‘A FAVORITA’ CONQUISTA 4 EUROPEAN FILM AWARDS

 

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Rachel Weisz e Olivia Colman em cena de A Favorita (pic by IMDb)

FILME DE YORGOS LANTHIMOS AINDA TEM GÁS PARA ESTA TEMPORADA

Como de costume, a premiação européia elegeu com antecedência os vencedores das categorias mais técnicas como Fotografia e Montagem. Os vencedores dos principais prêmios como Filme, Direção e atuações serão revelados apenas no dia 07 de Dezembro em Berlim.

Indicado a 10 Oscars e vencedor do prêmio de Melhor Atriz deste ano para Olivia Colman, A Favorita não se encaixou no prazo do calendário de 2018 do European Film Awards (que fecha meses antes do fim do ano), mas mesmo disputando a edição seguinte, já saiu vitorioso em quatro categorias: Fotografia (Robbie Ryan), Montagem (Yorgos Mavropsaridis), Figurino (Sandy Powell) e Maquiagem (Nadia Stacey).

Pelas demais categorias anunciadas, o filme espanhol Dor e Glória conquistou o prêmio de Design de Produção (Antxon Gómez), enquanto o filme alemão System Crasher levou Trilha Musical (John Gürtler). Curiosamente, ambas as produções foram selecionadas por seus comitês para disputar o Oscar de Melhor Filme Internacional (ex-Melhor Filme em Língua Estrangeira) pela Espanha e Alemanha, respectivamente.

Dolor y Gloria

Asier Etxeandia e Leonardo Sbaraglia em cena de Dor e Glória (pic by IMDb)

A co-produção entre Uruguai, Espanha, Argentina, França e Alemanha, Uma Noite de 12 Anos, que acompanha os 12 anos de tortura sofridos por três prisioneiros no Uruguai tomado pela ditadura, levou o prêmio de design de Som, destacando sua importância nas cenas de escuridão na solitária.

Twelve year Night

Antonio de la Torre em cena de Uma Noite de 12 Anos (pic by IMDb)

Já o prêmio de Efeitos Visuais ficou com o sueco About Endlessness por apresentar imagens oníricas e filosóficas. Em sua passagem pelo último Festival de Veneza, saiu com o prêmio de Direção para o veterano Roy Andersson.

PRINCIPAIS CATEGORIAS DO EFA

Pelas categorias competitivas, cinco produções lideram as indicações: An Officer and a Spy, de Roman Polanski, O Traidor, de Marco Bellocchio, e os já citados Dor e GlóriaSystem Crasher e A Favorita, cada um com quatro indicações.

An Officer and a Spy

Jean Dujardin em cena de An Officer and a Spy (pic by IMDb)

Recentemente, o sindicato de diretores, roteiristas e produtores da França lançou uma proposta de novas regras para membros sob investigação criminal, o que levaria à suspensão do diretor polonês Roman Polanski, que sofreu uma nova acusação de estupro pela atriz Valentine Monnier que teria ocorrido em 1975. O diretor nega as acusações, enquanto seu novo filme levou mais de 380 mil pessoas aos cinemas na França.

Dentre as indicações, vale ressaltar o elogiadíssimo Retrato de uma Jovem em Chamas, que teve ótima passagem no Festival de Cannes, levando o prêmio de Roteiro. Céline Sciamma disputa o prêmio como diretora e roteirista, e suas duas atrizes Adèle Haenel e Noémie Merlant foram reconhecidas em uma única indicação para Melhor Atriz.

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Noémie Merlant e Adèle Haenel em cena de Retrato de uma Jovem em Chamas (pic by IMDb)

Ainda sobre a disputa de Melhor Atriz, Olivia Colman pode ser novamente reconhecida por A Favorita. Já na categoria de Melhor Ator, vale destacar a indicação de Jean Dujardin por An Officer and a Spy. Sim, aquele ator francês que levou o Oscar de Ator em 2012 por O Artista, que você achava que nunca mais ia deslanchar.

RELEVÂNCIA COM O OSCAR

Por defender um calendário diferente das demais premiações, inclusive o Oscar e Globo de Ouro, o European Film Awards já se torna um ponto fora da curva na temporada. Contudo, alguns de seus filmes indicados costumam aparecer nas principais listas, o que pode ajudar as campanhas de Dor e Glória, Les Miserábles, O Traidor, System Crasher, Honeyland e outros trabalhos como de animação que estão na briga pelo Oscar 2020.

Nos últimos cinco anos, por exemplo, tivemos alguns vencedores do EFA que chegaram ao tapete vermelho do Oscar como Guerra Fria, The Square, As Faces de Toni Erdmann, 45 Anos, O Lagosta, Sr. Turner e Ida.

MELHOR FILME
• Les Misérables, de Ladj Ly
• An Officer and a Spy, de Roman Polanski
• Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
• System Crasher, de Nora Fingscheidt
• A Favorita, de Yorgos Lanthimos
• O Traidor, de Marco Bellocchio

MELHOR DIREÇÃO
Pedro Almodóvar (Dor e Glória)
Marco Bellocchio (O Traidor)
Yorgos Lanthimos (A Favorita)
Roman Polanski (An Officer and a Spy)
Céline Sciamma (Retrato de uma Jovem em Chamas)

MELHOR ATRIZ
Olivia Colman (A Favorita)
Trine Dyrholm (Rainha de Copas)
Noémie Merlant e Adèle Haenel (Retrato de uma Jovem em Chamas)
Viktoria Miroshnichenko (Uma Mulher Alta)
Helena Zengel (System Crasher)

MELHOR ATOR
Antonio Banderas (Dor e Glória)
Jean Dujardin (An Officer and a Spy)
Pierfrancesco Favino (O Traidor)
Levan Gelbakhiani (And Then We Danced)
Alexander Scheer (Gundermann)
Ingvar E. Sigurðsson (A White, White Day)

MELHOR ROTEIRO
Pedro Almodóvar (Dor e Glória)
Marco Bellocchio, Ludovica Rampoldi, Valia Santella, Francesco Piccolo (O Traidor)
Ladj Ly, Giordano Gederlini, Alexis Manenti (Les Misérables)
Robert Harris, Roman Polanski (An Officer and a Spy)
Céline Sciamma (Retrato de uma Jovem em Chamas)

MELHOR COMÉDIA
• Ditte & Louise, de Niclas Bendixen
• Tel Aviv Em Chamas, de Sameh Zoabi
• A Favorita, de Yorgos Lanthimos

MELHOR ANIMAÇÃO
• Buñuel In The Labyrinth Of The Tur­tles, de Salvador Simó
• Perdi Meu Corpo (J’ai Perdu Mon Corps), de Jérémy Clapin
• L’ex­tra­or­di­naire Voy­age de Marona, de Anca Damian
• Les Hi­ron­delles de Kaboul, de Zabou Breitman e Eléa Gobbé-Mévellec

MELHOR DOCUMENTÁRIO
• For Sama, de Waad Al-kateab & Edward Watts
• Honeyland, de Ljubomir Stefanov & Tamara Kotevska
• Putin’s Witnesses, de Vitaly Mansky
• Selfie, de Agostino Ferrente
• The Disappearance Of My Mother, de Beniamino Barrese

DESCOBERTA EUROPÉIA
• Aniara, de Pella Kagerman, Hugo Lilja
• Atlantique
, de Mati Diop
• Blindsone, de Tuva Novotny
• Irina
, de Nadejda Koseva
• Les Miserábles
, de Ladj Ly
• Ray & Liz
, de Richard Billingham

MELHOR CURTA-METRAGEM
• Cães que Ladram aos Pássaros
• Rekon­strukce
• The Christ­mas Gift
• Les Ex­tra­or­di­naires Mésaven­tures de la Jeune Fille de Pierre
• Watermelon Juice

System Crasher

Helena Zengel em cena de System Crasher, que estava na programação da Mostra Internacional de SP (pic by IMDb)

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A 32ª cerimônia do European Film Awards acontece no dia 07 de Dezembro.

‘ROCKETMAN’ e ‘O ESCÂNDALO’ recebem 3 INDICAÇÕES cada ao SINDICATO DE MAQUIAGEM E CABELO

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RECRIAÇÕES DE PERSONAGENS REAIS LARGAM NA FRENTE RUMO AO OSCAR

O sindicato de Maquiadores e Cabeleireiros divulgou seus indicados nesta segunda-feira, dia 11. Dentre os filmes, destacam-se O Escândalo e Rocketman com três indicações cada.

Enquanto o primeiro reconta a polêmica história de assédio sexual na Fox News, transformando Charlize Theron na repórter Megyn Kelly, o segundo acompanha a trajetória do cantor britânico Elton John na pele do ator Taron Egerton.

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Charlize Theron, Nicole Kidman e Margot Robbie em cena de O Escândalo (pic by outnow.ch)

Logo atrás, com duas indicações cada, temos Coringa, Era uma Vez em… Hollywood, Meu Nome é Dolemite, John Wick 3: Parabellum, Downton Abbey e As Golpistas.

É importante ressaltar que a partir da próxima edição do Oscar, teremos sempre CINCO INDICADOS na categoria. Até este ano, eram apenas três. Portanto, existem maiores chances de produções de gênero (que costumavam dominar a categoria) serem reconhecidas como é o caso do novo filme de Jordan Peele, Nós.

Nos últimos cinco anos, todos que venceram pela categoria de Maquiagem de Filme e/ou Personagem de Época também levaram o Oscar de Maquiagem e Cabelo: O Grande Hotel Budapeste, Mad Max: Estrada da Fúria, Esquadrão Suicida, O Destino de uma Nação e Vice.

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Joaquin Phoenix em cena de Coringa (pic by OutNow.CH)

Pelas categorias de televisão, American Horror Story: 1984, Chernobyl, Fosse/Verdon e Saturday Night Live lideram com três indicações cada.

