SAM MENDES VENCE DGA e ROGER DEAKINS o ASC e ‘1917’ SE TORNA GRANDE FAVORITO ao OSCAR 2020

Sam Mendes 1917 DGA 2

Sam Mendes posa com o prêmio do DGA por 1917 (pic by The New York Times)

SINDICATOS DE DIRETORES E DE DIRETORES DE FOTOGRAFIA ENALTECEM TRABALHO COMPLEXO DE 1917

Neste sábado, aconteceu a cerimônia de premiação do Sindicato de Diretores (DGA) em Los Angeles, onde o diretor britânico Sam Mendes saiu vitorioso pela segunda vez, vinte anos depois de sua primeira vez por Beleza Americana.

“Tive a sorte de ganhar este prêmio duas décadas atrás. E acho que, se sou honesto comigo mesmo, não me sinto em última análise, como se realmente soubesse o que estava fazendo. É um pouco como me sinto agora.”, disse Mendes no discurso de agradecimento. “Ouvir outros diretores pensarem e falarem – é um pouco como ser alcoólatra. Você percebe que todo mundo passa pelos mesmos problemas. Foi realmente inspirador, continuou ao citar seus colegas indicados.

Em 1917, o diretor retrata a Primeira Guerra Mundial sob a perspectiva de dois soldados britânicos que precisam atravessar as linhas inimigas para entregar uma mensagem a um pelotão para evitar a morte de 1.600 homens. Para isso, ele optou por um complexo método de filmagem que no qual a câmera está sempre em movimento, e a montagem simula um grande plano-sequência durante as duas horas de projeção.

Com o prêmio, Sam Mendes se torna automaticamente o franco-favorito ao Oscar de Direção, já que o histórico do DGA em relação ao prêmio da Academia é praticamente impecável: 64 acertos em 71 anos de coexistência. São apenas SETE divergências, sendo a última em 2013, quando Ben Affleck ganhou o DGA e sequer foi indicado ao Oscar por Argo. Claro que outra exceção pode ocorrer, mas as chances de Bong Joon Ho caíram drasticamente por Parasita, que foi o trabalho mais aclamado por vários críticos, sites especializados e até nas redes sociais, o chamado #BongHive.

Conferimos os cinco filmes reconhecidos pelo DGA: 1917, O Irlandês, Era Uma Vez em… Hollywood, Jojo Rabbit e Parasita, e entendemos que a premiação do filme de guerra se deu mais pelo aspecto técnico. Para quem entende um pouco do mecanismo das filmagens, optar por planos-sequência longos como esses executados em 1917 exigem muita coragem, dedicação e perfeição de toda uma equipe, que ainda fica sujeita a vários imprevistos e erros. Claro que muito desse trabalho se deve ao grande diretor de fotografia Roger Deakins (que ganhou o prêmio de seu sindicato – ler mais abaixo), mas orquestrar tudo isso para ser executado à perfeição realmente não é um trabalho comum. Outro filme que também se sustenta em planos-sequência, que inclusive venceu o Oscar de Direção, foi Birdman, que teve aquela ótima sequência de Michael Keaton andando de cueca em Manhattan.

Contudo, fica a impressão de que o DGA prima mais pela técnica (ainda mais essa que fica em extrema evidência) do que pelo todo: direção de atores, unidade visual e mensagens de subtexto e simbolismos embutidos nas cenas. Embora reconheçamos a façanha de Sam Mendes, o aspecto técnico fica muito destacado em relação ao restante do filme, o que facilita muito na hora de selecionar o melhor trabalho de direção, pois o diretor aparece… talvez um pouco mais do que o necessário.

Por outro lado, em um nível infinitamente maior de sutileza, só o trabalho de movimentação de câmera de Parasita já o colocaria como um dos melhores do ano. Bong Joon Ho utiliza sua câmera de forma precisa para ajudá-lo a contar a história (e não ser o protagonista como em 1917), com travellings, zooms in e out, e transições perfeitas, nivelando as imagens de acordo com o contexto da família rica e da pobre. No entanto, é na mistura homogênea de gêneros que reside a maior qualidade do trabalho do diretor sul-coreano; não sabemos quando começam e terminam o drama, a comédia, o suspense e até mesmo o terror. Perder a mão firme numa mistura dessas é muito fácil, pois fazer as transições exige uma sensibilidade impecável no tom. E, finalizando nossa defesa de Bong Joon Ho, você já viu praticamente as mesmas artimanhas técnicas de 1917 em outros filmes como Festim Diabólico, Arca Russa e Birdman, e um filme como Parasita? Há quanto tempo você viu um filme como esse? Tecnicamente perfeito, com tom equilibrado e com crítica social que espelha tão bem este momento da sociedade? Esperamos que ele seja a oitava exceção na história do DGA em relação ao Oscar.

DIRETORA ESTREANTE

72nd Annual Directors Guild of America Awards, Press Room, The Ritz-Carlton, Los Angeles, USA - 25 Jan 2020

Alma Har’el com seu DGA de diretora estreante por Honey Boy (pic by Deadline)

Na categoria de Direção Estreante, a vencedora foi Alma Har’el com Honey Boy, um filme autobiográfico sobre a relação de pai e filho do ator Shia Labeouf, que interpreta seu próprio pai.

A diretora utilizou seu discurso de agradecimento para enaltecer a petição da diretora Jessica Dimmock, que coletou várias assinaturas incluindo de Ava DuVernay, Greta Gerwig, Olivia Wilde, Reed Morano, Brie Larson, Jill Soloway, Kerry Washington e Reese Witherspoon, para pedir ao sindicato maior tempo de cobertura de licença maternidade, passando de 12 a 18 meses, para que as mulheres do ofício consigam maior tempo de recuperação, para que cuidem de seus filhos e não sejam prejudicadas na carreira.

“Queremos dar às mulheres mais tempo no ano em que elas estão grávidas e se tornam mães. Para que assim, não sejam penalizadas e percam seus seguro de saúde no ano mais vulnerável delas. Amanhã é o encontro nacional do DGA, e estamos contando com o DGA para lutar pelos pais para que possam dar à luz a uma nova geração de espectadores e de cineastas.”, disse Alma Har’el no palco da premiação.

Numa temporada em que muito se discutiu sobre a ausência de mulheres nas categorias de direção, tanto no Globo de Ouro, no Oscar e no DGA (as três mulheres indicadas foram na categoria de estreante apenas), Alma Har’el fugiu do protesto meramente feminista e apontou para uma falha que prejudica as mulheres da profissão.

Acreditamos que se trata de uma questão de tempo para que as mulheres conquistem maior espaço na cadeira de diretor em produções cinematográficas, ainda mais com movimentos em prol da causa. E o mais importante: o público está começando a enxergar diferenças de uma visão feminina por trás das câmeras, e a tendência é que haja cada vez mais demanda de profissionais mulheres no ramo, e não apenas como resultado de uma “cota obrigatória”.

DIREÇÃO DE DOCUMENTÁRIO

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Julia Reichert e Steven Bognar posam com seu DGA de Documentário por Indústria Americana (pic by Ibtimes)

Na categoria de Direção de Documentário, a dupla Julia Reichert e Steven Bognar foram os premiados por Indústria Americana, que se trata de uma fábrica americana reaberta por um bilionário chinês. Produzido e exibido pela Netflix, o documentário foi o mais visto do ano e se beneficiou pela promoção do ex-presidente Barack Obama, cuja Higher Ground Productions produziu o longa.

O documentário bateu os indicados ao Oscar The Cave e Honeyland, além de One Child Nation e Maiden. Um dos grandes favoritos do ano, Apollo 11, perdeu forças por não ter sido sequer indicado aqui e no Oscar, abrindo caminho para Indústria Americana.

VENCEDORES DO DGA AWARDS:

DIREÇÃO
Sam Mendes (1917)

DIREÇÃO ESTREANTE
Alma Har’el (Honey Boy)

DIREÇÃO DE DOCUMENTÁRIO
Julia Reichert e Steven Bognan (Indústria Americana)

DIREÇÃO DE SÉRIE DRAMÁTICA
Nicole Kassel (Watchmen) episódio: “It’s Summer and We’re Running Out of Ice”

DIREÇÃO DE SÉRIE DE COMÉDIA
Bill Hader (Barry) episódio: “ronny/lily”

DIREÇÃO DE MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Johan Renck (Chernobyl)

DIREÇÃO DE PROGRAMA DE VARIEDADES/TALK SHOW/ESPORTES – ESPECIAIS
James Burrows e Andy Fisher (All in the Family) (The Jeffersons)

DIREÇÃO DE PROGRAMA DE VARIEDADES/TALK SHOW/ESPORTES – REGULARES
Don Roy King (Saturday Night Live) episódio: “E. Murphy; Lizzo”

DIREÇÃO DE REALITY SHOW
Jason Cohen (Encore!) episódio: “Annie”

DIREÇÃO DE PROGRAMA INFANTIL 
Amy Schatz (Song of Parkland)

DIREÇÃO DE COMERCIAL
Spike Jonze (MJZ)


ROGER DEAKINS VENCE PRÊMIO DO SINDICATO DE DIRETORES DE FOTOGRAFIA

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Roger Deakins aceita o ASC Award por 1917 (pic by Zimbio)

Pela quinta vez, Roger Deakins vence o ASC Awards. Ele havia vencido por Um Sonho de Liberdade, O Homem que Não Estava Lá, 007 Operação Skyfall e Blade Runner 2049. Como citado anteriormente, o trabalho complexo de 1917 garante Deakins como o melhor diretor de fotografia da atualidade. Além de toda a coreografia em perfeita sintonia nas filmagens, ele ainda consegue criar composição fotográfica com uma câmera em constante movimentação.

Deakins venceu três dos indicados ao Oscar de Fotografia: Robert Richardson (Era Uma Vez em… Hollywood), Lawrence Sher (Coringa) e Rodrigo Prieto (O Irlandês). Já Phedon Papamichael (Ford Vs Ferrari), que não foi indicado ao Oscar, cedeu sua vaga para Jarin Blaschke (O Farol), que levou o prêmio Spotlight, destinado aos filmes de menor circuito.

Pela categoria de documentário, a fotografia belíssima de Honeyland foi reconhecida. Com uma pré-fotografia que começou três anos antes das filmagens começarem, dá pra entender como o visual ficou arrebatador. “Toda minha vida sonhei estar aqui com os maiores nomes da fotografia. É uma grande honra estar aqui e ter nosso filme reconhecido pela associação. Obrigado a todos por esta grande conquista e prêmio,” disse Fejmi Daut no discurso de agradecimento.

VENCEDORES DO 25º ASC AWARDS:

FOTOGRAFIA
Roger Deakins (1917)

PRÊMIO SPOTLIGHT
Jarin Blaschke (O Farol)

DOCUMENTÁRIO
Fejmi Daut and Samir Ljuma (Honeyland)

SÉRIE NÃO-COMERCIAL
Colin Watkinson, ASC, BSC – The Handmaid’s Tale, “Night” (Hulu)

SÉRIE COMERCIAL
C. Kim Miles, CSC, MySC – Project Blue Book, “The Flatwoods Monster” (History)

MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
John Conroy, ISC – The Terror: Infamy, “A Sparrow in a Swallow’s Nest” (AMC) 

OSCAR 2020: INDICADOS a MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

27th Annual Elton John AIDS Foundation Academy Awards Viewing Party Sponsored By IMDb And Neuro Drinks Celebrating EJAF And The 91st Academy Awards - Inside

Elton John com Taron Egerton numa apresentação especial (pic by Adoro Cinema)

HORA DE CONHECER AS CINCO CANÇÕES INDICADAS AO OSCAR

Embora muitos dos espectadores que assistem ao Oscar utilizem as apresentações das músicas para fazer aquele break para o banheiro ou para buscar aquele snack na geladeira, sempre existem aqueles que amam as performances dos artistas.

Dentre as canções esnobadas que vinham sendo reconhecidas na temporada estão “Spirit” (O Rei Leão), “Beautiful Ghosts” (Cats) e “Speechless” (Aladdin), mas foi a ausência de “Glasgow (No Place Like Home)” do filme As Loucuras de Rose que realmente nos deixou decepcionadíssimos. Uma canção leve, bonita e que carrega todo o espírito do filme britânico sobre uma mulher que sonha em cantar em Nashville. A Academia perdeu uma excelente oportunidade de “compensar” a esnobada atriz Jessie Buckley ao dar a chance de ela se apresentar no palco. Uma pena. Vamos colocar o link dela no final do post para aqueles que se interessaram.

Voltando aos indicados deste ano, os cinco que vão se apresentar já confirmaram presença e já devem estar ensaiando para a cerimônia do dia 09 de Fevereiro. Conheça um pouco sobre as canções que estão concorrendo ao prêmio, vencido por “Shallow” no ano passado.

