GUILLERMO DEL TORO CONFIRMA SEU FAVORITISMO NO DGA AWARDS

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Guillermo del Toro posa com seu prêmio de Melhor Diretor do DGA Awards (pic by reuters)

COM ISSO, A FORMA DA ÁGUA PRATICAMENTE GARANTE UM OSCAR

Aconteceu no último sábado a 70ª cerimônia do DGA Awards, prêmio do sindicato de diretores, que reconheceu o novo trabalho do mexicano Guillermo del Toro como o melhor de 2017.

Pra quem ainda não é familiarizado com o histórico do prêmio, em 69 anos, o DGA só não acertou o vencedor do Oscar de Direção em sete ocasiões, sendo a última em 2013, quando Ben Affleck sequer foi indicado ao Oscar por Argo numa lambança bastante incomum.

Terceiro mexicano a vencer o DGA nos últimos dez anos (os outros foram Alejandro G. Iñárritu por Birdman e O Regresso, e Alfonso Cuarón por Gravidade), Guillermo del Toro bateu três indicados ao Oscar deste ano: Greta Gerwig (Lady Bird), Jordan Peele (Corra!) e Christopher Nolan (Dunkirk). O único estranho no ninho é Paul Thomas Anderson, que foi indicado por Trama Fantasma.

Como vem se esforçando em discursos de agradecimento, del Toro novamente buscou se alinhar ao momento pró-feminista numa tentativa de tornar seu filme relevante socialmente e ganhar alguns pontos com a Academia. “Inclusão é necessária porque não estamos ouvindo todas as outras histórias que precisam ser ouvidas,” disse o diretor no DGA.

Apesar dos esforços de del Toro elevar seu filme, e de ter conquistado o PGA (prêmio do sindicato de produtores), tenho minhas sérias dúvidas se isso bastará para A Forma da Água vencer o Oscar de Melhor Filme. Não podemos esquecer que La La Land trilhou o mesmo caminho ano passado e acabou cedendo o Oscar para Moonlight aos 48 do segundo tempo.

Ok, A Forma da Água tem uma protagonista latina (representando minorias e estrangeiros), tem uma atriz secundária negra (Octavia Spencer), tem um personagem homossexual (Richard Jenkins) e todo o simbolismo da protagonista não ser ouvida (ela é muda), mas diante de tempos tão turbulentos, me parece que a Academia não vai se satisfazer com uma fábula etnicamente correta.

Nesse quesito de refletir o momento, vejo Três Anúncios Para um Crime e Lady Bird com maiores chances.

DIRETOR ESTREANTE

Desde 2016, o DGA tem uma categoria para os diretores de primeira viagem. Este ano, que me desculpem os demais concorrentes, mas não tinham como não dar o prêmio ao Jordan Peele por Corra!. Por favor, sem esse papo de politicamente correto, hein? Peele conquistou todos os prêmios, inclusive esse, por méritos próprios ao explorar seus sentimentos de minoria racial num filme de terror permeado por pitadas de humor com maestria.

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Vencedor do DGA de Diretor Estreante: Jordan Peele por Corra! (pic by inquirer.net)

Se ele vencesse o DGA principal, não seria um prêmio mal atribuído, mas obviamente, quiseram fazer uma média e reconhecer o belo trabalho de direção de Guillermo del Toro, que vem amadurecendo seu estilo.

DOCUMENTÁRIO

Sem as mesmas estatísticas certeiras da categoria principal, o DGA de Direção de Documentário foi para Matthew Heineman de City of Ghosts, que acompanha um grupo de ativistas na Síria em guerra. Este é segundo DGA para Heineman, que venceu em 2015 por Cartel Land. Um dos favoritos ao Oscar, Visages Villages, de Agnès Varda e JR, sequer estava indicado ao DGA.

TELEVISÃO

As séries The Handmaid’s Tale, Veep e Big Little Lies foram as vencedoras no DGA. Curiosamente, Jean-Marc Vallée que tinha uma filmografia interessante no cinema com títulos como Clube de Compras Dallas, A Jovem Rainha Victoria e Livre, foi trabalhar na televisão e foi reconhecido pelo hit Big Little Lies.

VENCEDORES DO 70º DGA AWARDS

DIRETOR ESTREANTE
Jordan Peele (Corra!) 

DIRETOR
Guillermo del Toro (A Forma da Água)

DOCUMENTÁRIO
Matthew Heineman (City of Ghosts)

SÉRIE DRAMÁTICA
Reed Morano (The Handmaid’s Tale) Ep: “Offred”

SÉRIE DE COMÉDIA
Beth McCarthy-Miller (Veep) Ep: “Chicklet”

FILMES PARA TV E MINISSÉRIES
Jean-Marc Vallée (Big Little Lies)

VARIEDADES/TALK SHOW/NOTÍCIAS/ESPORTES – ESPECIAIS
Glenn Weiss (The 89th Annual Academy Awards)

VARIEDADES/TALK SHOW/NOTÍCIAS/ESPORTES – PROGRAMAÇÃO REGULAR
Don Roy King (Saturday Night Live) Ep: “Host: Jimmy Fallon”

PROGRAMAS DE REALITY
Brian Smith (MasterChef) Ep: “Vegas Deluxe & Oyster Shucks”

PROGRAMAS INFANTIS
Niki Caro (Anne with an E) Ep: “Your Will Shall Decide Your Destiny”

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OSCAR 2018: ‘A FORMA DA ÁGUA’ LIDERA COM 13 INDICAÇÕES. MARTIN MCDONAGH FICA DE FORA COMO DIRETOR POR ‘TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME’

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ANÚNCIO DAS INDICAÇÕES

Não sei porque nos últimos dois anos, a Academia tem inventado moda no anúncio dos indicados. Não tem muito segredo: coloquem alguém para falar em voz alta, um monitor atrás com as imagens dos filme indicados e pronto!

Fizeram uma série de mini curtinhas com atores sintetizando as especificações de cada categoria, mas na hora do anúncio, não se deram nem o trabalho de inserir imagens no telão dos filmes indicados.

Mas o pior de tudo foi a escolha dos apresentadores. Os atores Andy Serkis e Tiffany Haddish não têm química alguma, e mais grave ainda: Haddish errava a pronúncia de vários nomes dos indicados. Pô, peraí! Não podiam colocar alguém menos analfabeto? Ou pelo menos que tivesse treinado para se apresentar? Não sei como os indicados se sentiram, mas se eu fosse indicado, não gostaria que errassem meu nome de forma tão esculachada como aconteceu ao vivo.

Obviamente, o público presente no local do anúncio era formado por jornalistas, mas pelas risadas bem forçadas pras piadas sem graça da Tiffany Haddish, parecia que eram figurantes contratados pra dar risada como naquelas gravações de sitcoms.

OSCAR EM NÚMEROS

Como esperado, o recordista de indicações desta edição foi A Forma da Água com 13. Bem depois, vem Três Anúncios Para um Crime com sete indicações. Aliás, ambos são filmes da Fox Searchlight, que totalizou 20 indicações. E agora? Será que a Fox terá o mesmo respeito e liberdade sendo propriedade da Disney?

Dunkirk, da Warner Bros., conquistou oito respeitáveis indicações, inclusive para Filme e Diretor. Com seis indicações, O Destino de uma Nação e Trama Fantasma também tiveram boa aceitação.

Favoritos durante a primeira metade da temporada de premiações tiveram que se contentar com menos indicações: cinco para Lady Bird, quatro para Corra! e quatro para Me Chame Pelo Seu Nome.

Não é exatamente uma novidade, mas Meryl Streep conquistou sua 21ª indicação ao Oscar, batendo um novo recorde que parece inalcançável. The Post: A Guerra Secreta foi indicado a Melhor Filme, mas falhou em ser reconhecido pra Diretor, Ator (Tom Hanks), Roteiro, Montagem e Trilha Musical, portanto suas chances são bastante remotas neste ano.

E um fato super interessante desta edição: como não víamos há muito tempo, filmes de gênero estão bem representados. Além das 13 indicações para a FANTASIA A Forma da Água, temos o TERROR de Corra! (o último terror indicado a Melhor Filme foi Cisne Negro em 2011), temos a adaptação de HQ de Logan e temos as cinco indicações para a FICÇÃO CIENTÍFICA de Blade Runner 2049.

SURPRESAS E MARCAS HISTÓRICAS

As surpresas nas atuações ficaram nas categorias de Coadjuvantes. Christopher Plummer, que havia sido indicado ao Globo de Ouro, foi reconhecido aqui também por Todo o Dinheiro do Mundo, no qual substituiu às pressas o acusado de abusos contra menores Kevin Spacey. A indicação única para o filme no Oscar representa um prêmio de consolação para Ridley Scott, que lutou duramente contra o estúdio para refilmar as cenas de Spacey com Plummer.

Já na categoria feminina, a surpresa foi Lesley Manville por Trama Fantasma. Mais conhecida por filmes britânicos menores e por ter trabalhado com um dos melhores diretores de atores no cinema, Mike Leigh, em Um Ano Mais. Esta é sua primeira indicação ao Oscar.

Aliás, o novo filme de Paul Thomas Anderson foi aquele filme que chegou atrasado e já sentou na janelinha. A previsão era de que Trama Fantasma conquistasse no máximo umas três indicações: Ator (Daniel Day-Lewis), Figurino e Trilha Musical, mas acabou coletando Atriz Coadjuvante, Diretor para Anderson e Melhor Filme!

Rachel Morrison se tornou a primeira diretora de fotografia mulher a ser indicada ao Oscar de Melhor Fotografia em 90 anos de história. Ela concorre pelo filme Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi, que já estava concorrendo também ao ASC, prêmio do sindicato de Diretores de Fotografia, onde ela também foi a pioneira. Felizmente, seu trabalho foi reconhecido por méritos, e não por motivos politicamente corretos, como muitos podem pensar.

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A primeira diretora de fotografia indicada ao Oscar, Rachel Morrison, por Mudbound.

E Greta Gerwig se tornou a quinta mulher indicada na categoria de Direção por Lady Bird, assim como Jordan Peele se tornou o quinto negro a ser indicado na categoria por Corra!. E Christopher Nolan finalmente conseguiu conquistar sua primeira indicação de Diretor no Oscar por Dunkirk após duas indicações como roteirista por Amnésia e A Origem, e como produtor por A Origem.

Outra surpresa desta edição ficou por conta da indicação de Roteiro Adaptado de Logan. Como todos sabem, a Academia nunca levou à sério filmes baseados em quadrinhos de super-heróis, tanto que eles ficam limitados às categorias de efeitos visuais, efeitos sonoros, maquiagem… (única exceção feita ao Oscar de Heath Ledger, que incorporou Coringa em Batman: O Cavaleiro das Trevas), portanto uma indicação para Roteiro certamente é uma surpresa agradável. Apesar de ser baseado em HQ, Logan mais parece um filme futurista de ficção científica, o que certamente contribuiu para esse reconhecimento. Além disso, a Academia pode ter pensado em compensar a ausência de Deadpool no ano passado na mesma categoria.

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Hugh Jackman e Dafne Keen em cena de Logan, indicado ao Oscar de Roteiro Adaptado. pic by imdb.com

AUSÊNCIAS

A ausência mais sentida aqui foi de Martin McDonagh na categoria de Diretor. Embora seu roteiro tenha sido indicado, ele havia sido reconhecido pelo DGA, prêmio do sindicato de diretores. Sua ausência nessa categoria pode significar um enfraquecimento de Três Anúncios Para um Crime na votação de Melhor Filme, já que é um fato muito raro um filme ganhar o prêmio máximo da noite e sequer ter seu diretor indicado. A última vez que isso aconteceu foi em 2013, quando Ben Affleck foi “esquecido” por Argo numa trapalhada no calendário da Academia. O filme acabou levando Melhor Filme numa tentativa de compensar o erro. Antes disso, isso só aconteceu em 1990, quando Conduzindo Miss Daisy levou Melhor Filme sem seu diretor indicado.

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Martin McDonagh dirige Woody Harrelson em cena de Três Anúncios Para um Crime: indicação apenas pelo Roteiro Original

Embora muitos achem surpresa a ausência de James Franco como Melhor Ator por O Artista do Desastre, eu tinha certeza de que ele ficaria de fora por causa dos escândalos recentes de assédio de cinco mulheres logo depois do Globo de Ouro. Se a Academia tem pegado pesado nessa questão, expulsando inclusive o produtor Harvey Weinstein da associação, seria estranho e incoerente se indicassem Franco agora. Além disso, acredito que se ele fosse indicado, não haveria muito clima pro ator no tapete vermelho ou mesmo durante a cerimônia. Muitas mulheres iriam destratá-lo ou ignorá-lo. Resta saber se os roteiristas do filme vão aguentar o interrogatório sobre ele no evento. Minha opinião? Indicação para Franco já! Além da atuação, ele dirigiu o filme (garimpou ouro no filme de Tommy Wiseau, The Room). A Academia deveria reconhecer o trabalho. Deixem os pudicos julgarem o lado pessoal.

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No centro, James Franco dirige O Artista do Desastre. Sua indicação como Ator naufragou após as cinco denúncias de abuso. Pic by Variety

Ok, a tailandesa Hong Chau não foi indicada por Pequena Grande Vida. E daí? Acontece. E não somente porque ela é asiática ou oriental. Ela foi substituída por uma grande atriz, Lesley Manville, então não vejo nenhum problema. Se o pessoal do politicamente correto ficar resmungando por causa disso, tem que se tratar numa clínica psicológica. Se eu que sou asiático não estou ligando pra isso, por que alguém que não é deveria perder as estribeiras?? Vale lembrar que o novo filme de Alexander Payne recebeu péssimas críticas e talvez por isso, Hong Chau tenha ficado de fora.

Bom, a ausência de Tom Hanks aqui também não me surpreende. Ele pode ter recebido indicações do Globo de Ouro e do Critics’ Choice, que costumam ser puxa-sacos de celebridades, mas na Academia as coisas são diferentes: são os colegas de profissão de Hanks que votam nos indicados. Portanto, conclui-se de que não sou somente eu que pensa que Tom Hanks tem interpretado a si mesmo nos nas últimas duas décadas. Ele pode ter um carisma fenomenal, mas sua capacidade de atuação não é a mesma dos anos 90.

Vale a pena ressaltar aqui as ausências dos coadjuvantes de Me Chame Pelo Seu Nome: Armie Hammer e Michael Stuhlbarg. Ambos foram indicados pelo Critics’ Choice, e Hammer também foi reconhecido pelo Globo de Ouro. Hammer tem uma boa presença no filme, e Stuhlbarg é mais reconhecido pelo monólogo final sobre se apaixonar, contudo, para ser indicado ao Oscar, acho que faltaram mais cenas desses personagens, algo que dissesse ao espectador que são táteis e tridimensionais.

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Ao fundo, os coadjuvantes Michael Stuhlbarg e Armie Hammer em cena de Me Chame Pelo seu Nome com Amira Casar e Timothée Chalamet. Pic by imdb.com

E pelamor de deus, não me venham com esse papo de “ausência relevante” de Mulher-Maravilha! A Academia pode ter errado muuuuito nas últimas décadas, mas felizmente soube enxergar que o filme da heroína amazona dirigido por Patty Jenkins nada mais é do que hype momentâneo que pegou carona com o movimento feminista, apoiado por seu sucesso de bilheteria.

MINHA TORCIDA

Sobre os filmes de 2017, cansei de falar que o melhor filme foi Corra!, de Jordan Peele. Um filme que soube abordar o tema do racismo como nenhum outro, sabendo dosar drama, humor negro e tensão na medida certa. E isso tudo é mérito total de Peele, que escreveu o roteiro baseado no sentimento horrível que ele tinha de se sentir acuado como minoria. Não sei se tem chances reais de ganhar uma estatueta, mas ponto pra Academia que incluiu esta pérola do cinema nas indicações.

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Racismo tratado como nunca em Corra!, de Jordan Peele (pic by imdb.com)

Gostei também de ver Timothée Chalamet indicado como Ator por Me Chame Pelo Seu Nome. Esse menino prodígio tem um grande futuro no cinema! Se o filme não foi tão bem aceito pela Academia, pelo menos foi indicado a Melhor Filme.

Não sou da onda politicamente correta, mas foi bacana ver Greta Gerwig indicada. Muitas e muitas mulheres, sejam artistas ou cinéfilas, elogiaram bastante Lady Bird por saber retratar como nunca o universo feminino e suas incertezas da juventude. Não sei se tem chances de levar Diretor, mas pode levar Roteiro Original. Gostaria que o filme levasse Atriz Coadjuvante para Laurie Metcalf, mas o favoritismo de Allison Janney chega a espantar.

Só mais um adendo que não vi ninguém comentar até agora. Se indicaram a Direção de Arte e Figurino de A Bela e a Fera, deveriam ter indicado os artistas que fizeram essas funções no longa de animação homônimo de 1991, já que esse live-action é uma cópia deslavada. Como os próprios nomes em inglês dizem: Production Design e Costume Design, ou seja, estão reconhecendo o design, que veio da animação. Não sou purista, nem nada do tipo, mas acho hipocrisia reconhecer o mesmo trabalho duas vezes. Só espero que não ganhe nenhuma estatueta, porque daí seria demais…

INDICADOS AO 90th ACADEMY AWARDS:

MELHOR FILME
* Me Chame Pelo Seu Nome (Call me by Your Name)
* O Destino de uma Nação (Darkest Hour)
* Dunkirk (Dunkirk)
* Corra! (Get Out)
* Lady Bird: É Hora de Voar (Lady Bird)
* Trama Fantasma (Phantom Thread)
* The Post: A Guerra Secreta (The Post)
* A Forma da Água (The Shape of Water)
* Três Anúncios Para um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)

MELHOR DIRETOR
* Christopher Nolan (Dunkirk)
* Jordan Peele (Corra!)
* Greta Gerwig (Lady Bird)
* Paul Thomas Anderson (Trama Fantasma)
* Guillermo del Toro (A Forma da Água)

MELHOR ATOR
* Timothée Chalamet (Me Chame Pelo Seu Nome)
* Daniel Day-Lewis (Trama Fantasma)
* Daniel Kaluuya (Corra!)
* Gary Oldman (O Destino de uma Nação)
* Denzel Washington (Roman J. Israel, Esq.)