INDICADOS AO SINDICATO DE MAQUIADORES E CABELEIREIROS:

MELHOR MAQUIAGEM CONTEMPORÂNEA
* John Blake, Francisco Perez (Vingadores: Ultimato)
* Vivian Baker, Cristina Waltz, Richard Redlefsen (O Escândalo)
* Margot Boccia, Roxanne Rizzo (As Golpistas)
* Stephen M. Kelley, Anna Stachow (John Wick 3: Parabellum)
* Scott Wheeler, Tym Shutchai Buacharern, Sabrina Castro (Nós)

MELHOR MAQUIAGEM DE FILME E/OU PERSONAGEM DE ÉPOCA
* Anne Nosh Oldham, Elaine Browne, Sam Smart (Downton Abbey)
* Vera Steimberg, Debra Denson, Deborah Huss-Humphries (Meu Nome é Dolemite)
* Nicki Ledermann, Tania Ribalow, Sunday Englis (Coringa)
* Heba Thorisdottir, Gregory Funk (Era uma Vez em… Hollywood)
* Lizzie Yianni Georgiou, Tapio Salmi, Laura Solari (Rocketman)

MELHOR MAQUIAGEM DE EFEITOS ESPECIAIS
* Kazu Hiro, Vivian Baker, Richard Redlefsen (O Escândalo)
* Brian Sipe, Alexei Dmitriew, Sabrina Wilson (Capitã Marvel)
* Sean Sansom, Shane Zander, Iantha Goldberg (It: Capítulo 2)
* Barrie Gower, Lizzie Yianni Georgiou, Victoria Money (Rocketman)
* Mike Marino, Mike Fontaine, Carla White (O Irlandês)

MELHOR CABELO DE FILME CONTEMPORÂNEO
* Anne Morgan, Jaime Leigh McIntosh, Adruitha Lee (O Escândalo)
* Angel De Angelis, Dierdre Harris (As Golpistas)
* Kerrie Smith, Therese Ducey (John Wick 3: Parabellum)
* Kay Georgiou, Vanessa Anderson (Coringa)
* Marie Larkin, Yvette Stone, J. Roy Helland (A Lavanderia)

MELHOR CABELO DE FILME E/OU PERSONAGEM DE ÉPOCA
* Anne Nosh Oldham, Elaine Browne, Marc Pilcher (Downton Abbey)
* Carla Joi Farmer, Stacey Morris, Linda Villalobos (Meu Nome é Dolemite)
* Audrey Futterman-Stern (Malévola: Dona do Mal)
* Janine Rath-Thompson, Michelle Diamantides (Era uma Vez em… Hollywood)
* Lizzie Yianni Georgiou, Tapio Salmi, Laura Solari (Rocketman)

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Taron Egerton caracterizado como Elton John em Rocketman (pic by OutNow.CH)

A cerimônia de premiação do sindicato está agendada para o dia 11 de janeiro.

93 PRODUÇÕES DISPUTAM O OSCAR DE FILME INTERNACIONAL

Alfonso Cuarón, com as três estatuetas que ganhou com Roma, incluindo o último Oscar de Filme em Língua Estrangeira

CATEGORIA QUE MUDOU DE NOME RECEBEU O TOTAL DE 94 INSCRIÇÕES

Sim, a categoria Filme em Língua Estrangeira, criada oficialmente na década de 50, foi rebatizada para Melhor Filme Internacional no último mês de Abril, pois consideraram o termo “Estrangeiro” ultrapassado. Outras mudanças significativas foram da pré-lista de dezembro, que pula de nove para dez filmes pré-selecionados, e pela primeira vez, os votantes poderão assistir aos dez filmes online, sem precisar comparecer às salas de Los Angeles, Nova York ou Londres.

Dos 94 filmes inscritos, logo de cara já houve uma desqualificação do Afeganistão. Havia questionamento de legitimidade do comitê que elegeu o representante do país, portanto foi descartado antes mesmo do anúncio dos oficialmente inscritos.

Em seguida, no dia 04 de Novembro, a Academia anunciou a desqualificação da Nigéria, que havia inscrito um filme na competição pela primeira vez com Lionheart. Segundo o departamento responsável que viu a película, houve uma infração do regulamento que exige língua não-inglesa predominante. Foi constatado que o filme continha apenas onze minutos no idioma estrangeiro. Essa ilegalidade causou revolta na Nigéria e conquistou apoio da cineasta Ava DuVernay.

Em sua conta do Twitter, a diretora de Selma esbravejou:
“Para a Academia, Vocês desqualificaram a primeiríssima inscrição da Nigéria para Melhor Filme Internacional porque está em Inglês. Mas Inglês é a língua oficial da Nigéria. Vocês estão barrando este país para que nunca dispute um Oscar em sua língua oficial?…”

Há duas formas de enxergar a situação. Pelo lado da Academia, regras são regras. Essa que exige predominância de língua não-inglesa existe há décadas. Faltou atenção ao comitê nigeriano ao regulamento da categoria. Já pelo lado da Nigéria, da modernização e do bom senso, a Academia não poderia ter sido mais flexível nessa questão do idioma ao modernizar o nome do prêmio de Filme em Língua Estrangeira para Filme Internacional? Quer dizer, todas as nações que foram colonizadas no passado jamais poderão disputar esse Oscar? Além disso, há algum tempo, é uma raridade vermos produções de um único país. Atualmente, o normal é a realização de co-produções em conjunto com dois ou mais países. Hoje, se um filme co-produzido por três países, apenas um pode selecioná-lo como representante no Oscar.

Não acreditamos que a Academia vá voltar atrás agora nessas questões, contudo os responsáveis do departamento podem estudar o caso para uma próxima cerimônia. Desta forma, permanecerão 92 filmes inscritos, número que mesmo assim iguala o recorde anterior de 2017.  Ainda sobre números, mesmo com a queda da Nigéria, temos 28 diretoras mulheres nessa disputa, um recorde na história da premiação.

COMO ESTÁ A DISPUTA ATÉ O MOMENTO?

Parasita, de Bong Joon-ho

PARASITA (Coréia do Sul) Dir: Bong Joon-ho
Vamos resumir assim: o filme sul-coreano Parasita está trilhando o mesmo caminho de Roma, de Alfonso Cuarón. Além de ter faturado prêmios importantes como a Palma de Ouro em Cannes, vem conquistando toda a crítica e o público de forma unânime, o que leva o filme a ser considerado inclusive para outras categorias como Melhor Filme, Direção, Roteiro Original, Fotografia, Direção de Arte e Ator Coadjuvante. Curiosamente, se concretizada, seria a primeira indicação do país na história do Oscar. Particularmente, sentimos que o Cinema Sul-coreano tem sido injustiçado há duas décadas pelo Oscar. Só para citar alguns filmes que mereciam uma indicação estão Oldboy (2002), Oasis (2002), Memórias de um Assassino (2003), Casa Vazia (2004), Secret Sunshine (2007), Poesia (2010), A Criada (2016) e Em Chamas (2018).

Dor e Glória, de Pedro Almodóvar

DOR E GLÓRIA (Espanha) Dir: Pedro Almodóvar
Quando o filme estava entre os indicados à Palma de Ouro deste ano, havia uma forte especulação de que Pedro Almodóvar ganharia pelo menos o prêmio de Direção ou o Grande Prêmio do Júri, mas acabou ficando apenas com o prêmio de interpretação masculina para Antonio Banderas, que vive o alter-ego do diretor espanhol. Muito querido entre os membros da Academia, o diretor já ganhou duas estatuetas: Filme em Língua Estrangeira por Tudo Sobre Minha Mãe em 2000, e Melhor Roteiro Original por Fale com Ela em 2003. Ao lado do representante sul-coreano, este espanhol está praticamente garantido entre os cinco indicados.

Les Misérables, de Ladj Ly

LES MISÉRABLES (França) Dir: Ladj Ly
Havia uma forte expectativa para que Retrato de uma Jovem em Chamas fosse o representante da França para o Oscar, mas talvez por motivos homofóbicos, o filme cedeu lugar a Les Misérables. Apesar de compartilhar o mesmo título da obra de Victor Hugo e o musical homônimo de 2012, o primeiro filme de Ladj Ly aborda a violência e o preconceito vivido por habitantes dos subúrbios franceses. A produção faturou o mesmo Prêmio do Júri ao lado do brasileiro Bacurau, o que pode facilitar um pouco sua campanha. Ladj Ly é o primeiro diretor negro que representa a França.

Monos, de Alejandro Landes

MONOS (Colômbia) Dir: Alejandro Landes
Para quem acompanha o Oscar, sabe que o cinema colombiano tem se destacado recentemente na premiação como o indicado O Abraço da Serpente (2015) e Pássaros de Verão (2018), que estava na última pré-lista. E pra elevar a ainda mais a campanha de Monos, os diretores mexicanos Alejandro González Iñárritu e Guillermo del Toro esbanjaram rasgaram elogios publicamente ao filme, o que certamente chamará a atenção de outros votantes, especialmente os latinos. Monos, que estava na Mostra Internacional de São Paulo, acompanha oito jovens militantes em um acampamento no alto da montanha. Eles precisam manter uma refém americana (Julianne Nicholson), mas os planos mudam quando eles matam acidentalmente uma vaca que os mantinha no local. Vale ressaltar que o diretor Alejandro Landes é brasileiro, filho de mãe colombiana.

Atlantics, de Mati Diop

ATLANTICS (Senegal) Dir: Mati Diop
A carreira do filme senegalês começou com sua indicação à Palma de Ouro em Cannes. Mati Diop se tornou a primeira mulher negra na competição oficial. Produção da Netflix, o filme aborda uma história de amor com a imigração ilegal como pano de fundo. Trata-se da segunda inscrição do país africano no Oscar, sendo que a primeira, Félicité, esteve entre os nove filmes pré-selecionados de 2018. Seria um reconhecimento para coroar o crescimento do cinema do continente africano, e dar um equilíbrio entre as produções indicadas, que costumam ficar restritas à Europa.

OUTROS EM DESTAQUE

Da esquerda para a direita: Honeyland, Papicha, O Paraíso Deve Ser Aqui, O Menino que Descobriu o Vento, e O Traidor

Honeyland (Macedônia do Norte): Elogiada produção de ficção que se assemelha a um documentário ao narrar a história de uma apicultora tradicional considerada a última da região.

Papicha (Argélia): Passado nos anos 90, acompanha a opressão sofrida por todas as mulheres por terroristas islâmicos, buscando alterar de forma conservadora seus hábitos, suas vestimentas e seus espaços públicos.

O Paraíso Deve Ser Aqui (Palestina): Trata-se de uma comédia autobiográfica do diretor Elia Suleiman que, ao viajar para fora de seu país para encontrar paz, acaba se deparando com os mesmos problemas de racismo e dificuldades sociais nas terras consideradas paraísos como EUA e França.

O Menino que Descobriu o Vento (Reino Unido): Embora tenha poucas chances no Oscar, pode surpreender por dirigido e atuado pelo ator indicado ao Oscar Chiwetel Ejiofor (de 12 Anos de Escravidão) e estar disponível na plataforma da Netflix. O filme narra a história de um menino no Malawi que desenvolve uma turbina de vento em seu vilarejo.