“I Can’t Let You Throw Yourself Away”  (Toy Story 4)
Música e letras por Randy Newman

Dos cinco indicados, esta foi a maior surpresa da categoria, pois a canção não vinha figurando em nenhuma lista de canções até aquele momento. Curiosamente, com esta indicação, todos os quatro filmes de Toy Story receberam indicações ao Oscar: “You’ve Got a Friend in Me” (Toy Story), “When She Loved Me” (Toy Story 2), “We Belong Together” (Toy Story 3) – que acabou levando o Oscar pelo mesmo Randy Newman – e esta nova canção. Claro que a canção é fofinha e animada como a anterior, mas ainda não entendemos essa indicação. As chances de vitória são mínimas.

“(I’m Gonna) Love Me Again” (Rocketman)
Música por Elton John e letras por Bernie Taupin

Apesar do clima triste presente em muitas cenas envolvendo família, a canção casa perfeitamente com as sequências oníricas e coloridas. E como o próprio Taupin disse, “não se trata de apenas mais uma canção de Elton John, mas uma canção feita para seu filme autobiográfico”. Entre os prêmios mais importantes, já levou o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards. Com esta única indicação para Rocketman (merecia Melhor Ator, Figurino e Maquiagem), a canção pode ganhar mais força na votação. Vale lembrar que Elton John já ganhou um Oscar em 1995 pela canção “Can You Feel the Love Tonight” de O Rei Leão. E embora nada tenha sido confirmado ainda, existe a possibilidade do ator Taron Egerton, que interpretou Elton John, acompanhá-lo na apresentação no palco, o que seria gratificante para o ator, que foi esnobado.

“I’m Standing With You” (Superação: O Milagre da Fé)
Música e letras por Diane Warren. A atriz Chrissy Metz cantará a canção.

Dentre os recordistas de indicações de artistas sem vitória, temos a compositora Diane Warren que, este ano, recebeu sua 11ª indicação por Superação: O Milagre da Fé. Trata-se de uma adaptação de um livro sobre uma mãe que ora para que seu filho de 14 anos sobreviva a um afogamento. Praticamente todos os anos, a Academia gosta de indicar uma canção nesse estilo mais religioso ou espiritual, mas uma vitória aqui seria, com o perdão da palavra, um milagre. Warren teve seu auge nos anos 90 com as canções “Because You Loved Me”, “How do I Live” e “I Don’t Want to Miss a Thing”.

“Into the Unknown” (Frozen 2)
Música e letras por Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez. Cantada por Idina Menzel e Aurora

Definitivamente não tem a mesma pegada de “Let it Go” do primeiro filme, mas os compositores Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez são bons nesse ofício. Já ganharam dois Oscars, por Frozen e Viva: A Vida é uma Festa (Remember Me”), sem contar toda a longeva tradição das canções da Disney no Oscar. Alguns podem votar na canção para compensar a ausência de Frozen 2 na categoria de Longa de Animação, mas acreditamos que não será o suficiente. Esperamos que desta vez, pelo menos, acertem o nome da Idina Menzel antes de ela se apresentar, principalmente se for John Travolta.

“Stand Up” (Harriet)
Música e letras por Joshuah Brian Campbell e Cynthia Erivo

Não sei se vocês vão se lembrar, mas esta canção muito lembra “Mighty River”, cantada pela também indicada ao Oscar Mary J. Blige pelo drama Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississippi, que concorreu como Melhor Canção em 2018. Ambas são provenientes de filmes sobre escravidão, porém Harriet se passa no século XIX. Já considerávamos esta canção uma das favoritas ao prêmio, mas sua campanha ganhou mais força ainda quando Cynthia Erivo se recusou a apresentar a canção na cerimônia do BAFTA, quando a organização tentou “compensar” a falta de atores negros indicados nas categorias de atuação. Embora um pouco radical, sua decisão andou repercutindo nessa reta final do Oscar, e agora resta saber se vai gerar consequências positivas. E já que as chances de Erivo levar Melhor Atriz, pode ser que ela leve pela canção. De qualquer forma, “Stand Up” é uma bela canção. Pena que a personagem não canta durante o filme.

A 92ª cerimônia do Oscar acontece no dia 09 de Fevereiro, a partir das 22h (horário de Brasília)


E como prometido, o link de “Glasgow (No Place Like Home)”:

BOLÃO do OSCAR 2020!!

BOLÃO OSCAR 2020

Prêmios do Bolão Oscar 2020: 1 blu-ray de Toy Story 4, 1 DVD de Quanto Mais Quente Melhor e O Livro de Cinema

A página CINEMA, OSCAR E AFINS traz pelo segundo ano consecutivo o BOLÃO do OSCAR. Em 2019, contamos com quase 700 inscritos pelo Brasil, e na ocasião, o vencedor acertou 19 das 24 categorias.

O regulamento está no cabeçalho do formulário (no link abaixo), mas é importante destacar que o participante deverá:

1. CURTIR a nossa página do Facebook (se já segue, certifique-se que CURTE) E/OU SEGUIR o nosso perfil no INSTAGRAM @cinemaoscareafins (Caso vc ganhe e não tenha cumprido este item, o segundo lugar ganha o bolão)

2. Não esqueça de PREENCHER seu NOME COMPLETO e ENDEREÇO de E-MAIL no formulário, pois é a forma mais fácil de contatá-lo(a) em caso de vitória

3. Maior número de acertos nas 24 categorias VENCE o BOLÃO. Em caso de EMPATE, vence quem postou PRIMEIRO e claro, CUMPRIU o REGULAMENTO.

Adoraremos se você marcar, indicar ou recomendar este bolão para amigos, parentes, namorados e ficantes, pois nos ajuda muito a divulgar o nosso trabalho!

Este ano, os prêmios para o vencedor são:
1 BLU-RAY do filme TOY STORY 4
1 DVD do filme QUANTO MAIS QUENTE MELHOR (Some Like it Hot)
1 ENCICLOPÉDIA intitulada O LIVRO DO CINEMA, da editora GLOBO LIVROS

Divulgaremos o mais breve possível o vencedor ou vencedora.
Boa sorte e um ótimo Oscar para todos!

FORMULÁRIO DO BOLÃO DO OSCAR 2020

Aceitaremos o envio dos formulários até o dia 09 de fevereiro às 16h (horário de Brasília). A 92ª cerimônia do Oscar será no dia 09/02 a partir das 22h, e será transmitida pela TNT.

 

ONDE e QUANDO ACOMPANHAR os INDICADOS ao OSCAR 2020

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As 24 indicações da NETFLIX: Indústria Americana, Dois Papas, Perdi Meu Corpo, Democracia em Vertigem, Klaus, O Irlandês, História de um Casamento e o curta A Vida em Mim.

COM A AJUDA DA NETFLIX, GRANDE MAIORIA DOS INDICADOS JÁ FOI LANÇADA E ESTÁ DISPONÍVEL PARA O PÚBLICO

Ok, as indicações ao Oscar saíram nesta semana e você só assistiu a Coringa. A boa notícia é que você já eliminou 11 indicações de uma só vez. Na verdade, há duas boas notícias quando se trata da facilidade de acompanhar os indicados ao Oscar em relação a anos anteriores.

Primeiro, como já criticamos aqui, houve uma alta concentração de indicações em quatro filmes. Foram 11 para Coringa, 10 para Era Uma Vez em… Hollywood, 10 para 1917 e 10 para O Irlandês. São 41 indicações para quatro filmes, ou seja, se você assistir a esses quatro, já pode assistir à cerimônia no dia 09 de fevereiro com metade do embasamento. Se por um lado criticamos a falta de diversidade de títulos, nessas horas ela ajuda bastante.

Segundo, são 24 indicações para a Netflix, meu amigo. Vai poder matar um monte de filme sem sair de casa! Sei lá, pega a senha do vizinho ou da tia. Custo zero! Se até Paul Thomas Anderson usufrui da assinatura de amigos, por que você não?

Hoje em dia ficou muito mais fácil conferir os trabalhos reconhecidos pela Academia em diversas modalidades. Exemplificando com a Netflix, temos O Irlandês, História de um Casamento e Dois Papas nas principais categorias, temos duas animações concorrendo na respectiva categoria Klaus e Perdi Meu Corpo, e até o documentário brasileiro Democracia em Vertigem. E mesmo aqueles filmes lançados nos cinemas, muitos já estão em cartaz como Ford vs Ferrari, Entre Facas e Segredos e Adoráveis Mulheres, sem contar aqueles que já estão disponíveis em streaming como Era Uma Vez em… Hollywood, O Rei Leão e Toy Story 4.

Acompanhe a lista abaixo para você se programar melhor nessas próximas semanas. Não prometemos que você vai conseguir assistir tudo, mas uns 70% dá se você não ficar assistindo reprise rs.

DISPONÍVEIS EM BLU-RAY/DVD/ON DEMAND

AD ASTRA: RUMO ÀS ESTRELAS (Ad Astra)
1 indicação: EFEITOS SONOROS.

COMO TREINAR O SEU DRAGÃO 3 (How to Train Your Dragon: The Hidden World)
1 indicação: LONGA DE ANIMAÇÃO

DOR E GLÓRIA (Dolor y Gloria)
2 indicações: ATOR (Antonio Banderas) e FILME INTERNACIONAL.

ERA UMA VEZ EM… HOLLYWOOD (Once Upon a Time… in Hollywood)
10 indicações: FILME, DIREÇÃO (Quentin Tarantino), ATOR (Leonardo DiCaprio), ATOR COADJUVANTE (Brad Pitt), ROTEIRO ORIGINAL, FOTOGRAFIA, DESIGN DE PRODUÇÃO, FIGURINO, SOM e EFEITOS SONOROS.

O REI LEÃO (The Lion King)
1 indicação: EFEITOS VISUAIS.

ROCKETMAN (Rocketman)
1 indicação: CANÇÃO ORIGINAL (“I’m Gonna Love Me Again”)

SUPERAÇÃO: O MILAGRE DA FÉ (Breakthrough)
1 indicação: CANÇÃO ORIGINAL (“I’m Standing With You”)

TOY STORY 4 (Toy Story 4)
2 indicações: CANÇÃO (“I Can’t Let You Throw Yourself Away”) e LONGA DE ANIMAÇÃO.

VINGADORES: ULTIMATO (Avengers: Endgame)
1 indicação: EFEITOS VISUAIS.

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A polêmica cena com Bruce Lee em Era Uma Vez em… Hollywood (pic by IMDb)

DISPONÍVEL NO NETFLIX

DEMOCRACIA EM VERTIGEM
1 indicação: DOCUMENTÁRIO

DOIS PAPAS (The Two Popes)
3 indicações: ATOR (Jonathan Pryce), ATOR COADJUVANTE (Anthony Hopkins) e ROTEIRO ADAPTADO.

INDÚSTRIA AMERICANA (American Factory)
1 indicação: DOCUMENTÁRIO

O IRLANDÊS (The Irishman)
10 indicações: FILME, DIREÇÃO (Martin Scorsese), ATOR COADJUVANTE (Al Pacino), ATOR COADJUVANTE (Joe Pesci), ROTEIRO ADAPTADO, FOTOGRAFIA, MONTAGEM, DESIGN DE PRODUÇÃO, FIGURINO e EFEITOS VISUAIS.

KLAUS (Klaus)
1 indicação: LONGA DE ANIMAÇÃO

HISTÓRIA DE UM CASAMENTO (Marriage Story)
6 indicações: FILME, ATOR (Adam Driver), ATRIZ (Scarlett Johansson), ATRIZ COADJUVANTE (Laura Dern), ROTEIRO ORIGINAL e TRILHA ORIGINAL.

PERDI MEU CORPO (J’ai perdu mon corps)
1 indicação: LONGA DE ANIMAÇÃO

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Cena da posse de Dilma no documentário de Petra Costa, Democracia em Vertigem (pic by IMDb)

CURTAS PELA INTERNET (Encontramos 10 dos 15 curtas indicados. Alguns links disponíveis abaixo)

BROTHERHOOD 
1 indicação: CURTA-METRAGEM (Vimeo)

DCERA (DAUGHTER)
1 indicação: CURTA DE ANIMAÇÃO

HAIR LOVE
1 indicação: CURTA DE ANIMAÇÃO (YouTube)

IN THE ABSENCE 
1 indicação: DOCUMENTÁRIO-CURTA (YouTube)

KITBULL
1 indicação: CURTA DE ANIMAÇÃO (YouTube)

LEARNING TO SKATEBOARD IN A WARZONE (IF YOU’RE A GIRL)
1 indicação: DOCUMENTÁRIO-CURTA

MÉMORABLE
1 indicação: CURTA DE ANIMAÇÃO (Vimeo)

https://vimeo.com/325835165

NEFTA FOOTBALL CLUB
1 indicação: CURTA-METRAGEM (YouTube)

THE NEIGHBOR’S WINDOW
1 indicação: CURTA-METRAGEM (Vimeo)

SARIA
1 indicação: CURTA-METRAGEM

SISTER
1 indicação: CURTA DE ANIMAÇÃO

A SISTER (UNE SOEUR)
1 indicação: CURTA-METRAGEM

ST. LOUIS SUPERMAN
1 indicação: DOCUMENTÁRIO-CURTA

A VIDA EM MIM (Life Overtakes Me)
1 indicação: DOCUMENTÁRIO-CURTA (Netflix)

WALK RUN CHA-CHA
1 indicação: DOCUMENTÁRIO-CURTA (Vimeo)

Hair Love

Curta de Animação Hair Love

FILMES EM CARTAZ NOS CINEMAS – com base na programação de São Paulo

ADORÁVEIS MULHERES (Little Women)
6 indicações: FILME, ATRIZ (Saoirse Ronan), ATRIZ COADJUVANTE (Florence Pugh), ROTEIRO ADAPTADO, FIGURINO e TRILHA ORIGINAL.

