‘Deadpool’ compete no PGA com ‘La La Land’, ‘Moonlight’ e ‘A Qualquer Custo’

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Ben Foster e Chris Pine em cena de A Qualquer Custo, de David Mackenzie. Pic by moviepilot.de

SELECIONADOS DEMONSTRAM DIVERSIDADE DE GÊNEROS: SCI-FI, QUADRINHOS, DRAMAS, GUERRA E MUSICAL

Nesta terça, dia 10, o sindicato dos produtores, Producers Guild of America (PGA), elegeu seus 10 melhores do ano. Os selecionados certamente tiveram suas chances ampliadas para o Oscar. Os excluídos praticamente são cartas fora do baralho.

  • ATÉ O ÚLTIMO HOMEM (Hacksaw Ridge)
  • CERCAS (Fences)
  • A CHEGADA (Arrival)
  • DEADPOOL (Deadpool)
  • ESTRELAS ALÉM DO TEMPO (Hidden Figures)
  • LA LA LAND: CANTANDO ESTAÇÕES (La La Land)
  • LION: UMA JORNADA PARA CASA (Lion)
  • MANCHESTER À BEIRA-MAR (Manchester by the Sea)
  • MOONLIGHT: SOB A LUZ DO LUAR (Moonlight)
  • A QUALQUER CUSTO (Hell or High Water)

Logo após conquistar todos os sete Globos de Ouros a que estava indicado, o musical de Damien Chazelle, La La Land, continua sua trajetória vitoriosa ao garantir vaga no PGA. Se o vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme – Comédia ou Musical está dentro, o vencedor de Filme – Drama, Moonlight, também está na lista, tornando-se uma possível pedra no sapato de La La Land.

E particularmente, gostei da indicação de A Qualquer Custo.Trata-se de uma produção modesta, mas que tem muito a dizer. Sua trama sobre roubos a banco tem um fundo político que reflete bastante a realidade atual, e seus personagens são muito bem defendidos por todos os atores: dos principais como Ben Foster, Chris Pine e Jeff Bridges até as garçonetes que tem uma cena e os quase figurantes. Há sequências e diálogos que me lembram dos filmes dos irmãos Coen como Fargo e Onde os Fracos Não Têm Vez, que são excelentes referências para qualquer cineasta.

Embora tenha sido indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme – Comédia ou Musical, a entrada de Deadpool aqui não deixa de ser uma surpresa, afinal quando se trata de premiações sérias, as adaptações de quadrinhos só costumam ser lembradas nas categorias de efeitos visuais, efeitos sonoros e som. O filme estrelado por Ryan Reynolds é a primeira baseada em HQs a ser indicada ao PGA desde Batman – O Cavaleiro das Trevas em 2009. Resta saber se Deadpool terá mais êxito ao ser indicado para o Oscar de Melhor Filme, já que o longa de Christopher Nolan morreu na praia. Quer dizer, levou duas estatuetas (Ator Coadjuvante para Heath Ledger e Efeitos Sonoros), mas não estava entre os cinco indicados a Filme. Aliás, foi graças ao filme de Nolan que a Academia passou a indicar dez filmes no ano seguinte.

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WAAAIT! Cena de ação de Deadpool: a piada das calças marrons. Pic by cinemagia.ro

A lista de excluídos inclui alguns títulos que podem surpreender na lista da Academia como o esquecido Silêncio, de Martin Scorsese, ou Animais Noturnos (que se deu bem no BAFTA – veja matéria a seguir) ou até mesmo Florence: Quem é Essa Mulher? que pode muito bem ser impulsionado pela força do elenco e até de categorias como Direção de Arte e Figurino. Mas, por enquanto, para eles fica a torcida para que haja reviravoltas que eles possam aproveitar até o dia 24 de janeiro, quando as indicações ao Oscar serão anunciadas.

Já outras produções como 20th Century Women, Capitão Fantástico e Sully: O Herói do Rio Hudson podemos considerar praticamente cartas fora do baralho, tendo como base seu histórico nas premiações anteriores como Critics’ Choice e Globo de Ouro. Aliás, o filme de Clint Eastwood foi uma das maiores decepções até o momento, pois o mais relevante que conseguiu até agora foi a indicação de Tom Hanks no Critics’. Sendo otimista, diria que Sully consegue no máximo uma indicação para Melhor Montagem.

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Da esquerda para direita: Janelle Monáe, Taraji P. Henson e Octavia Spencer em cena de Estrelas Além do Tempo, de Theodore Melfi. Pic by moviepilot.de

As estatísticas do PGA em relação ao Oscar não é tão boa como do DGA (sindicato dos diretores), mas 19 acertos nos 27 anos é considerável. Inclusive, vinha de uma ótima sequência de oito acertos: Birdman, 12 Anos de Escravidão, Argo, O Artista, O Discurso do Rei, Guerra ao Terror, Quem Quer Ser um Milionário? e Onde os Fracos Não Têm Vez, até o ano passado, quando o PGA optou por premiar A Grande Aposta e o Oscar, Spotlight – Segredos Revelados. Mas vamos dar um desconto porque 2016 foi um ano bem dividido entre esses dois filmes e O Regresso, além de Mad Max: Estrada da Fúria.

***

Os vencedores do PGA serão anunciados no dia 28 de janeiro.

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‘Spotlight’ é o grande vencedor do Independent Spirit Awards 2016

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Tom MacCarthy faz discurso de agradecimento de Melhor Filme no Independent Spirit Awards com seu elenco no fundo por Spotlight – Segredos Revelados. (photo by http://www.bostonglobe.com)

COM GRANDES ASPIRAÇÕES E SEIS INDICAÇÕES AO OSCAR, ‘SPOTLIGHT’ LEVA CINCO PRÊMIO DO INDEPENDENT SPIRIT

Habitualmente, a cerimônia do Independent Spirit Awards acontece um dia antes do Oscar, como se quisessem demonstrar o enorme contraste entre o pequeno e o mega-colossal evento. Até os anos 90, os vencedores do primeiro tinham quase 0% de chance de levar o segundo, mas a partir da década seguinte, os filmes menores passaram a ganhar espaço e credibilidade, conseguindo se firmar nos anos seguintes com a crise econômica que reduziu consideravelmente os orçamentos milionários dos grandes estúdios a partir desta década. Hoje, os filmes premiados no Independent valem ouro no Oscar.

Nesta 31ª edição, Spotlight foi o grande vencedor com 5 prêmios no total: Filme, Diretor (Tom McCarthy), Roteiro Original, Montagem e Elenco. O drama que narra a história verídica dos jornalistas do Boston Globe que revelaram os escândalos de abuso sexual de padres católicos concorre neste domingo a seis Oscars, mas terá o mesmo fôlego dos vencedores passados como Birdman, 12 Anos de Escravidão e O Artista, que levaram ambos os prêmios?

A campanha de Spotlight – Segredos Revelados se mostrou eficiente no início da temporada, quando conquistou prêmios importantes como o Critics’ Choice Awards, mas este ano, a competição está bem mais acirrada e os prêmios relevantes se dividiram entre este drama, A Grande Aposta e O Regresso. Todos têm chances reais, mas para Spotlight, não basta o Oscar de Roteiro Original para levar Melhor Filme.

Logo atrás, Beasts of No Nation da Netflix e O Quarto de Jack faturaram dois Independent Spirit cada. O primeiro levou Melhor Ator e Ator Coadjuvante para Abraham Attah e Idris Elba, respectivamente, e o segundo ficou com Melhor Atriz para Brie Larson (a que mais tem chances de levar o Oscar também) e Primeiro Roteiro para Emma Donoghue.

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Idris Elba aceita seu prêmio de Ator Coadjuvante por Beasts of No Nation, ao lado de Abraham Attah, sem saber que logo depois, ele ganharia o prêmio de Ator (photo by 6abc.com)

Este ano, o Independent Spirit Awards fez história ao premiar pela primeira vez um transgênero: a atriz coadjuvante Mya Taylor pelo filme Tangerina. Trata-se de um pequeno filme filmado com um iPhone sobre duas transsexuais que buscam vingança sobre seu cafetão. Sua companheira de filme, a atriz Kitana Kiki Rodriguez estava indicada a Melhor Atriz também, mas perdeu. Acho um grande passo para a comunidade cinematográfica, que enxerga apenas o talento e não a pessoa, e por que não para a humanidade? Não sei em quando a Academia vai fazer o mesmo, mas espero que seja ainda neste século!

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Vencedora de Melhor Atriz Coadjuvante por Tangerina, Mya Taylor agradece no palco pelo prêmio. (Photo by Kevork Djansezian/Getty Images through huffingtonpost.com)

Só fazendo um adendo: Vale lembrar que o primeiro transgênero indicado ao Oscar, o compositor Antony Hegarty (Anohni), decidiu não comparecer à cerimônia hoje como forma de protesto por sua canção “Manta Ray” não ser apresentada no palco como as dos famosos Sam Smith, The Weeknd e Lady Gaga, e com toda razão. Direitos iguais para todos!

E também queria acrescentar que adorei a premiação de Ed Lachman como Melhor Fotografia pelo filme Carol. É um trabalho visual primoroso que não poderia passar desapercebido da temporada de premiações.

VENCEDORES DO 31º INDEPENDENT SPIRIT AWARDS:

MELHOR FILME
Spotlight – Segredos Revelados
Produtores: Blye Pagon Faust, Steve Golin, Nicole Rocklin, Michael Sugar

MELHOR ATRIZ
Brie Larson (O Quarto de Jack)

MELHOR ATOR
Abraham Attah (Beasts Of No Nation)

MELHOR DIRETOR
Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Mya Taylor (Tangerina)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Idris Elba (Beasts Of No Nation)

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Filho de Saul (Hungria)
Diretor: László Nemes

MELHOR ROTEIRO
Tom McCarthy & Josh Singer (Spotlight – Segredos Revelados)

PRÊMIO JOHN CASSAVETES (Filme com orçamento abaixo de 500 mil dólares)
Krisha
Roteirista/Diretor/Produtor: Trey Edward Shults
Produtores: Justin R. Chan, Chase Joliet, Wilson Smith

MELHOR FOTOGRAFIA
Ed Lachman (Carol)

MELHOR MONTAGEM
Tom McArdle (Spotlight – Segredos Revelados)

MELHOR FILME DE ESTRÉIA
O Diário de uma Adolescente (The Diary of a Teenage Girl)
Diretora: Marielle Heller
Produtores: Miranda Bailey, Anne Carey, Bert Hamelinck, Madeline Samit

PRÊMIO ROBERT ALTMAN (ELENCO)
Spotlight – Segredos Revelados
Diretor: Tom McCarthy
Casting: Kerry Barden e Paul Schnee
Elenco: Billy Crudup, Paul Guilfoyle, Neal Huff, Brian d’Arcy James, Michael Keaton, Rachel McAdams, Mark Ruffalo, Liev Schreiber, Jamey Sheridan, John Slattery, Stanley Tucci

MELHOR DOCUMENTÁRIO
O Peso do Silêncio (The Look Of Silence)
Director: Joshua Oppenheimer
Producer: Signe Byrge Sørensen

MELHOR ROTEIRO DE ESTREANTE
Emma Donoghue (O Quarto de Jack)

PRÊMIO DE PRODUTORES PIAGET
Mel Eslyn

PRÊMIO Truer Than Fiction
Incorruptible
Diretor: Elizabeth Chai Vasarhelyi

PRÊMIO Someone to Watch Award
King Jack
Diretor: Felix Thompson

2016 Film Independent Spirit Awards - Show

Brie Larson adiciona mais um importante prêmio rumo ao Oscar por O Quarto de Jack. (Photo by Kevork Djansezian/Getty Images through extratv.com)

‘Birdman’ surpreende e leva o PGA Awards 2015

O diretor e produtor Alejandro González Iñárritu levanta o troféu do PGA Awards (photo by pmcdeadline2.files.wordpress.com)

O diretor e produtor Alejandro González Iñárritu levanta o troféu do PGA Awards por Birdman (photo by pmcdeadline2.files.wordpress.com)

‘BIRDMAN’ GANHA FORÇAS APÓS A CONQUISTA DO PGA E AMEAÇA REINADO DE ‘BOYHOOD’

Quando todos os indicativos apontavam para o favoritismo de Boyhood: Da Infância à Juventude, eis que surge o PGA Awards que premiando Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) para intensificar ainda mais a disputa para o Oscar.

Birdman competia com Sniper Americano, Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo, Garota Exemplar, O Grande Hotel Budapeste, O Jogo da Imitação, O Abutre, A Teoria de Tudo, Whiplash: Em Busca da Perfeição, além de Boyhood.

O diretor e produtor do filme, Alejandro González Iñárritu, subiu ao palco para receber o prêmio. “Eles querem que eu fale pra que todos riam do meu Inglês horrível! Em nome de todos nós (os demais produtores John Lesher e James W. Skotchdopole), nossa única ambição era fazer um filme arriscado e experimental que explorasse a linguagem cinematográfica sobre a complexidade de um artista interpretado pelo incrível Michael Keaton.”

A respeito da competição, Iñárritu acrescentou: “Sinto-me humilde por este prêmio. Todos os filmes que estão indicados têm uma voz tão individual, a expressão por trás deles, somente as pessoas que as fizeram poderiam tê-las feito.”

A vitória de Birdman certamente significa um reforço na campanha do filme na disputa pelo Oscar, especialmente se levarmos em conta as estatísticas do PGA em relação ao prêmio da Academia. Em seus 25 anos de história, 18 filmes vencedores do PGA também levaram o Oscar de Melhor Filme. E vale ressaltar que o vitorioso coincidiu nos últimos sete anos:

2014 – PGA: 12 Anos de Escravidão E Gravidade (o primeiro empate da história); Oscar: 12 Anos de Escravidão
2013 – PGA e Oscar: Argo 
2012 – PGA e Oscar: O Artista
2011 – PGA e Oscar: O Discurso do Rei
2010 – PGA e Oscar: Guerra ao Terror
2009 – PGA e Oscar: Quem Quer Ser um Milionário?
2008 – PGA e Oscar: Onde os Fracos Não Têm Vez

A última vez que os vencedores não bateram foi em 2007, quando Pequena Miss Sunshine levou o PGA, enquanto a Academia preferiu o filme de Martin Scorsese, Os Infiltrados.

O produtor de Uma Aventura Lego, Dan Lin, discursa pela vitória da animação (photo by Mark Davis/Getty Images)

O produtor de Uma Aventura Lego, Dan Lin, discursa pela vitória da animação (photo by Mark Davis/Getty Images)

Pela categoria de produção de animação, Uma Aventura Lego ganhou e vingou sua ausência na lista do Oscar de animação. Sua vitória não ajuda muito a prever um vencedor na categoria do Oscar, pois era considerado o favorito até as indicações saírem. Apesar de Como Treinar o Seu Dragão 2 ter ganhado o Globo de Ouro, a corrida permanece em aberto, podendo ir pela segunda vez a uma produção estrangeira caso o irlandês Song of the Sea ou o japonês O Conto da Princesa Kaguya vença.

Caso semelhante acontece na categoria de Produção de Documentário, pois o vencedor Life Itself – A Vida de Roger Ebert sequer foi indicado ao Oscar, abrindo espaço para o favoritismo do polêmico Citizenfour, ou até de A Fotografia Oculta de Vivian Maier e O Sal da Terra, sobre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado.

Já pela TV, as séries Breaking Bad e Orange is the New Black levaram Melhor Produção em Série de TV Dramática e de Comédia, respectivamente, enquanto Fargo levou Melhor Minissérie.