MELHOR ATRIZ
* Sally Hawkins (A Forma da Água)
* Frances McDormand (Três Anúncios Para um Crime)
* Margot Robbie (Eu, Tonya)
* Saoirse Ronan (Lady Bird)
* Meryl Streep (The Post: A Guerra Secreta)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
* Willem Dafoe (Projeto Flórida)
* Woody Harrelson (Três Anúncios Para um Crime)
* Richard Jenkins (A Forma da Água)
* Christopher Plummer (Todo o Dinheiro do Mundo)
* Sam Rockwell (Três Anúncios Para um Crime)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
* Mary J. Blige (Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi)
* Allison Janney (Eu, Tonya)
* Lesley Manville (Trama Fantasma)
* Laurie Metcalf (Lady Bird)
* Octavia Spencer (A Forma da Água)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
* Kumail Nanjiani, Emily V. Gordon (Doentes de Amor)
* Jordan Peele (Corra!)
* Greta Gerwig (Lady Bird)
* Guillermo del Toro e Vanessa Taylor (A Forma da Água)
* Martin McDonagh (Três Anúncios Para um Crime)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
* James Ivory (Me Chame Pelo Seu Nome)
* Scott Neustadter, Michael H. Weber (O Artista do Desastre)
* Scott Frank, James Mangold, Michael Green (Logan)
* Aaron Sorkin (A Grande Jogada)
* Virgil Williams, Dee Rees (Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi)

MELHOR FOTOGRAFIA
* Roger Deakins (Blade Runner 2049)
* Bruno Delbonel (O Destino de uma Nação)
* Hoyte van Hoytema (Dunkirk)
* Rachel Morrison (Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi)
* Dan Laustsen (A Forma da Água)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
* Sarah Greenwood, Katie Spencer (A Bela e a Fera)
* Dennis Gassner, Alessandra Querzola (Blade Runner 2049)
* Sarah Greenwood, Katie Spencer (O Destino de uma Nação)
* Nathan Crowley, Gary Fettis (Dunkirk)
* Paul D. Austerberry, Shane Vieau, Jeffrey A. Melvin (A Forma da Água)

MELHOR MONTAGEM
* Paul Machliss, Jonathan Amos (Em Ritmo de Fuga)
* Lee Smith (Dunkirk)
* Tatiana S. Riegel (Eu, Tonya)
* Sidney Wolinsky (A Forma da Água)
* John Gregory (Três Anúncios Para um Crime)

MELHOR FIGURINO
* Jacqueline Durran (A Bela e a Fera)
* Luis Sequeira (A Forma da Água)
* Jacqueline Durran (O Destino de uma Nação)
* Mark Bridges (Trama Fantasma)
* Consolata Boyle (Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha)

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
* Kazuhiro Tsuji, David Malinowski, Lucy Sibbick (O Destino de uma Nação)
* Daniel Phillips, Loulia Sheppard (Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha)
* Arjen Tuiten (Extraordinário)

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
* Hans Zimmer (Dunkirk)
* Jonny Greenwood (Trama Fantasma)
* Alexandre Desplat (A Forma da Água)
* John Williams (Star Wars: Os Últimos Jedi)
* Carter Burwell (Três Anúncios Para um Crime)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
* “Mighty River”, de Raphael Saadiq, Mary J. Blige, Taura Stinson (Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi)
* “Mystery of Love”, de Sufjan Stevens (Me Chame Pelo Seu Nome)
* “Remember Me”, de Kristen Anderson-Lopez, Robert Lopez (Viva: A Vida é uma Festa!)
* “Stand up for Something”, de Common, Diane Warren (Marshall)
* “This is Me”, de Benj Pasek, Justin Paul (O Rei do Show)

MELHOR SOM
* Tim Cavagin, Mary H. Ellis, Julian Slater (Em Ritmo de Fuga)
* Ron Bartlett, Doug Hemphill, Mac Ruth (Blade Runner 2049)
* Gregg Landaker, Gary Rizzo, Mark Weingarten (Dunkirk)
* Christian T. Cooke, Glen Gauthier, Brad Zoern (A Forma da Água)
* Michael Semanick, David Parker, Stuart Wilson, Ren Klyce (Star Wars: Os Últimos Jedi)

MELHORES EFEITOS SONOROS
* Julian Slater (Em Ritmo de Fuga)
* Mark A. Mangini, Theo Green (Blade Runner 2049)
* Richard King, Alex Gibson (Dunkirk)
* Nathan Robitaille, Nelson Ferreira (A Forma da Água)
* Matthew Wood, Ren Klyce (Star Wars: Os Últimos Jedi)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
* John Nelson, Ger Jeff White, Scott Benza, Michael MeiardusNefzer, Paul Lambert, Richard R. Hoover (Blade Runner 2049)
* Christopher Townsend, Guy Williams, Jonathan Fawkner, Daniel Sudick (Guardiões da Galáxia Vol. 2)
* Stephen Rosenbaum, Jeff White, Scott Benza, Michael Meinardus (Kong: A Ilha da Caveira)
* Ben Morris, Michael Mulholland, Neal Scanlan, Chris Corbould (Star Wars: Os Últimos Jedi)
* Joe Letteri, Daniel Barrett, Dan Lemmon, Joel Whist (Planeta dos Macacos: A Guerra)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
* Uma Mulher Fantástica (CHILE)
* O Insulto (LÍBANO)
* Desamor (RÚSSIA)
* Corpo e Alma (HUNGRIA)
* The Square: A Arte da Discórdia (SUÉCIA)

MELHOR ANIMAÇÃO
* O Poderoso Chefinho (The Boss Baby)
* The Breadwinner
* Viva: A Vida é uma Festa! (Coco)
* O Touro Ferdinando (Ferdinand)
* Com Amor, Van Gogh (Loving Vincent)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
* Abacus: Small Enough to Jail
* Faces Places
* Ícaro
* Last Men in Aleppo
* Strong Island

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
* Edith + Eddie
* Heaven is a Traffic Jam on the 405
* Heroin(e)
* Knife Skills
* Traffic Stop

MELHOR CURTA-METRAGEM
* DeKalb Elementary
* The Eleven O’Clock
* My Nephew Emmett
* The Silent Child
* Watu Wote: All of Us

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
* Dear Basketball
* Garden Party
* LOU
* Negative Space
* Revolting Rhymes Part One

***

A 90ª cerimônia do Oscar está marcada para o dia 04 de março.

SEM SURPRESAS, SAG PREMIA ‘TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME’ com 3 prêmios

24th Screen Actors Guild Awards – Show – Los Angeles

Elenco de Três Anúncios Para um Crime vence prêmio de Ensemble Cast no SAG Awards (pic by Malay Mail Online)

PRÊMIO DO SINDICATO DE ATORES REPETE OS MESMOS VENCEDORES

Depois do Globo de Ouro e Critics’ Choice Awards, foi a vez do SAG repetir os atores vencedores das quatro categorias: Gary Oldman, Frances McDormand, Sam Rockwell e Allison Janney. Essa trinca de vitórias importantes consecutivas praticamente garante a estatueta do Oscar para os mesmos, mas existe um pequeno detalhe a considerar: este ano, as indicações ao Oscar serão anunciadas depois do SAG (devido às Olimpíadas de Inverno na Coréia do Sul).

Amanhã, dia 23, se o anúncio dos indicados ao Oscar revelar candidatos-surpresa como uma Kate Winslet (por Roda Gigante) ou uma Daniela Vega (atriz trans do filme chileno Uma Mulher Fantástica) por exemplo, teria Frances McDormand seu reinado garantido? E como todos sabem, a Academia sempre busca lançar alguma surpresa nessas categorias, justamente para impactar alto na temporada e conquistar maiores números de audiência.

HOSTESS PARA…?

Seguindo a tendência de protesto feminista das premiações deste ano, o SAG procurou se expressar de alguma forma, então resolveu escalar a atriz Kristen Bell como a primeira hostess da cerimônia (em 23 anos, nunca houve hosts) e convidou apenas mulheres para apresentar os prêmios da noite.

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Primeira hostess do SAG Awards, a atriz Kristen Bell: não fede, nem cheira (pic by Zimbio)

Entendo que se o SAG não fizesse absolutamente nada a respeito dos escândalos sexuais, cairia mal para os organizadores do evento e do próprio sindicato, afinal, boa parte das vítimas foram atrizes, mas achei desnecessária a presença breve de Kristen Bell, que deu apenas uma cutucadinha na Primeira Dama, Melania Trump, ao criticar o cyberbullying (do presidente Trump) e soltou umas declarações já bem batidas sobre o movimento feminista. E convenhamos que ela não tem cacife pra representar as mulheres…

Querem ser relevantes de forma eficiente sem perder a classe? Convoquem todas as atrizes que sofreram assédio ou abuso para abrir a cerimônia e dizer palavras de conforto para outras vítimas e instruções de como se portar em caso de assédio. Já que foram expostas pela mídia, poderiam dar suporte às outras colegas de trabalho de forma mais aberta, ao mesmo tempo em que mostra para o mundo que Hollywood está trabalhando para mudar o sistema.

DOS VENCEDORES

Se A Forma da Água tem fortes chances em categorias técnicas como Direção, Fotografia e Direção de Arte, o filme Três Anúncios Para um Crime tem as melhores chances nas categorias de roteiro original e de atuação. Assim, Sam Rockwell venceu o prêmio de Ator Coadjuvante pelo papel do policial que busca a redenção, e Frances McDormand venceu como Atriz pela personagem Mildred Hayes, que quer acabar com a impunidade depois do assassinato de sua filha.

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Frances McDormand e Peter Dinklage têm uma estranha relação em Três Anúncios Para um Crime (pic by imdb.com)

Aliás, Frances entrou para a história do SAG já que se tornou a primeira a ganhar duas vezes o prêmio de Melhor Atriz. Ele venceu há mais de 20 anos com Fargo em 1997. Além disso, Três Anúncios Para um Crime ficou com o cobiçado prêmio de Ensemble Cast (Elenco). Nos últimos 5 anos, três filmes que venceram o prêmio acabaram conquistando o Oscar de Melhor Filme: Spotlight, Birdman e Argo.

Além do fator surpresa não ter marcado presença no SAG Awards, fiquei com expectativa de que Laurie Metcalf (Lady Bird) ou Willem Dafoe (Projeto Flórida) pudessem ganhar e dar aquela embaralhada nos favoritismos de Janney e Rockwell, respectivamente. Seria algo mais “saudável” em termos de competição… mas de qualquer forma, os atores que venceram também mereceram as honrarias.

Com as derrotas de Metcalf, Saoirse Ronan e do elenco, Lady Bird foi o filme mais perdedor desta edição, saindo de mãos vazias. Havia uma possibilidade de Ronan ou Sally Hawkins (A Forma da Água) baterem McDormand se os votantes levassem em consideração que a última venceu o SAG de Atriz em Minissérie há apenas três anos com Olive Kitteridge, mas esse fato não contou muito.

 

Pelos prêmios televisivos, a maior surpresa foi Claire Foy (The Crown) derrotando a franco-favorita Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale). Talvez a saída da atriz da série seja uma forma de reconhecê-la pela última vez. E o momento mais solene foi a vitória de Julia Louis-Dreyfus como Atriz em Série de Comédia por Veep. Ela não estava presente na cerimônia, pois está se tratando do câncer de mama, revelado em setembro de 2017.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VENCEDORES DO 24º SCREEN ACTORS GUILD AWARDS:

Outstanding Performance by a Male Actor in a Leading Role:
Gary Oldman (O Destino de uma Nação)

Outstanding Performance by a Female Actor in a Leading Role:
Frances McDormand (Três Anúncios Para um Crime)

Outstanding Performance by a Male Actor in a Supporting Role:
Sam Rockwell (Três Anúncios Para um Crime)

Outstanding Performance by a Female Actor in a Supporting Role:
Allison Janney (Eu, Tonya)

Outstanding Performance by a Cast in a Motion Picture:
Três Anúncios Para um Crime

Outstanding Performance by a Male Actor in a Television Movie or Miniseries:
Alexander Skarsgard (Big Little Lies)

Outstanding Performance by a Female Actor in a Television Movie or Miniseries:
Nicole Kidman (Big Little Lies)

Outstanding Performance by a Male Actor in a Drama Series:
Sterling K. Brown (This Is Us)

Outstanding Performance by a Female Actor in a Drama Series:
Claire Foy (The Crown)

Outstanding Performance by a Male Actor in a Comedy Series:
William H. Macy (Shameless)

Outstanding Performance by a Female Actor in a Comedy Series:
Julia Louis-Dreyfus (Veep)

Outstanding Performance by an Ensemble in a Drama Series:
This Is Us

Outstanding Performance by an Ensemble in a Comedy Series:
Veep

Outstanding Action Performance by a Stunt Ensemble in a Comedy or Drama Series:
Game of Thrones

Outstanding Action Performance by a Stunt Ensemble in a Motion Picture:
Mulher-Maravilha

‘Deadpool’ compete no PGA com ‘La La Land’, ‘Moonlight’ e ‘A Qualquer Custo’

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Ben Foster e Chris Pine em cena de A Qualquer Custo, de David Mackenzie. Pic by moviepilot.de

SELECIONADOS DEMONSTRAM DIVERSIDADE DE GÊNEROS: SCI-FI, QUADRINHOS, DRAMAS, GUERRA E MUSICAL

Nesta terça, dia 10, o sindicato dos produtores, Producers Guild of America (PGA), elegeu seus 10 melhores do ano. Os selecionados certamente tiveram suas chances ampliadas para o Oscar. Os excluídos praticamente são cartas fora do baralho.

  • ATÉ O ÚLTIMO HOMEM (Hacksaw Ridge)
  • CERCAS (Fences)
  • A CHEGADA (Arrival)
  • DEADPOOL (Deadpool)
  • ESTRELAS ALÉM DO TEMPO (Hidden Figures)
  • LA LA LAND: CANTANDO ESTAÇÕES (La La Land)
  • LION: UMA JORNADA PARA CASA (Lion)
  • MANCHESTER À BEIRA-MAR (Manchester by the Sea)
  • MOONLIGHT: SOB A LUZ DO LUAR (Moonlight)
  • A QUALQUER CUSTO (Hell or High Water)

Logo após conquistar todos os sete Globos de Ouros a que estava indicado, o musical de Damien Chazelle, La La Land, continua sua trajetória vitoriosa ao garantir vaga no PGA. Se o vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme – Comédia ou Musical está dentro, o vencedor de Filme – Drama, Moonlight, também está na lista, tornando-se uma possível pedra no sapato de La La Land.

E particularmente, gostei da indicação de A Qualquer Custo.Trata-se de uma produção modesta, mas que tem muito a dizer. Sua trama sobre roubos a banco tem um fundo político que reflete bastante a realidade atual, e seus personagens são muito bem defendidos por todos os atores: dos principais como Ben Foster, Chris Pine e Jeff Bridges até as garçonetes que tem uma cena e os quase figurantes. Há sequências e diálogos que me lembram dos filmes dos irmãos Coen como Fargo e Onde os Fracos Não Têm Vez, que são excelentes referências para qualquer cineasta.

Embora tenha sido indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme – Comédia ou Musical, a entrada de Deadpool aqui não deixa de ser uma surpresa, afinal quando se trata de premiações sérias, as adaptações de quadrinhos só costumam ser lembradas nas categorias de efeitos visuais, efeitos sonoros e som. O filme estrelado por Ryan Reynolds é a primeira baseada em HQs a ser indicada ao PGA desde Batman – O Cavaleiro das Trevas em 2009. Resta saber se Deadpool terá mais êxito ao ser indicado para o Oscar de Melhor Filme, já que o longa de Christopher Nolan morreu na praia. Quer dizer, levou duas estatuetas (Ator Coadjuvante para Heath Ledger e Efeitos Sonoros), mas não estava entre os cinco indicados a Filme. Aliás, foi graças ao filme de Nolan que a Academia passou a indicar dez filmes no ano seguinte.

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WAAAIT! Cena de ação de Deadpool: a piada das calças marrons. Pic by cinemagia.ro

A lista de excluídos inclui alguns títulos que podem surpreender na lista da Academia como o esquecido Silêncio, de Martin Scorsese, ou Animais Noturnos (que se deu bem no BAFTA – veja matéria a seguir) ou até mesmo Florence: Quem é Essa Mulher? que pode muito bem ser impulsionado pela força do elenco e até de categorias como Direção de Arte e Figurino. Mas, por enquanto, para eles fica a torcida para que haja reviravoltas que eles possam aproveitar até o dia 24 de janeiro, quando as indicações ao Oscar serão anunciadas.

Já outras produções como 20th Century Women, Capitão Fantástico e Sully: O Herói do Rio Hudson podemos considerar praticamente cartas fora do baralho, tendo como base seu histórico nas premiações anteriores como Critics’ Choice e Globo de Ouro. Aliás, o filme de Clint Eastwood foi uma das maiores decepções até o momento, pois o mais relevante que conseguiu até agora foi a indicação de Tom Hanks no Critics’. Sendo otimista, diria que Sully consegue no máximo uma indicação para Melhor Montagem.

