26 Animações inscritas concorrem ao OSCAR de MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO

COCO

Cena de “Coco”, ou na versão brasileira politicamente correta: “Viva: A Vida é uma Festa” (pic by outnow.ch)

PRA VARIAR, UMA PRODUÇÃO PIXAR-DISNEY É A FRANCO-FAVORITA

A Academia anunciou as 26 produções que se inscreveram para concorrer na categoria de Melhor Longa de Animação.

Algumas delas ainda precisam completar as requisições para se qualificar, como o lançamento em salas de cinema de Los Angeles no prazo determinado, mas de acordo com o histórico das últimas edições, acredito que quase todas devem competir. Só para relembrar a regra: se houver pelo menos 16 classificados, serão 5 indicados. Menos de 16, serão apenas 2 ou 3.

Pra quem acompanha a categoria desde sua criação em 2002, sabe que pelo menos uma das vagas será da Disney/Pixar. E o candidato deste ano é Viva: A Vida é uma Festa, de Lee Unkrich. Na verdade, o filme se chama Coco, mas em tempos cada vez mais politicamente corretos, qualquer menção a escatologia infantil pode virar um escândalo.

Falando em politicamente correto, mesmo sem ver o filme, já podemos praticamente cravar sua vitória no Oscar. Sua temática da cultura rica mexicana já renderia prêmios, mas nessa era Trump, quando se cogitou erguer um muro entre EUA e México, o filme deve ganhar ares pró-imigratórios.

Ainda sobre a Pixar, acredito que não dá nem pra considerar Carros 3 como forte concorrente, pois a franquia não fez muito sucesso no Oscar. O primeiro foi indicado a Longa de Animação e Canção, já o segundo não participou do Oscar.

Entre outros títulos mais badalados estão Meu Malvado Favorito 3, O Poderoso Chefinho e os dois filmes de Lego, LEGO Batman: O Filme e LEGO Ninjango: O Filme, mas nenhum deles aparenta ter forças para não morrer na praia, considerando que nem o primeiro filme do Lego foi indicado a Melhor Animação. Talvez sobre uma vaga para O Touro Ferdinando, baseado num livro infantil popular e já adaptado pela Disney num curta premiado com o Oscar em 1939. Esta nova adaptação feita pela Fox foi dirigida pelo carioca Carlos Saldanha, que ficou conhecido por Era do Gelo 2 e Rio.

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Cena de O Touro Ferdinando, de Carlos Saldanha (pic by moviepilot.de)

Nesse cenário, felizmente, as produções estrangeiras ganham muita força. E não há nada mais memorável do que o Com Amor, Van Gogh, uma co-produção entre Polônia e Reino Unido. Para quem nunca ouviu falar, trata-se de uma animação extremamente caprichosa feita com a técnica impressionista do próprio Vincent Van Gogh: tinta à óleo sobre tela.

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Cena de Com Amor, Van Gogh, dirigido pela dupla Dorota Kobiela e Hugh Welchman (pic by moviepilot.de)

Vale a pena conferir a técnica em movimento no trailer. Realmente é um deleite para os olhos de qualquer cinéfilo:

Além desse forte concorrente, temos alguns candidatos nipônicos que sempre conseguem descolar uma indicação, muito graças ao poder do Studio Ghibli, comandado por Hayao Miyazaki. São cinco animações japonesas na disputa: In This Corner of the World, Mary and the Witch’s Flower, Napping Princess, A Silent Voice Sword Art Online: The Movie – Ordinal Scale. Vale lembrar que o diretor de Mary and the Witch’s Flower, Hiromasa Yonebayashi, já foi indicado em 2016 por As Memórias de Marnie.

É possível destacar também The Breadwinner, uma co-produção da Irlanda, Canadá e Luxemburgo, e produzido por Angelina Jolie. Na trama, uma menina afegã se disfarça de menino para conseguir sustento para sua família após o pai ser preso.

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Cena de The Breadwinner, de Nora Twomey (pic by cine.gr)

Seguem os 26 inscritos (minhas apostas estão assinaladas em laranja):