J.K. Simmons entrega o prêmio de Melhor Série de Comédia para o produtor Mark A. Burley de Orange is the New Black (photo by Mark Davis/Getty Images)

J.K. Simmons entrega o prêmio de Melhor Série de Comédia para o produtor Mark A. Burley de Orange is the New Black (photo by Mark Davis/Getty Images)

Segue lista completa dos vencedores do PGA Awards 2015:

MELHOR PRODUÇÃO EM FILME
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA) (Birdman) – Fox Searchlight Pictures
Produtores: Alejandro G. Iñárritu, John Lesher, James W. Skotchdopole

MELHOR PRODUÇÃO EM ANIMAÇÃO
UMA AVENTURA LEGO (The LEGO Movie) – Warner Bros. Pictures
Produtor: Dan Lin

MELHOR PRODUÇÃO EM DOCUMENTÁRIO
LIFE ITSELF – A VIDA DE ROGER EBERT (Life Itself) – Magnolia Pictures
Produtores: Garrett Basch, Steve James, Zak Piper

MELHOR SÉRIE DE LONGA-DURAÇÃO OU FILME PARA TV
Fargo (FX)
Produtores: Adam Bernstein, John Cameron, Ethan Coen, Joel Coen, Michael Frislev, Noah Hawley, Warren Littlefield, Chad Oakes, Kim Todd

MELHOR SÉRIE EPISÓDICA – DRAMA
Breaking Bad (AMC)
Produtores: Melissa Bernstein, Sam Catlin, Bryan Cranston, Vince Gilligan, Peter Gould, Mark Johnson, Stewart Lyons, Michelle MacLaren, George Mastras, Diane Mercer, Thomas Schnauz, Moira Walley-Beckett

MELHOR SÉRIE EPISÓDICA – COMÉDIA
Orange Is The New Black (Netflix)
Produtores: Mark A. Burley, Sara Hess, Jenji Kohan, Gary Lennon, Neri Tannenbaum, Michael Trim, Lisa I. Vinnecour

MELHOR PRODUÇÃO DE NÃO-FICÇÃO DE TELEVISÃO
COSMOS: A SpaceTime Odyssey (FOX/NatGeo)
Produtores: Brannon Braga, Mitchell Cannold, Jason Clark, Ann Druyan, Livia Hanich, Steve Holtzman, Seth MacFarlane

MELHOR PRODUÇÃO DE COMPETIÇÃO DE TV
The Voice (NBC)
Produtores: Stijn Bakkers, Mark Burnett, John De Mol, Chad Hines, Lee Metzger, Audrey Morrissey, Jim Roush, Kyra Thompson, Mike Yurchuk, Amanda Zucker

MELHOR PRODUÇÃO DE ENTRETENIMENTO AO VIVO E ENTREVISTA
The Tonight Show Starring Jimmy Fallon (NBC)
Produtores: Rob Crabbe, Jamie Granet Bederman, Katie Hockmeyer, Jim Juvonen, Josh Lieb, Brian McDonald, Lorne Michaels, Gavin Purcell

MELHOR PROGRAMA DE ESPORTES
Real Sports With Bryant Gumbel (HBO)

MELHOR PROGRAMA INFANTIL
Sesame Street (PBS)

MELHOR SÉRIE DIGITAL
Comedians In Cars Getting Coffee (http://www.crackle.com/c/comedians-in-cars-getting- coffee)

 

‘Boyhood: Da Infância à Juventude’ é o Melhor Filme segundo o NYFCC 2014

Patricia Arquette com o pequeno Ellar Coltrane em cena de Boyhood: Da Infância à Juventude

Patricia Arquette com o pequeno Ellar Coltrane em cena de Boyhood: Da Infância à Juventude

O círculo de críticos de Nova York anunciou nesta segunda-feira, dia 1º, sua lista de melhores do ano no Cinema. A aposta deste ano foi para o estudo do tempo de Boyhood: Da Infância à Juventude, o que fortalece a campanha do filme para o Oscar 2015. Nas últimas 10 edições, o NYFCC (New York Film Critics Circle) teve como Melhores Filmes: Trapaça (2013), A Hora Mais Escura (2012), O Artista (2011), A Rede Social (2010), Guerra ao Terror (2009), Milk – A Voz da Igualdade (2008), Onde os Fracos Não Têm Vez (2007), Vôo United 93 (2006), O Segredo de Brokeback Mountain (2005) e Sideways – Entre umas e outras (2004).

Como dá pra perceber, as estatísticas dos nova-iorquinos em relação ao Oscar estão em baixa: três acertos em dez, mas dos mesmos dez, nove estavam entre os indicados a Melhor Filme na cerimônia do Oscar. Confira a lista dos vencedores:
MELHOR FILME
* Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood), de Richard Linklater

MELHOR DIRETOR
* Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)

A escalada do filme começou no último Festival de Berlim, em fevereiro, de onde saiu com o Urso de Prata de direção para Linklater. A produção bastante incomum levou 12 anos para ser concluída, de 2002 a 2014, contando com a confiança dos atores e da equipe técnica para se encontrar todos os anos sem mesmo contar com um contrato, pois a legislação americana não permite contratos tão longos assim. Boyhood apresenta todas as características de um projeto despretensioso e que muito se deve ao improviso, mas foi feito de forma tão cuidadosa, que acabou ganhando proporções maiores em termos de análise dos personagens em processo de amadurecimento e da própria vida, que é refém do tão cruel tempo.

Recentemente, li algumas críticas de pessoas que viram o filme e temem que a valorização do filme se deva apenas à produção e não ao seu conteúdo. Olha, respeito a opinião, mas para essa crítica se encaixaria um Avatar, por exemplo, no qual o 3D foi o grande protagonista. Se tirássemos o 3D de Avatar, sobraria uma história batida sem muito a acrescentar. Sendo um pouco mais radical, encaixaria até o Gravidade, que rapelou 8 Oscars este ano, do qual muito se falou dos efeitos e da tecnologia aplicada, mas apresentou história rala com personagens superficiais. Boyhood passa longe dessa análise, salvo personagens terciários.

MELHOR ATOR
* Timothy Spall (Sr. Turner)

Timothy Spall (Mr. Turner) - photo by outnow.ch

Timothy Spall (Sr. Turner) – photo by outnow.ch

É muito difícil não se impressionar com o trabalho dos atores sob a direção do britânico Mike Leigh. Ele tem toda uma escola de atuação que faz uma baita diferença no resultado final, pois sabe valorizar uma cena supostamente banal para boa parte dos atores através de nuances e minúcias que fazem o espectador adentrar à cena. Não é à toa que muitos dos atores com quem trabalhou ganharam importantes prêmios como em Cannes: Brenda Blethyn (Segredos e Mentiras), David Thewlis (Nu) e agora Timothy Spall. Contudo, a última performance indicada ao Oscar sob direção de Leigh foi em 2005, quando Imelda Staunton concorria por O Segredo de Vera Drake; e pra piorar, nenhum dos indicados ganhou até agora.

MELHOR ATRIZ
* Marion Cotillard (Era Uma Vez em Nova York/ Dois Dias, Uma Noite)

Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite) - photo by outnow.ch

Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite) – photo by outnow.ch

Quase todo ano (culpem a indústria machista, talvez?), a corrida para Melhor Atriz anda fraca. Se não é uma Meryl Streep ou uma Judi Dench pra salvar, o que seria desta categoria? Ao contrário da ala masculina, não existem favoritas, e isso pode favorecer a francesa Marion Cotillard, que venceu por duas performances: uma sob a direção de James Gray, e a outra dos irmãos Dardenne. Trata-se de uma atriz bastante versátil que tem evoluído nas escolhas de papéis e nos sotaques em outros idiomas. Estava bastante cotada para vencer o prêmio de atriz em Cannes, mas foi preterida. Este é seu primeiro grande prêmio da temporada.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
* J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

J.K. Simmons em Whiplash: Em Busca da Perfeição (photo by elfilm.com)

J.K. Simmons em Whiplash: Em Busca da Perfeição (photo by elfilm.com)

Para a grande maioria do público, J.K. Simmons continua sendo o chefe de Peter Parker, na trilogia do Homem-Aranha de Sam Raimi: J.J. Jameson. Mas tem firmado uma colaboração forte com o diretor Jason Reitman, valorizando papéis menores em Obrigado por Fumar, Juno e Amor Sem Escalas, assim como nos filmes dos irmãos Coen: Matadores de Velhinhas e Queime Depois de Ler. Sua atuação como instrutor de bateria em Whiplash: Em Busca da Perfeição é uma das mais elogiadas do ano e é a indicação mais garantida até o momento. Na semana passada, recebeu uma indicação para o Independent Spirit Awards também.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
* Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)

Patricia Arquette em Boyhood: Da Infância à Juventude (photo by elfilm.com)

Patricia Arquette em Boyhood: Da Infância à Juventude (photo by elfilm.com)

Embora as performances de Ellar Coltrane e Ethan Hawke sejam boas, a performance de Patricia Arquette é o grande coração da história de Boyhood. Ela faz a mãe, que enfrenta todas as adversidades de criar seus filhos solteira e depois fica indignada ao se despedir do filho que entra na faculdade. Só pela coragem de assumir um papel de 12 anos, pelo qual se comprometeu a não fazer modificação alguma no rosto devido à idade, já vale sua primeira indicação ao Oscar. Pode ser uma ótima oportunidade de alavancar a carreira de uma atriz que atuou em filmes cults como Ed Wood, Estrada Perdida e Amor à Queima Roupa.

MELHOR ROTEIRO
* Wes Anderson e Hugo Guinness (O Grande Hotel Budapeste)

Dono de um estilo próprio como diretor, Wes Anderson tem como principais atributos a sua direção de arte refinada e seus roteiros repletos de personagens excêntricos e situações inusitadas. Há tempos vem merecendo um prêmio de maior expressividade na categoria, e com O Grande Hotel Budapeste, os louros finalmente podem vir.

À esquerda, Ralph Fiennes como o concierge Gustave com o seu leal lobby boy Zero, interpretado por Tony Revolori (photo by outnow.ch)

À esquerda, Ralph Fiennes como o concierge Gustave com o seu leal lobby boy Zero, interpretado por Tony Revolori em O Grande Hotel Budapeste (photo by outnow.ch)

MELHOR FOTOGRAFIA
* Darius Khondji (Era Uma Vez em Nova York)

Fotografia de Darius Khondji em Era Uma Vez em Nova York (photo by elfilm.com)

Fotografia de Darius Khondji em Era Uma Vez em Nova York (photo by elfilm.com)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
* Ida, de Pawel Pawlikowski – POLÔNIA

Olha, o filme pode até ser ótimo, mas só o fato de ser sobre judeus e nazismo, já me causa um bocejo do tipo: “De novo?”. Pra dar uma incrementada maior ainda, Ida é um filme preto-e-branco polonês. É figura garantida entre os cinco indicados a Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar.

O polonês Ida, de Pawel Pawlikowski. Temática judia leva vantagem automática. (photo by outnow.ch)

O polonês Ida, de Pawel Pawlikowski. Temática judia leva vantagem automática. (photo by outnow.ch)

MELHOR ANIMAÇÃO
* Uma Aventura Lego, de Phil Lord e Christopher Miller

Misturebas no Lego em Uma Aventura Lego (photo by outnow.ch)

Misturebas no Lego em Uma Aventura Lego (photo by outnow.ch)

A dupla de responsável pela animação Tá Chovendo Hambúrguer e pelos dois Anjos da Lei recebeu inúmeras críticas positivas por este novo trabalho de animação que usa o brinquedo Lego como base. Vale pela mistura de universos como o de Batman com o das Tartarugas Ninja, por exemplo, mas é mais para o público infantil, pois não tem a mais sutileza da trilogia Toy Story.

MELHOR DOCUMENTÁRIO
* Citizenfour, de Laura Poitras

O documentário já apresenta um tema polêmico ainda em pauta: Edward Snowden, o ex-agente da CIA e NSA, que tornou público os programas de vigilância global da agência, e que por isso, permanece refugiado em território russo. A documentarista fez uma série de entrevistas com Snowden, enquanto tenta dissecar a questão da segurança e privacidade no mundo após os atentados terroristas de 11 de setembro. Alguns estão aclamando como um dos melhores documentários para entendermos este início do século XXI, o que não pode ser diminuído caso seja eliminado da corrida ao Oscar por causa do conservadorismo dos membros da Academia.

MELHOR FILME DE ESTRÉIA
* The Babadook, de Jennifer Kent

The Babadook (photo by outnow.ch)

Cena de The Babadook (photo by outnow.ch)

O prêmio para a estreante Jennifer Kent não deixa de ser um destaque merecido, já que se trata de um filme de terror. Sim, um filme de terror, gênero mal visto por boa parte da crítica, e dirigido por uma mulher! Em tempos de ausência de mestres do terror como John Carpenter ou excesso de terror na linha “gore”, um terror psicológico na linha do sugestivo está cada vez mais raro e merece ser tal honraria para conquistar mais público. Jennifer Kent vem trazer sobrevida ao gênero, que está se desgastando ao depender só de talentos como os de James Wan (Sobrenatural e Invocação do Mal).


Trailer de The Babadook

PRÊMIO ESPECIAL
* Adrienne Mancia

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Algumas das ausências mais sentidas são a de Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo, Birdman e O Jogo da Imitação, que recentemente levou 4 prêmios do Hollywood Awards. Especialistas estão apostando que Birdman será compensando pelos críticos de Los Angeles (LAFCA), cujos vencedores serão anunciados no próximo dia 07.

PRIMEIRA PRÉVIA DO OSCAR 2015! – Para aqueles que não aguentam esperar

 NÃO HÁ FAVORITOS AINDA, MAS FORTES CONCORRENTES

Faltam (apenas) 4 meses para as indicações! Já vale a pena dar uma olhada nos possíveis filmes indicados e fantasiar sobre um ou outro ator ou atriz que nunca ganhou e pode finalmente ter a chance. Particularmente, estou curioso para ver as performances de Michael Fassbender nos filmes MacBeth e Frank, e de Joaquin Phoenix em Inherent Vice, pela evolução constante nas últimas performances, e mesmo sem ter visto o trabalho deles, já torço para que cheguem ao tapete vermelho da Academia. Já pelo que vi, dou meu apoio incondicional para a campanha da primeira indicação para Steve Carell, o comediante de O Virgem de 40 Anos teve seu talento testado pelo diretor Bennett Miller em Foxcatcher.

Claro que ainda há muita especulação que se baseia em nomes consagrados. Na ala dos diretores, Christopher Nolan sempre aparece nas apostas, assim como o britânico Stephen Daldry por seu histórico de 3 indicações sem vitória. Já entre as atrizes, fica impossível desassociar o nome Meryl Streep na hora do burburinho do Oscar. Ela pode ter sido quase uma figurante que ela vai constar nas listas de possíveis indicadas. Este ano, a primeira foto dela como Bruxa/Feiticeira da mega produção Caminhos da Floresta já causou um estardalhaço. E, em menor escala, podemos encaixar Viola Davis também como candidata à atriz coadjuvante sem sequer ver seu trabalho. Sua derrota por Histórias Cruzadas em 2012 ainda deve render uma nova indicação ao Oscar.

Há filmes que certamente serão catapultados na campanha ao Oscar graças ao lobbista Harvey Weinstein. Dentre algumas produções que recebem seu valioso apoio estão: The Imitation Game e MacBeth, além de suas próprias produções como Big Eyes, St. Vincent e O Doador de Memórias. Como sempre comentado aqui, o trabalho de Weinstein impressiona pelas indicações constantes ao Oscar. Só nos últimos anos, ele foi responsável pelos Oscars de Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida), Meryl Streep (A Dama de Ferro) e de Kate Winslet (O Leitor), além de Melhor Filme para O Artista e O Discurso do Rei.

Também vale ressaltar a crescente importância do Festival de Toronto como prévia do Oscar. Nos últimos anos, os filmes que participaram do evento não-competitivo acabaram vencedores da estatueta: 12 Anos de Escravidão, Argo e A Separação. Este ano, o Festival de Toronto (ou TIFF) acolhe prováveis favoritos ao Oscar como Foxcatcher, Nightcrawler, Whiplash: Em Busca da Perfeição, Maps to the Stars, Mr. Turner, Wild, The Theory of Everything e The Imitation Game. Todos sedentos por um pouco de atenção neste início da corrida ao Oscar 2015.