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Da esquerda para direita: Janelle Monáe, Taraji P. Henson e Octavia Spencer em cena de Estrelas Além do Tempo, de Theodore Melfi. Pic by moviepilot.de

As estatísticas do PGA em relação ao Oscar não é tão boa como do DGA (sindicato dos diretores), mas 19 acertos nos 27 anos é considerável. Inclusive, vinha de uma ótima sequência de oito acertos: Birdman, 12 Anos de Escravidão, Argo, O Artista, O Discurso do Rei, Guerra ao Terror, Quem Quer Ser um Milionário? e Onde os Fracos Não Têm Vez, até o ano passado, quando o PGA optou por premiar A Grande Aposta e o Oscar, Spotlight – Segredos Revelados. Mas vamos dar um desconto porque 2016 foi um ano bem dividido entre esses dois filmes e O Regresso, além de Mad Max: Estrada da Fúria.

***

Os vencedores do PGA serão anunciados no dia 28 de janeiro.

Alejandro G. Iñárritu, George Miller, Tom McCarthy, Ridley Scott e Adam McKay conquistam indicação ao DGA 2016

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Do alto, da esquerda para direita: Adam McKay, Ridley Scott, Tom McCarthy, Alejandro González Iñárritu e George Miller (photo montage by awardsdaily.com)

DIRETOR BRASILEIRO, FERNANDO COIMBRA, É RECONHECIDO POR NOVA CATEGORIA PARA ESTREANTES

Por se tratar de um dos melhores parâmetros para o Oscar (se não o melhor), o DGA é praticamente garantia de que o vencedor aqui leva o prêmio de direção da Academia em seguida. E quem estiver fora dessa lista, pode praticamente dar adeus a uma vitória no Oscar. Nesse caso, os excluídos Todd Haynes (Carol) e Steven Spielberg (Ponte dos Espiões) podem até conquistar uma indicação ao Oscar na quinta-feira, mas chances reais de vitória caem drasticamente.

Pra quem não se recorda, vale lembrar que em 67 anos de existência, o DGA só não coincidiu com o vencedor do Oscar de diretor em apenas 7 ocasiões:

  • Em 1968: Anthony Harvey ganhou o DGA Award por O Leão no Inverno, enquanto Carol Reed levou o Oscar por Oliver!
  • Em 1972: Francis Ford Coppola por O Poderoso Chefão (DGA) e Bob Fosse por Cabaret (Oscar).
  • Em 1985: Steven Spielberg por A Cor Púrpura (DGA), e Sydney Pollack por Entre Dois Amores (Oscar).
  • Em 1995: Ron Howard por Apollo 13 (DGA), e Mel Gibson por Coração Valente (Oscar).
  • Em 2000: Ang Lee por O Tigre e o Dragão (DGA) e Steven Soderbergh por Traffic (Oscar).
  • Em 2002: Rob Marshall por Chicago (DGA) e Roman Polanski por O Pianista (Oscar).
  • Em 2013: Ben Affleck por Argo (DGA) e Ang Lee por As Aventuras de Pi (Oscar).

Pra ser bem sincero, acredito que Adam McKay deve ceder sua vaga no Oscar para Haynes, o que fortaleceria suas chances de ganhar como roteirista por A Grande Aposta.

Enfim… as indicações ao DGA foram anunciadas hoje, dia 12, e o presidente do sindicato, Paris Barclay, aproveitou para elogiar os trabalhos de 2015: “O que faz com que este ano seja diferente é a ambição desenfreada dos indicados – no tema , na produção, na imaginação visual. O que faz com que este ano seja o mesmo é que os filmes foram todos escolhidos pelos colegas dos diretores, e é claro que nossos membros adoram quando as pessoas usam sua visão e habilidade para elevar os meios para novos patamares. Parabéns a todos os indicados por seu trabalho incrível.”

Pelo discurso, parecia que ele estava elogiando o trabalho ousado de George Miller em Mad Max: Estrada da Fúria, o que talvez soaria como um indicativo de que este pode ser o primeiro DGA de Miller, mas ele terá dura competição pela frente, com um imbatível Alejandro González Iñárritu, que acaba de levar o Globo de Ouro por O Regresso, e Ridley Scott por Perdido em Marte, que está com cara de que pode levar mais pelo conjunto de sua obra do que pelo filme em si.

Nesta 68ª edição, o DGA resolveu criar uma nova categoria destinada a diretores estreantes, tamanho o talento encontrado em novos diretores. Por se tratar de um prêmio novíssimo, não dá pra saber ainda se ele terá algum tipo de impacto no Oscar, mas definitivamente, trata-se de um reconhecimento merecido.

Além de figuras mais conhecidas como Alex Garland (que roteirizou Extermínio, Sunshine – Alerta Solar e Não me Abandone Jamais) e Joel Edgerton (ator de Reino Animal, Guerreiro e O Grande Gatsby), o diretor brasileiro Fernando Coimbra foi indicado por seu trabalho no bom e tenso thriller O Lobo Atrás da Porta, uma espécie de Atração Fatal carioca. Ele, que já vinha em ascensão com a direção de episódios da série Narcos e agora filmando Sand Castle, longa estrelado por Henry Cavill e Nicholas Hoult, passa a ter mais destaque no cenário internacional com esta indicação. Espero que ele prospere e siga a trajetória de sucesso de nossos diretores Walter Salles, Fernando Meirelles e José Padilha.

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Em primeiro plano, Leandra Leal em cena de O Lobo Atrás da Porta, de Fernando Coimbra (photo by cinemaorama.com.br)

 

Seguem os indicados a Diretor:

ALEJANDRO GONZÁLEZ IÑÁRRITU (O Regresso)

Alejandro González IñárrituVencedor do DGA de 2015 por Birdman, esta é sua terceira indicação. Perdeu em 2007 por Babel. Como cinéfilo e admirador do diretor desde seu primeiro longa Amores Brutos (2000), acredito que ele evoluiu bastante. Por um momento, temi que ele fosse se limitar à estrutura narrativa de histórias paralelas que se cruzam com uma tragédia, mas ele conseguiu se superar com Biutiful e Birdman, e promete ser um daqueles raros diretores que buscam inovações a cada novo trabalho. Com a colaboração inestimável de seu DP (diretor de fotografia) Emmanuel Lubezki, Iñárritu se mostra promissor e deve conquistar pelo menos mais uma estatueta do Oscar.

TOM McCARTHY (Spotlight – Segredos Revelados)

Tom McCarthyFoi atuando como ator que Tom McCarthy começou a observar o trabalho dos diretores. Por estar no elenco, viu de perto o modo de trabalho de Richard Donner em Teoria da Conspiração, George Clooney em Boa Noite e Boa Sorte e Clint Eastwood em A Conquista da Honra. Logo em seu primeiro filme como diretor, em O Agente da Estação, foi premiado pelo BAFTA, Independent Spirit e Sundance. Em seguida dirigiu dois bons trabalhos em O Visitante e Ganhar ou Ganhar – A Vida é um Jogo, mas em 2014, resolveu dirigir um filme bem ruinzinho estrelado por Adam Sandler, Trocando os Pés. Felizmente, voltou a um cinema mais consistente em Spotlight – Segredos Revelados. Esta é sua primeira indicação ao DGA.

ADAM McKAY (A Grande Aposta)

Adam McKaySe olharmos para a filmografia de Adam McKay, encontraremos exemplares das comédias estreladas por Will Ferrell como Ricky Bobby – A Toda Velocidade, Quase Irmãos e Os Outros Caras, filmes que dificilmente seriam reconhecidos no Oscar ou mesmo no DGA. Imagino que deve ter amadurecido seu feeling e timing cômico nessa trama sobre a crise econômica de A Grande Aposta. Espero. Esta é sua primeira indicação ao DGA.

 

GEORGE MILLER (Mad Max: Estrada da Fúria)

George MillerGeorge Miller era daqueles diretores que eu pensava: “Por que esse cara nunca foi reconhecido pela Academia?” Ele dirigiu uma das melhores trilogias do cinema: Mad Max. E nada! Então, ele passou a ser mais sentimentalista (ou passou a se vender – dependendo do ponto de vista) dirigindo dramas como O Óleo de Lorenzo (1992) e dirigir filmes fofinhos como Babe – O Porquinho Atrapalhado na Cidade (1998) e animação Happy Feet: O Pingüim (2006) e sua continuação. Acho que só o fato de ele ter conseguido convencer o estúdio a lhe dar carta branca pra fazer esse insano e politicamente incorreto Mad Max: Estrada da Fúria em tempos de cinema careta já foi uma vitória incontestável. Esta é sua primeira indicação ao DGA.

RIDLEY SCOTT (Perdido em Marte)

Ridley ScottEu tinha uma grande admiração por Ridley Scott. Ele dirigiu duas das melhores ficções científicas da História do Cinema: Alien, o Oitavo Passageiro (1979) e Blade Runner – O Caçador de Andróides (1982), mas desde que o vi com aquela cara de mau perdedor no Oscar 2001, quando competia por Gladiador e perdeu para Steven Soderbergh (Traffic), fiquei com a expressão: “Esse mau perdedor aí é o diretor de Alien?”. Seu novo filme Perdido em Marte é uma boa ficção científica que tem como mérito ser otimista, algo muito raro no gênero. Acredito que tem grandes chances aqui e no Oscar, porém mais por sua filmografia que inclui o cult Thelma & Louise, Os Duelistas e Chuva Negra. Esta é sua quarta indicação ao DGA. Ele foi indicado antes por Thelma & Louise, Gladiador e Falcão Negro em Perigo.

Seguem os indicados a Melhor Diretor Estreante:

  • Fernando Coimbra (O Lobo Atrás da Porta)
  • Joel Edgerton (O Presente)
  • Alex Garland (Ex-Machina: Instinto Artificial)
  • Marielle Heller (O Diário de uma Adolescente)
  • László Nemes (O Filho de Saul)

 

O 68º DGA Awards acontece no dia 06 de fevereiro.

‘Perdido em Marte’ compete pelo Eddie Awards 2016 com ‘Mad Max’, ‘O Regresso’ e ‘Sicario’

Emily Blunt como a agente Kate Macer em Sicario: Terra de Ninguém (photo by cinemagia.ro)

Emily Blunt como a agente Kate Macer em Sicario: Terra de Ninguém (photo by cinemagia.ro)

A CATEGORIA DE DRAMA AINDA RECONHECEU ‘STAR WARS’, DEIXANDO ‘SPOTLIGHT’ DE FORA

Oláááá! Primeiramente, Feliz Ano Novo para todos que acompanham o blog! Espero que tenham passado bem a virada!

Bom, começo o ano de 2016 com o anúncio dos indicados ao Eddie Awards, o prêmio do sindicato dos montadores/editores. Como o Globo de Ouro, as categorias se dividem em Dramática e Comédia ou Musical, além, claro, de Documentário e Animação. Curiosamente, essa divisão por gêneros vem causando divergências entre os prêmios, uma vez que algumas produções não se encaixam exatamente como Drama ou Comédia. Minha sugestão oficial seria unificar em uma única categoria, porém uma consequência direta disso poderia ser a desvalorização das comédias, que naturalmente perderiam espaço na temporada de premiações. E a outra sugestão, a não-oficial, seria criar uma nova categoria intitulada “Dramédia”, mas como não é considerado nem gênero…

Nessa questão, o filme Perdido em Marte tem sofrido uma peculiaridade esquizofrênica. No Globo de Ouro, atendendo a uma campanha disposta a ganhar prêmios, foi classificado como Comédia. Como compete com filmes de menor expressão como Descompensada e A Espiã que Sabia de Menos, suas chances são infinitamente melhores do que se estivesse competindo como Drama. Mas aqui no Eddie Awards, o sindicato incluiu a ficção científica de Ridley Scott como Drama. O montador Pietro Scalia, vencedor do Oscar por Falcão Negro em Perigo em 2002, não terá vida fácil ao concorrer com Stephen Mirrione (O Regresso) e Joe Walker (Sicario: Terra de Ninguém).

Matt Damon e sua plantação de batatas em Perdido em Marte (photo by cinemagia.ro)

Matt Damon e sua plantação de batatas em Perdido em Marte (photo by cinemagia.ro)

Ainda sobre a categoria Drama, trata-se do primeiro reconhecimento de algum sindicato para o mega-blockbuster Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força. O novo filme da saga estelar tem números impressionantes em apenas 3 semanas de exibição nos EUA, batendo recorde atrás de recorde, com mais de 700 milhões de dólares apenas em solo americano.

Star Wars ficou com a vaga de um forte candidato ao Oscar: o drama jornalístico Spotlight – Segredos Revelados. Com um roteiro consistente e corajoso, a montagem costuma ser reconhecida juntamente, mas não foi o caso do filme de Tom McCarthy.

Kylo Ren em confronto com Finn e Rey em Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força (photo by cinemagia.ro)

Kylo Ren em confronto com Finn e Rey em Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força (photo by cinemagia.ro)

Curiosamente, a última produção que levou o Oscar de Melhor Filme sem contar com uma indicação ao ACE (Eddie Awards) foi Conduzindo Miss Daisy, há 26 anos, fato este que pode influenciar na trajetória de Spotlight no Oscar. Já entre os vencedores de Melhor Filme sem contar com a indicação de montagem, temos um hiato de 33 anos, de Birdman de 2015 ao Gente Como a Gente em 1981.

Pela categoria de Comédia ou Musical, o franco-favorito é A Grande Aposta. Sua trama de crise financeira, que também é forte candidata ao Oscar de Roteiro Adaptado, permite o entrelaçamento de vários personagens, o que evidencia o complexo trabalho da montagem. Entre os demais concorrentes, Joy: O Nome do Sucesso e Eu, Você e a Garota que Vai Morrer são os destaques.

Cena de vários personagens em A Grande Aposta (photo by cinemagia.ro)

Cena de vários personagens em A Grande Aposta (photo by cinemagia.ro)

Já na categoria de Animação, dois filmes da Pixar competem com Anomalisa, enquanto entre os documentários, temos três fortes candidatos sobre músicos, Amy, Cobain: Montage of Heck e The Wrecking Crew, competindo com um sobre a religião da Cientologia (Going Clear: Scientology and the Prison of Belief) e outro sobre a figura política da jovem Malala.

Só para constar, nos 5 anos anteriores, o ACE previu apenas dois vencedores do Oscar: William Goldenberg (Argo) e Angus Wall e Kirk Baxter (A Rede Social), mesmo contando vencedores das duas categorias.

Pelas categorias de televisão e streaming, séries que costumam marcar presença no Globo de Ouro e Emmy concorrem por seus episódios. Comédias como Silicon Valley e Veep, e dramas como Games of Thrones e Better Call Saul foram indicadas.

Seguem os indicados para o 66º Eddie Awards:

CINEMA

Melhor Montagem – Drama
– Margaret Sixel (Mad Max: Estrada da Fúria)
– Pietro Scalia (Perdido em Marte)
– Stephen Mirrione (O Regresso)
– Joe Walker (Sicario: Terra de Ninguém)
– Maryann Brandon & Mary Jo Markey (Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força)

Melhor Montagem – Comédia ou Musical
– Dan Lebental & Colby Parker, Jr. (Homem-Formiga)
– Hank Corwin (A Grande Aposta)
– Jay Cassidy, Alan Baumgarten, Christopher Tellefsen & Tom Cross (Joy: O Nome do Sucesso)
– David Trachtenberg (Eu, Você e a Garota que Vai Morrer)
– William Kerr & Paul Zucker (Descompensada)

Melhor Montagem – Animação
– Garret Elkins (Anomalisa)
– Kevin Nolting (Divertida Mente)
– Stephen Schaffer (O Bom Dinossauro)

Melhor Montagem – Documentário
– Chris King (Amy)
– Joe Beshenkovsky & Brett Morgen (Cobain: Montage of Heck)
– Andy Grieve (Going Clear: Scientology and the Prison of Belief)
– Greg Finton, Brian Johnson & Brad Fuller (He Named me Malala)
– Claire Scanlon (The Wrecking Crew)

Leonardo DiCaprio em cena de O Regresso (photo by cinemagia.ro)

Leonardo DiCaprio em cena de O Regresso (photo by cinemagia.ro)

TELEVISÃO

Melhor Montagem – Série de Episódios de Meia-Hora
– Nick Paley (Inside Amy Schumer – Episódio: 12 Angry Men)
– Brian Merken (Silicon Valley – Episódio: Two Days of the Condor)
– Gary Dollner (Veep – Episódio: Election Night)

Melhor Montagem – Série de Episódios de Uma Hora com Comercial
– Kelley Dixon (Better Call Saul – Episódio: Five-O)
– Skip Macdonald (Better Call Saul – Episódio: Uno)
– Skip Macdonald & Curtis Thurber (Fargo – Episódio: Did You Do This? No, You Did It!)
– Scott Vickrey (The Good Wife – Episódio: Restrain)
– Tom Wilson (Mad Men – Episódio: Person to Person)

Melhor Montagem – Série de Episódios de Uma Hora Sem Comercial
– Katie Weiland (Game of Thrones – Episódio: The Dance of Dragons)
– Tim Porter (Game of Thrones – Episódio: Hardhome)
– Harvey Rosenstock (Homeland – Episódio: The Tradition of Hospitality)
– Lisa Bronwell (House of Cards – Episódio: Chapter 39)
– Mary Ann Bernard (The Knick – Episódio: Wonderful Surprises)

Melhor Montagem – Minisséries ou Telefilmes
– Brian A. Kates (Bessie)
– Maysie Hoy (Dolly Parton’s Coat of Many Colors)
– William Turro (Orange is the New Black – Episódio: Trust No Bitch (episódio de 90 minutos))

Melhor Montagem – Séries Não-Roteirizadas
– Hunter Gross (Anthony Bourdain: Parts Unknown – Episódio: Bay Area)
– Josh Earl & Ben Bulatao (Deadliest Catch – Episódio: Zero Hour)
– Eric Driscoll, Nik Jamgocyan, Chris Kirkpatrick, David Michael Maurer, Greg McDonald, Marcus Miller & Alexandria Scott (Whale Wars – Episódio: The Darkest Hour)

Melhor Montagem – Documentário Televisivo
– Joshua L. Pearson (Keith Richards: Under the Influence)
– Richard Hankin, Zac Stuart-Pontier, Caitlyn Greene, Shelby Siegel (The Jinx: The Life and Deaths of Robert Durst – Chapter 1)
– Chris A. Peterson (The Seventies: The United State vs. Nixon)

Bob Odenkirk como Jimmy McGill em cena de Better Call Saul (photo by cinemagia.ro)

Bob Odenkirk como Jimmy McGill em cena de Better Call Saul (photo by cinemagia.ro)

O 66º Eddie Awards acontece no dia 29 de janeiro. E o Oscar 2016 no dia 28 de fevereiro.

