‘Carol’ lidera as indicações do Independent Spirit Awards 2016

Carol

Rooney Mara e Cate Blanchett em cena de Carol, de Todd Haynes (photo by outnow.ch)

PREMIAÇÃO DOS INDEPENDENTES DESTACA OSCARIZÁVEIS

Antes de analisar esta edição, cabe aqui recordar o crescimento da importância do Independent Spirit em relação ao Oscar. Considerado como anti-Oscar até os anos 90, quando a Academia premiava grandes produções de estúdios em sua grande maioria como Coração Valente e Titanic, o prêmio singelo focado em filmes independentes ganhou muita força por sua veia mais artística e claro, por seus baixos orçamentos que animam qualquer produtor em anos de crise econômica.

Nos últimos anos, Birdman, 12 Anos de Escravidão e O Artista se sagraram Melhor Filme tanto no Independent como no Oscar, assim como vários atores, cujas performances foram reconhecidas em ambas as premiações como Julianne Moore (Para Sempre Alice), J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição), Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude), Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas), Cate Blanchett (Blue Jasmine), Jared Leto (Clube de Compras Dallas) e Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão) só pra citar as duas últimas edições, ou seja, 7 vencedores coincididos em 8. Resumindo: O Independent Spirit só fica atrás do SAG Awards para garantir o Oscar de atuação. Portanto, nessa função de prévia do Oscar, o Independent Spirit tomou o lugar do Globo de Ouro há tempos.

Neste ano, os convidados para o anúncio das indicações foram os atores Elizabeth Olsen, a Feiticeira Escarlate de Vingadores: Era de Ultron, e John Boyega, que estrela o novo filme da saga: Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força. Eles revelaram os indicados na manhã desta última terça-feira, dia 24, e a transmissão segue em link do Youtube:

O recordista em indicações é o novo filme de Todd Haynes, conhecido por Longe do Paraíso e Velvet Goldmine, Carol. Rotulado como o romance lésbico, o longa conquistou seis indicações, incluindo para a dupla de protagonistas Cate Blanchett e Rooney Mara, que competirão na mesma categoria. Claro que isso não significa que Mara não possa concorrer por Coadjuvante no Oscar, pois dependerá de sua inscrição pela campanha, mas certamente sua inclusão como atriz principal aqui, juntamente com o prêmio de atuação feminina em Cannes, reforçam sua indicação ao Oscar.

Em seguida, com cinco indicações, vem Beasts of No Nation, de Cary Joji Fukunaga, que aborda o treinamento de crianças para se formarem soldados com o intuito de lutarem em guerras civis no continente africano. Curiosamente, é a primeira produção da Netflix a concorrer ao prêmio, comprovando que as plataformas de streaming não vão se limitar às séries.

Michael Keaton e Mark Ruffalo em cena de Spotlight (photo by cine.gr)

Michael Keaton e Mark Ruffalo em cena de Spotlight (photo by cine.gr)

Com quatro indicações, Spotlight, drama jornalístico sobre escândalos verídicos de abusos de padres católicos, ganhou mais impulso para a temporada. Havia um certo receio de que o conservadorismo da Academia pudesse barrar a produção, mas com a alta de seu reconhecimento, fica praticamente impossível ignorar o filme, que já conquistou o prêmio de Melhor Elenco pelas performances de Mark Ruffalo, Michael Keaton, Rachel McAdams, Liev Schreiber e Stanley Tucci.

Com o mesmo número de indicações, a animação Anomalisa surpreendeu ao conquistar espaço nas principais categorias como Filme, Diretor e Roteiro. Contudo, a maior surpresa aqui é a inclusão do trabalho de dublagem da atriz Jennifer Jason Leigh como Atriz Coadjuvante. Sem contar com a presença de tela, a dublagem normalmente passa desapercebida pela maioria dos prêmios, pois muitos acreditam ainda que se trata de uma performance menor, ou mesmo limitada. As últimas duas atuações vocais que causaram um hype foram a de Scarlett Johansson, que faz a voz do sistema operacional em Ela (2013), e Ellen DeGeneres como a personagem amnésica Dory de Procurando Nemo (2003). Infelizmente, nenhuma das duas atrizes foram indicadas ao Oscar, mas alguns críticos já estão fazendo campanha para Jennifer Jason Leigh, que ainda conta com sua participação em Os 8 Odiados.

À direita, a personagem Lisa, dublada pela atriz Jennifer Jason Leigh (photo by observatoriodocinema.com.br)

À direita, a personagem Lisa, dublada pela atriz Jennifer Jason Leigh em Anomalisa  (photo by observatoriodocinema.com.br)

De todas as indicações, a que mais gostei foi para o diretor David Robert Mitchell por seu trabalho em Corrente do Mal. Trata-se de um terror pós-moderno que faz uma bela analogia à liberdade sexual entre os jovens de hoje. Fazer um filme de terror com conteúdo como fazia John Carpenter nos anos 70 e 80 está cada vez mais raro, e por isso mesmo, merece tal reconhecimento.

Vale destacar também as quatro indicações para o drama Tangerina, sobre duas prostitutas transsexuais que buscam vingança com seu cafetão na época do Natal em Los Angeles. Com um orçamento irrisório de 100 mil dólares e câmeras de iPhones modificadas, está competindo com grandes favoritos ao Oscar. Além disso, está lançando duas atrizes transsexuais para competir nas categorias de Atriz e Atriz Coadjuvante: Kitana Kiki Rodriguez e Mya Taylor, respectivamente. Caso uma das duas seja indicada para o Oscar, será a primeira vez que um ator transgênero consegue o feito.