  • The Big Bad Fox & Other Tales (Le Grand Méchant Renard et autres contes…) – França/Bélgica
    Dir: Patrick Imbert, Benjamin Renner
  • Birdboy: The Forgotten Children (Psiconautas, los niños olvidados) – Espanha
    Dir: Pedro Rivero, Alberto Vázquez
  • O Poderoso Chefinho (The Boss Baby) – EUA
    Dir: Tom McGrath
  • The Breadwinner – Irlanda/Canadá/Luxemburgo
    Dir: Nora Twomey
  • As Aventuras do Capitão Cueca: O Filme (Captain Underpants The First Epic Movie) – EUA
    Dir: David Soren
  • Carros 3 (Cars 3) – EUA
    Dir: Brian Fee
  • Cinderella the Cat (Gatta Cenerentola) – Itália
    Dir: Ivan Cappiello, Marino Guarnieri, Alessandro Rak, Dario Sansone
  • Viva: A Vida é uma Festa (Coco) – EUA
    Dir: Lee Unkrich
  • Meu Malvado Favorito 3 (Despicable Me 3) – EUA
    Dir: Kyle Balda, Pierre Coffin
  • Emoji: O Filme (The Emoji Movie) – EUA
    Dir: Tony Leondis
  • Ethel & Ernest – Reino Unido
    Dir: Roger Mainwood
  • O Touro Ferdinando (Ferdinand) – EUA
    Dir: Carlos Saldanha
  • The Girl without Hands (La jeune fille san mains) – França
    Dir: Sébastien Laudenbach
  • In This Corner of the World (Kono sekai no katasumi ni) – Japão
    Dir: Sunao Katabuchi
  • LEGO Batman: O Filme (The Lego Batman Movie) – EUA/Dinamarca
    Dir: Chris McKay
  • LEGO Ninjango: O Filme (The Lego Ninjago Movie) – EUA
    Dir: Charlie Bean, Paul Fisher, Bob Logan
  • Com Amor, Van Gogh (Loving Vincent) – Reino Unido/Polônia
    Dir: Dorota Kobiela, Hugh Welchman
  • Mary and the Witch’s Flower (Meari to majo no hana) – Japão
    Dir: Hiromasa Yonebayashi
  • Moomins and the Winter Wonderland (Muumien joulu) – Finlândia/Polônia
    Dir: Ira Carpelan, Jakub Wronski
  • My Entire High School Sinking into the Sea – EUA
    Dir: Dash Saw
  • Napping Princess (Hirune-hime : Shiranai watashi no monogatari) – Japão
    Dir: Kenji Kamiyama
  • A Silent Voice (Koe no katachi) – Japão
    Dir: Naoko Yamada
  • Os Smurfs e a Vila Perdida (Smurfs: The Lost Village) – EUA/Hong Kong
    Dir: Kelly Asbury
  • A Estrela de Belém (The Star) – EUA
    Dir: Timothy Reckart
  • Sword Art Online: The Movie – Ordinal Scale (Gekijo-ban Sword Art Online: Ordinal Scale) – Japão
    Dir: Tomohiko Itô
  • Window Horses The Poetic Persian Epiphany of Rosie Ming – Canadá
    Dir: Ann Marie Fleming

***

As indicações ao Oscar 2018 serão anunciadas no dia 23 de janeiro.

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21 Animações inscritas para o Oscar 2013

O diretor Tim Burton trabalhando num dos moldes da animação Franknweenie, provável candidato a favorito ao Oscar 2013 (photo by Enterntainment Weekly)

Inscrições encerradas. O Oscar 2013 já fechou com 21 animações que se tornarão cinco finalistas. Vendo os concorrentes, dá pra fazer uma breve análise de quem tem maiores chances de chegar ao tapete vermelho. Apesar da categoria de Melhor Animação ser a mais nova da premiação com seus 11 aninhos, é possível distinguir um certo padrão nos indicados.

Regrinha número 1: Reserve uma das vagas para a PIXAR. Se lançaram um filme produzido pela Pixar, pode incluí-lo na lista. E os números são impressionantes. Dos dez vencedores do Oscar de animação, a Pixar levou o ouro seis vezes! Concorreu em oito oportunidades e perdeu em apenas duas ocasiões: Em 2002, Monstros S.A. para o imbatível Shrek. E em 2007, Carros foi batido por Happy Feet – O Pinguim. A Pixar só não chegou na reta final em uma única vez, este ano, porque Carros 2 foi nitidamente feito pra ganhar dinheiro e agradar um dos chefes da produtora e diretor do próprio filme: John Lasseter.

Procurando Nemo (2003), de Andrew Stanton. Vencedor pela Pixar em 2004 foi relançado nas salas de cinema este ano no formato 3D.

Em 2013, a Pixar deve voltar a concorrer pelo novo trabalho Valente, de Mark Andrews e Brenda Chapman. Não sei se tentaram ir na onda do sucesso de Como Treinar Seu Dragão, mas a temática viking não fez o sucesso que se esperava. Por se tratar de uma animação com o selo da Pixar, a bilheteria costuma ficar garantida e a vaga no Oscar também, mas deve se tornar a terceira derrota da produtora.