PRIMEIRO PREVIEW OSCAR 2016

QUEM ESTARÁ NO TAPETE VERMELHO EM 2016?

Sim, estamos no mês de agosto, ainda a 6 meses da cerimônia do Oscar 2016, mas já está rolando um burburinho de algumas produções que liberaram seus press releases e trailers. Muitos dos candidatos presentes nesse post foram baseados no histórico dos nomes envolvidos (sejam atores, diretores e equipe técnica) e indicações anteriores, uma vez que a Academia tem o costume de favorecer os artistas que já foram nomeados, mas nunca levaram a estatueta como é o caso do ator Johnny Depp. Muito querido pelo público, ele já teve três oportunidades de ganhar, mas nunca levou, assim como Leonardo DiCaprio, que pode ter sua sexta indicação com o trabalho do diretor Alejandro González Iñárritú.

No geral, muitos trabalhos candidatos beberam da fonte das histórias verídicas, uma vez que a Academia tem um perfil que valoriza temas e tramas calcadas na realidade. Só para citar alguns exemplos mais recentes, temos 12 Anos de Escravidão, Argo e O Discurso do Rei. As cinebiografias também estão em alta, pois sempre proporcionam papéis de maior profundidade e com capacidade para se destacar na temporada de premiações, como é o caso de Tom Hiddleston que interpreta o cantor e compositor Hanks Williams em I Saw the Light, ou Eddie Redmayne, que encorpora Lili Elbe, uma das primeiras pessoas a passar por cirurgia de troca de sexo em The Danish Girl.

CRÍTICOS FAZEM AS PRIMEIRAS TRIAGENS

Quando estamos nesse período do ano, o burburinho (o chamado Oscar buzz) corre solto e há listas e mais listas de vários tipos possíveis de indicados, que muitas vezes refletem o desejo dos próprios autores dessas mesmas listas. Portanto, a coisa só começa a ficar séria mesma quando os críticos americanos passam a eleger seus melhores do ano.

O primeiro a revelar sua lista é o National Board of Review (NBR). Apesar de não ter coincidido seus vencedores com o do Oscar, a organização fundada em 1909 busca ser fiel aos seus princípios e acaba elegendo grandes filmes como A Hora Mais Escura, A Invenção de Hugo Cabret e A Rede Social.

Já o New York Film Critics Circle (NYFCC) e o Los Angeles Film Critics Association (LAFCA) costumam ter maior porcentagem de acerto, mas ultimamente tem sido mais pelas categorias de atuação. Esses críticos abrem caminho para que os grandes prêmios como o Critics’ Choice Awards e o Globo de Ouro possam avaliar melhor o que houve de melhor em cinema no ano. Para eles, não importa muito o histórico da equipe ou do elenco, mas a produção em si, gerando uma votação livre de hábitos e círculos viciosos.

PREVISÃO PARA 2016

Ao contrário dos previews anteriores, resolvi simplificar e gerar as possíveis indicações por filme, e não por categoria. Claro que devem existir mais alguns filmes com chance, mas seria praticamente impossível relacionar todos aqui. Algumas vezes, os favoritos ao Oscar surgem na reta final e acabam surpreendendo como aconteceu com quando O Discurso do Rei tomou a dianteira de A Rede Social pouco antes do Oscar.

Então, sem mais delongas, vamos aos possíveis indicados ao Oscar 2016 (em ordem aleatória):

OS OITO ODIADOS (The Hateful Eight)
Dir: Quentin Tarantino

Os Oito Odiados: (photo by blogbusters.ch)

Os Oito Odiados: Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh e Bruce Dern na primeira foto. Samuel L. Jackson na segunda e Michael Madsen na terceira. (photo by blogbusters.ch)

Sinopse: Numa Wyoming pós-Guerra Civil, caçadores de recompensa buscam abrigo durante nevasca, mas acabam se envolvendo numa trama de traição e decepção. Eles sobreviverão?

Deve receber indicação: Roteiro Original (Quentin Tarantino), Fotografia (Robert Richardson), Trilha Musical Original (Ennio Morricone)

Dúvida: Filme, Diretor (Quentin Tarantino), Ator Coadjuvante (Bruce Dern), Ator Coadjuvante (Samuel L. Jackson), Montagem (Fred Raskin), Figurino (Courtney Hoffman) e Maquiagem

Quentin Tarantino vive sua segunda ascensão junto à Academia. Depois de estourar com Pulp Fiction – Tempo de Violência em 1994, vencendo o Oscar de Roteiro Original, passou por um ostracismo com os dois volumes de Kill Bill (2003 e 2004) e À Prova de Morte (2007), que não receberam nenhuma indicação, e voltou ao topo com Bastardos Inglórios (2009) e Django Livre (2012), ganhando seu segundo Oscar pelo roteiro do último. Assim, existem altas expectativas para que este oitavo longa de sua autoria esteja na lista de indicações da Academia. Logo de cara, seu roteiro já figura como quase uma indicação unânime. O diretor de fotografia Robert Richardson, que já levou 3 Oscars, aparece logo atrás, assim como Ennio Morricone, mundialmente famoso por suas trilhas de western spaghetti que fez em parceria com o diretor Sergio Leone. O compositor italiano foi indicado 5 vezes, mas só ganhou o Oscar Honorário em 2007, e a Academia gosta de premiar os artistas mesmo após a honraria, como foi o caso do ator Paul Newman.

Sem Christoph Waltz, que levou dois Oscars de coadjuvante pelos últimos trabalhos de Tarantino, o diretor conta com a experiência do veterano Bruce Dern, que passou por um momento revival graças ao filme Nebraska, de Alexander Payne, que lhe rendeu sua segunda indicação ao Oscar em 2014. Se seu papel como General Sandy Smithers for consistente, pode se tornar material de Oscar. No elenco, alguns nomes também podem virar ouro como Demian Bichir (indicado ao Oscar de Melhor Ator em 2012 por Uma Vida Melhor), e os colaboradores assíduos Samuel L. Jackson e Tim Roth, e até a meio sumida Jennifer Jason Leigh.

O REGRESSO (The Revenant)
Dir: Alejandro González Iñárritú

Leonardo DiCaprio em cena de O Regresso (photo by outnow.ch)

Leonardo DiCaprio em cena de O Regresso (photo by outnow.ch)

Sinopse: Em 1820, o fronteiriço Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) busca vingança contra aqueles que deixaram-no para morrer num ataque de ursos.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Alejandro G. Iñárritú), Ator (Leonardo DiCaprio), Fotografia (Emmanuel Lubezki), Montagem (Stephen Mirrione), Direção de Arte (Jack Fisk), Som e Efeitos Sonoros.

Dúvida: Ator Coadjuvante (Tom Hardy), Roteiro Adaptado (Alejandro G. Iñárritú e Mark L. Smith), Figurino (Jacqueline West)

Depois de ter conquistado o Oscar com Birdman este ano, o diretor mexicano Alejandro González Iñárritú tem cartucho pra gastar. Ele retorna com a mesma equipe técnica vencedora com uma saga de vingança e de época, que praticamente garante a presença do filme nas categorias de fotografia e direção de arte. No ano passado, rolaram alguns memes sobre a impossibilidade de DiCaprio ganhar o Oscar que considero meio exageradas. Primeiramente, o ator teve apenas 4 indicações, número relativamente baixo se comparado a Peter O’Toole, que saiu derrotado em 8 ocasiões, e Richard Burton em 7. E em segundo lugar, DiCaprio evoluiu bastante desde o começo de sua parceria com o diretor Martin Scorsese. Particularmente, acho as performances dele exageradas. Se ele souber ser mais contido, terá mais chances de agradar e cansar menos o público com suas expressões de nervosismo e gritos esporádicos. Esse seu estilo casou bem com o papel de Jordan Belfort em O Lobo de Wall Street, e por isso considero sua melhor atuação, mas nem sempre servirá para outros tipos de papéis.

Apesar de incluir o filme nas principais categorias, ainda tenho minhas dúvidas. Pelo trailer, pareceu ser mais um filme de ação do que um épico que agrade a todos. Caso o filme não tenha uma pegada mais social, dificilmente será abraçado pela Academia, restando apenas as categorias mais técnicas. Com o pano de fundo com índios, pode ser comparado a Dança com Lobos, mas o filme de Kevin Costner, que conquistou 7 estatuetas em 1991, tinha como foco o comportamento social entre povos indígenas e o homem branco, não meramente a ação.

ALIANÇA DO CRIME (Black Mass)
Dir: Scott Cooper

Benedict Cumberbatch atua com um Johnny Depp quase irreconhecível em Aliança do Crime (photo by outnow.ch)

Benedict Cumberbatch atua com um Johnny Depp quase irreconhecível em Aliança do Crime (photo by outnow.ch)

Sinopse: Cinebiografia de Whitey Bulger, um dos criminosos mais procurados de South Boston, que acabou se tornando informante do FBI.

Deve receber indicação: Melhor Ator (Johnny Depp), Maquiagem

Dúvida: Filme, Diretor (Scott Cooper), Ator Coadjuvante (Benedict Cumberbatch), Ator Coadjuvante (Joel Edgerton), Montagem (David Rosenbloom)

Essa transformação de Johnny Depp vem sendo comentada pela mídia especializada há um bom tempo, no mesmo nível de repercussão de Meryl Streep como Margareth Thatcher (A Dama de Ferro), Kate Winslet como Hannah Schmidt (O Leitor) e Jamie Foxx como Ray Charles (Ray), o que certamente colabora na campanha do ator para sua primeira estatueta depois de três indicações anteriores (Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra, Em Busca da Terra do Nunca e Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet).

Apesar do diretor meio desconhecido (Scott Cooper dirigiu apenas Coração Louco, que rendeu o Oscar para Jeff Bridges, e Tudo por Justiça), Aliança do Crime é impulsionado pela força de seu elenco, formado por Benedict Cumberbatch, Kevin Bacon, Joel Edgerton, Juno Temple e Peter Sarsgaard.

CAROL
Dir: Todd Haynes

Cate Blanchett em Carol, de Todd Haynes. (photo by Weinstein Co. through variety.com)

Cate Blanchett em Carol, de Todd Haynes. (photo by Weinstein Co. through variety.com)

Sinopse: A jovem Therese conhece a elegante Carol, recém-divorciada. As duas percebem que têm muito em comum, e logo um romance se desenvolve entre elas. Para fugir aos olhares dos moradores locais, elas decidem fazer uma viagem pelos EUA, mas percebem que um detetive está seguindo os seus passos.

Deve receber indicação: Diretor (Todd Haynes), Atriz (Cate Blanchett), Atriz Coadjuvante (Rooney Mara), Figurino (Sandy Powell)

Dúvida: Filme, Roteiro Adaptado (Phyllis Nagy)

O filme se tornou um estouro no último Festival de Cannes e a imprensa estrangeira logo colocou Blanchett como favorita ao prêmio de interpretação feminina. Contudo, o júri presidido pelos irmãos Coen não foi na onda, e o prêmio foi parar nas mãos de Rooney Mara (mais cotada como coadjuvante pelo mesmo filme). Ela dividiu o prêmio com Emmanuelle Bercot (Mon Roi).

Com a distribuidora Weinstein Company por trás da campanha, o filme deve conseguir sem grandes dificuldades as indicações para as atrizes, mas devido ao tom lésbico, ainda é cedo pra garantir lugar entre os acadêmicos do Oscar.

THE DANISH GIRL
Dir: Tom Hooper

Eddie Redmayne caracterizado como a Danish Girl (photo by cine.gr)

Eddie Redmayne caracterizado como a Danish Girl (photo by cine.gr)

Sinopse: Nos anos 20 na Dinamarca, a artista Gerda Wegener pintou seu marido, Einar Wegener, como uma mulher. Depois que a pintura ganhou popularidade, ele começou a mudar sua aparência para feminina e adotar o nome Lili Elbe. Com o apoio da esposa, ele se tornou o primeiro homem a passar por cirurgia de troca de sexo.

Deve receber indicação: Ator (Eddie Redmayne), Atriz Coadjuvante (Alicia Vikander), Trilha Musical Original (Alexandre Desplat), Direção de Arte (Eve Stewart), Figurino (Paco Delgado)

Dúvida: Filme, Diretor (Tom Hooper), Roteiro Adaptado (Lucinda Coxon)

Eddie Redmayne acaba de ganhar o Oscar de Melhor Ator por sua impecável reprodução de Stephen Hawking em A Teoria de Tudo, e agora volta como outra figura importante utilizando mais um processo de transformação. Alguns mais exaltados já estão apostando no segundo Oscar consecutivo, o que o colocaria no mesmo patamar de Spencer Tracy e Tom Hanks, os únicos a ganhar Oscar de Ator consecutivamente.

Claro que ajuda o fato de contar com um diretor vencedor do Oscar, Tom Hooper, que venceu por O Discurso do Rei. O diretor foi responsável por 5 indicações de atores até o momento, e duas vitórias: Colin Firth (O Discurso do Rei) e Anne Hathaway (Os Miseráveis).

JOY: O NOME DO SUCESSO (Joy)
Dir: David O. Russell

Cena com Jennifer Lawrence em Joy (photo by cine.gr)

Cena com Jennifer Lawrence em Joy (photo by cine.gr)

Sinopse: O filme acompanha a trajetória de sucesso da criadora da Ingenious Designs, Joy Mangano, além da história de sua família por quatro gerações até se tornar a fundadora e matriarca de uma poderosa dinastia de família de negócios.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (David O. Russell), Atriz (Jennifer Lawrence), Ator Coadjuvante (Bradley Cooper), Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Roteiro Original (David O. Russell e Annie Mumolo)

Dúvida: Figurino (Michael Wilkinson)

Ok, vamos contabilizar. Em 2011, O Vencedor recebeu 7 indicações ao Oscar e levou dois de Coadjuvante para Christian Bale e Melissa Leo. Em 2013, O Lado Bom da Vida recebeu 8 indicações e levou Melhor Atriz para Jennifer Lawrence. Em 2014, Trapaça acumulou 10 indicações, mas não levou nada. Todos os últimos filmes de David O. Russel foram indicados a Melhor Filme e Melhor Diretor, portanto não dá pra esperar menos deste Joy: O Nome do Sucesso, que conta com muitos dos mesmos atores e da mesma equipe técnica.

Vendo o trailer, não dá pra esperar muita coisa do filme, mas Russell está em alta com a Academia, e mesmo que as vitórias ainda não venham, certamente as indicações já estão encaminhadas.

PONTE DOS ESPIÕES (Bridge of Spies)
Dir: Steven Spielberg

Em primeiro plano, Tom Hanks vive o advogado James Donovan em Ponte de Espiões (photo by outnow.ch)

Em primeiro plano, Tom Hanks vive o advogado James Donovan em Ponte dos Espiões (photo by outnow.ch)

Sinopse: Um advogado é recrutado pela CIA durante a Guerra Fria para resgatar um piloto detido na União Soviética.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Steven Spielberg), Ator (Tom Hanks), Roteiro Original (Matt Charman, Joel Coen e Ethan Coen), Fotografia (Janusz Kaminski), Montagem (Michael Khan). Trilha Musical Original (Thomas Newman), Direção de Arte (Adam Stockhausen), Efeitos Sonoros

Dúvida: Ator Coadjuvante (Alan Alda), Atriz Coadjuvante (Amy Ryan) e Figurino (Kasia Walicka-Maimone)

Steven Spielberg e Tom Hanks já trabalharam juntos em O Resgate do Soldado Ryan (1998), Prenda-me Se For Capaz (2002) e O Terminal (2005). Em 1999, Spielberg levou seu segundo Oscar e Hanks uma indicação pelo filme de guerra, portanto as chances são boas de sucesso na Academia com este Ponte dos Espiões.

Trata-se da primeira vez que Spielberg dirige um roteiro escrito pelos irmãos Coen, o que deve facilitar as coisas na campanha. Além disso, se Spielberg está entre os indicados, toda sua trupe técnica deve comparecer e preencher as vagas de indicações como aconteceu em seus últimos filmes: Cavalo de Guerra (2011) e Lincoln (2012).

SNOWDEN
Dir: Oliver Stone

Joseph Gordon-Levitt como Edward Snowden, em Snowden (photo by outnow.ch)

Joseph Gordon-Levitt como Edward Snowden, em Snowden (photo by outnow.ch)

Sinopse: Agente da CIA, Edward Snowden, vaza uma série de informações confidenciais para a imprensa, causando sua deserção na Rússia até os dias de hoje.

Deve receber indicação: Ator (Joseph Gordon-Levitt) e Roteiro Adaptado (Kieran Fitzgerald)

Dúvida: Diretor (Oliver Stone), Atriz Coadjuvante (Shailene Woodley) e Fotografia (Anthony Dod Mantle)

Pró: Novo filme de Oliver Stone. Contra: Quando foi a última vez que um filme de Oliver Stone repercutiu tanto? JFK – A Pergunta que Não Quer Calar (1991)? Assassinos por Natureza (1994)? Claro que Stone sempre terá prestígio junto à Academia por suas vitórias com Platoon (1986) e Nascido em Quatro de Julho (1989), mas nas últimas décadas, tem caído no esquecimento, principalmente depois do fiasco de Alexandre (2004).