MELHOR FILME

• American Sniper, de Clint Eastwood
• Big Eyes, de Tim Burton
• Birdman, de Alejandro González Iñárritu
• Foxcatcher: A História que Chocou o Mundo (Foxcatcher), de Bennett Miller
• Garota Exemplar (Gone Girl), de David Fincher
• O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel), de Wes Anderson
• Corações de Ferro (Fury), de David Ayer
• The Imitation Game, de Morten Tyldum
• Inherent Vice, de Paul Thomas Anderson
• Interestelar (Interstellar), de Christopher Nolan
• Caminhos da Floresta (Into the Woods), de Rob Marshall
• Homens, Mulheres e Filhos (Men, Women & Children), de Jason Reitman
• A Most Violent Year, de J.C. Chandor
• Selma, de Ava DuVernay
• A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)
, de James Marsh
• Trash – A Esperança Vem do Lixo (Trash), de Stephen Daldry
• Invencível (Unbroken)
, de Angelina Jolie
• Wild, de Jean-Marc Vallée

Primeiro, vamos aos fatos. Apresentado no Festival de Veneza, Birdman já figura como um forte candidato ao Oscar. Além de seu diretor ser o mexicano Alejandro González Iñárritu, traz o retorno triunfal do ator Michael Keaton, que ficou marcado pelo papel de Batman de Tim Burton. Ainda conta com atores que podem conquistar indicações como coadjuvantes: Emma Stone, Edward Norton e Naomi Watts.

Foxcatcher saiu de Cannes com o prêmio de direção para o jovem Bennett Miller (Capote e O Homem que Mudou o Jogo). Considerado um dos melhores diretores de atores da atualidade, Miller já conseguiu a proeza de extrair uma atuação contida e estranhíssima do ator e comediante Steve Carell que, só por um milagre, não estará no Oscar 2015. Além dele, Mark Ruffalo já vem conquistando os críticos que viram o filme na França. Conta também muito a favor a produção ser assinada por Megan Ellison (da produtora Annapurna), que recebeu duas indicações no Oscar deste ano por Trapaça e Ela. Veja trailer abaixo:

Embora a Academia ainda não tenha abraçado o estilo único de Wes Anderson, seu novo filme, O Grande Hotel Budapeste, pode conquistar uma indicação a Melhor Filme. Como se não bastasse a batalha contra o conservadorismo da Academia, o filme terá dificuldades de manter seu frescor na memória dos votantes, pois o filme estreou nos EUA em março. Até agora, venceu o Urso de Prata de Grande Prêmio do Júri no último Festival de Berlim, e figura nas listas dos críticos de melhores de 2014 até o momento. São possíveis indicações nas categorias de Direção de Arte, Figurino e Roteiro Original, mas seria uma grata surpresa a lembrança como Melhor Filme e Diretor.

E vencedor do Festival de Sundance do Urso de Prata de Direção, o independente Boyhood: Da Infância à Juventude teve como grande destaque as filmagens que levaram mais de 12 anos. A proposta arriscada do diretor Richard Linklater se apoiava no comprometimento do jovem protagonista Ellar Coltrane de continuar as filmagens após esse longo período para acompanhar o crescimento de seu personagem. Com indicações anteriores como roteirista apenas, Linklater pode sonhar mais alto se depender das apostas dos críticos.

Garota Exemplar e Inherent Vice são duas produções aguardadíssimas que o presidente do Festival de Veneza tentou trazer, mas foram selecionadas pelo Festival Internacional de Nova York. Enquanto o primeiro trabalho é assinado por David Fincher com base no best-seller homônimo de Gillian Flynn, o segundo é assinado por Paul Thomas Anderson com base no romance de Thomas Pynchon. Ambos podem e devem conquistar indicações como Melhor Diretor pelo ótimo momento de suas carreiras, o que poderia puxar indicações para Melhor Filme dependendo do sucesso com a crítica e o público.

Cena com Ben Affleck de Garota Exemplar (photo by http://www.outnow.ch)

Os demais trabalhos citados na lista ainda não concretizaram seus favoritismos. A maioria tem presença devido ao prestígio de seus diretores perante a Academia como Clint Eastwood, Jason Reitman, Angelina Jolie e Christopher Nolan, enquanto outros apresentam temas que são típicos dos vencedores do Oscar como The Imitation Game, que aborda a história verídica do matemático que quebra um código em plena Segunda Guerra Mundial, ou a história da vida de um dos maiores físicos do mundo, Stephen Hawking, retratada em The Theory of Everything com um Eddie Redmayne bastante inspirado no papel do protagonista. Ainda pouco comentado, vale citar o filme Selma, que retrata a busca pelo direitos civis por Martin Luther King.

Em se tratando de expectativa, um dos trabalhos mais comentados para esta temporada é a adaptação do livro de James Lapine, Caminhos da Floresta (Into the Woods), dirigido por Rob Marshall, que concorreu a Melhor Diretor por Chicago em 2003. Com um elenco estelar que conta com Meryl Streep, Johnny Depp, Emily Blunt, Chris Pine, Anna Kendrick e Tracey Ullman, o musical tem tudo para conquistar no mínimo o Globo de Ouro de Melhor Filme – Musical ou Comédia. Além da qualidade que só poderá ser comprovada com o lançamento do filme, a única coisa que pode atrapalhar seu sucesso é uma possível censura por parte da Disney, que está por trás da produção. Aliás, este é um medo recorrente em relação à Disney, que costuma “suavizar” as histórias a fim de abranger o público infanto-juvenil, podendo remoldar a saga Star Wars, cujos direitos lhe foram vendidos para desespero dos fãs. Se tudo o mais falhar, pelo menos Caminhos da Floresta deve garantir o 4º Oscar da carreira da figurinista Colleen Atwood.

Cena de Caminhos da Floresta (photo by Disney)

MELHOR DIRETOR

• Paul Thomas Anderson (Inherent Vice)
• Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
• Tim Burton (Big Eyes)
• J.C. Chandor (A Most Violent Year)
• Stephen Daldry (Trash – A Esperança Vem do Lixo)
• Ava DuVernay (Selma)
• David Fincher (Garota Exemplar)
• Alejandro González Iñárritu (Birdman)
• Angelina Jolie (Unbroken)
• Tommy Lee Jones (The Homesman)
• Mike Leigh (Mr. Turner)
• Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
• Rob Marshall (Caminhos da Floresta)
• Christopher Nolan (Interestelar)
• Jason Reitman (Men, Women & Children)
• Jon Stewart (Rosewater)

• Morten Tyldum (The Imitation Game)
• Jean-Marc Vallée (Wild)

Como já citado, o americano Bennett Miller larga na frente por ter conquistado o prêmio de direção no Festival de Cannes por Foxcatcher. Ele foi indicado anteriormente por Capote em 2006. Logo atrás, o mexicano Alejandro González Iñárritu pode manter a onda latina em alta com Birdman, após seu conterrâneo Alfonso Cuarón ter levado o Oscar de diretor por Gravidade. Iñárritu pode conquistar sua terceira indicação após dupla indicação por Babel como Melhor Filme e Direção em 2007. E pra fechar a trinca de favoritos do momento, Richard Linklater e seu Boyhood: Da Infância à Juventude. Normalmente, a Academia inclui pelo menos um indicado estreante, e este pode ser Linklater, que independente do gênero, sempre busca alguma inovação da linguagem.

Outrora outsider, David Fincher, que já tem produções cultuadas como Seven – Os Sete Crimes Capitais, Clube da Luta e Zodíaco, foi reconhecido pela Academia a partir do poético O Curioso Caso de Benjamin Button. Este ano, ele retorna com outro filme do gênero crime, mas desta vez ele conta com prestígio e o roteiro de uma autora best-seller, podendo conquistar sua terceira indicação como Diretor.

Não dá pra deixar de lado o favoritismo crescente de Angelina Jolie. Após sucesso crítico de seu filme sobre os conflitos na Bósnia, Na Terra de Amor e Ódio, a atriz resolveu investir em outra produção de guerra, Invencível, mas desta vez, a Segunda Guerra Mundial, baseando-se numa história verídica de um atleta olímpico americano capturado como prisioneiro no Japão. E também não dá pra ignorar o novo trabalho do britânico Stephen Daldry, cujos filmes sempre dão um jeito de receber uma indicação ao Oscar. Reconhecido por Billy Elliott, As Horas e O Leitor, ele volta com Trash – A Esperança Vem do Lixo, filmado no Brasil e com os atores Wagner Moura e Selton Mello.

Selton Mello em Trash - A Esperança Vem do Lixo (photo by outnow.ch)

Selton Mello em Trash – A Esperança Vem do Lixo (photo by outnow.ch)

Já entre os diretores que nunca conseguiram uma indicação, Christopher Nolan aparece como forte candidato pela ficção científica Interestelar. Após bater na trave com Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008) e A Origem (2010), o trabalho dele pode finalmente ganhar destaque e satisfazer milhões de fãs e alguns críticos. Particularmente, torço para a inédita indicação de Wes Anderson por O Grande Hotel Budapeste e, mesmo sem ter visto o filme, torço também por Tim Burton e seu filme biográfico Big Eyes.

MELHOR ATOR

• Ben Affleck (Garota Exemplar)
• Chadwick Boseman (James Brown)

• Steve Carell (Foxcatcher)
• Benedict Cumberbatch (The Imitation Game)
• Benicio Del Toro (Escobar: Paradise Lost)

• Michael Fassbender (Frank)
• Michael Fassbender (MacBeth)
• Ralph Fiennes (O Grande Hotel Budapeste)
• Jake Gyllenhaal (Nightcrawler)
• Oscar Isaac (A Most Violent Year)
• Michael Keaton (Birdman)
• Bill Murray (St. Vincent)
• Jack O’Connell (Unbroken)
• David Oyelowo (Selma)

• Al Pacino (Manglehorn)
• Joaquin Phoenix (Inherent Vice)

• Brad Pitt (Corações de Ferro)
• Eddie Redmayne (The Theory of Everything)
• Timothy Spall (Mr. Turner)
• Channing Tatum (Foxcatcher)

Até o momento, o único ator premiado foi o britânico Timothy Spall pelo filme biográfico do pintor J.M.W. Turner no último Festival de Cannes. Contudo, embora seja um excelente diretor de atores, a última performance indicada ao Oscar sob a direção de Mike Leigh foi de Imelda Staunton em 2005 por O Segredo de Vera Drake, o que pode dificultar as chances dele.

Com boas chances de ser premiado em Veneza, Michael Keaton vem recebendo elogios por esse retorno triunfal. Em Birdman, ele interpreta um ator conhecido por viver um super-herói e agora tenta justamente um retorno na Broadway. Essa história remete bastante à trajetória do próprio Michael Keaton, que ficou marcado por viver o herói mascarado Batman e desacelerou sua carreira promissora. Segundos as críticas, sua atuação em Birdman consegue expressar “arrogância, insegurança e desespero num só respiro”. Pode se tornar a sua primeira indicação e a 6ª indicação de um ator sob a direção de Iñárritu.

Outro que deve conquistar sua indicação inédita é Steve Carell, mais conhecido por papéis em comédias como O Virgem de 40 Anos e Agente 86. O diretor Bennett Miller enxergou potencial dramático nele e o ator não decepciona, apresentando uma atuação contida, precisa e assustadora, com direito a uma mudança de visual com cabelos grisalhos e uma prótese no nariz. Tais métodos costumam ser reconhecidos pela Academia como foi o caso do Oscar para Charlize Theron por Monster – Desejo Assassino. Existe uma possibilidade do jovem Channing Tatum receber sua primeira indicação pelo mesmo Foxcatcher, contudo, a disputa na categoria é sempre acirrada e a última vez que houve dois indicados a Melhor Ator pelo mesmo filme foi em 1985, quando Tom Hulce e F. Murray Abraham competiram juntos por Amadeus, tendo o último vencido o Oscar.

Além do aspecto visual, que pode beneficiar os 13 quilos perdidos por Jake Gyllenhall em Nightcrawler, a Academia adora papéis baseados em fatos verídicos, o que deve elevar demais as chances de Eddie Redmayne que interpreta o jovem Stephen Hawking em The Theory of Everything. Claro que a atuação também deve acompanhar a qualidade da transformação, e esse talento o jovem Benedict Cumberbatch tem de sobra. Ele vive outra figura histórica: o matemático Alan Turing, que decifrou um código nazista em plena guerra em The Imitation Game.

Sem o mesmo impacto de um Jamie Foxx como Ray Charles, o jovem e desconhecido Chadwick Boseman pode figurar em listas de melhores ao interpretar o também músico James Brown no filme homônimo. Mas a maior aposta até o momento sem analisar a performance está nas mãos de Joaquin Phoenix, novamente sob direção de Paul Thomas Anderson, com quem trabalhou em O Mestre. Embora com alguns parafusos a menos, o ator está em extrema ascensão em Hollywood e deve confirmar seu favoritismo na casa de apostas por Inherent Vice. Já a minha aposta pessoal vai para um dos trabalhos de Michael Fassbender, seja por Frank, no qual atua usando uma cabeça em formato de desenho, seja pela adaptação de Shakespeare em MacBeth.

MELHOR ATRIZ

• Amy Adams (Big Eyes)
• Jessica Chastain (The Disappearance of Eleanor Rigby)
• Jessica Chastain (Miss Julie)
• Jessica Chastain (A Most Violent Year)
• Marion Cotillard (Two Days, One Night)
• Keira Knightley (Mesmo Se Nada Der Certo)
• Jennifer Lawrence (Serena)
• Juliane Moore (Maps to the Stars)
• Rosamund Pike (Garota Exemplar)
• Meryl Streep (Caminhos da Floresta)
• Hilary Swank (The Homesman)
• Michelle Williams (Suite Française)
• Reese Witherspoon (Wild)
• Shailene Woodley (A Culpa é das Estrelas)

Apesar de não ser a melhor prévia para o Oscar, o Festival de Cannes premiou este ano a atriz Julianne Moore por Maps to the Stars, o que não pode ser simplesmente ignorado pela Academia, ainda mais por se tratar de uma atriz muito querida que já foi indicada em 4 oportunidades, mas nunca levou a estatueta. Suas chances devem aumentar se for indicada como atriz coadjuvante, categoria que costuma ter concorrência menos acirrada.

Agora, se depender do burburinho, Reese Witherspoon já deve garantir sua segunda indicação por Wild. Baseado na história real de Cheryl Strayed de percorrer mais de 1.700km a fim de superar uma catástrofe recente, o filme vem sendo apontado como uma das maiores surpresas do prestigiado Festival de Toronto. Witherspoon, que vinha atuando apenas em filmes comerciais após ganhar o Oscar por Johnny & June, pode recuperar sua reputação de boa atriz.

Em 2012, Jessica Chastain tinha três filmes que poderiam lhe render uma indicação ao Oscar, o que aconteceu por Histórias Cruzadas. Este ano, por nova coincidência de lançamentos, ela tem nova trinca de performances que podem lhe beneficiar na reta final, sendo que em Miss Julie ela é dirigida pela legendária atriz sueca Liv Ullmann, e em A Most Violent Year pelo inspirado J.C. Chandor de Margin Call – O Dia Antes do Fim e Até o Fim. Chastain quase ganhou por A Hora Mais Escura em 2013.