O CASO RICHARD JEWELL (Richard Jewell)
1 indicação: ATRIZ COADJUVANTE (Kathy Bates).

CORINGA (Joker)
11 indicações: FILME, DIREÇÃO (Todd Phillips), ATOR (Joaquin Phoenix), ROTEIRO ADAPTADO, FOTOGRAFIA, MONTAGEM, FIGURINO, MAQUIAGEM E CABELO, TRILHA ORIGINAL, SOM e EFEITOS SONOROS.

ENTRE FACAS E SEGREDOS (Knives Out)
1 indicação: ROTEIRO ORIGINAL.

O ESCÂNDALO (Bombshell)
3 indicações: ATRIZ (Charlize Theron), ATRIZ COADJUVANTE (Margot Robbie) e MAQUIAGEM E CABELO.

O FAROL (The Lighthouse)
1 indicação: FOTOGRAFIA.

FROZEN 2 (Frozen II)
1 indicação: CANÇÃO ORIGINAL (“Into the Unknown”).

PARASITA (Gisaengchung)
6 indicações: FILME, DIREÇÃO (Bong Joon Ho), ROTEIRO ORIGINAL, MONTAGEM, DESIGN DE PRODUÇÃO e FILME INTERNACIONAL.

STAR WARS: A ASCENSÃO SKYWALKER (Star Wars: The Rise of Skywalker)
3 indicações: TRILHA ORIGINAL, EFEITOS VISUAIS e EFEITOS SONOROS.

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“É um chimpanzé, né?”. Cena de Parasita, ainda em cartaz. Corra pra ver! (pic by IMDb)

PREVISÃO DE ESTRÉIA – Datas previstas para São Paulo, que podem sofrer alterações de acordo com as distribuidoras

16/01: JUDY: MUITO ALÉM DO ARCO-ÍRIS (Judy)
2 indicações: ATRIZ (Renée Zellweger) e MAQUIAGEM E CABELO.

16/01: OS MISERÁVEIS (Les Miserábles)
1 indicação: FILME INTERNACIONAL.

23/01: 1917 (1917)
10 indicações: FILME, DIREÇÃO (Sam Mendes), ROTEIRO ORIGINAL, FOTOGRAFIA, DESIGN DE PRODUÇÃO, MAQUIAGEM E CABELO, TRILHA ORIGINAL, EFEITOS VISUAIS, SOM e EFEITOS SONOROS.

23/01: UM LINDO DIA NA VIZINHANÇA (A Beautiful Day in the Neighborhood)
1 indicação: ATOR COADJUVANTE (Tom Hanks)

06/02: HARRIET (Harriet)
2 indicações: ATRIZ (Cynthia Erivo) e CANÇÃO ORIGINAL (“Stand Up”).

06/02: JOJO RABBIT (Jojo Rabbit)
6 indicações: FILME, ATRIZ COADJUVANTE (Scarlett Johansson), ROTEIRO ADAPTADO, MONTAGEM, DESIGN DE PRODUÇÃO e FIGURINO.

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Cena de Harriet, que conta a inspirada performance de Cynthia Erivo. Estréia para 06/02. (pic by IMDb)

FORA DE CARTAZ E AGUARDANDO LANÇAMENTO EM BLU-RAY/DVD

FORD VS FERRARI (Ford V Ferrari)
4 indicações: FILME, MONTAGEM, SOM e EFEITOS SONOROS.

LINK PERDIDO (Missing Link)
1 indicação: LONGA DE ANIMAÇÃO

05/02: MALÉVOLA: DONA DO MAL (Maleficent: Mistress of Evil)
1 indicação: MAQUIAGEM E CABELO.

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Vencedor do Globo de Ouro de Longa de Animação, Link Perdido. Pic by IMDb

SEM PREVISÃO DE ESTRÉIA (mas se você tem uma boa conexão de internet…)

CORPUS CHRISTI (Boze Cialo)
1 indicação: FILME INTERNACIONAL

FOR SAMA
1 indicação: DOCUMENTÁRIO.

HONEYLAND
2 indicações: FILME INTERNACIONAL e DOCUMENTÁRIO.

THE CAVE
1 indicação: DOCUMENTÁRIO.

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Cena do documentário For Sama, ainda indisponível no Brasil (pic by IMDb)

COM 11 INDICAÇÕES, ‘CORINGA’ LIDERA o OSCAR 2020

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Todos os NOVE indicados a MELHOR FILME no Oscar 2020, de cima pra baixo, da esquerda pra direita: Coringa, Era Uma Vez em… Hollywood, O Irlandês, 1917, Parasita, Jojo Rabbit, Adoráveis Mulheres, História de um Casamento e Ford vs Ferrari

PELA PRIMEIRA VEZ, A NETFLIX É A CAMPEÃ DE INDICAÇÕES COM 24

Às 10h18 da manhã em ponto, horário de Brasília, o anúncio das indicações ao Oscar foram transmitidas ao vivo por meio dos canais oficiais da Academia no YouTube e Facebook, direto do Museu da Academia em Los Angeles. As instalações estão quase prontas para inaugurarem ainda este ano.

De lá, os atores John Cho e Issa Rae leram todos os indicados das 24 categorias em meio a umas piadinhas bobas, que muito lembram o anúncio do ano passado com Kumail Nanjiani e Tracee Ellis Ross. As piadas e comentários rasos a gente suporta, mas o que não entendemos é a falta de ilustratividade do evento. Custa colocar fotos dos indicados de cada categoria? Estão economizando no que ao fazer esse powerpoint simples e sem graça? Como se estivessem prevendo as indicações, colocaram o ator sul-coreano John Cho para acertar na pronúncia dos nomes coreanos. Já Issa Rae foi discreta mas direto no alvo ao dizer “Parabéns àqueles homens”, com uma expressão de “já sabia que não indicar mulheres”.

Para quem não conseguiu acompanhar ao vivo, segue link:

NÚMEROS DESTE OSCAR

Assim como no BAFTA, Coringa lidera com 11 indicações, o que ultrapassa, e muito, a estimativa já otimista da Warner de 8 indicações. Havia dúvidas se o filme conseguiria reconhecimento nas categorias de Som, Efeitos Sonoros, Figurino e para seu diretor Todd Phillips, que corria risco de ceder sua vaga para Greta Gerwig. Com uma bilheteria que ultrapassa 1 bilhão de dólares pelo mundo, esta adaptação dos quadrinhos realmente ganhou torcida e certamente deve atrair maior audiência para a cerimônia do Oscar, no dia 09 de Fevereiro, novamente sem um host. Vale ressaltar que Coringa é apenas a segunda adaptação de quadrinhos a ser indicada a Melhor Filme após Pantera Negra (2018), mas bateu o recorde com 11 indicações. Apesar dessas conquistas, permanecemos céticos em relação a uma vitória de Melhor Filme, uma vez que é um filme violento demais para os padrões da Academia e que dividiu a crítica. Joaquin Phoenix e a trilha são apostas mais seguras de vitórias no momento.

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Joaquin Phoenix recebe sua 4ª indicação ao Oscar por Coringa (pic by IMDb)

Em segundo lugar, empatados com 10 indicações, estão 3 três filmes: 1917, O Irlandês e Era Uma Vez em… Hollywood. Enquanto o primeiro surpreendeu ao ganhar o Globo de Ouro de Melhor Filme e Diretor para Sam Mendes, o segundo vem perdendo espaço, ganhando apenas o prêmio de Melhor Elenco no Critics’ Choice Awards. Apesar dessa queda notável, o filme de Martin Scorsese conquistou indicações em categorias-chave para vencer o Oscar de Melhor Filme: Roteiro Adaptado e Montagem. Pena que Al Pacino e Joe Pesci vão se anular e dar o Oscar para Brad Pitt, o que nos leva ao terceiro filme, que assim como 1917, pode ser uma alternativa viável para os membros da Academia que não querem prestigiar a Netflix.

Já em terceiro lugar, empatados com seis indicações cada, estão 4 filmes: Jojo Rabbit, História de um Casamento, Adoráveis Mulheres e Parasita, todos indicados a Melhor Filme. Desses quatro impressiona o crescimento de Adoráveis Mulheres, que ficou ausente dos prêmios iniciais da crítica, mas agora conquista indicações para suas duas atrizes Saoirse Ronan e Florence Pugh, Roteiro Adaptado para Gerwig, além das já previsíveis de Trilha Original e Figurino.

Num consenso geral, em nossa humilde opinião, numa safra tão rica e diversa de produções, pareceu-nos uma limitação concentrar tantas indicações em poucos filmes. Tivemos tantos filmes bons que ficaram de fora que é no mínimo injusto esse acúmulo. Só pra citar alguns: Jóias Brutas (podiam indicar para Filme, Direção, Ator, Roteiro Original, Montagem e Trilha), Nós (Atriz, Roteiro Original e Trilha), Fora de Série (Roteiro Original), As Golpistas (Atriz Coadjuvante), Luce (Ator, Atriz Coadjuvante e Roteiro Adaptado), O Relatório (Atriz Coadjuvante) e The Farewell (Roteiro Original).

E na contagem de indicações por estúdios, em ordem decrescente: Netflix (24), Sony (20), Disney (17), Warner (12), Universal (11), Neon (8), Fox Searchlight (6), Lionsgate (4) e Focus Features (2).

SEM MULHERES DISPUTANDO DIREÇÃO, MAS CYNTHIA ERIVO GARANTIU A DIVERSIDADE

Como já era esperado, apesar da onda de protestos, a categoria de Direção não indicou nenhuma mulher. Embora alguns nomes estivessem no caldeirão como Lulu Wang, Alma Har’el, Olivia Wilde e Melina Matsoukas, Greta Gerwig era o nome com maior potencial entre elas, mas seu filme Adoráveis Mulheres não foi uma unanimidade na temporada, e ela acabou ficando apenas com a indicação de Roteiro Adaptado.

Pelo menos, não haverá protestos em relação à diversidade étnica que teve o BAFTA, que indicou apenas atores brancos. A Academia excluiu a latina Jennifer Lopez, mas indicou Cynthia Erivo por sua corajosa performance em Harriet, no qual ela interpreta a escrava Harriet Tubman, que conseguiu fugir de seus patronos e voltou para resgatar vários outros escravos.

Cynthia Erivo

Cynthia Erivo indicada para Melhor Atriz por Harriet (pic by IMDb)

Ficamos felizes pelo reconhecimento dela, que também foi indicada pela Canção Original “Stand Up”, que vai cantar na cerimônia. Mas sentimento muito pela ausência de Lupita Nyong’o por aquela brilhante e inovadora atuação em Nós. Claro que muitos já previam que a atriz ficaria de fora da disputa por se tratar de um filme de terror/sci-fi, mas consideramos isso inadmissível. Lupita segue a mesma crucificação que sofreu Toni Collette por Hereditário no ano passado. Se a Academia tivesse indicado Nyong’o, mataria dois coelhos com uma cajadada: diversidade étnica e diversidade de gênero de cinema. Uma pena.

CORÉIA DO SUL DEBUTANDO COM FORÇA NO OSCAR

Nunca na história de 91 anos da Academia, um filme sul-coreano foi indicado em qualquer categoria. Com Parasita, tudo mudou num piscar de olhos. Indicado a 6 Oscars, o filme de Bong Joon Ho tem tudo para levar a primeira estatueta para o país, principalmente na categoria de Filme Internacional.

parasite

A família Kim de Parasita, primeiro filme sul-coreano a ganhar a Palma de Ouro e o primeiro a ser indicado ao Oscar (pic by IMDb)

Lançado em outubro nos EUA, Parasita já conquistou mais de 30 milhões de dólares nas bilheterias e mais de 100 milhões ao redor do mundo. Com as indicações, o filme deve ser relançado em circuito comercial e ganhar ainda mais visibilidade. Quem sabe com o apoio popular Parasita também não leva o Oscar de Melhor Filme? Sabemos que não é uma luta fácil para um filme em idioma estrangeiro (Roma que o diga!), mas não é nada impossível para um filme que vem colhendo apenas críticas positivas.