Mas com este Snowden, um tema bastante polêmico que o diretor sabe tirar de letra, Oliver Stone pode finalmente ter seu retorno triunfal. Se a Academia gostar do filme, certamente estará na lista de diretores, caso contrário, a indicação pode ficar apenas com o ator Joseph Gordon-Levitt, que seria sua primeira. Vale lembrar que Gordon-Levitt tem outro trabalho em destaque neste ano por A Travessia (veja mais abaixo), o que sempre ajuda na hora de descolar a primeira indicação ao Oscar.

  • A estréia de Snowden foi adiada para Maio de 2016, portanto, fora do próximo Oscar.

TRUMBO
Dir: Jay Roach

Bryan Cranston caracterizado como o roteirista Dalton Trumbo (photo by elfilm.com)

Bryan Cranston caracterizado como o roteirista Dalton Trumbo (photo by elfilm.com)

Sinopse: A carreira bem-sucedida do roteirista em Hollywood é comprometida quando ele é inserido na lista negra do senador Joseph McCarthy nos anos 40 por suspeita de ser comunista.

Deve receber indicação: Ator (Bryan Cranston), Atriz Coadjuvante (Helen Mirren)

Dúvida: Filme, Roteiro Adaptado (John McNamara)

Por se tratar de uma receita básica que funciona no Oscar, Trumbo está aqui na lista: 1º filme biográfico. 2º sobre roteirista de Hollywood, que foi inclusive vencedor do Oscar usando pseudônimos 3º porque foi perseguido por estar na lista negra do McCarthismo 4º e contando com a ajuda de um ator em extrema ascensão depois da série de TV Breaking Bad. “Só” por esses motivos o filme tem lugar cativo nas previsões.

O único, porém maior problema, é o nome fraco na direção. Não que Jay Roach, responsável pelas trilogias de comédia Austin Powers e Entrando Numa Fria não tenha seu talento, mas à princípio não era o nome mais apropriado para assumir este projeto mais sério. Só pra exemplificar, se Ron Howard, Bennett Miller ou mesmo George Clooney estivesse por trás da câmera, Trumbo já figuraria como franco-favorito ao Oscar 2016.

FREEHELD
Dir: Peter Sollett

Ellen Page e Julianne Moore em cena de Freeheld

Ellen Page e Julianne Moore em cena de Freeheld

Sinopse: A policial Laurel Hester (Julianne Moore) e sua companheira Stacie (Ellen Page) lutam na justiça para conseguir os benefícios de pensão para Hester quando ela é diagnosticada com câncer terminal.

Deve receber indicação: Atriz (Julianne Moore), Atriz Coadjuvante (Ellen Page)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Michael Shannon)

Baseado em um documentário-curta vencedor do Oscar em 2008, Freeheld tem a fórmula para se destacar na temporada de premiações: drama, doença terminal, opção sexual e ótimo elenco. Mas estaria a Academia aberta a um filme de temática lésbica? A última produção que apresentava lesbianismo, Minhas Mães e Meu Pai, foi até indicada a Melhor Filme em 2011, mas não levou nada. Indicar é relativamente fácil, mas ganhar é outros quinhentos…

Toda vez que lembro desse conservadorismo teimoso, vem à mente a derrota de O Segredo de Brokeback Mountain diante do maniqueísta e bidimensional Crash – No Limite em 2006. De qualquer forma, a expectativa é de que pelo menos as atrizes sejam reconhecidas por suas performances. Não ajuda o fato do diretor ser praticamente desconhecido, mas Julianne Moore acaba de ganhar seu primeiro Oscar e pode, com este papel, ganhar seu segundo consecutivo e ainda puxar a segunda indicação da jovem Ellen Page como coadjuvante.

STEVE JOBS
Dir: Danny Boyle

Michael Fassbender como Steve Jobs (photo by cine.gr)

Michael Fassbender como Steve Jobs (photo by cine.gr)

Sinopse: A vida e o legado de Steve Jobs, baseado na biografia de Walter Isaacson.

Deve receber indicação: Ator (Michael Fassbender), Atriz Coadjuvante (Kate Winslet), Roteiro Adaptado (Aaron Sorkin)

Dúvida: Filme, Diretor (Danny Boyle), Ator Coadjuvante (Jeff Daniels)

Quando o filme biográfico Jobs saiu em 2013, havia uma especulação de que Ashton Kutcher poderia ser indicado ao Oscar. Mas esse burburinho só rendeu durante o período em que a foto dele foi divulgada já como Steve Jobs, pois havia uma semelhança bem considerável entre ambos, mas logo acabou quando a crítica viu o filme e sua interpretação. Dois anos depois, um novo filme sobre o criador da Apple surge no horizonte, mas com uma equipe técnica infinitamente superior: Danny Boyle na direção, Scott Rudin na produção, Aaron Sorkin (A Rede Social) no roteiro e Guy Hendrix Dyas (A Origem) na direção de arte. Com esses nomes, o filme Steve Jobs automaticamente se tornou um forte candidato ao Oscar.

Particularmente, por mais que Michael Fassbender seja um dos melhores atores dessa geração, ainda tenho minhas ressalvas se ele foi a melhor opção pra dar vida ao inventor, já que é alemão e não se parece quase nada com a figura pública (talvez um trabalho de maquiagem bem feito teria ajudado…), mas torço para que ele possa surpreender positivamente. Claro que a presença da vencedora do Oscar, Kate Winslet, no elenco ajuda e muito na campanha do filme na temporada de premiações.

SR. HOLMES (Mr. Holmes)
Dir: Bill Condon

Ian McKellen como Sherlock Holmes em Mr. Holmes (photo by outnow.ch)

Ian McKellen como Sherlock Holmes em Mr. Holmes (photo by outnow.ch)

Sinopse: O já aposentado Sherlock Holmes destrincha seu passado quando tenta desvendar um mistério não solucionado envolvendo uma bonita mulher.

Deve receber indicação: Ator (Ian McKellen), Atriz Coadjuvante (Laura Linney)

Dúvida: Roteiro Adaptado (Jeffrey Hatcher), Direção de Arte (Martin Childs), Trilha Musical Original (Carter Burwell)

Logo que foi anunciado o filme de Sherlock Holmes com Ian McKellen, já previa uma indicação para o ator britânico. McKellen foi roubado na cara dura em 1999, quando perdeu para o pastelão do Roberto Benigni (A Vida é Bela), por sua atuação magnânima em Deuses e Monstros. Depois disso, tornou-se muito popular ao assumir papéis icônicos da cultura pop: o mutante Magneto nos filmes dos X-Men e o mago Gandalf nas trilogias de O Hobbit e O Senhor dos Anéis, por qual recebeu sua segunda indicação ao Oscar em 2002, mas perdeu pra um inspirado Jim Broadbent em Iris.

Claro que, se o filme for bom e sua performance estiver à altura de seu talento, trata-se de uma excelente oportunidade de premiar com um Oscar um dos melhores atores vivos. Sr. Holmes se torna ainda mais especial por reprisar a parceria do ator com o diretor Bill Condon, com quem trabalhou em Deuses e Monstros. No elenco, Laura Linney tem tudo pra receber sua 4ª indicação.

AS SUFRAGISTAS (Suffragette)
Dir: Sarah Gavron

Carey Mulligan (centro) em cena de protesto de Suffragette (photo by cine.gr)

Carey Mulligan (centro) e Helena Bonham Carter (à direita) em cena de protesto de As Sufragistas (photo by cine.gr)

Sinopse: O filme retrata um dos primeiros movimentos feministas contra o Estado machista e opressor. As integrantes do movimento viram seus protestos pacíficos resultarem em nada para então partir para a violência, o que ameaçava suas vidas, seus empregos e suas famílias.

Deve receber indicação: Atriz (Carey Mulligan), Atriz Coadjuvante (Meryl Streep), Atriz Coadjuvante (Helena Bonham Carter)

Dúvida: Filme, Roteiro Original (Abi Morgan), Trilha Musical Original (Alexandre Desplat), Montagem (Barney Pilling), Figurino (Jane Petrie), Direção de Arte (Alice Normington)

Lembram-se do discurso pró-igualdade para as mulheres de Patricia Arquette no Oscar deste ano? E do apoio incondicional de Meryl Streep (“Yes! Yes!”) da poltrona? Pois é, o movimento feminista em alta ganha mais um reforço com este filme de época no qual a luta das mulheres se tornou um marco na história. E com Streep no elenco, o filme tem tudo pra se destacar na temporada de premiações do Globo de Ouro, Oscar, BAFTA e SAG.

Por mais que a diretora seja meio desconhecida, acho bacana tanto a diretora quanto a roteirista serem mulheres, afinal ninguém melhor do que as próprias mulheres pra contar uma história de luta feminista. A roteirista Abi Morgan pode conseguir sua primeira indicação após destaque por Shame e A Dama de Ferro. Já Carey Mulligan, que brilhou como a estudante inocente de Educação, precisa cumprir seu papel de jovem promessa de Hollywood. Como se trata de uma produção de época, são esperadas indicações de direção de arte e figurino.

NOCAUTE (Southpaw)
Dir: Antoine Fuqua

Jake Gyllenhaal como o boxeador Billy Hope com o treinador Tick Wills (Forest Whitaker) em cena de Southpaw (photo by outnow.ch)

Jake Gyllenhaal como o boxeador Billy Hope com o treinador Tick Wills (Forest Whitaker) em cena de Nocaute (photo by outnow.ch)

Sinopse: O boxeador Billy Hope procura o treinador Tick Wills para colocá-lo de volta aos trilhos depois que perde sua mulher num trágico acidente e sua filha para o serviço de proteção à criança.

Deve receber indicação: Ator (Jake Gyllenhaal), Trilha Musical Original (James Horner)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Forest Whitaker), Montagem (John Refoua), Canção Original (Eminem)

Depois da inacreditável ausência de Jake Gyllenhaal na lista de atores indicados a Melhor Ator este ano por O Abutre, a Academia automaticamente está em dívida com o ator, que já foi indicado como Coadjuvante por O Segredo de Brokeback Mountain. Além disso, chama atenção sua transformação do esquelético videomaker de O Abutre para este atlético e forte boxeador de Nocaute, que lembra a flexibilidade de Edward Norton que passou do forte neo-nazista de A Outra História Americana para o franzino de Clube da Luta. Essas transformações costumam ser a base de uma boa campanha para o Oscar. Claro que se o filme também for bom, as chances de vitória são ainda maiores. Já quando o filme não colabora, as chances caem drasticamente. Em 2000, o filme Hurricane – O Furacão conseguiu conquistar apenas a indicação de Denzel Washington, que acabou perdendo para Kevin Spacey (Beleza Americana), porque o filme de Sam Mendes era bem mais consistente.

Vale lembrar que este é um dos últimos trabalhos do compositor James Horner, que morreu numa queda de avião no final de junho. E por se tratar de um filme de boxe, as chances da trilha musical e da montagem se destacarem são ótimas. Resta saber se o filme de Antoine Fuqua (Dia de Treinamento) vai agradar à crítica.

SICARIO: TERRA DE NINGUÉM (Sicario)
Dir: Dennis Villeneuve

Em segundo plano, da esquerda para a direita: Emily Blunt, Josh Brolin e Benicio Del Toro em cena de Sicario: Terra de Ninguém (photo by cine.gr)

Em segundo plano, da esquerda para a direita: Emily Blunt, Josh Brolin e Benicio Del Toro em cena de Sicario: Terra de Ninguém (photo by cine.gr)

Sinopse: Uma agente idealista do FBI é designada pelo governador numa força-tarefa contra as drogas na área da fronteira dos EUA com o México.

Deve receber indicação: Atriz (Emily Blunt), Fotografia (Roger Deakins), Trilha Musical Original (Jóhann Jóhannsson), Montagem (Joe Walker)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Benicio Del Toro), Ator Coadjuvante (Josh Brolin)

A sinopse me lembrou O Silêncio dos Inocentes ao ter como protagonista uma jovem agente do FBI em formação encarando um universo bem sombrio. E o diretor canadense Dennis Villeneuve já demonstrou que conhece bem esse território sombrio com Os Suspeitos (2013). O filme concorreu à Palma de Ouro no último Festival de Cannes e por muitos críticos foi considerado um “soco no estômago” por suas cenas fortes. Por esse mesmo motivo, não deve concorrer ao Oscar de Melhor Filme, porque os acadêmicos têm aversão à violência.

Mas se a campanha for boa, o diretor pode ser recompensado em sua categoria. E quem sabe a fotografia de Roger Deakins não ganha seu primeiro Oscar depois de 12 indicações? Já dentre os atores, apesar de contar com Benicio Del Toro (vencedor de Ator Coadjuvante por Traffic) e Josh Brolin (indicado para Ator Coadjuvante por Milk – A Voz da Igualdade), o maior destaque do filme é Emily Blunt, que passa por uma experiência transformadora como a agente do FBI, podendo finalmente conquistar sua primeira indicação.

A TRAVESSIA (The Walk)
Dir: Robert Zemeckis

Cena de A Travessia com Joseph Gordon-Levitt e Charlotte Le Bon (photo by outnow.ch)

Cena de A Travessia com Joseph Gordon-Levitt e Charlotte Le Bon (photo by outnow.ch)

Sinopse: A trajetória do artista francês Phillippe Petit para cruzar as Torres Gêmeas sobre um cabo de aço em 1974.

Quem deve receber indicação: Ator (Joseph Gordon-Levitt), Roteiro Adaptado (Robert Zemeckis e Christopher Browne)

Dúvida: Filme, Diretor (Robert Zemeckis), Ator Coadjuvante (Ben Kingsley), Trilha Musical Original (Alan Silvestri)

Apesar de Forrest Gump: O Contador de Histórias ter ganhado 6 Oscars há mais de 20 anos, o diretor Robert Zemeckis sempre terá um prestígio na Academia e por isso mesmo, seus filmes têm lugar cativo no burburinho do Oscar. Em 2013, seu filme O Vôo recebeu duas indicações (Melhor Ator para Denzel Washington e Roteiro Original), o que significa que Zemeckis está buscando retorno triunfal. Com este novo projeto baseado na história real de Phillippe Petit, que caminhou sobre um cabo de aço entre as duas Torres Gêmeas, ele pode ter sua chance.

A história verídica já foi tema do documentário O Equilibrista (Man on Wire), que venceu o Oscar de Melhor Documentário em 2009, o que concede maior credibilidade ao filme. Se Zemeckis souber captar bem o lado emocional da história, o filme pode conquistar o público e a crítica. Para ajudá-lo nessa difícil tarefa, ele conta com o veterano Ben Kingsley no elenco e o jovem Joseph Gordon-Levitt como o protagonista Petit.

O CORAÇÃO DO MAR (In the Heart of the Sea)
Dir: Ron Howard

Chris Hemsworth em cena de O Coração do Mar (photo by cine.gr)

Chris Hemsworth em cena de O Coração do Mar (photo by cine.gr)

Sinopse: Baseado em história ocorrida em 1820, sobre embarcação que é caçada por baleia durante 90 dias em alto mar. Adaptação de livro de Nathaniel Philbrick que teria inspirado o clássico literário Moby Dick.

Quem deve receber indicação: Fotografia (Anthony Dod Mantle), Montagem (Daniel P. Hanley e Mike Hill) e Som.

Dúvida: Filme, Diretor (Ron Howard)

Após ganhar prestígio com o Oscar de direção e filme com Uma Mente Brilhante em 2002, Ron Howard se tornou nome relevante a cada novo trabalho, e assim acabou novamente indicado ao Oscar de direção com Frost/Nixon em 2009 e foi bem cotado por Rush: No Limite da Emoção em 2014, mas tenho minhas dúvidas se ele retorna ao tapete vermelho com um filme de aventura estrelado por Chris Hemsworth.

Embora o elenco tenha nomes razoáveis como Cillian Murphy, Ben Wishaw e o novo Homem-Aranha, Tom Holland, acredito que O Coração do Mar ficará limitado às categorias mais técnicas, a menos que sua bilheteria seja extremamente expressiva e colabore em sua campanha vitoriosa.

SPOTLIGHT
Dir: Tom McCarthy

Da esquerda pra direita: Michael Keaton, Liv Schreiber, Mark Ruffalo, Rachel McAdams... em Spotlight (photo by outnow.ch)

Da esquerda pra direita: Michael Keaton, Liv Schreiber, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, John Slattery e Brian d’Arcy James em Spotlight (photo by outnow.ch)

Sinopse: A verdadeira história de como o jornal The Boston Globe desvendou o escândalo de abuso de crianças e encoberto pela igreja Arquidiocese local que estremeceu a Igreja Católica toda.

Deve receber indicação: Roteiro Original (Tom McCarthy e Josh Singer)

Dúvida: Filme, Diretor (Tom McCarthy), Ator (Mark Ruffalo), Trilha Musical Original (Howard Shore)

O roteiro do filme foi baseado numa história verídica que gerou uma matéria que venceu o prestigiado prêmio Pullitzer, fato que já chama a atenção por si só. Esse tipo de história costuma atrair bons nomes para os papéis porque são criados a partir de heróis reais como uma Erin Brockovich, por exemplo, que desmantelou toda uma grande corporação ao descobrir que contaminavam a água de sua cidade.

Dessa forma, temos Mark Ruffalo como o protagonista e Michael Keaton como seu parceiro. Ruffalo é um nome que vem em ascensão há anos e só não conseguirá sua terceira indicação se o páreo da categoria de Melhor Ator estiver muito duro. Quanto a Keaton, acredito que corre bem por fora, mas já é extremamente gratificante vê-lo em grandes produções novamente após tantos anos no ostracismo.