O Traidor (Itália): Além do renome do diretor Marco Bellocchio, o país europeu aposta na fama do mafioso Tommaso Buscetta, que fugiu para o Brasil e para os EUA e delatou a máfia italiana Costa Nostra. A atriz brasileira Maria Fernanda Cândido faz parte do elenco.

E O BRASIL?

A Academia de Cinema Brasileiro enfrentou um duro dilema este ano. Bacurau ou A Vida Invisível? Ambos os filmes haviam sido bem recebidos e premiados no Festival de Cannes. Enquanto o primeiro faturou o Prêmio do Júri (uma espécie de terceiro lugar), o segundo levou o cobiçado prêmio Un Certain Regard. Uma coisa era certa: o representante brasileiro tinha que ser um dos dois, mas qual?

A Vida Invisível, de Karim Ainouz

A presidente da comissão Anna Muylaert acabou desempatando a briga. Cinco votos para A Vida Invisível e quatro para Bacurau. Dentre as justificativas para a escolha, teria pesado a presença de Fernanda Montenegro no elenco, uma vez que ela já foi indicada ao Oscar por Central do Brasil. Além disso, Bacurau pode ser interpretado como uma afronta para o público norte-americano, pois eles são os vilões do filme de Kleber Mendonça Filho que se passa no sertão de Pernambuco. Já A Vida Invisível busca exaltar a força feminina através de suas protagonistas irmãs, algo em voga nas premiações.

Alguns alegam que Bacurau teria sido uma escolha mais ousada e por isso, teria mais chances de ser notado entre os votantes da Academia. Será? Claro que depende muito da campanha de publicidade rumo ao Oscar, que acontece em Fevereiro. Vamos torcer para que Vida Invisível se torne a 5ª indicação do Brasil após a última de Central do Brasil em 1999.

SEGUE LISTA COMPLETA DAS PRODUÇÕES INSCRITAS PARA O OSCAR 2020:

PAÍS FILME DIRETOR(A)(ES)
África do Sul Knuckle City Jahmil X.T. Qubeka
Albânia The Delegation Bujar Alimani
Alemanha System Crasher Nora Fingscheidt
Arábia Saudita The Perfect Candidate Haifaa al-Mansour
Argélia Papicha Mounia Meddour
Argentina Heroic Losers Sebastián Borensztein
Armênia Lengthy Night Edgar Baghdasaryan
Austrália Buoyancy Rodd Rathjen
Áustria Joy Sudabeh Mortezai
Bangladesh Alpha Nasiruddin Yousuff
Bélgica Our Mothers César Díaz
Bielorrússia Debut Anastasiya Miroshnichenko
Bolívia I Miss You Rodrigo Bellott
Bósnia Herzegovina The Son Ines Tanovic
Brasil A Vida Invisível Karim Aïnouz
Bulgária Ága Milko Lazarov
Camboja In the Life of Music Caylee So, Sok Visal
Canadá Antigone Sophie Deraspe
Cazaquistão Kazakh Khanate – Golden Throne Rustem Abdrashev
Chile Spider Andrés Wood
China Ne Zha Jiaozi
Colômbia Monos Alejandro Landes
Coréia do Sul Parasita Bong Joon-ho
Costa Rica The Awakening of the Ants Antonella Sudasassi
Croácia Mali Antonio Nuic
Cuba A Translator Rodrigo Barriuso, Sebastián Barriuso
Dinamarca Queen of Hearts May el-Toukhy
Egito Poisonous Roses Fawzi Saleh
Equador The Longest Night Gabriela Calvache
Eslováquia Let There Be Light Marko Skop
Eslovênia History of Love Sonja Prosenc
Espanha Dor e Glória Pedro Almodóvar
Estônia Truth and Justice Tanel Toom
Etiópia Running Against the Wind Jan Philipp Weyl
Filipinas Verdict Raymund Ribay Gutierrez
Finlândia Stupid Young Heart Selma Vilhunen
França Les Misérables Ladj Ly
Gana Azali Kwabena Gyansah
Geórgia Shindisi Dito Tsintsadze
Grécia When Tomatoes Met Wagner Marianna Economou
Holanda Instinct Halina Reijn
Honduras Blood, Passion and Coffee Carlos Membreño
Hong Kong The White Storm 2 – Drug Lords Herman Yau
Hungria Those Who Remained Barnabás Tóth
Índia Gully Boy Zoya Akhtar
Indonésia Memories of my Body Garin Nugroho
Irã Finding Fariden Kourosh Ataee, Azadeh Moussavi
Irlanda Gaza Garry Keane, Andrew McConnell
Islândia A White, White Day Hlynur Pálmason
Israel Incitement Yaron Zilberman
Itália O Traidor Marco Bellocchio
Japão Weathering With You Makoto Shinkai
Kosovo Zana Antoneta Kastrati
Látvia The Mover Davis Simanis
Líbano 1982 Oualid Mouaness
Lituânia Bridges of Time Kristine Briede, Audrius Stonys
Luxemburgo Tel Aviv on Fire Sameh Zoabi
Macedônia do Norte Honeyland Tamara Kotevska, Ljubomir Stefanov
Malásia M for Malaysia Dian Lee, Ineza Roussille
Marrocos Adam Maryam Touzani
México The Chambermaid Lila Avilés
Mongólia The Steed Erdenebileg Ganbold
Montenegro Neverending Past Andro Martinovic
Nepal Bulbul Binod Paudel
Nigéria Lionheart Genevieve Nnaji
Noruega Out Stealing Horses Hans Petter Moland
Palestina It Must Be Heaven Elia Suleiman
Panamá Everybody Changes Arturo Montenegro
Paquistão Laal Kabootar Kamal Khan
Peru Retablo Alvaro Delgado-Aparicio
Polônia Corpus Christi Jan Komasa
Portugal The Domain Tiago Guedes
Quênia Subira Ravneet Sippy Chadha
Quirguistão Aurora Bekzat Pirmatov
Reino Unido O Menino que Descobriu o Vento Chiwetel Ejiofor
Rep Dominicana The Projectionist José María Cabral
Rep Tcheca The Painted Bird Václav Marhoul
Romênia The Whistlers Corneliu Porumboiu
Rússia Beanpole Kantemir Balagov
Senegal Atlantics Mati Diop
Sérvia King Petar of Serbia Petar Ristovski
Singapura A Land Imagined Yeo Siew Hua
Suécia And Then We Danced Levan Akin
Suíça Wolkenbruch’s Wondrous Journey Into the Arms of a Shiksa Michael Steiner
Tailândia Krasue: Inhuman Kiss Sitisiri Mongkolsiri
Taiwan Dear Ex Mag Hsu, Hsu Chih-yen
Tunísia Dear Son Mohamed Ben Attia
Turquia Commitment Semih Kaplanoglu
Ucrânia Homeward Nariman Aliev
Uruguai The Moneychanger Federico Veiroj
Uzbequistão Hot Bread Umid Khamdamov
Venezuela Being Impossible Patricia Ortega
Vietnã Furie Lê Van Kiêt

A pré-lista com os dez filmes será divulgada no dia 16 de dezembro. O anúncio das indicações ao Oscar estão marcadas para o dia 13 de janeiro.

32 ANIMAÇÕES CONCORREM AO OSCAR 2020

Design sem nome

NÚMERO RECORDE INCLUI NETFLIX NO PÁREO

A Academia divulgou a lista com as 32 animações inscritas para concorrer ao Oscar de Melhor Longa de Animação da próxima cerimônia, marcada para o dia 9 de Fevereiro. Trata-se de um recorde, já que o número mais alto até então era de 27 no ano de 2017.

Muitos desses trabalhos ainda precisam cumprir algumas regras para se tornarem elegíveis ao prêmio, como a exibição mínima por sete dias em Los Angeles, portanto, podem haver alterações.

Segue lista completa:

* Abominável (Abominable)
* A Família Addams (The Addams Family)
* Angry Birds 2: O Filme (The Angry Birds Movie 2)
* Another Day of Life
* Longe (Away)
* Buñuel in the Labyrinth of the Turtles (Buñuel en el laberinto de las tortugas)
* Children of the Sea (Kaijû no kodomo)
* Dilili à Paris (Dilili in Paris)
* Frozen 2 (Frozen II)
* Funan
* Primal
* Como Treinar o Seu Dragão 3 (How to Train Your Dragon: The Hidden World)
* Perdi Meu Corpo (J’ai perdu mon corps)
* Klaus
* The Last Fiction
* Uma Aventura Lego 2 (The Lego Movie 2: The Second Part)
* Marona’s Fantastic Tale (L’extraordinaire voyage de Marona)
* Link Perdido (Missing Link)
* Ne Zha (Ne Zha zhi mo tong jiang shi)
* Okko’s Inn (Waka okami wa Shôgakusei!)
* Pachamama
* Promare
* Rezo
* Pets: A Vida Secreta dos Bichos 2 (The Secret Life of Pets 2)
* Um Espião Animal (Spies in Disguise)
* The Swallows of Kabul (Les hirondelles de Kaboul)
* This Magnificent Cake! (Ce Magnifique gateau!)
* The Tower
* Toy Story 4 (Toy Story 4)
* Upin & Ipin: The Lone Gibbon Kris (Upin & Ipin: Keris Siamang Tunggal)
* Weathering with You (Tenki no ko)
* White Snake (Baishe: Yuanqi)

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As animações Ne Zha e Weathering With You também competem na categoria de Filme Internacional (ex-Filme em Língua Estrangeira) pelos países China e Japão, respectivamente, onde foram sucessos de bilheteria. Embora suas chances de indicação aumentem, as animações têm maiores chances na categoria de Animação. Vidas ao Vento (2013), de Hayao Miyazaki, também concorreu em ambas, mas foi indicado apenas na categoria de Animação. Já na categoria de Filme Internacional, houve apenas uma animação indicada na história: Valsa com Bashir, de Ari Folman, que concorreu por Israel em 2009.

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A Netflix também está na corrida por reconhecimento. A plataforma de streaming inscreveu três trabalhos: as animações francesas Perdi Meu Corpo e Pachamama, e a espanhola Klaus que tem em seu elenco J.K. Simmons e Joan Cusack. Enquanto Pachamama já está disponível no acervo brasileiro, Klaus estará disponível a partir de 15 de novembro, e Perdi Meu Corpo (I Lost my Body) a partir de 29 de novembro. Essa última produção recebeu alguns prêmios importantes como a da Semana da Crítica em Cannes, o que pode contribuir para sua campanha ao Oscar.

Talvez ainda seja cedo para dar previsões certeiras, mas à princípio nossas apostas para os indicados são:

– Frozen 2
– Perdi Meu Corpo
– Missing Link
– Toy Story 4
– Weathering With You

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As indicações ao Oscar 2020 serão anunciadas no dia 13 de janeiro.

