‘A Culpa é das Estrelas’ leva o MTV Movie Awards 2015

John Green, Isaac Klausner, Josh Boone, Marty Bowen, Shailene Woodley, Nat Wolff e Wyck Godfrey recebem o MTV Movie Award de Filme do Ano por A Culpa é das Estrelas (photo by Getty Images through nypost.com)

John Green, Isaac Klausner, Josh Boone, Marty Bowen, Shailene Woodley, Nat Wolff e Wyck Godfrey recebem o MTV Movie Award de Filme do Ano por A Culpa é das Estrelas (photo by Getty Images through nypost.com)

PREMIAÇÃO DA MTV SE RENDE AO SENTIMENTALISMO
DA ADAPTAÇÃO DO BEST-SELLER DE JOHN GREEN

Ok, o MTV Movie Awards não foi para Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 como eu havia previsto, mas também não foi para Whiplash, como eu gostaria que fosse. Sim, eu votei no site da MTV, mas a democracia da internet falou mais alto e o sucesso do livro e do filme de A Culpa é das Estrelas levou a melhor na edição deste ano, que aconteceu no último dia 12.

Se o vencedor eu errei, acertei na previsão das piadas da hostess Amy Schumer. Desde que vi as chamadas da premiação no canal da MTV, logo pensei: “Aonde que viram graça nessa moça?”. Ok, foi uma tentativa de trazer novos ares e certamente foi melhor do que a dupla Anne Hathaway e James Franco no Oscar 2011, mas acredito que a MTV, por sua vertente mais liberal, poderia ter se arriscado mais. Por que não trazer Sacha Baron Cohen, por exemplo? Ele conseguiu se destacar daquela vez que desceu como um anjo da Victoria Secret no colo do Eminem só para promover seu filme Brüno.

A premiação praticamente se dividiu entre três filmes: A Culpa é das Estrelas (Filme, Atriz e Beijo), Vizinhos (WTF Moment, Shirtless e Duo) e Maze Runner: Correr ou Morrer (Luta, Herói e Revelação). Dos filmes indicados ao Oscar em fevereiro, apenas Sniper Americano (Ator para Bradley Cooper) e Caminhos da Floresta (Vilã para Meryl Streep) levaram seus baldes de pipoca. Whiplash, que é um grande filme sobre música (hello, Music Television?!), acabou não levando nenhum. Ok, em nome da democracia cinéfila, é bacana.

Jessica Alba e Rita Ora posam com o vencedor do Shirtless Performance, Zac Efron, por Vizinhos (photo by nydailynews.com)

Jessica Alba e Rita Ora posam com o vencedor do Shirtless Performance, Zac Efron, por Vizinhos (photo by nydailynews.com)

A verdade é que a indústria norte-americana tem tantos filmes que eles podem se dar ao luxo de premiar filmes alternativos aos grandes prêmios como aconteceu aqui, ou até mesmo os piores, como no Framboesa de Ouro. E isso qualquer cinéfilo deve tirar o chapéu. Eles sabem rir da própria “ruindade” de suas produções, e isso requer humildade.

Como acontece no Oscar e alguns prêmios da crítica, todo ano selecionam uma ou mais figuras para lhe entregar um prêmio pelo conjunto da obra. Obviamente, os selecionados costumam ser artistas bem experientes e idosos, mas não é o caso do MTV Movie Awards, que este ano reconheceu o carisma de Robert Downey Jr. Depois de seu ressurgimento após um período difícil com drogas e detenção nos anos 90, ele deu a volta por cima e se tornou uma das figuras mais bem pagas de Hollywood e com méritos. O que seria o personagem Tony Stark sem ele? Alguns até poderiam argumentar que existem outros atores melhores do que ele, mas certamente não com o mesmo carisma magnético dele. Prêmio merecidíssimo, que ainda aproveita para fazer uma propaganda do lançamento do novo filme dos Vingadores, Os Vingadores: Era de Ultron, que estréia aqui no Brasil no dia 30 de abril.

Scarlett Johansson, Chris Hemsworth, Jeremy Renner e

Scarlett Johansson, Chris Hemsworth, Jeremy Renner e Chris Evans entregam o MTV Generation Award para Robert Downey Jr. (photo by theblaze.com)

Já os demais prêmios, MTV Trailblazer e Comedic Genius, acho desnecessários, uma vez que os vencedores não tem história o suficiente no cinema para justificar tal honraria. Shailene Woodley e Kevin Hart? Por que não Sharon Stone e Jim Carrey? Seria uma forma bacana de resgatar aos holofotes artistas importantes que já ganharam seus baldes de pipoca duas décadas atrás.

Bom, quanto aos resultados em si, gostei da premiação de Bradley Cooper. Ele tem se mostrado um ator cada vez mais versátil e que realmente se dedica aos papéis. Para viver o oficial da Marinha, Chris Kyle, ele fez intenso treinamento e conseguiu massa muscular para ficar igual à figura real de seu personagem. Particularmente, é um ator que me surpreendo a cada filme que vejo, ainda mais por conhecê-lo pela comédia Se Beber, Não Case. O prêmio aqui é merecido, mas vale lembrar que o filme de Clint Eastwood teve uma arrecadação espantosa nos EUA, ultrapassando a marca dos 350 milhões de dólares, atingindo certamente muitos dos internautas que votaram.

Bradley Cooper ganha seu balde de pipoca por Sniper Americano (photo by timeslives.co.za)

Bradley Cooper ganha seu balde de pipoca por Sniper Americano (photo by timeslives.co.za)

Gosto também da premiação de Shailene Woodley pelo trabalho em A Culpa é das Estrelas. Ela chegou a ser cogitada em várias listas de previews para a temporada de premiações de 2015. Descoberta por Alexander Payne em Os Descendentes (2011), felizmente a atriz não caiu na besteira de escolher papéis insignificantes e procura novos desafios em produções independentes como O Maravilhoso Agora (2013) e claro, pagar suas contas com o sucesso dos filmes da série Divergente.

Shailene Woodley recebe seu balde de pipoca por A Culpa é das Estrelas (photo by hollywoodlife.com)

Shailene Woodley recebe seu balde de pipoca por A Culpa é das Estrelas (photo by hollywoodlife.com)

VENCEDORES DO MTV MOVIE AWARDS 2015:

MOVIE OF THE YEAR
A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars)

BEST MALE PERFORMANCE
Bradley Cooper (Sniper Americano)

BEST FEMALE PERFORMANCE
Shailene Woodley (A Culpa é das Estrelas)

BEST SCARED-AS-S**T PERFORMANCE
Jennifer Lopez (O Garoto da Casa ao Lado)

BEST DUO
Zac Efron e Dave Franco (Vizinhos)

BEST FIGHT
Dylan O’Brien vs. Will Poulter (Maze Runner: Correr ou Morrer)

BEST WTF MOMENT
Seth Rogen e Rose Byrne (Vizinhos)

BEST MUSICAL MOMENT
Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1)

BEST ON-SCREEN TRANSFORMATION
Elizabeth Banks (Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1)

BEST HERO
Dylan O’Brien (Maze Runner: Correr ou Morrer)

BREAKTHROUGH PERFORMANCE
Dylan O’Brien (Maze Runner: Correr ou Morrer)

BEST SHIRTLESS PERFORMANCE
Zac Efron (Vizinhos)

BEST KISS
Shailene Woodley e Ansel Elgort (A Culpa é das Estrelas)

BEST VILLAIN
Meryl Streep (Caminhos da Floresta)

BEST COMEDIC PERFORMANCE
Channing Tatum (Anjos da Lei 2)

MTV TRAILBLAZER AWARD
Shailene Woodley

MTV GENERATION AWARD
Robert Downey Jr.

COMEDIC GENIUS
Kevin Hart

Neil Patrick Harris será o host do Oscar 2015!

Neil Patrick Harris na última cerimônia do Emmy (photo by variety.com)

Neil Patrick Harris na última cerimônia do Emmy (photo by variety.com)

A ESCOLHA É MAIS UMA TENTATIVA DE APROXIMAR O PÚBLICO JOVEM AO OSCAR

O anúncio feito na última quarta-feira, dia 15, causou uma reação bem positiva da indústria do entretenimento. O ator e comediante Neil Patrick Harris, que ficou mundialmente conhecido pela série How I Met Your Mother, está em alta na mídia depois de ser host dos eventos Tony Awards (por 2 vezes) e Emmy Awards (por 4 vezes), e de ter faturado o mesmo Tony de melhor performance no musical Hedwig and the Angry Inch.

