Vencedores do LAFCA 2012

LAFCA: Los Angeles Film Critics Association

LAFCA: Los Angeles Film Critics Association

Juntamente com  National Board of Review e o New York Film Critics Circle (NYFCC), o Los Angeles Film Critics Association fecha a poderosa trinca de reconhecimento da crítica norte-americana. Contudo, diferentemente dos outros, os estudiosos da costa oeste costumam ser bem mais democráticos ao incluir com maior ênfase os filmes estrangeiros na eleição, e não como visitantes em uma única categoria.

Por esse motivo que prefiro o reconhecimento deles, pois acredito que o cinema está globalizado demais para se limitar em categorias com regras rígidas como a Academia ou o Globo de Ouro costuma fazer. É claro que por se tratarem de prêmios dados em solo americano, têndem a favorecer o “cinema local”. Mas aí já seria uma outra discussão xiita…

Depois de duas vitórias, o longa sobre a caçada a Bin Laden, Zero Dark Thirty, ficou apenas com um 2º lugar na direção para Kathryn Bigelow e Melhor Montagem para Dylan Tichenor e William Goldenberg. Aliás, este último também ficou com o 2º lugar pelo filme Argo, de Ben Affleck. Desta vez, o grande vencedor é um filme co-produzido entre Áustria, França e Alemanha (eu avisei que Los Angeles adora estrangeiros): Amour, de Michael Haneke.

Amour, Michael Haneke. Surpresa no LAFCA?

Amour, Michael Haneke: Melhor Filme e Melhor Atriz para Emmanuelle Riva (foto por OutNow.CH)

O filme geriátrico de Haneke vem conquistando todos os críticos por onde passa, desde o Festival de Cannes, de onde saiu com a Palma de Ouro. Recentemente, também levou quatro prêmios principais no European Film Awards. O casal de atores franceses também têm grandes chances nessa corrida para o Oscar, especialmente a veterana Emmanuelle Riva, que venceu o prêmio de Melhor Atriz no LAFCA. Sua vitória confirma o favoritismo de estrangeiras nessa categoria: Em 2011 e 2010, as sul-coreanas Jeong-hie Yun e Hye-ja Kim venceram por Poesia e Mother – A Busca Pela Verdade, respectivamente, em 2009 foi a vez da belga Yolande Moreau por Séraphine, em 2007 foi a supremacia da francesa Marion Cotillard (Piaf – Um Hino ao Amor), além das duas inglesas Sally Hawkins (Simplesmente Feliz) e Helen Mirren (A Rainha).

E depois de andar sumido entre as premiações depois do Festival de Veneza, o filme sobre as origens da Cientologia, The Master, volta em destaque, ganhando Melhor Diretor (Paul Thomas Anderson), Melhor Ator (Joaquin Phoenix), Melhor Atriz Coadjuvante (Amy Adams), Melhor Direção de Arte (Jack Fisk e David Crank), além de dois prêmios de 2º lugar: Fotografia (Mihai Malaimare Jr) e Trilha Musical (Jonny Greenwood). Com esse reconhecimento, The Master volta a ganhar alguns pontos e pode conquistar algumas indicações ao Oscar, ainda mais por se tratar de uma história que se passa algumas décadas atrás, rendendo um trabalho mais minucioso de direção de arte e figurino.

Joaquin Phoenix em The Master. Filme ainda levou Diretor para Paul Thomas Anderson, Atriz Coadjuvante para Amy Adams entre outros.

Joaquin Phoenix em The Master. Filme ainda levou Diretor para Paul Thomas Anderson, Atriz Coadjuvante para Amy Adams entre outros, dando novo fôlego ao longa (foto por OutNow.CH)

Apesar de ter levado apenas o prêmio de Melhor Atriz para Jennifer Lawrence e um 2º lugar de Roteiro, O Lado Bom da Vida é daqueles filmes que chega de mansinho, como quem não quer nada, e vai conquistando o público e seu espaço na cerimônia do Oscar. Claro que não é o tipo de produção que leva vários prêmios por ser um filme tipicamente contemporâneo, mas tem grandes chances nas categorias principais de Filme, Direção, Roteiro, Ator e Atriz que, aliás, Bradley Cooper levou Melhor Ator no National Board of Review e agora, Jennifer Lawrence finalmente leva seu reconhecimento.

