‘Jogos Vorazes: Em Chamas’ é o grande vencedor do MTV Movie Awards 2014

Os atores Sam Claflin (esq) e Josh Hutcherson (dir) recebem prêmio de Melhor Filme das mãos de Johnny Depp (centro). (photo by straitstimes.com)

Os atores Sam Claflin (esq) e Josh Hutcherson (dir) recebem prêmio de Melhor Filme das mãos de Johnny Depp (centro). (photo by straitstimes.com)

MTV Movie Awards 2014 (art by www.mtv.com)

MTV Movie Awards 2014 (art by http://www.mtv.com)

23 ANOS DE MTV MOVIE AWARDS: DECLÍNIO OU APENAS MUDANÇA DE GOSTOS?

Chamem-me de saudosista, mas houve uma época em que o MTV Movie Awards era considerado um dos prêmios mais ‘cool’ de todos. Ele destoava dos demais prêmios tradicionais como Oscar e Globo de Ouro já pelas categorias bem criativas como Melhor Vilão, Melhor Beijo, Melhor Seqüência de Dança e, meu favorito: Mulher Mais Desejada (vulgo Mais Gostosa). Aliás, até hoje não entendo a extinção desse prêmio. Seriam os tempos atuais tão politicamente corretos a ponto de deixar de eleger a sensualidade de um personagem?

Ao longo desses 23 anos de existência, o prêmio sofreu algumas alterações que refletem seu tempo. Por exemplo, com a alta quantidade de adaptações de histórias em quadrinhos, era mera questão de tempo criarem a categoria Melhor Herói, este ano vencida por Henry Cavill, o novo Super-Homem. Contudo, nem sempre a criatividade serve ao bem: Melhor Performance Sem Camisa é uma idiotice sem fundamento.

Embora haja mudanças, o grande calcanhar de Aquiles do MTV Movie Awards é justamente aquela que já foi uma de suas maiores proezas: o voto do público. Nos anos 90, os votos do grande público elegeram ótimos produções como O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final, Pulp Fiction – Tempo de Violência e Seven: Os Sete Pecados Capitais como Melhor Filme de seus respectivos anos. Hoje, o público elege quase todos os filmes da série Saga Crepúsculo (de 2009 a 2012) e Transformers como Melhor Filme. Que me desculpem as fãs dos vampiros assexuados que brilham, e os meninos que curtem robôs de carrinhos, mas o que aconteceu?! A lavagem cerebral dos produtores de Hollywood surtiu efeito?

Começando com o pé direito: O primeiríssimo MTV Movie premiou O Exterminador do Futuro 2. Da esquerda para direita: Edward Furlong, Robert Patrick, Arnold Schwarzenegger, James Cameron e Linda Hamilton. (photo by guycodeblog.mtv.com)

ONTEM: Começando com o pé direito: O primeiríssimo MTV Movie premiou O Exterminador do Futuro 2. Da esquerda para direita: Edward Furlong, Robert Patrick, Arnold Schwarzenegger, James Cameron e Linda Hamilton. (photo by guycodeblog.mtv.com)

Elenco de A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1 (com Taylor Lautner no centro e Kristen Stewart à direita) sobe ao palco para receber Melhor Filme (photo by vanamyanda.blogspot.com)

HOJE: Elenco de A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1 (com Taylor Lautner no centro e Kristen Stewart à direita) sobe ao palco para receber Melhor Filme (photo by vanamyanda.blogspot.com)

E com o sistema de votos pela internet, nem dá pra culpar a organização do evento, pois eles apenas divulgam os resultados das votações online. Eles até inserem alguns filmes bacanas na competição, mas o voto final acaba indo para os chamados filmes-febre. Por exemplo: este ano O Lobo de Wall Street estava entre os 5 indicados a Melhor Filme, mas acabou perdendo para Jogos Vorazes: Em Chamas. Tratava-se de uma oportunidade única de premiar um dos melhores filmes de 2013, que só não foi premiado pela Academia porque a maioria votante é conservadora demais, porém, aparentemente, o filme de Scorsese também seria muito complexa ou madura para o grande público. Uma pena.

