PRIMEIRA PRÉVIA DO OSCAR 2015! – Para aqueles que não aguentam esperar

 NÃO HÁ FAVORITOS AINDA, MAS FORTES CONCORRENTES

Faltam (apenas) 4 meses para as indicações! Já vale a pena dar uma olhada nos possíveis filmes indicados e fantasiar sobre um ou outro ator ou atriz que nunca ganhou e pode finalmente ter a chance. Particularmente, estou curioso para ver as performances de Michael Fassbender nos filmes MacBeth e Frank, e de Joaquin Phoenix em Inherent Vice, pela evolução constante nas últimas performances, e mesmo sem ter visto o trabalho deles, já torço para que cheguem ao tapete vermelho da Academia. Já pelo que vi, dou meu apoio incondicional para a campanha da primeira indicação para Steve Carell, o comediante de O Virgem de 40 Anos teve seu talento testado pelo diretor Bennett Miller em Foxcatcher.

Claro que ainda há muita especulação que se baseia em nomes consagrados. Na ala dos diretores, Christopher Nolan sempre aparece nas apostas, assim como o britânico Stephen Daldry por seu histórico de 3 indicações sem vitória. Já entre as atrizes, fica impossível desassociar o nome Meryl Streep na hora do burburinho do Oscar. Ela pode ter sido quase uma figurante que ela vai constar nas listas de possíveis indicadas. Este ano, a primeira foto dela como Bruxa/Feiticeira da mega produção Caminhos da Floresta já causou um estardalhaço. E, em menor escala, podemos encaixar Viola Davis também como candidata à atriz coadjuvante sem sequer ver seu trabalho. Sua derrota por Histórias Cruzadas em 2012 ainda deve render uma nova indicação ao Oscar.

Há filmes que certamente serão catapultados na campanha ao Oscar graças ao lobbista Harvey Weinstein. Dentre algumas produções que recebem seu valioso apoio estão: The Imitation Game e MacBeth, além de suas próprias produções como Big Eyes, St. Vincent e O Doador de Memórias. Como sempre comentado aqui, o trabalho de Weinstein impressiona pelas indicações constantes ao Oscar. Só nos últimos anos, ele foi responsável pelos Oscars de Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida), Meryl Streep (A Dama de Ferro) e de Kate Winslet (O Leitor), além de Melhor Filme para O Artista e O Discurso do Rei.

Também vale ressaltar a crescente importância do Festival de Toronto como prévia do Oscar. Nos últimos anos, os filmes que participaram do evento não-competitivo acabaram vencedores da estatueta: 12 Anos de Escravidão, Argo e A Separação. Este ano, o Festival de Toronto (ou TIFF) acolhe prováveis favoritos ao Oscar como Foxcatcher, Nightcrawler, Whiplash: Em Busca da Perfeição, Maps to the Stars, Mr. Turner, Wild, The Theory of Everything e The Imitation Game. Todos sedentos por um pouco de atenção neste início da corrida ao Oscar 2015.

MELHOR FILME

• American Sniper, de Clint Eastwood
• Big Eyes, de Tim Burton
• Birdman, de Alejandro González Iñárritu
• Foxcatcher: A História que Chocou o Mundo (Foxcatcher), de Bennett Miller
• Garota Exemplar (Gone Girl), de David Fincher
• O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel), de Wes Anderson
• Corações de Ferro (Fury), de David Ayer
• The Imitation Game, de Morten Tyldum
• Inherent Vice, de Paul Thomas Anderson
• Interestelar (Interstellar), de Christopher Nolan
• Caminhos da Floresta (Into the Woods), de Rob Marshall
• Homens, Mulheres e Filhos (Men, Women & Children), de Jason Reitman
• A Most Violent Year, de J.C. Chandor
• Selma, de Ava DuVernay
• A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)
, de James Marsh
• Trash – A Esperança Vem do Lixo (Trash), de Stephen Daldry
• Invencível (Unbroken)
, de Angelina Jolie
• Wild, de Jean-Marc Vallée

Primeiro, vamos aos fatos. Apresentado no Festival de Veneza, Birdman já figura como um forte candidato ao Oscar. Além de seu diretor ser o mexicano Alejandro González Iñárritu, traz o retorno triunfal do ator Michael Keaton, que ficou marcado pelo papel de Batman de Tim Burton. Ainda conta com atores que podem conquistar indicações como coadjuvantes: Emma Stone, Edward Norton e Naomi Watts.

Foxcatcher saiu de Cannes com o prêmio de direção para o jovem Bennett Miller (Capote e O Homem que Mudou o Jogo). Considerado um dos melhores diretores de atores da atualidade, Miller já conseguiu a proeza de extrair uma atuação contida e estranhíssima do ator e comediante Steve Carell que, só por um milagre, não estará no Oscar 2015. Além dele, Mark Ruffalo já vem conquistando os críticos que viram o filme na França. Conta também muito a favor a produção ser assinada por Megan Ellison (da produtora Annapurna), que recebeu duas indicações no Oscar deste ano por Trapaça e Ela. Veja trailer abaixo:

Embora a Academia ainda não tenha abraçado o estilo único de Wes Anderson, seu novo filme, O Grande Hotel Budapeste, pode conquistar uma indicação a Melhor Filme. Como se não bastasse a batalha contra o conservadorismo da Academia, o filme terá dificuldades de manter seu frescor na memória dos votantes, pois o filme estreou nos EUA em março. Até agora, venceu o Urso de Prata de Grande Prêmio do Júri no último Festival de Berlim, e figura nas listas dos críticos de melhores de 2014 até o momento. São possíveis indicações nas categorias de Direção de Arte, Figurino e Roteiro Original, mas seria uma grata surpresa a lembrança como Melhor Filme e Diretor.

E vencedor do Festival de Sundance do Urso de Prata de Direção, o independente Boyhood: Da Infância à Juventude teve como grande destaque as filmagens que levaram mais de 12 anos. A proposta arriscada do diretor Richard Linklater se apoiava no comprometimento do jovem protagonista Ellar Coltrane de continuar as filmagens após esse longo período para acompanhar o crescimento de seu personagem. Com indicações anteriores como roteirista apenas, Linklater pode sonhar mais alto se depender das apostas dos críticos.

Garota Exemplar e Inherent Vice são duas produções aguardadíssimas que o presidente do Festival de Veneza tentou trazer, mas foram selecionadas pelo Festival Internacional de Nova York. Enquanto o primeiro trabalho é assinado por David Fincher com base no best-seller homônimo de Gillian Flynn, o segundo é assinado por Paul Thomas Anderson com base no romance de Thomas Pynchon. Ambos podem e devem conquistar indicações como Melhor Diretor pelo ótimo momento de suas carreiras, o que poderia puxar indicações para Melhor Filme dependendo do sucesso com a crítica e o público.

Cena com Ben Affleck de Garota Exemplar (photo by http://www.outnow.ch)

Os demais trabalhos citados na lista ainda não concretizaram seus favoritismos. A maioria tem presença devido ao prestígio de seus diretores perante a Academia como Clint Eastwood, Jason Reitman, Angelina Jolie e Christopher Nolan, enquanto outros apresentam temas que são típicos dos vencedores do Oscar como The Imitation Game, que aborda a história verídica do matemático que quebra um código em plena Segunda Guerra Mundial, ou a história da vida de um dos maiores físicos do mundo, Stephen Hawking, retratada em The Theory of Everything com um Eddie Redmayne bastante inspirado no papel do protagonista. Ainda pouco comentado, vale citar o filme Selma, que retrata a busca pelo direitos civis por Martin Luther King.

Em se tratando de expectativa, um dos trabalhos mais comentados para esta temporada é a adaptação do livro de James Lapine, Caminhos da Floresta (Into the Woods), dirigido por Rob Marshall, que concorreu a Melhor Diretor por Chicago em 2003. Com um elenco estelar que conta com Meryl Streep, Johnny Depp, Emily Blunt, Chris Pine, Anna Kendrick e Tracey Ullman, o musical tem tudo para conquistar no mínimo o Globo de Ouro de Melhor Filme – Musical ou Comédia. Além da qualidade que só poderá ser comprovada com o lançamento do filme, a única coisa que pode atrapalhar seu sucesso é uma possível censura por parte da Disney, que está por trás da produção. Aliás, este é um medo recorrente em relação à Disney, que costuma “suavizar” as histórias a fim de abranger o público infanto-juvenil, podendo remoldar a saga Star Wars, cujos direitos lhe foram vendidos para desespero dos fãs. Se tudo o mais falhar, pelo menos Caminhos da Floresta deve garantir o 4º Oscar da carreira da figurinista Colleen Atwood.

Cena de Caminhos da Floresta (photo by Disney)

MELHOR DIRETOR

• Paul Thomas Anderson (Inherent Vice)
• Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
• Tim Burton (Big Eyes)
• J.C. Chandor (A Most Violent Year)
• Stephen Daldry (Trash – A Esperança Vem do Lixo)
• Ava DuVernay (Selma)
• David Fincher (Garota Exemplar)
• Alejandro González Iñárritu (Birdman)
• Angelina Jolie (Unbroken)
• Tommy Lee Jones (The Homesman)
• Mike Leigh (Mr. Turner)
• Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
• Rob Marshall (Caminhos da Floresta)
• Christopher Nolan (Interestelar)
• Jason Reitman (Men, Women & Children)
• Jon Stewart (Rosewater)

• Morten Tyldum (The Imitation Game)
• Jean-Marc Vallée (Wild)

Como já citado, o americano Bennett Miller larga na frente por ter conquistado o prêmio de direção no Festival de Cannes por Foxcatcher. Ele foi indicado anteriormente por Capote em 2006. Logo atrás, o mexicano Alejandro González Iñárritu pode manter a onda latina em alta com Birdman, após seu conterrâneo Alfonso Cuarón ter levado o Oscar de diretor por Gravidade. Iñárritu pode conquistar sua terceira indicação após dupla indicação por Babel como Melhor Filme e Direção em 2007. E pra fechar a trinca de favoritos do momento, Richard Linklater e seu Boyhood: Da Infância à Juventude. Normalmente, a Academia inclui pelo menos um indicado estreante, e este pode ser Linklater, que independente do gênero, sempre busca alguma inovação da linguagem.

Outrora outsider, David Fincher, que já tem produções cultuadas como Seven – Os Sete Crimes Capitais, Clube da Luta e Zodíaco, foi reconhecido pela Academia a partir do poético O Curioso Caso de Benjamin Button. Este ano, ele retorna com outro filme do gênero crime, mas desta vez ele conta com prestígio e o roteiro de uma autora best-seller, podendo conquistar sua terceira indicação como Diretor.