‘CORINGA’, POLANSKI e NETFLIX na SELEÇÃO do FESTIVAL DE VENEZA

Joaquin Phoenix como protagonista de ‘Coringa’

PRESIDENTE ALBERTO BARBERA RESPONDEU ÀS POLÊMICAS

O festival de cinema mais antigo da história revelou os filmes selecionados desta edição na última quinta-feira. O júri, presidido pela estupenda diretora argentina Lucrecia Martel, contará com produções bem diversificadas para distribuir seus prêmios.

Entre nomes consagrados, já começamos com o filme de abertura: ‘The Truth’, primeiro longa do diretor japonês Hirokazu Koreeda em língua estrangeira. Vencedor da Palma de Ouro em 2018, ele pôde contar com atores do calibre de Catherine Deneuve, Juliette Binoche e Ethan Hawke.

O festival também terá os franceses Olivier Assayas e Robert Guediguian, o chileno Pablo Larraín, o colombiano Ciro Guerra, o sueco Roy Andersson e o chinês Lou Ye. O cinema norte-americano está dividido entre filmes de grande estúdio como ‘Ad Astra’ (da Fox), ‘Coringa’ (sim, o filme solo do vilão do Batman, da Warner), e de produtoras de streaming service. ‘Marriage Story’, novo filme de Noah Baumbach, ‘The Laundromat’, de Steven Soderbergh, representando a Netflix, que ano passado levou o Leão de Ouro com ‘Roma’.

Meryl Streep em cena de ‘The Laundromat’

O presidente do evento, Alberto Barbera, ao responder algumas perguntas sobre a baixa presença de diretoras mulheres, foi bastante categórico. “Este ano, em todas as seleções, tivemos 24% de diretoras mulheres. Ano passado foram 20%. Recebemos 1.860 inscrições este ano. Dessas inscrições, contabilizamos menos de 24% de diretoras. O que nunca vou fazer é pegar um filme dirigido por uma mulher só pra aumentar a proporção”. Ele acredita que a presença de mulheres em filmes de estúdio ainda levará mais tempo, e realmente vai. Toda grande mudança leva um tempo considerável, e o que muitos não se dão conta é que os festivais e premiações não deveriam ser responsabilizados por essa disparidade. Entre os indicados ao Leão de Ouro, temos duas diretoras: a saudita Haifaa Al-Mansour com ‘The Perfect Candidate’ e a australiana Shannon Murphy com ‘Babyteeth’.

Outra polêmica deste ano é a seleção do novo filme de Roman Polanski, intitulado ‘An Officer and a Spy’, que tem Jean Dujardin como o oficial francês e discute anti-semitismo. Segundo Barbera, a qualidade do filme se equivale a ‘O Pianista’ (2002). Ele defende que o artista deveria ser visto separado do homem. Polanski foi condenado por estupro em 1977 e foi recentemente expulso da Academia. “Quando você vê uma pintura de Caravaggio, você está vendo o trabalho de um assassino que, depois de matar um homem, teve que fugir para Palermo. É ridículo. Se você não consegue fazer uma distinção entre a culpabilidade de uma pessoa e o valor de uma pessoa como artista, você não vai chegar a lugar algum. Os problemas de Polanski com a justiça de Los Angeles e sua consciência são problemas pessoais dele, além do fato de pensar assim, depois de quarenta anos de tribulações, ele pagou pelo que fez. Mas como diretor de um festival, o que conta para mim é que ele fez um grande filme”.

Jean Dujardin em cena de ‘An Officer and a Spy’

Nessa mesma entrevista, o presidente faz uma observação pertinente sobre o cinema americano. Ele acredita que a redução se deve às compras de estúdios por outros como a Disney que comprou a Fox, e a forte possibilidade da Lionsgate ser comprada. Realmente, nesse cenário, o cinema perde muito em diversidade de filmes. Como forma de Arte, deveria contar com inúmeras filosofias e diferentes padrões para sobreviver ao marasmo. Por isso, não tem como não defender a Netflix. Ela permite que os diretores ou autores que perderam suas vozes nos estúdios continuem seus trabalhos em outra plataforma, inclusive mais acessível ao grande público.

A atriz britânica Julie Andrews e o diretor espanhol Pedro Almodóvar serão homenageados com o Leão de Ouro Honorário.

A 76a edição do Festival de Veneza tem início em 28 de Agosto e termina em 07 de Setembro.

COMPETIÇÃO OFICIAL

“The Truth,” Kore-eda Hirokazu – Filme de Abertura

“The Perfect Candidate,” Haifaa Al-Mansour

“About Endlessness,” Roy Andersson

“Wasp Network,” Olivier Assayas

“Marriage Story,” Noah Baumbach

“Guest of Honor,” Atom Egoyan

“Ad Astra,” James Gray

“A Herdade,” Tiago Guedes

“Gloria Mundi,” Robert Guediguian

“Waiting for the Barbarians,” Ciro Guerra

“Ema,” Pablo Larrain

“Saturday Fiction,” Lou Ye

“Martin Eden,” Pietro Marcello

“La Mafia non è più quella di Una Volta,” Franco Maresco

“The Painted Bird,” Vaclav Marhoul

“The Mayor of Rione Sanità,” Mario Martone

“Babyteeth,” Shannon Murphy

“Joker,” Todd Philips

“An Officer and a Spy,” Roman Polanski

“The Laundromat,” Steven Soderbergh

“No. 7 Cherry Lane,” Yonfan

FORA DE COMPETIÇÃO – Ficção

“The Burnt Orange Heresy,” Giuseppe Capotondi

“Seberg,” Benedict Andrews

“Vivere,” Francesca Archibugi

“Mosul,” Matthew Michael Carnahan

“Adults in the Room,” Costa-Gavras

“The King,” David Michod

“Tutto il mio folle amore,” Gabriele Salvatores

FORA DE COMPETIÇÃO – Não-Ficção

“Woman,” Yann Arthus-Bertrand, Anastasia Mikova

“Roger Waters: Us + Them,” Roger Waters

“I Diari di Angela – Noi Due Cineasti. Capitolo Secondo. Yervant Gianikian, Angela Ricci Lucchi

“Citizen K,” Alex Gibney

“Citizen Rosi,” Didi Gnocchi, Carolina Rosi

“The Kingmaker,” Lauren Greenfield

“State Funeral,” Sergei Loznitsa

“Collective,” Alexander Nanau

“45 Seconds of Laughter,” Tim Robbins

“Il pianeta in mare,” Daniele Segre

FORA DE COMPETIÇÃO – Exibições Especiais

“No One Left Behind,” Guillermo Arriaga

“Electric Swan,” Konstantina Kotzamani

“Irreversible – Inversion Integrale,” Gaspar Noe

“ZeroZeroZero,” (Episodes 1 and 2) Stefano Sollima

“The New Pope” (Episodes 2 and 7) Paolo Sorrentino

“Never Just a Dream: Stanley Kubrick And Eyes Wide Shut,” Matt Wells

“Eyes Wide Shut,” Stanley Kubrick

MOSTRA HORIZONTES

“Pelican Blood,” Katrin Gebbe

“Zumiriki,” Oskar Alegria

“Bik Eneich – Un Fils,” Mehdi M. Barsaoui

“Blanco en Blanco,” Theo Court

“Mes Jours de Gloire,” Antoine De Bary

“Nevia,” Nunzia De Stefano

“Moffie,” Oliver Hermanus

“Hava, Maryam, Ayesha,” Sahara Karimi

“Rialto,” Peter Mackie Burns

“The Criminal Man,” Dmitry Mamuliya

“Revenir,” Jessica Palud

“Giants Being Lonely,” Great Patterson

“Balloon,” Pema Tseden

“Verdict,” Raymund Ribas Gutierrez

“Just 6.5,” Saeed Roustaee

“Shadow of Water,” Sasidharan Sanal Kumar

“Sole,” Carlo Sironi

“Madre,” Rodrigo Sorogoyen

“Atlantis,” Valentyn Vasyanovych

‘VINGADORES: ULTIMATO’ CONQUISTA 3 MTV MOVIE AWARDS

O mega sucesso da Marvel Studios continua em alta quase 2 meses após sua estréia e prestes a alcançar o recorde de ‘Avatar’

Diretor Anthony Russo recebe o prêmio de Melhor Filme por ‘Vingadores: Ultimato’

O prêmio da MTV, que começou de forma extraordinária nos anos 90 ao premiar gemas do cinema que não tinham espaço no Oscar de Melhor Filme como ‘O Exterminador do Futuro 2’, ‘Pulp Fiction’ e ‘Se7en’, tem buscado formas de continuar relevante nos dias de hoje. Para isso, tem feito alterações nas categorias constantemente como mesclar atores e atrizes como performance unisex, incluído os trabalhos da TV e Streaming (que estão mais em alta do que nunca) e colocando na roda os filmes e séries de maiores sucessos para votação: ‘Vingadores: Ultimato’ que levou Melhor Filme e ‘Game of Thrones’ que levou Melhor Série.

Apesar de não concordar com uma série de decisões e votações nos últimos anos, temos que considerar duas coisas. Primeiro: é um prêmio (supostamente) concedido pelo voto popular (afinal, cinema também é entretenimento), e segundo: um prêmio como o da MTV é mais uma forma inteligente de reconhecer essa indústria e fazer propaganda internacional.

Sandra Bullock vai ao MTV pra discursar como se fosse Oscar

Dito isso, confesso que não assisti à cerimônia, mas assisti à maioria dos discursos de agradecimento em compilações do YouTube (coloquei o link abaixo). Achei meio forçação de barra a Sandra Bullock fazer discurso sério ao receber o prêmio de Melhor Performance Assustada (?!). Esqueceram de avisar que não é o Oscar. E depois daquele lance da Jada Pinkett Smith boicotar o Oscar 2016 porque o maridinho dela (Will Smith) não foi indicado, peguei um bode feio do casal, então vê-la recebendo o prêmio de Trailblazer (pioneira) desvalorizou ainda mais o MTV Movie. Até o Chris Rock tirou sarro da atitude dela na época… Sobre a categoria de documentário, acho um ponto fora da curva na premiação, mas ao mesmo tempo acho válido os jovens se interessarem mais por não-ficção.

link: https://youtu.be/qYQUq31fIXE

Jada Pinkett Smith é mais uma vencedora do prêmio Trailblazer, que até agora parece sem propósito

A respeito dos resultados, nada de fato foi surpreendente. ‘Vingadores: Ultimato’ levou 3 baldinhos de pipoca dourada por Filme, Herói (Robert Downey Jr.) e Vilão (Josh Brolin). Não aprovo a premiação de Brie Larson como Melhor Luta em ‘Capitã Marvel’, mas achei legal da parte dela levar ao palco suas dublês.

