Spacek ou os diretores William Friedkin e Rob Reiner?

MERYL STREEP E O GLOBO DE OURO

1979: Indicada a Atriz Coadjuvante por O Franco-Atirador
1980: Vencedora de Atriz Coadjuvante por Kramer vs. Kramer
1982: Vencedora de Atriz – Drama por A Mulher do Tenente Francês 
1983: Vencedora de Atriz – Drama por A Escolha de Sofia
1984: Indicada a Atriz – Drama por Silkwood – O Retrato de uma Coragem
1986: Indicada a Atriz – Drama por Entre Dois Amores
1989: Indicada a Atriz – Drama por Um Grito no Escuro
1990: Indicada a Atriz – Comédia ou Musical por Ela é o Diabo
1991: Indicada a Atriz – Drama por Lembranças de Hollywood
1993: Indicada a Atriz – Comédia ou Musical por A Morte Lhe Cai Bem
1995: Indicada a Atriz – Drama por O Rio Selvagem
1996: Indicada a Atriz – Drama por As Pontes de Madison
1997: Indicada a Atriz – Drama por As Filhas de Marvin
1998: Indicada a Atriz – Minisséries ou Filme para TV por Pela Vida do meu Filho
1999: Indicada a Atriz – Drama por Um Amor Verdadeiro
2000: Indicada a Atriz – Drama por Música do Coração
2003: Vencedora de Atriz Coadjuvante por Adaptação.
2003: Indicada a Atriz – Drama por As Horas
2004: Vencedora de Atriz – Minisséries ou Filme para TV por Angels in America
2005: Indicada a Atriz Coadjuvante por Sob o Domínio do Mal
2007: Vencedora de Atriz – Comédia ou Musical por O Diabo Veste Prada
2009: Indicada a Atriz – Drama por Dúvida
2009: Indicada a Atriz – Comédia ou Musical por Mamma Mia!
2010: Indicada a Atriz – Comédia ou Musical por Simplesmente Complicado
2010: Vencedora de Atriz – Comédia ou Musical por Julie & Julia
2012: Vencedora de Atriz – Drama por A Dama de Ferro
2013: Indicada a Atriz – Comédia ou Musical por Um Divã Para Dois
2014: Indicada a Atriz – Drama por Álbum de Família
2015: Indicada a Atriz Coadjuvante por Caminhos da Floresta

Como a cozinheira Julia Child em Julie & Julia (photo by tvnoar.com.br)

Como a cozinheira Julia Child em Julie & Julia (photo by tvnoar.com.br)

A 74ª cerimônia do Globo de Ouro será no dia 07 de janeiro de 2017.

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Marvin Hamlisch (1944 – 2012)

Marvin Hamlisch (1944 – 2012)

Neste dia 07 de agosto de 2012, os amantes do cinema perdem mais um compositor de qualidade inquestionável: o norte-americano Marvin Hamlisch. Ele partiu cedo, aos 68 anos. Apesar de não ser muito conhecido pelo grande público como um John Williams, ganhou diversos prêmios da indústria: 3 Oscars (tendo sido indicado 12 vezes), 3 Globos de Ouro, além de 4 Emmys (de TV), 1 Tony (de teatro) e 4 Grammys (da música)

Iniciou sua carreira como compositor na década de 60 e tem em sua vasta filmografia títulos importantes como Bananas (1971), Kotch – Ainda há Fogo sob as Cinzas (1971), Sonhos do Passado (1973), 007 – O Espião que me Amava (1977), Gente Como a Gente (1980), A Escolha de Sofia (1982) e O Espelho tem Duas Faces (1996), totalizando mais de 40 filmes. Porém, ficou marcado na história pelas trilhas musicais de Nosso Amor de Ontem (1973) e Golpe de Mestre (1973). Felizmente, foi reconhecido com 3 Oscars pelos mesmos: Melhor Trilha Musical Original Dramática e Melhor Canção Original (pelo romance estrelado por Barbra Streisand) e Melhor Trilha Musical Original e/ou Adaptação (pelo vencedor do Oscar de Melhor Filme estrelado pela dupla Paul Newman e Robert Redford).

O marcante casal Barbra Streisand e Robert Redford de Nosso Amor de Ontem

Suas trilhas obedeciam à regra número 1 do cinema: não chamar atenção para si mesmas. Seus arranjos musicais complementavam a ação na tela, intensificando detalhes que o diretor pedia como um gesto da personagem. E, justamente por não ficar rotulado e preso a um estilo próprio, foi convidado a trabalhar em gêneros distintos como drama e comédia, além de criar uma parceria sólida com diretores renomados como Alan J. Pakula, Woody Allen e Steven Soderbergh, com quem fez seu último trabalho para cinema em O Desinformante! (2009), protagonizado por Matt Damon.

O anúncio de sua morte pegou de surpresa o cenário musical. Ele estava trabalhando num novo show da Broadway intitulado Gotta Dance, e também estava para ser anunciado como condutor da Orquestra de Filadélfia na semana seguinte. Pelas notícias, também teria combinado de conduzir a Filarmônica de Nova York na noite de ano novo.

Marvin Hamlisch se junta a uma ilustríssima galeria de grandes compositores de cinema formada por talentos natos como Elmer Bernstein, Jerry Goldsmith, John Barry, Maurice Jarre, Nino Rota, Henry Mancini e Alfred Newman. Apesar de hoje termos bons compositores, fica uma sensação de tristeza pela perda de um grande artista, que elevou a qualidade da música no cinema. Para o grande público do Brasil, infelizmente,  a música de Hamlisch pode ficar marcada como extremamente irritante pela longuíssima espera dos péssimos call centers (!).

Segue a trilha de Golpe de Mestre, que Hamlisch fez arranjo da música de Scott Joplin, e adotada pelos call centers e PABXs:

E também incluo de última hora o vídeo em que Marvin Hamlisch ganha 2 dos seus 3 Oscars. O primeiro prêmio é entregue pela encantadora dupla de Cantando na Chuva, Debbie Reynolds e Donald O’Connor, e o segundo pela inusitada dupla Henry Mancini e a atriz Cher (introduzidos pelo diretor John Huston). Reparem no modelito de Cher: faz parte da história do Oscar.