Se a atuação de Amy Adams como a pintora Margaret Keane chamar a atenção da crítica, ela pode ficar com uma mão na estatueta. Seria a 6ª indicação dela em apenas nove anos e sem nenhuma vitória! A Academia está muito disposta a premiá-la, mas talvez esteja esperando uma atuação realmente digna com aqueles elementos já citados aqui como mudança visual ou mesmo no tom de voz, e não apenas uma peruca loira. Teremos de aguardar pra ver o que Tim Burton conseguiu extrair de Amy Adams…

Também por acúmulo de indicações anteriores, Michelle Williams pode voltar ao tapete vermelho por Suite Française, mas a verdadeira carta na manga aqui é o tema do filme: romance entre uma francesa e um soldado alemão em plena Segunda Guerra Mundial. Os votantes judeus já estão cruzando os dedos… E vale lembrar de um favoritismo prévio da jovem Shailene Woodley como a Hazel do best-seller A Culpa é das Estrelas. Apesar da adaptação meio melosa, o filme possibilita Woodley mostrar seu talento sem ser piegas. A favor dela, tem o sucesso de seu outro filme Divergente.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

• Dan Aykroyd (James Brown)
• Josh Brolin (Inherent Vice)

• Albert Brooks (A Most Violent Year)
• Johnny Depp (Caminhos da Floresta)
• Robert Duvall (The Judge)
• Neil Patrick Harris (Garota Exemplar)
• Philip Seymour Hoffman (O Homem Mais Procurado)
• Logan Lerman (Corações de Ferro)
• Edward Norton (Birdman)
• Tim Roth (Selma)
• Mark Ruffalo (Foxcatcher)
• J.K. Simmons (Whiplash)
• Benicio Del Toro (Inherent Vice)
• Christoph Waltz (Big Eyes)
• Tom Wilkinson (Selma)

À princípio, esta pode ser a oportunidade de ouro para a Academia premiar finalmente Johnny Depp naquela que seria sua quarta indicação, porém a primeira como coadjuvante. Infelizmente, ainda não é possível analisar se sua atuação é digna de premiação ou seria apenas especulação por seu histórico como ator. Esperamos que seja uma performance à altura de uma indicação e não simplesmente pelo nome. Além disso, é necessário verificar o quanto seu trabalho será beneficiado por efeitos digitais, já que seu personagem é um lobisomem em Caminhos da Floresta.

Pela repercussão no Festival de Toronto, já incluiria o nome do veterano Robert Duvall, que divide a tela com o astro Robert Downey Jr. em The Judge, no qual interpreta um juiz de uma pequena cidade acusado de assassinato. Esta seria a sétima indicação de Duvall, que ganhou o Oscar pelo tocante A Força do Carinho em 1984. Como a última indicação dele foi lá em 1999 por A Qualquer Preço, esta pode ser o retorno que a Academia vinha aguardando para premiá-lo novamente sem depender de um Oscar Honorário, afinal, Duvall já tem 83 anos.

Mas os grandes favoritos da categoria atendem pelos nomes: Mark Rufallo e J.K. Simmons. O primeiro é um dos atores mais versáteis da atualidade, recebeu sua primeira indicação em 2011 por Minhas Mães e Meu Pai, e está curtindo o auge de sua fama como Bruce Banner/Hulk dos filmes dos Vingadores da Marvel Comics. Em Foxcatcher, ele é o irmão que busca proteger o atleta olímpico da obsessão doentia do treinador de luta livre, tarefa que o fez ganhar peso e aumentar suas chances no Oscar. Já o segundo, ficou mundialmente conhecido por ser o chefe de Peter Parker/Homem-Aranha, J.J. Jameson nos filmes dirigidos por Sam Raimi. Embora J.K. Simmons também tenha feito ótima parceria com o diretor Jason Reitman, ele vem conquistando boas críticas por Whiplash: Em Busca da Perfeição, no qual atua como treinador de um jovem baterista (Miles Teller).

Ainda cedo pra analisar, mas com boas chances temos: Benicio Del Toro e Josh Brolin por Inherent Vice; Christoph Waltz por Big Eyes; e Albert Brooks por A Most Violent Year. Já no campo mais concreto, segundo a resposta no Festival de Veneza, Edward Norton pode voltar a concorrer ao Oscar por Birdman após 16 anos, podendo retomar aquele caminho promissor dos anos 90.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

• Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
• Viola Davis (James Brown)
• Laura Dern (Wild)
• Kaitlyn Dever (Men, Women & Children)
• Anne Hathaway (Interestelar)

• Jennifer Garner (Men, Women & Children)
• Felicity Jones (The Theory of Everything)
• Anna Kendrick (Caminhos da Floresta)
• Keira Knightley (The Imitation Game)
• Julianne Moore (Maps to the Stars)
• Miranda Otto (The Homesman)

• Vanessa Redgrave (Foxcatcher)
• Octavia Spencer (James Brown)
• Emma Stone (Birdman)
• Marisa Tomei (O Amor é Estranho)
• Naomi Watts (Birdman)

Primeiramente, volto a ressaltar que Julianne Moore pode concorrer como coadjuvante por seu papel vencedor do prêmio de Melhor Atriz em Cannes. Na maioria das vezes, é a própria distribuidora, encarregada do lobby, que decide em qual categoria a atriz deve concorrer a fim de aumentar as chances de vitória.

Até o momento, uma das favoritas é Laura Dern por Wild. Filha do ator Bruce Dern, que concorreu ao Oscar este ano por Nebraska, ela chegou a ser indicada uma vez por As Noites de Rose no início dos anos 90, mas ficou mais famosa pelo blockbuster de Steven Spielberg, Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros (1993). Pela calorosa recepção do Festival de Toronto, ela deve conquistar sua segunda indicação, fortalecendo a campanha do filme no Oscar. A seu favor, também conta sua participação no drama A Culpa é das Estrelas.

Já para os especialistas em Oscar, Patricia Arquette está na frente da disputa por seu papel de mãe em Boyhood: Da Infância à Juventude. Sua personagem é uma observadora atenta do crescimento de seu filho dos 5 aos 18 anos, gerando momentos maternos simples, porém tocantes como o primeiro dia de faculdade. Embora nunca tenha sido indicada para o prêmio da Academia, no mínimo, Arquette deve figurar na lista final.

Em alta por sua parceria com Woody Allen em Magia ao Luar e o sucesso de O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, Emma Stone já pode colher os frutos através do trabalho com Alejandro González Iñárritu. Em Birdman, ela interpreta a filha problemática de Michael Keaton, passando por clínicas de reabilitação e constantes recaídas. Mais conhecida por sua veia cômica, a jovem atriz demonstra novas facetas em um trabalho mais dramático, uma característica que a Academia costuma ver com bons olhos.

Apoiada pelo recente histórico de indicações sem vitória, Viola Davis pode retornar ao tapete vermelho com o papel de mãe de James Brown. Além de seu talento habitual que tridimensionaliza personagens menores, ela conta com o triunfo da maquiagem envelhecedora, que tanto favorece as interpretações premiadas. Caso ocorra, esta será sua terceira indicação ao Oscar e com grandes chances de vitória, uma vez que ela repete parceria vencedora com o diretor Tate Taylor de Histórias Cruzadas.

MELHOR ANIMAÇÃO

• Operação Big Hero 6 (Big Hero 6), de Don Hall, Chris Williams
• Festa no Céu (Book of Life), de Jorge R. Gutierrez
• Os Boxtrolls (The Boxtrolls), de Graham Annable e Anthony Stacchi
• Como Treinar o seu Dragão 2 (How to Train your Dragon 2), de Dean DeBlois
• The Tale of Princess Kaguya (Kaguyahime no Monogatari), de Isao Takahata
• Uma Aventura LEGO (The Lego Movie)
, de Phil Lord e Christopher Miller
• As Aventuras de Peabody & Sherman (Mr. Peabody & Sherman), de Rob Minkoff
• Os Pinguins de Madagascar (Penguins of Madagascar), de Eric Darnell e Simon J. Smith
• Song of the Sea
, de Tomm Moore

Virou praxe: todo ano em que a Pixar está ausente, não há favoritos. O estúdio elevou tanto o nível de qualidade da animação que o cinema fica sem referência sem seus filmes. A briga deve se concentrar entre Operação Big Hero 6, Como Treinar seu Dragão 2 e Uma Aventura LEGO, com uma ligeira vantagem para o último por seu sucesso nas bilheterias nos EUA, que ultrapassa os 250 milhões de dólares.

E como de costume, a Academia gosta de incluir animações oriundas de outras nações, sendo Japão a mais indicada entre os estrangeiros. Na ausência do mestre Hayao Miyazaki, indicado este ano por Vidas ao Vento, outro mestre nipônico pode tomar seu lugar no Oscar: Isao Takahata, responsável por uma das animações mais tocantes de todos os tempos: Túmulo dos Vagalumes (1988). Seu mais novo trabalho, The Tale of Princess Kaguya, também foi produzido pelo Studio Ghibli de Miyazaki, e contém elementos fantásticos como a princesa do título ser do tamanho de um dedo.

Claro que se houver mais uma vaga pra animação estrangeira, a vaga pode ficar com o irlandês Song of the Sea, do mesmo Tomm Moore que foi indicado em 2010 por Uma Viagem ao Mundo das Fábulas (The Secret of Kells).

Com 13 indicações cada, ’12 Years a Slave’ e ‘Trapaça’ também lideram Critics’ Choice Awards 2014

Critics' Choice Awards 2014 (art by clevver.com)

Critics’ Choice Awards 2014 (art by clevver.com)

Enquanto o Globo de Ouro foi perdendo seu posto de parâmetro para o Oscar na última década, o Critics’ Choice Awards tem conquistado mais acertos do que erros em relação ao prêmio da Academia. Além disso, ao contrário do Globo de Ouro, o Critics’ também premia Melhor Fotografia, Montagem, Figurino e outras categorias mais técnicas, servindo como melhor termômetro. E vale lembrar que se trata de um prêmio praticamente recém-nascido, em seu 19º ano.

Só para exemplificar, nos últimos quatro anos, o Critics’ Choice acertou três vencedores de Melhor Filme: Argo, O Artista e Guerra ao Terror, além de atores como Daniel Day-Lewis, Colin Firth, Natalie Portman, Jeff Bridges e Sandra Bullock.

Embora seja apenas um festival sem prêmios competitivos, seria injustiça não mencionar o canadense Toronto International Film Festival (TIFF), cujo People’s Choice Award vem reconhecendo e fortalecendo os candidatos a Melhor Filme no Oscar. Nos últimos anos, O Discurso do Rei e Quem Quer Ser um Milionário? coincidiram as láureas com a Academia, sendo que ano passado, Argo estava entre os três finalistas.

Para quem não conhece o Critics’ Choice Awards, trata-se de um reconhecimento extremamente abrangente. Premiam os usuais Filme, Diretor, Ator, Atriz, Filme Estrangeiro… tem Melhor Elenco (marca do SAG Awards), Filme de Ação, Filme de Comédia (Globo de Ouro), Filme de Terror ou Ficção Científica (MTV Movie Award?) e ainda, Ator/Atriz em Filme de Ação e Ator/Atriz em Filme de Comédia. Só faltou Melhor Animal em Filme! Ainda bem que o prêmio não é feito de ouro, senão faltaria na reserva mundial.

Jennifer Lawrence recebendo uma das duas estatuetas que ganhou este ano por O Lado Bom da Vida e Jogos Vorazes (photo by http://fotosnoticiasartistasmuitomais.blogspot.com.br/2013/02/com-oscar-jennifer-lawrence-encerra.html)

Jennifer Lawrence recebendo uma das duas estatuetas que ganhou este ano por O Lado Bom da Vida e Jogos Vorazes (photo by http://fotosnoticiasartistasmuitomais.blogspot.com.br/2013/02/com-oscar-jennifer-lawrence-encerra.html)

Este ano, os recordistas com 13 indicações cada foram 12 Years a Slave e Trapaça, repetindo a façanha conquistada no Globo de Ouro com 7 para cada. Logo em seguida, Gravidade abocanhou 10 indicações e deve ganhar pelo menos Melhor Filme de Terror/Ficção Científica como consolo.

Outro fato curioso sobre o Critics é que eles indicam seis trabalhos nas categorias principais, tornando mais difícil aquele candidato esquecido. Especificamente nesta edição, as seis vagas estão muito bem preenchidas, principalmente entre os atores. Robert Redford e Christian Bale (ignorados pelo SAG), Brie Larson (apesar de ignorada por SAG e Globo de Ouro, concorre pelo Independent Spirit!), Bradley Cooper (ignorado pelo SAG) e até o póstumo James Gandolfini (ignorado pelo Globo). Vale ressaltar a indicação da voz de Scarlett Johansson em Ela como atriz coadjuvante. Será que tem chances no Oscar?

A bela Scarlett Johansson no último Festival de Roma, de onde saiu com o prêmio de Atriz por Ela

A bela Scarlett Johansson no último Festival de Roma, de onde saiu com o prêmio de Atriz por Ela

Mesmo assim, há um ou outro deixado de lado: Joaquin Phoenix (Ela), Tom Hanks (Walt nos Bastidores de Mary Poppins), Michael B. Jordan e Octavia Spencer (Fruitvale Station: A Última Parada). Ei! São 6 indicados, não 10.

Confira as 500 categorias do Critics’ Choice:

MELHOR FILME
Trapaça (American Hustle)
Capitão Phillips (Captain Phillips)
Dallas Buyers Club
Gravidade (Gravity)
Ela (Her)
Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis)
Nebraska
Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks)
12 Years a Slave
O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)

MELHOR ATOR
Christian Bale (Trapaça)
Bruce Dern (Nebraska)
Chiwetel Ejiofor (12 Years a Slave)
Tom Hanks (Capitão Phillips)
Matthew McConaughey (Dallas Buyers Club)
Robert Redford (All Is Lost)

MELHOR ATRIZ
Cate Blanchett (Blue Jasmine)
Sandra Bullock (Gravidade)
Judi Dench (Philomena)
Brie Larson (Short Term 12)
Meryl Streep (Álbum de Família)
Emma Thompson (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
Daniel Bruhl (Rush: No Limite da Emoção)
Bradley Cooper (Trapaça)
Michael Fassbender (12 Years a Slave)
James Gandolfini (À Procura do Amor)
Jared Leto (Dallas Buyers Club)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Scarlett Johansson (Ela)
Jennifer Lawrence (Trapaça)
Lupita Nyong’o (12 Years a Slave)
Julia Roberts (Álbum de Família)
June Squibb (Nebraska)
Oprah Winfrey (O Mordomo da Casa Branca)

MELHOR ATOR/ATRIZ JOVEM
Asa Butterfield (Ender’s Game – O Jogo do Exterminador)
Adèle Exarchopoulos (Azul é a Cor Mais Quente)
Liam James (O Verão da Minha Vida)
Sophie Nelisse (A Menina que Roubava Livros)
Tye Sheridan (Amor Bandido)

O jovem talento Tye Sheridan concorre por Amor Bandido (photo by www.cine.gr)

O jovem talento Tye Sheridan concorre por Amor Bandido (photo by http://www.cine.gr)

MELHOR ELENCO
Trapaça
Álbum de Família
O Mordomo da Casa Branca
Nebraska
12 Years a Slave
O Lobo de Wall Street

MELHOR DIRETOR
Alfonso Cuaron (Gravidade)
Paul Greengrass (Capitão Phillips)
Spike Jonze (Ela)
Steve McQueen (12 Years a Slave)
David O. Russell (Trapaça)
Martin Scorsese (O Lobo de Wall Street)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Eric Singer, David O. Russell (Trapaça)
Woody Allen (Blue Jasmine)
Spike Jonze (Ela)
Joel Coen, Ethan Coen (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
Bob Nelson (Nebraska)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Tracy Letts (Álbum de Família)
Richard Linklater, Julie Delpy, Ethan Hawke (Antes da Meia-Noite)
Billy Ray (Capitão Phillips)
Steve Coogan, Jeff Pope (Philomena)
John Ridley (12 Years a Slave)
Terence Winter (O Lobo de Wall Street)

MELHOR FOTOGRAFIA
Emmanuel Lubezki (Gravidade)
Bruno Delbonnel (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
Phedon Papamichael (Nebraska)
Roger Deakins (Os Suspeitos)
Sean Bobbitt (12 Years a Slave)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Andy Nicholson, Rosie Goodwin (Gravidade)
Catherine Martin, Beverley Dunn (O Grande Gatsby)
K.K. Barrett, Gene Serdena (Ela)
Dan Hennah, Ra Vincent (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
Adam Stockhausen, Alice Baker (12 Years a Slave)