Não dá pra deixar de lado o favoritismo crescente de Angelina Jolie. Após sucesso crítico de seu filme sobre os conflitos na Bósnia, Na Terra de Amor e Ódio, a atriz resolveu investir em outra produção de guerra, Invencível, mas desta vez, a Segunda Guerra Mundial, baseando-se numa história verídica de um atleta olímpico americano capturado como prisioneiro no Japão. E também não dá pra ignorar o novo trabalho do britânico Stephen Daldry, cujos filmes sempre dão um jeito de receber uma indicação ao Oscar. Reconhecido por Billy Elliott, As Horas e O Leitor, ele volta com Trash – A Esperança Vem do Lixo, filmado no Brasil e com os atores Wagner Moura e Selton Mello.

Selton Mello em Trash - A Esperança Vem do Lixo (photo by outnow.ch)

Selton Mello em Trash – A Esperança Vem do Lixo (photo by outnow.ch)

Já entre os diretores que nunca conseguiram uma indicação, Christopher Nolan aparece como forte candidato pela ficção científica Interestelar. Após bater na trave com Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008) e A Origem (2010), o trabalho dele pode finalmente ganhar destaque e satisfazer milhões de fãs e alguns críticos. Particularmente, torço para a inédita indicação de Wes Anderson por O Grande Hotel Budapeste e, mesmo sem ter visto o filme, torço também por Tim Burton e seu filme biográfico Big Eyes.

MELHOR ATOR

• Ben Affleck (Garota Exemplar)
• Chadwick Boseman (James Brown)

• Steve Carell (Foxcatcher)
• Benedict Cumberbatch (The Imitation Game)
• Benicio Del Toro (Escobar: Paradise Lost)

• Michael Fassbender (Frank)
• Michael Fassbender (MacBeth)
• Ralph Fiennes (O Grande Hotel Budapeste)
• Jake Gyllenhaal (Nightcrawler)
• Oscar Isaac (A Most Violent Year)
• Michael Keaton (Birdman)
• Bill Murray (St. Vincent)
• Jack O’Connell (Unbroken)
• David Oyelowo (Selma)

• Al Pacino (Manglehorn)
• Joaquin Phoenix (Inherent Vice)

• Brad Pitt (Corações de Ferro)
• Eddie Redmayne (The Theory of Everything)
• Timothy Spall (Mr. Turner)
• Channing Tatum (Foxcatcher)

Até o momento, o único ator premiado foi o britânico Timothy Spall pelo filme biográfico do pintor J.M.W. Turner no último Festival de Cannes. Contudo, embora seja um excelente diretor de atores, a última performance indicada ao Oscar sob a direção de Mike Leigh foi de Imelda Staunton em 2005 por O Segredo de Vera Drake, o que pode dificultar as chances dele.

Com boas chances de ser premiado em Veneza, Michael Keaton vem recebendo elogios por esse retorno triunfal. Em Birdman, ele interpreta um ator conhecido por viver um super-herói e agora tenta justamente um retorno na Broadway. Essa história remete bastante à trajetória do próprio Michael Keaton, que ficou marcado por viver o herói mascarado Batman e desacelerou sua carreira promissora. Segundos as críticas, sua atuação em Birdman consegue expressar “arrogância, insegurança e desespero num só respiro”. Pode se tornar a sua primeira indicação e a 6ª indicação de um ator sob a direção de Iñárritu.

Outro que deve conquistar sua indicação inédita é Steve Carell, mais conhecido por papéis em comédias como O Virgem de 40 Anos e Agente 86. O diretor Bennett Miller enxergou potencial dramático nele e o ator não decepciona, apresentando uma atuação contida, precisa e assustadora, com direito a uma mudança de visual com cabelos grisalhos e uma prótese no nariz. Tais métodos costumam ser reconhecidos pela Academia como foi o caso do Oscar para Charlize Theron por Monster – Desejo Assassino. Existe uma possibilidade do jovem Channing Tatum receber sua primeira indicação pelo mesmo Foxcatcher, contudo, a disputa na categoria é sempre acirrada e a última vez que houve dois indicados a Melhor Ator pelo mesmo filme foi em 1985, quando Tom Hulce e F. Murray Abraham competiram juntos por Amadeus, tendo o último vencido o Oscar.

Além do aspecto visual, que pode beneficiar os 13 quilos perdidos por Jake Gyllenhall em Nightcrawler, a Academia adora papéis baseados em fatos verídicos, o que deve elevar demais as chances de Eddie Redmayne que interpreta o jovem Stephen Hawking em The Theory of Everything. Claro que a atuação também deve acompanhar a qualidade da transformação, e esse talento o jovem Benedict Cumberbatch tem de sobra. Ele vive outra figura histórica: o matemático Alan Turing, que decifrou um código nazista em plena guerra em The Imitation Game.

Sem o mesmo impacto de um Jamie Foxx como Ray Charles, o jovem e desconhecido Chadwick Boseman pode figurar em listas de melhores ao interpretar o também músico James Brown no filme homônimo. Mas a maior aposta até o momento sem analisar a performance está nas mãos de Joaquin Phoenix, novamente sob direção de Paul Thomas Anderson, com quem trabalhou em O Mestre. Embora com alguns parafusos a menos, o ator está em extrema ascensão em Hollywood e deve confirmar seu favoritismo na casa de apostas por Inherent Vice. Já a minha aposta pessoal vai para um dos trabalhos de Michael Fassbender, seja por Frank, no qual atua usando uma cabeça em formato de desenho, seja pela adaptação de Shakespeare em MacBeth.

MELHOR ATRIZ

• Amy Adams (Big Eyes)
• Jessica Chastain (The Disappearance of Eleanor Rigby)
• Jessica Chastain (Miss Julie)
• Jessica Chastain (A Most Violent Year)
• Marion Cotillard (Two Days, One Night)
• Keira Knightley (Mesmo Se Nada Der Certo)
• Jennifer Lawrence (Serena)
• Juliane Moore (Maps to the Stars)
• Rosamund Pike (Garota Exemplar)
• Meryl Streep (Caminhos da Floresta)
• Hilary Swank (The Homesman)
• Michelle Williams (Suite Française)
• Reese Witherspoon (Wild)
• Shailene Woodley (A Culpa é das Estrelas)

Apesar de não ser a melhor prévia para o Oscar, o Festival de Cannes premiou este ano a atriz Julianne Moore por Maps to the Stars, o que não pode ser simplesmente ignorado pela Academia, ainda mais por se tratar de uma atriz muito querida que já foi indicada em 4 oportunidades, mas nunca levou a estatueta. Suas chances devem aumentar se for indicada como atriz coadjuvante, categoria que costuma ter concorrência menos acirrada.

Agora, se depender do burburinho, Reese Witherspoon já deve garantir sua segunda indicação por Wild. Baseado na história real de Cheryl Strayed de percorrer mais de 1.700km a fim de superar uma catástrofe recente, o filme vem sendo apontado como uma das maiores surpresas do prestigiado Festival de Toronto. Witherspoon, que vinha atuando apenas em filmes comerciais após ganhar o Oscar por Johnny & June, pode recuperar sua reputação de boa atriz.

Em 2012, Jessica Chastain tinha três filmes que poderiam lhe render uma indicação ao Oscar, o que aconteceu por Histórias Cruzadas. Este ano, por nova coincidência de lançamentos, ela tem nova trinca de performances que podem lhe beneficiar na reta final, sendo que em Miss Julie ela é dirigida pela legendária atriz sueca Liv Ullmann, e em A Most Violent Year pelo inspirado J.C. Chandor de Margin Call – O Dia Antes do Fim e Até o Fim. Chastain quase ganhou por A Hora Mais Escura em 2013.

Se a atuação de Amy Adams como a pintora Margaret Keane chamar a atenção da crítica, ela pode ficar com uma mão na estatueta. Seria a 6ª indicação dela em apenas nove anos e sem nenhuma vitória! A Academia está muito disposta a premiá-la, mas talvez esteja esperando uma atuação realmente digna com aqueles elementos já citados aqui como mudança visual ou mesmo no tom de voz, e não apenas uma peruca loira. Teremos de aguardar pra ver o que Tim Burton conseguiu extrair de Amy Adams…

Também por acúmulo de indicações anteriores, Michelle Williams pode voltar ao tapete vermelho por Suite Française, mas a verdadeira carta na manga aqui é o tema do filme: romance entre uma francesa e um soldado alemão em plena Segunda Guerra Mundial. Os votantes judeus já estão cruzando os dedos… E vale lembrar de um favoritismo prévio da jovem Shailene Woodley como a Hazel do best-seller A Culpa é das Estrelas. Apesar da adaptação meio melosa, o filme possibilita Woodley mostrar seu talento sem ser piegas. A favor dela, tem o sucesso de seu outro filme Divergente.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

• Dan Aykroyd (James Brown)
• Josh Brolin (Inherent Vice)

• Albert Brooks (A Most Violent Year)
• Johnny Depp (Caminhos da Floresta)
• Robert Duvall (The Judge)
• Neil Patrick Harris (Garota Exemplar)
• Philip Seymour Hoffman (O Homem Mais Procurado)
• Logan Lerman (Corações de Ferro)
• Edward Norton (Birdman)
• Tim Roth (Selma)
• Mark Ruffalo (Foxcatcher)
• J.K. Simmons (Whiplash)
• Benicio Del Toro (Inherent Vice)
• Christoph Waltz (Big Eyes)
• Tom Wilkinson (Selma)

À princípio, esta pode ser a oportunidade de ouro para a Academia premiar finalmente Johnny Depp naquela que seria sua quarta indicação, porém a primeira como coadjuvante. Infelizmente, ainda não é possível analisar se sua atuação é digna de premiação ou seria apenas especulação por seu histórico como ator. Esperamos que seja uma performance à altura de uma indicação e não simplesmente pelo nome. Além disso, é necessário verificar o quanto seu trabalho será beneficiado por efeitos digitais, já que seu personagem é um lobisomem em Caminhos da Floresta.