Além dessa mudança de votos, hoje, o MTV Movie Awards deixou de ser um reconhecimento artístico alternativo para ser uma grande vitrine de produções prestes a estrear. Este ano, transmitiram um vídeo estrelado por Andrew Garfield, Emma Stone e Jamie Foxx durante a cerimônia ao vivo para promover O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, que será lançado no próximo dia 1º de maio. Claro que se trata de uma ótima estratégia de marketing, mas que acaba maquiando os reais propósitos de reconhecer a qualidade dos filmes concorrentes.

Andrew Garfield, Emma Stone e Jamie Foxx fazem uma promoção deslavada de O Espetacular Homem-Aranha 2 em vídeo (photo by mtv.co.uk)

Andrew Garfield, Emma Stone e Jamie Foxx fazem uma promoção deslavada de O Espetacular Homem-Aranha 2 em vídeo (photo by mtv.co.uk)

Nesse ponto do texto, talvez meu saudosismo dê lugar a uma crítica mais ferrenha deslocada, afinal, o MTV Movie Awards é algo light e muitas vezes sem fundamentos cinematográficos. No entanto, como cinéfilo, é um tanto frustrante acompanhar um prêmio que começou bastante promissor ao reconhecer produções de ótima qualidade e que dificilmente ganhariam o Oscar, mas que acabou decaindo por confiar demais no gosto do público. Particularmente, eu limitaria os votos do público a acrescentar um indicado ou funcionar como um critério de desempate, mas minha sugestão ditatorial acabaria alterando demais o formato do prêmio… Resta a nós conformar-se com os resultados.

CONFIRA OS VENCEDORES DA EDIÇÃO 2014:

Jogos Vorazes: Em Chamas levou Melhor Filme, Ator e Atriz (photo by elfilm.com)

Jogos Vorazes: Em Chamas levou Melhor Filme, Ator e Atriz (photo by elfilm.com)

FILME DO ANO
– 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave)
– O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug)
• Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire)

– O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)
– Trapaça (American Hustle)

MELHOR ATOR
– Bradley Cooper (Trapaça)
– Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)
– Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão)
Josh Hutcherson (Jogos Vorazes: Em Chamas)
– Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas)

MELHOR ATRIZ
– Amy Adams (Trapaça)
– Jennifer Aniston (Família do Bagulho)
– Sandra Bullock (Gravidade)
• Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes: Em Chamas)
– Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão)

REVELAÇÃO
– Liam James (O Verão da Minha Vida)
– Michael B. Jordan (Fruitvale Station: A Última Parada)
• Will Poulter (Família do Bagulho)
– Margot Robbie (O Lobo de Wall Street)
– Miles Teller (The Spectacular Now)

MELHOR BEIJO
– Joseph Gordon-Levitt e Scarlett Johansson (Como Não Perder Essa Mulher)
– James Franco, Vanessa Hudgens e Ashley Benson (Spring Breakers: Garotas Perigosas)
– Shailene Woodley e Miles Teller (The Spectacular Now)
– Jennifer Lawrence e Amy Adams (Trapaça)
• Emma Roberts, Jennifer Aniston e Will Poulter (Família do Bagulho)

MELHOR LUTA
– Jonah Hill vs. Seth Rogen + James Franco (É o Fim)
– Will Ferrell + Paul Rudd + David Koechner + Steve Carell vs. James Marsden, Gregg Kinnear, Jim Carrey, Marion Cotillard, Sacha Baron Cohen, Liam Neeson, John C. Reilly, Kanye West, Tina Fey, Amy Poehler e Will Smith (Tudo por um Furo)
– Jennifer Lawrence + Sam Claflin + Josh Hutcherson vs. the Monkeys (Jogos Vorazes: Em Chamas)
Orlando Bloom + Evangeline Lilly vs. the Orcs (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
– Jason Bateman vs. Melissa McCarthy (Uma Ladra Sem Limites)

MELHOR PERFORMANCE EM COMÉDIA
– Kevin Hart (Ride Along)
Jonah Hill (O Lobo de Wall Street)
– Johnny Knoxville (Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha)
– Melissa McCarthy (As Bem-Armadas)
– Jason Sudeikis (Família do Bagulho)

MELHOR PERFORMANCE DE TERROR
– Rose Byrne (Sobrenatural: Capítulo 2)
– Jessica Chastain (Mama)
– Vera Farmiga (Invocação do Mal)
– Ethan Hawke (Uma Noite de Crime)
Brad Pitt (Guerra Mundial Z)