MELHOR MONTAGEM
Alan Baumgarten, Jay Cassidy, Crispin Struthers (Trapaça)
Christopher Rouse (Capitão Phillips)
Alfonso Cuarón, Mark Sanger (Gravidade)
Daniel P. Hanley, Mike Hill (Rush: No Limite da Emoção)
Joe Walker (12 Years a Slave)
Thelma Schoonmaker (O Lobo de Wall Street)

MELHOR FIGURINO
Michael Wilkinson (Trapaça)
Catherine Martin (O Grande Gatsby)
Bob Buck, Lesley Burkes-Harding, Ann Maskrey, Richard Taylor (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
Daniel Orlandi (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)
Patricia Norris (12 Years a Slave)

MELHOR MAQUIAGEM
Trapaça
O Hobbit: A Desolação de Smaug
O Mordomo da Casa Branca
Rush: No Limite da Emoção
12 Years a Slave

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Gravidade
OHobbit: A Desolação de Smaug
Homem de Ferro 3
Círculo de Fogo
Além da Escuridão – Star Trek

MELHOR ANIMAÇÃO
Os Croods (The Croods)
Meu Malvado Favorito (Despicable Me 2)
Frozen: Uma Aventura Congelante (Frozen)
Universidade Monstros (Monsters University)
Vidas ao Vento (The Wind Rises)

A animação Os Croods deve conquistar uma das cinco vagas do Oscar (photo by www.elfilm.com)

A animação Os Croods deve conquistar uma das cinco vagas do Oscar (photo by http://www.elfilm.com)

MELHOR FILME DE AÇÃO
Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire)
Homem de Ferro 3 (Iron Man 3)
Lone Survivor
Rush: No Limite da Emoção (Rush)
Além da Escuridão – Star Trek (Star Trek Into Darkness)

MELHOR ATOR EM FILME DE AÇÃO
Henry Cavill (Homem de Aço)
Robert Downey Jr. (Homem de Ferro 3)
Brad Pitt (Guerra Mundial Z)
Mark Wahlberg (Lone Survivor)

MELHOR ATRIZ EM FILME DE AÇÃO
Sandra Bullock (Gravidade)
Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes: Em Chamas)
Evangeline Lilly (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
Gwyneth Paltrow (Homem de Ferro 3)

MELHOR COMÉDIA
Trapaça (American Hustle)
À Procura do Amor (Enough Said)
As Bem-Armadas (The Heat)
É o Fim (This Is the End)
O Verão da Minha Vida (The Way Way Back)
Heróis de Ressaca (The World’s End)

MELHOR ATOR EM COMÉDIA
Christian Bale (Trapaça)
Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)
James Gandolfini (À Procura do Amor)
Simon Pegg (Heróis de Ressaca)
Sam Rockwell (O Verão da Minha Vida)

MELHOR ATRIZ EM COMÉDIA
Amy Adams (Trapaça)
Sandra Bullock (As Bem-Armadas)
Greta Gerwig (Frances Ha)
Julia Louis-Dreyfus (À Procura do Amor)
Melissa McCarthy (As Bem-Armadas)

Melissa McCarthy e Sandra Bullock disputam o prêmio de Atriz em Comédia por As Bem-Armadas (photo by ww.outnow.ch)

Melissa McCarthy e Sandra Bullock disputam o prêmio de Atriz em Comédia por As Bem-Armadas (photo by ww.outnow.ch)

MELHOR FILME DE FICÇÃO CIENTÍFICA/TERROR
Invocação do Mal (The Conjuring)
Gravidade (Gravity)
Além da Escuridão – Star Trek (Star Trek into Darkness)
Guerra Mundial Z (World War Z)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Azul é a Cor Mais Quente (La Vie d’Adèle)
A Grande Beleza (La Grande Bellezza)
A Caça (Jagten)
The Past (Le Passé)
O Sonho de Wadjda (Wadjda)

Cena de O Sonho de Wadjda, que concorre como Filme Estrangeiro pela Arábia Saudita (photo by www.outnow.ch)

Cena de O Sonho de Wadjda, que concorre como Filme Estrangeiro pela Arábia Saudita (photo by http://www.outnow.ch)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
O Ato de Matar (The Act of Killing)
Blackfish
Stories We Tell
Tim’s Vermeer
20 Feet from Stardom

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Atlas” – Coldplay (Jogos Vorazes: Em Chamas)
“Happy” – Pharrell Williams (Meu Malvado Favorito 2)
“Let It Go” – Robert Lopez, Kristen Anderson-Lopez (Frozen: Uma Aventura Congelante)
“Ordinary Love” – U2 (Mandela: Long Walk to Freedom)
“Please Mr. Kennedy” – Justin Timberlake/Oscar Isaac/Adam Driver (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
“Young and Beautiful” – Lana Del Rey (O Grande Gatsby)

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
Steven Price (Gravidade)
Arcade Fire (Ela)
Thomas Newman (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)
Hans Zimmer (12 Years a Slave)

Os vencedores serão anunciados no dia 16 de janeiro de 2014. Quatro dias após o anúncio dos indicados ao Oscar.

* A animação de Hayao Miyazaki, The Wind Rises, estava com o título brasileiro O Vento Está Soprando, mas a distribuidora que adquiriu os direitos de exibição resolveu alterar para Vidas ao Vento.

Vidas ao Vento, de Hayao Miyazaki, ganhou novo título nacional e concorre como melhor Animação (photo by www.elfilm.com)

Vidas ao Vento, de Hayao Miyazaki, ganhou novo título nacional e concorre como melhor Animação (photo by http://www.elfilm.com)

‘Ela’, de Spike Jonze, fatura o National Board of Review 2013

Joaquin Phoenix no futurista Ela, de Spike Jonze, que faturou o National Board of Review (photo by www.cine.gr)

Joaquin Phoenix no futurista Ela, de Spike Jonze, que faturou o National Board of Review (photo by http://www.cine.gr)

Como já foi dito no post anterior, se depender da quantidade de filmes candidatos ao Oscar, 10 indicados a Melhor Filme pode ser pouco para a demanda. Logo depois de Trapaça conquistar o New York Film Critics Circle (NYFCC), o novo filme de Spike Jonze, Ela (Her), vence as duas principais categorias: Filme e Diretor.

Até ontem, o filme era considerado um dos vários candidatos em potencial, mas nenhuma unanimidade, tanto que seu burburinho mais alto até então era a polêmica vitória de Scarlett Johansson como Melhor Atriz no Festival de Roma. Explico: a trama de Ela se passa num futuro hi-tech, no qual o escritor Theodore (Joaquin Phoenix) desenvolve um sentimento pela voz feminina de seu sistema operacional, feita por Johansson.

Li alguns artigos a respeito da “polêmica” e o problema parece ser premiar uma interpretação em que o ator não surge na tela. Não acredito que a origem da discussão seja Scarlett Johansson, pois se a crítica tem elogiado, ela deve ter conseguido criar profundidade e humanismo apenas com suas cordas vocais. Mesmo que fosse a voz de Meryl Streep, haveria uma polemicazinha, afinal, não existe a cultura de reconhecer trabalhos de interpretação vocal nas grandes premiações.

Scarlett Johansson ao lado do diretor Spike Jonze no último Festival de Roma (photo by )

Scarlett Johansson ao lado do diretor Spike Jonze no último Festival de Roma (photo by Vittorio Zunino Celotto/Getty Images)

Atualmente, existem apenas prêmios específicos para trabalhos de dublagem como o Voice Acting no Annie Awards. No Oscar, já houve tentativas fracassadas de incluírem dublagens nas categorias de atuação. Robin Williams como o Gênio em Aladdin (1992), e mais recentemente, Ellen DeGeneres como a Dori de Procurando Nemo (2003) geraram debates sobre suas inclusões como indicados à estaueta. Curiosamente, o Oscar já foi concedido às performances quase sem nenhum diálogo como Marlee Matlin em Filhos do Silêncio (1986) e no ano passado para Jean Dujardin em O Artista.

No final de novembro, foi anunciado que a voz de Scarlett era inelegível para concorrer ao Globo de Ouro, mas ela ainda pode disputar na categoria de atriz coadjuvante por seu papel em Como Não Perder Essa Mulher. Sem divulgar as razões, a Hollywood Foreign Press Association simplesmente vetou, mas até agora, poderá concorrer no SAG Awards e até no Oscar (quem diria!). Mas, convenhamos, as chances são quase nulas diante do conservadorismo da Academia.

Felizmente, os prêmios de críticos não têm dessas firulas. E também não há preconceitos com gêneros como ficção científica. O filme de Spike Jonze faz um interessante estudo sobre o futuro próximo enquanto nos tenta contar algo sobre o nosso tempo. Formado na escola de videoclipes, o diretor tem uma necessidade constante de inovação na linguagem e estrutura narrativa. Foi assim com Quero Ser John Malkovich (1999), Adaptação (2002) e Onde Vivem os Monstros (2009). Seu prêmio de Melhor Diretor serve como ótimo estímulo para que ele continue amadurecendo e se reinventando, algo essencial para a sobrevivência do Cinema.

Ao contrário dos demais prêmios de críticos, o National Board of Review também cria listas de top 10 e top 5 que permitem maior visibilidade de outros filmes não-premiados. Os favoritos ao Oscar estão lá:

– 12 Years a Slave
– Fruitvale Station: A Última Parada (Fruitvale Station)
– Gravidade (Gravity)
– Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis)
– Lone Survivor
– Nebraska
– Os Suspeitos (Prisoners)
– Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks)
– A Vida Secreta de Walter Mitty (The Secret Life of Walter Mitty)
– O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)

Tratado como zebra, o filme Lone Survivor, de Peter Berg, pode continuar surpreendendo até o anúncio das indicações ao Oscar (photo by www.elfilm.com)

Tratado como zebra, o filme Lone Survivor, de Peter Berg, pode continuar surpreendendo até o anúncio das indicações ao Oscar (photo by http://www.elfilm.com)

Esse bônus também favorece algumas produções estrangeiras, que podem nem ter sido qualificadas para a categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar.

Além das Montanhas (Dupa Dealuri), de Cristian Mungiu – ROMÊNIA
Gloria (idem), de Sebastián Lelio – CHILE
The Grandmaster (Yi dai zong shi), de Wong Kar-Wai – HONG KONG
Seqüestro (Kapringen), de Tobias Lindholm – DINAMARCA
A Caça (Jagten), de Thomas Vinterberg – DINAMARCA

A produção dinamarquesa Sequestro pode não representar o país no Oscar, mas recebe reconhecimento dos críticos (photo by www.elfilm.com)

A produção dinamarquesa Sequestro pode não representar o país no Oscar, mas recebe reconhecimento dos críticos (photo by http://www.elfilm.com)

Entre as categorias de atuação, nenhum dos premiados do NYFCC voltou nessa lista, comprovando que não há favoritismos até o momento. Bruce Dern e Will Forte foram premiados ator e coadjuvante, respectivamente, pelo novo filme de Alexander Payne, Nebraska. Dern, que já havia vencido o prêmio de interpretação masculina em Cannes, renova suas chances no Oscar, tornando-o uma figurinha praticamente carimbada.

Vencedora do Oscar de Atriz por Retorno a Hoawards End, a inglesa Emma Thompson pode ter seu retorno triunfal no tapete vermelho graças ao filme Walt nos Bastidores de Mary Poppins, onde ela faz a autora do livro que deu origem ao filme musical. Depois de sua última indicação ao Oscar em 1996 por Razão e Sensibilidade, Thompson se tornou uma coadjuvante de luxo em grandes produções como a série Harry Potter e protagonizou filmes infantis como Nanny McPhee – A Babá Encantada.

Emma Thompson como a autora P.L. Travers em Walt nos Bastidores de Mary Poppins (photo by www.cine.gr)

Emma Thompson como a autora P.L. Travers em Walt nos Bastidores de Mary Poppins (photo by http://www.cine.gr)

Vencedora do Oscar de coadjuvante por Histórias Cruzadas, Octavia Spencer pode conquistar sua segunda indicação pelo drama Fruitvale Station: A Última Parada, que ainda conquistou mais dois prêmios: Diretor Estreante para Ryan Coogler e Revelação para Michael B. Jordan.

Ainda nas categorias de atuação, o Melhor Elenco foi para Os Suspeitos, de Denis Villeneuve. Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal, Viola Davis, Terrence Howard, Melissa Leo e Paul Dano formam um elenco respeitável, porém alguns papéis não sustentam uma indicação como coadjuvante no Oscar.

Fechando, o iraniano Asghar Farhadi conquista o prêmio de Filme Estrangeiro, enquanto O Vento Está Soprando e Stories We Tell ganharam mais um prêmio de Animação e Documentário, respectivamente, e caminham fortalecidos para o Los Angeles Film Critics Association Awards (LAFCA), que divulgará sua lista no próximo dia 08.

Confira lista completa dos vencedores:

MELHOR FILME: Ela (Her)

MELHOR DIRETOR: Spike Jonze (Ela)

MELHOR ATOR: Bruce Dern (Nebraska)

MELHOR ATRIZ: Emma Thompson (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Will Forte (Nebraska)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Octavia Spencer (Fruitvale Station: A Última Parada)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Joel Coen e Ethan Coen (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Terence Winter (O Lobo de Wall Street)

MELHOR ANIMAÇÃO: O Vento Está Soprando, de Hayao Miyazaki

ATOR REVELAÇÃO: Michael B. Jordan (Fruitvale Station: A Última Parada)

ATRIZ REVELAÇÃO: Adèle Exarchopoulos (Azul é a Cor Mais Quente)

MELHOR DIRETOR ESTREANTE: Ryan Coogler (Fruitvale Station: A Última Parada)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: The Past, de Asghar Farhadi

MELHOR DOCUMENTÁRIO: Stories We Tell, de Sarah Polley

PRÊMIO William K. Everson Film History: George Stevens, Jr.

MELHOR ELENCO: Os Suspeitos (Prisoners), de Denis Villeneuve

Spotlight Award: Colaboração de carreira entre Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio

PRÊMIO NBR Freedom of Expression: O Sonho de Wadjda, de Haifaa Al-Mansour

PRÊMIO Creative Innovation in Filmmaking: Gravidade, de Alfonso Cuarón

Top 10 Filmes (em ordem alfabética):

12 Years a Slave, Fruitvale Station: A Última Parada, Gravidade, Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum, Lone Survivor, Nebraska, Os Suspeitos, Walt nos Bastidores de Mary Poppins, A Vida Secreta de Walter Mitty, O Lobo de Wall Street

Top 5 Filmes Estrangeiros (em ordem alfabética):

– Além das Montanhas
– Gloria
– The Grandmaster
– O Seqüestro
– A Caça

Top 5 Documentários (em ordem alfabética):

– 20 Feet from Stardom
– O Ato de Matar
– After Tiller
– Casting By
– The Square

Top 10 Filmes Independentes (em ordem alfabética):

– Ain’t Them Bodies Saints
– Dallas Buyers Club
– In a World…
– Mother of George
– Muito Barulho por Nada (Much Ado About Nothing)
– Amor Bandido (Mud)
– O Lugar Onde Tudo Termina (The Place Beyond the Pines)
– Short Term 12
– Sightseers
– The Spectacular Now

O simpático e comovente Muito Barulho por Nada foi bem lembrado pelo NBR (photo by www.elfilm.com)

O simpático e comovente Muito Barulho por Nada foi bem lembrado pelo NBR (photo by http://www.elfilm.com)

‘Trapaça’ conquista 3 prêmios no NYFCC 2013

Vencedora do prêmio de coadjuvante, Jennifer Lawrence (à esquerda) divide cena com Amy Adams em Trapaça (photo by ww.elfilm.com)

Vencedora do prêmio de coadjuvante, Jennifer Lawrence (à esquerda) divide cena com Amy Adams em Trapaça (photo by ww.elfilm.com)

A New York Film Critics Circle, formada por críticos nova-iorquinos, divulgou sua lista anual de premiados:

FILME: Trapaça (American Hustle)
DIRETOR: Steve McQueen (12 Years a Slave)
ATOR: Robert Redford (All is Lost)
ATRIZ: Cate Blanchett (Blue Jasmine)
ATOR COADJUVANTE: Jared Leto (Dallas Buyers Club)
ATRIZ COADJUVANTE: Jennifer Lawrence (Trapaça)
ROTEIRO: Eric Singer, David O. Russell (Trapaça)
FOTOGRAFIA: Bruno Delbonnel (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
FILME ESTRANGEIRO: Azul é a Cor Mais Quente (La Vie d’Adèle), de Abdellatif Kechiche (França)
DOCUMENTÁRIO: Stories We Tell, de Sarah Polley
ANIMAÇÃO: O Vento Está Soprando, de Hayao Miyazaki
PRIMEIRO FILME: Fruitvale Station: A Última Parada, de Ryan Coogler

Os três prêmios para Trapaça surpreendeu aqueles que acompanhavam a corrida do Oscar 2014, que tinha como favoritos 12 Years a Slave, de Steve McQueen, e Gravidade, de Alfonso Cuarón. Como o editor da Variety, Tim Gray, comentou: “…the critics prizes take the pressure off each of the films as the One To Beat (os prêmios dos críticos tiram a pressão dos filmes considerados favoritos)”.