Pela repercussão no Festival de Toronto, já incluiria o nome do veterano Robert Duvall, que divide a tela com o astro Robert Downey Jr. em The Judge, no qual interpreta um juiz de uma pequena cidade acusado de assassinato. Esta seria a sétima indicação de Duvall, que ganhou o Oscar pelo tocante A Força do Carinho em 1984. Como a última indicação dele foi lá em 1999 por A Qualquer Preço, esta pode ser o retorno que a Academia vinha aguardando para premiá-lo novamente sem depender de um Oscar Honorário, afinal, Duvall já tem 83 anos.

Mas os grandes favoritos da categoria atendem pelos nomes: Mark Rufallo e J.K. Simmons. O primeiro é um dos atores mais versáteis da atualidade, recebeu sua primeira indicação em 2011 por Minhas Mães e Meu Pai, e está curtindo o auge de sua fama como Bruce Banner/Hulk dos filmes dos Vingadores da Marvel Comics. Em Foxcatcher, ele é o irmão que busca proteger o atleta olímpico da obsessão doentia do treinador de luta livre, tarefa que o fez ganhar peso e aumentar suas chances no Oscar. Já o segundo, ficou mundialmente conhecido por ser o chefe de Peter Parker/Homem-Aranha, J.J. Jameson nos filmes dirigidos por Sam Raimi. Embora J.K. Simmons também tenha feito ótima parceria com o diretor Jason Reitman, ele vem conquistando boas críticas por Whiplash: Em Busca da Perfeição, no qual atua como treinador de um jovem baterista (Miles Teller).

Ainda cedo pra analisar, mas com boas chances temos: Benicio Del Toro e Josh Brolin por Inherent Vice; Christoph Waltz por Big Eyes; e Albert Brooks por A Most Violent Year. Já no campo mais concreto, segundo a resposta no Festival de Veneza, Edward Norton pode voltar a concorrer ao Oscar por Birdman após 16 anos, podendo retomar aquele caminho promissor dos anos 90.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

• Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
• Viola Davis (James Brown)
• Laura Dern (Wild)
• Kaitlyn Dever (Men, Women & Children)
• Anne Hathaway (Interestelar)

• Jennifer Garner (Men, Women & Children)
• Felicity Jones (The Theory of Everything)
• Anna Kendrick (Caminhos da Floresta)
• Keira Knightley (The Imitation Game)
• Julianne Moore (Maps to the Stars)
• Miranda Otto (The Homesman)

• Vanessa Redgrave (Foxcatcher)
• Octavia Spencer (James Brown)
• Emma Stone (Birdman)
• Marisa Tomei (O Amor é Estranho)
• Naomi Watts (Birdman)

Primeiramente, volto a ressaltar que Julianne Moore pode concorrer como coadjuvante por seu papel vencedor do prêmio de Melhor Atriz em Cannes. Na maioria das vezes, é a própria distribuidora, encarregada do lobby, que decide em qual categoria a atriz deve concorrer a fim de aumentar as chances de vitória.

Até o momento, uma das favoritas é Laura Dern por Wild. Filha do ator Bruce Dern, que concorreu ao Oscar este ano por Nebraska, ela chegou a ser indicada uma vez por As Noites de Rose no início dos anos 90, mas ficou mais famosa pelo blockbuster de Steven Spielberg, Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros (1993). Pela calorosa recepção do Festival de Toronto, ela deve conquistar sua segunda indicação, fortalecendo a campanha do filme no Oscar. A seu favor, também conta sua participação no drama A Culpa é das Estrelas.

Já para os especialistas em Oscar, Patricia Arquette está na frente da disputa por seu papel de mãe em Boyhood: Da Infância à Juventude. Sua personagem é uma observadora atenta do crescimento de seu filho dos 5 aos 18 anos, gerando momentos maternos simples, porém tocantes como o primeiro dia de faculdade. Embora nunca tenha sido indicada para o prêmio da Academia, no mínimo, Arquette deve figurar na lista final.

Em alta por sua parceria com Woody Allen em Magia ao Luar e o sucesso de O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, Emma Stone já pode colher os frutos através do trabalho com Alejandro González Iñárritu. Em Birdman, ela interpreta a filha problemática de Michael Keaton, passando por clínicas de reabilitação e constantes recaídas. Mais conhecida por sua veia cômica, a jovem atriz demonstra novas facetas em um trabalho mais dramático, uma característica que a Academia costuma ver com bons olhos.

Apoiada pelo recente histórico de indicações sem vitória, Viola Davis pode retornar ao tapete vermelho com o papel de mãe de James Brown. Além de seu talento habitual que tridimensionaliza personagens menores, ela conta com o triunfo da maquiagem envelhecedora, que tanto favorece as interpretações premiadas. Caso ocorra, esta será sua terceira indicação ao Oscar e com grandes chances de vitória, uma vez que ela repete parceria vencedora com o diretor Tate Taylor de Histórias Cruzadas.

MELHOR ANIMAÇÃO

• Operação Big Hero 6 (Big Hero 6), de Don Hall, Chris Williams
• Festa no Céu (Book of Life), de Jorge R. Gutierrez
• Os Boxtrolls (The Boxtrolls), de Graham Annable e Anthony Stacchi
• Como Treinar o seu Dragão 2 (How to Train your Dragon 2), de Dean DeBlois
• The Tale of Princess Kaguya (Kaguyahime no Monogatari), de Isao Takahata
• Uma Aventura LEGO (The Lego Movie)
, de Phil Lord e Christopher Miller
• As Aventuras de Peabody & Sherman (Mr. Peabody & Sherman), de Rob Minkoff
• Os Pinguins de Madagascar (Penguins of Madagascar), de Eric Darnell e Simon J. Smith
• Song of the Sea
, de Tomm Moore

Virou praxe: todo ano em que a Pixar está ausente, não há favoritos. O estúdio elevou tanto o nível de qualidade da animação que o cinema fica sem referência sem seus filmes. A briga deve se concentrar entre Operação Big Hero 6, Como Treinar seu Dragão 2 e Uma Aventura LEGO, com uma ligeira vantagem para o último por seu sucesso nas bilheterias nos EUA, que ultrapassa os 250 milhões de dólares.

E como de costume, a Academia gosta de incluir animações oriundas de outras nações, sendo Japão a mais indicada entre os estrangeiros. Na ausência do mestre Hayao Miyazaki, indicado este ano por Vidas ao Vento, outro mestre nipônico pode tomar seu lugar no Oscar: Isao Takahata, responsável por uma das animações mais tocantes de todos os tempos: Túmulo dos Vagalumes (1988). Seu mais novo trabalho, The Tale of Princess Kaguya, também foi produzido pelo Studio Ghibli de Miyazaki, e contém elementos fantásticos como a princesa do título ser do tamanho de um dedo.

Claro que se houver mais uma vaga pra animação estrangeira, a vaga pode ficar com o irlandês Song of the Sea, do mesmo Tomm Moore que foi indicado em 2010 por Uma Viagem ao Mundo das Fábulas (The Secret of Kells).

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Prévia do Oscar 2013: Ator Coadjuvante

O último vencedor da categoria, Christopher Plummer, por Toda Forma de Amor.

Criada em 1937, a categoria de Melhor Ator Coadjuvante passou a suprir a demanda de atores hollywoodianos que mereciam reconhecimento, mesmo não estrelando uma produção. O maior vencedor foi o americano Walter Brennan, que levou para casa três vezes o prêmio por Meu Filho é Meu Rival (1936), Kentucky (1938) e A Última Fronteira (1940). Normalmente, vence aquele que tem um papel que costuma roubar a cena, como aconteceu com Sean Connery em Os Intocáveis (1987) ou Christoph Waltz em Bastardos Inglórios (2009). A categoria, que antes era considerada menos importante, passou a ganhar relevância quando atores do quilate de Walter Huston (O Tesouro de Sierra Madre, 1948), George Sanders (A Malvada, 1950), Jack Lemmon (Mister Roberts, 1955) e Peter Ustinov (Spartacus, 1960) se sagraram vencedores.

Vencedor de três Oscars de coadjuvante: Walter Brennan. Além de ter atuado em muitos westerns, trabalhou com grandes atores como Humphrey Bogart, Lauren Bacall, Gary Cooper e John Wayne.

Nas últimas décadas, as categorias de coadjuvante serviram como reduto de atores renomados. Nos bastidores, a estratégia da Academia seria de compensar atores de peso que não ganharam em oportunidades prévias. Claro que oficialmente, ninguém vai confirmar essa informação, mas a vitória de Morgan Freeman por Menina de Ouro em 2005 é um exemplo disso, pois o ator fora indicado em outras três vezes, mas nunca levou a estatueta. Essa leitura da premiação acredita que as chances de ele levar Melhor Ator (principal) nos próximos anos seriam pequenas e que, por isso, sua vitória como coadjuvante seria uma forma de garantir que Freeman encerre sua carreira como vencedor do Oscar.

Morgan Freeman em Menina de Ouro: Oscar de coadjuvante. Antes tarde do que nunca?

Com certeza, muitos fãs de Morgan Freeman vão discordar dessa opinião, mas as mesmas pessoas sabem que ele mereceu mais por Conduzindo Miss Daisy ou Um Sonho de Liberdade. Particularmente, sou contra esse sistema de compensação, pois pode desbancar a melhor performance do ano que, nesse ano, deveria ter ido para Thomas Haden Church (Sideways – Entre Umas e Outras) ou Clive Owen (Closer – Perto Demais).

Claro que adoraria ver atores veteranos e consagrados ganhando o Oscar pela primeira vez como aconteceu com Christopher Plummer este ano, mas nem sempre a maré está a favor deles. Nesses casos, existe o Oscar Honorário, que costuma premiar profissionais do cinema que nunca tiveram a oportunidade de levar a estatueta pra casa. Vencedores recentes atestam: James Earl Jones, Eli Wallach, Lauren Bacall e o compositor italiano Ennio Morricone, todos foram previamente indicados mas nunca venceram nas respectivas categorias.

Este ano, temos fortes candidatos vencedores do Oscar. Alan Arkin, Robert De Niro, Philip Seymour Hoffman, Russell Crowe e Tommy Lee Jones podem voltar ao tapete vermelho como indicados. O retorno mais triunfal seria o de Robert De Niro, que teve sua época de glória nas décadas de 70, 80 e 90, mas que não figura na lista há vinte anos (!). Tem também indicados prévios, mas que nunca ganharam e agora podem ter a chance de ouro como Leonardo DiCaprio, que concorreu três vezes, e em 2013, pode finalmente passar para o time dos Academy Award Winners.