ESPECIALISTA EM CRISE (Our Brand is Crisis)
Dir: David Gordon Green

Sandra Bullock filma cena em Porto Rico (photo by www.laineygossip.com)

Sandra Bullock filma cena em Porto Rico (photo by http://www.laineygossip.com)

Sinopse: Baseado no documentário homônimo sobre o uso de estratégias políticas de campanha americanas na América do Sul.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (David Gordon Green), Atriz (Sandra Bullock), Roteiro Original (Peter Straughan)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Billy Bob Thornton), Atriz Coadjuvante (Zoe Kazan), Montagem (Colin Patton)

Mais um filme com temática política pode ganhar espaço no Oscar 2016. Além de Spotlight e Suffragette, o filme procura revelar os bastidores da política e a forma como alavancam os candidatos desejados. Curiosamente, assim como Freeheld (citado acima), Especialista em Crise também é uma ficção baseada num documentário.

O roteiro de Peter Straughan (indicado para Roteiro Adaptado em 2012 por O Espião que Sabia Demais) busca destrinchar esse universo do vale-tudo das campanhas políticas na América do Sul contando com o promissor diretor David Gordon Green (vencedor do prêmio de Direção no Festival de Berlim 2013 por Prince Avalanche ), elenco encabeçado por Sandra Bullock e Billy Bob Thornton, e um ótimo ímã para o Oscar: George Clooney como produtor. Ter nomes de celebridades na produção muitas vezes é recompensado pela Academia, como aconteceu com Brad Pitt em 2014 por 12 Anos de Escravidão.

TRUTH
Dir: James Vanderbilt

Cate Blanchett em cena com Robert Reford em Truth (photo by collider.com)

Cate Blanchett em cena com Robert Reford em Truth (photo by collider.com)

Sinopse: Durante seus últimos dias como âncora no noticiário CBS News, Dan Rather apresenta uma notícia falsa sobre como o então presidente Bush se apoiou no privilégio e nas conexões familiares para evitar convocação militar para lutar na Guerra do Vietnã, o que lhe custou seu emprego e de sua superiora Mary Mapes.

Deve receber indicação: Ator (Robert Redford), Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett) e Roteiro Adaptado (James Vanderbilt)

Dúvida: Montagem (Richard Francis-Bruce)

Seguindo a linha de candidatos ao Oscar de temática política, Truth pode surpreender e conquistar seu espaço, ainda mais por contar com dois nomes de peso junto à Academia: os atores Cate Blanchett, que ganhou seu segundo Oscar em 2014 por Blue Jasmine, e o veterano Robert Redford, que merecia uma indicação por sua atuação no ótimo Até o Fim (2013).

Ainda no elenco, nomes como Dennis Quaid, Bruce Greenwood e Elisabeth Moss (em ascensão depois da série Mad Men) podem colaborar para um número maior de indicações dependendo da profundidade de seus papéis. Como se trata da estréia na direção do conhecido roteirista do brilhante Zodíaco (2007), James Vanderbilt, sua melhor chance no Oscar está na categoria que lhe consagrou.

DIVERTIDA MENTE (Inside Out)
Dir: Pete Docter

As emoções Tristeza, Raiva, Medo, Nojinho e Alegria em cena de Divertida Mente (photo by outnow,ch)

As emoções Tristeza, Raiva, Medo, Nojinho e Alegria em cena de Divertida Mente (photo by outnow,ch)

Sinopse: Depois de se mudar com seus pais para San Francisco, as emoções da jovem Riley (Alegria, Tristeza, Nojinho, Raiva e Medo) entram em conflito sobre a melhor forma de explorar a nova cidade, casa e escola.

Deve receber indicação: Animação

Dúvida: Roteiro Original (Meg LeFauve, Josh Cooley e Pete Docter) e Trilha Musical Original (Michael Giacchino)

Assim como Monstros S.A., a idéia bastante original não segura um longa-metragem, pelo menos não da forma como foi escrito. Alguns trabalhos da Pixar apresentam esse obstáculo na hora de desenvolver uma história que se desenvolva, e não apenas se desenrole. Por questões de histórico, acredito que consegue facilmente uma indicação ao Oscar de Animação. Depois de perder o Oscar duas vezes consecutivas para produções da Disney (Frozen: Uma Aventura Congelante e Operação Big Hero), a Pixar está tentando recuperar seu posto de supremacia.

Dependendo da competição, o roteiro pode ser, sim, indicado ao Oscar, assim como de outras animações anteriores foram como de Procurando Nemo, Up – Altas Aventuras e Toy Story 3, mas geralmente o que ocorre é o filme ganhando apenas Melhor Animação. E se o roteiro praticamente perfeito de Toy Story 3 não ganhou, dificilmente outro não ganhará também. Já a trilha do compositor Michael Giacchino pode ser reconhecida, mas as chances de vitória são pequenas, ainda mais que já levou a estatueta por Up – Altas Aventuras.

MACBETH: AMBIÇÃO E GUERRA (Macbeth)
Dir: Justin Kurzel

O casal Macbeth: Michael Fassbender e Marion Cotillard na adaptação de Shakespeare (photo by cine.gr)

O casal Macbeth: Michael Fassbender e Marion Cotillard na adaptação de Shakespeare (photo by cine.gr)

Sinopse: Macbeth, um duque da Escócia, recebe a profecia das três bruxas que um dia ele se tornará rei da Escócia. Consumido por ambição e impulsionado à ação por sua esposa, Macbeth assassina seu rei e toma controle do trono.

Deve receber indicação: Figurino (Jacqueline Durran)

Dúvida: Ator (Michael Fassbender) e Atriz (Marion Cotillard)

Clássico de Shakespeare, a adaptação de Macbeth chegou no último Festival de Cannes como o filme responsável por premiar a dupla de atores centrais: o alemão Michael Fassbender e a francesa Marion Cotillard, ambos nomes em alta tanto na Europa quanto em Hollywood (ele foi indicado ao Oscar de Coadjuvante por 12 Anos de Escravidão e ela recebeu sua segunda indicação de Atriz por Dois Dias, Uma Noite), mas não foi isso que aconteceu na Riviera Francesa.

Apesar do filme de Justin Kurzel não ter levado nada, pode ter sua segunda chance na campanha ao Oscar, já que vai ser alavancada pela Weinstein Company. Contudo, se Fassbender for indicado, suas chances são bem maiores pelo filme de Danny Boyle, Steve Jobs. Posso estar enganado, mas pela experiência que tenho em Oscar, esse filme está com cheiro de uma única indicação: Melhor Figurino.

I SAW THE LIGHT
Dir: Marc Abraham

Tom Hiddleston caracterizado como o cantor Hank Williams (photo by outnow.ch)

Tom Hiddleston caracterizado como o cantor Hank Williams (photo by outnow.ch)

Sinopse: Cinebiografia do cantor e compositor de country norte-americano Hank Williams.

Deve receber indicação: Ator (Tom Hiddleston)

Dúvida: Atriz Coadjuvante (Elizabeth Olsen), Roteiro Adaptado (Marc Abraham)

A Academia adora cinebiografia de cantores e compositores, especialmente os americanos. Basta olhar a presença de filmes como O Destino Mudou Sua Vida (1980), Ray (2004) e Johnny & June (2005). Contando com esse histórico positivo, o ator britânico Tom Hiddleston, conhecido mundialmente por viver o papel do vilão Loki nos filmes da Marvel, tem boas chances na aparecer na lista por retratar uma figura emblemática da música. Curiosamente, como não foi aposta unânime para o papel, além de se empenhar bastante no sotaque americano, tocou piano para o elenco e a equipe durante as filmagens e todos os dias, como forma de extrema gratidão, ele cumprimentava cada membro da equipe, do encarregado da limpeza até seus colegas de atuação.

Elizabeth Olsen, que já trabalhou com Hiddleston em Vingadores: Era de Ultron, interpretará sua primeira esposa, Audrey Mae Williams, que pode lhe render sua primeira indicação ao Oscar. Como Marc Abraham é um diretor praticamente novato, suas chances residem mais na categoria de roteiro, por ter adaptado a biografia escrita por Colin Escott.

MAD MAX: ESTRADA FÚRIA (Mad Max: Fury Road)
Dir: George Miller

Tom Hardy e Charlize Theron em cena de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by outnow.ch)

Tom Hardy e Charlize Theron em cena de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by outnow.ch)

Sinopse: Furiosa, uma mulher que se rebela contra seu tirano numa pós-Apocalíptica Austrália, vai em busca de sua terra natal com a ajuda de um grupo de prisioneiras, um adorador psicótico e um andarilho chamado Max.

Deve receber indicação: Fotografia (John Seale), Direção de Arte (Colin Gibson), Figurino (Jenny Beavan), Maquiagem, Som, Efeitos Sonoros

Dúvida: Filme, Diretor (George Miller), Roteiro Original (George Miller, Brendan McCarthy e Nick Lauthoris)

Quarta parte de uma quadrilogia? Sequência? Prequel? Reboot? Ninguém sabe ao certo o que essa loucura chamada Mad Max: Estrada da Fúria é, mas todos concordam com sua qualidade técnica impecável e acima de tudo: sua audácia. Há quanto tempo não vemos um filme politicamente incorreto assim feito por um estúdio nos cinemas? Nos últimos anos (pra não dizer na última década), o cinema de estúdio tem sido tomado por produtores que visam apenas o lucro, mas sem coragem alguma para arriscar em novas visões. Claro que o trabalho de Mad Max não é novidade alguma, mas joga na tela imagens que dizem: “Isso é cinema. Vocês se esqueceram?”

Além da qualidade técnica merecedora de todas as indicações, felizmente a produção australiana colheu ótimos frutos nas bilheterias mundias, fato que ajuda muito na composição das indicações ao Oscar. Contudo, acredito que o responsável por tudo isso pode nem sequer ser reconhecido com uma mera indicação, seja como diretor ou como roteirista. Curiosamente, George Miller já ganhou um Oscar por, acreditem, Melhor Animação com Happy Feet: O Pingüim em 2007. Anteriormente, ele havia sido indicado pelo Roteiro Original de O Óleo de Lorenzo em 1993, e pelo Roteiro Adaptado e Produção (Melhor Filme) de Babe – O Porquinho Atrapalhado em 1996. Vamos torcer para que os votantes da Academia dêem um tempo no conservadorismo e reconheçam o talento e a audácia de Miller. Seria utopia demais?

À BEIRA MAR (By the Sea)
Dir: Angelina Jolie

Angelina Jolie com o marido Brad Pitt ao fundo em cena de À Beira Mar. É a primeira vez que a atriz dirige a si mesma. (Photo by outnow.ch)

Angelina Jolie com o marido Brad Pitt ao fundo em cena de À Beira Mar. É a primeira vez que a atriz dirige a si mesma. (Photo by outnow.ch)

Sinopse: Nos anos 70 na França, conforme a ex-dançarina Vanessa e seu marido escritor Roland viajam pelo país juntos, eles se distanciam um do outro, até pararem numa cidade costeira onde eles passam a se aproximar dos habitantes locais.

Deve receber indicação: Fotografia (Christian Berger)

Dúvida: Diretor (Angelina Jolie), Atriz Coadjuvante (Mélanie Laurent), Trilha Musical Original (Gabriel Yared)

Após ser ignorada pela Academia depois de forte burburinho por seu trabalho anterior Invencível (Unbroken), Angelina Jolie lança seu terceiro longa na direção com os holofotes sobre a possível campanha no Oscar 2016. Honestamente, só incluí o filme aqui por causa da comentada e discutida exclusão dela na premiação deste ano, porque se depender do filme em si, não se trata de material para Oscar.

Claro que se ela quiser, Jolie pode se beneficiar de seu filme anterior e tentar sua primeira indicação como diretora, mas acho meio difícil com um romance. A seu favor estão a presença dela mesma  e do marido, Brad Pitt, no elenco, assim como a trilha de Gabriel Yared (vencedor do Oscar por O Paciente Inglês) e do diretor de fotografia austríaco e colaborador assíduo do diretor Michael Haneke, Christian Berger (indicado por A Fita Branca).

THE LAST FACE
Dir: Sean Penn

O diretor Sean Penn conversa com a jovem Adèle Exarchopoulos em set de The Last Face (photo by filmaffinity.com)

O diretor Sean Penn conversa com a jovem Adèle Exarchopoulos em set de The Last Face (photo by filmaffinity.com)

Sinopse: A diretora de uma agência internacional de ajuda humanitária na África conhece um carismático médico que trabalha na causa. Ele se divide entre o amor por ela e seu trabalho.

Deve receber indicação: Fotografia (Barry Ackroyd)

Dúvida: Diretor (Sean Penn), Montagem (Jay Cassidy)

Assim como outros atores que se tornaram diretores, Sean Penn busca experiência em nomes profissionais como o diretor de fotografia Barry Ackroyd (indicado por Guerra ao Terror) e o montador Jay Cassidy (três vezes indicado) com quem já trabalhou no cult Na Natureza Selvagem. Desta vez, ele também escalou sua própria mulher, Charlize Theron, que vive uma nova ascensão depois de seu desatque como Furiosa em Mad Max: Estrada da Fúria, o que certamente ajuda o filme a alavancar.

No elenco, Penn ainda conta com Javier Bardem como o médico, e os coadjuvantes Jean Renno, e a jovem talentosa francesa Adèle Exarchopoulos, de Azul é a Cor Mais Quente. Apesar de todos os fatores positivos, The Last Face ainda pode se tornar aqueles filmes que tinha tudo pra chegar ao Oscar, mas morre na praia.

PERDIDO EM MARTE (The Martian)
Dir: Ridley Scott

Da esquerda pra direita: Matt Damon, Jessica Chastain, Kate Mara e Sebastian Stan em cena de Perdido em Marte (photo by outnow.ch)

Da esquerda pra direita: Matt Damon, Jessica Chastain, Sebastian Stan, Kate Mara e Aksel Hennie em cena de Perdido em Marte (photo by outnow.ch)

Sinopse: Depois de uma missão em Marte, o astronauta Mark Watney é considerado morto depois de ter sido abandonado por colegas, mas ele está vivo e sozinho no planeta. Com pouquíssimos recursos, ele deve usar todas as suas habilidades e seu conhecimento para enviar um sinal para a Terra para dizer que está vivo.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Ridley Scott), Ator (Matt Damon), Atriz Coadjuvante (Jessica Chastain), Roteiro Adaptado (Drew Goddard), Fotografia (Dariusz Wolski), Direção de Arte (Arthur Max), Montagem (Pietro Scalia), Trilha Musical Original (Harry Gregson-Williams), Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais.

Dúvida: Figurino (Janty Yates)

Até pouco tempo atrás, Perdido em Marte era considerado uma incógnita, mas depois do lançamento de seu trailer, o filme ganhou novo status e pode ser muito bem o recordista de indicações ao Oscar 2016. Após trabalhos abaixo da média do veterano Ridley Scott (reconhecido mundialmente pelos clássicos Alien: O Oitavo Passageiro e Blade Runner: O Caçador de Andróides) pode finalmente voltar à tona com um projeto mais respeitável. Sinceramente, espero que a execução seja infinitamente superior ao de Prometheus, que tinha tudo pra ser um estouro.

Elenco e equipe Ridley Scott tem de primeiro nível: vencedores e indicados ao Oscar de baciada. E ainda conta com atores experientes que acabaram de trabalhar em outro filme de temática espacial, Interestelar: Matt Damon e Jessica Chastain. O roteiro, escrito pelo jovem promissor Drew Goddard (de O Segredo da Cabana), foi baseado no livro best-seller The Martian, de Andy Weir. Resta saber se o filme refletirá suas expectativas nas bilheterias e se a Academia está aberta a premiar uma ficção científica depois de bater na trave com Gravidade em 2014.

EU, VOCÊ E A GAROTA QUE VAI MORRER (Me and Earl and the Dying Girl)
Dir: Alfonso Gomez-Rejon

Olivia Cooke, Thomas Mann e RJ Cyler posam para foto de Me and Earl and the Dying Girl (photo by outnow.ch)

Olivia Cooke, Thomas Mann e RJ Cyler posam para foto de Me and Earl and the Dying Girl (photo by outnow.ch)

Sinopse: O estudante Greg, que passa a maior parte de seu tempo fazendo filmes de paródia com seu amigo Earl, tem sua vida mudada quando ele passa a fazer amizade com Rachel, uma colega de classe que acaba de ser diagnosticada com leucemia.

Deve receber indicação: Roteiro Adaptado (Jesse Andrews)

Dúvida: Filme

Sensação do último Festival de Sundance, Eu, Você e a Garota que Vai Morrer já chama atenção pelo seu título inusitado que mistura drama com comédia e humor negro. O filme independente tem um clima leve que muito se assemelha a (500) Dias com Ela e Juno, tanto que o trailer se apropria dos mesmos títulos para atrair o interesse do público.

Não sei se se trata de uma previsão otimista ou pessimista, mas o filme tem mais cara de indicado e até vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme – Comédia ou Musical, mas no Oscar teria que se contentar com uma única indicação de Roteiro Adaptado. Este ano, outro sucesso de público com temática de doença entre jovens, A Culpa é das Estrelas, acabou ficando de fora do Oscar.

BROOKLYN
Dir: John Crowley

Saoirse Ronan e Emory Cohen em cena de Brooklyn (photo by cine.gr)

Saoirse Ronan e Emory Cohen em cena de Brooklyn (photo by cine.gr)

Sinopse: Nos anos 50, a jovem imigrante irlandesa Eilis Lacey se muda para os EUA, onde conhece e se envolve com um rapaz americano, mas devido a um tragédia familiar, precisa voltar ao seu país, onde acaba conhecendo outro amor.