Apesar do sucesso das últimas edições do Oscar, com a presença dos hosts Seth MacFarlane e Ellen DeGeneres, os produtores do evento Craig Zaidan e Neil Meron querem dar um passo adiante. A escolha de Neil Patrick Harris reflete o desejo deles de extrapolar os limites tradicionais das cerimônias da Academia com maior interação com os artistas e o público, como fez Ellen DeGeneres na última edição ao fazer aquela famosa selfie com nomes de peso como Meryl Streep, Julia Roberts, Brad Pitt, Angelina Jolie, Kevin Spacey e Bradley Cooper.

Além da questão de números de audiência concretizados através do retweet da foto alegrarem os patrocinadores do evento, a intenção é trazer uma aproximação maior do público. Todo ano, a Academia adora se gabar dos bilhões de espectadores mundo afora acompanhando a cerimônia ao vivo. Segundo as estatísticas reais, o Oscar 2014 alcançou a audiência de 43 milhões de TVs, o maior número nos últimos 10 anos. O recorde de todos os tempos permanece o de 1998 com 55,3 milhões, quando Titanic levou 11 estatuetas.

Na edição de 2010, Neil Patrick Harris fez uma breve apresentação musical antes mesmo da introdução dos hosts Steve Martin e Alec Baldwin, então números musicais são esperados. Ele seria uma espécie de mistura do clássico Billy Crystal com a energia dos palcos de Hugh Jackman e uma pitada meio circense de Whoopi Goldberg. Em entrevista, ele teria admitido que gostaria de contar com alguns artistas em seus números. Dentre os nomes citados estão Lady Gaga, Adele e até Miley Cyrus pra adicionar uma vertente mais circense e polêmica.


Neil Patrick Harris e seu número de abertura do Oscar 2010

Na mesma entrevista, elogiou características que admira nos hosts anteriores. Ele gosta dos clipes de Billy Crystal interagindo com personagens dos filmes indicados, e do quão confortável e relaxada Ellen DeGeneres deixa a platéia. São qualidades que ele gostaria de aderir em sua própria apresentação.

Particularmente, meus votos seriam para Jon Stewart (com as piadas ácidas políticas) ou, se fosse para apostar em ineditismo, o comediante Jim Carrey, que foi preterido pelo Oscar duas vezes mesmo após faturar o Globo de Ouro. As apostas da Academia às vezes me assustam. Quem imaginaria Steve Martin com Alec Baldwin, ou a dupla Anne Hathaway e James Franco? Sem contar a catástrofe de 1989 com Rob Lowe e a atriz Eileen Bowman trajada de Branca de Neve! Nesses casos, melhor seria o destruidor de celebridades Ricky Gervais…

Neil Patrick Harris em sua performance profunda que lhe rendeu o Tony award (photo by variety.com)

Neil Patrick Harris em sua performance profunda que lhe rendeu o Tony award (photo by variety.com)

‘Jogos Vorazes: Em Chamas’ é o grande vencedor do MTV Movie Awards 2014

Os atores Sam Claflin (esq) e Josh Hutcherson (dir) recebem prêmio de Melhor Filme das mãos de Johnny Depp (centro). (photo by straitstimes.com)

Os atores Sam Claflin (esq) e Josh Hutcherson (dir) recebem prêmio de Melhor Filme das mãos de Johnny Depp (centro). (photo by straitstimes.com)

MTV Movie Awards 2014 (art by www.mtv.com)

MTV Movie Awards 2014 (art by http://www.mtv.com)

23 ANOS DE MTV MOVIE AWARDS: DECLÍNIO OU APENAS MUDANÇA DE GOSTOS?

Chamem-me de saudosista, mas houve uma época em que o MTV Movie Awards era considerado um dos prêmios mais ‘cool’ de todos. Ele destoava dos demais prêmios tradicionais como Oscar e Globo de Ouro já pelas categorias bem criativas como Melhor Vilão, Melhor Beijo, Melhor Seqüência de Dança e, meu favorito: Mulher Mais Desejada (vulgo Mais Gostosa). Aliás, até hoje não entendo a extinção desse prêmio. Seriam os tempos atuais tão politicamente corretos a ponto de deixar de eleger a sensualidade de um personagem?

Ao longo desses 23 anos de existência, o prêmio sofreu algumas alterações que refletem seu tempo. Por exemplo, com a alta quantidade de adaptações de histórias em quadrinhos, era mera questão de tempo criarem a categoria Melhor Herói, este ano vencida por Henry Cavill, o novo Super-Homem. Contudo, nem sempre a criatividade serve ao bem: Melhor Performance Sem Camisa é uma idiotice sem fundamento.

Embora haja mudanças, o grande calcanhar de Aquiles do MTV Movie Awards é justamente aquela que já foi uma de suas maiores proezas: o voto do público. Nos anos 90, os votos do grande público elegeram ótimos produções como O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final, Pulp Fiction – Tempo de Violência e Seven: Os Sete Pecados Capitais como Melhor Filme de seus respectivos anos. Hoje, o público elege quase todos os filmes da série Saga Crepúsculo (de 2009 a 2012) e Transformers como Melhor Filme. Que me desculpem as fãs dos vampiros assexuados que brilham, e os meninos que curtem robôs de carrinhos, mas o que aconteceu?! A lavagem cerebral dos produtores de Hollywood surtiu efeito?

Começando com o pé direito: O primeiríssimo MTV Movie premiou O Exterminador do Futuro 2. Da esquerda para direita: Edward Furlong, Robert Patrick, Arnold Schwarzenegger, James Cameron e Linda Hamilton. (photo by guycodeblog.mtv.com)

ONTEM: Começando com o pé direito: O primeiríssimo MTV Movie premiou O Exterminador do Futuro 2. Da esquerda para direita: Edward Furlong, Robert Patrick, Arnold Schwarzenegger, James Cameron e Linda Hamilton. (photo by guycodeblog.mtv.com)

Elenco de A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1 (com Taylor Lautner no centro e Kristen Stewart à direita) sobe ao palco para receber Melhor Filme (photo by vanamyanda.blogspot.com)

HOJE: Elenco de A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1 (com Taylor Lautner no centro e Kristen Stewart à direita) sobe ao palco para receber Melhor Filme (photo by vanamyanda.blogspot.com)

E com o sistema de votos pela internet, nem dá pra culpar a organização do evento, pois eles apenas divulgam os resultados das votações online. Eles até inserem alguns filmes bacanas na competição, mas o voto final acaba indo para os chamados filmes-febre. Por exemplo: este ano O Lobo de Wall Street estava entre os 5 indicados a Melhor Filme, mas acabou perdendo para Jogos Vorazes: Em Chamas. Tratava-se de uma oportunidade única de premiar um dos melhores filmes de 2013, que só não foi premiado pela Academia porque a maioria votante é conservadora demais, porém, aparentemente, o filme de Scorsese também seria muito complexa ou madura para o grande público. Uma pena.

Além dessa mudança de votos, hoje, o MTV Movie Awards deixou de ser um reconhecimento artístico alternativo para ser uma grande vitrine de produções prestes a estrear. Este ano, transmitiram um vídeo estrelado por Andrew Garfield, Emma Stone e Jamie Foxx durante a cerimônia ao vivo para promover O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, que será lançado no próximo dia 1º de maio. Claro que se trata de uma ótima estratégia de marketing, mas que acaba maquiando os reais propósitos de reconhecer a qualidade dos filmes concorrentes.

Andrew Garfield, Emma Stone e Jamie Foxx fazem uma promoção deslavada de O Espetacular Homem-Aranha 2 em vídeo (photo by mtv.co.uk)

Andrew Garfield, Emma Stone e Jamie Foxx fazem uma promoção deslavada de O Espetacular Homem-Aranha 2 em vídeo (photo by mtv.co.uk)

Nesse ponto do texto, talvez meu saudosismo dê lugar a uma crítica mais ferrenha deslocada, afinal, o MTV Movie Awards é algo light e muitas vezes sem fundamentos cinematográficos. No entanto, como cinéfilo, é um tanto frustrante acompanhar um prêmio que começou bastante promissor ao reconhecer produções de ótima qualidade e que dificilmente ganhariam o Oscar, mas que acabou decaindo por confiar demais no gosto do público. Particularmente, eu limitaria os votos do público a acrescentar um indicado ou funcionar como um critério de desempate, mas minha sugestão ditatorial acabaria alterando demais o formato do prêmio… Resta a nós conformar-se com os resultados.