Vale lembrar que a Coréia do Sul também foi indicada a Melhor Documentário-Curta por In the Absence, sobre o naufrágio de um cruzeiro que acarretou em centenas de mortes por falta de prevenção e socorro emergencial.

DESTAQUES ENTRE AUSÊNCIAS E SURPRESAS

Vamos fazer uma breve análise por categoria, mas de longe dá pra destacar alguns fatos baseados no que foi a temporada até o momento. Lupita Nyong’o, Jennifer Lopez, Awkwafina, Adam Sandler, Christian Bale, Eddie Murphy e Taron Egerton são as ausências mais sentidas se levarmos em conta o histórico das performances. Acontece, claro, ainda mais num ano repleto de filmes e interpretações de qualidade (quem nos dera se todo ano fosse rico assim…).

Outras ausências notáveis são Frozen 2 (Longa de Animação, mas foi indicado à Canção), Atlantique (Filme Internacional), Apollo 11 (Documentário), O Rei Leão (pela canção “Spirit” da Beyoncé) e As Loucuras de Rose (Atriz para Jessie Buckley e Canção pela tocante “Glasgow (No Place Like Home)”).

Não sei se é porque estamos mergulhados profundamente nas águas da temporada de premiações, mas nenhuma indicação aqui realmente nos surpreendeu de fato. Não teve nenhuma Marina de Tavira, Lesley Manville, Lenny Abrahamson ou Benh Zeitlin pra virar assunto na capa. Ninguém caiu de pára-quedas. Esperávamos que Jóias Brutas pudesse surpreender na reta final, mas pelo visto a ala conservadora da Academia ainda continua uma maioria maciça. Aliás, com um ano tão rico, a Academia indicou nove filmes a Melhor Filme. Por que não 10?

Confira todas as indicações e uma breve análise de cada:

MELHOR FILME

  • 1917 Pippa Harris, Callum McDougall, Sam Mendes, Jayne-Ann Tenggren
  • FORD VS FERRARI Peter Chernin, Jenno Topping, James Mangold
  • O IRLANDÊS Robert De Niro, Jane Rosenthal, Martin Scorsese, Emma Tillinger Koskoff
  • JOJO RABBIT Carthew Neal, Taika Waititi
  • CORINGA Bradley Cooper, Todd Phillips, Emma Tillinger Koskoff
  • ADORÁVEIS MULHERES Amy Pascal
  • HISTÓRIA DE UM CASAMENTO Noah Baumbach, David Heyman
  • ERA UMA VEZ EM… HOLLYWOOD David Heyman, Shannon McIntosh, Quentin Tarantino
  • PARASITA Bong Joon-ho, Kwak Sin-ae

DIREÇÃO

  • 1917 Sam Mendes
  • O IRLANDÊS Martin Scorsese
  • CORINGA Todd Phillips
  • ERA UMA VEZ EM… HOLLYWOOD Quentin Tarantino
  • PARASITA Bong Joon Ho

Os protestos feministas podem se espernear, mas a verdade é que a temporada de premiações já havia definido esses diretores há um bom tempo. Dos cinco indicados, apenas Todd Phillips não estava indicado ao DGA, que preferiu Taika Waititi (Jojo Rabbit). No Globo de Ouro, deu Sam Mendes. No Critics’ Choice deu empate entre Sam Mendes e Bong Joon Ho. Mas o que realmente vai definir é o vencedor do DGA, que é muito parelho em relação ao Oscar.

ATRIZ

  • CYNTHIA ERIVO (Harriet)
  • SCARLETT JOHANSSON (História de um Casamento)
  • SAOIRSE RONAN (Adoráveis Mulheres)
  • CHARLIZE THERON (O Escândalo)
  • RENÉE ZELLWEGER (Judy: Muito Além do Arco-Íris)

Infelizmente, Lupita Nyong’o foi esnobada, mesmo conseguindo uma indicação ao SAG. É realmente triste ver que os membros da Academia ainda têm tamanho preconceito com o gênero de terror e ficção científica. Na época do lançamento do filme em Março, estávamos tão empolgados com a possibilidade de Lupita ser indicada e ganhar o Oscar de Melhor Atriz, que já víamos as manchetes: “Lupita se torna a segunda negra a ganhar o Oscar depois de Halle Berry”, mas… não contávamos com tanto conservadorismo.

Cynthia Erivo estava nas possibilidades com Awkwafina, Lupita e Alfre Woodard, mas chamou muita atenção quando foi convidada a cantar no BAFTA, mas recusou em nome da falta de diversidade no evento. Ela também foi indicada pela canção “Stand Up”. Caso vença em uma das duas categorias, Erivo se tornará a mais jovem vencedora do EGOT (Emmy, Grammy, Oscar e Tony).

ATOR

  • ANTONIO BANDERAS (Dor e Glória)
  • LEONARDO DICAPRIO (Era uma Vez em… Hollywood)
  • ADAM DRIVER (História de um Casamento)
  • JOAQUIN PHOENIX (Coringa)
  • JONATHAN PRYCE (Dois Papas)

Muito bacana ver uma indicação à atuação em língua estrangeira de Antonio Banderas, ainda mais por se tratar de um reconhecimento muito raro. E apenas três atores conseguiram vencer com outro idioma: Sophia Loren, Roberto Benigni (pois é) e Marion Cotillard. Banderas interpreta ninguém menos do que o alter-ego do diretor espanhol Pedro Almodóvar em Dor e Glória, nesta que é sua oitava colaboração com o diretor.

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Antonio Banderas recebe sua primeira indicação e por um papel em espanhol de Dor e Glória (pic by IMDb)

Se existe uma surpresa nesta edição, esta foi de Taron Egerton injustamente esnobado por Rocketman. Não se trata apenas de uma cópia ou cosplay do cantor Elton John, mas uma intepretação de um ícone, cantando com sua própria voz as músicas e oferecendo densidade ao personagem, que facilmente seria uma caricatura nas mãos de outro ator. Embora Jonathan Pryce seja um ator veterano que há muito merecia uma indicação, trocaríamos ele por Taron.

ATRIZ COADJUVANTE

  • KATHY BATES (O Caso Richard Jewell)
  • LAURA DERN (História de um Casamento)
  • SCARLETT JOHANSSON (Jojo Rabbit)
  • FLORENCE PUGH (Adoráveis Mulheres)
  • MARGOT ROBBIE (O Escândalo)

Embora tenha ficado de fora do SAG por um erro imperdoável da distribuidora que inscreveu Kathy Bates como Atriz principal, sua indicação foi mais possível pela campanha que Clint Eastwood fez na reta final do ano, especialmente na festa da AFI, e claro, pelo prestígio que Bates tem junto à Academia. Esta é sua quarta indicação.

Jennifer Lopez estava investindo pesado na campanha de As Golpistas, onde ela vive uma stripper que busca vingança contra seus clientes. Sua vaga era dada como certa, pois nunca esteve tão bem num filme, contudo, a partir do momento em que ficou de fora do BAFTA, ela também foi excluída do Oscar. E isso culminou com o crescimento citado de Adoráveis Mulheres e de Florence Pugh na disputa, sem contar a dupla indicação para Scarlett Johansson. Nunca indicam a atriz, e quando indicam, indicam duas vezes no mesmo ano. As chances de Scarlett ganhar são mínimas, principalmente pela divisão de votos consigo mesma.

ATOR COADJUVANTE

  • TOM HANKS (Um Lindo Dia na Vizinhança)
  • ANTHONY HOPKINS (Dois Papas)
  • AL PACINO (O Irlandês)
  • JOE PESCI (O Irlandês)
  • BRAD PITT (Era Uma Vez em… Hollywood)

Os indicados desta categoria era a mais estável de todas as quatro. Willem Dafoe corria muito por fora por sua performance em O Farol. Nesse esquema que está, o franco-favorito Brad Pitt está em ampla vantagem, já que seus competidores mais fortes, Al Pacino e Joe Pesci, vão certamente dividir os votos por O Irlandês. Muito bacana ver Anthony Hopkins e Tom Hanks de volta. Eles não concorriam desde 1998 (Amistad) e 2001 (Náufrago), respectivamente.

ROTEIRO ORIGINAL

  • 1917 Sam Mendes, Krysty Wilson-Cairns
  • ENTRE FACAS E SEGREDOS Rian Johnson
  • HISTÓRIA DE UM CASAMENTO Noah Baumbach
  • ERA UMA VEZ EM… HOLLYWOOD Quentin Tarantino
  • PARASITA Han Jin Won, Bong Joon-ho

Com a inclusão de 1917 nesta categoria, o filme de Sam Mendes ganha ainda mais força para disputar o Oscar de Melhor Filme, pois sem um bom roteiro, dificilmente a produção ganha o prêmio da noite. Contudo, o prêmio deve ficar entre Quentin Tarantino e Noah Baumbach. Muito bacana ver o roteiro mirabolante de Rian Johnson de Entre Facas e Segredos, demonstrando que há sempre espaço para criatividade na categoria. Ficou faltando o roteiro de Fora de Série, mas talvez o aspecto de comédia teenager tenha afastado os votantes mais velhos.

ROTEIRO ADAPTADO

  • O IRLANDÊS Steven Zaillian
  • JOJO RABBIT Taika Waititi
  • CORINGA Todd Phillips, Scott Silver
  • ADORÁVEIS MULHERES Greta Gerwig
  • DOIS PAPAS Anthony McCarten

O prêmio estava praticamente entregue a Steven Zaillian pelo épico de Martin Scorsese, até a indicação de Greta Gerwig, que deve angariar muitos votos femininos, pois elogios não faltaram para esta nova e moderna adaptação do livro de Louisa May Alcott. A inclusão do roteiro de Coringa surpreende um pouco, mas totalmente justificável pela campanha.

FOTOGRAFIA

  • 1917 Roger Deakins
  • O IRLANDÊS Rodrigo Prieto
  • CORINGA Lawrence Sher
  • O FAROL Jarin Blaschke
  • ERA UMA VEZ EM… HOLLYWOOD Robert Richardson

Dos diretores de fotografia indicados ao ASC, sindicato respectivo, apenas Phedon Papamichael (Ford vs Ferrari) ficou de fora, dando lugar para o belo PB texturizado de O Farol. O filme de Robert Eggers merecia esse reconhecimento pela aposta ousada e arriscada de filmar em locação, em película e com um formato mais antigo que remete ao século XIX. Roger Deakins, indicado por 1917, tem as melhores chances de levar seu segundo Oscar pela complexidade das filmagens para simular uma única tomada.

MONTAGEM

  • O IRLANDÊS Thelma Schoonmaker
  • JOJO RABBIT Tom Eagles
  • CORINGA Jeff Groth
  • FORD VS FERRARI Andrew Buckland, Michael McCusker
  • PARASITA Jinmo Yang

Não se trata de uma regra oficial, mas pelas estatísticas, se você quer ganhar o Oscar de Melhor Filme, no mínimo tem que estar indicado a Melhor Montagem. Claro que isso já foi uma verdade incontestável, principalmente na época de Rocky (1976), mas ainda hoje ela tem extrema importância na disputa. Apesar do trabalho de Thelma Schoonmaker ser o mais elogiado até aqui por dar ritmo às 3 horas e meia de filme, ainda são 3 horas e meia, e tem muita gente falando: “se tivesse cortado uns 20 minutos finais seria ainda melhor”. Além disso, a montadora já ganhou 3 estatuetas com filmes do próprio Scorsese antes: Touro Indomável, O Aviador e Os Infiltrados. Nosso favorito, e que pode surpreender, é a montagem precisa de Parasita. Embora desconhecido do grande público Jinmo Yang já editou os sucessos sul-coreanos Okja (2017) e Invasão Zumbi (2016).

DESIGN DE PRODUÇÃO

  • 1917 Dennis Gassner, Lee Sandales
  • O IRLANDÊS Bob Shaw, Regina Graves
  • JOJO RABBIT Ra Vincent, Nora Sopková
  • ERA UMA VEZ EM… HOLLYWOOD Barbara Ling, Nancy Haigh
  • PARASITA Ha-jun Lee, Won-Woo Cho

Pela viagem à era de ouro de Hollywood nos anos 60, o filme de Tarantino leva boa vantagem. São casas, trailers, carros e sets de filmagens reconstruídos para contar a história de Rick Dalton e Cliff Booth. Mas vale destacar a mansão da família Park em Parasita, cuja importância é tão grande que se assemelha a um personagem à parte.