Deve receber indicação: Atriz (Saoirse Ronan), Roteiro Adaptado (Nick Hornby)

Dúvida: Fotografia (Yves Bélanger) e Trilha Musical Original (Michael Brook)

Incluí o filme na lista por ter sido alvo de burburinho por parte de alguns sites especializados e também por ser adaptação do best-seller de Colm Tóibín, mas tenho minhas dúvidas se esse filme vai chegar ao tapete vermelho. Ele tem uma pinta de filme bonito e até com seus devidos momentos emotivos que fazem um candidato, mas não tem muito pedigree. John Crowley é um diretor que ficou conhecido pelo filme independente Rapaz A, de 2007, mas depois não deslanchou nada relevante.

Saoirse Ronan pode conseguir sua segunda indicação, desta vez como Melhor Atriz, principalmente por seu empenho no sotaque irlandês de sua personagem. E pelo visto, o escritor Nick Hornby está se empenhando a escrever roteiros agora. Depois de Educação (2009), ele fez o roteiro de Livre (2014) e agora deste Brooklyn. Pode receber sua segunda indicação também.

STAR WARS: EPISÓDIO VII – O DESPERTAR DA FORÇA (Star Wars: Episode VII – The Force Awakens)
Dir: J.J. Abrams

Daisy Ridley corre em cena de Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força (photo by (outnow.ch)

Daisy Ridley corre em cena de Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força (photo by (outnow.ch)

Sinopse: Continuação da saga de George Lucas na galáxia muito distante.

Deve receber indicação: Maquiagem, Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais

Dúvida: Direção de Arte (Rick Carter), Trilha Musical Original (John Williams)

Mais um filme de Star Wars lançado 10 anos após o último, mas com uma diferença bastante relevante: a Lucas Film foi comprada pela Disney. Aliás, o que não é comprado pela Disney?? A empresa comprou também a Pixar e a Marvel, o que pode causar uma padronização (pra não dizer pasteurização) do cinema comercial como o conhecemos.

Felizmente, o diretor J.J. Abrams tem um bom feeling pra franquias como pudemos constatar no reboot de Star Trek (2009), mas não creio numa revolução, até mesmo porque a Disney está mais preocupada em vender seus produtos do que fazer um filme consistente, então provavelmente o diretor não tem carta branca pra tudo, muito menos para o corte final do filme. Claro que este novo Star Wars vai criar novos recordes de bilheteria e muito provavelmente terá presença garantida nas categorias mais técnicas do Oscar.

RICKI AND THE FLASH: DE VOLTA PARA CASA (Ricki and the Flash)
Dir: Jonathan Demme

Mamie Gummer e Meryl Streep, filha e mãe na vida real e na ficção em cena de Ricki and the Flash: De Volata Para Casa (photo by outnow.ch)

Mamie Gummer e Meryl Streep, filha e mãe na vida real e na ficção em cena de Ricki and the Flash: De Volata Para Casa (photo by outnow.ch)

Sinopse: Ricki, que desistiu de tudo por seu sonho de se tornar uma estrela do rock, retorna para casa e procura fazer as coisas certas com sua família.

Deve receber indicação: Atriz (Meryl Streep)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Kevin Kline), Roteiro Original (Diablo Cody), Canção Original

Assim que vi a primeira foto de Meryl Streep caracterizada como uma roqueira dos anos 80 em decadência, logo associei a…? Sim, o Oscar! Esta seria sua 20ª indicação, um recorde que demoraria muito pra ser ultrapassado! Porém, andei lendo alguns rumores de que Meryl Streep não participaria de nenhum campanha do filme para o Oscar.

Independente de seus supostos motivos, a atriz tem tudo para conseguir no mínimo uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz – Comédia ou Musical. Curiosamente, sua filha na vida real, Mamie Gummer, interpreta sua filha no filme.

GRANDMA
Dir: Paul Weitz

Lily Tomlin em primeiro plano e Julie Garner ao fundo em cena de Grandma (photo by latimes.com)

Lily Tomlin em primeiro plano e Julie Garner ao fundo em cena de Grandma (photo by latimes.com)

Sinopse: Declarada misantropa, Elle Reid tem sua bolha protetora estourada quando sua neta de 18 anos aparece precisando de ajuda. As duas partem numa viagem que as obrigará a confrontar passado e futuro.

Deve receber indicação: Atriz (Lily Tomlin)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Sam Elliott), Roteiro Original (Paul Weitz)

Típica dramédia em que dois personagens são obrigados a conviver e acabam descobrindo um sentimento mútuo durante uma road trip. Claro que o filme independente Grandma não tem maiores pretensões na temporada de premiações, mas só o fato de trazer de volta a veterana Lily Tomlin ao centro do palco já é algo digno de nota. Se ela receber indicação, será sua segunda depois da de Coadjuvante por Nashville em 1976! Esse tipo de retorno a Academia costuma reconhecer, então Tomlin tem grandes chances.

Assim como outra veterana Meryl Streep, Lily Tomlin também tem ótima chance de ser premiada pelo Globo de Ouro de Melhor Atriz – Comédia ou Musical, podendo trazer junto o ator Sam Elliott.

007 CONTRA SPECTRE (Spectre)
Dir: Sam Mendes

Daniel Craig como James Bond em cena de 007 Contra Spectre (photo by outnow.ch)

Daniel Craig como James Bond em cena de 007 Contra Spectre (photo by outnow.ch)

Sinopse: Uma mensagem criptografada do passado de Bond o envia numa trilha para desvendar uma organização criminosa. Enquanto M luta contra forças políticas para manter o serviço secreto vivo, James Bond investiga a SPECTRE.

Deve receber indicação: Trilha Musical Original (Thomas Newman), Canção Original, Som e Efeitos Sonoros

Dúvida: Fotografia (Hoyte Van Hoytema), Montagem (Lee Smith)

O prestigiado diretor Sam Mendes retorna pela segunda vez à cadeira de direção da franquia 007, mas desta vez não conta com um colaborador que faz a diferença: o diretor de fotografia Roger Deakins, que fez um trabalho estupendo em 007 – Operação Skyfall. Contudo, ele será substituído por outro bom profissional (Hoyte Van Hoytema) e contará com o retorno do compositor Thomas Newman, que foi indicado pelo filme anterior de Bond.

Aliás, 007 – Operação Skyfall ganhou o primeiro Oscar de Canção Original da série toda, criada em 1962 com 007 Contra o Satânico Dr. No, portanto existe uma expectativa em relação à canção de abertura deste novo trabalho. Independente do músico ou banda que interprete a nova canção (alguns sites indicaram Ellie Goulding), 007 Contra Spectre deve ser mais um sucesso arrebatador e deve conquistar indicações técnicas e quem sabe mais uma de canção…

Mesmo que tenha poucas chances no Oscar, vale lembrar que Christoph Waltz (vencedor de duas estatuetas por Bastardos Inglórios e Django Livre) está no elenco. Ele interpreta Oberhauser, o líder da organização Spectre. Por 007 – Operação Skyfall, Javier Bardem chegou a ser indicado para o SAG de Coadjuvante por interpretar o vilão Silva.

CINDERELA (Cinderella)
Dir: Kenneth Branagh

No centro, Cate Blanchett como a Madrasta em cena de Cinderela (photo by outnow.ch)

No centro, Cate Blanchett como a Madrasta em cena de Cinderela (photo by outnow.ch)

Sinopse: Versão live-action da fábula da Cinderela, a Gata Borralheira que sofre nas mãos da madrasta e das meia-irmãs até ter sua sorte mudada com a ajuda de uma fada.

Deve receber indicação: Direção de Arte (Dante Ferretti) e Figurino (Sandy Powell)

Dúvida: Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett), Trilha Musical Original (Patrick Doyle)

Depois do sucesso comercial de Malévola no ano passado, a Disney resolveu apostar as fichas nas adaptações em live-action de muitas animações consagradas por ela mesma. Então, depois desse Cinderela, estão nos planos a versão de Mulan e A Bela e a Fera, ou seja, acabaram as idéias até para animações novas…

Felizmente, a Academia sabe reconhecer qualidades técnicas mesmo em refilmagens. O próprio Malévola foi indicado este ano para Figurino, o que favorece a inclusão de Cinderela na lista de indicações, especialmente no Figurino caprichado da veterana Sandy Powell e do primoroso trabalho de production design do italiano Dante Ferretti, que já ganhou 3 Oscars. Já os rumores de uma indicação para Cate Blanchett como a Madrasta chegaram a ser comentados em alguns sites, mas seria bem improvável.

—–

Alguns trabalhos não devem alçar vôos mais altos na temporada, mas pode sobrar uma vaguinha em uma ou outra categoria, portanto, os filmes seguintes são listados de forma mais simples:

MILES AHEAD
Dir: Don Cheadle

Don Cheadle como o músico Miles Davis em Miles Ahead (photo by jazzmusic.in)

Don Cheadle como o músico Miles Davis em Miles Ahead (photo by jazzmusic.in)

Cinebiografia do músico Miles Davis.

Melhor chance: Ator (Don Cheadle), Trilha Musical Original (Herbie Hancock)
Forçando a barra: Ator Coadjuvante (Ewan McGregor)

HOMEM-FORMIGA (Ant-Man)
Dir: Peyton Reed

Paul Rudd como o herói em Homem-Formiga (photo by outnow.ch)

Paul Rudd como o herói em Homem-Formiga (photo by outnow.ch)

Adaptação dos quadrinhos de Scott Lang e seu alter-ego, o super-herói Homem-Formiga. Ele deve ajudar seu mentor Hank Pym a roubar uma armadura que ajudou a criar.

Melhor chance: Efeitos Visuais
Forçando a barra: Efeitos Sonoros

VINGADORES: ERA DE ULTRON (Avengers: Age of Ultron)
Dir: Joss Whedon

Homem de Ferro em ação contra o Hulk em Vingadores: Era de Ultron (photo by cinemagia.ro)

Homem de Ferro em ação contra o Hulk em Vingadores: Era de Ultron (photo by cinemagia.ro)

Tony Stark e Bruce Banner criam um programa chamado Ultron para dar paz ao mundo, mas os planos dão errado e os Vingadores precisam evitar que ele destrua o planeta.

Melhor chance: Efeitos Visuais
Forçando a barra: Som e Efeitos Sonoros

JURASSIC WORLD: O MUNDO DOS DINOSSAUROS (Jurassic World)
Dir: Colin Trevorrow

Chris Pratt trabalha com os velociraptors em Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (photo by outnow.ch)

Chris Pratt trabalha com os velociraptors em Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (photo by outnow.ch)

Quarta parte iniciada com Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993). Com o parque finalmente aberto ao público e funcionando, as coisas começam a dar errado quando criam um dinossauro geneticamente modificado para atrair mais pessoas.

Melhor chance: Efeitos Visuais e Som
Forçando a barra: Trilha Musical Original (Michael Giacchino) e Efeitos Sonoros

LONGE DESTE INSENSATO MUNDO (Far from the Madding Crowd)
Dir: Thomas Vinterberg

Carey Mulligan em cena de Longe Deste Insensato Mundo (photo by outnow.ch)

Carey Mulligan em cena de Longe Deste Insensato Mundo (photo by outnow.ch)

Baseado no clássico romance homônimo de Thomas Hardy, o filme se passa na Inglaterra Vitoriana, onde a jovem Bathsheba Everdene atrai três homens diferentes: um criador de ovelhas, um sargento e um próspero e maduro bacharel.

Melhor chance: Figurino (Janett Patterson)
Forçando a barra: Atriz (Carey Mulligan)

O QUARTO DE JACK (Room)
Dir: Lenny Abrahamson

Brie Larson como a mãe em cena de Room (photo by outnow.ch)

Brie Larson como a mãe em cena de Room (photo by outnow.ch)

História contemporânea sobre o amor entre mãe e filho. O jovem Jack não conhece nada do mundo, exceto pelo quarto em que nasceu e foi criado.

Melhor chance: Atriz (Brie Larson)
Forçando a barra: Atriz Coadjuvante (Joan Allen)

O FIM DA TURNÊ (The End of the Tour)
Dir: James Ponsoldt

Jesse Eisenberg como o repórter e o Jason Segel como David Foster Wallace em cena de The End of the Tour (photo by elfilm.com)

Jesse Eisenberg como o repórter e o Jason Segel como David Foster Wallace em cena de The End of the Tour (photo by elfilm.com)

A história de uma entrevista que durou 5 dias entre o repórter da Rolling Stone, David Lipsky, e o aclamado autor David Foster Wallace, que aconteceu logo depois da publicação do romance dele chamado “Infinite Jest” em 1996.

Melhor chance: Roteiro Adaptado (Donald Margulies)
Forçando a barra: Ator (Jason Segel)

*** As indicações ao Oscar 2016 serão anunciadas no dia 14 de janeiro.

‘Saving Christmas’ é eleito o pior do ano no Framboesa de Ouro 2015

Saving Christmas: o grande vencedor do Framboesa de Ouro 2015 (photo by cdn.screenrant.com)

Saving Christmas: o grande vencedor do Framboesa de Ouro 2015 (photo by cdn.screenrant.com)

FRAMBOESA FINALMENTE CONTEMPLA TAMBÉM MICHAEL BAY E SEUS EXCESSOS

Quem diria que o Framboesa de Ouro já está completando 35 anos? Certamente, três décadas e meia da mais pura nata do cinema de qualidade! Um dos fundadores do evento, John Wilson, contou em entrevista: “Há 35 anos fazemos essa festa como contraponto ao Oscar”. E vem dando certo, pois antes a cerimônia ocupava uma salinha e hoje chega a alugar um teatro de médio porte e este ano passou a cobrar até ingressos que, segundo Wilson, venderam quase todos a 25 dólares cada.

Como de praxe, o prêmio possui as categorias de Pior Filme, Ator, Atriz, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante, Diretor e Roteiro, mas este ano, lançou um prêmio especial intitulado The Razzie Redeemer Award (algo como Framboesa Redentora) para aqueles atores que persistem depois um mega fracasso e alcançam o sucesso comercial e de crítica. O primeiro contemplado foi Ben Affleck, que foi de Contato de Risco (2003) com Jennifer Lopes para os sucessos Argo (2013) e Garota Exemplar (2014).

Ontem: Ben Affleck com Jennifer Lopez em Contato de Risco, de 2003 (photo by cdn.thedailybeast.com)

Ontem: Ben Affleck com Jennifer Lopez em Contato de Risco, de 2003 (photo by cdn.thedailybeast.com)

Ben Affleck ostenta seu segundo Oscar, mas desta vez como produtor por Argo (photo by bostinno.com)

E hoje: Ben Affleck com seu segundo Oscar por Argo. O mundo realmente dá voltas. (photo by bostinno.com)

Infelizmente, Affleck não foi receber o prêmio como a maioria não costuma fazer por vergonha. Daria pra contar nos dedos os artistas que foram ao palco agradecer pela honraria: Sandra Bullock (por Maluca Paixão), Halle Berry (por Mulher-Gato) e o diretor holandês Paul Verhoeven (por Showgirls), que foi marcante por ter sido o primeiro artista a receber o prêmio em mãos em 1996.

Este ano, o grande vencedor (ou seria perdedor?) foi Saving Christmas, um filme evangélico classificado como de família e comédia. A produção foi contemplada como Pior Filme, Pior Ator, Pior Roteiro e Pior Combo.

Logo atrás, vem Transformers: A Era da Extinção com 2 Framboesas. Finalmente minhas preces foram atendidas e Michael Bay foi reconhecido por suas virtudes como diretor. Ok, não dá pra esperar muita coisa de Michael Bay, mas pelo menos antes ele se esforçava um pouco mais pra entregar um blockbuster mais razoável como A Rocha (1996) ou A Ilha (2005), cujos primeiros 20 minutos são bons, mas depois desanda de uma maneira que até hoje não consigo entender. Ele é uma espécie de Ed Wood com dinheiro. Acha que está fazendo obras-primas, mas não está. Mas a diferença é que Ed Wood não tinha um centavo no bolso e qualquer coisa na tela se tornava algo bonito. Por favor, amigos de Michael Bay, dêem um toque pra ele.

Depois de várias tentativas frustradas, Michael Bay finalmente conquista seu Framboesa de Ouro por Transformers: A Era da Extinção (photo by i.ytimg.com)

Depois de várias tentativas frustradas, Michael Bay finalmente conquista seu Framboesa de Ouro por Transformers: A Era da Extinção (photo by i.ytimg.com)

O Framboesa de Ouro não existe pra ficar dando lição de moral nos concorrentes, mas de uma certa forma, dar um leve puxão de orelha e dar um empurrãozinho para que esses artistas repensem melhor antes de levar adiante um projeto que visa apenas um lucro fácil. Tudo bem que às vezes, o ator ou atriz precisa pagar as contas ou fez um favor, como Charlize Theron deve ter feito ao amigo Seth MacFarlane naquela draga de comédia besteirol Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola, que também deveria levar Pior Título em Português, porque o título original não é tão ruim assim: A Million Ways to Die in the West, mas certos tropeços poderiam ser facilmente evitados.

Seth Macfarlane e Charlize Theron em entrevista do filme Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola (photo by i.ytimg.com)

Seth Macfarlane e Charlize Theron em entrevista do filme Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola (photo by i.ytimg.com)

Poxa, Charlize Theron ganhou o Oscar por Monster: Desejo Assassino, e hoje está na lista do Framboesa. Depois daquele baita esforço de transformação para viver a assassina Aileen Wuornos, fazer uma comédia imbecil foi uma decisão tomada à base de crack. Tem artistas que andam tão sem rumo que a gente nem liga mais, como Nicolas Cage, que tem feito uns três filmes ruins por ano, mas é triste noticiar a queda de alguns nomes.