Brie Larson entre suas duas dublês em ‘Capitã Marvel’

E fechando o primeiro parágrafo, apesar de ter gostado de ver a animação ‘Homem-Aranha no Aranha-Verso’ e ‘Nós’ entre os indicados a Melhor Filme, gostaria de ver outros títulos que não tiveram espaço no Oscar como ‘Missão: Impossível – Efeito Fallout’, ‘Hereditário’ e ‘Oitava Série’, e espero que ‘Fora de Série’ (Booksmart) esteja indicado ano que vem.

Seguem os vencedores do MTV Movie & TV Awards 2019:

MELHOR FILME

Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame)

Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman)

Homem-Aranha no Aranha-Verso (Spider-Man: Into the Spider-Verse)

Para Todos os Garotos que Já Amei (To All the Boys I’ve Loved Before)

Nós (Us)

MELHOR SHOW

Big Mouth

Game of Thrones

Riverdale

Schitt’s Creek

A Maldição da Residência Hill

MELHOR PERFORMANCE EM FILME

Amandla Stenberg (O Ódio que Você Semeia)

Lady Gaga (Nasce uma Estrela)

Lupita Nyong’o (Nós)

Rami Malek (Bohemian Rhapsody)

Sandra Bullock (Bird Box)

MELHOR PERFORMANCE EM SHOW

Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale)

Emilia Clarke (Game of Thrones)

Gina Rodriguez (Jane the Virgin)

Jason Mitchell (The Chi)

Kiernan Shipka (Chilling Adventures of Sabrina)

MELHOR HERÓI 

Brie Larson (Capitã Marvel)

John David Washington (Infiltrado na Klan)

Maisie Williams (Game of Thrones)

Robert Downey Jr. (Vingadores: Ultimato)

Zachary Levi (Shazam!)

MELHOR VILÃO

Jodie Comer (Killing Eve)

Joseph Fiennes (The Handmaid’s Tale)

Josh Brolin (Vingadores: Ultimato)

Lupita Nyong’o (Nós)

Penn Badgley (You)

MELHOR BEIJO 

Camila Mendes & Charles Melton (Riverdale)

Jason Momoa & Amber Heard (Aquaman)

Ncuti Gatwa & Connor Swindells (Sex Education)

Noah Centineo & Lana Condor (Para Todos os Garotos que Já Amei)

Tom Hardy & Michelle Williams (Venom)

REALEZA DE REALITY SHOW

Jersey Shore: Family Vacation

Love & Hip Hop: Atlanta

The Bachelor

The Challenge

Vanderpump Rules

MELHOR PERFORMANCE CÔMICA 

Awkwafina (Podres de Ricos)

Dan Levy (Schitt’s Creek)

John Mulaney (Big Mouth)

Marsai Martin (Little)

Zachary Levi (Shazam!)

PERFORMANCE REVELAÇÃO 

Awkwafina (Podres de Ricos)

Haley Lu Richardson (A Cinco Passos de Você)

Mj Rodriguez (Pose)

Ncuti Gatwa (Sex Education)

Noah Centineo (Para Todos os Garotos que Já Amei)

MELHOR LUTA

Vingadores: Ultimato  – Capitão América vs. Thanos

Capitã Marvel – Capitã Marvel vs. Minn-Erva

Game of Thrones – Arya Stark vs. the White Walkers

RBG – Ruth Bader Ginsburg vs. Inequality

WWE Wrestlemania – Becky Lynch vs. Ronda Rousey vs. Charlotte Flair

MELHOR HERÓI DA VIDA REAL

Alex Honnold (Free Solo)

Hannah Gadsby (Nanette)

Roman Reigns (WWE SmackDown)

Ruth Bader Ginsburg (RBG)

Serena Williams (Being Serena)

MELHOR PERFORMANCE ASSUSTADA

Alex Wolff (Hereditáriao)

Linda Cardellini (A Maldição da Chorona)

Rhian Rees (Halloween)

Sandra Bullock (Bird Box)

Victoria Pedretti (A Maldição da Residência Hill)

MELHOR DOCUMENTÁRIO 

At the Heart of Gold: Inside the USA Gymnastics Scandal

McQueen

Minding the Gap

RBG

Surviving R. Kelly

MELHOR HOST

Gayle King (CBS This Morning)

Nick Cannon (Wild ‘n Out)

Nick Cannon (The Masked Singer)

RuPaul (RuPaul’s Drag Race)

Trevor Noah (The Daily Show with Trevor Noah)

MOMENTO MAIS MEME-ÁVEL

“Lindsay Lohan’s Beach Club” – The Lilo Dance

“Love & Hip Hop: Hollywood” – Ray J’s Hat

“RBG” – The Notorious RBG

“RuPaul’s Drag Race” – Asia O’Hara’s butterfly finale fail

“The Bachelor” – Colton Underwood pula a cerca

SUL-COREANO BONG JOON-HO LEVA A PALMA DE OURO EM CANNES POR ‘PARASITE’

O diretor Bong Joon-ho recebe a Palma de Ouro da atriz Catherine Deneuve

CINEMA ASIÁTICO SAI FORTALECIDO PARA A PRÓXIMA TEMPORADA DE PREMIAÇÕES

Apesar de todo o foco em cima do novo filme de Quentin Tarantino, Era Uma Vez em Hollywood, que ingressou na competição na segunda chamada e trouxe os astros Leonardo DiCaprio, Brad Pitt e Margot Robbie, o júri presidido pelo mexicano Alejandro González Iñárritu concedeu a Palma de Ouro para Parasite, a primeira Palma de Ouro para o cinema da Coréia do Sul.

O novo trabalho do diretor de instigantes filmes como Memórias de um Assassino (2003), O Hospedeiro (2006), Mother (2009) e O Expresso do Amanhã (2014) contém elementos de crítica social. Uma família coreana de baixa classe toda desempregada tenta melhorar seu status ao se infiltrar numa casa de ricos. Após a sessão no festival, foi reportado uma salva de palmas de pé por mais de cinco minutos, e sua consagração teria sido decidida de forma unânime.

Cenas de uma família em Parasite.

Esse reconhecimento acaba colocando no mapa não apenas o diretor, mas toda a filmografia do cinema sul-coreano recente, que vem pedindo passagem desde o início dos anos 2000, com diretores aclamados como Park Chan-wook, Lee Chang-dong, Kim Ki-duk e Kim Ji-woon. Oldboy (2003), Em Chamas (2018), Casa Vazia (2004) e Eu Vi o Diabo (2010) são alguns exemplos desse cinema asiático recente, que nunca recebeu uma mísera indicação ao Oscar, provavelmente pelo contexto violento e/ou sexual, mas que com essa Palma de Ouro, pode finalmente entrar na categoria de Filme em Língua Estrangeira da Academia.

O cinema brasileiro também saiu vitorioso do evento. Na verdade, duplamente vitorioso. Além do prêmio Un Certain Regard para A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, de Karim Aïnouz, Bacurau saiu com o prêmio do júri, compartilhado com Les Misérables. Em sua segunda competição oficial, o diretor pernambucano Kléber Mendonça Filho conquista uma espécie de terceiro lugar do festival. Agora a seleção do Brasil para o Oscar ficou difícil, hein? Vamos ver qual consegue melhor campanha até o mês de outubro, quando deve haver a votação da comissão.

O diretor Kléber Mendonça Filho discursa com seu prêmio do Júri por Bacurau. Pic by G1 Globo

O Grande Prêmio do Júri ficou com Atlantique, filme da diretora franco-senegalesa estreante Mati Diop. Ela narra a história de uma jovem prometida para casamento que se apaixona por um homem que sonha migrar ilegalmente para a Europa. Diop já havia quebrado o tabu ao ser a primeira negra na competição, e agora a primeira premiada.

Bastante emocionada, Mati Diop recebe o Grande Prêmio do Júri

Outra cineasta mulher premiada foi a francesa Céline Sciamma por seu roteiro de Portrait of a Lady on Fire. A história da relação entre uma pintora e a modelo de seu retrato foi bastante elogiada em Cannes, mas acabou ficando apenas com o prêmio de Roteiro.

Já premiados duas vezes com a Palma de Ouro nas décadas passadas, os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne marcaram presença na premiação ao levarem Melhor Direção por O Jovem Ahmed, sobre um jovem árabe que ingressa a radicalização islâmica, e planeja matar seu professor.

Jean-Pierre e Luc Dardenne vencem Melhor Direção por O Jovem Ahmed (pic by Yahoo)

Os prêmios de atuação ficaram com a britânica Emily Beecham por Little Joe, uma espécie de ficção científica com atmosfera de thriller, e com o espanhol Antonio Banderas por interpretar o alter-ego do diretor Pedro Almodóvar em Dor e Glória.

Emily Beecham vence por Little Joe (pic by Yahoo)

Antonio Banderas segura seu prêmio de atuação com Alejandro González Iñárritu (pic by AFP by El Universal)

Iñárritu foi o primeiro latino a presidir o júri de Cannes. Nesta edição, ele contou com a colaboração dos diretores franceses Enki Bilal e Robin Campillo, a atriz americana Elle Fanning, a atriz e diretora senegalesa Maimouna N’Diaye, o diretor grego Yorgos Lanthimos, diretor polonês Paweł Pawlikowski (ambos indicados ao Oscar deste ano), a diretora americana Kelly Reichardt, e a diretora italiana Alice Rohrwacher.