Outro filme que cresce ainda mais com a divulgação dos premiados do LAFCA é o independente Indomável Sonhadora. Levou Melhor Ator Coadjuvante (Dwight Henry), Melhor Trilha Musical (Dan Romer e Benh Zeitlin) e o New Generation para o diretor Zeitlin. Um fato curioso é que os atores (Dwight Henry e a pequena Quvenzhané Wallis) não poderão concorrer no SAG Awards porque ambos não eram sindicalizados antes da participação do filme e isso deve enfraquecer um pouco a votação na Academia (sim, o pessoal às vezes é muito chato).

Particularmente, fiquei feliz com quatro reconhecimentos:

1. Melhor Fotografia para Roger Deakins por 007 – Operação Skyfall. Além do trabalho excepcional, a fotografia de Deakins foi reconhecida por um filme da série de James Bond! Isso comprova que bons trabalhos são bem vistos independente do tipo de filme. Felizmente, depois do reboot com Daniel Craig, a série ganhou ares sérios e de qualidade com Sam Mendes e Marc Forster na direção. Mas acima de tudo, que isso sirva de lição para os produtores Barbara Broccoli e Michael G. Wilson que não adianta só ter a fama do agente secreto, mas é necessário contratar bons profissionais em todos os departamentos, incluindo o de fotografia. Viu só? Valeu a pena.

Talvez a cena mais linda visualmente em 007 - Operação Skyfall. Belo trabalho de Roger Deakins.

Talvez a cena mais linda visualmente em 007 – Operação Skyfall. Belo trabalho de Roger Deakins (foto por OutNow.CH)

2 e 3. Melhor Filme Estrangeiro para Holy Motors, de Leos Carax e 2º Lugar de Ator para Denis Lavant. Depois de ser ignorado no Festival de Cannes, este belo trabalho non-sense que contém todos os gêneros merecia este reconhecimento. Infelizmente, não deve figurar no Oscar por não ser representante nem da França, nem da Alemanha, países que co-produziram o filme. O protagonista vivido por Lavant também merece uma indicação por papéis múltiplos: vai de milionário, passando por uma mendiga de rua, o maluco que vive nos esgotos Merde até um senhor idoso à beira da morte. Como aprecio experimentos e inovações no Cinema, Holy Motors pra mim foi um sopro de criatividade em meio à mesmice de hoje.

Holy Motors, de Leos Carax. Reconhecimento merecido para um sopro de criatividade.

Holy Motors, de Leos Carax. Reconhecimento merecido para um sopro de criatividade (foto pot OutNow.CH)

4. Apesar de 2º lugar, adorei a premiação da Direção de Arte de Moonrise Kingdom. Como Tim Burton, o diretor Wes Anderson têm um estilo pessoal muito forte refletido no design do filme. Os cenários da trama contribuem demais para o romance infantil de Sam e Suzy.

O design de Moonrise Kingdom é um personagem à parte no filme (foto por OutNow.CH)

O design de Moonrise Kingdom é um personagem à parte no filme (foto por OutNow.CH)

A ausência mais notada foi a da mega-produção Lincoln, de Steven Spielberg. Os atores Daniel Day-Lewis e Sally Field venceram no NYFCC, mas não levou nenhum prêmio de Melhor Filme ou Diretor até o momento. Tem grandes chances nas categorias consideradas técnicas como Fotografia, Montagem, Direção de Arte e Figurino.

Segue a lista completa dos vencedores do LAFCA:

 

MELHOR FILME: Amour, de Michael Haneke

2º Lugar: The Master, de Paul Thomas Anderson

 

MELHOR DIRETOR: Paul Thomas Anderson (The Master)

2º Lugar: Kathryn Bigelow (Zero Dark Thirty)

 

MELHOR ATOR: Joaquin Phoenix (The Master)

2º Lugar: Denis Lavant (Holy Motors)

 

MELHOR ATRIZ: Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida) e Emmanuelle Riva (Amour)

 

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Dwight Henry (Indomável Sonhadora)

2º Lugar: Christoph Waltz (Django Livre)

 

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Amy Adams (The Master)

2º Lugar: Anne Hathaway (Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge/ Les Misérables)

 

MELHOR ROTEIRO: Chris Terrio (Argo)

2º Lugar: David O. Russel (O Lado Bom da Vida)

 

MELHOR FOTOGRAFIA: Roger Deakins (007 – Operação Skyfall)