Apesar de ainda estar cedo para favoritismos, Robert De Niro está na frente pelo sucesso de Silver Linings Playbook. O filme de David O. Russell vem arrancando aplausos pelos festivais que passa, especialmente o de Toronto (Canadá), de onde saiu com o prêmio People’s Choice Award. Particularmente, mesmo que ainda não tenha conferido sua performance, gostaria que esse retorno de De Niro fosse coroado para que sirva de incentivo ao ator para escolher projetos mais ousados e não somente pelo alto cachê, como vinha fazendo nas últimas duas décadas. Contudo, Philip Seymour Hoffman pode ser a pedra no meio do caminho com sua presença magnética no novo filme de Paul Thomas Anderson, The Master, que já lhe rendeu o prêmio Volpi Cup de Melhor Ator (juntamente com Joaquin Phoenix) no último Festival de Veneza.

Alan Arkin em Argo

ALAN ARKIN (Argo)

Muita gente conhece Alan Arkin como o vovô maconheiro e tutor da pequena Olive de Pequena Miss Sunshine, papel pelo qual ele ganhou seu único Oscar em 2007, batendo o favorito Eddie Murphy de Dreamgirls, mas este ator americano de 78 anos é um veterano em Hollywood, tendo participado de alguns clássicos como a comédia de guerra de Norman Jewison, Os Russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando! (1966) e no suspense Um Clarão nas Trevas (1967), ao lado de Audrey Hepburn. Chegou a atuar no filme brasileiro indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro, O que é isso, Companheiro? (1997), de Bruno Barreto.

Nessa idade e já com um Oscar em casa, alguns críticos já aposentavam Alan Arkin, mas com Argo, ele prova que tem muito ainda a ensinar e mostrar. Ele interpreta o produtor de Hollywood, Lester Siegel, que ajuda o maquiador John Chambers na missão de vender um filme fictício para encobrir a saída de seis americanos do Irã durante a Revolução Iraniana em 1980. Ao lado de John Goodman, que vive Chambers, Alan Arkin rouba a cena com seu humor escrachado repleto de palavrões, muito semelhante ao revoltado vovô de Miss Sunshine.

É claro que o fato de Arkin já ter ganhado o Oscar recentemente implica em perda de pontos na corrida, afinal os votantes certamente consideram o histórico do ator. Mas se os votos se dividirem entre Robert De Niro e Philip Seymour Hoffman, Alan Arkin viria logo em seguida para roubar a cena na cerimônia.

Russell Crowe em Les Misérables

RUSSELL CROWE (Les Miserábles)

Depois de um início fenomenal em seus primeiros anos de Hollywood com três indicações ao Oscar, Russell Crowe deu uma relaxada. Quer dizer, ainda trabalha em projetos ambiciosos e com diretores consagrados como Ridley Scott e Peter Weir, mas suas atuações deram uma estabilizada. Em O Informante, Crowe engordou para interpretar Jeffrey Wigand. Já em Gladiador, ganhou massa muscular e fez cara de mau. A Academia reconheceu oficialmente seu esforço, premiando-o com o Oscar de Melhor Ator em 2001 pelo épico Gladiador.

Talvez, com esta adaptação musical do clássico literário de Victor Hugo, Russell Crowe volte aos holofotes pelas performances na tela, e não pelos escândalos de porrada em papparazzi ou que bateu na pobre esposa. Na mega-produção, o ator neozelandês dá vida ao Inspetor Javert, que fica na cola do protagonista Jean Valjean (Hugh Jackman).

Particularmente, nunca ouvi nenhuma faixa da banda australiana de Russell Crowe, 30 Odd Foot of Grunts. Mas pelos comentários, vale aquele bom e velho ditado: “Como cantor, Russell Crowe é um ótimo ator”. E pelo que me informei, não há playbacks nas canções, tanto que os atores cantavam ao vivo no set usando um fone que tocava piano para manter o ritmo. A música era acrescentada na montagem final. Será que Crowe se saiu bem ou todo mundo aplaudia por educação e com medo de levar um soco? Só vendo mesmo, mas se ele não se saiu no mínimo bem, esquece a indicação…

Robert De Niro em cena de Silver Linings Playbook

ROBERT DE NIRO (Silver Linings Playbook)

Que Robert De Niro não precisa provar mais nada pra ninguém, isso todo mundo já sabe. Afinal, não é qualquer ator que fez Taxi Driver (1976), O Poderoso Chefão: Parte II (1974), Touro Indomável (1980), Os Bons Companheiros (1990) e aterrorizou como o presidiário Max Cady em Cabo do Medo (1991). Tem dois Oscars na bagagem, mas um terceiro pode estar por vir.

Com Silver Linings Playbook, o veterano de Hollywood pode ressuscitar na temporada de prêmios. Ele faz o pai protetor e conselheiro de Pat (Bradley Cooper), que acaba de sair de uma instituição psicológica depois de pegar sua mulher traindo. Pelo trailer, já é possível ver que De Niro já se desvencilha da típica atuação de mafioso ou gângster que praticamente impregnou sua pele, crédito do ótimo diretor de atores David O. Russell.

O retorno de Robert De Niro aos bons papéis era há muito aguardada, pois o ator passou por duas décadas de filmes medianos e alguns claramente para poder pagar as contas como a comédia As Aventuras de Rocky & Bullwinkle (podem falar o que quiser do filme, mas está nítido que o contrato foi gordo).

Aí você vai se perguntar: “Mas se o De Niro já tem dois Oscars, por que ele ganharia um terceiro?”. Realmente, se levarmos em consideração o histórico vitorioso, existem outros atores da nova geração que são tão merecedores quanto ele. Mas Hollywood e sua comunidade admiram Robert De Niro e gostariam de vê-lo no topo depois de tanto tempo. Muitos acreditam que o grande ator ainda existe, mas que não teve as devidas oportunidades nas últimas duas décadas. Infelizmente, só vamos poder comprovar o potencial do papel em fevereiro, quando está prevista a estréia no Brasil.

Leonardo DiCaprio em Django Livre

LEONARDO DiCAPRIO (Django Livre)

Desde que estrelou Titanic como o pobretão galã Jack e se tornou pôster de milhões de quartos de menininhas, Leo DiCaprio decidiu virar o disco e se tornar um ator de respeito. Sua tática era formar parcerias com profissionais consagrados como forma de aprendizado e se destacar como ator e não apenas ídolo teen. Como cinéfilo, admiro bastante sua disposição para mover montanhas, mas ainda não me convenci de que ele é um bom ator. DiCaprio é esforçado: aprendeu o sotaque sul-africano para filmar Diamante de Sangue, tomou uma nova aparência mais nojenta em O Aviador e mais velha em J. Edgar, mas ainda não apresenta algumas nuances e tonalidade de voz diferenciada. Ele precisa trabalhar mais o interior do que o exterior. Pode-se dizer que Leonardo DiCaprio é um diamante bruto que precisa ser esculpido.

Creio que o diretor Martin Scorsese também pensou o mesmo a respeito dele. Contratou-o para filmar Gangues de Nova York (2002), O Aviador (2004), Os Infiltrados (2006) e A Ilha do Medo (2010). Claro que depois do curso intensivo de Scorsese, Leo ficou melhor, tanto que conseguiu mais duas indicações ao Oscar (a primeira foi aos 19 anos como coadjuvante por Gilbert Grape – Aprendiz de um Sonhador) por O Aviador e Diamante de Sangue.

Agora, em sua primeira participação num filme de Quentin Tarantino, as esperanças se renovam, ainda mais que o diretor conseguiu um Oscar de coadjuvante para Christoph Waltz em Bastardos Inglórios há dois anos. No western Django Livre, Leonardo DiCaprio interpreta o vilão, no caso, o proprietário de terras brutal de Mississipi, Calvin Candie, que tem posse da mulher do herói Django (Jamie Foxx). As expectativas sempre são altas quando se fala de um filme de Tarantino. Espera-se que a performance de DiCaprio também esteja no mesmo nível.

John Goodman em Argo

JOHN GOODMAN (Argo)

Para o público brasileiro em geral, John Goodman ficou marcado por viver Fred Flinstone nos cinemas e dar sua voz ao personagem Sully na animação Monstros S.A.. Chegou a cantar a canção “If I Didn’t Have You”, que venceu o Oscar para Randy Newman em 2002. Mas para os cinéfilos de carteirinha, o ator robusto ficará marcado eternamente pelo papel de Walter Sobchak, o sem-noção traumatizado da Guerra do Vietnã na comédia de humor negro O Grande Lebowski (1998), dos irmãos Coen.

De lá pra cá, além das participações nos filmes dos Coen, Goodman tem sido escalado para papéis menores que exigem uma presença de tela. Foi assim no blockbuster Speedy Racer, na comédia Os Delírios de Consumo de Becky Bloom e no último vencedor do Oscar, O Artista. Com o sucesso de Argo, espera-se que ele finalmente consiga sua primeira indicação ao Oscar e consequentemente, melhores ofertas de papéis.

No filme de Ben Affleck, John Goodman se destaca em todas as cenas em que aparece como o maquiador de Hollywood, John Chambers. É realmente uma pena que seu personagem não tenha mais tempo de tela, porque sua atuação merecia mais alguns minutos. Apesar da curta duração, uma indicação a Goodman se mostra bastante plausível devido ao reconhecimento da figura de Chambers com um Oscar Honorário pelas próteses inovadoras de O Planeta dos Macacos (1968).

Philip Seymour Hoffman em The Master

PHILIP SEYMOUR HOFFMAN (The Master)

Philip Seymour Hoffman começou a atuar em filmes no começo dos anos 90. Felizmente, nunca foi do tipo galã, então teve que ralar bastante para conquistar seu lugar ao sol. Mesmo em papéis menores, teve oportunidade de conhecer e atuar com grandes atores como Paul Newman, Al Pacino, James Woods e Ellen Burstyn, buscando construir seu próprio estilo de interpretação. Na maioria de seus trabalhos, percebe-se que Hoffman prioriza a atuação mais contida, mesmo com seu trabalho premiado pela Academia em Capote (2005), em que teve que copiar alguns trejeitos típicos do romancista Truman Capote, ele procurou reprimir a sexualidade de seu personagem.

Além do aprendizado com referências de Hollywood, outro fator notável na carreira de Hoffman foi o início de uma parceria forte com o jovem cineasta norte-americano Paul Thomas Anderson que, aos 26 anos, realizou seu primeiro longa, Jogada de Risco (1996). Com o diretor, Philip Seymour Hoffman voltou a trabalhar em Boogie Nights – Prazer Sem Limites (1997), Magnólia (1999), Embriagado de Amor (2002) e agora no tão aguardado The Master, no qual dá vida ao filósofo carismático Lacaster Dodd, que seria baseado na figura do criador da Cientologia, L. Ron Hubbard.