Enfim, sem mais delongas, os grandes ganhadores do Framboesa 2015:

PIOR FILME
• Saving Christmas
– O Apocalipse
– Hércules
– As Tartarugas Ninja
– Transformers: A Era da Extinção

PIOR ATOR
Kirk Cameron (Saving Christmas)
– Nicolas Cage (O Apocalipse)
– Kellan Lutz (Hércules)
– Seth MacFarlane (Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola)
– Adam Sandler (Juntos e Misturados)

PIOR ATRIZ
• Cameron Diaz (Mulheres ao Ataque) e (Sex Tape: Perdido na Nuvem)
– Drew Barrymore (Juntos e Misturados)
– Melissa McCarthy (Tammy)
– Charlize Theron (Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola)
– Gaia Weiss (Hércules)

PIOR ATOR COADJUVANTE
• Kelsey Grammer (Os Mercenários 3), (A Lenda de Oz), (Elas Querem Pensar Como Eles!) e (Transformers: A Era da Extinção)
– Mel Gibson (Os Mercenários 3)
– Shaquille O’Neal (Juntos e Misturados)
– Arnold Schwarzenegger (Os Mercenários 3)
– Kiefer Sutherland (Pompeia)

PIOR ATRIZ COADJUVANTE
Megan Fox (As Tartarugas Ninja)
– Cameron Diaz (Annie)
– Nicola Peltz (Transformers: A Era da Extinção)
– Susan Sarandon (Tammy)
– Bridgette Cameron (Saving Christmas)

PIOR DIRETOR
Michael Bay (Transformers: A Era da Extinção)
– Darren Doane (Saving Christmas)
– Renny Harlin (Hércules)
– Jonathan Liebesman (As Tartarugas Ninja)
– Seth MacFarlane (Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola)

PIOR REMAKE OU SEQUÊNCIA
Annie
– Atlas Shrugged: Part III
– Hércules
– As Tartarugas Ninja
– Transformers: A Era da Extinção

PIOR COMBO
Kirk Cameron e seu ego (Saving Christmas)
– Kellan Lutz e seus músculos (Hércules)
– Seth MacFarlane e Charlize Theron (Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola)
– Cameron Diaz, Jason Segel (Sex Tape: Perdido na Nuvem)
– Qualquer dois robôs, atores (ou atores robóticos) (Transformers: A Era da Extinção)

PIOR ROTEIRO
Darren Doane, Cheston Hervey (Saving Christmas)
– Paul Lalonde, John Patus (O Apocalipse)
– Kate Angelo, Jason Segel, Nicholas Stoller (Sex Tape: Perdido na Nuvem)
– Ehren Kruger (Transformers: A Era da Extinção)
– Evan Daugherty, André Nemec, Josh Appelbaum (As Tartarugas Ninja)

FRAMBOESA REDENTORA
• Ben Affleck: de vencedor do Framboesa por Contato de Risco para vencedor do Oscar por Argo, e Garota Exemplar
– Jennifer Aniston: de 4 vezes indicada ao Framboesa para indicada ao SAG por Cake: Uma Razão Para Viver
– Mike Myers: de vencedor do Framboesa por O Guru do Amor para diretor de documentário Supermensch: The Legend of Shep Gordon
– Keanu Reeves: de seis vezes indicado ao Framboesa para o aclamado pela crítica De Volta ao Jogo
– Kristen Stewart: de vencedora do Framboesa por Crepúsculo para o filme de arte Camp X-Ray

‘Boyhood’ retoma favoritismo em BAFTA 2015

Da esquerda pra direita: o produtor Joanthan Sehring, Ellar Coltrane, a produtora Cathleen Sutherland, Patricia Arquette, Ethan Hawke e John Sloss (photo by www.nacion.com)

Da esquerda pra direita: Tom Cruise, que apresentou o prêmio, o produtor Joanthan Sehring, Ellar Coltrane, a produtora Cathleen Sutherland, Patricia Arquette, Ethan Hawke e John Sloss posam para foto após vitória de Boyhood no BAFTA (photo by http://www.nacion.com)

FILME DE RICHARD LINKLATER VINHA PERDENDO ESPAÇO PARA ‘BIRDMAN’, MAS COM BAFTA GANHA SOBREVIDA

Até meados de janeiro, muitos consideravam a disputa pelo Oscar encerrada com o franco-favoritismo de Boyhood: Da Infância à Juventude pré e pós-Globo de Ouro. Contudo, com a chegada dos prêmios dos sindicatos, vencidos por Birdman (PGA, SAG e DGA), a corrida parecia ter outro vencedor. Parecia. Até o BAFTA que aconteceu na noite desse domingo, dia 08, onde Boyhood levou o total de 3 prêmios: Melhor Filme, Melhor Diretor (Richard Linklater) e Atriz Coadjuvante (Patricia Arquette).

No quesito quantidade, o grande vencedor foi O Grande Hotel Budapeste, que conquistou cinco prêmios: Roteiro Original, Direção de Arte, Figurino, Maquiagem e Cabelo, e Trilha Musical. Infelizmente, Wes Anderson não estava presente para receber o prêmio, pois estava na cerimônia do DGA na noite anterior nos EUA. Logo atrás, A Teoria de Tudo conquistou três BAFTAs: Melhor Filme Britânico, Melhor Ator (Eddie Redmayne) e Roteiro Adaptado, assim como Whiplash: Em Busca da Perfeição, que levou Ator Coadjuvante (J.K. Simmons), Montagem e Som.

Já o ascendente Birdman ficou pequeno na Inglaterra. Levou apenas o prêmio de Fotografia para Emmanuel Lubezki. Embora haja inúmeras estatísticas de vários sindicatos, o Oscar pode muito bem usar o BAFTA como parâmetro. Só para exemplificar, houve acerto nos últimos seis anos na categoria de Melhor Filme em relação ao Oscar.

Acompanho a temporada de premiações há quase duas décadas e apesar de conhecer alguns macetes, na hora de adivinhar quem vai ganhar, tudo se torna uma caixinha de surpresas. Assim, não dá pra ter 100% de certeza se a Academia vai seguir o Globo de Ouro e o BAFTA ou os sindicatos. Muitos especialistas afirmam que os resultados do BAFTA não prejudicam a boa campanha de Birdman, pois não são muitos os membros em comum entre a Academia americana e a britânica.

Claro que nesse impasse entre dois favoritos, pode haver uma brecha para um terceiro filme ou como é carinhosamente apelidado de “zebra”. Este ano, este papel pode ser de Sniper Americano, cujo sucesso nas bilheterias está surpreendendo todos os estúdios. Há sete semanas em cartaz nos EUA, o filme de Clint Eastwood já coletou mais de 280 milhões de dólares em território americano. Pena que não recebeu indicação para seu diretor, pois enfraquece demais suas chances como Melhor Filme, pois são raros os casos em que o vencedor do Melhor Filme sequer teve seu diretor indicado. Os últimos dois casos foram em 2013 com Argo e só em 1989 com Conduzindo Miss Daisy.

Eddie Redmayne levou o Globo de Ouro, o SAG e agora o BAFTA (photo by independent.co.uk)

Eddie Redmayne levou o Globo de Ouro, o SAG e agora o BAFTA (photo by independent.co.uk)

A presença de Sniper Americano também representa uma ameaça à calmaria na categoria de Melhor Ator. Apesar do favoritismo de Eddie Redmayne, que levou o Globo de Ouro, SAG e BAFTA, vale lembrar que em nenhuma dessas premiações ele competiu com Bradley Cooper, que também pode se tornar uma zebra caso os votos se dividam entre Redmayne e Michael Keaton.

Enfim, voltando aos resultados do BAFTA, todos os atores premiados confirmaram seus favoritismos. Além dos já citados Redmayne e Patricia Arquette, J.K. Simmons e Julianne Moore parecem imbatíveis. Sorte para os atores, mas talvez represente mau sinal para a audiência que carece de boas surpresas. Com tantos prêmios que antecedem o Oscar, está cada vez mais raro surpreender com o resultado de um envelope nessas categorias.

Julianne Moore posa para fotos com seu BAFTA por Para Sempre Alice (photo by independent.co.uk)

Julianne Moore posa para fotos com seu primeiro BAFTA por Para Sempre Alice (photo by independent.co.uk)

A briga parece boa também entre os filmes em língua estrangeira. Enquanto o polonês Ida levou o NYFCC, LAFCA e agora o BAFTA, o russo Leviatã levou o Globo de Ouro e o prêmio de roteiro de Cannes. Já na categoria de animação, o outrora favorito Uma Aventura Lego faturou o BAFTA, mas vai parar por aí, porque não foi indicado ao Oscar.

Curiosamente, o grande perdedor da noite foi um filme britânico: O Jogo da Imitação. De suas 9 indicações, saiu de mãos abanando. Muitos consideram que sua campanha sofreu um baque depois de fortes críticas em relação à omissão do filme em relação ao aspecto sexual do matemático Alan Turing, que chegou a sofrer castração química, mesmo depois de ter quebrado o código nazista e terminado a Segunda Guerra Mundial. Com isso, muitos apostam que o filme pode passar batido no Oscar também.

O que parece ser um consenso também é que haverá uma ou outra reviravolta até o próximo dia 22 de fevereiro, quando os envelopes serão abertos.

Seguem os vencedores do BAFTA 2015:

MELHOR FILME
BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE, Richard Linklater, Cathleen Sutherland

MELHOR FILME BRITÂNICO
A TEORIA DE TUDO, James Marsh, Tim Bevan, Eric Fellner, Lisa Bruce, Anthony Mccarten

ESTRÉIA DE UM ESCRITOR, DIRETOR OU PRODUTOR BRITÂNICO
Stephen Beresford (Writer), David Livingstone (Producer), PRIDE

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
IDA, Pawel Pawlikowski, Eric Abraham, Piotr Dzieciol, Ewa Puszczynska

DOCUMENTÁRIO
CITIZENFOUR, Laura Poitras

ANIMAÇÃO
UMA AVENTURA LEGO, Phil Lord, Christopher Miller

DIRETOR
BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE, Richard Linklater

ROTEIRO ORIGINAL
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Wes Anderson

ROTEIRO ADAPTADO
A TEORIA DE TUDO, Anthony Mccarten

ATOR
Eddie Redmayne, A TEORIA DE TUDO

ATRIZ
Julianne Moore, PARA SEMPRE ALICE

ATOR COADJUVANTE
J.K. Simmons, WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO

ATRIZ COADJUVANTE
Patricia Arquette, BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE

TRILHA MUSICAL ORIGINAL
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Alexandre Desplat

FOTOGRAFIA
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Emmanuel Lubezki

MONTAGEM
WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, Tom Cross

DIREÇÃO DE ARTE
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Adam Stockhausen, Anna Pinnock

FIGURINO
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Milena Canonero

MAQUIAGEM E CABELO
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Frances Hannon

SOM
WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, Thomas Curley, Ben Wilkins, Craig Mann

EFEITOS VISUAIS
INTERESTELAR, Paul Franklin, Scott Fisher, Andrew Lockley

CURTA-METRAGEM BRITÂNICO DE ANIMAÇÃO
THE BIGGER PICTURE, Chris Hees, Daisy Jacobs, Jennifer Majka

CURTA-METRAGEM BRITÂNICO
BOOGALOO AND GRAHAM, Brian J. Falconer, Michael Lennox, Ronan Blaney

THE EE RISING STAR AWARD (VOTO DO PÚBLICO)
Jack O’Connell

A equipe de A Teoria de Tudo posa com o prêmio de Melhor Filme Britânico. No centro, o diretor James Marsh, Felicity Jones, David Beckham (que entregou o prêmio) e Eddie Redmayne (photo by Doug Peters/EMPICS Entertainment)

A equipe de A Teoria de Tudo posa com o prêmio de Melhor Filme Britânico. No centro, o diretor James Marsh, Felicity Jones, David Beckham (que entregou o prêmio) e Eddie Redmayne (photo by Doug Peters/EMPICS Entertainment)

 

Alejandro González Iñárritu supera Richard Linklater no DGA Awards 2015!

Alejandro González Iñárritu vibra com sua vitória no DGA (photo by Getty Images)

Alejandro González Iñárritu vibra com sua vitória no DGA (photo by Getty Images)

DEPOIS DE SOBERANIA DE ‘BOYHOOD’, ‘BIRDMAN’ CRESCE NA RETA FINAL

Agora as coisas ficaram complicadas para o Oscar! Depois de uma hegemonia de Boyhood: Da Infância à Juventude, Birdman passou a conquistar importantes prêmios da indústria que abrem caminho para o Oscar. Depois de conquistar os prestigiados PGA e SAG Awards, Birdman também leva o DGA para o mexicano Alejandro González Iñárritu.

O último filme que levou os três importantes prêmios, mas não conquistou o Oscar de Melhor Filme foi Apollo 13, de 1995, que foi para Coração Valente. Depois disso, houve mais sete produções que conquistaram os mesmos prêmios e também o Oscar: Beleza Americana, Chicago, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, Onde os Fracos Não Têm Vez, Quem Quer Ser um Milionário?, O Discurso do Rei e Argo.
Sua vitória praticamente garantiria seu Oscar de direção, pois de todos os prêmios relacionados à temporada, o DGA é o mais acertivo em relação ao prêmio da Academia. De seus 66 vencedores, 59 ganharam o Oscar de direção. É uma marca impressionante. Outro fator curioso é que pela terceira vez consecutiva, o Oscar pode premiar Filmes e Diretores distintos. Em 2013, enquanto Argo levou Melhor Filme, Ang Lee levou Diretor por As Aventuras de Pi. Em 2014, 12 Anos de Escravidão faturou Filme, e Gravidade melhor Diretor.
E Alejandro se torna o segundo latino a vencer do DGA Awards, podendo também se tornar o segundo no Oscar, seguido por seu compatriota Alfonso Cuarón. Além de Linklater, o diretor competia com Clint Eastwood (Sniper Americano), Morten Tyldum (O Jogo da Imitação) e Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste).
Alejandro González Iñárritu posa com o prêmio por Birdman (photo by pipocamoderna.com.br)

Alejandro González Iñárritu posa com o prêmio por Birdman (photo by pipocamoderna.com.br)

Já pela categoria de Documentário, Citizenfour, de Laura Poitras, levou o DGA. Enquanto pela TV, duas mulheres levaram o prêmio. Jill Soloway pela série Transparent, e Lisa Cholodenko pela minissérie Olive Kitteridge.

A diretora e criadora da série Transparent, Jill Soloway (photo by imdb.com)

A diretora e criadora da série Transparent, Jill Soloway (photo by imdb.com)

Seguem os vencedores do DGA 2015:

FILME: Alejandro González Iñárritu (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
DOCUMENTÁRIO: Laura Poitras (Citizenfour)
SÉRIE DRAMÁTICA: Lesli Linka Glatter (Homeland) – Episódio: From A to B and Back Again
SÉRIE DE COMÉDIA: Jill Soloway (Transparent) – Episódio: Best New Girl
FILMES PARA TV OU MINISSÉRIES: Lisa Cholodenko (Olive Kitteridge)
VARIEDADES/ TALK SHOW/ NOTÍCIAS/ ESPORTES – PROGRAMAÇÃO REGULAR: Dave Diomedi (The Tonight Show With Jimmy Fallon) – Episódio #1
VARIEDADES/ TALK SHOW/ NOTÍCIAS/ ESPORTES – ESPECIAIS: Glenn Weiss (The 68th Annual Tony Awards)
REALITY: Anthony B. Sacco (The Chair: The Test)
PROGRAMA INFANTIL: Jonathan Judge (100 Things To Do Before High School) – Episódio: Piloto
COMERCIAIS: Nicolai Fuglsig, “Sapeurs,” Guinness; “Waiting,” FEMA

Logo do Art Directors Guild (photo by cinema7arte.com)

Logo do Art Directors Guild (photo by cinema7arte.com)

Aproveitando o post dos sindicatos dos diretores, o ADG (Art Directors Guild), sindicato dos diretores de arte também divulgou seus eleitos de 2014. Dividido em três categorias, o prêmio consagrou três trabalhos de design de produção bem diferentes entre si.

FILME DE ÉPOCA: Adam Stockhausen (O Grande Hotel Budapeste)

FILME DE FANTASIA: Charles Wood (Guardiões da Galáxia)

FILME CONTEMPORÂNEO: Kevin Thompson (Birdman)

Entre os vencedores, apenas o trabalho de Stockhausen por O Grande Hotel Budapeste está entre os indicados ao Oscar da categoria, dando-lhe vantagem sobre os demais concorrentes.

PRÊMIOS DA TV:

SÉRIE DE TV DE ÉPOCA OU FANTASIA DE UM HORA, CÂMERA ÚNICA: Deborah Riley (Game of Thrones) – Episódios: “The Laws of Gods and Men” e “The Mountain and the Viper”

SÉRIE DE TV CONTEMPORÂNEA, CÂMERA ÚNICA: Alex DiGerlando (True Detective) – Episódios: “The Locked Room” e “Form and Void”

MINISSÉRIE OU FILME DE TV, CÂMERA ÚNICA: Mark Worthington (American Horror Story: Freak Show) – Episódio: “Massacres and Matinees”

SÉRIE DE TV DE MEIA HORA, CÂMERA ÚNICA: Richard Toyon (Sillicon Valley) – Episódios: “Articles of Incorporation”, “Signaling Risk” e “Optimal Tip-To-Tip Efficiency”

SÉRIE DE TV DE MULTI-CÂMERAS: John Shaffner (The Big Bang Theory) – Episódios: “The Locomotive Manipulation”, “The Convention Conundrum” e “The Status Quo Combustion”

PRÊMIOS OU EVENTOS ESPECIAIS: Derek McLane (86th Annual Academy Awards)

PROGRAMA DE VARIEDADE, COMPETIÇÃO, REALIDADE OU SÉRIE DE GAME SHOW: Tyler B. Robinson (Portlandia): “Celery”

FORMATO CURTO: 

WEBSÉRIES, VIDEOCLIPE OU COMERCIAL: Sean Hargreaves (Apple): “Perspective”