MELHOR DUPLA
– Amy Adams e Christian Bale (Trapaça)
– Matthew McConaughey e Jared Leto (Clube de Compras Dallas)
Vin Diesel e Paul Walker (Velozes & Furiosos 6)
– Ice Cube e Kevin Hart (Ride Along)
– Jonah Hill e Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)

MELHOR PERFORMANCE SEM CAMISA
– Jennifer Aniston (Família do Bagulho)
– Sam Claflin (Jogos Vorazes: Em Chamas)
– Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)
• Zac Efron (Namoro ou Liberdade)
– Chris Hemsworth (Thor: O Mundo Sombrio)

#WTF MOMENT
– A batida do trailer (Tudo por um Furo)
– O concurso de beleza (Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha)
– Sexo com o carro (O Conselheiro do Crime)
A cena do lude (O Lobo de Wall Street)
– O novo animal de estimação de Danny McBride (É o Fim)

MELHOR VILÃO
– Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
– Benedict Cumberbatch (Além da Escuridão: Star Trek)
– Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)
• Mila Kunis (Oz: Mágico e Poderoso)
– Donald Sutherland (Jogos Vorazes: Em Chamas)

MELHOR TRANSFORMAÇÃO
– Christian Bale (Trapaça)
– Elizabeth Banks (Jogos Vorazes: Em Chamas)
– Orlando Bloom (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
Jared Leto (Clube de Compras Dallas)
– Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas)

PERSONAGEM FAVORITO
Shailene Woodley (Divergente)
– Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes: Em Chamas)
– Tom Hiddleston (Thor: O Mundo Sombrio)
– Kristen Bell (Veronica Mars)
– Benedict Cumberbatch (Além da Escuridão: Star Trek)

MELHOR MOMENTO MUSICAL
Backstreet Boys, Jay Baruchel, Seth Rogen e Craig Robinson (É o Fim)
– Jennifer Lawrence cantando ‘Live and Let Die’ (Trapaça)
– Leonardo DiCaprio dançando ‘Pretty Thing’ (O Lobo de Wall Street)
– Melissa McCarthy cantando ‘Barracuda’ (Uma Ladra Sem Limites)
– Will Poulter cantando ‘Waterfalls’ (Família do Bagulho)

MELHOR PARTICIPAÇÃO ESPECIAL
– Robert De Niro (Trapaça)
– Tina Fey e Amy Poehler (Tudo por um Furo)
– Kanye West (Tudo por um Furo)
– Joan Rivers (Homem de Ferro 3)
Rihanna (É o Fim)

MELHOR HERÓI
Henry Cavill como Super-Homem (O Homem de Aço)
– Robert Downey Jr. como Homem de Ferro (Homem de Ferro 3)
– Martin Freeman como Bilbo Baggins (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
– Chris Hemsworth como Thor  (Thor: O Mundo Sombrio)
– Channing Tatum como John Cale (O Ataque)

TRAILBLAZER AWARD: Channing Tatum

GENERATION AWARD: Mark Wahlberg

O Lobo de Wall Street conquistou (photo by outnow.ch)

O Lobo de Wall Street levou 2 prêmios menores: performance de comédia e wtf moment (photo by outnow.ch)

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114 Trilhas Musicais na disputa pelo Oscar 2014

Trilha musical tenebrosa de Joseph Bishara para Invocação do Mal está na disputa (photo by www.outnow.ch)

Trilha musical tenebrosa de Joseph Bishara para Invocação do Mal está na disputa (photo by http://www.outnow.ch)

Se tem ator e atriz reclamando da alta competitividade deste ano, os compositores deveriam tomar um uísque e relaxar. Competir com 113 trabalhos é pior que passar em medicina na FUVEST.

Embora nem todas as trilhas mereçam uma indicação ao Oscar, a trilha musical é uma arma valiosíssima nas mãos do diretor, pois pode valorizar muito a mensagem que o filme passa, gerar catarse naqueles filmes mais chorosos, e em alguns casos, dar uma bela disfarçada na “ruindade” do filme.