FIGURINO

  • O IRLANDÊS Christopher Peterson, Sandy Powell
  • JOJO RABBIT Mayes C. Rubeo
  • CORINGA Mark Bridges
  • ADORÁVEIS MULHERES Jacqueline Durran
  • ERA UMA VEZ EM… HOLLYWOOD Arianne Phillips

A Academia adora premiar filmes de época nesta categoria, então naturalmente os figurinos de Adoráveis Mulheres larga na frente. Jacqueline Durran já foi premiada por Anna Karenina. Embora gostemos do figurino de Scarlett Johansson (inclusive o chapéu) em Jojo Rabbit, indicaríamos os figurinos da pequena vila sueca de Midsommar.

MAQUIAGEM E CABELO

  • 1917 Naomi Donne
  • O ESCÂNDALO Vivian Baker, Kazu Hiro, Anne Morgan
  • CORINGA Kay Georgiou, Nicki Ledermann
  • JUDY: MUITO ALÉM DO ARCO-ÍRIS Jeremy Woodhead
  • MALÉVOLA: DONA DO MAL Paul Gooch, Arjen Tuiten, David White

Toda vez dizemos a mesma coisa sobre maquiagem: “Aaaa… como sentimos falta de Rick Baker!”. Bom, é a primeira vez que a categoria tem cinco indicados (que se tornará comum a partir desta edição), o que sempre ajuda a reconhecer mais filmes, porém pode ter ano que vão sofrer pra achar boa maquiagem pra reconhecer. Desta leva, destacamos o trabalho excepcional de O Escândalo, que transformou Charlize Theron na repórter Megyn Kelly, e John Lithgow em Roger Ailes, com próteses. Também indicaríamos aquela criaturazinha estranha de Midsommar, mesmo que para alguns seja uma visão indigesta.

TRILHA ORIGINAL

  • 1917 Thomas Newman
  • CORINGA Hildur Guđnadóttir
  • ADORÁVEIS MULHERES Alexandre Desplat
  • HISTÓRIA DE UM CASAMENTO Randy Newman
  • STAR WARS: A ASCENSÃO SKYWALKER John Williams

Esnobado injustamente, Michael Abels provavelmente criou a melhor trilha do ano, mas ficou de fora também por preconceito em relação ao gênero. A curiosidade aqui é a disputa familiar entre os primos Randy e Thomas Newman. Mas enquanto Randy já ganhou dois Oscars, Thomas está em sua 15ª indicação sem vitória. Será que é desta vez? Se a islandesa Hildur Guđnadóttir (Coringa) permitir… E esta é a 52ª indicação para John Williams. Aos 87 anos, ele já tem 5 Oscars, mas não ganha desde A Lista de Schindler, láaa em 1994, e foi indicado ao Oscar pelos três filmes desta nova trilogia de Star Wars.

CANÇÃO ORIGINAL

  • “I Can’t Let You Throw Yourself Again”, de TOY STORY 4
  • “I’m Gonna Love Me Again”, de ROCKETMAN
  • “I’m Standing With You”, de SUPERAÇÃO: O MILAGRE DA FÉ
  • “Into the Unknown”, de FROZEN 2
  • “Stand Up”, de HARRIET

Apesar da canção de Elton John ser uma unanimidade, as canções de Harriet e Frozen 2 podem ultrapassar Rocketman, ainda mais pelo filme ter perdido força nas outras categorias como Ator e Figurino. Gostaríamos de ter visto a canção “Glasgow (No Place Like Home)” indicada para coroar a performance de Jessie Buckley em As Loucuras de Rose, que foi indicada ao BAFTA de Melhor Atriz. A canção de Toy Story 4 não vinha sendo reconhecida, porém levou a vaga das outras produções da Disney: O Rei Leão e Aladdin.

SOM

  • AD ASTRA Gary Rydstrom, Tom Johnson, Mark Ulano
  • ERA UMA VEZ EM… HOLLYWOOD Michael Minkler, Christian P. Minkler, Mark Ulano
  • 1917 Scott Millan, Oliver Tarney, Rachael Tate, Mark Taylor, Stuart Wilson
  • CORINGA Tod Maitland, Alan Robert Murray, Tom Ozanich, Dean Zupancic
  • FORD VS FERRARI David Giammarco, Paul Massey, Steven A. Morrow, Donald Sylvester

A grande surpresa aqui é a inclusão de Ad Astra, que inicialmente foi promovido como grande candidato, mas caiu drasticamente na temporada. Essa indicação muito lembra a de Um Lugar Silencioso do ano passado, a única do filme. Embora o som de Ford vs Ferrari ser incrível, 1917 deve levar o prêmio pelas inúmeras explosões e tiros da Primeira Guerra Mundial. Chama a atenção a exclusão de Rocketman, já que musicais costumam se dar bem na categoria, que ano passado premiou Bohemian Rhapsody.

EFEITOS SONOROS

  • FORD VS FERRARI Donald Sylvester
  • CORINGA Alan Robert Murray
  • 1917 Oliver TarneyRachael Tate
  • ERA UMA VEZ EM… HOLLYWOOD Wylie Stateman
  • STAR WARS: A ASCENSÃO SKYWALKER Matthew WoodDavid Acord

Assim na categoria de Som, a briga deve ficar entre 1917 e Ford vs Ferrari. São filmes que são extremamente bem explorados no aspecto sonoro e são melhor apreciados em salas de alta qualidade de som com a IMAX e XD. Os outros três indicados estão praticamente fazendo figuração na categoria, que poderia dar espaço para John Wick 3: Parabellum, por exemplo.

EFEITOS VISUAIS

  • 1917 Greg Butler, Guillaume Rocheron, Dominic Tuohy
  • VINGADORES: ULTIMATO Dan Deleeuw, Dan Sudick
  • O IRLANDÊS Leandro Estebecorena, Stephane Grabli, Pablo Helman
  • O REI LEÃO Andrew R. Jones, Robert Legato, Elliot Newman, Adam Valdez
  • STAR WARS: A ASCENSÃO SKYWALKER Roger Guyett, Paul Kavanagh, Neal Scanlan, Dominic Tuohy

Apesar de todos merecerem as indicações, os efeitos de Alita: Anjo de Combate poderia ter entrada na disputa. Talvez o aspecto visual estilo animé da protagonista tenha espantado os votantes, que buscam realismo nos efeitos.

FILME INTERNACIONAL

  • CORPUS CHRISTI Jan Komasa – POLÔNIA
  • HONEYLAND Tamara Kotevska, Ljubomir Stefanov – MACEDÔNIA DO NORTE
  • OS MISERÁVEIS Ladj Ly – FRANÇA
  • DOR E GLÓRIA Pedro Almodóvar, Agustín Almodóvar – ESPANHA
  • PARASITA Bong Joon-ho – CORÉIA DO SUL

Dos 10 filmes pré-selecionados, havia algumas certezas como as indicações de Parasita, Dor e Glória, e Os Miseráveis. As outras duas vagas eram uma incógnita. O documentário sobre a apicultora de Honeyland surpreendeu por conquistar dupla indicação por Filme Internacional pela Macedônia do Norte (eu sei, você nem sabia que tinha uma, ainda mais do norte) e por Melhor Documentário. Assim como Scarlett Johansson, duplamente indicada, Honeyland deve ficar sentado a cerimônia inteira. A ausência mais notada aqui foi de Atlantique, do Senegal, produzido pela Netflix. A surpresa da categoria reside no representante polonês Corpus Christi, que aborda uma transformação espiritual que resulta numa paróquia. Apesar de não ter entendido a indicação do filme, é curioso que não há nenhum filme indicado que trate de Holocausto desta vez. uma raridade. Porém Jojo Rabbit já satisfez a sede pelo tema nas demais categorias.

DOCUMENTÁRIO

  • THE CAVE Feras Fayyad, Kirstine Barfod, Sigrid Dyekjaer
  • DEMOCRACIA EM VERTIGEM Petra Costa, Joanna Natasegara, Shane Boris, Tiago Pavan
  • HONEYLAND Tamara Kotevska, Ljubomir Stefanov
  • AMERICAN FACTORY Steven Bognar, Julia Reichert
  • FOR SAMA Waad al-Kateab, Edward Watts

É sempre muito bacana ver um filme brasileiro entre os indicados. Mesmo não apreciando muito o documentário que apela para o emocional, Petra Costa teve uma visão instigante sobre o que aconteceu na política brasileira, especialmente no trecho em que analisa a postura de um Michel Temer ainda vice-presidente. Pra quem ainda não conferiu, vale a pena ver na Netflix.

Houve duas ausências aqui: Apollo 11, um documentário que impressiona pelo material rico do lançamento do foguete à Lua, e One Child Nation, sobre a política de natalidade da China. Com isso, o franco-favorito se torna For Sama, uma experiência feminina em tempos de guerra.

LONGA DE ANIMAÇÃO

  • KLAUS Sergio Pablos, Jinko Gotoh, Marisa Roman
  • TOY STORY 4 Josh Cooley, Mark Nielsen, Jonas Rivera
  • COMO TREINAR O SEU DRAGÃO 3 Dean DeBloisBradford LewisBonnie Arnold
  • PERDI MEU CORPO Jérémy ClapinMarc Du Pontavice
  • LINK PERDIDO Chris ButlerArianne SutnerTravis Knight

Pois é, cadê Frozen 2? Apesar do sucesso comercial e popular, esta sequência não foi tão bem assim de crítica. Se o primeiro filme se baseou no sucesso da canção “Let it Go”, não podemos dizer o mesmo de Frozen 2 e a canção “Into the Unknown” que ainda não emplacou. Destaque para a presença da Netflix através de Klaus e Perdi Meu Corpo.

CURTA DE ANIMAÇÃO

  • DCERA (DAUGHTER) Daria Kashcheeva
  • HAIR LOVE Matthew A. CherryKaren Rupert Toliver
  • KITBULL Rosana SullivanKathryn Hendrickson
  • MEMORABLE Bruno ColletJean-François Le Corre
  • SISTER Siqi Song

DOCUMENTÁRIO-CURTA

  • IN THE ABSENCE Seung-jun YiGary Byung-Seok Kam
  • LEARNING TO SKATEBOARD IN A WARZONE (IF YOU’RE A GIRL) Carol DysingerElena Andreicheva
  • LIFE OVERTAKES ME Kristine SamuelsonJohn Haptas
  • ST. LOUIS SUPERMAN Sami KhanSmriti Mundhra
  • WALK RUN CHA-CHA Laura NixColette Sandstedt

CURTA-METRAGEM 

  • BROTHERHOOD Meryam JoobeurMaria Gracia Turgeon
  • NEFTA FOOTBALL CLUB Yves PiatDamien Megherbi
  • THE NEIGHBOR’S WINDOW Marshall Curry
  • SARIA Bryan BuckleyMatt Lefebvre
  • A SISTER Delphine Girard

Os trabalhos de curta das três categorias ainda precisam ser vistos, e mais pra frente podemos oferecer uma análise melhor da qualidade dos filmes e das chances de cada um para você votar no seu bolão.

E AÍ? VAI TER HOST no OSCAR 2020?

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COM CALENDÁRIO BASTANTE APERTADO, AS CHANCES DE UM ÚNICO HOST CAEM A CADA DIA

Vamos direto aos fatos. A audiência da cerimônia do Oscar vinha caindo por quatro anos consecutivos até alcançar a pior marca da história de 18.9, o que representa aproximadamente 26 milhões de telespectadores. No Oscar deste ano, houve um aumento de 14% conquistando a marca de 21.6, cerca de 30 milhões de telespectadores.

Seguindo a lógica, parece muito óbvio que o caminho seja manter o evento sem um host ou hostess, certo? Não necessariamente. Na última cerimônia do Emmy, prêmio da televisão, não houve host também e a audiência caiu drasticamente 32% em relação ao ano anterior. Portanto, os representantes da Academia e da rede de TV ABC estão se reunindo para avaliar as melhores opções num curto espaço de tempo.

Segundo matéria da Variety, eles praticamente descartaram a possibilidade de um host. Ano passado, Kevin Hart foi anunciado em 04 de Dezembro e já era considerado uma data apertada para a cerimônia no final de Fevereiro, imagina agora que estamos em 19 de Dezembro, e a cerimônia foi adiantada para 09 de Fevereiro? Não haveria tempo hábil para recrutar uma equipe para preparar as atrações e piadas.

Certamente, muitos defendem a sequência de um Oscar sem host, porque estão mais preocupados com a duração do evento ao vivo, mas nessas reuniões estariam discutindo a possibilidade de duplas ou até time de hosts formados por celebridades. Para quem acompanha há pouco tempo a cerimônia da Academia, as duplas são casos recentes e desastrosos: em 2010, Steve Martin fez dupla com Alec Baldwin, e em 2011, James Franco e Anne Hathaway foram aquela tragédia, que foi ainda mais reforçada com a vitória inacreditável de O Discurso do Rei sobre A Rede Social.