Segue lista completa dos vencedores desta 72a edição:

COMPETIÇÃO

Palma de Ouro: “Parasite,” de Bong Joon-ho

Grande Prêmio do Júri: “Atlantics,” Mati Diop

Direção: Jean-Pierre e Luc Dardenne, “Young Ahmed”

Ator: Antonio Banderas, “Pain and Glory”

Atriz: Emily Beecham, “Little Joe”

Prêmio do Júri — EMPATE: “Les Misérables,” Ladj Ly; “Bacurau,” Kléber Mendonça Filho

Roteiro: Céline Sciamma, “Portrait of a Lady on Fire”

Menção Especial: Elia Suleiman, “It Must Be Heaven”

OUTROS PRÊMIOS

Camera d’Or: “Our Mothers,” Cesar Diaz

Palma de Ouro de Melhor Curta: “The Distance Between the Sky and Us,” Vasilis Kekatos

Menção Especial para Curta: “Monster God,” Agustina San Martin

Prêmio Golden Eye de Documentário: “For Sama”

Prêmio do Júri Ecumênico: “Hidden Life,” Terrence Malick

Queer Palm: “Portrait of a Lady on Fire,”  Céline Sciamma

UN CERTAIN REGARD

Un Certain Regard Award: “The Invisible Life of Eurídice Gusmão,” Karim Aïnouz

Prêmio do Júri: “Fire Will Come,” Oliver Laxe

Direção: Kantemir Balagov, “Beanpole”

Atuação: Chiara Mastroianni, “On a Magical Night”

Roteiro: Meryem Benm’Barek, “Sofia”

Prêmio Especial do Júri: Albert Serra, “Liberté”

Menção Especial do Júri: “Joan of Arc,” Bruno Dumont

Coup de Coeur Award: “A Brother’s Love,” Monia Chokri; “The Climb,” Michael Angelo Covino

DIRECTORS’ FORTNIGHT

Society of Dramatic Authors and Composers Prize: “An Easy Girl,” Rebecca Zlotowski

Europa Cinemas Label: “Alice and the Mayor,” Nicolas Parisier

Illy Short Film Award: “Skip Day” (Patrick Bresnan, Ivete Lucas)

CRITICS’ WEEK

Nespresso Grand Prize: “I Lost My Body,” Jérémy Clapin

Society of Dramatic Authors and Composers Prize: César Díaz, “Our Mothers”

GAN Foundation Award for Distribution: The Jokers Films, French distributor for “Vivarium” by Lorcan Finnegan

Louis Roederer Foundation Rising Star Award: Ingvar E. Sigurðsson, “A White, White Day”

Leitz Cine Discovery Prize for Short Film: “She Runs,” Qiu Yang

Canal Plus Award for Short Film: “Ikki Illa Meint,” Andrias Høgenni

FIPRESCI

Competition: “It Must Be Heaven” (Elia Suleiman)

Un Certain Regard: “Beanpole” (Kantemir Balagov)

Directors’ Fortnight/Critics’ Week: “The Lighthouse” (Robert Eggers)

CINÉFONDATION

First Prize: “Mano a Mano,” Louise Courvoisier

Second Prize: “Hiéu,” Richard Van

Third Prize — TIE: “Ambience,” Wisam Al Jafari; “Duszyczka” (The Little Soul), Barbara Rupik

Sucessos de público, ‘VINGADORES: ULTIMATO’ e ‘GAME OF THRONES’, lideram o MTV MOVIE & TV Awards

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Atualmente em primeiro lugar nas bilheterias, Vingadores: Ultimato também conquista espaço no MTV Movie Awards

PRÊMIO POPULAR APROVEITA A ONDA GLOBAL

Após uma temporada de premiações permeada por blockbusters como Pantera Negra, e sucessos comerciais como Nasce uma Estrela e Bohemian Rhapsody, logo deduziríamos que se trata de um prato cheio para o MTV Movie Awards, certo? Não necessariamente.

A verdade é que o calendário do prêmio é diferente do Oscar e Globo de Ouro. Por exemplo, Pantera Negra que ganhou 3 Oscars este ano, já havia ganhado o prêmio de Melhor Filme na edição anterior do MTV Movie Awards.

Mas mesmo assim, resgataram bons títulos de 2018 como a visualmente fantástica animação Homem-Aranha no Aranha-Verso, Hereditário e os bons documentários Minding the Gap e RBG

Já da safra 2019, reconhecimento mais do que merecido para o novo filme de Jordan Peele, Nós, e para a a protagonista Lupita Nyong’o, que está excepcional em papel duplo. E um reconhecimento não tão merecido para outros como Aquaman, Venom e Para Todos os Garotos que Já Amei, provando que o gênero da Comédia Romântica nunca sai de moda.

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Lupita Nyong’o, Shahadi Wright Joseph e Evan Alex em cena de Nós

Em extrema ascensão no momento, Vingadores: Ultimato (cuja bilheteria mundial já ultrapassou a barreira dos 2 bilhões de dólares e a marca de Titanic – restando apenas o recorde de Avatar) e a série da HBO Game of Thrones preencheram boa parte das indicações. Por se tratar de um prêmio baseado no voto popular, seria estupidez não aproveitar esse hype todo e promover seu próprio evento em cima.

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A oitava e última temporada de Game of Thrones está atraindo um público global

O MTV Movie Awards procura estar sempre antenado com o público jovem, por isso todo ano, eles promovem mudanças nas categorias. Nesta edição, criaram três novas categorias: Melhor Herói da Vida Real (retratados em documentários), Melhor Host (de programas televisivos) e Momento Mais Meme-ável que coroa as cenas que originam os melhores memes. Nem sempre essas novidades funcionam, como aquela besteira de Melhor Performance Sem Camisa, mas tem aquelas que vieram para ficar como a unificação dos sexos em categorias de atuação.

O prêmio da MTV contará com o ator Zachary Levi, que está indicado em duas categorias por Shazam!, e está agendado para o próximo dia 17 de junho.

Seguem todos os indicados:

MELHOR FILME
Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame)
Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman)
Homem-Aranha no Aranha-Verso (Spider-Man: Into the Spider-Verse)
Para Todos os Garotos que Já Amei (To All the Boys I’ve Loved Before)
Nós (Us)

MELHOR SHOW
Big Mouth
Game of Thrones
Riverdale
Schitt’s Creek
A Maldição da Residência Hill

MELHOR PERFORMANCE EM FILME
Amandla Stenberg (O Ódio que Você Semeia)
Lady Gaga (Nasce uma Estrela)
Lupita Nyong’o (Nós)
Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
Sandra Bullock (Bird Box)

MELHOR PERFORMANCE EM SHOW
Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale)
Emilia Clarke (Game of Thrones)
Gina Rodriguez (Jane the Virgin)
Jason Mitchell (The Chi)
Kiernan Shipka (Chilling Adventures of Sabrina)

MELHOR HERÓI
Brie Larson (Capitã Marvel)
John David Washington (Infiltrado na Klan)
Maisie Williams (Game of Thrones)
Robert Downey Jr. (Vingadores: Ultimato)
Zachary Levi (Shazam!)

MELHOR VILÃO
Jodie Comer (Killing Eve)
Joseph Fiennes (The Handmaid’s Tale)
Josh Brolin (Vingadores: Ultimato)
Lupita Nyong’o (Nós)
Penn Badgley (You)

MELHOR BEIJO
Camila Mendes & Charles Melton (Riverdale)
Jason Momoa & Amber Heard (Aquaman)
Ncuti Gatwa & Connor Swindells (Sex Education)
Noah Centineo & Lana Condor (Para Todos os Garotos que Já Amei)
Tom Hardy & Michelle Williams (Venom)

REALEZA DE REALITY SHOW
Jersey Shore: Family Vacation
Love & Hip Hop: Atlanta
The Bachelor
The Challenge
Vanderpump Rules

MELHOR PERFORMANCE CÔMICA
Awkwafina (Podres de Ricos)
Dan Levy (Schitt’s Creek)
John Mulaney (Big Mouth)
Marsai Martin (Little)
Zachary Levi (Shazam!)

PERFORMANCE REVELAÇÃO
Awkwafina (Podres de Ricos)
Haley Lu Richardson (A Cinco Passos de Você)
Mj Rodriguez (Pose)
Ncuti Gatwa (Sex Education)
Noah Centineo (Para Todos os Garotos que Já Amei)

MELHOR LUTA
Vingadores: Ultimato  – Capitão América vs. Thanos
Capitã Marvel – Capitã Marvel vs. Minn-Erva
Game of Thrones – Arya Stark vs. the White Walkers
RBG – Ruth Bader Ginsburg vs. Inequality
WWE Wrestlemania – Becky Lynch vs. Ronda Rousey vs. Charlotte Flair

MELHOR HERÓI DA VIDA REAL
Alex Honnold (Free Solo)
Hannah Gadsby (Nanette)
Roman Reigns (WWE SmackDown)
Ruth Bader Ginsburg (RBG)
Serena Williams (Being Serena)

MELHOR PERFORMANCE ASSUSTADA
Alex Wolff (Hereditáriao)
Linda Cardellini (A Maldição da Chorona)
Rhian Rees (Halloween)
Sandra Bullock (Bird Box)
Victoria Pedretti (A Maldição da Residência Hill)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
At the Heart of Gold: Inside the USA Gymnastics Scandal
McQueen
Minding the Gap
RBG
Surviving R. Kelly

MELHOR HOST
Gayle King (CBS This Morning)
Nick Cannon (Wild ‘n Out)
Nick Cannon (The Masked Singer)
RuPaul (RuPaul’s Drag Race)
Trevor Noah (The Daily Show with Trevor Noah)

MOMENTO MAIS MEME-ÁVEL
“Lindsay Lohan’s Beach Club” – The Lilo Dance
“Love & Hip Hop: Hollywood” – Ray J’s Hat
“RBG” – The Notorious RBG
“RuPaul’s Drag Race” – Asia O’Hara’s butterfly finale fail
“The Bachelor” – Colton Underwood jumps the fence

 

COM 12 FILMES DIRIGIDOS POR MULHERES, FESTIVAL DE CANNES SE TORNA MAIS INCLUSIVO

Cartaz oficial da 72a edição de Cannes com Agnès Varda na filmagem de seu primeiro longa

THIERRY FREMAUX, PRESIDENTE DO FESTIVAL, OUVIU OS PROTESTOS DE 2018

No ano passado, 82 mulheres, entre elas as atrizes Marion Cotillard, Salma Hayek, Kristen Stewart e Cate Blanchett, caminharam juntas pelo tapete vermelho para protestar contra a baixa representação feminina no evento. “As mulheres não são uma minoria neste mundo, apesar da nossa indústria dizer o contrário. Como mulheres, todas nós encaramos nossos próprios desafios, mas nós nos juntamos aqui nestes degraus como um símbolo de nossa determinação e comprometimento com o progresso”, leram Blanchett e Agnès Varda.

Embora não seja adepto de qualquer cota, os números femininos em Cannes realmente são irrisórios. Em 71 anos de história, foram apenas 82 filmes selecionados para a competição oficial, enquanto masculinos ultrapassam os 1.600. Vale lembrar também que apenas UMA mulher levou a Palma de Ouro, quando Jane Campion conquistou em 1993 com O Piano. Apesar da cadeira de direção ter sido altamente predominada por homens ao longo das décadas, o número de mulheres aumentou consideravelmente desde os anos 90 para cá.