CONFIRA OS VENCEDORES DA EDIÇÃO 2014:

Jogos Vorazes: Em Chamas levou Melhor Filme, Ator e Atriz (photo by elfilm.com)

Jogos Vorazes: Em Chamas levou Melhor Filme, Ator e Atriz (photo by elfilm.com)

FILME DO ANO
– 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave)
– O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug)
• Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire)

– O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)
– Trapaça (American Hustle)

MELHOR ATOR
– Bradley Cooper (Trapaça)
– Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)
– Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão)
Josh Hutcherson (Jogos Vorazes: Em Chamas)
– Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas)

MELHOR ATRIZ
– Amy Adams (Trapaça)
– Jennifer Aniston (Família do Bagulho)
– Sandra Bullock (Gravidade)
• Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes: Em Chamas)
– Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão)

REVELAÇÃO
– Liam James (O Verão da Minha Vida)
– Michael B. Jordan (Fruitvale Station: A Última Parada)
• Will Poulter (Família do Bagulho)
– Margot Robbie (O Lobo de Wall Street)
– Miles Teller (The Spectacular Now)

MELHOR BEIJO
– Joseph Gordon-Levitt e Scarlett Johansson (Como Não Perder Essa Mulher)
– James Franco, Vanessa Hudgens e Ashley Benson (Spring Breakers: Garotas Perigosas)
– Shailene Woodley e Miles Teller (The Spectacular Now)
– Jennifer Lawrence e Amy Adams (Trapaça)
• Emma Roberts, Jennifer Aniston e Will Poulter (Família do Bagulho)

MELHOR LUTA
– Jonah Hill vs. Seth Rogen + James Franco (É o Fim)
– Will Ferrell + Paul Rudd + David Koechner + Steve Carell vs. James Marsden, Gregg Kinnear, Jim Carrey, Marion Cotillard, Sacha Baron Cohen, Liam Neeson, John C. Reilly, Kanye West, Tina Fey, Amy Poehler e Will Smith (Tudo por um Furo)
– Jennifer Lawrence + Sam Claflin + Josh Hutcherson vs. the Monkeys (Jogos Vorazes: Em Chamas)
Orlando Bloom + Evangeline Lilly vs. the Orcs (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
– Jason Bateman vs. Melissa McCarthy (Uma Ladra Sem Limites)

MELHOR PERFORMANCE EM COMÉDIA
– Kevin Hart (Ride Along)
Jonah Hill (O Lobo de Wall Street)
– Johnny Knoxville (Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha)
– Melissa McCarthy (As Bem-Armadas)
– Jason Sudeikis (Família do Bagulho)

MELHOR PERFORMANCE DE TERROR
– Rose Byrne (Sobrenatural: Capítulo 2)
– Jessica Chastain (Mama)
– Vera Farmiga (Invocação do Mal)
– Ethan Hawke (Uma Noite de Crime)
Brad Pitt (Guerra Mundial Z)

MELHOR DUPLA
– Amy Adams e Christian Bale (Trapaça)
– Matthew McConaughey e Jared Leto (Clube de Compras Dallas)
Vin Diesel e Paul Walker (Velozes & Furiosos 6)
– Ice Cube e Kevin Hart (Ride Along)
– Jonah Hill e Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)

MELHOR PERFORMANCE SEM CAMISA
– Jennifer Aniston (Família do Bagulho)
– Sam Claflin (Jogos Vorazes: Em Chamas)
– Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)
• Zac Efron (Namoro ou Liberdade)
– Chris Hemsworth (Thor: O Mundo Sombrio)

#WTF MOMENT
– A batida do trailer (Tudo por um Furo)
– O concurso de beleza (Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha)
– Sexo com o carro (O Conselheiro do Crime)
A cena do lude (O Lobo de Wall Street)
– O novo animal de estimação de Danny McBride (É o Fim)

MELHOR VILÃO
– Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
– Benedict Cumberbatch (Além da Escuridão: Star Trek)
– Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)
• Mila Kunis (Oz: Mágico e Poderoso)
– Donald Sutherland (Jogos Vorazes: Em Chamas)

MELHOR TRANSFORMAÇÃO
– Christian Bale (Trapaça)
– Elizabeth Banks (Jogos Vorazes: Em Chamas)
– Orlando Bloom (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
Jared Leto (Clube de Compras Dallas)
– Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas)

PERSONAGEM FAVORITO
Shailene Woodley (Divergente)
– Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes: Em Chamas)
– Tom Hiddleston (Thor: O Mundo Sombrio)
– Kristen Bell (Veronica Mars)
– Benedict Cumberbatch (Além da Escuridão: Star Trek)

MELHOR MOMENTO MUSICAL
Backstreet Boys, Jay Baruchel, Seth Rogen e Craig Robinson (É o Fim)
– Jennifer Lawrence cantando ‘Live and Let Die’ (Trapaça)
– Leonardo DiCaprio dançando ‘Pretty Thing’ (O Lobo de Wall Street)
– Melissa McCarthy cantando ‘Barracuda’ (Uma Ladra Sem Limites)
– Will Poulter cantando ‘Waterfalls’ (Família do Bagulho)

MELHOR PARTICIPAÇÃO ESPECIAL
– Robert De Niro (Trapaça)
– Tina Fey e Amy Poehler (Tudo por um Furo)
– Kanye West (Tudo por um Furo)
– Joan Rivers (Homem de Ferro 3)
Rihanna (É o Fim)

MELHOR HERÓI
Henry Cavill como Super-Homem (O Homem de Aço)
– Robert Downey Jr. como Homem de Ferro (Homem de Ferro 3)
– Martin Freeman como Bilbo Baggins (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
– Chris Hemsworth como Thor  (Thor: O Mundo Sombrio)
– Channing Tatum como John Cale (O Ataque)

TRAILBLAZER AWARD: Channing Tatum

GENERATION AWARD: Mark Wahlberg

O Lobo de Wall Street conquistou (photo by outnow.ch)

O Lobo de Wall Street levou 2 prêmios menores: performance de comédia e wtf moment (photo by outnow.ch)

Ellen DeGeneres será hostess do Oscar 2014!

Ellen DeGeneres apresentará o Oscar pela segunda vez!

Ellen DeGeneres apresentará o Oscar pela segunda vez!

Uma de minhas preces foi atendida! Eu estava entre Jon Stewart, Ellen e Jim Carrey. Bom, como Jim Carrey pode querer se vingar por nunca ter sido indicado, e Jon Stewart tem posições democráticas demais (e podem desagradar republicanos presentes na cerimônia), Ellen foi eleita não apenas por sua neutralidade política (embora seja uma democrata), mas por seu carisma incontestável e seu senso de humor refinado e até infantil. Não tem como desagradar gregos e troianos.

E deve ter sido essa lógica que a mais nova presidente da Academia, a sul-africana Cheryl Boone Isaacs, eleita há dois dias, também teve. Trata-se de uma escolha que busca abranger o maior número de pessoas ao redor do mundo sem a necessidade de indelicadezas. Esse ano, Seth MacFarlane ofendeu algumas celebridades como a veterana Jane Fonda com seu número musical “We saw your boobs” (Nós vimos seus peitos). Um humor do tipo mais liberal que agrada muito seus fãs da animação The Family Guy ou American Dad!, mas põe em xeque a integridade da Academia, taxando-a como mera caçadora de audiência.

A nova presidente da Academia: Cheryl Boone Isaacs (photo by Getty Images)

A nova presidente da Academia: Cheryl Boone Isaacs (photo by Getty Images)

Em entrevista, Cheryl revelou que gostou da cerimônia desse ano e que por isso já trouxe de volta os produtores do show Neil Meron e Craig Zadan. Curiosamente, o Oscar 2013 obteve a maior audiência depois do Oscar 2007, ano em que Ellen DeGeneres foi a hostess. Acredito que essa aliança entre Meron, Zadan e DeGeneres pode dar muito certo. Só os aconselharia a reduzir os números musicais (incluindo homenagens extensas como aos filmes musicais).