2º Lugar: Mihai Malaimare Jr (The Master)

 

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Jack Fisk e David Crank (The Master)

2º Lugar: Adam Stockhausen (Moonrise Kingdom)

 

MELHOR MONTAGEM: Dylan Tichenor e William Goldenberg (Zero Dark Thirty)

2º Lugar: William Goldenberg (Argo)

 

MELHOR TRILHA MUSICAL: Dan Romer e Benh Zeitlin (Indomável Sonhadora)

2º Lugar: Jonny Greenwood (The Master)

 

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Holy Motors, de Leos Carax

2º Lugar: Footnote, de Joseph Cedar

 

MELHOR DOCUMENTÁRIO: The Gatekeepers, de Dror Moreh

2º Lugar: Searching for Sugar Man, de Malik Bendjelloul

 

MELHOR ANIMAÇÃO: Frankenweenie, de Tim Burton

2º Lugar: It’s Such a Beautiful Day, de Don Hertzfeldt

 

NEW GENERATION: Benh Zeitlin por Indomável Sonhadora

 

CONJUNTO DA OBRA: Frederick Wiseman

PRÊMIO PARA FILMES OU VÍDEOS EXPERIMENTAIS DOUGLAS EDWARDS: Leviathan, de Lucien Castaing-Taylor e Verena Paravel

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Vencedores do New York Film Critic’s Circle Awards 2012

NYFCC Awards 2012

NYFCC Awards 2012

Nesta 78ª edição, as atenções ficaram divididas entre dois filmes. Por um lado, Zero Dark Thirty, o drama de guerra sobre a caçada de Osama Bin Laden, levou três prêmios: Melhor Filme, Melhor Diretora e Melhor Fotografia. Do outro, Lincoln, filme de época sobre os últimos anos da vida do presidente americano, ficou com Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro.

Zero Dark Thirty, de Kathryn Bigelow

Zero Dark Thirty, de Kathryn Bigelow

Claro que se medirmos na balança, Zero Dark Thirty sai na frente pelo peso de ganhar os dois principais prêmios da edição. Vale lembrar que o lançamento do filme, que estava previsto para novembro, sofreu um adiamento devido a protestos republicanos que temiam queda de intenção de votos na eleição nos EUA, ficando para dezembro. A produção do longa também ficou marcada pelo acesso exclusivo aos arquivos da CIA da operação de captura do líder terrorista.

Kathryn Bigelow no set de filmagem

Kathryn Bigelow no set de filmagem

A diretora Kathryn Bigelow, que fez história ao ser a primeira mulher a ganhar Melhor Direção no Oscar por Guerra ao Terror, voltou a ganhar o prêmio de direção do NYFCC. Havia uma certa expectativa de que Paul Thomas Anderson, David O. Russell ou até mesmo Steven Spielberg pudessem figurar nessa categoria, mas Bigelow comprova que sua vitória anterior não foi mera sorte. E esta nova parceria com o roteirista Mark Boal parece render bons frutos, uma vez que o projeto do longa se tratava originalmente da década perdida caçando o terrorista. Com a morte de Bin Laden, toda a idéia do filme foi alterada e pelo visto, para melhor.

Como era de se esperar, Daniel Day -Lewis levou Melhor Ator. Quando confirmaram que ele viveria o presidente americano, os holofotes já estavam sobre ele. Logo que saíram as primeiras imagens do ator transformado com um belo trabalho de maquiagem, muitos críticos já o colocavam nas listas de indicação ao Oscar. Com essa vitória em Nova York, Day-Lewis já acumula quatro prêmios do NYFCC: Melhor Ator por Meu Pé Esquerdo (1989), Gangues de Nova York (2002) e Sangue Negro (2007), e Coadjuvante por Uma Janela Para o Amor (1986) e Minha Adorável Lavanderia (1985). Além disso, já se garante entre os cinco indicados ao Oscar, mas pode perder espaço para Joaquin Phoenix por The Master. Ainda pelo filme Lincoln, Sally Field ganhou o prêmio de atriz coadjuvante. A atriz que não vencia há 33 anos (em 1979, por Norma Rae), volta a ser destaque. E o dramaturgo Tony Kushner, que já venceu o Emmy pela série Angels in America, faz seu segundo trabalho com Steven Spielberg (o primeiro foi Munique em 2005) e leva Melhor Roteiro.