Hans Zimmer (photo by www.zimbio.com)

Hans Zimmer (photo by http://www.zimbio.com)

Na lista, é natural alguns nomes se repetirem como é o caso do alemão Hans Zimmer. Vencedor do Oscar pela trilha de O Rei Leão em 1995, ele concorre por três trabalhos bastante distintos entre si. Apesar de ser responsável pelas músicas do blockbuster O Homem de Aço e do filme de fórmula 1 Rush: No Limite da Emoção, Zimmer deve receber a indicação pelo drama 12 Years a Slave. Com o total de nove indicações e uma vitória, ele tem turbinado suas chances nos últimos anos depois que fez parceria com o diretor Christopher Nolan em Batman: O Cavaleiro das Trevas A Origem, e está trabalhando também em Interstellar, que deve estrear em novembro de 2014.

Há nomes que sempre figuram entre os indicados, mas nunca levam o prêmio. São os casos de Thomas Newman (11 indicações sem vitória), que disputa por Terapia de Risco e Walt nos Bastidores de Mary Poppins; e Danny Elfman (4 indicações sem vitória), que conta com seus trabalhos na animação Reino Escondido e no blockbuster Oz: Mágico e Poderoso. Provavelmente por motivos técnicos, ele não está competindo também por Trapaça

É muito difícil fazer previsão de indicados nessa categoria, mas alguns nomes como o de Zimmer são praticamente garantidos. Outro nome de peso que quase nunca falta é o do mestre John Williams. Super-mega recordista de indicações com “apenas” 48, tendo vencido em 5 oportunidades: Um Violinista no Telhado, Tubarão, Star Wars, E.T. o Extraterrestre e A Lista de Schindler. Ele volta este ano com a trilha da adaptação do best-seller A Menina que Roubava Livros, pelo qual já recebeu uma indicação ao Globo de Ouro.

O maestro e compositor John Williams (photo by www.jwfan.com)

O maestro e compositor John Williams (photo by http://www.jwfan.com)

Os demais concorrentes ao Globo de Ouro são Alex Ebert (All is Lost), Alex Heffes (Mandela: Long Walk to Freedom), Steven Price (Gravidade) e Zimmer que, por isso, já saem na frente das demais 109 composições.

Reconhecido pela crítica de Los Angeles, William Butler e Owen Pallett (Ela),  podem surpreender na reta final dependendo da distribuição das indicações. Já T-Bone Burnett (Inside Llewyn Davis) não teve a mesma sorte, pois suas composições devem conter música pré-existente, o que desqualifica para as exigências da Academia.

O compositor Joseph Bishara (photo by www.zimbio.com)

O compositor Joseph Bishara (photo by http://www.zimbio.com)

Particularmente, adoraria ver Joseph Bishara no tapete vermelho do Oscar. Ele foi responsável pelas ótimas trilhas de Invocação do Mal e Sobrenatural: Capítulo 2. Sem sua música, a excelente atmosfera não teria o mesmo impacto. Pena que a Academia não costuma premiar filmes de terror. Até onde me recordo, apenas A Profecia ganhou o Oscar em 1977, que contou também com a credibilidade de Jerry Goldsmith, falecido em 2004.

Segue a lista das 114 composições em ordem alfabética dos títulos originais em inglês:

A Seleção (Admission), de Stephen Trask
Ain’t Them Bodies Saints, de Daniel Hart
All Is Lost, de Alex Ebert
Alone Yet Not Alone, de William Ross
American Seagull, de Evgeny Shchukin
The Armstrong Lie, de David Kahne
Arthur Newman, de Nick Urata
At Any Price, de Dickon Hinchliffe
Austenland, de Ilan Eshkeri
Antes da Meia-Noite (Before Midnight), de Graham Reynolds
The Best Man Holiday, de Stanley Clarke
A Menina que Roubava Livros (The Book Thief), de John Williams
The Butterfly’s Dream (Kelebegin Ruyasi), de Rahman Altin
Chamada de Emergência (The Call), de John Debney
Capitão Phillips (Captain Phillips), de Henry Jackman
Closed Circuit, de Joby Talbot
Sem Proteção (The Company You Keep), de Cliff Martinez
Invocação do Mal (The Conjuring), de Joseph Bishara
Copperhead, de Laurent Eyquem
O Conselheiro do Crime (The Counselor), de Daniel Pemberton
Os Croods (The Croods), de Alan Silvestri
Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2), de Heitor Pereira
Elysium, Ryan Amon
Ender’s Game – O Jogo do Exterminador (Ender’s Game), de Steve Jablonsky
À Procura do Amor (Enough Said), de Marcelo Zarvos
Reino Escondido (Epic), de Danny Elfman
Ernest & Celestine, de Vincent Courtois
A Fuga do Planeta Terra (Escape from Planet Earth), de Aaron Zigman
Escape from Tomorrow, de Abel Korzeniowski
A Morte do Demônio (Evil Dead), de Roque Baños
47 Ronins (47 Ronin), de Ilan Eshkeri
42: A História de uma Lenda (42), de Mark Isham
Bons de Bico (Free Birds), de Dominic Lewis
Free China: The Courage to Believe, de Tony Chen
Fruitvale Station: A Última Parada (Fruitvale Station), de Ludwig Goransson
G.I. Joe: Retaliação (G.I. Joe: Retaliation), de Henry Jackman
Caça aos Gângsteres (Gangster Squad), de Steve Jablonsky
Gravidade (Gravity), de Steven Price
O Grande Gatsby (The Great Gatsby), de Craig Armstrong
Se Beber, Não Case! Parte III (The Hangover Part III), de Christophe Beck
João e Maria: Caçadores de Bruxas (Hansel & Gretel Witch Hunters), de Atli Örvarsson
Os Sabores do Palácio (Haute Cuisine), de Gabriel Yared
Ela (Her), de William Butler and Owen Pallett
O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug), de Howard Shore
Hours, de Benjamin Wallfisch
How Sweet It Is, de Matt Dahan
Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire), de James Newton Howard
Uma Ladra Sem Limites (Identity Thief), de Christopher Lennertz
O Incrível Mágico Burt Wonderstone (The Incredible Burt Wonderstone), de Lyle Workman
Sobrenatural: Capítulo 2 (Insidious: Chapter 2), de Joseph Bishara
Instructions Not Included (No se Aceptan Devoluciones), de Carlo Siliotto
Os Estagiários (The Internship), de Christophe Beck
The Invisible Woman, de Ilan Eshkeri
Homem de Ferro 3 (Iron Man 3), de Brian Tyler
Jack, o Caçador de Gigantes (Jack the Giant Slayer), de John Ottman
Jobs, de John Debney
Kamasutra 3D, de Sreejith Edavana e Saachin Raj Chelory
Refém da Paixão (Labor Day), de Rolfe Kent
O Mordomo da Casa Branca (Lee Daniels’ The Butler), de Rodrigo Leão
Live at the Foxes Den, de Jack Holmes
Amor é Tudo o Que Você Precisa (Love Is All You Need), de Johan Söderqvist
Mama, de Fernando Velázquez
Homem de Aço (Man of Steel), de Hans Zimmer
Mandela: Long Walk to Freedom, de Alex Heffes
The Missing Picture (L’image manquante), de Marc Marder
Universidade Monstros (Monsters University), de Randy Newman
Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos (The Mortal Instruments: City of Bones), de Atli Örvarsson
Amor Bandido (Mud), de David Wingo
Murph: The Protector, de Chris Irwin e Jeff Widenhofer
Truque de Mestre (Now You See Me), de Brian Tyler
Oblivion, de Anthony Gonzalez e Joseph Trapanese
Oldboy – Dias de Vingança (Oldboy), de Roque Baños
Invasão à Casa Branca (Olympus Has Fallen), de Trevor Morris
Oz: Mágico e Poderoso (Oz The Great and Powerful), de Danny Elfman
Círculo de Fogo (Pacific Rim), de Ramin Djawadi
Sem Dor, Sem Ganho (Pain & Gain), de Steve Jablonsky
Percy Jackson e o Mar de Monstros (Percy Jackson: Sea of Monsters), de Andrew Lockington
Philomena, de Alexandre Desplat
O Lugar Onde Tudo Termina (The Place beyond the Pines), de Mike Patton
Aviões (Planes), de Mark Mancina
Os Suspeitos (Prisoners), de Jóhann Jóhannsson
R.I.P.D. – Agentes do Além (R.I.P.D.), de Christophe Beck
Flores Raras (Reaching for the Moon), de Marcelo Zarvos
Romeu e Julieta (Romeo & Juliet), de Abel Korzeniowski
Aposta Máxima (Runner Runner), de Christophe Beck
Rush: No Limite da Emoção (Rush), de Hans Zimmer
Um Porto Seguro (Safe Haven), de Deborah Lurie
Salinger, de Lorne Balfe
Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks), de Thomas Newman
A Vida Secreta de Walter Mitty (The Secret Life of Walter Mitty), de Theodore Shapiro
Short Term 12, de Joel P. West
Terapia de Risco (Side Effects), de Thomas Newman
Os Smurfs 2 (The Smurfs 2), deHeitor Pereira
The Spectacular Now, de Rob Simonsen
Além da Escuridão: Star Trek (Star Trek Into Darkness), de Michael Giacchino
Segredos de Sangue (Stoker), de Clint Mansell
Thor: O Mundo Sombrio (Thor: The Dark World), de Brian Tyler
Tim’s Vermeer, de Conrad Pope
Em Transe (Trance), de Rick Smith
Turbo, de Henry Jackman
12 Years a Slave, de Hans Zimmer
Dose Dupla (2 Guns), de Clinton Shorter
The Ultimate Life, de Mark McKenzie
Canção Para Marion (Unfinished Song), de Laura Rossi
O Sonho de Wadjda (Wadjda), de Max Richter
Caminhando com Dinossauros (Walking with Dinosaurs), de Paul Leonard-Morgan
Meu Namorado é um Zumbi (Warm Bodies), de Marco Beltrami e Buck Sanders
We Steal Secrets: The Story of WikiLeaks, de Will Bates
Família do Bagulho (We’re the Millers), de Theodore Shapiro e Ludwig Goransson
Pelos Olhos de Maisie (What Maisie Knew), de Nick Urata
Why We Ride, de Steven Gutheinz
O Vento Está Soprando (The Wind Rises), de Joe Hisaishi
Winnie Mandela, de Laurent Eyquem
Wolverine – Imortal (The Wolverine), de Marco Beltrami