No set de 12 Years a Slave, o diretor britânico Steve McQueen faturou o prêmio de Diretor (photo by www.collider.com)

No set de 12 Years a Slave, o diretor britânico Steve McQueen faturou o prêmio de Diretor (photo by http://www.collider.com)

Além dessa virtude, os críticos têm como objetivo lembrar a variedade de bons filmes que têm chances reais de chegar ao Oscar de Melhor Filme, principalmente com 10 indicados, evitando aqueles casos de franco-favoritismo que papa mais de 10 estatuetas como fizeram os recordistas Ben-Hur e Titanic. Além dos filmes já citados, temos Nebraska, de Alexander Payne, O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese, Álbum de Família, de John Wells, Capitão Phillips, de Paul Greengrass, O Mordomo da Casa Branca, de Lee Daniels, e Inside Llewyn Davis, de Joel e Ethan Coen, só para citar alguns.

Apesar da vitória no NYFCC significar pontuação na corrida para o Oscar, vale ressaltar que os críticos nova-iorquinos não estão tão em sintonia com a Academia. Nos últimos 10 anos, apenas em quatro vezes os Melhores Filmes coincidiram: em 2011 com O Artista, 2009: Guerra ao Terror, 2007: Onde os Fracos Não Têm Vez, e 2003: O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei. Sem contar os atores que nem chegam a ser indicados no Oscar como os vencedores do ano passado de Melhor Atriz e Ator Coadjuvante, respectivamente: Rachel Weisz (Amor Profundo) e Matthew McConaughey (Magic Mike).

Como Trapaça teve sua premiere agora nos EUA, (sim, o Brasil não tem pressa nenhuma. Estréia marcada para fevereiro de 2014!), alguns talvez façam a leitura de que o NYFCC estaria tentando compensar a ausência total de O Lado Bom da Vida, do mesmo diretor David O. Russell, da última edição. Em 2012, eles premiaram o polêmico A Hora Mais Escura, de Kathryn Bigelow. Como o filme foi acusado erroneamente de fazer apologia à tortura e gerou uma série de discussões, talvez eles quiseram deixar polêmicas de lado e apostaram em David O. Russell, que sempre fez filmes mais light. Apesar de ter ter sido premiado como diretor, recebeu a honraria de Melhor Roteiro juntamente com o colaborador Eric Singer.

Embora a vitória de Jennifer Lawrence tenha possibilidade de também se encaixar na leitura de compensação por 2012, comprova que a jovem continua no topo de Hollywood aos 23 anos. Ela sabe aliar com maestria o sonho de todo ator: sucesso de crítica e público. Seu outro trabalho de 2013, a seqüência Jogos Vorazes: Em Chamas já conquistou 300 milhões de dólares apenas em sua segunda semana nos EUA. Como a corrida da categoria de coadjuvante está relativamente mais fraca, Lawrence deve figurar entre as indicadas do Oscar 2014, mas como já ganhou este ano, não deve ter muitas chances.

No geral, a premiação do NYFCC foi bastante democrática. Lembrou bons trabalhos de 2013 como a direção de Steve McQueen em 12 Years a Slave. Apesar deste ser apenas seu terceiro longa, o diretor britânico vem conquistando muito prestígio da ala artística americana depois dos aclamados Fome (2008) e Shame (2011). O NYFCC consagra o talento e a versatilidade de Cate Blanchett, que vive uma socialite falida no novo filme de Woody Allen, Blue Jasmine, e resgata o veterano da atuação e charme em pessoa Robert Redford, por sua interpretação em All is Lost, um drama de ação em que um marinheiro encara sua mortalidade após a colisão de seu barco em alto mar.

Aos 77 anos, Robert Redford é o único ator do segundo longa do jovem J.C. Chandor, All is Lost (photo by www.elfilm.com)

Aos 77 anos, Robert Redford é o único ator do segundo longa do jovem J.C. Chandor, All is Lost (photo by http://www.elfilm.com)

Assim como eles, o ator Jared Leto, que ficou conhecido por Réquiem Para um Sonho (2001) e retornou de um afastamento de quatro anos dos cinemas, deve conquistar uma indicação pela ousadia de seu papel em Dallas Buyers Club. Na produção independente, Leto dá vida a Rayon, um gay travesti que ajuda o protagonista Ron Woodroof (Matthew McConaughey) a encontrar uma cura para o HIV em meados da década de 80. Além do homossexualismo e do travestismo já chamarem atenção para o papel, o ator também perdeu cerca de 13 quilos para viver Rayon, o que deve lhe garantir auto-publicidade até março.

Já na categoria de Filme Estrangeiro, é uma pena que Azul é a Cor Mais Quente não possa disputar o Oscar. Infelizmente, as regras arcaicas da Academia desqualificaram o filme vencedor da Palma de Ouro por estrear na França após o prazo permitido. Assim, um dos filmes mais aclamados da temporada fica de fora da categoria, mas dependendo do lobby, talvez conquista uma indicação para Direção (Abdellatif Kechiche) e Atriz (Adèle Exarchopoulos).

Vencedor da Palma de Ouro e do prêmio do NYFCC, Azul é a Cor Mais Quente está fora da corrida pelo Oscar de Filme Estrangeiro. Porém a bela Adèle Exarchopoulos pode ser uma surpresa (photo by www.elfilm.com)

Vencedor da Palma de Ouro e do prêmio do NYFCC, Azul é a Cor Mais Quente está fora da corrida pelo Oscar de Filme Estrangeiro. Porém a bela Adèle Exarchopoulos pode ser uma surpresa (photo by http://www.elfilm.com)

O prêmio de Melhor Fotografia para Bruno Delbonnel deve reforçar a campanha para sua 4ª indicação ao Oscar. Após ter sido indicado por O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001), Eterno Amor (2004) e Harry Potter e o Enigma do Príncipe (2009), o diretor de fotografia francês pode vencer, caso o franco-favorito mexicano Emmanuel Lubezki não figurar na lista por Gravidade. E, espero que a vitória da animação japonesa O Vento Está Soprando também se transforme em indicação e segundo Oscar para o mestre Hayao Miyazaki. Considerado um ano fraco para animações dos grandes estúdios, Miyazaki e seu Studio Ghibli podem se consagrar mais uma vez na Academia.

O diretor de fotografia francês Bruno Delbonnel dá o toque artístico ao visual de Inside Llewyn Davis, dos irmãos Coen (photo by www.elfilm.com)

O diretor de fotografia francês Bruno Delbonnel dá o toque artístico ao visual de Inside Llewyn Davis, dos irmãos Coen (photo by http://www.elfilm.com)

O prêmio de Primeiro Filme acabou indo para Fruitvale Station: A Última Parada, que visa não apenas o merecimento do diretor Ryan Coogler, mas de todo o elenco formado por Michael B. Jordan, Melonie Diaz, Octavia Spencer e Chad Michael Murray. A produção independente foi bastante aplaudida no último Festival de Cannes, e mais recentemente, recebeu 3 indicações ao Independent Spirit Awards. Com a benção do lobby de Harvey Weinstein, o filme pode surpreender ainda mais espaço nessa corrida ao Oscar.

E como Melhor Documentário, um trabalho singelo da diretora e atriz canadense Sarah Polley intitulado Stories We Tell. Ao contrário da maioria dos documentários que visa temas polêmicos, ela opta por um trabalho mais intimista ao atuar como entrevistadora num experimento que busca identificar mitos e verdades sobre sua família. Aliás, o documentário foi pré-selecionado para competir no Oscar de Melhor Documentário.

A diretor e atriz canadense Sarah Polley foi premiada por seu documentário intimista (photo by www.outnow.ch)

A diretor e atriz canadense Sarah Polley foi premiada por seu documentário intimista (photo by http://www.elfilm.com)

Veja lista dos 15 semi-finalistas:

– O Ato de Matar (The Act of Killing), de Joshua Oppenheimer
– The Armstrong Lie, de Alex Gibney
– Blackfish, de Gabriela Cowperthwaite
– The Crash Reel, de Lucy Walker
– Cutie and the Boxer, de Zachary Heinzerling
– Dirty Wars, de Rick Rowley
– First Cousin Once Removed, de Alan Berliner
– God Loves Uganda, de Roger Ross Williams
– Life According to Sam, de Sean Fine, Andrea Nix
– Pussy Riot: A Punk Prayer, de Mike Lerner, Maxim Pozdorovkin
– The Square, de Jehane Noujaim
– Stories We Tell, de Sarah Polley
– Tim’s Vermeer, de Teller
– 20 Feet from Stardom, de Morgan Neville
– Which Way Is the Front Line from Here? The Life and Time of Tim Hetherington, de Sebastian Junger

The Armstrong Lie, de Alex Gibney, destrincha os altos e baixos do campeão Lance Armstrong que venceu 7 Tour de France, mas perdeu após exame anti-dopping (photo by www.outnow.ch)

The Armstrong Lie, de Alex Gibney, destrincha os altos e baixos do campeão Lance Armstrong que venceu 7 Tour de France, mas perdeu após exame anti-dopping (photo by http://www.outnow.ch)

’12 Years a Slave’ e ‘Nebraska’ são recordistas de indicações no Independent Spirit Awards 2014

Lupita Nyong'o (Twelve Years a Slave)

12 Years a Slave, de Steve McQueen, conquista sete indicações. Na foto, da esquerda pra direita: Michael Fassbender, Lupita Nyong’o e Chiwetel Ejiofor (www.outnow.ch)

O ano está chegando ao fim e as premiações já começam a divulgar as listas de indicações. A 29ª edição do Independent Spirit Awards confirma o fortalecimento das produções independentes no cenário hollywoodiano e internacional. Alguns anos atrás, apenas um ou outro indicado chegava ao tapete vermelho do Oscar, tanto que na época diziam que quem vencesse o Independent não teria chances no prêmio da Academia. Este ano, Jennifer Lawrence ganhou como Melhor Atriz por O Lado Bom da Vida em ambas as premiações.

Se analisarmos os últimos quatro vencedores de Melhor Filme no Independent Spirit Award, podemos notar que todas as produções foram indicadas para o Oscar de Melhor Filme também, com O Artista também vencendo o Oscar. Vale ressaltar que o Independent Spirit só premia filmes com orçamento de até 20 milhões de dólares.

Ano: Independent Spirit/ Oscar
2013: O Lado Bom da Vida/Argo
2012: O Artista/ O Artista
2011: Cisne Negro/ O Discurso do Rei (que levou o Independent de Filme Estrangeiro)
2010: Preciosa – Uma História de Esperança/ Guerra ao Terror

Consequência da crise econômica? Talvez. Mas o fato é que os produtores de cinema deixaram de ser aqueles apaixonados por cinema, deixando seus cargos para engravatados que só acreditam em números de bilheterias e marketing. Eles se esqueceram que o Cinema é uma Arte centenária que necessita de uma boa história contada por profissionais apaixonados pelos projetos, resultando nessa Hollywood mecânica e de baixa qualidade de hoje. Por outro lado, as produções de baixo orçamento podem não contar com equipamentos tecnológicos de filmagem e edição, nem astros carismáticos, mas sempre respeitam a essência do Cinema e buscam formas para inovar essa Arte.


Octavia Spencer e Paula Patton anunciam as indicações ao Independent Spirit Award

Nesta edição do Independent, duas produções que já vinham figurando em listas de previsões para o Oscar se tornaram as recordistas de indicações. 12 Years a Slave, de Steve McQueen, conquistou sete indicações, enquanto Nebraska, de Alexander Payne, vem logo em seguida com seis. McQueen e Payne são dois diretores que nasceram do cinema independente (Fome e Ruth em Questão foram seus primeiros longas, respectivamente) e hoje são nomes consagrados.

Vale lembrar que Nebraska já foi indicado à Palma de Ouro e Bruce Dern foi premiado Melhor Ator em Cannes. Já 12 Years a Slave ganhou o passaporte para o Oscar de Melhor Filme ao levar o People’s Choice Award do Festival de Toronto.

Alexander Payne dirige o veterano Bruce Dern em Nebraska (photo by www.outnow.ch)

Alexander Payne dirige o veterano Bruce Dern em Nebraska (photo by http://www.outnow.ch)

Os demais indicados a Melhor Filme também foram bem avaliados pela crítica e são fortes candidatos ao Oscar. All is Lost é apenas o segundo filme do jovem J.C. Chandor, que conquistou a indicação ao Oscar de Roteiro Original por Margin Call – O Dia Antes do Fim, e tem tudo para se tornar um dos grandes nomes dessa geração. Frances Ha é uma comédia leve que há muito não se via nos cinemas, devido à graça da atriz Greta Gerwig, que escreveu o roteiro junto com o diretor Noah Baumbach. Já o musical Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum, de Joel e Ethan Coen, levou o Grande Prêmio do Júri em Cannes e deve figurar entre os 10 indicados a Melhor Filme no Oscar, com boas chances do protagonista vivido por Oscar Isaacs ser reconhecido também.

O último filme de Woody Allen também foi lembrado em três categorias: Atriz (Cate Blanchett), Atriz Coadjuvante (Sally Hawkins) e Roteiro. Se Blanchett levar o Globo de Ouro em janeiro, ela já estará com uma mão na estatueta do Academia.

Indicado pelo prêmio Un Certain Regard em Cannes este ano, Fruitvale Station: A Última Parada foi comparado a Indomável Sonhadora por ter fortes chances de conquistar espaço no Oscar, principalmente depois que Harvey Wenstein comprou os direitos de distribuição e conseqüente lobby. Deve vencer o prêmio Melhor Primeiro Filme e, se houver empates nas votações, o jovem ator Michael B. Jordan pode também sair vitorioso.

Cena de Fruitvale Station: A Última Parada, produção baseada em fatos reais com Michael B. Jordan (photo by www.elfilm.com)

Cena de Fruitvale Station: A Última Parada, produção baseada em fatos reais com Michael B. Jordan (photo by http://www.elfilm.com)

Aliás, a briga entre atores está bastante acirrada. A categoria Melhor Ator conta com seis candidatos fortíssimos, sendo Matthew McConaughey um dos favoritos a levar. Para viver seu personagem aidético em Dallas Buyers Club, o ator emagreceu 18 quilos (!) e vive seu melhor momento na carreira. Ele poderia ter sido duplamente indicado, mas resolveram deixar de lado sua performance em Amor Bandido. Seu companheiro de tela em Dallas Buyers Club, Jared Leto, também não fica muito atrás, pois perdeu 13 quilos nesse seu retorno ao cinema após quatro anos.