Da esquerda pra direita, as atrizes Kitana Kiki Rodriguez e Mya Taylor em cena de Tangerina (photo by cine.gr)

Da esquerda pra direita, as atrizes Kitana Kiki Rodriguez e Mya Taylor em cena de Tangerina (photo by cine.gr)

Ainda sobre a lista de indicados, muitos especialistas acreditam que o drama O Quarto de Jack, considerado um “Oscar lock”, ficou aquém das expectativas na premiação. Segundo as apostas, faltaram indicações para Melhor Filme, Diretor (Lenny Abrahamson), Atriz Coadjuvante para Joan Allen, e Ator Coadjuvante Para Jacob Tremblay. Nesse cenário, a protagonista Brie Larson continua firme e forte na disputa para o Oscar de Atriz.

Outras ausências sentidas foram das atrizes Blythe Danner (I’ll See You in My Dreams), Lily Tomlin (Grandma), Saoirse Ronan (Brooklyn) e Elizabeth Banks (Love & Mercy), confirmando que estamos diante de um ano excepcional para atrizes como há muito não se via.

Diante desses indicados, com mais “cara de independente”, com exceções de Spotlight e Carol, talvez seja um ano de ruptura entre o Independent Spirit e o Oscar.

Seguem as indicações do Independent Spirit Awards 2016:

MELHOR FILME
– Anomalisa
– Beasts of No Nation
– Carol
– Spotlight
– Tangerina (Tangerine)

MELHOR DIRETOR
– Sean Baker (Tangerina)
– Cary Joji Fukunaga (Beasts of No Nation)
– Todd Haynes (Carol)
– Charlie Kaufman & Duke Johnson (Anomalisa)
– Tom McCarthy (Spotlight)
– David Robert Mitchell (Corrente do Mal)

MELHOR ROTEIRO
– Charlie Kaufman (Anomalisa)
– Donald Margulies (O Fim da Turnê)
– Phyllis Nagy (Carol)
– Tom McCarthy & Josh Singer (Spotlight)
– S. Craig Zahler (Bone Tomahawk)

MELHOR FILME DE ESTRÉIA
– The Diary of a Teenage Girl
– James White
– Manos Sucias
– Mediterranea
– Songs My Brothers Taught Me

MELHOR ROTEIRO ESTREANTE
– Jesse Andrews (Eu, Você e a Garota que Vai Morrer)
– Jonas Carpignano (Mediterranea)
– Emma Donoghue (O Quarto de Jack)
– Marielle Heller (The Diary of a Teenage Girl)
– John Magary, Russell Harbaugh, Myna Joseph (The Mend)

MELHOR ATOR
– Christopher Abbott (James White)
– Abraham Attah (Beasts of No Nation)
– Ben Mendelsohn (Mississippi Grind)
– Jason Segel (O Fim da Turnê)
– Koudous Seihon (Mediterranea)

MELHOR ATRIZ
– Cate Blanchett (Carol)
– Brie Larson (O Quarto de Jack)
– Rooney Mara (Carol)
– Bel Powley (The Diary of A Teenage Girl)
– Kitana Kiki Rodriguez (Tangerina)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
– Kevin Corrigan (Resultados)
– Paul Dano (Love & Mercy)
– Idris Elba (Beasts of No Nation)
– Richard Jenkins (Bone Tomahawk)
– Michael Shannon (99 Homes)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
– Robin Bartlett (H.)
– Marin Ireland (Glass Chin)
– Jennifer Jason Leigh (Anomalisa)
– Cynthia Nixon (James White)
– Mya Taylor (Tangerina)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
– (T)error
– Best of Enemies
– Heart of a Dog
– The Look of Silence
– Meru
– The Russian Woodpecker

MELHOR FILME INTERNACIONAL
– Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência (En duva satt på en gren och funderade på tillvaron), de Roy Andersson
– Embrace of the Serpent (El Abrazo de la Serpiente), de Ciro Guerra
– Garotas (Bande de Filles), de Céline Sciamma
– Mustang, de Deniz Gamze Ergüven
– O Filho de Saul (Saul Fia), de László Nemes

MELHOR FOTOGRAFIA
– Beasts of No Nation
– Carol
– Corrente do Mal
– Meadlowland
– Songs My Brothers Taught Me

MELHOR MONTAGEM
– Heaven Knows What
– Corrente do Mal
– Manos Sucias
– O Quarto de Jack
– Spotlight

PRÊMIO JOHN CASSAVETES (Best Feature Under $500,000)
– Advantageous
– Christmas, Again
– Heaven Knows What
– Krisha
– Out of My Hand

PRÊMIO ROBERT ALTMAN (Best Ensemble)
* Spotlight

Kiehl’s Someone to Watch Award
– Chloé Zhao
– Felix Thompson
– Robert Machoian & Rodrigo Ojeda-Beck

PRÊMIO PIAGET DE PRODUTORES
– Darren Dean
– Mel Eslyn
– Rebecca Green and Laura D. Smith

A 31ª edição do Independent Spirit Awards acontece no dia 27 de fevereiro, como de costume, um dia antes da cerimônia do Oscar.

Idris Elba em cena de Beasts of No Nation, de Cary Fukunaga (photo by cine.gr)

Idris Elba em cena de Beasts of No Nation, de Cary Joji Fukunaga (photo by cine.gr)

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