Pelo filme, Philip Seymour Hoffman já ganhou o Volpi Cup de Melhor Ator (compartilhado com seu colega Joaquin Phoenix) no último Festival de Veneza, de onde Paul Thomas Anderson também saiu premiado como Melhor Diretor. Hoffman já foi indicado três vezes ao Oscar: Melhor Ator por Capote (2005), Melhor Ator Coadjuvante por Jogos do Poder (2007) e Dúvida (2008), tendo levado pelo primeiro.

Tommy Lee Jones em Lincoln

TOMMY LEE JONES (Lincoln)

Muita gente conhece Tommy Lee Jones como o agente K da trilogia de Homens de Preto, que com sua expressão de pedra, contrabalanceou muito bem com o humor mais extrovertido de Will Smith. Contudo, Jones já possui uma extensa filmografia, que começou lá em 1970 no bem-sucedido romance Love Story – Uma História de Amor, num papel menor. Apesar de ganhar notoriedade ao atuar ao lado de Sissy Spacek na biografia da cantora country Loretta Lynn em 1980, Tommy Lee Jones só teve seu talento reconhecido nos anos 90, quando trabalhou com Oliver Stone no aclamado JFK – A Pergunta que Não Quer Calar e no polêmico Assassinos por Natureza. Em 1995, ganhou seu único Oscar de coadjuvante pelo thriller policial O Fugitivo, no qual interpreta o agente do FBI Samuel Gerard que tem a missão de perseguir Kimble (Harrison Ford), acusado de matar sua própria esposa.

Como muitos atores, Tommy desfrutou de seu sucesso tardio em Hollywood e assinou contrato para alguns filmes blockbusters como o fraco Volcano (1997) e no carnavalesco Batman Eternamente (1995), em que deu vida ao vilão Duas-Caras. Mais recentemente, estrelou o western pós-moderno dos irmãos Coen, Onde os Fracos Não Têm Vez (2007), foi indicado ao Oscar pela atuação no policial No Vale das Sombras (2007) e em 2005, ganhou o prêmio de ator no Festival de Cannes pelo ótimo Três Enterros, primeiro longa sob sua direção.

2012 foi um ano cheio para Tommy Lee Jones. Quatro produções em que participou estrearam este ano: Lincoln, Homens de Preto 3, Emperor e Um Divã Para Dois. Além do sucesso comercial de Homens de Preto 3, sua atuação na comédia romântica Um Divã Para Dois ao lado de Meryl Streep já havia chamado a atenção da crítica, o que certamente aumenta as chances de indicação pelo filme político de Steven Spielberg. Em Lincoln, ele interpreta o vice-presidente abolicionista Thadeus Stevens, que tem suma-importância como o braço direito do presidente. Na grande produção de época de Spielberg, existem vários bons atores em papéis secundários como David Strathairn, Jackie Earle Haley, John Hawkes, Joseph Gordon-Levitt, James Spader e Hal Holbrook, mas pelas críticas, Tommy Lee Jones deve representar todo o elenco secundário masculino no Oscar.

William H. Macy em The Sessions

WILLIAM H. MACY (The Sessions)

Este ator franzino norte-americano parece ter nascido para papéis secundários. Hollywood nunca lhe deu uma real oportunidade de protagonista, mas já trabalhou com diretores renomados como Woody Allen (A Era do Rádio e Neblina e Sombras), Rob Reiner (Fantasmas do Passado), Paul Thomas Anderson (Boogie Nights – Prazer Sem Limites e Magnólia), Barry Levinson (Mera Coincidência) e os irmãos Coen (Fargo), pelo qual conseguiu sua única indicação ao Oscar, como coadjuvante, claro. Na TV, William H. Macy teve mais sorte ao estrelar o filme televisivo De Porta em Porta, no qual se destaca como o vendedor ambulante com problemas mentais Bill Porter.

Casado com a atriz Felicity Huffman, da série de TV Desperate Housewives, William H. Macy tem enorme carinho por colegas de trabalho, pois costuma emprestar seu carisma para seus papéis. Desta vez, ele interpreta um padre, que enfrenta uma questão eticamente controversa. No filme independente The Sessions, seu amigo e fiel Mark O’Brien (John Hawkes) tem condições médicas delicadas e pouco tempo de vida, o que o leva a querer perder sua virgindade antes que o pior aconteça. Como padre e conselheiro, ele tenta guiar Mark pelo melhor caminho sem afetar sua fé.

No último Festival de Sundance, o filme ganhou o prêmio de público e um reconhecimento especial do júri pela atuação do elenco todo. Dependendo de como vai se sair entre os prêmios da crítica americana como o National Board of Review, New York Film Critics Circle e o Los Angeles Film Critics Association, William H. Macy tem boas chances de aparecer na lista de Melhor Ator Coadjuvante em 2013. Seria sua segunda indicação ao Oscar.

Matthew McConaughey em Magic Mike

MATTHEW McCONNAUGHEY (Magic Mike)

Galã de segunda linha, Matthew McConnaughey costuma estrelar comédias românticas com atrizes regulares como Sarah Jessica Parker e Kate Hudson, tanto que o público feminino o conhece como o conquistador de Como Perder um Homem em 10 Dias (2003). Mas de vez em quando, o ator decide participar de alguns projetos mais ambiciosos como a ficção científica Contato (1997), o filme de época de Spielberg, Amistad (1997) e ganhou certo prestígio ao interpretar advogados em Tempo de Matar (1996) e em O Poder e a Lei (2011).

Trabalhando com o diretor Steven Soderbergh (vencedor do Oscar por Traffic) em Magic Mike, McConnaughey faz o papel de Dallas, um veterano do mundo do striptease masculino no clube de mulheres. Ele rouba a cena ao passar seus ensinamentos eróticos para o jovem Mike (Channing Tatum) e, claro, em seus shows que levam as mulheres ao delírio.

Com tantas performances boas nessa categoria, McConnaughey corre por fora nessa competição. Contudo, como a maioria dos relacionados já foi indicada ou ganhou um Oscar, existe uma possibilidade do ator ser o único a conquistar a primeira indicação. A votantes femininas podem dar uma mãozinha.

 

POSSÍVEIS SURPRESAS

As categorias de coadjuvante costumam ser as mais imprevisíveis. Na reta final, surge alguém para roubar a vaga garantida de outro ator. Este ano, o veterano sueco Max von Sydow (Tão Forte e Tão Perto) foi a surpresa, passando uma rasteira em Albert Brooks (Drive) e Armie Hammer (J. Edgar), ambos indicados ao Globo de Ouro e SAG Awards, respectivamente. Alguns sites como IndieWire, colocaram alguns nomes que podem figurar como supresa na lista final. Confira:

– Javier Bardem (007 – Operação Skyfall)

– Don Cheadle (Flight)

– James D’Arcy (Hitchcock)

– Michael Fassbender (Prometheus)

– James Gandolfini (O Homem da Máfia)

– Dwight Henry (Indomável Sonhadora)

– Hal Holbrook (Promised Land)

– Ewan McGregor (O Impossível)

– Ian McKellen (O Hobbit – Uma Jornada Inesperada)

– Guy Pearce (Os Infratores)

Também considero baixas as possibilidades desses atores entrarem na lista, mas adoraria ver Michael Fassbender ser incluso de última hora por Prometheus, uma vez que o ator alemão já merecia uma indicação este ano pelo drama independente Shame. Além de seu ciborgue David ser muito convincente e deixar todo o resto do elenco no chão, ele demonstra a calma na fala mansa e pausada, e ainda empresta um carisma que às vezes se mostra mais humano do que os personagens humanos. Com certeza, um grande ator em extrema ascensão que merece ser reconhecido pela Academia, que só tem a ganhar com sua inclusão na categoria.

Michael Fassbender como o ciborgue David em Prometheus

Como fã de James Bond, seria uma grata surpresa ver Javier Bardem e seu vilão Raoul Silva de 007 – Operação Skyfall indicado ao Oscar, mas acho bastante improvável pelo papel ser parecido com o Coringa de Heath Ledger. Entretanto, o mega sucesso das bilheterias do 23º filme de Bond pode mexer na corrida.

Drive (Drive), de Nicolas Winding Refn (2011)

Drive, de Nicolas Winding Refn

Filme trabalha minúcias e nuances para cobrir diálogos escassos

Não, não usufruí de meios ilegais para conferir Drive antes de sua estréia no Brasil. Consegui uma cópia em blu-ray, liguei as caixas de som e  mandei ver. Confesso que tive uma expectativa alta um tempo atrás porque muitos críticos e cinéfilos elegeram o longa como o melhor filme de 2011 (e recentemente foi esnobado pela Academia, indicado apenas para Melhores Efeitos Sonoros).

Carga Explosiva: personagem semelhante?

A primeira vez que o filme chamou atenção foi no último Festival de Cannes, no qual fora indicado para a Palma de Ouro e levou o prêmio de Melhor Diretor. Foi a partir dali que percebi que não se tratava de um mero filme de ação. Aliás, muitos que assistirem a Drive, especialmente aqueles viciados nos 46 filmes da série Velozes e Furiosos, poderão até acusar o filme de plágio, pois pela sinopse, há alguns elementos semelhantes com Carga Explosiva (The Transporter, 2002). “Um motorista trabalha entregando pacotes sem fazer perguntas. Complicações surgem quando ele quebra sua regra” poderia ser a mesma sinopse para ambas as produções. Porém, já aviso desde já para que não haja espectadores decepcionados que costumam sair indignados da sala e pôr a culpa no filme que são duas produções completamente diferentes. Já presenciei esses espectadores indignados quando fui ver o belo filme sueco Let the Right One In e o público xingou até a avó da pessoa que inventou o marketing do cartaz: “Se você gostou de Crepúsculo, vai adorar este filme”.

Felizmente, as semelhanças entre Carga Explosiva e Drive terminam na sinopse. Ryan Gosling entrega um motorista hábil (e não que faz milagres como o personagem de Jason Statham) e que de dia ganha a vida sendo dublê de filmes e mecânico, e de noite, recolhe assaltantes da cena do crime. Homem de pouquíssimas palavras, o Driver possui algumas regras rígidas para sua própria segurança, e como na vida pessoal, mantém-se fechado em sua rotina. Até que ele sai do casulo quando seu instinto protetor acolhe sua vizinha Irene (vivida pela ótima Carey Mulligan) e seu filho pequeno Benicio, cujo pai está na cadeia.