Atores sob dieta: Jared Leto e Matthew McConaughey podem colher frutos de suas greves de fome (photo by www.elfilm.com)

Atores sob dieta: Jared Leto e Matthew McConaughey podem colher frutos de suas greves de fome (photo by http://www.elfilm.com)

Indicações ao Independent Spirit Award 2014:

MELHOR FILME
12 Years a Slave
Produtores: Dede Gardner, Anthony Katagas, Jeremy Kleiner, Steve McQueen, Arnon Milchan, Brad Pitt, Bill Pohlad
All Is Lost
Produtores: Neal Dodson, Anna Gerb
Frances Ha
Produtores: Noah Baumbach, Scott Rudin, Rodrigo Teixeira, Lila Yacoub
Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis)
Produtores: Ethan Coen, Joel Coen, Scott Rudin
Nebraska
Produtores: Albert Berger, Ron Yerxa

MELHOR DIRETOR
– Shane Carruth (Upstream Color)
– J.C. Chandor (All Is Lost)
– Steve McQueen (12 Years a Slave)
– Jeff Nichols (Amor Bandido)
– Alexander Payne (Nebraska)

MELHOR ROTEIRO
– Woody Allen (Blue Jasmine)
– Julie Delpy, Ethan Hawke & Richard Linklater (Antes da Meia-Noite)
– Nicole Holofcener (À Procura do Amor)
– Scott Neustadter & Michael H. Weber (The Spectacular Now)
– John Ridley (12 Years a Slave)

MELHOR PRIMEIRO FILME
Chevrolet Azul (Blue Caprice)
Diretor/Produtor: Alexandre Moors
Produtores: Kim Jackson, Brian O’Carroll, Isen Robbins, Will Rowbotham, Ron Simons, Aimee Schoof, Stephen Tedeschi
Concussion
Diretor: Stacie Passon
Produtor: Rose Troche
Fruitvale Station: A Última Parada (Fruitvale Station)
DIRECTOR: Ryan Coogler
PRODUCERS: Nina Yang Bongiovi, Forest Whitaker
Uma Noite (Una Noche)
Diretor/Produtor: Lucy Mulloy
Produtores: Sandy Pérez Aguila, Maite Artieda, Daniel Mulloy, Yunior Santiago
O Sonho de Wadjda (Wadjda)
Diretor: Haifaa Al Mansour
Produtores: Gerhard Meixner, Roman Paul

MELHOR PRIMEIRO ROTEIRO
– Lake Bell (In A World…)
– Joseph Gordon-Levitt (Como Não Perder Essa Mulher)
– Bob Nelson (Nebraska)
– Jill Soloway (Afternoon Delight)
– Michael Starrbury (The Inevitable Defeat of Mister & Pete)

PRÊMIO JOHN CASSAVETES (Concedido à produção com orçamento abaixo de 500 mil dólares)
Computer Chess
Diretor/Roteirista: Andrew Bujalski
Produtores: Houston King & Alex Lipschultz
Crystal Fairy & the Magical Cactus
Diretor/Roteirista: Sebastiàn Silva
Produtores: Juan de Dios Larraín & Pablo Larraín
Museum Hours
Diretor/Roteirista: Jem Cohen
Produtores: Paolo Calamita & Gabriele Kranzelbinder
Pit Stop
Diretor/Produtor: Yen Tan
Roteirista: David Lowery
Produtores: Jonathan Duffy, James M. Johnston, Eric Steele, Kelly Williams
This is Martin Bonner
Diretor/Roteirista: Chad Hartigan
Produtor: Cherie Saulter

MELHOR ATRIZ
– Cate Blanchett (Blue Jasmine)
– Julie Delpy (Antes da Meia-Noite)
– Gaby Hoffmann (Crystal Fairy & the Magical Cactus)
– Brie Larson (Short Term 12)
– Shailene Woodley (The Spectacular Now)

MELHOR ATOR
– Bruce Dern (Nebraska)
– Chiwetel Ejiofor (12 Years a Slave)
– Oscar Isaac (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
– Michael B. Jordan (Fruitvale Station: A Última Parada)
– Matthew McConaughey (Dallas Buyers Club)
– Robert Redford (All Is Lost)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
– Melonie Diaz (Fruitvale Station: A Última Parada)
– Sally Hawkins (Blue Jasmine)
– Lupita Nyong’o (12 Years a Slave)
– Yolonda Ross (Go For Sisters)
– June Squibb (Nebraska)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
– Michael Fassbender (12 Years a Slave)
– Will Forte (Nebraska)
– James Gandolfini (À Procura do Amor)
– Jared Leto (Dallas Buyers Club)
– Keith Stanfield (Short Term 12)

MELHOR FOTOGRAFIA
– Sean Bobbitt (12 Years a Slave)
– Benoit Debie (Spring Breakers: Garotas Perigosas)
– Bruno Delbonnel (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
– Frank G. DeMarco (All Is Lost)
– Matthias Grunsky (Computer Chess)

MELHOR MONTAGEM
– Shane Carruth & David Lowery (Upstream Color)
– Jem Cohen & Marc Vives (Museum Hours)
– Jennifer Lame (Frances Ha)
– Cindy Lee (Uma Noite)
– Nat Sanders (Short Term 12)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
20 Feet From Stardom
Diretor/Produtor: Morgan Neville
Produtores: Gil Friesen & Caitrin Rogers
After Tiller
Diretores/Produtores: Martha Shane & Lana Wilson
Gideon’s Army
Diretor/Produtor: Dawn Porter
Produtora: Julie Goldman
O Ato de Matar (The Act of Killing)
Diretor/Produtor: Joshua Oppenheimer
Produtores: Joram Ten Brink, Christine Cynn, Anne Köhncke, Signe Byrge Sørensen, Michael Uwemedimo
The Square (Al Midan)
Diretor: Jehane Noujaim
Produtor: Karim Amer

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Um Toque de Pecado (Tian zhu Ding), de Jia Zhang-Ke (China)
Azul é a Cor Mais Quente (La Vie d’Adèle), de Abdellatif Kechiche (França)
Gloria, de Sebastián Lelio (Chile)
The Great Beauty (La Grande Bellezza), de Paolo Sorrentino (Itália)
A Caça (Jagten), de Thomas Vinterberg (Dinamarca)

PRÊMIO ROBERT ALTMAN AWARD
• Amor Bandido (Mud)
Diretor: Jeff Nichols
Diretor de casting: Francine Maisler
Elenco:  Joe Don Baker, Jacob Lofland, Matthew McConaughey, Ray McKinnon, Sarah Paulson, Michael Shannon, Sam Shepard, Tye Sheridan, Paul Sparks, Bonnie Sturdivant, Reese Witherspoon

17º PRÊMIO PIAGET PRODUCERS (Concedido aos produtores emergentes pela criatividade, tenacidade e visão apesar do orçamento limitado)
– Toby Halbrooks & James M. Johnston
– Jacob Jaffke
– Andrea Roa
– Frederick Thornton

20º PRÊMIO SOMEONE TO WATCH (Concedido aos cineastas talentosos com visão singular que ainda não recebeu reconhecimento apropriado)
– My Sister’s Quinceañera, de Aaron Douglas Johnston
– Newlyweeds, de Shake King
– The Foxy Merkins, de Madeline Olnek

19º PRÊMIO STELLA ARTOIS TRUER THAN FICTION (Concedido ao diretor de não-ficção emergente que ainda não recebeu reconhecimento significante)
– A River Changes Course, de Kalvanee Mam
– Let the Fire Burn, de Jason Osder
– Manakamana, de Stephanie Spray & Pacho Velez

A 29ª edição do Independent Spirit Awards acontece no dia 1º de Março de 2014, costumeiramente um dia antes do Oscar.

Ao lado de Miles Teller, Shailene Woodley foi indicada ao prêmio de Melhor Atriz por The Spectacular Now (photo by www.elfilm.com)

Ao lado de Miles Teller, Shailene Woodley foi indicada ao prêmio de Melhor Atriz por The Spectacular Now (photo by http://www.elfilm.com)

Oscar 2014: Primeiríssima Previsão

Cedo demais para o Oscar 2014? Nem tanto. Se olharmos para os filmes que já estrearam, realmente não há grandes candidatos a Melhor Filme. Contudo, produções milionárias como Homem de Ferro 3, Homem de Aço, Além da Escuridão – Star Trek e Círculo de Fogo podem e devem preencher algumas indicações nas categorias mais técnicas do Oscar como Melhor Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais, uma “rotina” que tem se tornado cada vez mais comum, enquanto os possíveis principais candidatos ao Oscar estréiam no final do ano justamente com esse intuito de deixar os filmes mais frescos nas memórias dos votantes da Academia.

Como a maioria dos candidatos sequer estrearam, muitos palpites aqui são parte de previsões de alguns sites especializados como o Indiewire, além de um apanhado das seleções de festivais como o de Cannes e Berlim. Vale a pena lembrar que o Festival de Toronto (Canadá) tem sido um dos maiores termômetros para o Oscar. Nos últimos anos, os vencedores do prêmio People’s Choice Award foram indicados ou vencedores do Oscar de Melhor Filme: O Lado Bom da Vida, O Discurso do Rei, Preciosa e Quem Quer Ser um Milionário?. Este ano, o novo filme de David O. Russell, American Hustle, pode ser reconhecido em Toronto e praticamente garantir seu acesso ao prêmio da Academia.

Não podemos deixar de lado que há também aquelas produções que já nasceram candidatas ao Oscar, como é o caso de August: Osage County, adaptação de um livro vencedor do Pulitzer, que conta a saga da família Weston. Apesar do diretor inexperiente John Wells, convocaram atores que fazem a diferença e podem render indicações de atuação: Julia Roberts, Ewan McGregor, Chris Cooper, Abigail Breslin e Benedict Cumberbatch. Mas o fator determinante aqui são apenas dois: 1º É produzido por ninguém menos que Harvey Weinstein, o papa-Oscar. E 2º No elenco, tem ninguém menos que Meryl Streep, que pode bater seu próprio recorde de 17 indicações. Você achou que ela fosse sossegar depois de ganhar seu 3º Oscar? Nada disso! Meryl quer bater o recorde de Katharine Hepburn, vencedora de 4 estatuetas de atriz. E, ao que tudo indica, ela deve conquistar sua 18ª indicação, pois Violet Weston, sua personagem, é uma viciada em drogas com câncer (duas tragédias que costumam elevar o potencial de prêmios de atuação). Resta saber se seu papel é principal ou secundário. Veja uma das primeiras fotos de Meryl Streep caracterizada abaixo (a mulher tira de letra!):

Julia Roberts, Ewan McGregor e Meryl Streep em cena de August: Osage County

Julia Roberts, Ewan McGregor e Meryl Streep em cena de August: Osage County (photo by http://www.cinemagia.ro)

Outro que já nasceu com cheiro de premiação foi The Wolf of Wall Street, mais novo filme de Martin Scorsese. Depois de quase ter levado seu segundo Oscar com a bela produção de A Invenção de Hugo Cabret, ele volta à temática criminosa que marcou sua carreira. Desta vez, apóia-se na história verídica de Jordan Belfort, de sua ascensão no mundo dos acionistas até sua queda através de envolvimento com o crime, corrupção e polícia federal. Acredito que Scorsese busque uma história que envolva o mercado financeiro a fim de atingir a crise econômica que devastou os Estados Unidos em 2008.

E mais uma vez Leonardo DiCaprio protagoniza o filme. Trata-se de sua 5ª colaboração com o diretor. Posso estar enganado quanto à eficiência da aliança, mas não sei se o ator consegue atingir o nível de profundidade que Scorsese busca. Pelo tamanho do projeto e da credibilidade de seu diretor, DiCaprio deve ser indicado para Melhor Ator, mas a vitória em si deve levar mais alguns anos. Aos 39 de idade, o ator se mostra cada vez mais esforçado como em Django Livre, mas ainda peca no tom e no excesso.

Leonardo DiCaprio em The Wolf of Wall Street. Mais uma chance no Oscar?

Leonardo DiCaprio em The Wolf of Wall Street. Mais uma chance no Oscar?

O projeto de Scorsese pode ainda render indicações para os atores Matthew McConaughey e Jonah Hill como coadjuvantes, além dos mais corriqueiros como Montagem para Thelma Schoonmaker, Trilha Musical para Howard Shore e Fotografia para Rodrigo Prieto. Resta aguardar o resultado de sua bilheteria e a crítica.

Outro veterano, aliás, veteranoS que podem voltar a concorrer ao Oscar são os irmãos Coen. Em maio, os diretores participaram do último Festival de Cannes com Inside Llewyn Davis, reconhecido pelo Grande Prêmio do Júri. Trata-se de um filme sobre música, especificamente a folk dos anos 60 em Nova York, onde acompanhamos a trajetória do compositor Llewyn Davis.

Além da indicação quase certa de Roteiro Original, como se trata de uma produção de época, pode conquistar indicações para Fotografia (Bruno Delbonnel), Direção de Arte (Jess Gonchor) e Figurino (Mary Zophres). Após atuar nos últimos dois vencedores do Oscar de Melhor Filme (O Artista e Argo), John Goodman pode finalmente ser reconhecido por uma indicação através deste filme dos Coen.

Mas talvez a mais forte aposta seja a atuação de Oscar Isaac, que foi apontado pela mídia especializada como um dos que tem grandes chances de figurar na lista de indicados a Melhor Ator. Sua atuação foi bastante elogiada e, se for reconhecida por alguns prêmios de círculos norte-americanos, pode acabar no Globo de Ouro e no Oscar.

Oscar Isaac tem grandes chances para Melhor Ator por Inside Llewyn Davis (photo by www.OutNow.CH)

Oscar Isaac tem grandes chances para Melhor Ator por Inside Llewyn Davis (photo by http://www.OutNow.CH)

Em alta depois das indicações de seus últimos dois filmes, O Vencedor e O Lado Bom da Vida, o diretor e roteirista David O. Russell vem acumulando um total de 3 indicações sem vitória. Com seu novo filme, American Hustle, a história pode ser diferente.

David O. Russell: 3 indicações ao Oscar. Até o momento, nenhum vitória.

David O. Russell: 3 indicações ao Oscar. Até o momento, nenhum vitória.

Ele retoma a escalação de seus colaboradores como Robert De Niro e Bradley Cooper, podendo receber indicações com Christian Bale, Jennifer Lawrence, Amy Adams e Jeremy Renner. Apesar de todos os atores apresentarem visuais diferentes que merecem atenção, é inegável que Christian Bale se destaca por seu empenho em “desaparecer” no personagem. Bastante comprometido com seus papéis desde Psicopata Americano, O Operário e O Vencedor, Bale ganhou peso, mudou seu penteado radicalmente (ficou meio calvo) e alterou até sua postura. E por isso, é aposta certa para o Oscar 2014, provavelmente como Melhor Ator.

Amy Adams, Bradley Cooper. Jeremy Renner, Christian Bale

Indicados anteriormente: Amy Adams, Bradley Cooper e Jeremy Renner. Vencedores do Oscar: Christian Bale e Jennifer Lawrence. Todos sob direção de David O. Russell (photo by http://www.elfilm.com)

Existe outro filme que começa a ganhar força nos bastidores de Hollywood. Depois do sucesso de Preciosa, o diretor Lee Daniels passou a ganhar prestígio da ala afro-americana (não gosto de usar esse termo politicamente correto, mas tem gente sensível demais atualmente pra ouvir a palavra “negro”). Seu mais novo trabalho, O Mordomo da Casa Branca (The Butler), registra a história supostamente verídica do mordomo negro, Cecil Gaines, que trabalhou na Casa Branca servindo a oito presidentes e testemunhando acontecimentos históricos como a Guerra do Vietnã.

Lee Daniels: 1 indicação por Preciosa.

Lee Daniels: 1 indicação por Preciosa.