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James Franco e Anne Hathaway no Oscar 2011: fundo do poço? (pic by VanityFair.com)

 

Já para quem acompanhou o Oscar há mais tempo, essa estratégia de times não são novas. Em 1975, Sammy Davis Jr., Bob Hope, Shirley MacLaine e Frank Sinatra dividiram as tarefas de host. Em 1983, foram Richard Pryor, Liza Minnelli, Dudley Moore e Walter Matthau, e em 1987, Paul Hogan, Chevy Chase e Goldie Hawn.

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4 Hosts em 1983: Walter Matthau, Liza Minnelli, Dudley Moore e Richard Pryor (pic by IMDb)

Na verdade, se eles forem espertos, poderiam reconvocar o trio que abriu o Oscar 2019 para essa tarefa: Tina Fey, Amy Poehler e Maya Rudolph. Apesar de apenas apresentarem o Oscar de Atriz Coadjuvante, elas fizeram um mini-monólogo (ou seria triólogo?) com ótimas piadas antes de abrir o envelope.

Sempre fui a favor de Jim Carrey (que roubou a cena no último Globo de Ouro com a piada de sentar na distante seção de TV) ou Sacha Baron Cohen como hosts do Oscar, porque têm excelente timing e experiência com tv ao vivo, mas pensando nessa filosofia, eles formariam uma dupla excepcional, não? Ou Steve Carell e Kristen Wiig, que arrebentaram no Globo de Ouro com a piada da primeira animação no cinema? Ou que tal Chris Rock com Jack Black e Will Ferrell? Existem combinações diversas que podem suprir com sobras as necessidades do tamanho do evento, PORÉM sem essa de caça às bruxas. Se começarem a vasculhar contas de Twitter, um comentário no Facebook, uma piada anotada num guardanapo ou um sussuro no carro, não haverá mais hosts, pois ninguém tem ficha 100% limpa. Claro que Kevin Hart pisou na bola com aqueles tweets homofóbicos (onde estava o agente dele pra pedir pra ele apagar?), mas aquele ultimato da Academia do tipo “ou você pede desculpas publicamente ou não queremos que você seja o nosso host” soou ainda mais ridículo. Bastava uma reunião simples com desligamento.

Enfim, o Globo de Ouro parece ser a única premiação televisionada sem esse tipo de perrengue, já que Ricky Gervais está de volta pela quinta vez! Particularmente, votaria para Gervais no Oscar também, mas a instituição é muito careta pras piadas politicamente incorretas dele.

73rd Annual Golden Globe Awards - Season 73

Ricky Gervais já está comprometido ao Globo de Ouro 2020 (pic by Variety)

E você? Gostou do Oscar 2019 sem um host? Preferiu aquele show genérico do Queen com Adam Lambert de abertura? E se tivesse que escolher o host, a hostess ou os hosts? Quem ganharia seu voto?


A cerimônia do 92º Oscar será no dia 09 de Fevereiro, e as indicações anunciadas em 13 de Janeiro.

ACADEMIA DIVULGA PRÉ-LISTA de NOVE CATEGORIAS. BRASIL FICA de FORA da DISPUTA de FILME INTERNACIONAL

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A PRÉ-SELEÇÃO ESTREITA A COMPETIÇÃO COM ALGUMAS SURPRESAS

É com pesar que informamos que A Vida Invisível, de Karim Aïnouz, não avançou para a próxima fase do Oscar. Com uma boa campanha promovida pela Amazon Studios nos EUA, havia altas expectativas de indicação, já que o filme ganhou o prestigiado Un Certain Regard no Festival de Cannes e conquistou uma indicação ao Independent Spirit.

Para muitos especialistas, a ausência no Globo de Ouro foi fundamental para sua derrocada. Já para nós da página, o adiantamento de um mês da cerimônia pode ter causado uma bagunça no calendário, mas acima de tudo acreditamos no velho conservadorismo da Academia. Embora tenha havido o ingresso de inúmeros membros novos na instituição nos últimos anos, as regras para votar para os filmes desta categoria internacional não mudaram, assim como os votantes: velhinhos, judeus e com tempo de sobra para poder assistir aos candidatos estrangeiros numa sessão vespertina, por exemplo.

O resultado disso? Dentre os dez filmes pré-selecionados, três se passam na Segunda Guerra Mundial ou dialogam com o Holocausto, temas favoritos dessa faixa etária e étnica dos votantes. Claro que podem ser filmes ótimos, mas a aposta nesses temas batidos todos os anos frustram aqueles que buscam uma renovação dos filmes selecionados. E já que essa filosofia e regulamento não mudam, parece que existe uma fábrica de filmes de Segunda Guerra e Nazismo todos os anos ao redor do globo, porque eles sabem que suas chances de serem premiados com o Oscar são maiores. Só para citar alguns exemplos mais recentes que venceram: Ida, O Filho de Saul, Os Falsários e A Vida é Bela.

A pré-seleção desta categoria é dividida entre os votantes e uma comissão especial desde 2009. São 7 filmes selecionados pelos votantes, e três pela comissão, que foi criada para evitar que filmes de alta relevância no cenário internacional e premiados fiquem de fora da competição, como aconteceu com o romeno 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias em 2008. À princípio, parece-nos que Parasita, Dor e Glória e Atlantique foram as escolhas da comissão, e os demais foram votados.

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MELHOR FILME INTERNACIONAL

  • The Painted Bird – REPÚBLICA TCHECA
    Dir: Václav Marhoul
  • Truth and Justice – ESTÔNIA
    Dir: Tanel Toom
  • Les Misérables – FRANÇA
    Dir: Ladj Ly
  • Aqueles que Ficaram (Those Who Remained) – HUNGRIA
    Dir: Barnabás Tóth
  • Honeyland – MACEDÔNIA DO NORTE
    Dir: Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov
  • Corpus Christi – POLÔNIA
    Dir: Jan Komasa
  • Uma Mulher Alta (Beanpole) – RÚSSIA
    Dir: Kantemir Bagalov
  • Atlantique – SENEGAL
    Dir: Mati Diop
  • Parasita – CORÉIA DO SUL
    Dir: Bong Joon-Ho
  • Dor e Glória – ESPANHA
    Dir: Pedro Almodóvar

Desta seleção, cinco filmes tinham um histórico de premiações e participações de festivais que praticamente os asseguravam na pré-lista: Parasita, Dor e Glória, Honeyland, Atlantique e Les Misérables. Já entre os esnobados, destaque para o colombiano Monos, o italiano O Traidor, o argelino Papicha, o palestino O Paraíso Deve Ser Aqui, nosso brasileiro A Vida Invisível, e o japonês Weathering With You, que ainda pode concorrer na categoria de Melhor Longa de Animação. Aliás, o representante da Macedônia do Norte, Honeyland, pode acabar indicado em duas categorias: Filme Internacional e Documentário.

E para os milhões de cinéfilos desapontados com a não-inclusão de A Vida Invisível, fica a história de superação dos cineastas brasileiros, de poder fazer cinema de qualidade e identidade mesmo em tempos sombrios de extinção da Ancine, órgão que regulamentava o cinema nacional. O grande cinema não é necessariamente aquele que ganha prêmios, mas aquele que conquista e cativa o público. E felizmente, não houve falcatruas na seleção da comissão desta vez como em 2016 com Aquarius fora. Se seríamos indicados com Bacurau? Quem sabe? O importante é enviar um bom filme todo ano.

CHANCES EM OUTRAS CATEGORIAS

Embora não tenha sido o selecionado pela comissão francesa, Retrato de uma Jovem em Chamas pode ser indicado a Melhor Fotografia, Figurino e por que não Roteiro? Já Dor e Glória tem grandes chances também com Antonio Banderas como Melhor Ator, Pedro Almodóvar na disputa de Direção e até Direção de Arte.

Contudo, o grande estrangeiro que pode e deve dominar as indicações é o sul-coreano Parasita. Após conquistar de forma unânime a Palma de Ouro em Cannes, o filme conquistou vários outros prêmios, inclusive o de Melhor Filme pelos críticos de Los Angeles (LAFCA), Melhor Filme em Língua Estrangeira pelos críticos de Nova York (NYFCC) e pelo National Board of Review (NBR), além de ser indicado ao Globo de Ouro, Critics’ Choice e até Elenco no SAG Awards, coisa que não acontecia com um filme estrangeiro desde o italiano A Vida é Bela. Como já postamos aqui antes, Parasita é o Roma deste ano, porém com um grande diferencial: não é da Netflix, motivo pelo qual Green Book pode ter conseguido uma vantagem entre a ala mais conservadora da Academia. A questão que fica é: Parasita tem chances reais se ganhar o Oscar de Melhor Filme também, e se tornar o primeiro filme em língua estrangeira a vencer o maior prêmio da noite?


A Academia também afunilou os candidatos de outras oito categorias: Documentário, Documentário-Curta, Curta-Metragem, Curta de Animação, Maquiagem e Cabelo, Trilha Original, Canção Original e Efeitos Visuais, o que encerra inúmeras campanhas publicitárias dos desclassificados e intensifica as selecionadas.

DOCUMENTÁRIO

  • Advocate
  • American Factory
  • The Apollo
  • Apollo 11
  • Aquarela
  • The Biggest Little Farm
  • The Cave
  • Democracia em Vertigem (The Edge of Democracy)
  • For Sama
  • The Great Hack
  • Honeyland
  • Knock Down the House
  • Maiden
  • Midnight Family
  • One Child Nation

Com 159 produções inscritas, a categoria ficou limitada a 15 documentários. Entre os favoritos da lista: American Factory, Apollo 11, For Sama, Honeyland e One Child Nation podem conquistar as cinco indicações finais. Igualmente imprevisível como a categoria de Filme Internacional, o anúncio das indicações devem reservar surpresas como a inclusão de The Biggest Little Farm, Knock Down the House e até do brasileiro Democracia em Vertigem, de Petra Costa, que ganhou o título internacional de The Edge of Democracy, e está disponível no catálogo da Netflix. Particularmente, não gostamos tanto assim do documentário por ele desviar seu foco da que da democracia para defender um lado mais emotivo, mas ficamos feliz por esse reconhecimento da cineasta e sua equipe.

DOCUMENTÁRIO-CURTA

  • After Maria
  • Fire in Paradise
  • Ghosts of Sugar Land
  • In the Absence
  • Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl)
  • Life Overtakes Me
  • The Nightcrawlers
  • St. Louis Superman
  • Stay Close
  • Walk Run Cha-Cha

Foram 69 inscrições que agora se resumem a dez curtas de documentário.

MAQUIAGEM E CABELO

  • O Escândalo
  • Meu Nome é Dolemite
  • Downton Abbey
  • Coringa
  • Judy: Muito Além do Arco-Íris
  • Adoráveis Mulheres
  • Malévola: Dona do Mal
  • 1917
  • Era uma Vez em…Hollywood
  • Rocketman

Haverá a exibição de um clipe de sete minutos de duração contendo todos os trabalhos pré-selecionados para que os membros do Departamento de Maquiagem possa reavaliar e eleger os cinco finalistas.

TRILHA MUSICAL ORIGINAL

Fifteen scores will advance in the original score category. One hundred seventy scores were eligible in the category. Members of the Music Branch vote to determine the shortlist and the nominees.

  • Alan Silvestri (Vingadores: Ultimato)
  • Theodore Shapiro (O Escândalo)
  • Alex Weston (The Farewell)
  • Marco Beltrami e Buck Sanders (Ford vs Ferrari)
  • Christophe Beck (Frozen 2)
  • Michael Giacchino (Jojo Rabbit)
  • Hildur Guðnadóttir (Coringa)
  • Nicholas Britell (O Rei)
  • Alexandre Desplat (Adoráveis Mulheres)
  • Randy Newman (História de um Casamento)
  • Daniel Pemberton (Brooklyn: Sem Pai Nem Mãe)
  • Thomas Newman (1917)
  • Alberto Iglesias (Dor e Glória)
  • John Williams (Star Wars: A Ascensão de Skywalker)
  • Michael Abels (Nós)

Foram 170 composições inscritas na categoria, e agora restam quinze na competição. Destaque para a possível disputa entre os primos Randy Newman (História de um Casamento) e Thomas Newman (1917), mas enquanto Randy já levou dois Oscars de Canção por Monstros S.A. e Toy Story 3, Thomas ainda não levou a estatueta depois de um recorde de 14 indicações. Será que agora vai?

Além dos dois, destaque para os favoritos Alexandre Desplat por Adoráveis Mulheres, a islandesa Hildur Guðnadóttir por Coringa, Michael Abels por Nós e John Williams, que pode conquistar sua 52ª indicação ao Oscar (!) por Star Wars: A Ascensão Skywalker.