É muito interessante ver a forma como dois personagens tão quietos e contidos demonstram interesse mútuo, assim como a interpretação dos atores. Eles trabalham essa importante química através de olhares tão intensos quanto despretensiosos que parecem durar vários minutos, dispensando contato físico. E esse sentimento tão forte, porém tão contido, faz com a paixão se eleve à sua essência e conquiste o público e sua torcida.

Ryan Gosling e Carey Mulligan: atuações contidas que não desgastam

Essa “tática” se mostra indispensável, uma vez que o marido de Irene retorna da prisão e interrompe os pombinhos. Como o Driver se apegou demais à sua nova família, ele oferece ajuda ao marido enrrascado com uma dívida através de seu serviço atrás do volante. E é aí que as coisas se complicam para todos.

Bullitt, de Peter Yates: Ótima referência.

Devido à trama simples, poderia terminar um filme arroz-com-feijão, mas a abordagem de Nicolas Winding Refn faz toda a diferença. Ele absorve referências clássicas dos filmes estrelados por Steve McQueen (especialmente Bullitt), o Homem Sem Nome e calado de Clint Eastwood dos western spaghettis, e a violência dos filmes de Quentin Tarantino e até do filme coreano Oldboy pela sequência do martelo.

Contudo, mesmo desfrutando da fonte de outros cineastas, Drive é um filme de Nicolas Winding Refn. Ele cria tensão de forma dramática, utilizando-se de todas as suas ferramentas como a atuação de seu elenco; pela fotografia que explora a luz do sol e o brilho da metrópole; pela montagem que varia de cortes rápidos numa cena de perseguição à câmera lenta pontuada pela trilha de batida de Cliff Martinez. E, ciente do silêncio e escassez de diálogo de seus personagens centrais, o diretor escolhe à dedo algumas canções que, pela letra, expressam os pensamentos como “A Real Hero” da banda alternativa brasileira College e “Under Your Spell”, de Desire. Além disso, a forte presença das músicas dão um tom meio melancólico à la anos 80, quando as canções permeavam a história.

Nicolas Winding Refn: dinamarquês pousa em Hollywood com futuro brilhante

Aliás, o personagem de Albert Brooks, o agiota ex-produtor de cinema, Bernie Rose, tem um diálogo meio saudosista ao relembrar suas produções cinematográficas: “Eu produzia filmes. Nos anos 80. Tipo filmes de ação. Coisa sexy. Um crítico os chamava de Europeus. Eu achava que eram uma merda”. Pode soar estranho, mas interpretei essa deixa como uma espécie de crítica ao cinema atual de pirotecnias vazias.

Realmente Drive se mostra um filme atípico, pois insere conteúdo numa trama de ação, com inteligência e precisão, evitando excessos desnecessários (as chamadas “firulas”). As minúcias do diretor dinamarquês ainda têm lugar num detalhe de uma perseguição, pois a capotagem de um carro é mostrada numa tomada dentro do veículo com a atriz dentro. 

Apesar de tantas qualidades e prêmios de várias associações de crítica como o LAFCA, NYFCC e National Board of Review, Drive foi esnobado pelo Oscar. Muitos esperavam pela menos uma indicação para Albert Brooks como coadjuvante, montagem e até diretor, ator e filme. Mas os conservadores da Academia falaram mais alto e a violência extrema do filme acabou sendo uma barreira. Acontece. Com certeza Cidade de Deus, Tropa de Elite, filmes coreanos sofreram com isso antes. Por que não Drive?

Infelizmente, houve manifestação pelo Twitter pela ausência no Oscar. Enquanto Albert Brooks postou um “You don’t like me. You really don’t like me” (Vocês não gostam de mim. Vocês realmente não gostam de mim) – fazendo menção ao discurso de Sally Field quando ganhou seu segundo Oscar (“You like me. You really like me!”), o indignado Russell Crowe fez uso de toda sua sutileza com um “Ryan Gosling didn’t get an Academy nomination? There’s some bullshit right there” (Ryan Gosling não foi indicado? Tem alguma merda aí).

Albert Brooks: foi garfado no Oscar?

Na parte da indignação, concordo plenamente pois caberia um reconhecimento maior ao filme do que apenas melhores efeitos sonoros (sem querer desmerecer a categoria e os profissionais que ficam semanas vivendo num estúdio de som). Mas esse tipo de manifestação acaba colaborando com a idéia de que na Arte existe melhor ou pior.

Vencedores do 69th Golden Globes

Ricky Gervais amordaçado

Eu sei, eu sei. I SUCK! Das 14 indicações para Cinema, acertei apenas 9! Que vergonha! Mesmo assim, devemos nos manter humildes. Em se tratando de premiações, que podem ser bem imprevisíveis às vezes, digo que em alguns casos seria melhor saber menos porque você acaba acertando mais nas apostas. Sim, eu já perdi no bolão pra gente que nem sabia quem era Roman Polanski…

No geral, os resultados foram bastante democráticos, tanto que o filme que mais ganhou, O Artista, levou apenas 3 Globos de Ouro, comprovando que não há grandes favoritos na corrida para o Oscar. Em 2º lugar, Os Descendentes levou Melhor Filme – Drama e Ator – Drama para George Clooney. Na briga por diretor, Martin Scorsese, que já havia vencido 2 vezes por Os InfiltradosGangues de Nova York, surpreendeu ao bater Michel Hazanavicius e Alexander Payne (talvez pelos votos terem se dividido entre ambos, Scorsese tenha vencido).

Enfim, a coisa que mais aguardei ansioso foi o host Ricky Gervais. Mas onde ele estava? Parecia que haviam colocado uma mordaça em sua boca (como no pôster da premiação)! Ele não estava tão diabólico como no ano passado, disparando os podres das celebridades e jogando m**** no ventilador. Ficou nítido que o senso de humor de Gervais não era mais o mesmo… parecia que tinha voltado de uma lobotomia! Ele pegou mais leve dessa vez e fica essa questão se ele realmente foi ou não pressionado pela Associação de Imprensa Estrangeira a tirar o pé do acelerador, provavelmente a pedido das celebridades, que suavam frio toda vez que ele abria a boca.

Curiosamente, ele comenta e até faz piada sobre o assunto quando retira de seu bolso uma lista das ofensas que ele estaria proibido de falar. “Sem profanidade, tudo bem, eu tenho um amplo vocabulário”, ele diz. “E não mencione nada de Mel Gibson, e especialmente o Beaver (castor) da Jodie Foster” – fazendo alusão ao filme dirigido por Foster intitulado The Beaver, e traduzido aqui como Um Novo Despertar. As piadas sobre Mel Gibson eram as melhores, pois como anti-semita assumido, Ricky adorava cutucar.

Apesar do humor ácido ter reduzido drasticamente, Gervais conseguiu algumas pérolas como essa: “O Globo de Ouro está para o Oscar como Kim Kardashian está para Kate Middleton, mas um pouco mais escandalosa, um pouco mais trash e mais facilmente subornável”. Ou no começo da cerimônia, quando ele introduz Johnny Depp e pergunta ao ator: “Johnny, você viu O Turista?”, deixando Depp numa saia curta. Achei que ele estava apenas esquentando, mas ficou meio morno a cerimônia toda, tendo picos leves como quando introduziu a Madonna:

“Nossa próxima apresentadora é a Rainha do Pop – senta aí, Elton (John), não você. Ela é quase como uma virgem (fazendo referência ao sucesso da música dela Like a Virgin): Madonna!” 

Madonna, que não é flor que se cheire retrucou ao alcançar o microfone: “Se eu ainda sou como uma virgem, Ricky, por que você não vem aqui e  faz algo a respeito? Eu não beijo uma garota há anos… na TV!” – Em seguida, ao fundo, Ricky Gervais corre de um lado para o outro do palco, arrancando risadas da platéia.

A parte mais chata de assistir a essas premiações são as propagandas da TNT. Como a maioria dos blocos só cabia 2 prêmios, então havia muitos intervalos e já no segundo, você já cansa de ver as chamadas dos filmes Entre Irmãos, Operação Babá, Sex and the City – O Filme,  o trailer do Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres. E sem contar que tava quase comprando o carro novo da Fiat, o Bravo.

Quanto aos resultados, o Estado de S. Paulo deu o título de Divisão Amigável, pois os prêmios foram tão bem-divididos que dá a impressão de que foi tudo planejado, e não votado.

Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

ATOR COADJUVANTE: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

A briga estava entre Plummer e Albert Brooks, uma vez que ambos ganharam boa parte dos prêmios da crítica, mas o veterano saiu vitorioso. Fiquei com a pulga atrás da orelha se foi um prêmio pela carreira ou pela performance e loquei o filme. Como eu disse um post anterior, o papel dele nesse filme tem todo o jeito de prêmio. Acompanhe: idoso, recém-viúvo, assume homossexualidade aos 75 anos e em seguida, descobre ter câncer. Chamam um ator de renome e pronto! Aí está a receita do Oscar. Não obstante, Plummer consegue humanizar bastante seu personagem e tenta fugir a todo custo do rótulo do gay idoso. Ele consegue cativar seu filho (Ewan McGregor) e o público sem grande esforço. Se está melhor que Albert Brooks? Quando estrear o Drive por aqui, eu confirmo em seguida, mas até lá, Plummer tem o direito de ficar com seu Globo de Ouro.

TRILHA MUSICAL: Ludovic Bource (The Artist)

Como descrevi no post anterior, quando se trata de um filme mudo, a trilha musical ganha importância desproporcional. A música passa a ocupar um espaço de um personagem. E acredito que as chances de Ludovic no Oscar só aumentaram com esse Globo de Ouro.

CANÇÃO: Masterpiece, de Madonna (W.E. – O Romance do Século)

Talvez tenha sido a maior surpresa da noite. Não que Madonna não seja um nome de peso numa categoria de canção, mas como seu filme não foi tão bem divulgado e provavelmente já deve ter sido criticado, um prêmio estaria fora de cogitação, ainda mais com concorrentes de renome como Elton John e Mary J. Blige. Aliás, esta última era considerada a favorita pela tocante canção de Histórias Cruzadas. No Oscar, como os últimos vencedores não foram favoritos, a corrida está bem aberta.