Outro fator relevante em relação à escolha de DeGeneres é seu programa de TV, The Ellen Show, um dos maiores recordistas de audiência televisiva. Ela poderá usar o programa como plataforma para promover o Oscar 2014, que acontecerá no dia 02 de Março de 2014.

Ellen DeGeneres foi a hostess do Oscar 2007, ano em que Os Infiltrados e Martin Scorsese levaram seus Oscars. A apresentadora fez excelentes piadas backstage, passou aspirador no carpete e soube interagir muito bem com a platéia. (Re)Veja alguns momentos marcantes de Ellen como hostess (trajada em modelito de veludo à la Charlie and the Chocolate Factory) como a piada do roteiro com Martin Scorsese, tirando foto com Clint Eastwood e parte do monólogo de abertura. Um espetáculo de show business.


Por acaso topando com Scorsese…


Deixando Clint com inveja e pedindo para alguém “amador” tirar uma foto.


Monólogo de abertura: “Jennifer Hudson was in American Idol. America didn’t vote for her and yet she’s here with an Oscar nomination. And then… Al Gore is here. America did vote for him and then… Very complicated!” – Uma das melhores piadas.

Seja muito bem-vinda de volta ao Oscar, Ellen! E parabéns pela escolha, Cheryl Boone Isaacs!

Jim Carrey condena a violência de ‘Kick-Ass 2’

Jim Carrey como o Coronel Stars and Stripes em Kick-Ass 2 (photo by www.beyondhollywood.com)

Jim Carrey como o Coronel Stars and Stripes em Kick-Ass 2 (photo by http://www.beyondhollywood.com)

Kick-Ass 2, sequência do sucesso da adaptação de quadrinhos homônima criados por Mark Millar e John Romita Jr., só tem previsão de estréia para agosto (e setembro no Brasil), mas já enfrenta uma controvérsia nos bastidores. No último domingo, Jim Carrey, que atuou como o personagem Coronel Stars and Stripes nessa sequência, cuspiu no prato que comeu e tuitou algumas ressalvas quanto ao filme:

“I did Kickass a month b4 Sandy Hook and now in all good conscience I cannot support that level of violence… I meant to say my apologies to others involve with the film. I am not ashamed of it but recent events have caused a change in my heart. (Atuei em Kick-Ass 2 um mês antes do (massacre da escola) Sandy Hook e agora, em sã consciência, não posso apoiar aquele nível de violência… Minhas desculpas para os demais envolvidos no filme. Não tenho vergonha desse trabalho, mas acontecimentos recentes mudaram meu coração)”

Para quem não se lembra, em dezembro de 2012, a escola primária Sandy Hook, localizado no estado de Connecticut, sofreu um atentado. Adam Lanza, de 20 anos, invadiu a escola portando três armas de fogo, matando seis funcionários e vinte alunos com idades entre 6 e 7 anos.

Essa mudança repentina de opinião de Jim Carrey pegou de surpresa os profissionais envolvidos na produção, inclusive o criador e produtor-executivo Mark Millar que, além de suspeitar que o trailer recentemente lançado tenha ligação direta, postou uma resposta em seu blog, do qual retiro alguns trechos mais importantes:

Roteirista e criador de Kick-Ass, Mark Millar (photo by www.popground.com)

Roteirista e criador de Kick-Ass, Mark Millar (photo by http://www.popground.com)

“Primeiramente, eu amo Jim Carrey. Quando o produtor Matthew Vaughn e o diretor Jeff Wadlow me chamaram e sugeriram que fizéssemos uma chamada de conferência com ele para conversarmos sobre a sequência, fique genuinamente excitado. Como vocês, eu amo ‘Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças’, ‘O Mundo de Andy’ e ‘O Show de Truman – O Show da Vida’. Carrey é um ator como nenhum outro, uma imprevisível força da natureza que traz calor e humanidade ao trabalho assim como aquele energia indestrutível que ele sempre renova. Ele almoçou com Matthew na época do primeiro filme e gostou tanto que apareceu vestido como Kick-Ass naquela noite no programa de Conan O’Brien, fazendo um dueto com Conan vestido como Super-Homem. Vaughn e eu combinamos que deveríamos trabalhar com esse cara assim que surgir uma oportunidade porque somos grandes admiradores. Agora, após três anos, estou sentado numa sala de projeção em Londres assistindo a que considero uma das melhores performances de Carrey.

Como vocês sabem, Jim é totalmente a favor do controle de armas e eu respeito sua política e sua opinião, mas estou perplexo por suas declarações porque não há nada neste filme que não estivesse no roteiro há 18 meses. Sim, o número de mortes é alto, mas um filme chamado ‘Kick-Ass 2’ tem que entregar o que promete. A continuação do filme que nos apresentou a personagem Hit-Girl precisa ter muito sangue no chão e isso não deveria surpreender alguém que gostou tanto do primeiro filme (lançado em 2010).

À esquerda, o personagem Coronel Stars and Stripes no quadrinho de Mark Millar e John Romita Jr. Já à direita, temos Jim Carrey e seu pastor alemão caracterizados perfeitamente (photo by www.empireonline.com)

À esquerda, o personagem Coronel Stars and Stripes no quadrinho de Mark Millar e John Romita Jr. Já à direita, temos Jim Carrey e seu pastor alemão caracterizados perfeitamente (photo by http://www.empireonline.com)

Como Jim, estou horrorizado com violência do dia-a-dia (mesmo eu sendo escocês), mas ‘Kick-Ass 2’ não é um documentário. Nenhum ator se feriu nas filmagens! Trata-se de uma ficção e como (Quentin) Tarantino e (Sam) Peckinpah, (Martin) Scorsese e (Clint) Eastwood, John Boorman, Oliver Stone e Chan-Wook Park, ‘Kick-Ass’ evita ser aquele filme de verão americano repleto de mortes e foca nas CONSEQUÊNCIAS da violência, sejam as ramificações para amigos e família ou, como vimos no primeiro filme, o personagem Kick-Ass passando seis meses no hospital depois de sua primeira interferência como herói nas ruas. Ironicamente, o personagem de Jim em ‘Kick-Ass 2’ (Coronel Stars and Stripes), é um cristão renascido, e o fato de ele se recusar a usar arma de fogo fez com que ele se interessasse pelo papel em primeiro lugar.

Jim, eu te amo e espero que você reconsidere todos os pontos citados. Você está espetacular neste insanamente divertido filme e estou muito orgulhoso com o que Jeff, Matthew e toda a equipe fizeram aqui.”

Claro que essa discussão da violência entre Jim Carrey e o produtor e criador Mark Millar reabre a velha questão das armas nos EUA. No ano passado, alegando ser o personagem anárquico Coringa, James Holmes matou 12 pessoas durante sessão de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, além de várias tragédias envolvendo armas de fogo em solo americano. Infelizmente, as pessoas não nascem com o rótulo de “LOUCO” ou “SÃO” na testa, por isso o controle de armas se faz urgente. Em abril desse ano, o presidente Barack Obama promoveu uma reforma, mas o número de senadores a favor não foi o suficiente para a aprovação. Os EUA têm uma cultura muito forte com armas de fogo, principalmente em estados tipicamente republicanos em que a NRA (National Rifle Association) dá as cartas, sem contar a indústria composta por empresários poderosos.

O presidente barack Obama (centro) assina medidas para o controle de armas nos EUA em janeiro de 2013 (photo by www.whitehouse.gov)

O presidente Barack Obama (centro) assina medidas para o controle de armas nos EUA em janeiro de 2013 (photo by http://www.whitehouse.gov)

Quanto a Jim Carrey, seria desumano criticá-lo por ter mudado de idéia. Pessoas que trabalham com violência (mesmo a de mentirinha) estão sujeitos a repensar suas vidas após uma tragédia. Vivemos tempos extremamente violentos e, infelizmente, muitas vezes a culpa recai sobre o Cinema, o qual nunca buscou promover a violência de forma gratuita. Grandes cineastas como aqueles que Millar citou em seu post, como Martin Scorsese e Sam Peckinpah, apenas retratavam a violência para justamente gerar uma discussão sobre suas consequências para a sociedade.