Enfim, o presidente do Festival de Cannes acompanhou o descontentamento feminino e elegeu 4 diretoras para competir pela Palma de Ouro (os filmes estão assinalados com emojis na lista abaixo). Esse número, que representa 21% das 19 produções que estão concorrendo, é o melhor desde 2011. E do total do evento, são 13 diretoras convidadas que representam 12 filmes (um deles é co-dirigido por duas diretoras).

O número feminino pode aumentar caso haja mais mulheres numa pós-seleção que sempre ocorre antes da abertura do festival. Contudo, o filme mais aguardado desta segunda leva talvez seja o novo filme de Quentin Tarantino, Era uma vez em Hollywood, que está em fase final de montagem. Considerando que a carreira de Tarantino deslanchou por causa da Palma de Ouro por Pulp Fiction, ele deve fazer de tudo para conseguir entregar seu novo filme a tempo.

BRASIL DE VOLTA À COMPETIÇÃO OFICIAL

A última vez que o cinema nacional esteve entre os indicados à Palma de Ouro foi há 3 anos, justamente pelo filme anterior de Kléber Mendonça Filho, Aquarius, estrelado por Sônia Braga. Seu novo trabalho , co-dirigido por Juliano Dornelles, Bacurau, ou Nighthawk (título internacional), se passaria no Nordeste onde uma comunidade rural teria desaparecido com a morte de uma nonagenária.

Cena de Bacurau, de Kléber Mendonça Filho (pic by Gazeta Online)

Se antes a equipe do filme protestou contra o impeachment da ex-presidente Dilma Roussef no tapete vermelho (o que acarretou na desclassificação injusta do filme na seleção para o Oscar), imagino que neste ano deva sobrar para Jair Bolsonaro.

Já pela mostra Un Certain Regard, o cineasta Karim Aïnouz volta com A Vida Invisível de Eurídice Gusmão (Invisible Life). O diretor cearense escalou a dama do teatro, Fernanda Montenegro, para viver Eurídice, que lutou contra o machismo dos anos 50 no Rio de Janeiro.

Cena de A Vida Invisível de Eurídice Gusmão

E A NETFLIX, CANNES?

Este ano é o segundo consecutivo que a plataforma de streaming foi banida da competição oficial por causa dos interesses das redes de cinema na França. Apesar do sucesso de Roma, de Alfonso Cuarón, que deveria ter passado em Cannes, o presidente Fremaux ainda resiste às mudanças.

Essa postura conservadora terá consequências desastrosas nos próximos anos, que muitos lançamentos de streaming migrarão automaticamente para outros festivais como Veneza. The Irishman, próximo filme de Martin Scorsese, que reunirá Robert De Niro e Al Pacino, lançamento de peso da Netflix em 2019, deverá estrear em Veneza, pegando carona para a temporada de premiações em setembro.

DA SELEÇÃO OFICIAL

Cannes continua sendo aquela panelinha de sempre, seja do ponto de vista positivo ou negativo. A seleção deles se apóia na credibilidade dos cineastas, tanto que temos os irmãos Dardenne, Ken Loach, Terrence Malick e até o novo de Pedro Almodóvar, que estreou comercialmente na Espanha. Curiosamente, foi o mesmo Almodóvar que expurgou a Netflix 3 anos, defendendo Cannes quando fora presidente do júri. Coincidência ou troca de amenidades?

Claro que a maioria dos filmes deve ser de boa qualidade, mas chega uma hora que não pra depender apenas dos renomados.

Nos bastidores de Dolor y Gloria, Antonio Banderas claramente interpreta o alter ego de Almodóvar (pic by fotogramas.es)

Lembrando que o presidente do júri deste ano é o mexicano vencedor de 2 Oscars, Alejandro González Iñárritu, fato que pode beneficiar produções de língua latina.

INDICADOS À PALMA DE OURO 2019:

THE DEAD DON’T DIE. Dir: Jim Jarmusch (Filme de Abertura)

ATLANTIQUE. Dir: Mati Diop 🙋🏻‍♀️

BACURAU. Dir: Kleber Mendonça Filho & Juliano Dornelles

FRANKIE. Dir: Ira Sachs

A HIDDEN LIFE. Dir: Terrence Malick

IT MUST BE HEAVEN. Dir: Elia Suleiman

LES MISÉRABLES. Dir: Ladj Ly

LITTLE JOE. Dir: Jessica Hausner 🙋🏻‍♀️

MATTHIAS AND MAXIME. Dir: Xavier Dolan

OH MERCY! Dir: Arnaud Desplechin

PAIN & GLORY. Dir: Pedro Almodóvar

PARASITE. Dir: Bong Joon Ho

PORTRAIT OF A LADY ON FIRE. Dir: Céline Sciamma 🙋🏻‍♀️

SIBYL. Dir: Justine Triet 🙋🏻‍♀️

SORRY WE MISSED YOU. Dir: Ken Loach

THE TRAITOR. Dir: Marco Bellocchio

THE WHISTLERS. Dir: Corneliu Porumboiu

THE WILD GOOSE LAKE. Dir: Diao Yi’nan

THE YOUNG AHMED. Dir: Jean-Pierre Dardenne & Luc Dardenne

COMPETIÇÃO UN CERTAIN REGARD

Adam. Dir: Maryam Touzani

Beanpole. Dir: Kantemir Balagov

A Brother’s Love. Dir: Monia Chokri

Bull. Dir: Annie Silverstein

The Climb. Dir: Michael Covino

Evge. Dir: Nariman Aliev

Freedom. Dir: Albert Serra

Vida Invisível. Dir: Karim Aïnouz

Joan of Arc. Dir: Bruno Dumont

Chambre 212. Dir: Christophe Honoré

Papicha. Dir: Mounia Meddour

Port Authority. Dir: Danielle Lessovitz

Summer of Changsha. Dir: Zu Feng

The Swallows of Kabul. Dir: Zabou Breitman & Eléa Gobé Mévellec

A Sun That Never Sets. Dir: Olivier Laxe

Zhuo Ren Mi Mi. Dir: Midi Z

FORA DE COMPETIÇÃO

The Best Years of a Life. Dir: Claude Lelouch

Diego Maradona. Dir: Asif Kapadia

La Belle Époque. Dir: Nicolas Bedos

Rocketman. Dir: Dexter Fletcher

Too Old to Die Young – North of Hollywood, West of Hell. Dir: Nicolas Winding Refn

MIDNIGHT SCREENINGS

The Gangster, the Cop, the Devil. Dir: Lee Won-Tae

SPECIAL SCREENINGS

Family Romance, LLC. Dir: Werner Herzog

For Sama. Dir: Waad Al Kateab, Edward Watts

Que Sea Ley. Dir: Juan Solanas

Share. Dir: Pippa Bianco

To Be Alive and Know It. Dir: Alain Cavalier

Tommaso. Dir: Abel Ferrara

***

O 72o Festival de Cannes começa no dia 14 de Maio e termina no dia 25.

‘GREEN BOOK’ BATE ‘ROMA’ e LEVA o OSCAR DE MELHOR FILME!

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Equipe de Green Book comemora a vitória no Oscar (pic by Variety)

Tinha tudo para ser uma cerimônia extremamente chata e monótona, já que não haveria host ou hostess, e com os resultados aparentemente previsíveis. E realmente foi na primeira metade do show, mas a partir da segunda metade, o Oscar esquentou um pouco, começando com a apresentação da canção “Shallow”. Sério! Antes disso, estava tudo um marasmo.

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Assim que anunciados os nomes, Lady Gaga e Bradley Cooper se levantaram de suas poltronas para cantar “Shallow” num belo dueto (pic by Variety)

Mas vamos começar com o lance do host. Para muitos, o anfitrião não fez falta alguma. E eu digo: “Como assim, gente?”. Ok, teve gente que preferiu aquele showzinho meia-boca do Queen B com Adam Lambert não chegando aos pés de Freddie Mercury. Enfim, gosto não se discute. Mas quando se assiste ao Oscar, não vemos apenas pelos resultados, afinal, se fosse só isso, bastaria acordar no dia seguinte e ver os vencedores no jornal sem as olheiras no rosto, certo? Eu, que particularmente comecei a acompanhar o Oscar com Billy Crystal que cantava e fazia inúmeras piadas ótimas, senti falta de um host, mas um bom.

Porque se for pra ser uma tragédia como aquela chamada James Franco e Anne Hathaway em 2011 preferia que não tivesse hosts, mas peraí: “Vamos aguentar mais de três horas de apresentadores fazendo piadinhas sem graça antes de abrir o envelope?”. Melhor esperar o jornal. Um evento desse tamanho e dessa importância não se sustenta com uma locutora anunciando os apresentadores. Cadê os sketches, as brincadeiras, a interação com as celebridades? Aliás, faço já a campanha para o Oscar 2020 com Ricky Gervais, Sacha Baron Cohen, Jim Carrey… todos que podem entregar boas piadas com pitadas ou toneladas de humor politicamente incorreto, porque o mundo está chato demais. Voltando e resumindo: prefiro o host no lugar do show do Queen B, que mais agradou quem estava na platéia.

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Maya Rudolph, Tina Fey e Amy Poehler apresentaram o primeiro Oscar da noite, mas poderia ter sido o trio de hostess da cerimônia… (pic by People)

A meta de horário de 3 horas do presidente da Academia foi praticamente cumprida. O 91º Oscar teve duração aproximada de 3 horas e 15 minutos com os intervalos. Economizaram no tempo e no entretenimento. Na maioria das vezes eles pegavam no pé sobre a duração do discurso e simplesmente cortavam o microfone e apagavam as luzes, já nas categorias de atuação, eles deixavam rolar o máximo que dava como era previsto.

NÚMEROS DESTA EDIÇÃO

Embora Green Book: O Guia tenha sido eleito o Melhor Filme com 3 estatuetas, incluindo Roteiro Original e Ator Coadjuvante, o filme com maior número de prêmios da noite foi Bohemian Rhapsody, que levou 4 Oscars para casa: Ator, Montagem, Mixagem de Som e Efeitos Sonoros.

Também com 3 estatuetas ficaram: Pantera Negra, que se destacou pelas vitórias históricas de Direção de Arte e Figurino, com as profissionais Hannah Beachler e Ruth E. Carter se tornando as primeiras negras a vencer, respectivamente, além de Trilha Original. E Roma, que apesar de não ter levado Melhor Filme, ficou com os Oscars de Direção, Fotografia e Filme em Língua Estrangeira, denotando que Hollywood ainda vai levar um tempo para digerir melhor essa história de Netflix e filmes em outra língua ganhando prêmio principal do ano.