Homem de Ferro 3 (Iron Man 3), de Shane Black (2013)

Pôster de Homem de Ferro 3

Pôster de Homem de Ferro 3

NOVO FILME DE HERÓI PROCURA LEVANTAR QUESTÕES ATUAIS DA SOCIEDADE

Que material preencheria a terceira parte de uma das maiores franquias de sucesso do cinema atual? Muitos produtores de Hollywood responderiam sem hesitar: “Colocaremos um vilão novo, cenas de ação repletas de efeitos visuais e um final feliz”, e teríamos aí mais um produto. Mas não a Marvel. A produtora sabe que o nível de expectativa para este filme estava nas alturas devido ao estrondoso êxito dos filmes anteriores e de The Avengers – Os Vingadores no ano passado, e desse modo, procurou levantar novos questionamentos para o universo do personagem e uniu com algumas reflexões da sociedade.

Aliás, nessa nova estratégia do produtor Kevin Feige, chefe da Marvel Studios, o entrelaçamento das adaptações dos quadrinhos tem sido uma excelente forma de entreter e promover ao mesmo tempo. Apesar de The Avengers – Os Vingadores ser um filme à parte das franquias solos de Capitão América, Thor, Hulk e Homem de Ferro, os eventos ocorridos não são deixados de lado. A invasão dos alienígenas em Nova York que quase causou a morte do Homem de Ferro gerou uma espécie de crise de ansiedade no personagem, criando uma nova fragilidade em Tony Stark.

Além disso, a bordo da nave da SHIELD num momento tenso, temos uma briga entre dois personagens:
Capitão América: Grande homem numa armadura. Tire isso e o que você é?
Tony Stark: Gênio, bilionário, playboy, filantropo.

Apesar de ter rebatido a ofensa com sua língua afiada, Stark sabe que depende demais de sua tecnologia. E nesse terceiro filme da franquia, esse vício é analisado de forma mais profunda. O roteiro de Drew Pearce e Shane Black questiona o que seria do protagonista sem sua armadura ao lançá-lo numa cidade distante sem dispôr de sua tecnologia. Quem é o herói? O homem ou a própria armadura? Essa paixão frenética que ele tem por tecnologia acaba atrapalhando seu relacionamento com sua amada Pepper Potts (Gwyneth Paltrow), que ainda sofre sérias ameaças diretas.