Michelle Williams (Sete Dias com Marylin)

ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL: Michelle Willams (Sete Dias com Marylin)

Desde que vi a primeira foto de Michelle Williams como a diva Marylin Monroe, eu sabia que ela estaria nessa temporada de prêmios. Além de ela ter ficado bem parecida (sim, isso inclui artefatos no bumbum), Michelle está em plena ascensão na carreira e deixou de ser a ex-esposa de Heath Ledger. Nesse Sete Dias com Marylin, não deve ter sido uma tarefa fácil copiar o jeito meigo da loira de O Pecado Mora ao Lado.

ANIMAÇÃO: As Aventuras de Tintim, de Steven Spielberg

Por mais que não tenha visto o filme ainda, confesso que na hora fiquei um pouco indignado que Rango perdeu. Quero dizer, parece que a Associação de Imprensa Estrangeira queria apenas agradar o Sr. Spielberg e não deixá-lo sair de mãos abanando. Sei que As Aventuras de Tintim deve ser praticamente perfeito tecnicamente, mas fiquei decepcionado que Rango não foi reconhecido porque merecia. Enfim, só me resta torcer para que esse prêmio tenha sido justo.

ROTEIRO: Woody Allen (Meia-Noite em Paris)

Sim, Woody Allen ainda sabe escrever muito bem. O que ele ainda não sabe é receber prêmios! Ele não compareceu à festa e perdeu a oportunidade de agradecer o reconhecimento. Meia-Noite em Paris merecia pelo menos um prêmio e acho que roteiro seria o mais justo de fato. O trabalho novo de Allen é maduro, mas sem esquecer suas raízes lúdicas e humorísticas. Todos na sala sabiam disso, tanto que aplaudiram fervorosamente.

FILME ESTRANGEIRO: A Separação, de Asghar Farhadi (Irã)

O filme iraniano conseguiu um grande feito de bater Almodóvar e Angelina Jolie que, por mais que não tenha prestígio como diretora, é muito querida pela imprensa. Pelos comentários de alguns críticos, o filme consegue sintetizar a História do próprio Irã

Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

numa trama sobre relacionamentos e família. Talvez por isso também concorra a Melhor Roteiro Original no Oscar.

ATRIZ COADJUVANTE: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

Octavia Spencer bate a colega Chastain. Seu papel em Histórias Cruzadas já vinha sendo comentado antes mesmo da temporada de premiação. Na hora de seu discurso, ela me lembrou a Hattie McDaniel, por ser negra e também por interpretar uma doméstica em …E o Vento Levou.

DIRETOR: Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)

Uma surpresa, mas uma grata surpresa. Martin é um grande diretor e grande amante do Cinema. Ele restaura e cuida de filmes antigos, preservando a História do Cinema. Além disso, é muito querido de atores, cineastas e equipes. Seu novo filme parece carregar toda essa paixão que Scorsese tem pelo Cinema, escalando ninguém menos que Georges Méliès, o inventor de efeitos especiais no Cinema. Michel Hazanavicius era forte candidato ao prêmio, mas como seu filme The Artist levou Melhor Filme – Comédia ou Musical, ficou tudo certo. Outra fato que é importante comentar aqui é que a vitória de Scorsese e Spielberg (animação), reconhece a qualidade do trabalho desses veteranos do Cinema em sua primeira experiência no formato 3D.

ATOR – COMÉDIA/MUSICAL: Jean Dujardin (The Artist)

Jean Dujardin (The Artist)


Os trejeitos e expressões de Jean Dujardin me lembram Gene Kelly em Cantando na Chuva. Aliás, The Artist lembra bastante a história de Cantando na Chuva ao falar sobre cinema mudo. Com essa vitória, Dujardin está garantido na categoria do Oscar.

ATRIZ – DRAMA: Meryl Streep (A Dama de Ferro)

Meryl Streep ou Viola Davis? O Globo de Ouro escolheu a veterana atriz que, este ano, apostou num papel inconvencional e difícil, pois Margaret Thatcher foi uma figura política bastante controversa na base do “ame ou odeie”. Pelo que li, A Dama de Ferro foca mais nos últimos anos da vida dela, quando ela luta contra a demência, tentando dessa forma cativar mais o público ao transformá-la numa mulher comum e frágil. A atuação de Streep tem sido bastante elogiada por ela conseguir reproduzir o sorriso, a entonação e as posturas de Thatcher. Vem aí seu 3º Oscar?

FILME – COMÉDIA/MUSICAL: The Artist, de Michel Hazanavicius

Prêmio merecido. Quem faria um filme preto-e-branco, mudo, sobre Hollywoodland nos anos 20 com elenco desconhecido e francês? Uma vitória pela ousadia acima de tudo. Quando o filme estrear, veremos sua consistência.

George Clooney (Os Descendentes)

ATOR – DRAMA: George Clooney (Os Descendentes)

Quem não gosta do George? Ele é carismático, charmoso, bem-humorado e defende causas nobres. Ok, eu sei, o prêmio não reconhece características pessoais. Eu vi alguns trailers de Os Descendentes e estou bastante ansioso pra ver. Muitos estão dizendo que se trata do melhor trabalho de Clooney como ator. Deve ser mesmo, porque Alexander Payne é um diretor que sabe explorar seu elenco até o máximo. Jack Nicholson (As Confissões de Schmidt), Reese Witherspoon (Eleição) e Paul Giamatti (Sideways) que o digam. Admito que Clooney nunca teve um grande desafio como ator, mas se ele aceitou fazer esse filme com Payne e foi elogiado significa que ele reconhece suas limitações e está procurando melhorar. Ah, se todos os atores medíocres fizessem o mesmo…

FILME – DRAMA: Os Descendentes, de Alexander Payne

Se não ganhou Melhor Diretor e Melhor Roteiro, tem que ganhar Melhor Filme! Mas numa temporada sem grandes favoritos, Os Descendentes não tem nada garantido no Oscar. Será indicado? Sem sombra de dúvida. Ganhará um Oscar? Certeza 99%. Ganhará Melhor Filme? Putz, me pergunte daqui a um mês.

Dos demais resultados referentes a TV, desconheço muitas das séries indicadas e premiadas, mas fiquei feliz com a premiação da Laura Dern (que estava com a mãe Diane Ladd na platéia!), Kate Winslet pelo Mildred Pierce (parece bom, considerando também o diretor Todd Haynes) e Jessica Lange, como coadjuvante na nova série American Horror Story. Em seu discurso, ela agradece os roteiristas por criaram bom material para atores buscarem inspiração todo dia.

Golden Globe Nominations 2011 (Indicações ao Globo de Ouro)

69º Globo de Ouro

Apesar de todos os outros prêmios de críticos e organizações dizerem que o Globo de Ouro não serve mais como parâmetro para o Oscar, é imposível não associar ambos mesmo que as escolhas não sejam mais tão iguais como alguns décadas atrás. Para quem desconhece a premiação, uma das coisas mais bacanas é que a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (que comanda o Globo de Ouro) apresenta duas divisões: Drama e outra de Comédia ou Musical, para as categorias de atuação e filmes. Eu sei que isso pode soar ridículo se levarmos em conta que hoje não há mais como dividir os filmes como uma locadora fazia no século XX através de gênero, mas certamente isso possibilita que mais filmes sejam indicados e, consequentemente, mais divulgados e vistos. Atitude também tomada pela Academia, que desde 2010, resolveu indicar 10 filmes para Melhor Filme, fato que não ocorria desde 1944.

Enfim, as indicações saíram nesta quinta-feira, dia 15, e já é possível tirar algumas conclusões. A primeira coisa que se percebe ao ver as indicações é a total ausência do filme A Árvore da Vida e de seu diretor consagrado Terrence Mallick. O filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes e vinha coletando alguns prêmios de críticos americanos, mas não passou do corte desta vez. Além disso, pesou o fato de que o filme é daquele tipo “ame ou odeie”, e parece que os membros da Associção foram mais no “Odeie”. É claro que se for pensar bem, os atores de A Árvore da Vida, Brad Pitt e Jessica Chastain, foram indicados como Melhor Ator – Drama e Melhor Atriz Coadjuvante, contudo por outros filmes: O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball) e Histórias Cruzadas (The Help).

Outro que ficou completamente fora da festa foi o drama Extremely Loud and Incredibly Close (ainda sem título traduzido), dirigido por Stephen Daldry (Billy Elliot e As Horas). Trata-se de uma história de um menino de 9 anos que procura uma fechadura em New York que encaixa a chave deixada por seu pai, que morreu no atentado terrorista de 11 de Setembro. Levando em consideração o diretor e a história, o trailer já anuncia um drama meio meloso, ainda mais se tratando do atentado, além disso, dá a impressão de que o final é daqueles repletos de moral e mensagem de “ame o próximo”. O filme vinha sendo bastante cogitado para a temporada de premiações, pois além do diretor consagrado, as estrelas são Tom Hanks e Sandra Bullock, ambos vencedores de Oscar.

Nesta edição, os recordistas em número de indicações são: O Artista (The Artist), liderando com 6. Os Descendentes (The Descendants) e Histórias Cruzadas (The Help) vêm logo atrás com 5 indicações cada. A produção francesa O Artista vêm conquistando a crítica com sua história de conversão de cinema mudo para o falado nos anos 20 de Hollywood, além de apresentar um espetáculo visual através de fotografia preto-e-branco e direção de arte. Dessa forma, sua vitória já pode ser considerada certa como Melhor Filme – Comédia ou Musical.

O Artista

Os Descendentes

Histórias Cruzadas

Uma surpresa acabou sendo as 4 indicações para o drama político Tudo Pelo Poder (The Ides of March), dirigido por George Clooney (triplamente indicado: como roteirista e diretor, além de ator por Os Descendentes). O longa-metragem tenta recontar o caso amoroso entre o então presidente americano Bill Clinton com a estagiária Monica Lewinski, ocorrido no final dos anos 90, mas com uma dose de ficção e nomes fictícios, claro. Tudo Pelo Poder estava perdendo fôlego nos últimos meses nos prêmios de críticos, mas agora com o reconhecimento do Globo de Ouro, pode ser que ganhe mais espaço no Oscar.