91st Annual Academy Awards - Show

A primeira figurinista negra a ganhar o Oscar de Figurino pelo filme Pantera Negra (pic by EW.com)

Ainda sobre estatísticas, vale ressaltar que Roma foi a primeira vitória do Oscar de Filme em Língua Estrangeira para o México. Esta era a nona indicação do cinema mexicano na categoria e que se tornou a primeira vitória. Assim como no ano passado, o Oscar premiou um filme latino pela primeira vez, já que Uma Mulher Fantástica coroou o Chile pela primeira vez.

Ainda sobre primeira vez, o Oscar concedido para Homem-Aranha no Aranhaverso foi o primeiro do estúdio Sony, em parceria com a Marvel Studios. Apesar de ser grande fã dos trabalhos da Pixar, é sempre bom quebrar uma hegemonia com animações fora da curva. O visual desta adaptação de Homem-Aranha foi bastante elogiada e com méritos, deixando uma crítica indireta ao visual padrão dos filmes da Pixar.

SURPRESAS DA NOITE

A grande surpresa da noite se chama Olivia Colman. Apesar de ter havido uma pequena chance de vitória, poucos acreditavam que haveria outra vencedora que não fosse Glenn Close em sua sétima indicação sem vitória, ainda mais quando a vimos desfilar no tapete vermelho com aquele vestido dourado Oscar com capa de super-heroína. Dava para perceber que Close estava bem confiante em sua primeira vitória, o que torna ainda mais dolorosa sua derrota.

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Olivia Colman chega a fazer deboche do cronômetro do Oscar em seu discurso bem humorado de Melhor Atriz por A Favorita (pic by UOL Entretenimento)

A coisa só não ficou pior porque Olivia Colman é um doce de pessoa. Além de extremamente humilde, ela tem um carisma britânico singular que se torna impossível de não gostar dela. E para quem assistiu ao filme A Favorita sabe que sua interpretação era digna de um Oscar. Em seu discurso, ela presta homenagens sinceras às colegas indicadas, especialmente Glenn, e por último para Gaga. Todos se levantaram para aplaudi-la. Foi realmente uma surpresa agradável.

Quanto à Glenn Close, é o que eu disse no post do Facebook: independente do resultado, torço para que esta nova indicação lhe traga maior projeção e papéis mais instigantes e profundos. Esta atriz talentosa e carismática tem que ganhar o Oscar dela, sim. Ela só não ganhou hoje porque muitos tinham a opinião de que ela merece ganhar por um filme melhor do que A Esposa, de fato. Estou torcendo para que um diretor de renome e em alta como Damien Chazelle, Martin Scorsese ou Clint Eastwood tenham uma personagem feita sob medida para ela poder brilhar e ganhar seu primeiro Oscar com louvor.

Também se encaixaria aqui a vitória surpreendente de Green Book: O Guia, mesmo com o prêmio do sindicato de produtores (PGA) debaixo do braço. Apesar de estar rodeado de polêmicas externas envolvendo o roteirista Nick Vallelonga e o diretor Peter Farrelly, o sistema de votos preferenciais beneficiou este filme agridoce sobre racismo, afinal, costuma ganhar aquele filme que menos desagradou os membros da Academia em geral. Agora fica a questão: Você alguma vez imaginou que veria o diretor de Debi & Lóide: Dois Idiotas em Apuros e Quem Vai Ficar com Mary? ganhando o Oscar de Melhor Filme? Eu sou suspeito para falar porque gosto do humor politicamente incorreto dele, especialmente em Antes Só que Mal Casado.

CURIOSIDADES

Nos quatro discursos de agradecimento do filme Bohemian Rhapsody, ninguém sequer citou o nome do diretor Bryan Singer, que foi demitido da produção a duas semanas do término das filmagens por motivos investigativos de assédio sexual. Claro que ninguém quer sarna pra se coçar, ainda mais se estragar uma campanha de Oscar, mas honestamente acreditava que John Ottman, colaborador de longa data de Singer, mencionaria pelo menos o nome de seu colega, mas, como se estivessem impedidos por contrato a citar o nome dele, Singer permaneceu como diretor-fantasma no Oscar.

Rami Malek foi o que mais atacou o diretor na campanha para o Oscar, pois teria creditado a si mesmo pela saída benéfica de Singer para o bem do filme. A atitude agressiva do ator só foi deixada de lado graças ao seu belo discurso de agradecimento, que enalteceu suas origens e as origens estrangeiras de Freddie Mercury num momento em que os EUA enfrentam um dilema de xenofobia. “Penso como seria contar ao pequeno Rami que um dia isso aconteceria com ele, e acho que a mente dele explodiria. Aquela criança estava lutando contra sua identidade, tentando se descobrir, e para qualquer um que estiver lutando e tentando descobrir sua voz, ouça isso, nós fizemos um filme sobre um homem gay, um imigrante, que viveu sua vida sem pedir desculpas. E o fato de eu estar celebrando-o e sua história com vocês hoje é a prova que estamos ansiando por histórias como esta.”, falou Malek.

91st Annual Academy Awards - Show

Rami Malek sequer cita o diretor Bryan Singer em seu discurso de Melhor Ator por Bohemian Rhapsody (pic by  Exame Abril)

Sobre a categoria de Melhor Canção Original, que gerou toda a polêmica das duas canções apresentadas na cerimônia, a Academia fez questão que todas as cinco canções fossem apresentadas como manda o figurino, mas de última hora, os músicos Kendrick Lamar e SZA cancelaram suas participações alegando motivos de logística e de tempo curto. Se serve de consolo, eles também não se apresentaram no Grammy deste ano pela canção “All the Stars” de Pantera Negra.

Ainda sobre as canções, Bette Midler cantou “The Place Where Lost Things Go” de O Retorno de Mary Poppins porque Emily Blunt, que canta a música no filme, teria arregado. Falta de confiança ou muitos efeitos na gravação? O fato é que ninguém mais lembra quem é Bette Midler na fila do pão. Por que não convocar uma cantora mais atual com sotaque britânico como Jessie J, por exemplo, sei lá. Não queriam aumentar os números de audiência??

E pensando na estratégia de melhorar a audiência, não entendi a convocação de tantos nomes pouco conhecidos como Diego Luna, Amandla Stenberg e até a tenista Serena Williams (!) ou desconhecidos como o Chef José Andrés e o congressista John Lewis.

Na sessão In Memorian, apresentada pelo presidente da Academia, John Bailey, o clipe com os profissionais e artistas falecidos no último ano incluíram nomes oscarizados como os diretores Bernardo Bertolucci e Milos Forman, mas para quem prestou atenção, a Academia lembrou do diretor brasileiro Nelson Pereira dos Santos, que ficou conhecido por Rio, 40 Graus, e pela adaptação de Vidas Secas. Apesar de nunca ter sido indicado ao Oscar, foi indicado algumas vezes para o Urso de Ouro em Berlim e a Palma de Ouro em Cannes ao longo da carreira.

Nelson Pereira dos Santos

Imagem do diretor brasileiro homenageado pela Academia no In Memorian (pic by The Visuallized)

COMENTÁRIOS EXTRAS

Já que não tinha host e o tempo era curto, por que não surpreender mais nos resultados? Apesar de Mahershala Ali estar bem em Green Book, este foi seu segundo Oscar em três anos depois de Moonlight. Não poderiam ter reconhecido a atuação de Richard E. Grant por Poderia Me Perdoar? Além de uma ótima atuação, seu personagem é muito querido, tem ótimos diálogos e excelente química com a protagonista vivida por Melissa McCarthy.

Foi bacana ver Spike Lee extremamente feliz e realizado ao vencer seu primeiro Oscar competitivo (ele havia sido homenageado com o Oscar Honorário em 2016) por Infiltrado na Klan. A alegria que ele sentiu ao subir o palco e pular sobre o ator Samuel L. Jackson foi um dos melhores momentos da noite. Claro que o diretor aproveitou para dar suas cutucadas ao lembrar que era aniversário de 400 anos da chegada dos escravos africanos nos EUA, e que “A eleição presidencial de 2020 estava logo ali. Vamos todos nos mobilizar. Vamos todos estar do lado certo da história. Fazer a escolha moral entre amor contra ódio.”, declarou Spike Lee, um crítico ferrenho de Donald Trump.

E quando soube que Green Book levou o Oscar de Melhor Filme, alegou que a Academia “fez uma escolha infeliz” e tentou abandonar o Dolby Theater antes do fim do discurso dos produtores, mas teve que voltar. “Toda vez que alguém está dirigindo alguém, eu perco”, comentou em alusão à sua derrota em 1990 para Conduzindo Miss Daisy. Nem ele, nem Jordan Peele aplaudiram para Green Book, que consideram aquela típica história do “branco salvador”.

Spike Lee Oscars

Spike Lee era puro êxtase em sua vitória de Roteiro Adaptado por Infiltrado na Klan (pic by New York Daily News)

VENCEDORES DO 91º OSCAR :

FILME
* Green Book: O Guia (Green Book)

DIREÇÃO
* Alfonso Cuarón (Roma)

ATOR
* Rami Malek (Bohemian Rhapsody)

ATRIZ
* Olivia Colman (A Favorita)

ATOR COADJUVANTE
* Mahershala Ali (Green Book: O Guia)

ATRIZ COADJUVANTE
* Regina King (Se a Rua Beale Falasse)

ROTEIRO ORIGINAL
* Green Book: O Guia, Brian Hayes Currie, Peter Farrelly, Nick Vallelonga

ROTEIRO ADAPTADO
* Infiltrado na Klan, Charlie Wachtel, David Rabinowitz, Kevin Willmott e Spike Lee

FOTOGRAFIA
* Roma, Alfonso Cuarón

MONTAGEM
* Bohemian Rhapsody, John Ottman

DESENHO DE PRODUÇÃO
* Pantera Negra, Hannah Beachler e Jay Hart

FIGURINOS
* Pantera Negra, Ruth E. Carter

MAQUIAGEM
* Vice, Greg Cannom, Kate Biscoe, Patricia Dehaney

TRILHA MUSICAL ORIGINAL
* Pantera Negra, Ludwig Göransson

CANÇÃO ORIGINAL
* “Shallow”, Nasce uma Estrela (escrita por Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando e Andrew Wyatt)

MIXAGEM DE SOM
* Bohemian Rhapsody

EDIÇÃO DE SOM
* Bohemian Rahpsody

EFEITOS VISUAIS
* O Primeiro Homem

ANIMAÇÃO
* Homem-Aranha no Aranhaverso

DOCUMENTÁRIO
* Free Solo

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
* Roma (México)

CURTA-METRAGEM
* Skin

CURTA DE ANIMAÇÃO
* Bao

DOCUMENTÁRIO-CURTA
* Absorvendo o Tabu (Period. End of Sentence.)

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