Embora Kick-Ass 2 se encaixe mais na linha do entretenimento, nem por isso sua leitura da violência deve ser vista como banal. Por mais que contenha elementos fantasiosos, todo filme reflete o ser humano e a sociedade em que vive. Jamais o contrário. E Jim Carrey sabe disso e, assim, poderia manter seus pensamentos para si ou justificar-se apenas para a equipe para quem trabalhou.

Kick-Ass 2 tem previsão de estréia para o dia 13 de setembro.

Calendário do Oscar 2014… com Justin Timberlake?

Preparativos para o Oscar 2014?? Sim, já está tudo combinado... (photo by zimbio.com)

Preparativos para o Oscar 2014?? Sim, já está tudo combinado… (photo by zimbio.com)

O Oscar 2013 mal esfriou e a Academia resolveu já esquentar os motores para 2014. Primeiramente, a data do Oscar 2014 já está marcada: dia 02 de março de 2014. Continua no domingo, mas pulou de fevereiro para março. Essa mudança tem uma explicação oficial: Devido aos Jogos Olímpicos de Inverno da Rússia, que ocorre entre os dias 07 a 23 de fevereiro, resolveram adiar para o início de março para não haver conflito de interesses na TV.

Além do óbvio motivo de não dividir as atenções com a competição esportiva, a Academia anda estudando os impactos positivos das alterações de calendários desse ano e vem cogitando manter algumas decisões como o anúncio dos indicados na segunda semana de janeiro. A idéia inicial dessa estratégia era reduzir a previsibilidade dos resultados e, ao mesmo tempo, estrear o sistema de votação online, mas como também houve considerável aumento nas rendas das bilheterias para os filmes indicados, a intenção é que 2014 possa repetir o feito lucrativo através desse intervalo maior entre o anúncio dos indicados e a cerimônia de premiação.

Então, o calendário oficial fica assim:

16/11/13: The Governors Awards

02/12/13: Official Screen Credits

27/12/13: Início da votação dos indicados

08/01/14: Término da votação dos indicados

16/01/14: Anúncio dos indicados ao Oscar

10/02/14: Almoço dos indicados (Nominees Luncheon)

14/02/14: Início da votação final

15/02/14: Scientific and Technical Awards

25/02/14: Término da votação final

GOLD-Icon_CampasR02/03/14: 86th Academy Awards

E como em 2015, não haverá jogos olímpicos de Inverno, o Oscar 2015 já tem data definida: 22/02/15.

E enquanto ocorria a divulgação do calendário, corriam boatos de que o host do Oscar 2014 já estaria decidido: o cantor e ator Justin Timberlake. Os sites que confirmavam diziam que ele seria uma boa opção por seu apelo com o público jovem. Além disso, poderia fazer números musicais mais caprichados que o antecessor Seth MacFarlane.

Seann William Scott e Justin Timberlake como hosts do MTV Movie Awards 2003. Faz tempo, mas está no currículo. (photo by mtv.com)

Seann William Scott e Justin Timberlake como hosts do MTV Movie Awards 2003. Faz tempo, mas está no currículo. (photo by mtv.com)

Por outro lado, outros sites desmentem, alegando que se tratariam de boatos infundados, uma vez que o anúncio do host normalmente ocorre no segundo semestre e até lá, muita água ainda rolaria. Essa justificativa soa muito mais plausível, principalmente pela questão da antecipação de data, mas Justin Timberlake tem chances reais de se tornar o próximo host, levando em conta que já tem experiência no MTV Movie Awards (apresentou ao lado do ator Seann William Scott em 2003) e seus últimos filmes tem conquistado o público como a comédia romântica Amizade Colorida (2011) e A Rede Social (2010), em que interpreta o criador do Napster, Sean Parker.

James Franco e Anne Hathaway: Que isso não se repita! (photo by guardian.co.uk)

James Franco e Anne Hathaway: Que isso não se repita! (photo by guardian.co.uk)

Particularmente, tenho uma visão diferente dos produtores da Academia. Não acredito que quanto mais jovem o host for, maior a audiência. Quer prova melhor do que o fracasso da dupla Anne Hathaway e James-não-estou-sob-efeito-de-tóxicos-Franco? A idéia só parecia promissora, mas a realidade foi enganosa, pra ficar no adjetivo classudo. Se for contratar alguém mais jovem, que seja na linha de Chris Rock, que já tem experiência como comediante stand up. Claro que seria necessário controlar seu linguajar afiado, mas os cinco segundos de delay servem pra isso, certo?

Gostava muito do Billy Crystal, mas seu último ano foi bem decepcionante. Ficou bem claro que Crystal estava enferrujado para o cargo. Seus números musicais perderam aquele vigor com notas críticas aos filmes e a política. Em se tratando de musicais, seu substituto natural, Hugh Jackman, seria uma boa pedida para agradar todas as faixas etárias. Com menos pressão nesse possível retorno, Jackman estaria mais tranquilo para atuar e entreter o público do palco.

Contudo, meus votos seriam para os apresentadores da TV: Jon Stewart (do The Daily Show) e Ellen DeGeneres (do Ellen Show). Ambos já foram hosts do Oscar, tendo o primeiro apresentado duas vezes (2006 e 2008), e a segunda apenas uma em 2007, e têm amplo público fiel televisivo. Alguns discordam de Stewart para o cargo porque ele teria um “excesso político” no tradicional monólogo de abertura. Ele nunca escondeu o fato de ser eleitor do partido Democrata, tanto que costuma fazer piada contra Republicanos. Mas ele tem uma visão bem irônica que agrada o público de artistas, ainda mais que a maioria é Democrata também.

Jon Stewart e suas piadas políticas teriam um público-alvo mais maduro (photo by oscars.org)

Jon Stewart e suas piadas políticas teriam um público-alvo mais maduro (photo by oscars.org)

Ellen DeGeneres seria a opção mais agradável, hors concours. Suas piadas são mais inofensivas, analisando peculiaridades dos astros de Hollywood, com um teor bem mais saudável de política do que Jon Stewart. Porém, como ela anda extremamente ocupada com seu show, Ellen pode recusar o convite.

Agora, se pudesse sugerir um nome, ficaria com Jim Carrey. Como todos sabem, ele fez grande sucesso com comédias exageradas como Debi & Lóide – Dois Idiotas em Apuros, O Máskara e Ace Ventura – Um Detetive Diferente na primeira metade dos anos 90. Depois, buscou o tão sonhado Oscar com duas interpretações mais sérias em O Show de Truman – O Show da Vida (1998) e O Mundo de Andy (1999), mas só ficou mesmo com os Globos de Ouro. Quando levou um prêmio da MTV Movie Awards, Carrey foi trajado de hippie com o discurso de que havia jogado a toalha em relação à Academia, pois sequer fora indicado.

Jim Carrey apresentando o Oscar Honorário para o diretor e roteirista Blake Edwards em 2004 (photo by mundodse.com)

Jim Carrey apresentando o Oscar Honorário para o diretor e roteirista Blake Edwards em 2004 (photo by mundodse.com)

Jim Carrey já apresentou alguns prêmios na cerimônia do Oscar e mostrou ótima desenvoltura. Tomei como exemplo sua aparição no Oscar 1996, no qual ele cria piadas sobre os filmes com extrema facilidade ao fazer imitações perfeitas, satiriza a política internacional e ainda ironiza o universo por trás das câmeras. Claro que ele puxaria a sardinha para seu lado ao chorar que nunca foi reconhecido pela Academia, mas sua escolha como host serviria como ótimo alento. Veja clipe dele no Oscar 96, apresentando o prêmio de Melhor Fotografia (sem legendas):

E, numa qualidade bastante sofrível, temos o vídeo em que ele apresenta o Oscar de Melhor Montagem (com tradução simultânea em polonês, mas com legendas em inglês). No ano em que seria indicado para Melhor Ator por O Show de Truman – O Show da Vida, ele brinca com a sua exclusão da categoria, mas com muito bom humor. O pior desse ano foi o fato do vencedor ter sido Roberto Benigni por A Vida é Bela, pois para quem conhece o ator italiano, ele sempre atua do mesmo jeito em todos os filmes.