Já o épico drama de guerra dirigido por Steven Spielberg, War Horse (ainda sem título brasileiro), foi apontado por uma penca de críticos e especialistas do site oscarcentral.com como o favorito da temporada. Ok, é compreensível que qualquer filme de Spielberg já seja um papa-prêmios, ainda mais um filme de guerra. Mas quando fui ver o trailer, achei muito estúpido. Perdoe-me o mestre Spielberg (sou fã de Tubarão, Encurralado e os primeiros trabalhos dele), mas por que ele foi aceitar dirigir um filme sobre um cavalo na guerra? Olhem a sinopse e me digam se gostariam de ver: “O jovem Albert se alista no Exército para a Segunda Guerra Mundial depois que seu amado cavalo, Joey, é vendido para a Cavalaria. A jornada cheia de esperança de Albert o leva para fora da Inglaterra e Europa quando a guerra estoura”. Ainda estão aí? Eu já estava dormindo faz tempo… Vi o trailer agora há pouco e na hora me veio à cabeça aquela draga de filme chamado Seabiscuit – Alma de Herói (2003). Alguém aí se lembra? Além disso, dá vontade de vomitar ao ver aqueles longos planos de câmera lenta cobertos por aquela trilha melosa do John Williams para ressaltar o espírito equino de guerra! Já deve ter gente querendo me jogar pedra, mas não estou querendo desmerecer o trabalho de ninguém e posso estar errado porque ainda não vi o filme, mas pelo trailer, parece que estão querendo transformar o cavalo do filme num candidato à presidência americana! Felizmente, só foi indicado a Melhor Filme e Melhor Trilha Musical.

Além das indicações para Os Descendentes e O Artista, gostei que o Globo de Ouro reconheceu o ator Christopher Plummer pelo filme Toda Forma de Amor, em que vive um recém-viúvo que se descobre gay e com doença terminal. Como eu disse no post anterior, não gosto quando a Academia premia alguém simplesmente por tentar compensar derrotas anteriores ou anos de carreira sem uma indicação, mas quando o artista ganha por puro mérito. E parece que Plummer chegou a seu merecido ápice como ator.

Tilda Swinton

Também já estou torcendo pela atriz Tilda Swinton por sua performance em Precisamos Falar Sobre o Kevin. Sempre digo em conversas com amigos que um bom ator ou atriz não é somente aquele que sabe atuar, mas que sabe escolher projetos que propiciem novos desafios com profundidade. E a inglesa Swinton se encaixa nesse perfil. Tirando o blockbuster As Crônicas de Nárnia: o Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, que serviu para pagar suas contas e atendido pedido do filho, suas escolhas têm coerência, seja pelo papel, seja pelo diretor ou pelo elenco.

Morgan Freeman

Lembrando também que o veterano ator Morgan Freeman receberá o prêmio Cecil B. DeMille pelo conjunto da obra. Freeman que teve seu auge nos anos 80 e 90 com filmes como Conduzindo Miss Daisy (1989), Um Sonho de Liberdade (1994) e Seven – Os Sete Crimes Capitais (1995), passou a se tornar coadjuvante de luxo de alguns filmes grandes como Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008)e Menina de Ouro (2004) pelo qual ganhou seu único Oscar, sem esquecer que é dono de uma voz idolatrada por documentaristas para ser o narrador como no sucesso A Marcha dos Pinguins (2005). Receber o prêmio Cecil B. DeMille certamente é uma honra, levando-se em consideração que nomes como Jack Nicholson, Elizabeth Taylor, Harrison Ford e Steven Spielberg já receberam.

A 69ª edição do Globo de Ouro será transmitido pelo canal pago Sony no dia 15 de Janeiro de 2012.

Segue a lista dos indicados ao Globo de Ouro:

Melhor Filme – Drama

Os Descendentes

Histórias Cruzadas

A Invenção de Hugo Cabret

Tudo pelo Poder

O Homem Que Mudou o Jogo

War Horse

Melhor Filme – Musical ou Comédia

O Artista

Missão Madrinha de Casamento

50%

Meia-Noite em Paris

My Week with Marilyn

Melhor Ator – Drama

George Clooney  (Os Descendentes)

Leonardo DiCaprio (J. Edgar)

Michael Fassbender (Shame)

Ryan Gosling (Tudo pelo Poder)

Brad Pitt (O Homem Que Mudou o Jogo)

Melhor Atriz – Drama

Glenn Close (Albert Nobbs)

Viola Davis (Histórias Cruzadas)

Rooney Mara (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres)

Meryl Streep (A Dama de Ferro)

Tilda Swinton (Precisamos Conversar Sobre o Kevin)

Melhor Ator – Musical ou Comédia

Jean Dujardin (O Artista)

Brendan Gleeson (O Guarda)

Joseph Gordon-Levitt (50%)

Ryan Gosling (Amor a Toda Prova)

Owen Wilson (Meia-Noite em Paris)

Melhor Atriz – Musical ou Comédia

Jodie Foster (Carnage)

Charlize Theron (Jovens Adultos)

Kristen Wiig (Missão Madrinha de Casamento)

Michelle Williams (My Week with Marilyn)

Kate Winslet (Carnage)

Melhor Ator Coadjuvante

Kenneth Branagh (My Week with Marilyn)

Albert Brooks (Drive)

Jonah Hill (O Homem Que Mudou o Jogo)

Viggo Mortensen (Um Método Perigoso)

Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

Melhor Atriz Coadjuvante

Bérénice Bejo (O Artista)

Jessica Chastain (Histórias Cruzadas)

Janet McTeer (Albert Nobbs)

Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

Shailene Woodley (Os Descendentes)

Melhor Diretor

Woody Allen (Meia-Noite em Paris)

George Clooney (Tudo Pelo Poder)

Michel Hazanavicius (O Artista)

Alexander Payne (Os Descendentes)

Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)

Melhor Roteiro

Michel Hazanavicius (O Artista)

Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash (Os Descendentes)

George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon (Tudo Pelo Poder)

Woody Allen (Meia-Noite em Paris)

Steven Zaillian, Aaron Sorkin, Stan Chervin (O Homem que Mudou o Jogo)

 

Melhor Canção

Brian Byrne, Glenn Close(“Lay Your Head Down”) – Albert Nobbs

Elton John, Bernie Taupin(“Hello Hello”) – Gnomeu e Julieta

Mary J. Blige, Thomas Newman, Harvey Mason Jr., Damon Thomas(“The Living Proof”) – Histórias Cruzadas

Chris Cornell(“The Keeper”) – Redenção

Madonna, Julie Frost, Jimmy Harry(“Masterpiece”) – W.E. – O Romance do Século

Melhor Trilha Musical

Ludovic Bource (O Artista)

Trent Reznor, Atticus Ross (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres)

Howard Shore (A Invenção de Hugo Cabret)

John Williams (War Horse)

Abel Korzeniowski (W.E. – O Romance do Século)

 

Melhor Animação

As Aventuras de Tintim

Operação Presente

Carros 2

Gato de Botas

Rango

Melhor Filme Estrangeiro

Jin líng shí san chai (China)

In the Land of Blood and Honey (EUA)

O Garoto de Bicicleta (Bélgica)

A Separação (Irã)

A Pele que Habito (Espanha)

NYFCC Awards 2011

Pôster do filme “The Artist”

Foi dada a largada de premiação de cinema com a escolha do Círculo de Críticos de Filmes de New York. O grande vencedor foi o filme francês The Artist, de Michel Hazanavicius, que também levou Melhor Diretor. O longa, que vem chamando a atenção da mídia desde sua seleção oficial no Festival de Cannes, em maio, recria os anos 20 em Hollywood, época da conversão do cinema mudo para o falado. Esse tema, já explorado no clássico musical Cantando na Chuva (1952), traz uma série de homenagens ao cinema mudo, desde os planos da bela fotografia preto-e-branco até a atuação bastante expressiva do protagonista Jean Dujardin, que lembra bastante Clark Gable e Gene Kelly. Antes que você faça a pergunta: “Como um filme francês derrota uma penca de filmes americanos?” Bom, à princípio, há 2 motivos. Primeiro, a Weinstein Company está distribuindo The Artist. Pra quem não se lembra, os irmãos Weinstein foram responsáveis pelas vitórias esmagadoras no Oscar de O Paciente Inglês e Shakespeare Apaixonado. E segundo, existe qualidade no trabalho de Hazanavicius. Assista ao trailer para conferir: http://www.imdb.com/video/imdb/vi2003082265/

Havia uma certa expectativa para a premiação de The Girl With the Dragon Tattoo, de David Fincher e The Descendants, de Alexander Payne que não se concretizou. Porém as premiações de Meryl Streep, por The Iron Lady, e Brad Pitt, por Moneyball, já eram aguardadas. Streep por ser uma mega veterana que se aplica demais na recriação de uma figura política tão marcante quanto Margareth Thatcher, e Brad Pitt pelo trabalho em 2 filmes (o outro A Árvore da Vida), e talvez por boatos de que o ator se aposentaria em breve (Hoje em dia é moda dizer para os jornais que a aposentadoria está chegando. “Tenham pena de mim!”)

Meryl Streep, cópia de Margaret Thatcher

Brad Pitt, em Moneyball

Gosto bastante do trabalho do diretor de fotografia mexicano Emmanuel Lubezki. Em seu portfólio, apenas obras-primas como Filhos da Esperança, de Alfonso Cuarón, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, de Tim Burton e Um Novo Mundo, de Terrence Mallick. Está mais do que na hora de reconhecerem seu trabalho bastante diversificado.

Quanto ao filme estrangeiro vencedor, A Separação, de Asghar Farhadi, trata-se de um drama iraniano de um casal em crise matrimonial. Apesar do tema bastante comum, pelo destaque na mídia e o boca-a-boca, deve ser um forte candidato no Oscar.

Enfim, esta é uma leitura primária dessa premiação de NY. Só dá pra concordar ou discordar vendo os trabalhos laureados, ou seja, até meados de 2012 pode ser que o público brasileiro consiga dar seu voto.

Confira a lista dos premiados do NYFCC:

2011 Awards

Best Picture
The Artist
Best Director
Michel Hazanavicius
The Artist
Best Screenplay
Steven Zaillian, Aaron Sorkin
Moneyball
Best Actress
Meryl Streep
The Iron Lady
Best Actor
Brad Pitt
Moneyball, The Tree of Life
Best Supporting Actress
Jessica Chastain
The Tree of Life, The Help, Take Shelter
Best Supporting Actor
Albert Brooks
Drive
Best Cinematographer
Emmanuel Lubezki
The Tree of Life
Best Non-Fiction Film (Documentary)
Cave of Forgotten Dreams
Best Foreign Film
A Separação
Best First Film
J.C. Chandor
Margin Call
Special Award
Raoul Ruiz