CANÇÃO ORIGINAL

  • “Speechless” (Aladdin)
  • “Letter To My Godfather” (The Black Godfather)
  • “I’m Standing With You” (Superação: O Milagre da Fé)
  • “Da Bronx” (The Bronx USA)
  • “Into The Unknown” (Frozen 2)
  • “Stand Up” (Harriet)
  • “Catchy Song” (Uma Aventura Lego 2)
  • “Never Too Late” (O Rei Leão)
  • “Spirit” from (O Rei Leão)
  • “Daily Battles” (Brooklyn: Sem Pai Nem Mãe)
  • “A Glass of Soju” (Parasita)
  • “(I’m Gonna) Love Me Again” (Rocketman)
  • “High Above The Water” (Toni Morrison: As Muitas que Eu sou)
  • “I Can’t Let You Throw Yourself Away” (Toy Story 4)
  • “Glasgow” (As Loucuras de Rose)

Quinze canções avançam dentre um total de 75 inscritas. Não sabemos se o musical Cats vai obter qualquer outra indicação (talvez de Efeitos Visuais?), mas sua grande chance com canção original foi pro espaço. A canção “Beautiful Ghosts” composta por Taylor Swift e Andrew Lloyd Webber, que foi indicada ao Globo de Ouro, sequer passou para a pré-seleção.

Pelo que acompanhamos até o momento, as canções “Speechless” (Aladdin), “Glasgow” (As Loucuras de Rose), “Spirit” (O Rei Leão), “(I’m Gonna) Love Me Again” (Rocketman) e “Stand Up” (Harriet) têm boas chances de indicação, mas parece que o Oscar deve ir para “Into the Unknown” de Frozen 2. Com cinco canções pré-selecionadas, a Disney deve levar o ouro para casa.

A curiosidade aqui é a inclusão da música coreana “A Glass of Soju” (Um Copo de Soju), que é tocada nos créditos finais, e cantada pelo jovem ator Woo-sik Choi que protagoniza o filme, que expressa as saudades que o personagem nutre pelo pai.

CURTA DE ANIMAÇÃO

  • Dcera (Daughter)
  • Hair Love
  • He Can’t Live without Cosmos
  • Hors Piste
  • Kitbull
  • Memorable
  • Mind My Mind
  • The Physics of Sorrow
  • Sister
  • Uncle Thomas: Accounting for the Days

92 curtas de animação foram inscritos e restam apenas dez.

CURTA-METRAGEM

  • Brotherhood
  • The Christmas Gift
  • Little Hands
  • Miller & Son
  • Nefta Football Club
  • The Neighbors’ Window
  • Refugee
  • Saria
  • A Sister
  • Sometimes, I Think about Dying

Foram 191 curtas inscritos ao todo, e agora apenas dez continuam na disputa.

EFEITOS VISUAIS

  • Alita: Anjo de Combate
  • Vingadores: Ultimato
  • Capitã Marvel
  • Cats
  • Projeto Gemini
  • O Irlandês
  • O Rei Leão
  • 1917
  • Star Wars: A Ascensão Skywalker
  • O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio

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Assim como na categoria de Maquiagem, haverá um video-clipe, mas este com dez minutos de duração, contendo cenas selecionadas para reavaliação do Departamento de Efeitos Visuais desses dez selecionados para a escolha dos cinco indicados.

Por enquanto, os filmes que estão na frente da disputa são: Star Wars: A Ascensão Skywalker, O Rei Leão, Vingadores: Ultimato, O Irlandês e Alita: Anjo de Combate ou 1917. O curioso desta categoria será a disputa interna entre Martin Scorsese (O Irlandês) com a Marvel Studios (Vingadores: Ultimato) após aquela discussão do cineasta sobre a Marvel ser cinema ou não.

E vamos ver se a Academia concede pelo menos Oscar para esta nova trilogia de Star Wars, porque a última dos episódios I, II e III, também saiu de mãos abanando.

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A votação do Oscar começa no dia 02 de janeiro e o anúncio se dará no dia 13 do mesmo mês. A cerimônia do 92º Academy Awards será no dia 09 de Fevereiro.

‘STAR WARS’, ‘O REI LEÃO’, ‘VINGADORES’ e ‘O IRLANDÊS’ ESTÃO na PRÉ-LISTA para EFEITOS VISUAIS

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VINTE FILMES SE TORNAM ELEGÍVEIS PARA PASSAREM PARA A SHORTLIST DE DEZ

A comitê da divisão de Efeitos Visuais da Academia divulgou 20 produções elegíveis que disputarão as 5 vagas na categoria. Até o final do mês, haverá uma última shortlist com apenas dez filmes para que os votantes confiram os clipes dos efeitos antes de eleger os cinco finalistas.

  • Ad Astra: Rumo às Estrelas (Ad Astra)
  • The Aeronauts
  • Aladdin (Aladdin)
  • Alita: Anjo de Combate (Alita: Battle Angel)
  • Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame)
  • Capitã Marvel (Captain Marvel)
  • Cats
  • Dumbo (Dumbo)
  • Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw (Fast and Furious Presents: Hobbs & Shaw)
  • Ford vs Ferrari (Ford v Ferrari)
  • Projeto Gemini (Gemini Man)
  • O Irlandês (The Irishman)
  • Jumanji: Próxima Fase (Jumanji: The Next Level)
  • O Rei Leão (The Lion King)
  • MIB: Homens de Preto Internacional (Men in Black: International)
  • Midway – Batalha em Alto-Mar (Midway)
  • 1917
  • Homem-Aranha: Longe de Casa (Spider-Man: Far from Home)
  • Star Wars: A Ascensão Skywalker (Star Wars: The Rise of Skywalker)
  • O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio (Terminator: Dark Fate)

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Apesar da categoria sempre ter suas cartas marcadas como a indicação de Star Wars (só indicam, nunca mais premiaram) e os filmes da Marvel (devem dar prioridade a Vingadores: Ultimato, mas não devem premiar também), os Efeitos Visuais deste ano foram marcados pelos efeitos de rejuvenescimento e envelhecimento em O Irlandês, Projeto Gemini, Capitã Marvel, e pode colocar Martin Scorsese contra a Marvel, depois dos comentários do cineasta que os filmes da Marvel não eram cinema.

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Embora esteja concorrendo com Dumbo e Aladdin, a Disney deve investir pesado na campanha de O Rei Leão para Efeitos Visuais, além de Canção Original, já que não se qualificou como Longa de Animação, e nem deve ser indicado a Melhor Filme.

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Para a última vaga, estamos na dúvida entre 1917 e Cats, mas como houve um gasto expressivo com os efeitos (que seriam uma combinação de efeitos digitais e efeitos práticos) na adaptação do musical, apostamos em Cats.

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Nos últimos anos, os vencedores do Oscar de Efeitos Visuais foram O Primeiro Homem, Blade Runner 2049, Mogli: O Menino LoboEx Machina, Interestelar, Gravidade, As Aventuras de Pi, A Invenção de Hugo Cabret, A Origem, Avatar e O Curioso Caso de Benjamin Button.

 

93 PRODUÇÕES DISPUTAM O OSCAR DE FILME INTERNACIONAL

Alfonso Cuarón, com as três estatuetas que ganhou com Roma, incluindo o último Oscar de Filme em Língua Estrangeira

CATEGORIA QUE MUDOU DE NOME RECEBEU O TOTAL DE 94 INSCRIÇÕES

Sim, a categoria Filme em Língua Estrangeira, criada oficialmente na década de 50, foi rebatizada para Melhor Filme Internacional no último mês de Abril, pois consideraram o termo “Estrangeiro” ultrapassado. Outras mudanças significativas foram da pré-lista de dezembro, que pula de nove para dez filmes pré-selecionados, e pela primeira vez, os votantes poderão assistir aos dez filmes online, sem precisar comparecer às salas de Los Angeles, Nova York ou Londres.

Dos 94 filmes inscritos, logo de cara já houve uma desqualificação do Afeganistão. Havia questionamento de legitimidade do comitê que elegeu o representante do país, portanto foi descartado antes mesmo do anúncio dos oficialmente inscritos.

Em seguida, no dia 04 de Novembro, a Academia anunciou a desqualificação da Nigéria, que havia inscrito um filme na competição pela primeira vez com Lionheart. Segundo o departamento responsável que viu a película, houve uma infração do regulamento que exige língua não-inglesa predominante. Foi constatado que o filme continha apenas onze minutos no idioma estrangeiro. Essa ilegalidade causou revolta na Nigéria e conquistou apoio da cineasta Ava DuVernay.

Em sua conta do Twitter, a diretora de Selma esbravejou:
“Para a Academia, Vocês desqualificaram a primeiríssima inscrição da Nigéria para Melhor Filme Internacional porque está em Inglês. Mas Inglês é a língua oficial da Nigéria. Vocês estão barrando este país para que nunca dispute um Oscar em sua língua oficial?…”

Há duas formas de enxergar a situação. Pelo lado da Academia, regras são regras. Essa que exige predominância de língua não-inglesa existe há décadas. Faltou atenção ao comitê nigeriano ao regulamento da categoria. Já pelo lado da Nigéria, da modernização e do bom senso, a Academia não poderia ter sido mais flexível nessa questão do idioma ao modernizar o nome do prêmio de Filme em Língua Estrangeira para Filme Internacional? Quer dizer, todas as nações que foram colonizadas no passado jamais poderão disputar esse Oscar? Além disso, há algum tempo, é uma raridade vermos produções de um único país. Atualmente, o normal é a realização de co-produções em conjunto com dois ou mais países. Hoje, se um filme co-produzido por três países, apenas um pode selecioná-lo como representante no Oscar.

Não acreditamos que a Academia vá voltar atrás agora nessas questões, contudo os responsáveis do departamento podem estudar o caso para uma próxima cerimônia. Desta forma, permanecerão 92 filmes inscritos, número que mesmo assim iguala o recorde anterior de 2017.  Ainda sobre números, mesmo com a queda da Nigéria, temos 28 diretoras mulheres nessa disputa, um recorde na história da premiação.

COMO ESTÁ A DISPUTA ATÉ O MOMENTO?

Parasita, de Bong Joon-ho

PARASITA (Coréia do Sul) Dir: Bong Joon-ho
Vamos resumir assim: o filme sul-coreano Parasita está trilhando o mesmo caminho de Roma, de Alfonso Cuarón. Além de ter faturado prêmios importantes como a Palma de Ouro em Cannes, vem conquistando toda a crítica e o público de forma unânime, o que leva o filme a ser considerado inclusive para outras categorias como Melhor Filme, Direção, Roteiro Original, Fotografia, Direção de Arte e Ator Coadjuvante. Curiosamente, se concretizada, seria a primeira indicação do país na história do Oscar. Particularmente, sentimos que o Cinema Sul-coreano tem sido injustiçado há duas décadas pelo Oscar. Só para citar alguns filmes que mereciam uma indicação estão Oldboy (2002), Oasis (2002), Memórias de um Assassino (2003), Casa Vazia (2004), Secret Sunshine (2007), Poesia (2010), A Criada (2016) e Em Chamas (2018).

Dor e Glória, de Pedro Almodóvar

DOR E GLÓRIA (Espanha) Dir: Pedro Almodóvar
Quando o filme estava entre os indicados à Palma de Ouro deste ano, havia uma forte especulação de que Pedro Almodóvar ganharia pelo menos o prêmio de Direção ou o Grande Prêmio do Júri, mas acabou ficando apenas com o prêmio de interpretação masculina para Antonio Banderas, que vive o alter-ego do diretor espanhol. Muito querido entre os membros da Academia, o diretor já ganhou duas estatuetas: Filme em Língua Estrangeira por Tudo Sobre Minha Mãe em 2000, e Melhor Roteiro Original por Fale com Ela em 2003. Ao lado do representante sul-coreano, este espanhol está praticamente garantido entre os cinco indicados.

Les Misérables, de Ladj Ly

LES MISÉRABLES (França) Dir: Ladj Ly
Havia uma forte expectativa para que Retrato de uma Jovem em Chamas fosse o representante da França para o Oscar, mas talvez por motivos homofóbicos, o filme cedeu lugar a Les Misérables. Apesar de compartilhar o mesmo título da obra de Victor Hugo e o musical homônimo de 2012, o primeiro filme de Ladj Ly aborda a violência e o preconceito vivido por habitantes dos subúrbios franceses. A produção faturou o mesmo Prêmio do Júri ao lado do brasileiro Bacurau, o que pode facilitar um pouco sua campanha. Ladj Ly é o primeiro diretor negro que representa a França.

Monos, de Alejandro Landes

MONOS (Colômbia) Dir: Alejandro Landes
Para quem acompanha o Oscar, sabe que o cinema colombiano tem se destacado recentemente na premiação como o indicado O Abraço da Serpente (2015) e Pássaros de Verão (2018), que estava na última pré-lista. E pra elevar a ainda mais a campanha de Monos, os diretores mexicanos Alejandro González Iñárritu e Guillermo del Toro esbanjaram rasgaram elogios publicamente ao filme, o que certamente chamará a atenção de outros votantes, especialmente os latinos. Monos, que estava na Mostra Internacional de São Paulo, acompanha oito jovens militantes em um acampamento no alto da montanha. Eles precisam manter uma refém americana (Julianne Nicholson), mas os planos mudam quando eles matam acidentalmente uma vaca que os mantinha no local. Vale ressaltar que o diretor Alejandro Landes é brasileiro, filho de mãe colombiana.