E você? Qual sua opinião sobre o próximo host? Justin Timberlake seria uma boa escolha? E Eddie Murphy? Ele seria o host desse ano, mas acabou saindo depois que o produtor do show, o diretor Brett Ratner, falou algumas besteiras numa entrevista. Vote na enquete abaixo:

Prévia do Oscar 2013: Melhor Ator

O último vencedor do Oscar de Melhor Ator: Jean Dujardin por O Artista (foto por ABACA)

Quais atores que merecem ganhar um Oscar, mas nunca ganharam? Sim, essa lista é extensa. Existem casos mais gritantes em que as pessoas soltam um “Como assim Johnny Depp nunca ganhou o Oscar?!” Sem contar os vexames históricos de grandes atores que nunca foram devidamente reconhecidos com o Oscar: Cary Grant (foi indicado duas vezes, mas só levou o Oscar Honorário em 1970), Montgomery Clift (embora seja um dos ícones de atuação e beleza dos anos 50, nunca levou o Oscar apesar das quatro chances que teve), Richard Burton (infelizmente, acabou sendo um dos recordistas de derrotas no Oscar: sete em sete indicações), Peter O’Toole (supera Richard Burton com 8 derrotas, mas em 2003, levou o Oscar Honorário) e James Dean (duas indicações póstumas e só).

Embora nada esteja oficializado, para muitos especialistas na premiação, o Oscar tem essa característica (nem sempre benéfica) de tentar compensar um ator ou atriz por derrotas anteriores. Essa estratégia já ficou evidente com James Stewart, que claramente deveria ter ganhado em 1940 com A Mulher Faz o Homem, mas foi compensado logo no ano seguinte com uma atuação mais light em Núpcias de Escândalo. Compensar acaba se tornando um ciclo vicioso sem fim e muitas vezes acaba prejudicando um profissional que merecia ganhar no ano em que outro foi compensado. Continuando no mesmo exemplo, em 1941, James Stewart compensado bateu alguns nomes meio conhecidos: Laurence Olivier (Rebecca – A Mulher Inesquecível), Charles Chaplin (O Grande Ditador) e Henry Fonda (As Vinhas da Ira).

O queridíssimo Jimmy Stewart com seu Oscar. Levou pelo filme errado.

Seguindo com esse sistema de compensar nomes previamente indicados, já teríamos uma gama bem diversificada para os próximos anos: Gary Oldman, James Franco, Mark Ruffalo, Jeremy Renner, Matt Damon, Robert Downey Jr., Ryan Gosling, só pra citar atores mais contemporâneos. Este ano, um dos nomes mais fortes pertence a essa lista: Bill Murray, o comediante formado pelo Saturday Night Live na década de 70, foi indicado ao Oscar em 2004 pela ótima interpretação em Encontros e Desencontros (2003). Seu nome certamente estará em destaque na temporada de premiação por ter dois bons trabalhos: Moonrise Kingdom, de Wes Anderson, e principalmente Hyde Park on Hudson, de Roger Michell, no qual dá vida ao presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, durante episódio em que recebe o rei e rainha da Inglaterra.

Outro que deve estar em alta no Oscar 2013 e pode formar a dupla favorita na categoria é o veterano Daniel Day-Lewis, que curiosamente, também interpreta um presidente americano: Abraham Lincoln no drama histórico de Steven Spielberg, Lincoln. Ambos se encaixam nas preferências da Academia: papel biográfico, grande atuação e maquiagem de envelhecimento.

Contudo, como o Oscar sempre tem envelopes com resultados imprevisíveis, Bill Murray e Daniel Day-Lewis podem bater palmas sentados nas poltronas para outro vencedor. A categoria de Melhor Ator sempre é uma das mais aguardadas por sempre apresentar fortes indicados (talvez exceto por aquele ano em que Roberto Benigni ganhou por A Vida é Bela e bancou o palhaço). Dê uma olhada em possíveis nomes que disputam as cinco cobiçadas vagas:

Clint Eastwood em Trouble With the Curve

CLINT EASTWOOD (Trouble With the Curve)

Clint Eastwood havia prometido que sua atuação em Gran Torino (2008) seria sua última da carreira, mas felizmente mudou de idéia com esse Trouble With the Curve. No filme, Clint vive Gus Lobel, um olheiro do beisebol que enfrenta dificuldades quando sua visão começa a falhar. Particularmente, gosto de assistir a um filme com Clint Eastwood, mesmo que seus últimos papéis praticamente tenham os mesmos problemas típicos da terceira idade (desde Os Imperdoáveis, 1992). Ele é uma estrela que aprendeu muito com diretores consagradíssimos como Don Siegel e Sergio Leone, tendo muito ainda a ensinar para esta geração. Aos 83 anos, não busca mais desafios como ator; simplesmente aceita seus papéis por identificação pessoal. Não é do tipo que usa maquiagem para se transformar e sequer muda os sotaques e o jeitão másculo de falar, mas mesmo assim, qualquer trabalho seu vale a pena assistir e curtir.

Ao contrário do que muitos pensam, Trouble With the Curve não foi dirigido por Eastwood, mas por seu assistente de direção de longa data, Robert Lorenz. Provavelmente, o fato de ele aceitar a atuar novamente se deve muito à gratidão a seu aprendiz e, claro, trabalhar com a jovem talentosa Amy Adams.

Já foi indicado duas vezes como Melhor Ator por Os Imperdoáveis e Menina de Ouro, mas nunca levou. Talvez a Academia tente compensar sua não-indicação por Gran Torino como forma de incentivá-lo a atuar.

Jamie Foxx em Django Livre

JAMIE FOXX (Django Livre)

Não que Jamie Foxx seja uma unanimidade para a Academia e seus votantes, mas devemos considerar dois fatos importantes: 1) Apesar de ter histórico maior com comédias, ele ganhou o Oscar merecidamente por interpretar o músico Ray Charles. 2) O diretor do filme Django Livre é Quentin Tarantino, cujo último filme, Bastardos Inglórios, conquistou 8 indicações, incluindo Melhor Filme. Apesar de serem qualificações que inevitavelmente o colocam em listas de possíveis nomes para o Oscar 2013, Jamie Foxx não teria sua maior arma: a transformação num papel biográfico.

Entretanto, seu papel de escravo que busca vingança contra seu dono e procura libertar sua mulher tem aquela alma de superação da trajetória de Russell Crowe em Gladiador, que levou o Oscar em 2001. Também conta a favor a presença de atores consagrados pela Academia: Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Samuel L. Jackson, Jonah Hill e Bruce Dern.

Jamie Foxx foi indicado duas vezes ao Oscar, no mesmo ano, como Coadjuvante em Colateral (2004) e levando como Melhor Ator por Ray (2004). Sua indicação este ano por Django Livre corre por fora, mas à princípio não seria algo impossível.

John Hawkes em The Sessions

JOHN HAWKES (The Sessions)

Embora John Hawkes ainda não seja um nome bem conhecido fora de Hollywood, ele começou a atuar desde os anos 80 em papéis bem pequenos. Nessa trajetória, Hawkes soube priorizar a diversidade de gêneros que lhe trouxe maturidade. Participou do filmes de ação A Hora do Rush (1998) e Mar em Fúria (2000), filmes de terror Um Drink no Inferno (1996) e Identidade (2003), e dramas como O Gângster (2007) e Martha Marcy May Marlene (2011). Em 2011, foi indicado como Coadjuvante pelo obscuro O Inverno da Alma, fato que certamente lhe abriu muitas portas, e agoratem a grande chance de finalmente dar um salto na carreira com o filme The Sessions.

Nele, interpreta Mark O’Brien que, ao saber que tem seus dias contados, procura perder sua virgindade com uma profissional do sexo com a ajuda de sua terapeuta e um padre. Talvez a temática seja um pouco avançada para o Oscar, mas o filme saiu aplaudido e premiado do último Festival de Sundance e o trio de atores: Hawkes, Helen Hunt e William H. Macy têm sido elogiados pela crítica, o que favorece ainda mais sua indicação.