Regrinha número 2: Traga material estrangeiro para a categoria. O segundo Oscar de animação foi para o pioneiro Hayao Miyazaki e seu belíssimo filme A Viagem de Chihiro. Nos anos seguintes, a Academia pegou esse costume de tentar trazer sempre produções internacionais, valorizando a categoria, os artistas responsáveis e a audiência na TV. Além do Japão de Miyazaki, que voltou a concorrer em 2006 com O Castelo Animado, a França se destacou com As Bicicletas de Belleville e O Mágico, ambos de Sylvain Chomet, com Persepolis, de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, e este ano com o espanhol Chico & Rita, de Tono Errando, Javier Mariscal e Fernando Trueba, e o francês Um Gato em Paris, de Jean-Loup Felicioli e Alain Gagnol.

As Bicicletas de Belleville (2003), de Sylvain Chomet, marcou a estréia da França na categoria. Merecia o Oscar.

Independente dos motivos comerciais e de audiência do Oscar, a presença da diversidade internacional ressalta a qualidade de trabalhos feitos fora do território americano, dominado pela técnica de 3D (animações tridimensionais como as da Pixar). As animações cresceram bastante com o 3D, mas pra mim, o 2D tem muito mais charme.

Regrinha número 3: Não se trata exatamente de um regra, mas uma tendência. Nos últimos anos, alguns diretores de filmes com atores vêm se aventurando no gênero da animação. O primeiro diretor sem tradição com desenho a ganhar o Oscar da categoria foi George Miller com Happy Feet – O Pinguim em 2007. Miller ficou mais conhecido pela trilogia do violento Mad Max, estrelada pelo jovem Mel Gibson. Este ano, o vencedor Rango foi dirigido por Gore Verbinski, cuja filmografia inclui Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra e O Chamado.

Quando as pessoas ainda estavam na onda “fofa” dos pinguins de A Marcha dos Pinguins, Happy Feet – O Pinguim (2006), de George Miller, foi o vencedor da categoria por causa de sua alta bilheteria. Mas quem realmente merecia era A Casa Monstro, de Gil Kenan.

Em 2013, Tim Burton pode se juntar a essa tendência. Embora tenha realizado alguns curtas de animação (como o próprio curta Frankenweenie, de 1984, que dá origem ao longa) e o longa Noiva-Cadáver (2005), que lhe rendeu a primeira e única indicação ao Oscar, o diretor ficou bem mais marcado por trabalhos com atores como Edward Mãos-de-Tesoura (1990), Ed Wood (1994) e A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999).

DOS CONCORRENTES DE 2013

Como a Academia fez a pré-seleção com 21 candidatos, isso significa que haverão cinco finalistas. Para que isso aconteça, é necessário o mínimo de 16 produções. Abaixo disso, a categoria teria apenas 3 finalistas.

Obviamente, não conferi todos os 21 filmes, mas dei uma olhada em cada um e cheguei a algumas conclusões. Primeiro, vamos conferir a lista das 21 animações, em ordem alfabética:

Frankenweenie, de Tim Burton: Favorito ao Oscar 2013.

Delhi Safari, de Nikhil Advani (Índia)

Detona Ralph (Wreck-It Ralph), de Rich Moore (EUA)

A Era do Gelo 4 (Ice Age Continental Drift), de Steve Martino e Mike Thurmeier (EUA)

Frankenweenie (Frankenweenie), de Tim Burton (EUA)

From Up on Poppy Hill (Kokuriko-zaka Kara), de Goro Miyazaki (Japão)

O Gato do Rabino (Le Chat du Rabbin), de Antoine Delesvaux e Joann Sfar (França/ Áustria)

Hey Krishna (Krishna Aur Kans), de Vikram Veturi (Índia)

Hotel Transilvânia (Hotel Transylvania), de Genndy Tartakovsky (EUA)

A Liar’s Autobiography: The Untrue Story of Monty Python’s Graham Chapman, de Bill Jones, Jeff Simpson e Ben Timlett (Reino Unido)

O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida (Dr. Seuss’ The Lorax), de Chris Renauld (EUA)

Madagascar 3: Os Procurados (Madagascar 3: Europe’s Most Wanted), de Eric Darnell, Tom McGrath e Conrad Vernon (EUA)

The Mystical Laws (Shinpi no hô), de Isamu Imakake (Japão)

A Origem dos Guardiões (Rise of the Guardians), de Peter Ramsey (EUA)

The Painting (Le Tableau), de Jean-François Laguionie (França)

ParaNorman (ParaNorman), de Chris Butler e Sam Fell (EUA)

Piratas Pirados! (The Pirates! Band of Misfits), de Peter Lord (Reino Unido/ EUA)

Tinker Bell: O Segredo das Fadas (Secret of the Wings), de Roberts Gannaway e Peggy Holmes (EUA)

Valente (Brave), de Mark Andrews e Brenda Chapman (EUA)

Walter & Tandoori’s Christmas (Le Noël de Walter et Tandoori), de Sylvain Viau (Canadá)

Zambezia, de Wayne Thornley (África do Sul)

Zarafa, de Rémi Bezançon e Jean-Christophe Lie (França/ Bélgica)

Piratas Pirados!, de Peter Lord: animação de massinha muito bem representado.