Atlantics, de Mati Diop

ATLANTICS (Senegal) Dir: Mati Diop
A carreira do filme senegalês começou com sua indicação à Palma de Ouro em Cannes. Mati Diop se tornou a primeira mulher negra na competição oficial. Produção da Netflix, o filme aborda uma história de amor com a imigração ilegal como pano de fundo. Trata-se da segunda inscrição do país africano no Oscar, sendo que a primeira, Félicité, esteve entre os nove filmes pré-selecionados de 2018. Seria um reconhecimento para coroar o crescimento do cinema do continente africano, e dar um equilíbrio entre as produções indicadas, que costumam ficar restritas à Europa.

OUTROS EM DESTAQUE

Da esquerda para a direita: Honeyland, Papicha, O Paraíso Deve Ser Aqui, O Menino que Descobriu o Vento, e O Traidor

Honeyland (Macedônia do Norte): Elogiada produção de ficção que se assemelha a um documentário ao narrar a história de uma apicultora tradicional considerada a última da região.

Papicha (Argélia): Passado nos anos 90, acompanha a opressão sofrida por todas as mulheres por terroristas islâmicos, buscando alterar de forma conservadora seus hábitos, suas vestimentas e seus espaços públicos.

O Paraíso Deve Ser Aqui (Palestina): Trata-se de uma comédia autobiográfica do diretor Elia Suleiman que, ao viajar para fora de seu país para encontrar paz, acaba se deparando com os mesmos problemas de racismo e dificuldades sociais nas terras consideradas paraísos como EUA e França.

O Menino que Descobriu o Vento (Reino Unido): Embora tenha poucas chances no Oscar, pode surpreender por dirigido e atuado pelo ator indicado ao Oscar Chiwetel Ejiofor (de 12 Anos de Escravidão) e estar disponível na plataforma da Netflix. O filme narra a história de um menino no Malawi que desenvolve uma turbina de vento em seu vilarejo.

O Traidor (Itália): Além do renome do diretor Marco Bellocchio, o país europeu aposta na fama do mafioso Tommaso Buscetta, que fugiu para o Brasil e para os EUA e delatou a máfia italiana Costa Nostra. A atriz brasileira Maria Fernanda Cândido faz parte do elenco.

E O BRASIL?

A Academia de Cinema Brasileiro enfrentou um duro dilema este ano. Bacurau ou A Vida Invisível? Ambos os filmes haviam sido bem recebidos e premiados no Festival de Cannes. Enquanto o primeiro faturou o Prêmio do Júri (uma espécie de terceiro lugar), o segundo levou o cobiçado prêmio Un Certain Regard. Uma coisa era certa: o representante brasileiro tinha que ser um dos dois, mas qual?

A Vida Invisível, de Karim Ainouz

A presidente da comissão Anna Muylaert acabou desempatando a briga. Cinco votos para A Vida Invisível e quatro para Bacurau. Dentre as justificativas para a escolha, teria pesado a presença de Fernanda Montenegro no elenco, uma vez que ela já foi indicada ao Oscar por Central do Brasil. Além disso, Bacurau pode ser interpretado como uma afronta para o público norte-americano, pois eles são os vilões do filme de Kleber Mendonça Filho que se passa no sertão de Pernambuco. Já A Vida Invisível busca exaltar a força feminina através de suas protagonistas irmãs, algo em voga nas premiações.

Alguns alegam que Bacurau teria sido uma escolha mais ousada e por isso, teria mais chances de ser notado entre os votantes da Academia. Será? Claro que depende muito da campanha de publicidade rumo ao Oscar, que acontece em Fevereiro. Vamos torcer para que Vida Invisível se torne a 5ª indicação do Brasil após a última de Central do Brasil em 1999.

SEGUE LISTA COMPLETA DAS PRODUÇÕES INSCRITAS PARA O OSCAR 2020:

PAÍS FILME DIRETOR(A)(ES)
África do Sul Knuckle City Jahmil X.T. Qubeka
Albânia The Delegation Bujar Alimani
Alemanha System Crasher Nora Fingscheidt
Arábia Saudita The Perfect Candidate Haifaa al-Mansour
Argélia Papicha Mounia Meddour
Argentina Heroic Losers Sebastián Borensztein
Armênia Lengthy Night Edgar Baghdasaryan
Austrália Buoyancy Rodd Rathjen
Áustria Joy Sudabeh Mortezai
Bangladesh Alpha Nasiruddin Yousuff
Bélgica Our Mothers César Díaz
Bielorrússia Debut Anastasiya Miroshnichenko
Bolívia I Miss You Rodrigo Bellott
Bósnia Herzegovina The Son Ines Tanovic
Brasil A Vida Invisível Karim Aïnouz
Bulgária Ága Milko Lazarov
Camboja In the Life of Music Caylee So, Sok Visal
Canadá Antigone Sophie Deraspe
Cazaquistão Kazakh Khanate – Golden Throne Rustem Abdrashev
Chile Spider Andrés Wood
China Ne Zha Jiaozi
Colômbia Monos Alejandro Landes
Coréia do Sul Parasita Bong Joon-ho
Costa Rica The Awakening of the Ants Antonella Sudasassi
Croácia Mali Antonio Nuic
Cuba A Translator Rodrigo Barriuso, Sebastián Barriuso
Dinamarca Queen of Hearts May el-Toukhy
Egito Poisonous Roses Fawzi Saleh
Equador The Longest Night Gabriela Calvache
Eslováquia Let There Be Light Marko Skop
Eslovênia History of Love Sonja Prosenc
Espanha Dor e Glória Pedro Almodóvar
Estônia Truth and Justice Tanel Toom
Etiópia Running Against the Wind Jan Philipp Weyl
Filipinas Verdict Raymund Ribay Gutierrez
Finlândia Stupid Young Heart Selma Vilhunen
França Les Misérables Ladj Ly
Gana Azali Kwabena Gyansah
Geórgia Shindisi Dito Tsintsadze
Grécia When Tomatoes Met Wagner Marianna Economou
Holanda Instinct Halina Reijn
Honduras Blood, Passion and Coffee Carlos Membreño
Hong Kong The White Storm 2 – Drug Lords Herman Yau
Hungria Those Who Remained Barnabás Tóth
Índia Gully Boy Zoya Akhtar
Indonésia Memories of my Body Garin Nugroho
Irã Finding Fariden Kourosh Ataee, Azadeh Moussavi
Irlanda Gaza Garry Keane, Andrew McConnell
Islândia A White, White Day Hlynur Pálmason
Israel Incitement Yaron Zilberman
Itália O Traidor Marco Bellocchio
Japão Weathering With You Makoto Shinkai
Kosovo Zana Antoneta Kastrati
Látvia The Mover Davis Simanis
Líbano 1982 Oualid Mouaness
Lituânia Bridges of Time Kristine Briede, Audrius Stonys
Luxemburgo Tel Aviv on Fire Sameh Zoabi
Macedônia do Norte Honeyland Tamara Kotevska, Ljubomir Stefanov
Malásia M for Malaysia Dian Lee, Ineza Roussille
Marrocos Adam Maryam Touzani
México The Chambermaid Lila Avilés
Mongólia The Steed Erdenebileg Ganbold
Montenegro Neverending Past Andro Martinovic
Nepal Bulbul Binod Paudel
Nigéria Lionheart Genevieve Nnaji
Noruega Out Stealing Horses Hans Petter Moland
Palestina It Must Be Heaven Elia Suleiman
Panamá Everybody Changes Arturo Montenegro
Paquistão Laal Kabootar Kamal Khan
Peru Retablo Alvaro Delgado-Aparicio
Polônia Corpus Christi Jan Komasa
Portugal The Domain Tiago Guedes
Quênia Subira Ravneet Sippy Chadha
Quirguistão Aurora Bekzat Pirmatov
Reino Unido O Menino que Descobriu o Vento Chiwetel Ejiofor
Rep Dominicana The Projectionist José María Cabral
Rep Tcheca The Painted Bird Václav Marhoul
Romênia The Whistlers Corneliu Porumboiu
Rússia Beanpole Kantemir Balagov
Senegal Atlantics Mati Diop
Sérvia King Petar of Serbia Petar Ristovski
Singapura A Land Imagined Yeo Siew Hua
Suécia And Then We Danced Levan Akin
Suíça Wolkenbruch’s Wondrous Journey Into the Arms of a Shiksa Michael Steiner
Tailândia Krasue: Inhuman Kiss Sitisiri Mongkolsiri
Taiwan Dear Ex Mag Hsu, Hsu Chih-yen
Tunísia Dear Son Mohamed Ben Attia
Turquia Commitment Semih Kaplanoglu
Ucrânia Homeward Nariman Aliev
Uruguai The Moneychanger Federico Veiroj
Uzbequistão Hot Bread Umid Khamdamov
Venezuela Being Impossible Patricia Ortega
Vietnã Furie Lê Van Kiêt

A pré-lista com os dez filmes será divulgada no dia 16 de dezembro. O anúncio das indicações ao Oscar estão marcadas para o dia 13 de janeiro.

32 ANIMAÇÕES CONCORREM AO OSCAR 2020

Design sem nome

NÚMERO RECORDE INCLUI NETFLIX NO PÁREO

A Academia divulgou a lista com as 32 animações inscritas para concorrer ao Oscar de Melhor Longa de Animação da próxima cerimônia, marcada para o dia 9 de Fevereiro. Trata-se de um recorde, já que o número mais alto até então era de 27 no ano de 2017.

Muitos desses trabalhos ainda precisam cumprir algumas regras para se tornarem elegíveis ao prêmio, como a exibição mínima por sete dias em Los Angeles, portanto, podem haver alterações.

Segue lista completa:

* Abominável (Abominable)
* A Família Addams (The Addams Family)
* Angry Birds 2: O Filme (The Angry Birds Movie 2)
* Another Day of Life
* Longe (Away)
* Buñuel in the Labyrinth of the Turtles (Buñuel en el laberinto de las tortugas)
* Children of the Sea (Kaijû no kodomo)
* Dilili à Paris (Dilili in Paris)
* Frozen 2 (Frozen II)
* Funan
* Primal
* Como Treinar o Seu Dragão 3 (How to Train Your Dragon: The Hidden World)
* Perdi Meu Corpo (J’ai perdu mon corps)
* Klaus
* The Last Fiction
* Uma Aventura Lego 2 (The Lego Movie 2: The Second Part)
* Marona’s Fantastic Tale (L’extraordinaire voyage de Marona)
* Link Perdido (Missing Link)
* Ne Zha (Ne Zha zhi mo tong jiang shi)
* Okko’s Inn (Waka okami wa Shôgakusei!)
* Pachamama
* Promare
* Rezo
* Pets: A Vida Secreta dos Bichos 2 (The Secret Life of Pets 2)
* Um Espião Animal (Spies in Disguise)
* The Swallows of Kabul (Les hirondelles de Kaboul)
* This Magnificent Cake! (Ce Magnifique gateau!)
* The Tower
* Toy Story 4 (Toy Story 4)
* Upin & Ipin: The Lone Gibbon Kris (Upin & Ipin: Keris Siamang Tunggal)
* Weathering with You (Tenki no ko)
* White Snake (Baishe: Yuanqi)

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As animações Ne Zha e Weathering With You também competem na categoria de Filme Internacional (ex-Filme em Língua Estrangeira) pelos países China e Japão, respectivamente, onde foram sucessos de bilheteria. Embora suas chances de indicação aumentem, as animações têm maiores chances na categoria de Animação. Vidas ao Vento (2013), de Hayao Miyazaki, também concorreu em ambas, mas foi indicado apenas na categoria de Animação. Já na categoria de Filme Internacional, houve apenas uma animação indicada na história: Valsa com Bashir, de Ari Folman, que concorreu por Israel em 2009.

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A Netflix também está na corrida por reconhecimento. A plataforma de streaming inscreveu três trabalhos: as animações francesas Perdi Meu Corpo e Pachamama, e a espanhola Klaus que tem em seu elenco J.K. Simmons e Joan Cusack. Enquanto Pachamama já está disponível no acervo brasileiro, Klaus estará disponível a partir de 15 de novembro, e Perdi Meu Corpo (I Lost my Body) a partir de 29 de novembro. Essa última produção recebeu alguns prêmios importantes como a da Semana da Crítica em Cannes, o que pode contribuir para sua campanha ao Oscar.

Talvez ainda seja cedo para dar previsões certeiras, mas à princípio nossas apostas para os indicados são:

– Frozen 2
– Perdi Meu Corpo
– Missing Link
– Toy Story 4
– Weathering With You

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As indicações ao Oscar 2020 serão anunciadas no dia 13 de janeiro.

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