Tudo Pelo Poder (The Ides of March), de George Clooney (2011)

Tudo Pelo Poder

EM SEU 4º FILME, CLOONEY BUSCA OBSERVAR A NATUREZA HUMANA NUMA CAMPANHA ELEITORAL

Tudo Pelo Poder poderia ser mais um drama político chato e clichê, com aquela mensagem moralista que normalmente marca esse gênero, pois conta a trajetória da campanha de um governador rumo à presidência com alguns escândalos políticos a varrer para debaixo do tapete. Até o pôster (acima) parece dizer isso! Contudo, nas mãos de George Clooney, tornou-se um filme honesto, leve e eficiente.

Assim como outros atores que assumiram a cadeira de diretor, como Robert Redford e Clint Eastwood, George Clooney procura repassar seu conhecimento de direção de atores em cada filme seu. E olha que ele já trabalhou com profissionais consagrados como Steven Soderbergh, os irmãos Coen e Terrence Malick. Por esse motivo, o trabalho de atuação é a melhor qualidade deste novo filme. Ryan Gosling, Evan Rachel Wood, o próprio Clooney, Phillip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Jeffrey Wright e Marisa Tomei formam um conjunto tão consistente que seguram a barra quando a trama ainda está esquentando.

Particularmente, Ryan Gosling e Evan Rachel Wood apresentam as melhores performances. Enquanto ele está em plena ascensão (em 2011, estrelou também Drive e a comédia romântica Amor à Toda Prova, pelo qual também foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator – Comédia ou Musical), Evan está em processo de amadurecimento (desde o drama Aos Treze, de 2003, até 2008, quando atuou ao lado de Mickey Rourke em O Lutador).

Apesar do filme girar em torno do candidato do partido democrata, o longa acompanha o trabalho do coordenador da campanha Stephen Meyers, vivido por Ryan Gosling, que se envolve num polêmico encontro com o coordenador

Clinton e Lewinski: Sexo oral na mídia

do partido republicano (Paul Giamatti)e, em seguida, uma “escapadela” do governador com uma estagiária (Evan Rachel Wood). Quando vi o trailer e li a sinopse, pensei que o filme se tratava de uma reprodução do polêmico affair do então presidente americano Bill Clinton com a estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky, nos anos 90. Mas  a história era outra. Além de se passar na época da candidatura, o filme troca o sexo oral inofensivo por uma gravidez. E pelo menos Evan Rachel Wood é bem mais atraente que a rechonchudinha sem graça Lewinsky.

Mas George Clooney não está necessariamente interessado em resgatar casos antigos simplesmente para contar uma boa história. A mensagem desse filme parece refletir uma insatisfação pública cada vez mais forte nos EUA em relação ao atual presidente Barack Obama. Boa parte da população parece culpá-lo por essa crise que assola o país, ignorando o fato de Obama ter assumido o controle de um barco furado deixado por George W. Bush. Para quem acompanhou sua candidatura em 2008, cansou de ver os pôsteres estilizados com o rosto de Obama e ouvir os dizeres “Yes, we can”. E George Clooney se aproveita disso e cria um pôster semelhante para seu personagem Mike Morris com o intuito de fazer essa ponte de sua trama com a realidade.

Morris/Obama: alguma semelhança?

Mesmo se tratando de um filme com teor político, Clooney usa o cenário de campanha eleitoral como pano de fundo para criticar os efeitos desgastantes da natureza das novas mídias políticas em seus personagens, que vivem sob pressão do início ao fim. No final dessa maratona, o espectador se pergunta se um candidato consegue permanecer fiel a seus valores até chegar à presidência, pois há uma batalha constante de interesses, onde todos são mascarados.

E os cuidados da direção de Clooney não páram por aí. Ele busca meios concisos de transpôr seu roteiro do papel para a película. Duas cenas em particular me chamaram a atenção. Na primeira ocorre uma demissão. Ela dura cerca de 1 minuto e se passa dentro de um automóvel, mas não vemos nada no interior. O que vemos é um personagem entrando no veículo e ao fim, saindo. Não há diálogo, nem trilha, mas diz tudo. E a segunda, ocorre durante uma conferência de imprensa e um toque de celular que a interrompe. Mais uma vez sem diálogo. É esse tipo de cena que vejo em falta em alguns filmes americanos de hoje, inclusive em bons diretores como Christopher Nolan, que parece não dispensar nem uma linha sequer de diálogo de seus roteiros.

Tudo Pelo Poder concorreu ao Leão de Ouro no último Festival de Veneza e agora, voltou às colunas graças às suas 4 indicações ao Globo de Ouro: Melhor Filme – Drama, Melhor Ator – Drama (Ryan Gosling), Melhor Diretor (George Clooney) e Melhor Roteiro (George Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon). Apesar de não acreditar em nenhuma vitória para o filme, talvez a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood resolva premiar George Clooney em uma categoria por ele ser uma figura muito querida com os repórteres (sim, com os homens também).

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