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Cria e criador. Robert Downey Jr. fica sem seu vício (photo by http://www.beyondhollywood.com)

Claro que num nível mais tresloucado dessa análise, poderíamos até interpretar esse vício hi-tech de Tony Stark como uma forma de crítica ao modo como vivemos hoje. Quem se interessa por comunicação sabe que a internet causou uma reviravolta na rotina de qualquer cidadão, especialmente os que vivem nas grandes metrópoles. Existem estudos que comprovam que a internet, disponível em qualquer celular smartphone, acaba reforçando o individualismo e o isolamento. Obviamente, não defendo a exclusão da tecnologia em nenhum momento, afinal seria como voltar à época das cavernas, mas, sim, seu uso moderado. Resumidamente, se trocássemos a armadura pelo Facebook, esta análise seria pertinente.

Voltando ao roteiro, essa cidade mais tranquila e a total ausência da tecnologia faz bem para o personagem. Ele chega a fazer amizade com um garotinho! Por mais que seja baseado no bom e velho quid pro quo, esse relacionamento tem como objetivo demonstrar a humanidade que existe no Homem de Ferro, e assim como todos os personagens da Marvel Comics, este é o grande sucesso da editora de quadrinhos: tirar a máscara do herói e enxergar a pessoa por trás dela.

Iron-Man-3

O garoto Ty Simpkins consegue falar mais do que Tony Stark (photo by http://www.beyondhollywood.com)

Embora o diretor tenha mudado (Jon Favreau, que dirigiu os dois primeiros filmes cedeu espaço para Shane Black, criador dos policiais de Máquina Mortífera), conseguiram imprimir esta qualidade do personagem sem que o astro Robert Downey Jr. fique menos à vontade, pois ele já havia trabalhado com Black no bom filme Beijos e Tiros (Kiss Kiss Bang Bang, 2005), ao lado de Val Kilmer. A parceria se mostra certeira, e a dupla volta a trabalhar elementos de espionagem nesta nova trama.

Em depoimento, Robert Downey Jr. era todo elogios ao diretor: “… bringing in Shane Black to write and direct the film is basically the only thing that Favreau and the audience and Marvel and I could ever actually sign off on. (trazer Shane Black para escrever e dirgir o filme é basicamente a única coisa que Favreau, o público, a Marvel e eu poderíamos estar de acordo)”.

Shane Black dirige Robert Downey Jr. em set de filmagem (photo by www.outnow.ch)

Shane Black (à dir.) dirige Robert Downey Jr. em set de filmagem (photo by http://www.outnow.ch)

Essa inclusão de Shane Black como roteirista e diretor permitiu uma repaginada no universo do personagem. Aproveitando-se de uma minissérie de quadrinhos intitulada “Extremis”, escrita por Warren Ellis, a história que gira em torno dessa descoberta científica do Dr. Aldrich Killian (vivido no filme por Guy Pearce), que possibilita a regeneração de órgãos humanos reabre essa discussão ética e moral a respeito do estudo das células-tronco para cura de doenças. No início do filme, o Dr. Killian oferece sua descoberta para a empresa Stark, mas Pepper recusa alegando haver potencial bélico enorme caso caia em mãos erradas.

Além disso, a crítica se completa com a personagem Maya Hansen (Rebecca Hall), que inicialmente se tratava de uma cientista biológica pró-natureza e humanidade, mas que acaba se vendendo como forma de sobrevivência e um pouco de egocentrismo de sua parte.

iron-man extremis

Capa de Iron Man – Saga Extremis (parte 5 de 6). Roteiro de Warren Ellis e arte de Adi Granov. (photo by http://www.marvel.com)

Considerado o vilão principal do filme, o Mandarim teve uma reviravolta surpreendente na versão cinematográfica, o que causou descontentamento geral entre os fãs do personagem nas páginas da HQ. Com origem ligada a uma tecnologia alienígena que lhe concede poderes em forma de anéis, o Mandarim ganhou uma nova história e um novo propósito ao conceito dos filmes. Claramente, torna-se um líder terrorista de uma nação do Oriente Médio (mas com referências chinesas como os dragões em seu figurino), estrelando vídeos de ameaças e de execuções como um certo Osama Bin Laden.