Para quem conhece alguns de seus trabalhos, sabe que o ator busca versatilidade (basta comparar Inverno da Alma e este filme) e, ao contrário de muitos colegas de profissão, não procura chamar atenção para si, mas para seus personagens. Apesar de já experiente, John Hawkes tende a crescer bastante no cenário artístico e na mídia, e sua segunda indicação ao Oscar (desta vez como ator principal) certamente o ajudará a receber projetos ainda maiores e mais ambiciosos. Não deve ganhar o prêmio este ano, mas quase 100% de certeza de que leva o Independent Spirit Award, que acontece um dia antes do Oscar.

Philip Seymour Hoffman em The Master

PHILIP SEYMOUR HOFFMAN (The Master)

Philip Seymour Hoffman começou a atuar em filmes no começo dos anos 90. Felizmente, nunca foi do tipo galã, então teve que ralar bastante para conquistar seu lugar ao sol. Mesmo em papéis menores, teve oportunidade de conhecer e atuar com grandes atores como Paul Newman, Al Pacino, James Woods e Ellen Burstyn, buscando construir seu próprio estilo de interpretação. Na maioria de seus trabalhos, percebe-se que Hoffman prioriza a atuação mais contida, mesmo com seu trabalho premiado pela Academia em Capote (2005), em que teve que copiar alguns trejeitos típicos do romancista Truman Capote, ele procurou reprimir a sexualidade de seu personagem.

Além do aprendizado com referências de Hollywood, outro fator notável na carreira de Hoffman foi o início de uma parceria forte com o jovem cineasta norte-americano Paul Thomas Anderson que, aos 26 anos, realizou seu primeiro longa, Jogada de Risco (1996). Com o diretor, Philip Seymour Hoffman voltou a trabalhar em Boogie Nights – Prazer Sem Limites (1997), Magnólia (1999), Embriagado de Amor (2002) e agora no tão aguardado The Master, no qual dá vida ao filósofo carismático Lacaster Dodd, que seria baseado na figura do criador da Cientologia, L. Ron Hubbard.

Pelo filme, Philip Seymour Hoffman já ganhou o Volpi Cup de Melhor Ator (compartilhado com seu colega Joaquin Phoenix) no último Festival de Veneza, de onde Paul Thomas Anderson também saiu premiado como Melhor Diretor. Hoffman já foi indicado três vezes ao Oscar: Melhor Ator por Capote (2005), Melhor Ator Coadjuvante por Jogos do Poder (2007) e Dúvida (2008), tendo levado pelo primeiro.

* Existe uma possibilidade dos produtores do filme quererem colocar Philip Seymour Hoffman na disputa de Ator Coadjuvante, pois na teoria aumentariam suas chances.

Anthony Hopkins em Hitchcock

ANTHONY HOPKINS (Hitchcock)

Para muitos que acompanham os trabalhos do ator briânico Anthony Hopkins, há de concordar que faz um tempo que ele não oferece uma atuação de maior relevância. Hoje em dia, é mais conhecido apenas pelo seu papel mais famoso e assustador: o Dr. Hannibal Lecter, com o qual fez três filmes: O Silêncio dos Inocentes (1991), Hannibal (2001) e Dragão Vermelho (2002). Mas apesar do atual rótulo de psicopata e o tratamento de coadjuvante de luxo, Hopkins sempre se mostrou um ator completo desde que trabalhou ao lado de dois gigantes da profissão: Katharine Hepburn e Peter O’Toole em O Leão no Inverno (1968). De lá pra cá, conquistou a confiança de renomados diretores como James Ivory, Alan Parker, Richard Attenborough, Steven Spielberg e mais recentemente, o diretor brasileiro Fernando Meirelles, com quem trabalhou em 360.

Tem muitos atores que depois de atingir seu ponto culminante na carreira, deixa de procurar novos desafios pois não teria mais nada a provar para ninguém. Com este novo filme, Anthony Hopkins comprova que não é um deles. Para isso, engordou muitos quilos e ficou algumas horinhas na cadeira de maquiagem, certamente aperfeiçoando aquele sotaque característico do diretor Alfred Hitchcock e suas expressões frias.

Em Hitchcock, dirigido pelo novato Sacha Gervasi do premiado documentário Anvil: The Story of Anvil (2008), acompanhamos as filmagens do mais famoso longa do mestre do suspense: Psicose (1960). Nele, descobrimos os bastidores do filme coberto por algumas discussões e polêmicas envolvendo desde o uso de dublê de corpo para Janet Leigh (vivida pelo sex symbol Scarlett Johansson) na antológica cena do chuveiro, sua relação de amor e profissional com sua mulher Alma Reville (interpretada por Dame Helen Mirren), as brigas contra a censura que alegava violência excessiva, os problemas financeiros para investir na produção e a superação do próprio diretor que queria provar que ainda tinha muito a ensinar a Hollywood.

Anthony Hopkins já foi indicado quatro vezes para o prêmio da Academia: Melhor Ator por Vestígios do Dia (1993) e Nixon (1995), Melhor Ator Coadjuvante por Amistad (1997) e vencedor com um belo chianti por O Silêncio dos Inocentes (1991).

Hugh Jackman em Les Miserables

HUGH JACKMAN (Les Miserables)

Para muitos, ele pode ser apenas aquele que deu vida a um dos personagens mais queridos da Marvel Comics: Wolverine em cinco filmes, mas existe um ator por trás de tudo, e dos bons. Jackman foi descoberto ao atuar numa peça musical da Broadway intitulada Oklahoma! e depois disso, foi abraçado pelo mundo através dos filmes dos X-Men. Por causa do charme e boa aparência, foi questão de tempo migrar para as comédias românticas, nas quais fez par com Ashley Judd e Meg Ryan. Mas Jackman queria aproveitar seu ápice como celebridade e atuar em filmes blockbuster. Então, além das adaptações de HQs, tentou criar uma franquia rentável com o péssimo Val Helsing – O Caçador de Monstros (2004), trabalhou com Christopher Nolan no imponente O Grande Truque (2006) ao lado de Christian Bale, fez par romântico com Nicole Kidman na grandiosa produção de Baz Luhrmann, Austrália (2008), e estrelou o bom filme de efeitos especiais Gigantes de Aço (2011). Em 2013, ele retorna ao papel que o consagrou em The Wolverine, de James Mangold.

Ainda na veia do espetáculo, Jackman tem a oportunidade de atingir seu auge no musical Les Miserábles, de Tom Hooper, uma vez que ele tem vasta experiência em montagens de palco e nas premiações em que foi anfitrião: o Tony Award e o Oscar, onde ele canta e dança com extrema facilidade. Como o retorno do gênero musical ainda é considerado uma aposta em Hollywood, esta adaptação da obra homônima de Victor Hugo vem sendo chamada de ousada pelas proporções e estrelas. Além de Jackman, o diretor chamou alguns nomes com conhecimentos musicais: Anne Hathaway, Helena Bonham Carter, Sacha Baron Cohen, Amanda Seyfried, Russell Crowe (tem uma banda de rock australiana chamada 30 Odd Foot of Grunts) e Samantha Barks (descoberta num concerto musical do próprio Les Miserábles, interpretando seu papel de Éponine).

Hugh Jackman tem a faca e o queijo na mão para finalmente conseguir sua primeira indicação ao Oscar: musical de grande produção (espera-se que as bilheterias correspondam), diretor vencedor do Oscar, roteiro baseado em antológica obra literária e elenco premiado e/ou indicada pela Academia. Ele já foi indicado para o Globo de Ouro, como Melhor Ator – Comédia ou Musical, pela comédia Kate & Leopold (2001).

Daniel Day-Lewis em Lincoln

DANIEL DAY-LEWIS (Lincoln)

Quando a parceria com Spielberg havia sido anunciada num projeto tão grandioso, Daniel Day-Lewis já estava com uma mão na estatueta do Oscar: sua terceira. Não querendo desmerecer outros atores e suas performances, mas quem conhece o trabalho de Day-Lewis, sabe que ele realmente se aprofunda na personagem (até demais) e sempre entrega uma interpretação no mínimo notável e digna de premiação. Essa colaboração de um dos maiores atores do mundo com um dos maiores diretores do mundo causa expectativas enormes antes mesmo de ver um trailer do filme.