Forest Whitaker, que protagoniza o filme, está cotado para sua segunda indicação, e pode render indicações de coadjuvante para Vanessa Redgrave, Alan Rickman, Jane Fonda e principalmente Oprah Winfrey, cuja participação já é um forte lobby em si. Recentemente, ela confessou que teve grande receio de pagar outro mico na tela do cinema, uma vez que seu último filme, Bem-Amada (1998), foi um fracasso de bilheteria.

Mas, felizmente, ela não precisa se preocupar. O público alvo, formado por negros adultos, parece ter aceitado bem a idéia e já responde nas bilheterias americanas. O Mordomo da Casa Branca estreou nos EUA em 1º lugar com 24 milhões de dólares, números que impressionam para uma produção humilde de 25 milhões. Tamanho sucesso comercial deve impulsionar algumas indicações nas categorias principais como Melhor Filme e Diretor, uma vez que não houve diretor negro premiado na história da Academia.

Oprah Winfrey e Forest Whitaker em cena de The Butler

Oprah Winfrey e Forest Whitaker em cena de O Mordomo da Casa Branca (photo by http://www.blackfilm.com)

Se Leo DiCaprio, Oscar Isaacs e Whitaker se classificarem, terão forte competição pela frente. Temos Tom Hanks interpretando o capitão Richard Phillips, que sofreu ataque real de piratas somalianos em 2009 em Captain Phillips; Matthew McConaughey vivendo um aidético que luta contra a indústria farmacêutica em Dallas Buyers Club; o veterano Bruce Dern tendo seu talento redescoberto pelo diretor Alexander Payne em Nebraska, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator no último Festival de Cannes; Chiwetel Ejiofor sendo o escravo da vez no novo filme do conceituado Steve McQueen, Twelve Years a Slave; e o carismático Robert Redford voltando em grande estilo em All is Lost, uma espécie de Náufrago mais moderno.

E se a Academia estiver disposta a recompensar um jovem talento, Michael B. Jordan pode receber sua primeira indicação por Fruitvale Station, uma produção independente que vem seguindo os passos do bem-sucedido Indomável Sonhadora ao conquistar prêmio no Festival de Sundance e ser selecionado em Cannes. Além disso, conta com a ajuda excepcional da Weinstein Company,  que já se comprometeu a distribuir o filme nos EUA e fazer o lobby costumeiro.

Michael B. Jordan no Festival de Cannes e no pôster do filme (photo by www.fruitvalefilm.com)

Michael B. Jordan no Festival de Cannes e no pôster do filme (photo by http://www.fruitvalefilm.com)

Ao contrário dos anos anteriores, a categoria de Melhor Atriz finalmente pode contar com cinco vencedoras do Oscar. Além de Meryl Streep, a australiana Cate Blanchett está encaminhando sua 6ª indicação através do novo filme de Woody Allen, Blue Jasmine, no qual vive a socialite falida Jasmine. Vencedora do Oscar de coadjuvante por O Aviador em 2005, a Academia sente que deve um Oscar de atriz principal para Blanchett, considerada uma das maiores intérpretes do cinema atual. Sally Hawkins e Alec Baldwin podem ser reconhecidos como coadjuvantes, e Woody Allen como roteirista em sua 16ª indicação.

Cate Blanchett em Blue Jasmine (photo by www.OutNow.CH)

Cate Blanchett em Blue Jasmine (photo by http://www.OutNow.CH)

Na mesma linha, a experiente Judi Dench pode ter mais uma chance de conquistar o Oscar de Melhor Atriz. Com um total de seis indicações, ela ganhou apenas uma vez como coadjuvante por Shakespeare Apaixonado (1998), com uma atuação de 8 minutos. Sob direção de Stephen Frears, Judi Dench interpreta uma senhora que procura por seu filho, que foi tirado dela há décadas quando foi forçada a entrar num convento em Philomena.

Os especialistas colocaram Kate Winslet pelo novo filme de Jason Reitman, Labor Day, outros colocaram Sandra Bullock como forte concorrente por Gravidade, filme sobre acidente espacial do mexicano Alfonso Cuarón. O retorno de Winslet ao Oscar seria bem-vindo, pois a Academia gosta de resgatar seus premiados para afastar a sina de maldição do Oscar, mas no caso de Bullock, não creio que suas chances sejam tão boas pelo histórico do gênero.

Sumida do Oscar desde 1996, a inglesa Emma Thompson pode ter seu retorno triunfal com Saving Mr. Banks, no qual interpreta P.L. Travers, autora do livro que deu origem ao clássico musical Mary Poppins (1964). Ao ver o trailer, é possível deduzir que a atuação de Thompson apresentará alguns trejeitos de Julie Andrews. Como o filme pode render indicações para Roteiro Original e Ator Coadjuvante para Tom Hanks (interpretando Walt Disney), Saving Mr. Banks deve figurar entre os candidatos a Melhor Filme. O diretor John Lee Hancock teve seu último trabalho indicado a Melhor Filme em 2010: Um Sonho Possível.

Tom Hanks e Emma Thompson em Saving Mr. Banks.

Tom Hanks (como Walt Disney) mostra o parque Disneyland para a escritora P.L. Travers (Emma Thompson) em Saving Mr. Banks (photo by http://www.disney.com)

E como a Academia tem uma paixão por realeza, as atrizes Nicole Kidman e Naomi Watts podem concorrer por seus papéis de Princesa Grace Kelly e Princesa Diana em Grace of Monaco e Diana, respectivamente. Enquanto Kidman trabalha com Olivier Dahan, que conquistou o Oscar de Atriz para Marion Cotillard por Piaf – Um Hino ao Amor, Watts atua sob direção do alemão Oliver Hirschbiegel (A Queda! As Últimas Horas de Hitler) na tentativa de distrinchar aqueles dias polêmicos em que Lady Di tinha um amante. Em termos de caracterização, Naomi Watts sai um pouco na frente, mas ambas aparentam ter pouco trabalho de maquiagem, ao contrário de Meryl Streep em A Dama de Ferro, por exemplo. Mas o que realmente conta é a atuação e a carga dramática que as atrizes imprimem nos filmes. Vamos torcer por boas atuações!

À esquerda, Grace Kelly. Nicole Kidman enfrenta dura desafio de trazer a princesa e atriz de volta à vida em Grace of Monaco (photo by mamamia.au)

À esquerda, Grace Kelly. Nicole Kidman enfrenta dura desafio de trazer a princesa e atriz de volta à vida em Grace of Monaco (photo by mamamia.com.au)

Naomi Watts (à direita) reproduz os mesmos gestos de Princesa Diana em Diana (photo by eonline.com)

Naomi Watts (à direita) reproduz os mesmos gestos de Princesa Diana em Diana (photo by eonline.com)

Indo na cola do sucesso de Bastardos Inglórios, o novo filme do diretor George Clooney, The Monuments Men, também retoma a Segunda Guerra Mundial ao contar a história de um grupo de historiadores de Arte que busca resgatar importantes obras de arte dos nazistas antes que Hitler as destrua. Por se tratar de uma aventura mais cômica, talvez a produção não seja bem cotada para os prêmios principais do Oscar, mas como Clooney tem boa reputação e seu elenco é super qualificado, pode surpreender na reta final. Apesar de contar com Matt Damon, Bill Murray, Jean Dujardin, John Goodman e do próprio George, a atuação mais comentada (pra variar) é de Cate Blanchett, que capricha no sotaque e pode conquistar indicação de coadjuvante.

Ao centro: John Goodman, George Clooney e Matt Damon checam as obras roubadas em The Monuments Men (photo by www.outnow.ch)

Ao centro: John Goodman, George Clooney e Matt Damon checam as obras roubadas em The Monuments Men (photo by http://www.outnow.ch)

Aliás, nas categorias de coadjuvantes, algumas performances já merecem destaque, como a transformação de Jared Leto num travesti (ou transsexual) no drama sobre HIV, Dallas Buyers Club. O jovem ator, que ficou conhecido como o filho drogado da personagem de Ellen Burstyn em Réquiem Para um Sonho (2000), também emagreceu consideravelmente para o papel. Contudo, nem sempre a Academia está disposta a premiar papéis nada conservadores.

Indicado por Minhas Mães e Meu Pai em 2011, Mark Ruffalo vai na contramão e engorda para o papel. Na verdade, ele ganha massa muscular para viver o campeão olímpico de wrestling, Dave Schultz, assassinado pelo esquizofrênico John duPont, interpretado por Steve Carell, que usa um nariz prostético para incorporar o personagem em Foxcatcher, do diretor Bennett Miller de Capote.

Seguindo o sucesso do nariz prostético de Nicole Kidman em As Horas, Steve Carell repete o feito em Foxcatcher

Seguindo o sucesso do nariz prostético de Nicole Kidman em As Horas, Steve Carell repete o feito em Foxcatcher (photo by http://www.digitalspy.com)

Já na corrida da ala feminina, as vencedoras do Oscar Cate Blanchett, Jennifer Lawrence, Vanessa Redgrave e Octavia Spencer podem figurar na lista final novamente. Previamente indicadas mas sem vitória, Oprah Winfrey, Laura Linney, Catherine Keener, Carey Mulligan, Kristin Scott Thomas e Amy Adams têm novas oportunidades de ganhar, especialmente Amy Adams que, além de ter duas atuações de destaque em 2013 (American Hustle e Her), participou no sucesso comercial Homem de Aço, e já foi indicada 4 vezes como coadjuvante e nunca levou a estatueta.

Vale lembrar que como boa parte dos filmes sequer estrearam, as atuações podem variar entre atores principais e coadjuvantes, fato que depende também do lobby das distribuidoras como a Weinstein Company. Ao longo dos próximos meses, postarei mais previsões e premiações que consolidem a corrida para o Oscar 2014, cujas indicações serão anunciadas no dia 16 de janeiro. Confira as apostas:

MELHOR FILME
– The Wolf of Wall Street
– The Monuments Men
– Twelve Years a Slave
– Saving Mr. Banks
– August: Osage County
– Inside Llewyn Davis
– Gravidade (Gravity)
– American Hustle
– Captain Phillips
– Fruitvale Station
– Blue Jasmine
– All Is Lost
– Foxcatcher
– O Conselheiro do Crime (The Counselor)
– Labor Day
– Mandela: Long Walk To Freedom
– Rush: No Limite da Emoção (Rush)
– O Quinto Poder (The Fifth Estate)
– Out of the Furnace
– Dallas Buyers Club
– Nebraska
– The Past
– O Mordomo (The Butler)
– Os Suspeitos (Prisoners)

MELHOR DIRETOR


– George Clooney (The Monuments Men)
– Joel Coen e Ethan Coen (Inside Llewyn Davis)
– Lee Daniels (O Mordomo)
– Paul Greengrass (Captain Phillips)
– Steve McQueen (Twelve Years a Slave)
– Bennett Miller (Foxcatcher)
– Alexander Payne (Nebraska)
– David O. Russell (American Hustle)
– Martin Scorsese (The Wolf of Wall Street)
– Ridley Scott (O Conselheiro do Crime)
– Alfonso Cuarón (Gravidade)
– John Wells (August: Osage County)
– Ryan Coogler (Fruitvale Station)
– Spike Jonze (Her)
– Jason Reitman (Labor Day)
– Ron Howard (Rush: No Limite da Emoção)
– J.C. Chandor (All is Lost)
– Bill Condon (O Quinto Poder)
– Denis Villeneuve (Os Suspeitos)

MELHOR ATOR

– Christian Bale (American Hustle)
– Steve Carell (Foxcatcher)
– Benedict Cumberbatch (O Quinto Poder)
– Bruce Dern (Nebraska)
– Leonardo DiCaprio (The Wolf of Wall Street)
– Idris Elba (Mandella: Long Walk to Freedom)
– Chiwetel Ejiofor (Twelve Years a Slave)
– Michael Fassbender (O Conselheiro do Crime)
– Ralph Fiennes (The Invisible Woman)
– Colin Firth (The Railway Man)
– Tom Hanks (Captain Phillips)
– Oscar Isaac (Inside Llewyn Davis)
– Michael B. Jordan (Fruitvale Station)
– Joaquin Phoenix (Her)
– Ben Stiller (The Secret Life of Walter Mitty)
– Matthew McConaughey (Dallas Buyers Club)
– Ashton Kutcher (jOBS)
– Ethan Hawke (Antes da Meia-Noite)
– Robert Redford (All is Lost)
– Hugh Jackman (Os Suspeitos)

MELHOR ATRIZ

– Cate Blanchett (Blue Jasmine)
– Judi Dench (Philomena)
– Meryl Streep (August: Osage County)
– Emma Thompson (Saving Mr. Banks)
– Sandra Bullock (Gravidade)
– Amy Adams (American Hustle)
– Naomi Watts (Diana)
– Nicole Kidman (Grace of Monaco)
– Julia Roberts (August: Osage County)
– Julie Delpy (Antes da Meia-Noite)
– Marion Cotillard (The Immigrant)
– Bérénice Bejo (The Past)
– Kate Winslet (Labor Day)
– Jessica Chastain (The Disappearance of Eleanor Rigby)
– Jennifer Lawrence (Serena)
– Samantha Morton (Decoding Annie Parker)
– Felicity Jones (The Invisible Woman)
– Elizabeth Olsen (Therese Raquin)
– Greta Gerwig (Frances Ha)
– Rooney Mara (Ain’t Them Bodies Saints)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

– Casey Affleck (Out of Furnace)
– Alec Baldwin (Blue Jasmine)
– Javier Bardem (O Conselheiro do Crime)
– Josh Brolin (Labor Day)
– Daniel Brühl (Rush: No Limite da Emoção)
– George Clooney (Gravidade)
– Bradley Cooper (American Hustle)
– Michael Fassbender (Twelve Years a Slave)
– Harrison Ford (42: A História de uma Lenda)
– Ben Foster (Ain’t Them Bodies Saints)
– John Goodman (Inside Llewyn Davis)
– Tom Hanks (Saving Mr. Banks)
– Woody Harrelson (Out of Furnace)
– Jonah Hill (The Wolf of the Wall Street)
– Phillip Seymour Hoffman (A Most Wanted Man)
– Jared Leto (Dallas Buyers Club)
– Matthew McConaughey (Amor Bandido)
– Matthew McConaughey (The Wolf of the Wall Street)
– Jeremy Renner (American Hustle)
– Mark Ruffalo (Foxcatcher)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

– Amy Adams (American Hustle)
– Amy Adams (Her)
– Cate Blanchett (The Monuments Men)
– Viola Davis (Os Suspeitos)
– Cameron Diaz (O Conselheiro do Crime)
– Jennifer Garner (Dallas Buyers Club)
– Naomie Harris (Mandela: Long Walk to Freedom)
– Sally Hawkins (Blue Jasmine)
– Catherine Keener (Captain Phillips)
– Jennifer Lawrence (American Hustle)
– Laura Linney (O Quinto Poder)
– Margot Martindale (August: Osage County)
– Carey Mulligan (Inside Llewyn Davis)
– Lupita Nyong’o (Twelve Years a Slave)
– Vanessa Redgrave (Foxcatcher)
– Zoe Saldana (Out of the Furnace)
– Octavia Spencer (Fruitvale Station)
– June Squibb (Nebraska)
– Kristin Scott Thomas (The Invisible Woman)
– Oprah Winfrey (O Mordomo)

NOTA IMPORTANTE: No dia 26 de setembro, a Sony Pictures Classics decidiu adiar a estréia de Foxcatcher para 2014, abandonando a corrida para o Oscar. A nobre intenção é conceder mais tempo ao diretor Bennett Miller para a finalização do filme. Poucos dias atrás, a Weinstein Co. também transferiu Grace of Monaco, estrelado por Nicole Kidman, para o ano seguinte. Mas lembrando que as datas ainda podem sofrer alterações até o final do ano, caso surjam boas oportunidades de encaixe.

Foxcatcher: Estréia adiada e ausência no Oscar 2014.

Foxcatcher: Estréia adiada e ausência no Oscar 2014.