Ben Kingsley como o Mandarim (photo by www.beyondhollywood.com)

Será que existe alguma semelhança entre Sir Ben Kingsley como o Mandarim… (photo by http://www.beyondhollywood.com)

Osama Bin Laden em um de seus vídeos (photo by eslbrazil.blogspot.com)

…com Osama Bin Laden? Ou é apenas impressão minha? (photo by eslbrazil.blogspot.com)

Contudo, assim como a própria execução de Bin Laden é rodeada de incertezas (ainda mais que seu corpo foi jogado ao mar sem ter sido divulgado ao público), o filme busca explorar essa questão da própria existência do líder terrorista. De acordo com o produtor Kevin Feige, eles tentaram retratar um homem sem uma nação específica, afinal, nada pior do que isso para causar uma polêmica gratuita e ainda prejudicar as bilheterias.

Página de Iron Man 273 – Saga Dragon Seed. Roteiro de John Byrne e arte de Paul Ryan. (photo by jetstor.wordpress.com)

Segundo ele ainda, os símbolos chineses seriam uma homenagem ao personagem originalmente do país comunista, mas também sua obsessão pela obra literária “A Arte da Guerra” de Sun Tzu. Há ainda uma inspiração vinda da personagem Coronel Kurtz de Apocalyse Now. “Ele quer representar essa espécie de protótipo de terrorista, alguém que trabalhou para a inteligência americana, mas que enlouqueceu e se tornou esse devoto das táticas de guerra”, defende Feige.

Dependência tecnológica, exploração econômica de descoberta científica, líder terrorista e até uma ameaça ao presidente dos EUA denotam forte aproximação de Homem de Ferro 3 em relação às atualidades globais. Infelizmente, o diretor peca no ritmo moroso que deixa o filme pesado em dados momentos, mas tem cenas ótimas como o fã de Homem de Ferro que trabalha como técnico de TV.

Importante destacar também a penetração do blockbuster em território chinês, onde raros 34 filmes hollywoodianos conseguem ser liberados pela censura e exibidos por ano. Além disso, a política chinesa aplica altos impostos como forma de proteger seu mercado cinematográfico, considerado um dos mais lucrativos, afinal, qual o país mais populoso do mundo?

Por outro lado, para agradar a China, os produtores de Homem de Ferro 3 fizeram uma versão alternativa (e exclusiva), onde uma das atrizes mais importantes, Fan Bingbing, atua num papel secundário, que fora cortado do versão internacional, e há cenas adicionais filmadas em Pequim, mostrando mais sobre a cultura do país asiático.

Bingbing Pictures

A atriz Fan Bingbing, que faz a esposa do Dr. Wu na versão chinesa. Não sei… tenho a leve sensação de que perdi muita coisa asssistindo à versão internacional… (photo by nidoworth.blogspot.com.br)

Claro que, visando um lucro ainda mais colossal, pediram (praticamente obrigaram) a presença de Robert Downey Jr. na premiere chinesa. Se você esperava que ele seria mal visto por se tratar de um americano que interpreta um herói pop e patriota, veja a imagem abaixo:

Robert Downey Jr. conquista até os chineses em participação "discreta" (photo by www.beyondhollywood.com)

Robert Downey Jr. conquista até os chineses em participação “discreta” (photo by http://www.beyondhollywood.com)

Homem de Ferro 3 teve estréia recorde em mais de 200 salas só em São Paulo. Nos EUA, estreou com arrecadação de 174 milhões de dólares no primeiro fim de semana. Se alguém ainda acredita que as adaptações de quadrinhos para o cinema são apenas modinhas, os resultados extremamente positivos garantem que essa moda deve levar mais uns vinte anos no mínimo.

Este ano, pela Marvel, ainda teremos Thor: O Mundo Sombrio (previsto para novembro). Em 2014, Capitão América 2: O Retorno do Primeiro Vingador, e no ano seguinte, a sequência Os Vingadores 2 e O Homem-Formiga. Pelo estúdio Twentieth Century Fox, Wolverine – Imortal tem estréia prevista para julho deste ano, e X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (sequência de X-Men: Primeira Classe) para julho de 2014. Sem contar ainda com a nova tentativa da DC Comics de adaptar Superman em O Homem de Aço.

Claro que Homem de Ferro 3 tem suas falhas e seus furos de roteiro, mas para o público que está muito mal acostumado a assistir filmes blockbusters desprovidos de neurônios, a Marvel entrega um bom filme para fechar uma trilogia de sucesso comercial. E não deixe de ficar até o final dos créditos para ver a participação especial de Mark Ruffalo como Bruce Banner.

AVALIAÇÃO: BOM