Como realizador, só o fato de ter seu filme lançado numa sala de cinema já seria motivo de orgulho. Imagine então tê-lo nessa lista! Apesar da quantidade de animações lançadas em um ano ser bem inferior ao de filmes com atores (live-action), ainda assim, trata-se de uma seleção oficial da Academia. Contudo, alguns desses trabalhos não devem seguir adiante na classificação como são os casos de Tinker Bell: O Segredo das Fadas e Walter & Tandoori’s Christmas, por se tratarem de filmes mais comuns.

Voltando ao tema da diversidade internacional, acho muito bacana ver uma produção sul-africana na lista. Apesar de Zambezia parecer um clone genérico de Madagascar, vale pelo incentivo aos artistas do continente africano, que têm orçamento bastante reduzido. As animações indianas Delhi Safari e Hey Krishna também não vão muito longe no âmbito visual, mas para quem achava que a Índia só tinha musicais à la Bollywood, aí está a prova de que existe diversidade em todos os países.

Tirando Frankenweenie e Valente, que já são presença certa entre os indicados pelos motivos citados no início do post, não existem mais favoritismos. Porém, por se tratar da única animação feita com massinha, Piratas Pirados! tem boas chances de concorrer. Além de reforçar a diversidade, a Academia já comprovou que gosta dessa técnica de stop-motion ao premiar Wallace & Grommit – A Batalha dos Vegetais, de Steve Box e Nick Park, em 2006.

Detona Ralph pode se tornar uma grata surpresa na lista pelo sucesso de público.

Outro detalhe que faz diferença é a bilheteria da animação. Nesse quesito, Detona Ralph, que conta com vários personagens do universo do video-game, estreou semana passada em primeiro lugar nos EUA, com 49 milhões de dólares. É lógico que os números não se comparam a uma estréia da Pixar, que costuma superar os 100 milhões, mas devemos considerar como um sucesso grande nessa reta final. Vale lembrar que o simpático Hotel Transilvânia está na sua sexta semana em cartaz e já faturou 137 milhões.

Não acredito que a Academia vá compensar com uma indicação as sequências A Era do Gelo 4 e Madagascar 3 – Os Procurados, mas não podemos ignorar que Shrek 2 e Kung Fu Panda 2 já foram finalistas. Isso acabaria abrindo uma bela brecha para que a produção com visual mais caprichado entre na roda: o francês The Painting (Le Tableau), que mexe com pinturas e surrealismo. Por mais que não agrade alguns votantes, é inegável a qualidade estética da animação de Jean-François Laguionie, um veterano que já dirigiu sete curtas e quatro longas. Deve e merece ser indicado. Veja a foto abaixo e tente discordar:

The Painting (Le Tableau): um espetáculo visual que merece maior exposição internacional

Ainda vale citar alguns trabalhos que podem surpreender como o japonês From Up on Poppy Hill, dirigido pelo filho de Hayao Miyazaki, Goro Miyazaki. O Gato do Rabino seria uma segunda opção para a França, caso The Painting não passe, ainda mais que contém elementos da religião judaica, muito forte entre os votantes da Academia. Eu também citaria ParaNorman pelo sucesso que fez em solo americano, mas talvez o fato de ter algumas semelhanças mórbidas com Frankenweenie atrapalhe na seleção.

E pra fechar, gostaria muito de ver o alternativo britânico A Liar’s Autobiography: The Untrue Story of Monty Python’s Graham Chapman entre os indicados. A animação que mistura várias técnicas diferentes como 2D, 3D, pintura e colagem pra contar a história de Graham Chapman, criador do grupo de humor Monty Phyton já vale pela idéia genial. Resta saber se os votantes têm a cabeça aberta para algo mais incomum, pois infelizmente, a maioria ainda acredita que animação é obrigatoriamente material infanto-juvenil. Vamos crescer, né?

A Liar’s Autobiography: The Untrue Story of Monty Python’s Graham Chapman: uma das cenas que contém colagem. Será que cola na Academia?

Então, sem mais delongas, minha lista de palpites ficaria assim: (Seria uma mistura das minhas apostas com o que gostaria de ver na categoria)

Detona Ralph

Frankenweenie

The Painting

Piratas Pirados!

Valente

Valente: aposta certa da Pixar, mas não detém o favoritismo desta vez