Rachel Weisz como Hester Collyer em The Deep Blue Sea (photo by outnow.ch)

Rachel Weisz como Hester Collyer em The Deep Blue Sea (photo by outnow.ch)

Talvez a maior surpresa tenha sido a vitória da britânica Rachel Weisz por The Deep Blue Sea. Esperava-se que a jovem Jennifer Lawrence saísse vitoriosa pelo drama O Lado Bom da Vida ou Jessica Chastain por Zero Dark Thirty. Mas Weisz é uma boa atriz e encara a personagem Hester Collyer, mulher de um juiz que tem um caso amoroso com um piloto da Força Aérea. Vale ressaltar que esse papel foi interpretado por Vivien Leigh no filme original de 1955.

E 2012 parece ser o ano de Matthew McConaughey. Depois de ganhar uma dupla indicação no Independent Spirit Awards (Ator por Killer Joe, e Coadjuvante por Magic Mike), ele ganha o prêmio NYFCC de coadjuvante por Magic Mike e por Bernie. Curiosamente, o primeiro filme é um drama focado no mundo do striptease e clube das mulheres, e o segundo é uma comédia de humor negro sobre como aplicar uma rasteira numa viúva idosa.

A vitória do NYFCC também ajuda bastante na campanha de Tim Burton e seu Frankenweenie. A animação em preto-e-branco sobre um garoto que ressuscita seu cachorrinho Sparky pode render o primeiro Oscar na carreira do renomado diretor gótico. E praticamente carimba a passagem de Michael Haneke para a cerimônia do Oscar para concorrer para Melhor Filme Estrangeiro com Amour, que já ganhou a Palma de Ouro em Cannes e recentemente levou quatro prêmios no European Film Awards: Filme, Ator, Atriz e Diretor.

A corrida para Melhor Documentário também esquenta com a vitória de Central Park Five, que trata do polêmico caso de cinco jovens (negros e latinos) que foram condenados pelo estupro de uma mulher branca no Central Park em 1989. Depois de passarem de 6 a 13 anos na prisão, um estuprador em série confessou o crime, e a sentença se mostra uma combinação trágica entre tensão racial, a polícia querendo mostrar serviço e a cobertura sensacionalista da mídia.

Central Park Five, documentário do trio Ken Burns, Sarah Burns e David McMahon.

Central Park Five, documentário do trio Ken Burns, Sarah Burns e David McMahon.

Vencedor como filme estreante, o engajado How to Survive a Plague, de David France, que facilmente seria título de uma comédia sobre zumbis, também pode ficar entre os finalistas do Oscar de Melhor Documentário. O filme de David France relata os esforços de ativistas que queriam provar para o mundo que a AIDS não era uma sentença de morte ao buscar alternativas com a indústria farmacêutica e o governo para salvar a vida de inúmeros infectados.

Pelo histórico recente, talvez o NYFCC Awards não seja um ótimo parâmetro para o Oscar, mas no ano passado, os críticos elegeram O Artista como Melhor Filme, e Michel Hazanavicius como Melhor Diretor, combinação também vitoriosa no Oscar deste ano.

Confira lista completa dos vencedores:

MELHOR FILME: Zero Dark Thirty

MELHOR DIRETOR: Kathryn Bigelow (Zero Dark Thirty)

MELHOR ROTEIRO: Tony Kushner (Lincoln)

MELHOR ATRIZ: Rachel Weisz (The Deep Blue Sea)

MELHOR ATOR: Daniel Day-Lewis (Lincoln)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Sally Field (Lincoln)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Matthew McConaughey (Magic Mike) (Bernie)

MELHOR FOTOGRAFIA: Greig Fraser (Zero Dark Thirty)

MELHOR FILME DE NÃO-FICÇÃO: Central Park Five, de Ken Burns, Sarah Burns e David McMahon

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Amour, de Michael Haneke

MELHOR ANIMAÇÃO: Frankenweenie, de Tim Burton

MELHOR FILME DE ESTREANTE: How to Survive a Plague, de David France

Documentário, que traduzido ao pé da letra: "Como Sobreviver a uma Praga", discute a questão da AIDS e os esforços coletivos para procurar alternativas de cura.

Documentário How to Survive a Plague, que traduzido ao pé da letra: “Como Sobreviver a uma Praga”, discute a questão da AIDS e os esforços coletivos para procurar alternativas de cura.