Lincoln tem todos os ingredientes para se sagrar vencedor do Oscar de Melhor Filme, a começar pelo roteiro de Tony Kushner (vencedor do prêmio Pulitzer) que abrange um período de lutas e vitórias do presidente Abraham Lincoln, figura de extrema importância para o nascimento da nação americana. Com Steven Spielberg assumindo o controle do projeto, vários colaboradores oscarizados automaticamente embarcam como o diretor de fotografia Janusz Kaminski, o montador Michael Khan, o compositor John Williams e o diretor de arte Rick Carter. Ainda nesse tabuleiro de xadrez, temos peças de renome como Tommy Lee Jones, Sally Field, Jackie Earle Haley, James Spader, Hal Holbrook, John Hawkes e Joseph Gordon-Levitt.

Com esse cenário colossal por trás, Daniel Day-Lewis, que normalmente já seria um nome provável para o Oscar, tem chances reais de subir pela terceira vez no palco e agradecer novamente pelo Oscar e pela equipe de maquiagem, que fez um trabalho excepcional para deixá-lo com a cara de Lincoln. Suas performances são resultado de extenso trabalho de pesquisa e concentração no set de filmagem. Há quem diga que o ator não sai do personagem até pouco tempo depois das filmagens, como se estivesse possuído. Apesar de ortodoxo, esse método já foi indicado quatro vezes ao Oscar: Em Nome do Pai (1993), Gangues de Nova York (2002), Meu Pé Esquerdo (1989) e Sangue Negro (2007), vencendo duas vezes pelos dois últimos filmes. Se ganhar, Daniel Day-Lewis se torna o maior vencedor de Oscar de Melhor Ator de todos os tempos. Jack Nicholson tem três estatuetas, sendo duas como Melhor Ator e uma como Coadjuvante.

Bill Murray em Hyde Park on Hudson

BILL MURRAY (Hyde Park on Hudson)

Se Bill Murray não tivesse sido indicado por Encontros e Desencontros em 2004, talvez seu nome nem figuraria aqui na lista. Não que seu trabalho não seja digno de reconhecimento, mas como todos sabemos, a Academia costuma desprezar atores de comédia. Felizmente, mesmo que tardia, sua indicação ao Oscar veio, e desde então, todos os projetos em que Murray atua automaticamente se torna uma promessa de reconhecimento.

Murray já foi o carismático Dr. Peter Venkman de Os Caça-Fantasmas, já parou no tempo como o jornalista Phil em O Fetiço do Tempo e já foi Bosley, o chefe das Panteras. Embora não sejam exatamente filmes típicos de material de Oscar, essas comédias exercitaram bastante o timing cômico dele. Qualquer projeto em que Bill Murray participa acaba progredindo com sua presença na tela. Aquele personagem razoável do roteiro se torna uma figuraça na pele do ator-comediante. E, ao contrário de Jim Carrey, a atuação cômica de Bill Murray se mostra no tom da voz, na ironia de suas palavras e principalmente na falta de careta.

Quando esteve na cerimônia do Oscar e perdeu para Sean Penn em 2004, Bill sentiu a derrota porque queria muito ganhar, pois achava que seria muito improvável retornar à premiação. Agora com este Hyde Park on Hudson, drama com humor baseado em fatos reais do presidente Franklin D. Roosevelt durante visita do rei George VI e rainha Elizabeth da Inglaterra em 1939, ele tem a maior chance de sua vida com uma segunda indicação ao Oscar. Apesar do favoritismo de Daniel Day-Lewis, o fato de Bill Murray nunca ter ganhado o prêmio pode pesar a seu favor.

Joaquin Phoenix em The Master

JOAQUIN PHOENIX (The Master)

O irmão mais novo do promissor River Phoenix, Joaquin também teve sua carreira de ator iniciada na infância, tendo sua atuação mais memorável no drama familiar Parenthood – O Tiro que Não Saiu Pela Culatra (1989). Desiludido com os papéis oferecidos a jovens atores, decidiu se afastar da profissão e do país, vivendo no México por três anos ao lado do pai. Em 1993, voltou em circunstâncias trágicas, quando encontrou seu irmão num club em Los Angeles sofrendo de overdose. Apesar de sua ligação pedindo uma ambulância, River Phoenix morreu jovem. E esse acontecimento teve um impacto sobre seu retorno à carreira de ator. Após muita insistência por parte de amigos e familiares, Joaquin aceitou um papel em Um Sonho Sem Limites (1995), dirigido por Gus Van Sant (diretor que trabalhou com River em Garotos de Programa).

Seu retorno recebeu elogios da crítica e Joaquin Phoenix foi se animando novamente, ganhando a confiança de atores e colegas. Em 1999, numa ótima performance no polêmico 8mm – Oito Milímetros, ele havia chamado minha atenção pela frieza do personagem do submundo dos “snuff films” (filmes pornográficos com violência real). Contudo em 2000, pelo épico Gladiador, Phoenix deixou de lado a atuação contida para se acabar em gritos, gestos e expressões fortes como o jovem imperador de Roma que busca a auto-afirmação. Apesar de ter recebido sua primeira indicação pelo papel, o ator só realmente se firmou nos anos seguintes ao interpretar o cantor country Johnny Cash em Johnny & June (2005), que resultou em sua segunda indicação, e principalmente em seu trabalho no ótimo drama Os Amantes (2008), de James Gray, no qual interpreta um homem dividido entre a paixão de duas mulheres.

Não sei se o fato de Joaquin aceitar muitos papéis de personagens depressivos ou em decadência tenha lhe afetado psicologicamente, mas em 2008, ele anunciou que iria se aposentar da carreira e pouco depois, participou do talk show de David Letterman (veja vídeo da entrevista abaixo). Alguns dizem que se trata de uma atuação, outros falam de “puro maketing pessoal” e talvez os mais sensatos digam que o parafuso soltou. Na entrevista, ele chega com um visual alternativo (barba comprida e óculos escuros), parece estar totalmente alienado e indiferente em relação às perguntas de Letterman. Mas, felizmente, Joaquin Phoenix voltou a atuar e este retorno triunfal pode ser premiado pela Academia.

* Se Philip Seymour Hoffman realmente for transferido para a categoria de coadjuvante, as chances de Phoenix certamente triplicam.

Denzel Washington em Flight

DENZEL WASHINGTON (Flight)

Desde que ganhou o Oscar de Melhor Ator em 2002, Denzel Washington nunca mais figurou na lista de indicados. Seria o começo da maldição do Oscar? Entre as décadas de 80 e 90, o ator deu preferência aos personagens engajados, que buscam valores essenciais para a humanidade como a liberdade. Assim, Denzel participou de A Soldier’s Story (1984), de Norman Jewison, Um Grito de Liberdade (1987), de Richard Attenborough, e Tempo de Glória (1989), de Edward Zwick, tornando-o automaticamente uma figura que representa toda uma nação negra pelos direitos de igualdade. E quando ele aceitou trabalhar com um dos diretores mais engajados, Spike Lee, em Malcolm X (1992), todos tinham certeza de que ele seria o segundo negro a ganhar o Oscar de Melhor Ator (o primeiro foi Sidney Poitier na década de 60). Bem, ele acabou sendo o segundo negro, mas não naquele ano, pois perdeu para Al Pacino.

Depois que ganhou por um papel considerado de vilão (um policial corrupto) em Dia de Treinamento (2001), Washington passou a atuar em filmes policiais com o recém-falecido Tony Scott, como Chamas da Vingança (2004) e Déjà vu (2006), e O Gângster (2007) sob a direção do irmão Ridley Scott,  vivendo um período de descanso dos papéis políticos. Este ano, aceitou trabalhar pela primeira vez com Robert Zemeckis (diretor inovador, responsável pela trilogia De Volta para o Futuro, por Forrest Gump – O Contador de Histórias (1994) e Náufrago (2000)) no filme Flight, de temática mais séria sobre piloto que salva avião de queda e passa a ser tratado como herói nacional até que novas investigações apontam seus defeitos.

Acredito que se o filme for bem recebido pelo público americano, tem grandes chances de Denzel Washington voltar como indicado ao prêmio da Academia, pois ele é uma celebridade muito querida em Hollywood apesar da seriedade política. Já foi indicado cinco vezes: Melhor Ator Coadjuvante por Um Grito de Liberdade e por Tempo de Glória (seu primeiro Oscar), Melhor Ator por Malcolm X, em 2000 por Hurricane: O Furacão e em 2002, vencendo por Dia de Treinamento.